terça-feira, 22 de julho de 2008

Terça-feira

Equilíbrio

Chegamos a um terço do Campeonato Brasileiro com os clubes amontoados na tabela de classificação sem um distanciamento muito grande entre os seus dois extremos. O Flamengo parou na liderança com 26 pontos, seguido pelo Grêmio com 25, Cruzeiro 24, Vitória e São Paulo 23. Ou seja, apenas três pontos separam o quinto colocado do primeiro. O Palmeiras, sexto colocado, tem 21 pontos, seis apenas acima do Atlético Mineiro, primeiro time fora da zona de rebaixamento. Entre eles têm cinco clubes com 15 pontos.

Gritos e sussurros

Sérgio Ramirez e Edson Gaúcho têm estilos parecidos. Revivem a imagem dos velhos sargentões do exército, durões e inflexíveis. Parece que dá certo. Mas só no início, depois vem o desgaste, os jogadores cansam de tanto puxão de orelha, de tanta gritaria. As torcidas do Marcílio Dias e do Criciúma assistem à sessão nostalgia protagonizada por estes dois profissionais. Ramirez está classificando o Marcílio para a segunda fase na série C do Brasileiro e Gaúcho dá sinais de que o Criciúma pode reagir na série B a partir da vitória fora de casa sobre o Bragantino. Tomara os dois técnicos passem dos gritos aos sussurros para que esta primeira impressão vá bem mais longe.

Tem lógica

Aliás, foi do treinador do Marcílio Dias que ouvi a melhor explicação sobre a diminuição do número de entrevistas durante os períodos de treinamento. Ramirez alega que assim não se tornará repetitivo e não dará dicas aos adversários.

De novo o apito

Figueirense e Internacional estão empatados em 19 pontos e nas reclamações contra as arbitragens. No Maracanã o time do PC Gusmão perdeu aos 41 do segundo tempo alegando falta no goleiro Wilson no gol do Fluminense. Em Recife o Inter saiu de campo reclamando do lance do pênalti em favor do Náutico. Os pernambucanos retrucam alegando que Nilmar estava impedido quando marcou o gol do empate. O líder Flamengo chora um gol mal anulado pela auxiliar Márcia Bezerra. E assim segue o Brasileirão, rodada a rodada, cheio de reclamações. Independente de quem tenha razão, da justeza das críticas, se a televisão esclarece ou confunde, a Comissão de Arbitragem da CBF segue impávida no seu silêncio e na sua omissão.

Intimidação

A chegada de Paulo César Gusmão trouxe mudanças na relação técnico-jornalistas, conturbada a partir do desmanche na assessoria de imprensa e do comportamento de algumas figuras do departamento de futebol do Figueirense, que na época incluía o treinador Alexandre Gallo. Mas, como uma andorinha só não faz o verão, o vestiário não mudou. Depois do jogo com o Fluminense, o homem da Figueirense Participações, José Carlos Lages, interpelou um repórter da Sport TV por causa de um a pergunta feita ao treinador.

Mesmice

Coisa mais sem graça essa rotina do futebol brasileiro que faz da vida dos treinadores um inferno. Agora foi a vez de Wagner Benazzi dançar e dar lugar a Valdir Espinosa na Portuguesa. Benazzi subiu duas vezes com a Lusa, no Paulista e no Brasleiro, mas não resistiu a quatro derrotas nos últimos cinco jogos.

Aleluia

Teremos a série D do Campeonato Brasileiro em 2009 com 40 clubes representando todas as regiões do país. Os quatro primeiros subirão para a série C, os quatro últimos desta descerão. Aos trancos e barrancos vamos nos arrastando rumo a um futebol com alguma organização.

Coveiros afoitos

Os apressados de sempre mataram um adversário mexicano e classificaram o Flamengo para as semifinais da Libertadores. Estes mesmos analistas de resultados não esperaram nem o defunto esfriar com a saída de Joel Santana e o recém chegado Caio Júnior já dirigia o melhor time do Brasileiro. Agora começaram a encontrar deficiências no elenco flamenguista e a assumir uma postura crítica capaz de um sepultamento sem velório.

Síndrome de visitante

O Internacional não ganha uma partida fora de casa no Brasileiro desde que derrotou o Vasco dia 4 de novembro em São Januário, ainda pelo returno do campeonato de 2007. São nove meses sem vitória como visitante. O Palmeiras em sete jogos fora este ano ganhou só um, 2 a 0 também sobre o Vasco em São Januário.











sábado, 19 de julho de 2008

Sábado

Lesões de ocasião

Pode ser mera coincidência, mas sempre que surgem os primeiros rumores sobre transferência de jogadores para o exterior, os envolvidos aparecem lesionados. Foi assim com César Prates, machucado na véspera de uma partida importante e que acabou com a goleada histórica de 5 a 0 para o Flamengo no Maracanã. Em seguida Prates, de tantas juras de amor ao Figueirense, foi embora para o Atlético Mineiro. Está sendo assim com o avaiano Válber, já visitando o departamento médico aos primeiros sinais de fumaça sobre uma provável viagem, pelo menos para consumo externo com destino incerto e não sabido.

Prova de fogo

O Figueirense parece ter encontrado o caminho da roça a partir da chegada do técnico Paulo César Gusmão, praticamente com o mesmo grupo de jogadores que passou sem sucesso pelas mãos de Alexandre Gallo e Guilherme Macuglia. O grande teste vai acontecer neste sábado, no Maracanã, quando o time enfrentará o Fluminense sem seu meio campo titular porque Diogo, Magal e Cleiton Xavier estão suspensos. Com todos os titulares o Figueirense derrubou a bolsa de apostas que previa derrotas para Palmeiras e Ipatinga. Agora, com a invencibilidade em jogo, PC Gusmão terá que utilizar a cartola para encontrar uma solução mágica e voltar com um bom resultado do Rio de Janeiro.

“Uno di noi ?”

Acabou com final feliz a novela Ronaldinho Gaúcho. Pelo menos para o Milan e para o jogador, que passou dois dias na maior badalação entre jornalistas e torcedores do clube italiano, felizes com a nova contratação que fará companhia a Kaká e Pato. De Milão a Pequim é que, de agora em diante, a coisa tem que funcionar. Ronaldinho interrompeu o período especial de treinamento – não joga há meses – para viajar, assinar seu novo contrato e tornar-se um deles, como festejaram os milaneses. A seleção olímpica brasileira tem planos para se reunir somente a partir do dia 21 em Genebra, Suíça, mesma cidade da esbórnia nos preparativos para a Copa de 2006. Só a partir daí é que a CBF, Ronaldinho e os demais convocados começarão a levar a Olimpíada a sério.

Sempre o apito

As queixas contra as arbitragens alcançam todos os cantos do país e as duas séries do Campeonato Brasileiro. A maior delas é por causa do excesso de cartões amarelos e jogos muito truncados pela marcação de faltas a qualquer encontrão. Os critérios utilizados para as punições são diferentes de um jogo para outro, às vezes envolvendo o mesmo árbitro. A Comissão de Arbitragem da CBF bem que podia reunir a turma, passar uma carraspana geral e botar ordem na casa para acabar com essa zona que virou o apito brasileiro. Não escapam nem os chamados FIFA.

Inversão

Quem acompanha o telejornalismo brasileiro deve observar um interessante desvio de rota nos principais programas do gênero, hoje transformados em grandes revistas de amenidades. Enquanto isso um programa como o de Ana Maria Braga, por exemplo, além dos frufrus matinais, apresenta abordagens mais aprofundadas em reportagens sobre os grandes assuntos jornalísticos do nosso dia-a-dia. Foi assim com o tratamento dado às vítimas do Palace II, repetiu-se com o acidente da TAM, que completou um ano na última quinta-feira. Sobram para os grandes telejornais, pingüins, baleias e o noticiário policial, incluindo aí corrupção e a lama de Brasília.

Agonia e morte

O Marcílio Dias respira com dificuldade e o Metropolitano agoniza na série C do Brasileiro. A surpresa é a recuperação aparente do Marinheiro, ao mesmo tempo em que o representante de Blumenau derruba, pelo menos até o momento, a expectativa de uma boa participação nesta primeira fase da competição.

Mau jornalismo

Ufanismo e desinformação não podem ser parceiros no jornalismo. Como aconteceu no noticiário sobre o basquete brasileiro no pré-olímpico. Vitória fácil sobre o Líbano e pronto. Viramos os melhores do mundo, praticamente classificados para a Olimpíada. A possibilidade de uma derrota para a Grécia foi deixada de lado. Só ouvi um jornalista dizer que a vitória fácil sobre o Líbano não deveria esconder nossas dificuldades daquele momento em diante.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Quinta-feira

“Il capo di tutti capi”

Eu não quero, ele não quer, nós não queremos. É essa a mecânica que acaba na liberação ou não de jogadores brasileiros convocados para a seleção brasileira de futebol que vai à Olimpíada. Enquanto a CBF se omite na negociação direta que deveria fazer com os clubes europeus e transfere a responsabilidade para os jogadores, acabamos de assistir a mais um capítulo dessa novela. Agora a bola da vez é o poderoso chefão Sílvio Berlusconi, o dono do Milan, para onde Ronaldinho Gaúcho acaba de se transferir. Ronaldinho vai, Ronaldinho vem e Berlusconi diz que o dentuço está liberado para jogar a Olimpíada. Não é novidade, é uma repetição do que já aconteceu com Kaká. Manda quem pode, obedece quem precisa, conclui sabiamente o filósofo bodegueiro ali da esquina assistindo na tevê o noticiário esportivo e a arenga do vai-não-vai de Ronaldinho e outros menos votados.

Barriga fenomenal

O outro Ronaldo, o Nazário, está em recuperação da última cirurgia. Tem circulado pelos iates do mundo mostrando, em poucos meses de ócio criativo, uma barriguinha que um cervejeiro profissional gasta anos esfregando cotovelos em mesas e balcões para cultivar. As imagens chocam o mais desligado dos torcedores, o mais desinformado dos jornalistas acostumados à rotina dos grandes craques mundiais. Impressiona tanto que os incrédulos já levantam a hipótese de o volume abdominal do Ronaldo ser fruto de retoques fotográficos, hoje possíveis graças a um recurso chamado “fotoshop”. Quem seria capaz de uma maldade desse tamanho? E qual a razão?

Olho mecânico

As arbitragens andam mesmo muito ruins ou a tevê mostra mais do que os olhos de um simples mortal podem enxergar? Seja qual for a opção correta o fato é que os erros estão acontecendo em volume razoável em praticamente todos os jogos. Nos que eu assisto via “pay per view”, nas duas séries, dá para anotar, assim por alto, uma meia dúzia deles a cada rodada. O capixaba que apitou Avaí x Gama, por exemplo, foi uma calamidade. Aliás, pra que mandar um árbitro do Espírito Santo para apitar em Florianópolis? Estive há pouco tempo em Vitória e o futebol por lá andava abaixo da cola do cachorro.

Até que enfim

Guarani de Palhoça e Próspera não jogaram pela primeira rodada da segunda divisão, categoria que os gênios da Federação resolveram pomposa e enganosamente chamar de Divisão Especial. Um protesto do Guarani contra o Cidade Azul, que teria utilizado um jogador irregular na última rodada do Catarinense de 2007, motivou uma decisão do presidente do TJD, Luciano Hostins, impedindo a realização daquela partida até que se resolva a pendenga. Finalmente alguém de bom senso, com cara e coragem, resolveu tomar uma atitude. Em outros tempos a sujeira ia pra baixo do tapete e ponto final.

Nada se cria
Os Jogos Abertos de Santa Catarina de 2008 já têm logomarca, divulgada na terça-feira por sua Comissão Organizadora. A competição em quatro sedes, coisa do inventivo Marcelo Greuel, será repetida este ano em Pomerode, Timbó, Indaial e Rio dos Cedros. Marcelo foi atleta olímpico e durante muitos anos presidente da Fundação de Esportes de Blumenau. Da sua experiência de campo e criatividade como dirigente nasceram em 2004 os Jogos Abertos com sedes divididas, as mesmas que serão utilizadas este ano. O que é bom deve mesmo ser copiado.

As últimas dos técnicos

Leandro Machado saiu do Criciúma para o Náutico e foi demitido mesmo ganhando do São Paulo. É que na rodada seguinte perdeu o clássico no seu estádio para o Sport. Guilherme Macuglia, dispensado pelo Figueirense depois de goleadas históricas, mas credenciado por um bom trabalho com o Guaratinguetá no Campeonato Paulista foi parar no São Caetano. De cara, em casa, levou uma pancada de 4 a 0 do modesto ABC. No lado B dessa rotina tem o Caio Júnior, em lua de mel com a torcida do Flamengo e que por isso acaba de rejeitar uma proposta milionária do Qatar. Tomara o jovem e entusiasmado Caio não se arrependa, pois vida de técnico, todo mundo sabe, é só pra quem jogou pedra na cruz.


terça-feira, 15 de julho de 2008

Terça-feira

Bandeira branca

Uma campanha pela paz nos estádios está começando no Rio de Janeiro envolvendo duas carismáticas figuras de dois dos maiores e mais populares clubes brasileiros. O movimento é natural e espontâneo e tem as participações de Zico, hoje treinador desempregado, e de Roberto Dinamite, recém eleito presidente vascaíno. Pelo lado do Flamengo surge também o polêmico Márcio Braga, que no momento parece ter deixado a vaidade de lado para assumir um papel importante nessa luta pela volta da civilidade aos campos de futebol. Os presidentes de Vasco e Flamengo assistiram juntos na tribuna do Maracanã ao clássico de domingo. Zico e Dinamite têm participado lado a lado de entrevistas as emissoras de rádio e tevê, trocando gentilezas e elogios, revivendo suas glórias passadas e mostrando quem são no presente, uma espécie de lenitivo à convivência pacífica entre as torcidas. Como está fazendo bem ao futebol brasileiro a aposentadoria compulsória de uma figura sinistra como a de Eurico Miranda. Ainda tem muita gente nessa fila que precisa andar rápido, inclusive em Santa Catarina.

Brincando com o perigo

Sorte do Silas que o Ministério Público, Polícia Militar e dirigentes mal orientados não gostam de arquibancadas coloridas e cheias de torcedores. Caso contrário o treinador do Avaí passaria por mais uma sessão de vaias sábado em Criciúma. Como o torcedor do seu time não pôde ir ao jogo por causa da estapafúrdia decisão das autoridades e cartolas proibindo o azul no estádio Heriberto Hulse, Silas escapou de novos protestos. Ele parece não saber, talvez por falta de experiência no comando, que a voz das arquibancadas, apesar de passional, é sábia e sensível aos eventuais desvios de rota. Tanto que mesmo com a boa campanha a torcida do Avaí já emitira os primeiros sinais de descontentamento na partida com o Juventude. Contra o Criciúma montou um esquema medroso com a troca de um atacante por um zagueiro trapalhão. O time jogou recuado e tremendo diante de um adversário pedindo pra perder. Silas não aceita críticas nem as vaias, esquenta a cabeça e ameaça entregar o cargo. Antes que o caldo entorne seria melhor o técnico avaiano rever algumas de suas posições. É um método simples e indolor, com efeitos práticos e imediatos, que podem acalmar o torcedor já a partir do jogo contra o Gama esta noite na Ressacada.


Bravíssimo Diarinho

Sou do tempo das receitas de bolo substituindo matérias censuradas, de muita porrada no povo que ousasse ir às ruas protestar, da conversa cuidadosa pelos cantos nos corredores da PUC em Porto Alegre, das coberturas jornalísticas cheias de medo e desconfiança, de policiais militares nas redações de O Estado, em Florianópolis, com pranchetas para o editor dar o ciente da proibição disto e daquilo. Pensei que tudo isso era passado, especialmente para políticos que se apresentam como defensores da democracia, como combatentes de tudo o que vivemos com a ditadura. Bando de mentirosos. E pior: colegas de profissão assinando em baixo do “caça às bruxas” versão século vinte e um. Bravo Diarinho.

Bagunça olímpica

Estamos bem perto da Olimpíada e a seleção brasileira de futebol ainda não deu o ar da graça. Em matéria de preparação estamos reduzidos a dois amistosos ridículos e programados às pressas, combinados com a polêmica convocação de Ronaldinho Gaúcho pelo presidente da CBF. Diante dessa realidade Dunga já deveria ter tirado o time de campo, no mínimo para preservar sua imagem como o grande capitão brasileiro que foi na Copa de 1994. Carlos Alberto Parreira, que em 2006 se omitiu diante da bagunça generalizada que tomou conta da turma brasileira naquele Mundial, reclama da falta de um projeto olímpico e pergunta quantos partidas essa seleção jogou. Colocação oportuna, pena que feita por pessoa não muito gabaritada em função do ocorrido na Alemanha. Pena, também, que a mídia mais poderosa e próxima dos acontecimentos continue em silêncio.


sábado, 12 de julho de 2008

Sábado/domingo

Mentiras e vídeo teipe

Por mais que se esforce a CBF não consegue ser convincente na polêmica que envolve a liberação de jogadores para a Olimpíada. Quer os convocados, mas não luta por eles para não se atritar com a FIFA. Dá o tapa e esconde a mão. Agora que Joseph Blatter oficializou a obrigatoriedade de liberação de jogadores até 23 anos pode ser que Ricardo Teixeira se apresente para encarar a situação fazendo seu jogo de cena de sempre. Até aqui o presidente da CBF ignorou Dunga e convocou Ronaldinho, que não joga faz tempo e treina muito pouco, isto a menos de um mês da viagem a Pequim. Por sua vez o Barcelona anuncia que não vai liberar o jogador brasileiro que, para consumo externo, tem dito que gostaria muito de lutar pela medalha olímpica. Entre mentiras e dissimulações assistimos a mais uma reprise de situações já vividas pela seleção brasileira com a participação de dirigentes, comissão técnica e das estrelas convocadas, transformando a camisa amarela em pano pra manga. Só isso.

Não ajuda e atrapalha

Paralelamente às confusões olímpicas aparece Wanderley Luxemburgo para mexer nesse panelão com sua colher torta. No meio de uma palestra motivacional (treinadores adoram esse termo) para empresários em São Paulo enxertou o assunto seleção com críticas ao trabalho de Dunga. E ainda se disse candidato ao cargo para o qual, segundo ele, Dunga não está preparado. Gente fina esse Luxemburgo.

Convivência difícil

O torcedor, passional por natureza, não poupa ninguém quando está descontente e sua manifestação, poderosa e às vezes intimidadora, é capaz de provocar reações inesperadas dos atingidos pelas críticas. Como aconteceu com Silas, treinador do Avaí, durante o jogo contra o Juventude. Ao sair de campo ameaçou entregar o cargo depois de ser chamado de burro e vaiado por causa de uma substituição. Nada mais desproporcional do que esta reação de Silas, talvez por sua pouca experiência na profissão. O jovem técnico precisa se acostumar com esse chavão do futebol, herói hoje, vilão amanhã.

Na boca do túnel

Para superar esse tipo de problema vivido por Silas é preciso, além de ouvidos moucos, um bom suporte do túnel para dentro, o que significa sustentação para o trabalho da comissão técnica como um todo, não apenas do treinador. Coisa que não acontece, por exemplo, no Criciúma, que acaba de trocar de novo o comando do time. Edson Gaúcho chega ao clube pela quinta vez para substituir Gelson da Silva, outro que entra e sai, levando junto preparador físico, auxiliar técnico e toda “entourage” que costuma acompanhar quem entra pela porta da frente ou quem vai embora pela porta dos fundos. Até o Marcílio Dias, escondidinho na série C, resolveu dar o ar da graça e um pé no traseiro do Mauro Ovelha. Para o seu lugar já apareceu Sérgio Ramirez, até prova em contrário, o maior plantonista entre os treinadores brasileiros.

Jogo bomba

O confronto deste sábado entre Criciúma é Avaí tem todos os ingredientes para um jogo de altíssimo risco. Rivalidade, necessidade de afirmação de Silas e seu time, compromisso de recuperação para o estreante Edson Gaúcho e o agonizante Criciúma. Mas é nas arquibancadas e fora do estádio que mora o perigo. A imagem do seu Ivo e as seqüelas sentidas por ele depois do último encontro entre torcidas de Avaí e Criciúma devem orientar o planejamento dos responsáveis pela segurança no Heriberto Hulse, antes e depois da partida.

Frases

“Na Europa a paixão é pelo dinheiro, não pelo futebol”. De Júlio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina, a CBF deles, irritado com a posição dos clubes europeus que relutam em ceder jogadores convocados para a Olimpíada. “A polícia prende, a justiça solta e nós pagamos”. Do povo sobre a postura do judiciário soltando os quadrilheiros de “colarinhos brancos” presos todos os dias pela Polícia Federal. Não fica um na cadeia, independente da cor da moeda e do tamanho do delito, esportivo (CPI da Bola) ou não.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quinta-feira

A esculhambação nossa de cada dia

Em matéria de preparação da seleção brasileira para a Olimpíada vamos muito mal, obrigado. Não houve planejamento, a convocação está saindo em cima da hora e sem o devido cuidado com a possibilidade de negativa por alguns clubes europeus. Ronaldinho é o caso mais gritante, pois além de estar completamente fora de forma a menos de um mês da competição, o Barcelona vem anunciando aos quatro ventos que não vai liberar o jogador. O mesmo pode acontecer com outros nomes escolhidos por Dunga porque os clubes europeus não se sentem na obrigação de atender as convocações da CBF sob a velha desculpa de que a Olimpíada não é evento FIFA. Resultado é que hoje não temos um grupo definido e muito menos um time. Como preparação fizemos apenas dois amistosos, um contra os melhores do Brasileiro de 2007, com derrota de 3 a 0, outro contra uma seleção carioca formada pelos times do terceiro mundo, os madureiras da vida. Vitória brilhante por 1 a 0. Nos dois casos os jogadores se reuniram no aeroporto, fizeram o aquecimento no avião e desceram para o gramado direto do ônibus da Infraero. Ou seja, a CBF está andando para o time que vai representar nosso futebol em Pequim. É bom não esquecer que medalha de ouro olímpica ainda não foi pendurada no peito de jogador brasileiro.

Dois senhores

Meu amigo e companheiro de muitas jornadas há mais de 30 anos, o jornalista JB Telles, está assumindo a assessoria de imprensa da Federação Catarinense de Futebol. Trago isso a público como notícia. A mim não cabe discutir escolhas, apenas lembrar ao amigo, como já fiz em conversa, olho no olho, que não se pode acender uma vela pro santo, outra pro diabo, caso do Telles que no momento é assessor da diretoria do Figueirense. Sei que aí tem santo e demo nos dois lados e que a opção profissional tem a ver com questões financeiras. Mas não há nada mais incompatível no nosso futebol do que servir a um clube e à Federação ao mesmo tempo.

O sul não é Brasil

Alguns setores da mídia esportiva de Rio e São Paulo, o chamado eixo, às vezes do bem, às vezes do mal, tem uma má vontade evidente contra o futebol do sul do país, incluindo arbitragem. Entre os treinadores, a vítima da hora é Dunga, seguido de perto por Renato Gaúcho e o paranaense Cuca. Antipatia que se estende a árbitros e times, sempre olhados com desdém, avaliados com desconfiança e preconceito. Não adiantam títulos nacionais e internacionais, grife FIFA no caso dos árbitros, o reconhecimento só acontece diante do indesmentível. Assim como reza a lenda de que durante muito tempo americano pensava que Buenos Aires era a capital do Brasil, cariocas e paulistas ainda se consideram o centro do planeta em matéria de futebol, classificação que mudou faz tempo.

Maus alunos

A maratona de jogos nas duas séries do Campeonato Brasileiro nas próximas semanas promete fazer estragos em quem não conseguiu a preparação adequada ou promoveu desmanches já a partir do início da competição, sem a reposição necessária. Três clubes em especial chamam a atenção nestas primeiras rodadas: o Internacional, mais uma vez relacionado como favorito, não confirma. Perdeu primeiro o técnico Abel, depois Fernandão, Yarlei e Gil e ainda pode ficar sem o argentino Guiñazu. Por enquanto só o zagueiro Bolívar, que já foi do Inter, apareceu como reforço e ainda assim para ser aproveitado só a partir de agosto. Os exemplos domésticos vêm de Figueirense e Criciúma que negociaram vários jogadores e trocaram de técnico durante o Brasileiro. Os resultados no Orlando Scarpelli agora começam a melhorar ainda que não se traduzam em confiança absoluta do torcedor. Em Criciúma a situação é muito mais complicada e aquela nuvem negra com ameaça de rebaixamento começa a pairar sobre o estádio Heriberto Hulse, trazendo junto a perspectiva de uma nova troca de treinador. É tudo uma repetição de anos anteriores com lições não assimiladas pelos dirigentes que reproduzem erros monumentais, intranqüilizam e desesperam o torcedor.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Terça-feira

Fla-Flu

A fila não andou para Grêmio e Cruzeiro, vice-líderes do Brasileiro até a rodada do final de semana, o que permitiu a aproximação de Vitória e Palmeiras e o distanciamento do Flamengo na liderança. Enquanto isso, lá em baixo na tabela, segurando a lanterna, está o Fluminense, uma tragédia para a nação tricolor até semana passada em lua de mel com o time por causa da Libertadores.

Filme antigo

Em casa o Figueirense surpreendeu o Vasco e pode confirmar fora, contra o Palmeiras na próxima rodada, que começou sua recuperação a partir da chegada do PC Gusmão. Assistimos no Orlando Scarpelli a repetição das últimas temporadas, com muitos erros nas contratações e troca de treinadores, até o time deslanchar e acabar fazendo boa campanha. Só falta acabar o silêncio e melhorar o comportamento de algumas figuras sinistras nos bastidores.

Decepção

O Bahia era o vice-lanterna, mas quem jogou como tal foi o Avaí, derrotado sexta-feira em Feira de Santana e derrubado do segundo para o quinto lugar. O Criciúma segue abrindo caminho para sua volta à serie C. Montar um time para o Brasileiro e iniciar a operação desmanche já nas primeiras rodadas é tragédia anunciada.

Aviso

É começo, ta certo, mas o desempenho na primeira rodada da série C dos nossos representantes já sinalizou problemas sérios para a campanha do Marcílio Dias e um futuro melhor para o Metropolitano.

Aula de tênis

Quem viu a decisão de Wimbledon entre o suíço Roger Federer e o espanho Rafael Nadal assistiu um tênis próximo do preciosismo e da perfeição. Federer bom na grama e Nadal, rei do saibro e campeão este ano, deram show em 4h48min de jogo, sem contar duas interrupções por causa da chuva. O torneio inglês não era a praia de Guga, mas dá saudade de quem foi o melhor em toda a história do tênis brasileiro. Ao mesmo tempo sentimos uma profunda decepção ao lembrarmos que, além de não estar mais em quadra, não deixou substituto. Guga passou e nosso tênis voltou à estaca zero.

Extremos

O Grêmio perdeu Roger para o futebol árabe e também o toque de qualidade que tinha no seu meio campo, resultado que pôde ser visto na derrota para o Botafogo. E o lateral Paulo Sérgio repete no time gaúcho o que fazia no Figueirense com um futebol de muita disposição e vigor físico, mas de péssimo acabamento.

Para constar

Enquanto o presidente Delfim Peixoto passeia pela Disney visitando Pateta & Cia, a Federação fica nas mãos do Murilo Capella e do filho Rodrigo, a eminência parda da entidade. Como se sabe que vice na maioria das vezes nem papel assina, o doutor vai e vem sem maiores novidades no front.

Controle de qualidade

Guliano Bozzano, escorraçado por Delfim “et caterva” para a Federação de Brasília, fez um bom trabalho no último sábado na partida entre Sport e Cruzeiro. No domingo Célio Amorim, um dos queridinhos do doutor, tratou de desagradar a gregos e troianos em Goiânia, onde jogaram Goiás e Fluminense.

Alô Brasil

Quem pediu a Copa do Mundo de 2010 para a África do Sul deve estar arrependido até o último fio de cabelo porque o orçamento já estourou em US$ 387 milhões acima dos US$ 1,28 bilhão previstos. E isso é apenas parte do que nos espera rumo ao delírio de 2014.

Papo furado

A paradinha continua rendendo reclamações tolas, principalmente por parte dos goleiros, os mais incomodados. Não há razão para tanta polêmica, a regra não faz nenhuma alusão a qualquer tipo de impedimento para esse tipo de cobrança de pênalti. É um artifício que beneficia quem tem coragem e habilidade, o que não é o caso, parece, daqueles três desastrados do Fluminense, transformados em pernas de pau exatamente porque não conseguiram se dar bem nem fazendo o básico.

Dinamite

A direção do Vasco mudou de mãos, provavelmente para melhor. Bem que estamos precisando dinamitar algumas estruturas arcaicas e perenes do nosso futebol. Que os bons fluídos orientem a nova presidência vascaína, irradiando seus resultados para várias instituições esportivas deste país, tão necessitadas quanto o clube carioca de uma implosão.









sábado, 5 de julho de 2008

Sábado/domingo

Gol contra

Parte da renda do jogo final da Libertadores no Maracanã (mais ou menos R$ 3 milhões) foi penhorada em favor de Branco, o coordenador de futebol do Fluminense, que cobra uma dívida do clube em ação que corre na justiça desde 1994. O advogado e o jogador decidiram executar a cobrança justo no dia mais importante da história do Fluminense. Não fosse estranha a própria atitude tomada por quem exerce uma função tão importante na defesa dos interesses da agremiação, é inusitada a decisão dos dirigentes contratando alguém em litígio judicial. Além do mais a origem da dívida é igualmente estarrecedora. São salários pagos pela CBF ao Fluminense no período em que Branco servia a seleção brasileira na Copa do Mundo, valores que não foram repassados ao jogador. Branco não deveria estar trabalhando no clube réu de sua ação na justiça muito menos a direção do Fluminense poderia contratá-lo nessa circunstância. Misturaram alhos com bugalhos e todo mundo saiu perdendo nesse episódio típico da administração do futebol brasileiro.

Pobre futebol

O “day after” da derrota do Fluminense virou uma comédia pastelão da pior qualidade. Junto com a notícia da penhora de parte da renda os jornais cariocas trataram de publicar as reações ridículas de jogadores do Flamengo brincando com a desgraça alheia. Uma impropriedade inadmissível e que mais adiante terá suas conseqüências, tomara sem desdobramentos além das quatro linhas com envolvimento das duas torcidas.

Fim de carreira

Ronaldo, em pose fenomenal, foi flagrado esta semana por fotógrafos “paparazzi” derramando uma razoável barriguinha sobre a cueca e com um cigarro em uma das mãos. O dia a dia do ex-fenômeno nos últimos meses indica que seu futuro como jogador de futebol e um final de carreira digno do seu passado como um dos grandes artilheiros mundiais ficaram em segundo plano. Que clube arriscará uma contratação milionária envolvendo um atleta que trata com tanto desleixo sua própria imagem e a condição física essencial para o exercício da profissão? Parece mesmo o fim da linha para quem viveu boa parte da carreira sob a mira de bisturis e em tratamento para recuperação de lesões graves.

Que Olimpíada?

Depois de convocado por Ricardo Teixeira para a Olimpíada, e não por Dunga, como, como seria natural, Ronaldinho Gaúcho contraria todas as informações e expectativas reveladas pelo presidente da CBF. A protuberância abdominal do dentuço mostrada em fotos e transmissões de tevê durante a semana denuncia a falta de cuidado de quem daqui a um mês e pouco deveria estar a serviço da seleção brasileira olímpica. Teixeira vai acabar dando razão a Dunga que há muito tempo e nem tão veladamente vem se mostrado contrariado com o comportamento de Ronaldinho fora do campo. Por razões até aqui desconhecidas o técnico da seleção brasileira prefere ver Ronaldinho tratando de seus assuntos particulares.

Caseiras

Voltando para os assuntos domésticos, a grande curiosidade da semana é a estréia do Marcílio Dias na série C do Campeonato Brasileiro. Pelo que tenho lido sobre os preparativos do Marinheiro, a esperança de uma boa participação está em Blumenau com o Metropolitano.

É assim que funciona

Os jornais da sexta-feira noticiaram que a CBF deu o oquei a mais de 60 estádios que serão utilizados na disputa da série C. Os relatórios elaborados pelos responsáveis por vistorias em alguns destes estádios devem ser verdadeiras peças de ficção. Acidentes graves e com vítimas fatais como o que aconteceu na Fonte Nova em Salvador continuam sem desdobramentos a não ser para aqueles que sofrem com a falta de segurança das nossas praças esportivas.

Judas

O Fluminense passou da noite para o dia do sonho do título da Libertadores ao pesadelo da lanterna no Campeonato Brasileiro. E Renato Gaúcho virou o grande vilão do fracasso nos dois jogos finais. Os três jogadores que cobraram ridiculamente os pênaltis decisivos continuam com seus empregos garantidos e sem nenhuma pressão da mídia ou da torcida.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Quinta-feira

E viva o torcedor brasileiro

Tenho um colega, comentarista de uma emissora de rádio de Florianópolis, que vive dando lições de moral e sugerindo regras de conduta para o torcedor. Pelo denodo com que se dedica à causa tão quixotesca quanto hilária, daqui a pouco estará editando o manual da torcida bem comportada, prefiro dizer, mais careta e descaracterizada do planeta futebol. Em respeito ao seu passado e presente, zelando pelo seu futuro e pela nossa amizade, prefiro não identificá-lo. Amigo, já não chega a cartolagem querer acabar com bandeiras, faixas, camisas, tudo o que faz o colorido das arquibancadas? Claro que os reparos que faço às contestações do companheiro de muitas jornadas se restringem aquilo que ele não aceita como manifestações civilizadas e pertinentes às reações que não infrinjam leis e façam da rivalidade motivo para agressões. De resto estou com ele e não abro. Esse comentário vem a reboque das críticas que li e ouvi de jornalistas consagrados, ou nem tanto, sobre o comportamento da torcida do Fluminense antes da decisão da Libertadores com a LDU. Ora, queriam o quê? Um carro fúnebre puxando um desfile de carpideiras com torcedores entristecidos e derrotados feito perus natalinos, mortos de véspera? Escrevo sem saber o resultado da partida mais importante na história do Flu, mas aceitando e entendendo o foguetório e a alegria dos seus torcedores, confiantes, exultantes com a chance de uma conquista grandiosa em um palco como o Maracanã. Como condenar o clima de euforia, o pó de arroz e o imaginário tricolor? Teve crítico lembrando a Copa de 50. Devagar com o andor: não foi a torcida quem tirou aquele título do Brasil. O presente dado aos uruguaios foi uma generosidade de dirigentes e políticos – sempre eles – responsáveis pela contaminação do ambiente na concentração da seleção brasileira. Não venham me dizer, em caso de derrota, que foi a torcida quem evitou o título do Fluminense e entregou as faixas os equatorianos.

Promessas vãs

Tem gente que beija o escudo do clube pregado na camisa, outros fazem juras de amor, promessas de dedicação extrema. E ainda tem aqueles que tentam passar a imagem do profissionalismo exercido com muita ética e retidão. Tudo isso dura até a primeira proposta, a primeira contrariedade, ou a conclusão de uma transferência envolvendo cifras inatingíveis por quem acaba perdendo o técnico ou o jogador. É o tal mercado de trabalho hoje movido a euros e dólares. O problema é que em muitos casos a mudança não se limita ao principal personagem. Os treinadores gostam de levar junto, além do restante da comissão técnica, atletas de sua absoluta confiança. Adilson Batista, por exemplo, anda com Marquinhos Paraná a tiracolo, primeiro no Japão, atualmente no Cruzeiro. Abel Braga, “colorado roxo”, como gostava de declarar, deixou o Inter na mão e não contente com isso, acaba de desfalcar o ex-clube do argentino Guiñazu, seu principal jogador, que fará companhia ao treinador no futebol árabe. Gallo passou pelo Figueirense como um furacão, criando polêmica e, de quebra, levando César Prates – outro que jurou amor eterno à cidade, à torcida e ao clube - para o Atlético MG.

Nome próprio

A paradinha renasceu e virou mania nacional como mostram os jogos do Campeonato Brasileiro nas duas séries. O artifício é válido e tem sido utilizado novamente em grande escala pelos cobradores de pênaltis. Pune com rigor quem cometeu a infração e facilita a vida de quem a sofreu. Coitado do goleiro que, por força da regra, mal pode se mexer sob as traves, enquanto à sua frente, na chamada marca fatal, o pé assassino prepara o golpe de misericórdia. Não é por outra razão que a falta cometida dentro da área se chama penalidade máxima.

Mudança na telinha

As partidas do campeonato catarinense devem voltar para a RBS. A rede hoje detentora dos direitos de transmissão tratou mal o produto e desinteressou-se por ele. Cá entre nós, lucraremos todos. Quem não tem competência, não se estabeleça.



terça-feira, 1 de julho de 2008

Terça-feira

Show

Um dos melhores produtos do jornalismo esportivo é oferecido hoje pela Sportv. Prova disso foi o programa comemorativo à conquista da Copa de 58, gravado e apresentado ontem pela manhã no Redação Sportv, no primeiro bloco da sua edição normal. A produção caprichou, a começar pelo traje da época do apresentador Marcelo Barreto e seu cabelo “abrilhantinado”, passando por um rádio bem antigo colocado sobre a bancada, em substituição ao computador portátil. Como convidados participaram o cineasta e produtor Luis Carlos Barreto, fotógrafo da revista “O Cruzeiro” na cobertura daquela Copa, mais os veteranos jornalistas Teixeira Heizer e Sérgio Noronha, testemunhas da vitória brasileira na Suécia. Pena que o acesso a esse tipo de programa seja limitado aos assinantes de tevê a cabo e disponível em horários em que a grande maioria dos interessados está fora de casa trabalhando.

Casa grande e senzala

Além das abordagens normais envolvendo lances dos jogos, Garrincha, Pelé & Cia, ficou no ar uma revelação séria de Luís Carlos Barreto. O cineasta disse, com todos os efes e erres, que por determinação de um “alto prócer” da então CBD, jogador negro não teria vez na seleção. Eles não sabem se comportar em hotéis, são saudosistas até em relação à comida, bate o banzo por qualquer coisa, enfim, a determinação era escalar somente branquelos. A exceção era Didi, “um negro de alma branca”, na reprodução antecipada desta máxima horrorosa criada por algum rancoroso com a Princesa Izabel. Os negros entraram no time a partir de uma determinação do chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, contrariado com o racismo e com a burrice que deixava fora da seleção os melhores jogadores.

Castanholas

A Alemanha chega em quase todas, é verdade, mas também gosta de um vice como ninguém. Desta vez parou na Espanha, que demorou 44 anos para ganhar outra Eurocopa. E com o brasileiro naturalizado espanhol, Marcos Sena (encaixaria na nossa seleção, não é mesmo?) escolhido como um dos melhores da competição.

Atenção

Jogada de efeito é punida com porrada. Desmoraliza, dizem os mal humorados de plantão e os sem talento. Como a paradinha na cobrança de pênalti virou mania nacional aposto que vem proibição por aí.

Papo furado

O futebol brasileiro, visível para os olhos do mundo a partir da década de 50 e exatamente por causa daquele desastre diante dos uruguaios no Maracanã, deve ser examinado por períodos, inviabilizando discussões e comparações tolas como as que se repetem enfadonhamente pelo país. Tivemos os anos 50 e 60, os craques da época. Vieram mais duas décadas semelhantes, a transformação do futebol em um grande negócio, o grande êxodo brasileiro, e tudo o mais que desautoriza hoje abordagens e discussões supérfluas sobre o que foi bom e o que é ruim.

Lesões de ocasião

Impressiona o número de jogadores que freqüenta o departamento médico em véspera de determinados jogos. Carne de pescoço, muitas vezes fora de casa, ninguém costa de comer. O Figueirense viveu esse drama nas últimas semanas com Gallo e depois Macuglia. Teve gente machucada exatamente no período em que o próximo adversário representava algum risco ou a negociação estava em andamento. Negócio fechado, passado o perigo, lesão curada.

Barbas de molho

Ainda faltam 30 jogos para o final do Campeonato Brasileiro na série B. Mas os matemáticos já se apressam em apresentar suas estatísticas, a última delas colocando o Avaí com 83% de chances de chegar à série A. Como o passado condena os avaianos é bom evitar euforia extemporânea.

Clássicos

Os clássicos mostraram a força de clubes candidatos mais sérios ao título da série A. Fico com o jogo do Mineirão entre Cruzeiro e São Paulo. Acho que sai dali o campeão brasileiro de 2008. O Palmeiras corre por fora. O Grenal foi como todos os grenais, placar minguado, futebol feio e violência, com o Inter pela enésima vez neste ano tendo um jogador expulso. E o Grêmio mostrando suas limitações. O Atletiba foi parecido, Flu x Botafogo não conta.




sábado, 28 de junho de 2008

Sábado/domingo

Credibilidade pelo ralo

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva acaba de dar um chute na já quase inexistente credibilidade dos nossos tribunais esportivos espalhados pelo país. Reduziu de doze para cinco partidas a pena imposta a André Luís, zagueiro do Botafogo, principal responsável por aquela confusão no Estádio dos Aflitos em Recife. Quando escrevo aqui quase toda a semana que a justiça desportiva é agente ativo na impunidade e violência que se alastram pelo futebol brasileiro, tem gente que torce o nariz. Fazer o quê? Os fatos não me desmentem, pelo contrário, confirmam as razões para tanta desconfiança nas instituições que têm por princípio e obrigação zelar pelo cumprimento das leis esportivas.

Dodói

O Fluminense vive o maior sufoco de sua história desde que foi rebaixado para a terceira divisão do Brasileiro. A goleada e a atuação pífia no primeiro jogo da decisão da Libertadores só não se transformaram em desastre total por causa de um gol no segundo tempo, lenitivo para a agonia vivida em Quito diante da arrasadora LDU. Só o atacante Dodô não entendeu o recado transmitido pelo adversário equatoriano. Até quarta-feira, data do segundo jogo seguirá reclamando da reserva, tentando impor a Renato Gaúcho sua escalação. O técnico do Fluminense está prestes a sucumbir diante do chantagista Dodô, ainda mais porque Washington teve sua lesão agravada.

Ufanismo

Aliás, quem considerou o Fluminense franco favorito nesse confronto esqueceu que a seleção do Equador, surpresa na eliminatória sul-americana para a Copa, tem seis jogadores da LDU, três deles titulares. E tudo aquilo que se sabia sobre as virtudes do time equatoriano – jogadas pela direita com Guerrón, por exemplo - não foram levadas em conta por Renato Gaúcho & cia.

Cartolices

Parece aqueles empréstimos em que na hora de devolver o sujeito fica devendo muito mais do que devia. Falo do Juventus de Jaraguá que tomou emprestado o time do Joinville para disputar a segunda divisão. Passada a competição, bolsos vazios, mais dívidas na praça, nenhum time para o futuro e um favorzinho a pagar, sabe-se lá quando e como.

Janela indiscreta

Está próxima a abertura para contratações e negócios, a tal janela de julho que, segundo afirmam, vai mudar a cara de muitos times no Campeonato Brasileiro, principalmente na série A. Vários clubes se anteciparam vendendo mais do que precisam e fragilizaram suas equipes. Alguns resultados nas sete primeiras rodadas são muito expressivos. Caso do Internacional, por exemplo, que já negociou Fernandão, Yarlei e por último o zagueiro Sidnei, de apenas 18 anos, revelado em casa. O Figueirense também já se desfez de bons jogadores como os zagueiros Édson e Felipe Santana. Não é por acaso que tem a defesa mais vazada. Sem reposição no mesmo nível a classificação que já não é boa pode piorar e os resultados de campo tornam-se, além de imutáveis, indesmentíveis.

Chucrute e paella

Não tem zebra na final da Eurocopa entre Alemanha e Espanha. O bicho não vingou e a decisão será mesmo entre duas das melhores seleções que se apresentaram no torneio.

Pela causa

Os espanhóis abraçaram sua seleção que está próxima e quebrar o jejum de títulos, apesar da qualidade do adversário. Os números confirmam o entusiasmo dos torcedores que acompanham à distância a Euro: na semifinal contra a Rússia foram 17 milhões de telespectadores para 72% de aparelhos ligados e sintonizados na partida.

Falta ele

Pelo sotaque dominante hoje entre os que mandam no Figueirense só falta trazer a estátua do Cristo Redentor para o Orlando Scarpelli. Braços abertos sobre Florianópolis, cantariam os torcedores no estádio, numa adaptação da letra daquele sambinha bossanovista.

Beabá

Por sinal seria bom que a turma fizesse a lição de casa. Quem sabe esses aprendizes e maus alunos consigam adquirir conhecimentos elementares da boa comunicação. É preciso não esquecer nunca que negar o acesso à informação é estimular a fofoca, a especulação, em última análise, a desinformação.








quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quinta-feira

Boa educação

As comemorações pelos 50 anos da conquista da Copa de 58 incluem uma visita a Brasília de um grupo de jogadores campeões para os tradicionais salamaleques palacianos. O curioso nesse périplo é que um dos participantes das homenagens aos brasileiros é o sueco Kurt Hamrim, centro avante daquele time goleado por 5 a 2 na final com o Brasil. Da agenda dos homenageados consta gentil convite para um jantar na embaixada da Suécia.

Má educação

O time do Ceará abusou do anti-jogo na tentativa de evitar uma derrota para o Avaí na Ressacada terça-feira. Orientados por Lula Pereira um treinador que ainda vive na idade da pedra, e com a conivência de uma arbitragem frouxa, os jogadores cearenses se revezaram nas faltas violentas sobre os adversários mais habilidosos, casos de Válber e Marquinhos, tanto que o primeiro nem voltou do intervalo para o segundo tempo. Foi uma ação criminosa e que deveria merecer punição de acordo. Desde, é claro que a Comissão de Arbitragem da CBF servisse para alguma coisa e que nossos tribunais desportivos agissem em defesa do futebol e suas leis.

Toma lá dá cá

Assim como a pancadaria corre solta na maioria dos jogos da série B do Brasileiro, a série A continua convivendo com um deslavado protecionismo ao Flamengo. Lembram ano passado, quando mudaram a tabela para esperar o Mengo arrumar o time? E agora, como explicar que nas seis primeiras rodadas os cariocas jogaram cinco partidas em casa? E aquele juizinho maroto que não deu um pênalti escandaloso cometido na frente dele pelo zagueiro Fábio Luciano sobre um atacante do Ipatinga? Dá pra entender, era jogo fora de casa e o Flamengo não podia voltar traumatizado para o Rio de Janeiro. Ponham na conta dos erros naturais de arbitragem, diriam os céticos.

Fogo amigo

Da série “Contando ninguém acredita”. As festas juninas em Maceió, onde estou acompanhando as Olimpíadas Universitárias Brasileiras, têm fogueira de todo o jeito e tamanho. Cada um faz a sua na frente de casa, no meio da rua, nas calçadas, em frente a estabelecimentos comerciais, na orla, no centro da cidade, na periferia. Vale tudo para comemorar São João e outros menos votados. Só não contava ver um braseiro na esquina de um posto de gasolina.

Falta de vergonha

O Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro acabam de receber uma generosa contribuição do governo Lula: R$ 85 milhões para serem gastos apenas com o projeto da Olimpíada 2016, cuja sede está sendo reivindicada pelo Rio de Janeiro para dois anos após outro delírio tupiniquim, a Copa do Mundo. Com o que já foi gasto no Pan-americano e que o Tribunal de Contas da União segue empurrando para baixo do tapete, boa parte dos problemas de educação, saúde e segurança estariam solucionados na outrora Cidade Maravilhosa. E eles não ficam nem vermelhos.

Dois pra cá, três pra lá

Os dirigentes do Figueirense têm caprichado em ações para consumo externo na tentativa inteligente de ampliar e sacramentar a imagem do clube junto ao grande mercado futebolístico. Uma das últimas investidas envolve o Clube dos Treze com a recente homenagem ao seu presidente Fábio Koff. Em compensação falta acompanhar melhor as atividades do futebol, maior produto e xodó da torcida. A comunicação a cargo de uns tempos pra cá do gerentão Anderson Barros é uma calamidade. Talvez o objetivo deste esconde-esconde seja justamente blindar as trapalhadas nas contratações e trocas de treinadores.

Abstinência

Atleta pode tomar Viagra ou Cialis? De acordo com o Comitê Internacional Antidoping, não. Algumas substâncias que compõem estes dois medicamentos “energisadores” estão relacionadas entre as proibidas para consumo de atletas porque dilatam os vasos e ajudam no desempenho também fora da cama.

Kaká x Felipão

Assis, irmão e empresário do Ronaldinho Gaúcho, está tratando do destino e futuro do jogador. Milan e Chelsea brigam para ficar com o brasileiro na próxima temporada européia. Por enquanto o endereço do dentuço está mais para pizzaria do que pubs londrinos.





terça-feira, 24 de junho de 2008

Terça-feira

Diz-me com quem andas

As notas estão pipocando em colunas de vários jornais brasileiros, todos encampando críticas pesadas ao trabalho de Dunga na seleção brasileira. Até o colunista político Cláudio Humberto decidiu investir nesse mercado de Ibope garantido. Em sua coluna de domingo o ex-collorido (lembram dele?) garantiu que o Ministro do Esporte, Orlando Silva, ouviu o que Ricardo Teixeira pensa de Dunga, mas não se atreve a reproduzir o esculacho. Mais adiante, em outra nota, Cláudio Humberto volta à carga para comentar que a solução do problema passa por um amigo do presidente da CBF, J. Hawilla, dono da empresa que paga os salários de Wanderley Luxemburgo no Palmeiras. Como se vê, os assuntos de interesse do futebol brasileiro, particularmente da nossa seleção, estão em boas mãos e muito bem encaminhados.

Massacre

Dunga está acostumado a apanhar. De 1990 até a Copa de 1994 o atual treinador da seleção brasileira conviveu como jogador não só com críticas cruéis, mas também com o rótulo do fracasso denominado “Era Dunga”. Deu a volta por cima com o título da Copa disputada nos Estados Unidos, quando comandou um time desacreditado, cheio de “queridinhos” e dengosos. Resta saber se Dunga terá tempo e forças para suportar e superar o peso de tantas contestações ao seu trabalho. A mídia de Rio e São Paulo não pensa em outra coisa a não ser em derrubá-lo.

Quem fica?

Sai Dunga. Entra quem? Todas as indicações convergem para o nome de Wanderley Luxemburgo, que já passou pela seleção e não emplacou. Quem sabe agora, mais experiente, menos egocêntrico, seja ele o salvador da pátria.

Ambigüidades

Grêmio lá em cima, dividindo a liderança do Brasileiro com Cruzeiro e Flamengo. Inter lá em baixo, encostado na zona de rebaixamento, com quatro derrotas em quatro jogos fora de casa. Celso Roth, de vilão a quase herói sob os olhares desconfiados da torcida gremista, filosofando na base do é bom demais para ser verdade. Tite está assumindo o Inter, trabalhando para uma torcida decepcionada e, ao mesmo tempo com a pulga atrás da orelha. Afinal, o novo técnico tem a marca do Grêmio, onde fez nome na profissão. E o Grenal do próximo domingo é no Estádio Olímpico.

Ameaças

O Figueirense não toma jeito, toma muitos gols, sofrimento para sua torcida, perigo para o recém contratado Guilherme Macuglia. A recuperação pode começar na próxima rodada contra os mineiros do Atlético, outro que anda aos trancos e barrancos. Macuglia pode derrubar o Gallo do poleiro, ou ele mesmo cair sob o peso de outro mau resultado. O ex-Figueira Adilson Batista começou o serviço com o Cruzeiro. Apesar das declarações otimistas após a partida no Mineirão, um outro ex pode terminar a empreitada e instalar o pânico no Orlando Scarpelli.

Nas alturas

É cedo, mas o torcedor avaiano começa a acreditar em um futuro promissor para o seu time. Por isso a Ressacada hoje à noite deve ter público de decisão. Depois da goleada sobre o América em Natal, seqüência de outro resultado expressivo em casa diante do Vila Nova na rodada anterior, dá pra imaginar como anda o ambiente pelos lados do aeroporto de Florianópolis. Quem tiver vôo programado para a noite desta terça-feira vai sofrer com o movimento para o jogo contra o Ceará.

É Massa

O que vão escrever aqueles jornalistas italianos que já tinham até listado os prováveis substitutos de Felipe Massa na Ferrari?

Eurozebras

O futebol encantador de Holanda e Portugal sucumbiu diante da surpresa russa e da objetiva Alemanha. A envelhecida França ficou pelo caminho enquanto a Itália bem que tentou, mas a Espanha apenas prolongou a agonia do adversário até a decisão por pênaltis. A surpreendente Turquia também está nas semifinais para decepção dos croatas e do seu futebol vistoso. As apostas indicam uma final entre Alemanha e Espanha. Os torcedores alemães, antes mesmo de encarar os turcos na semifinal, estão comemorando o título desta Eurocopa. Depois de tantas zebras e decepções, quem garante? Ainda mais porque os russos estão chegando.






sábado, 21 de junho de 2008

Sábado/domingo

A voz da arquibancada

O que fazer com Dunga? Ricardo Teixeira sabe muito bem, tanto que já começou a agir. Conhecido por não demitir treinadores, o presidente da CBF prefere manter a corda esticar até quase rebentar. É um jogo de altíssimo risco assumido por ele que tem como método minar as forças da vitima até alcançar seu objetivo. O primeiro passo já foi dado com a convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Olimpíada sem o conhecimento de Dunga e provavelmente de toda a comissão técnica. A notícia estampada nos jornais da sexta-feira acrescenta ainda um plano de treinamento e recuperação do jogador supervisionado pelo preparador físico da seleção, Paulo Paixão. A idéia era levar Ronaldinho para a Granja Comary, prontamente rejeitada pelo irmão Assis e pelo jogador. Deram preferência a Porto Alegre, onde têm muitos interesses, inclusive fora do futebol. Dunga ficou à margem do processo, como vai ficar de outras ações do presidente Teixeira. É o jeito nada ético que o homem tem de se livrar dos indesejáveis Não cabe outra interpretação. Ricardo Teixeira deve ter se incomodado com a gritaria no Mineirão durante o jogo contra a Argentina. E resolveu aquecer a frigideira.

I’m sorry

Os alemães anteciparam a despedida de Felipão da seleção portuguesa, o que não estava nos planos do brasileiro. Ele tinha prometido no mínimo colocar seu time entre os quatro melhores da Eurocopa, mas não contava enfrentar a pragmática Alemanha já nas quartas de final. Agora o Chelsea espera por Luís Felipe, cujas enigmáticas e polêmicas declarações certamente vão quebrar a fleuma e a sobriedade dos ingleses. Sem contar sua inquietação à beira do gramado.

E os nossos?

Seguidamente leio nos jornais e ouço nas rádios anúncios de clubes cariocas, Flamengo e Vasco, especialmente, convocando a garotada para os tradicionais peneirões. Isso acontece em várias regiões de Santa Catarina, algumas incluindo a dupla Grenal e não vejo a contrapartida. Isto é, clubes catarinenses fazendo o mesmo para atrair a meninada.

Quem pode, pode

Daqui a pouco chega a tal janela para contratações, período em que quem está forte pode enfraquecer, quem esta fraco fica fortalecido. O primeiro caso é o mais comum hoje no futebol brasileiro, que perde seus melhores jogadores para euros e dólares. Assunto, aliás, que já virou cartilha entre nós jornalistas, mas que cai no vazio na medida em que ninguém faz nada para evitar o êxodo. Ficamos satisfeitos apenas em repatriar os mais próximos da aposentadoria. Vamos acabar invertendo a corrente especializando-nos em grandes formadores de times de máster.

A voz da razão

O treinador português, José Mourinho, de contrato firmado com a Inter de Milão, estava mos camarotes do Mineirão quarta-feira assistindo Brasil x Argentina. De onde mandou o seguinte recado para os brasileiros: “Não tentem europeizar seu futebol. Vocês têm de sobra o que nos falta, talento. No Brasil se levanta uma pedra e lá aparece um craque.”

Nepotismo

Betina, levantadora da Brasil Telecom, foi para o Rexona, time treinado por Bernardinho. Bruninho, filho dele e namorado da Betina, é levantador da seleção brasileira e também pupilo do pai.

Diz que fui por aí

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que vinha a Florianópolis para uma audiência pública para tratar da Copa de 2014. Não veio nem avisou sobre o cancelamento da visita. E tem gente que se entusiasma com a movimentação desse povo.

Nem pensar

Falam em Zico como substituto de Dunga. Se entendi bem, Zico não quer saber do futebol brasileiro, muito menos da CBF, Por razoes óbvias, sua opção é trabalhar fora do país, de preferência na Europa.

Me engana

Adilson Batista manda dizer da Toca da Raposa que não considera o jogo contra o Figueirense como três pontos contabilizados a favor do Cruzeiro. Normal, embora ache difícil a humildade do Adilson virar realidade no gramado. Simplesmente porque é complicado acreditar que da noite para o dia Guilherme Macuglia tenha encontrado a fonte do sucesso, incluindo um enfrentamento equilibrado no Mineirão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Quinta-feira

Sem futuro

Todo mundo sabe, não é fácil ser dirigente de clube hoje em dia. Se tiver dinheiro compra, se não tiver vende. E a vida segue com nossos times passando por seguidas operações de desmanche e a nossa seleção aprontando vexames. A desculpa está pronta e na ponta da língua. Não podemos competir com os mercados compradores. Enquanto isso autoridades e cartolas assistem passivamente, sem nenhuma reação, a saída de nossos craques, presentes e futuros. O perigo é que a fonte está secando, como deixa antever o atual grupo comandado por Dunga. A preocupação hoje é arrancar o ouro dos tolos com projetos mirabolantes envolvendo políticos deslumbrados com os holofotes proporcionados por uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada. As dívidas do Pan-Americano e suas obras faraônicas estão aí para o povo pagar. O futebol segue na esteira da improvisação, falta de planejamento e providências pontuais por parte da CBF e federações estaduais, sem nenhum cuidado com o futuro. O que assistimos hoje na seleção brasileira nada mais é do que o resultado da ação danosa da cartolagem que, com as exceções e praxe, pensa mais no próprio bolso, em interesses pessoais e nas mordomias proporcionadas pelo esporte em todos os seus segmentos. A abnegação demonstrada pelo apego aos cargos dá nojo e aponta para um futuro trágico.

Lágrimas de crocodilo

O lateral César Prates, que invoca Deus a todo o momento, chorou na conquista do Estadual e fez juras de amor ao clube. Está deixando o Figueirense pela segunda vez em meio a um Campeonato Brasileiro, agora atendendo chamado do Atlético Mineiro e do técnico Alexandre Gallo, o rei da lambança por onde passa. Dá pra entender o verdadeiro motivo de sua ausência quando o time mais precisava dele.

Conversa boba

Aquela carinha de bom moço do evangélico Kaká não me engana. Suas declarações no programa Bom Amigo só agradaram ao ufanista Galvão Bueno. Quem viu percebeu o constrangimento de alguns verdadeiros jornalistas que compunham a bancada da última segunda-feira. Agora a culpa por sua não liberação para a Olimpíada é do Milan, na Copa América foi sua necessidade imperiosa de tirar férias.

Que luxo

O novo técnico do Barcelona, Pepe Guardiola, surpreendeu a imprensa esportiva comunicando que não contará com o camaronês Etoo, o português Deco e o brasileiro Ronaldinho Gaúcho para a próxima temporada. Falou com todas as letras como se o clube estivesse mandando embora três pernas de pau. Ronaldinho, ao que tudo indica, pode se transferir com mala e cuia para o Chelsea do Felipão. Chimarrão é certo que ele vai tomar no clube inglês. De quebra, quem sabe, recupera seu futebol brilhante.

Sem mais para o momento

Na falta de uma assessoria de imprensa e de um jornalista que saiba redigir um texto convencional, a diretoria do Figueirense tem apelado para a comunicação formal, ou seja, ofícios assinados pelo presidente Norton Bopré. Como aconteceu com a informação sobre o evento desta quinta-feira, 20 oras no Orlando Scarpelli, quando será inaugurado o novo espaço do Memorial do clube. A solenidade faz parte das comemorações dos 87 anos do Figueirense e chegou à imprensa através da linguagem pomposa e cheia de rococós. Curioso que isso aconteça justo em um dos clubes do sul do Brasil que mais avançou administrativamente.

Causa e efeito

Ao mesmo tempo em que procura fazer uma boa campanha na serie B com o objetivo de, quem sabe, voltar à elite do futebol brasileiro, o Criciúma se desfaz de seus principais jogadores, na média de um por semana. Como vai alcançar o sucesso desejado sem um bom time são coisas que a nossa vã filosofia não alcança.

Maresia

O Avaí, acobertado por sua parceria, continua tratando como descartáveis os chamados crias da casa. Enquanto despreza e manda embora o lateral Rodrigo Galo, contrata Michel para a posição, pego três vezes no antidoping por uso de maconha. Galo não é o primeiro nem será o último jogador revelado na base trocado por “estrangeiros” que chegam à Ressacada a peso de ouro, muito ouro.
















terça-feira, 17 de junho de 2008

Terça-feira

Tempo perdido

Pior do que a apresentação da seleção brasileira e a derrota para o Paraguai é constatar o desperdício de tempo de Dunga. Desde que assumiu há dois anos o técnico nunca se preocupou com o futuro (cadê nosso time olímpico?), assunto que trata com desdém como demonstrou na entrevista coletiva após o fiasco em Assunção. Sua insistência nesta eliminatória com jogadores que não estarão na Copa do Mundo na África do Sul é irritante. Ao invés da renovação prefere, por exemplo, teimar com Mineiro, Josué, Gilberto Silva para o meio campo e alguns menos qualificados em outros setores. Deu até para entender a derrota para a Venezuela, amistoso bom para experiências, desde que elas sejam aproveitadas mais adiante. Aí vem um jogo oficial, valendo vaga para a Copa, e Dunga escala um time covarde para jogar uma partida quem nada tem a ver com a cara do futebol brasileiro. É muito mais parecido com o Dunga, sujeito mal humorado, casmurro, rabugento, que parece acordar brigado com o mundo. Não faço parte da troupe que bate por bater, que critica no rastro do preconceito e da intolerância pelo simples fato de Dunga não pertencer ao eixo. Fora do Rio e São Paulo não existe competência na visão caolha desta mídia. Só que o atual treinador da seleção brasileira segue atirando pérola aos porcos, construindo jogo a jogo o cadafalso para o seu enforcamento. Só falta chutar o banquinho para vê-lo de língua de fora pendurado no vazio de um fracasso que a torcida brasileira, coberta de razão, não aceita porque tem vergonha de ver seu time em campo. Já estão dizendo por aí que a nossa seleção está caindo de novo no colo do Luxemburgo.

O gordo e o magro

O rechonchudo Cabañas virou carrasco dos brasileiros com cinco gols no Santos e Flamengo pela Libertadores, mais o baile na seleção. Fez um gol, deu outro para o magrela Roque Santa Cruz, chutou bolas na trave e descadeirou nossos zagueiros. Sem esquecer que o Brasil jogou contra dez todo o segundo tempo.

Pão de queijo

Que Argentina é essa que vem por aí? Aquela do empate com o Equador aos 48 do segundo tempo? Se for essa, o prazo de validade de Dunga estará automaticamente prorrogado. Duvido muito que no jogo desta quarta-feira em Belo Horizonte “los hermanos” repitam contra o Brasil a mediocridade dominical de Buenos Aires. Tomara os ares mineiros e os fluídos de suas santas cidades façam bem ao time e inspirem Dunga, principalmente devolvendo o talento aos que o tem, além de enxertar bom senso nos que insistem em desprezá-lo.

Tal pai, tal filho

De um outro jeito e por outras razões Dunga repete a última passagem de Parreira pela seleção. Aceita sem discutir as imposições de Ricardo Teixeira para atender interesses da CBF que pouco têm a ver com futebol. Enquanto outras seleções procuram amistosos contra equipes de qualidade, a nossa vai para os Estados Unidos jogar em gramados improvisados para ganhar ridiculamente do Canadá e perder pela primeira vez na história para a Venezuela. Passados alguns anos dá para entender as razões da curta passagem do Felipão no comando do Brasil. Ele ficou o tempo exato em que a corda esticada agüentaria sem rebentar.

Engarrafamento

Os problemas de trânsito em dias de jogo do Avaí na Ressacada estão repercutindo nacionalmente. O comentarista de economia da rádio CBN, Carlos Alberto Sardenberg, descreveu no programa em rede que comanda ao meio dia o tempo perdido na última sexta-feira a caminho do aeroporto quando ficou mais de uma hora parado no final da partida entre Avaí e Vila Nova.

Caseiras

Figueirense e Avaí em situações diversas fizeram o tal dever de casa. Enquanto um detonou os mineiros do Vila Nova o outro acalmou a torcida derrotando os reservas do recém sagrado campeão da Copa do Brasil. Já o Criciúma continua preocupando com tropeços dentro e fora de casa. Por enquanto o Campeonato Brasileiro tem servido apenas para tirar o sono do torcedor catarinense. Falta conferir que dores de cabeça nos darão Marcílio Dias e Metropolitano na série C.









domingo, 15 de junho de 2008

Sábado/domingo

Guarânia

A grande interrogação colocada por nós jornalistas após a derrota brasileira para a Venezuela é sobre o comportamento da seleção no estádio Defensores del Chaco neste domingo contra o Paraguai. Vejo como muito salutar logo de cara um jogo fora de casa e contra um adversário difícil nesta volta às eliminatórias da Copa. Fosse o contrário, um adversário moleza, no Maracanã, poderíamos continuar trilhando o caminho mais fácil do oba-oba e da enganação. O bom é conferir nossas virtudes e defeitos contra quem realmente tem condições de nos fazer dançar. Mesmo com eventual tropeço ainda haverá tempo de sobra para acertar o passo. É secundária a discussão sobre quem joga, quem não joga. A não ser pela ausência de Kaká o Brasil não tem o que lamentar, pois o time pode enfrentar qualquer palco sem sair do ritmo.

Frevo

Outra interrogação surgiu com a decisão da Copa do Brasil e a vitória do Sport. Com que disposição o time campeão dirigido por Nelsinho Batista vai encarar a partida contra o Figueirense? Viajar a Florianópolis depois do desgaste de uma decisão tão próxima e das comemorações que se seguiram pode facilitar a vida de Guilherme Macuglia (com a cabeça a prêmio) e seus comandados, ansiosos por uma recuperação. O ritmo agitado dos pernambucanos pode mudar, a não ser que a motivação pela conquista diante do Corinthians garanta superação no Orlando Scarpelli.

Marcha fúnebre

Os dirigentes costumam enterrar os técnicos quando seus times fracassam. Como agora inventaram os tais treinos secretos fica complicado definir responsabilidades. Não há como saber se essa inovação serve para enganar adversários ou esconder as bobagens feitas pelos donos dos clubes.

Samba

A torcida do Fluminense divide euforia com preocupação vendo o time na ponta de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro enquanto aguarda a decisão da Libertadores contra os equatorianos da LDU. Renato Gaúcho vai ter que aprender outra música para entoar nas Laranjeiras caso o seu time não ganhe a Libertadores e faça fiasco no Brasileiro.

Bom de bico

Zico está desempregado, mas continua ligado no futebol e dado seus pitacos até na seleção brasileira. Recomenda, por exemplo, que o grupo de Dunga tenha a participação do meia Alex, seu jogador na Turquia. É um meia armador de muita visão de jogo e ao mesmo tempo um grande atacante, sinaliza o Galinho.

Pizzaria Tapetão

Mais uma vez a justiça desportiva aliviou punições aos indisciplinados, como aconteceu no processo envolvendo os incidentes do jogo entre Náutico e Botafogo. O zagueiro André Luis, pivô da confusão, foi o único realmente punido. Federação Pernambucana e Náutico receberam penas brandas. As agressões cometidas pelo policiamento passaram em branco para seus superiores que, estava na cara, não assumiriam o despreparo da tropa.

Gente boa

Alexandre Gallo por onde passa arranja inimigos. Deixou o Sport na mão e foi para o Inter. Saiu execrado pela torcida colorada e um grupo de jogadores. No Figueirense repetiu tudo o que havia feito em Porto Alegre, brigando com a imprensa, dirigentes e criando um clima para sua demissão. Agora no Atlético continua importunando seu ex-clube insistindo na contratação de reforços que pertencem ao elenco do Figueira.

Gastança

Só o Comitê Organizador que vai trabalhar para que o Rio de Janeiro seja a sede da Olimpíada de 2016 vai custar R$ 80 milhões aos cofres públicos. Estamos ricos.

Sem pressa

O meia brasileiro Anderson que joga no futebol inglês respondeu com inteligência às pressões dos repórteres na concentração da seleção brasileira. Todos queriam ouvi-lo sobre o fato de ter sido substituído no treino de quinta-feira. “Calma gente, tenho só vinte anos e muito tempo para virar titular da seleção”. São os exageros de alguns empunhadores de microfone na busca incansável por chifre em cabeça de cavalo.

Vizinho

A direção do Internacional gastou duas semanas para encontrar o substituto de Abel Braga. Contratou Tite, que mora ao lado do Beira Rio e vai a pé para seu novo local de trabalho.





quinta-feira, 12 de junho de 2008

Quinta-feira

Pompa e circunstância

O departamento de jornalismo da faculdade Estácio de Sá convidou autoridades e dirigentes esportivos para discussão com alguns jornalistas do projeto que tem Florianópolis como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Os maiores envolvidos, Prefeitura, Governo do Estado e Figueirense, mostraram total desinteresse e mandaram representantes para o encontro. Mas no dia seguinte os ausentes da véspera estavam todos na Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte para o lançamento da logomarca do projeto. É o vale tudo do ano eleitoral.

Oportunistas

Não é por outro motivo que o Ministério do Esporte reservou passagens para o Ministro Orlando Silva e sua corte, anunciando uma provável visita à Florianópolis. Uma forcinha para a vereadora Ângela Albino, provável candidata do PC do B à prefeitura da Capital. Governador, Secretários, Prefeitos e assemelhados já preparam recepção, discursos e salamaleques. Desconfio cada vez mais desse projeto da Copa Ou alguém acredita em obras emergenciais no aeroporto Hercílio Luz, criação do metrô de superfície e do porto turístico?

Sem rumo

As soluções anunciadas pelos dirigentes do Figueirense para acalmar o ambiente tumultuado depois da goleada para o Flamengo dão bem a medida da desestabilização do departamento de futebol do clube. As prometidas medidas enérgicas e saneadoras foram adiadas paa depois do jogo contra o Sport neste sábado. Uma simples vitória sobre os pernambucanos vai colocar o time em condições para o restante do Campeonato Brasileiro? Os problemas são muito sérios e merecem providências claras, atitudes transparentes, bem ao contrário do comportamento atual nos gabinetes e vestiário. Pedir a uma emissora de rádio de Florianópolis gravações de declarações de jogadores que criticaram o esquema tático do time é o fim.

Escárnio

Aquele vereador de Florianópolis que não gosta de parques, local de lazer e prática de esportes, está de volta para atacar novamente projetos que não rendam bons dividendos para o seu bolso. Além de permanecer solto desde a Operação Moeda Verde, recuperou seus bens considerados indisponíveis como carrões importados, lancha, imóveis, tudo adquirido, claro, com o salário da Câmara Municipal. E, pior que tudo isso, conseguiu recuperar também judicialmente, o seu mandato.

Convite para enterro

Enquanto isso população e desportistas de Florianópolis assistem várias cidades do Estado festejando o sucesso de seus projetos. Blumenau tem atualmente com o handebol feminino, bi-campeão da Copa do Brasil, a grande vitrine para sua campeoníssima Fundação Municipal. Capinzal, no meio oeste, vai hospedar a seleção feminina desta modalidade que vai ao Mundial e à Olimpíada. Caçador revela com o futsal feminino uma equipe campeã de todas as competições que disputou. Brusque tem a sua Arena e o seu voleibol feminino. Jaraguá do Sul sustenta um futsal masculino super campeão e dispõe também local para grandes eventos A delegação catarinense que vai aos Jogos Universitários Brasileiros na próxima semana em Maceió tem uma representação mínima da Capital cuja Fundação Municipal de Esportes tem (ou tinha?) o campeão olímpico Carlão como presidente. E daí? O esporte de Florianópolis está mortinho. Só falta enterrar.

Parceria?

O Joinville vai jogar com a camisa do Juventus de Jaraguá. Não entendi o objetivo deste arranjo, não consigo alcançar o que ganha o Joinville hospedando-se na cidade vizinha, nem que utilidade terá esse acerto para o Juventus. Difícil explicar o momento vivido por um clube que já foi um dos mais importantes de Santa Catarina representando a cidade economicamente mais forte do Estado.

Quem assume?

É cada vez maior e mais virulenta a campanha da mídia do Rio e de São Paulo para tirar Dunga da seleção. Quem seria o substituto ideal? Leão, Parreira, Luxenburgo, Abel, Autuori, Caio Júnior, Mano Menezes, Cuca, Geninho, Falcão, Zico, Renato Gaúcho, Caio Júnior, Adilson Batista, Muricy, Dorival Júnior, Antônio Lopes, Tite, Celso Roth. Escolham, é fácil.







terça-feira, 10 de junho de 2008

Terça-feira

A eterna insatisfação

A seleção brasileira perdeu para a Venezuela pela primeira vez na história e o mundo desabou sobre a cabeça de Dunga. Claro que foi uma exibição pífia e diante de um adversário sem a menor credibilidade técnica. Só que desta vez acho injustas as críticas ao nosso treinador. Afinal de contas, ele fez o que o bom senso manda a estas alturas do campeonato, ou seja, aproveitar amistosos para experiências e conhecimento de alguns jogadores convocados. E como avaliar a capacidade dos reservas se eles não entrarem em campo? Se Dunga chama um monte de gente e deixa todo mundo no banco, pau nele. Se resolver botar a turma pra correr, pau nele também. Que culpa tem técnico se os eleitos para testes não corresponderam?

O técnico fantasma

Paulo Bonamigo, dispensado pelo Paraná, é a última vítima do campeonato brasileiro. Não há escolha, sobra sempre para o treinador, Até mesmo quando o time faz boa campanha, caso do Grêmio, onde a torcida não pode nem mesmo ouvir o nome de Celso Roth anunciado nos alto falantes do Estádio Olímpico. A vaia é inevitável e por essa razão o locutor oficial do clube tem omitido o nome dele ao divulgar a escalação do time.

O abacaxi

O Rio Grande do Sul é dividido entre gremistas e colorados, uma realidade diferenciada no mapa esportivo brasileiro. Esta rivalidade extremada impede, por exemplo, que o desempregado Tite seja contratado pelo Internacional. Torcida e dirigentes acham-no “Grêmio demais” para trabalhar no Beira Rio. É sério o problema do Inter pois Abel só avisou em cima da hora que iria para o Catar. Muricy e Paulo Autuori estão empregados, Cuca e Geninho assumindo no Santos e Botafogo.

Os ameaçados

Tivesse um pouco de amor próprio Guilherme Macuglia deixaria o Figueirense depois da goleada de sábado para o Flamengo. Não pelo resultado, acidente de trabalho que acontece a cada rodada, mas pelo comportamento desrespeitoso de alguns dirigentes e jogadores. No Avaí, Silas não consegue evitar que seu time jogue na lata do lixo pontos preciosos que certamente farão falta mais adiante. A dupla da Capital está se dando mal com a realidade do Campeonato Brasileiro, bem diferente do Estadual. Vale o mesmo para o Criciúma, de Gelson Silva, que agora resolveu perder em casa também.

O inusitado

O presidente da Federação Pernambucana, Carlos Alberto Oliveira, anda injuriado com as críticas feitas ao futebol do seu Estado, principalmente depois dos incidentes da partida com o Botafogo. Mas, pensar o quê depois do que se viu domingo, na Ilha do Retiro, quando Luciano Henrique comemorou o primeiro gol do Sport cumprimentando um policial à beira do gramado? O PM respondeu sorridente e com um efusivo aperto de mão, tudo registrado em fotos e imagens de tevê. Só faltou sair aos pulos junto com o jogador. Esta surpreendente manifestação que parece ser de desagravo ao policiamento induz ao raciocínio lógico de que não há mesmo segurança para visitantes no Estádio dos Aflitos, interditado preventivamente pelo STJD.

A regra não é clara

O lance em que Tiago, goleiro do Vasco, fez defesa em dois tempos, terminou em punição e no gol da vitória do Cruzeiro. A explicação para a decisão do árbitro Wilson de Souza Mendonça está na regra 12 do futebol, muito clara para os entendidos em arbitragem, bastante confusa para jornalistas e torcedores. Na parte que me toca acho que desta vez o árbitro tinha razão ao marcar tiro livre indireto contra o Vasco, cujo goleiro de fato infringiu a regra.

A opção errada

Faz tempo a boa comunicação foi deixada de lado no Figueirense, importante nesse momento difícil do time. Isso passou a acontecer por uma decisão arbitrária até hoje não se sabe de quem e que provocou o afastamento do responsável pela montagem de uma assessoria de imprensa competente e profissional, o jornalista J.B Telles. O resultado é desastroso, tudo é segredo, não há informação confiável ou merecedora de atenção e o que é jogado no site do clube caberia muito melhor em uma lixeira.












sábado, 7 de junho de 2008

Sábado/domingo

Com louvor

Renato Gaúcho e Mano Menezes estão próximos de duas grandes vitórias pessoais na difícil profissão que abraçaram. Um pode ganhar a Libertadores, o outro a Copa do Brasil. Como jogador Renato só não teve participações significativas pela seleção brasileira, resultado do seu temperamento instável que o direcionou muitas vezes para reações explosivas e para a indisciplina. Apesar de tudo, nos clubes por onde andou, esse ex-padeiro em Bento Gonçalves sempre foi um campeão. E como técnico já deu o título da Copa do Brasil ao Fluminense com um time montado pacientemente por ele, e remontado durante o campeonato carioca para a Libertadores. Mano saiu do interior do Rio Grande do Sul para se revelar no Grêmio como um dos bons treinadores da nova geração, abraçando agora o grande desafio de dirigir o Corinthians na segunda divisão. Os dois derrubaram as barreiras impostas pelo preconceito e pela desconfiança, passaram por todos os testes e não têm mais nada a provar para a exigente mídia esportiva brasileira. Mesmo que não confirmem as previsões de favoritismo para as duas competições em que seus times estão envolvidos.

Tipo exportação

Corinthians e Fluminense utilizam com sucesso na série B do Brasileiro e na Copa do Brasil jogadores revelados pelo Figueirense, embora não sejam produtos das suas divisões de base. Carlos Alberto é um ala moderno, de muito fôlego, que defende bem e aparece sempre no apoio. Na zaga o destaque é Chicão, técnico, vigoroso, que sabe sair jogando, vai ao ataque e até marca gols. O Flu tem Cícero, um coringa para Renato.

Tipo importação

Além dos “catarinas” supra citados o Corinthians conta com a raça e a técnica do argentino Herrera e do uruguaio Acosta. O Fluminense apostou em outro argentino, o Dario Conca, desprezado por todos os treinadores que passaram pelo Vasco enquanto lá esteve.

O gato vai comer

Que dinheiro é esse que o Marcílio Dias pretende gastar perdulariamente no projeto de construção de sua arena ou centro de treinamento? Seja lá o que for, é muita desfaçatez anunciar previsão de gastos de R$ 90 mil para uma festa do clube que vive franciscanamente, sem recursos para investimentos básicos, tipo montar um time para representar bem a cidade e o Estado na série C do Campeonato Brasileiro. Só empresário trouxa vai cair nessa esparrela e colaborar com a esbórnia em que acaba se transformando uma coisa séria como deveria ser o Fundesporte, origem dos R$ 270 mil que serão repassados ao Marcílio.

Tesouro à vista

O Ministro do Esporte Orlando Silva, o governador Sérgio Cabral, o prefeito César Maia e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzmann, estão exultantes com a escolha do Rio de Janeiro para candidata finalista a sede da Olimpíada de 2016. Sentimento dividido com parte da mídia, que gosta de soltar o foguete e correr atrás da varinha que vai bater no fim do arco íris onde encontrará um pote cheio de ouro. O Tribunal de Contas da União precisa divulgar logo o relatório que tem pronto sobre os últimos Jogos Pan-americanos. Seria interessante, também, uma vistoria séria nos equipamentos construídos para este evento para sabermos o estado em que se encontram, quem os está administrando e com que finalidade.

O primeiro pato

O Náutico não pode jogar no Estádio dos Aflitos até o dia 11, quando o STJD julgará os incidentes que envolveram jogadores do Botafogo, Bebeto de Freitas, presidente do clube carioca e o policiamento. O auditor Paulo Schmitt pegou pesado com os pernambucanos e teve atendido seu pedido de interdição preventiva pelo presidente do Tribunal, Rubens Approbato. Tomara a casa não desabe apenas sobre a cabeça do Náutico e seus torcedores. Tem muito mais gente envolvida no episódio para essa corda arrebentar, como sempre, apenas no lado mais fraco, no caso um clube que não tem o peso político do Botafogo.

Dura lex

A tranqüilidade futura do Campeonato Brasileiro em todas as suas séries e a credibilidade da justiça desportiva dependem da decisão do STJD dia 11.











quinta-feira, 5 de junho de 2008

Quinta-feira

Outra versão

Tudo de ruim que acontece hoje no futebol brasileiro é culpa da lei Pelé. Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, desmentiu essa tese defendida principalmente por dirigentes de clubes, em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora. Koff garante que a legislação esportiva brasileira é avançada e coloca no banco dos réus quem, no seu modo de ver, são os verdadeiros responsáveis por nossas mazelas futebolísticas. “A Lei Pelé prevê cinco anos e não três para contratos. A CBF é que não aceita registrar contratos mais longos”. Bem entendido, Ricardo Teixeira e parceiros contrariam a lei. Continua Koff: “O Governo queria mudar a lei de transferências fixando em 21 anos a idade mínima. Os clubes é que não aceitaram, mantendo o limite em 18 anos”. Querem vender mais cedo, é a conclusão lógica de Fábio Koff, absolvendo a Lei Pelé.

Faltou dizer

De todo o que li, vi e ouvi sobre a confusão no Estádio dos Aflitos em Recife, não apareceu nenhuma referência aos maiores responsáveis por esse estado de violência e anarquia que se instalou nos gramados brasileiros, além do jogador do Botafogo, da Polícia Militar e do árbitro: nossos tribunais esportivos, frouxos, acomodadores e tendenciosos. Com as exceções de praxe, claro.

Coração de mãe

O lateral Rodrigo Galo não quer mais saber do Avaí. É mais uma cria da casa maltratada e marginalizada por conta da falta de visão de dirigentes e parceiros, mais interessados em negócios do que fazer bem ao clube que dizem ajudar. Dona Sheila, mãe do jogador, falou em alto e bom som que seu filho está magoado pelas pressões e ameaças para prorrogação de contrato e anunciou o fim das negociações com os insensíveis trapalhões avaianos.

O dia do fico

O plebiscito determinou: saem o presidente do Conselho Deliberativo e prefeito da cidade, Marco Tebaldi, mais 84 conselheiros, ficam o atual presidente do Joinville, Adelir Alves, e suas promessas de reestruturação completa do clube. É ver para crer. Muita política com pouco futebol dá nessa mixórdia. O fato é que o estrago está feito e é grande.

O mundo dos professores

Paulo Autuori permanece no Catar, agora acompanhado também por Abel Braga. Zico deixa o futebol turco para assumir o Manchester City, cargo que pertencia ao sueco Sven-Goran Eriksson, que vai para a seleção mexicana que, por sua vez, teria Wanderley Luxemburgo, mantido pelo Palmeiras. O Inter perdeu Abel, descartou Autuori, quer Muricy Ramalho que, pelo menos por enquanto não sai do São Paulo. Parreira não aceitou convite dos gaúchos, está de férias até 2009. Dorival Júnior, indicado por Abel para substituí-lo, não foi sequer cogitado pelo Inter. O Felipão segue cobiçado, Ney Franco desempregado e Cuca, tentando o primeiro título da sua carreira, agora com o Santos. Como a dinâmica dos acontecimentos envolvendo essa turma é intensa, metade do que escrevi acima pode mudar de um dia para o outro. Ufa!!!

Sem pressa

A CBF aguarda pelos relatórios sobre os estádios que serão utilizados por Metropolitano e Marcílio Dias na série C. O Sesi em Blumenau não pôde ser utilizado no campeonato estadual e o estádio Hercílio Luz, em Itajaí, a gente sabe em que condições se encontra.

Inimigo amigo

O Corinthians já pagou pelo aluguel do Morumbi praticamente o mesmo valor gasto pelo São Paulo com a contratação de Adriano, sem computar a final da Copa do Brasil. Isso é o que dá não ter casa própria e viver como inquilino. Enquanto a torcida e os cofres do clube padecem, os adversários agradecem.

Pessimismo

O assunto na mídia esportiva de Florianópolis e entre os torcedores do Figueirense é um só: a ameaça de rebaixamento. Em apenas quatro rodadas acho precipitadas avaliações, para cima ou para baixo, levando-se em conta, ainda, que esse filme já foi visto várias vezes no Orlando Scarpelli. A não ser que o trailer esteja indicando uma nova versão não entendida pela direção do clube e da Figueirense Paticipações, principais responsáveis pela montagem do elenco que hoje tanto exaspera jornalistas e torcida.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Terça-feira

Piada de mau gosto

A participação catarinense em quatro rodadas nas duas séries do Brasileiro é decepcionante. E mais que isso, é preocupante em relação ao futuro na competição. Prova, também, que o sucesso no campeonato regional não é indicativo de bons resultados em competições nacionais. Parece óbvio, mas nem sempre os dirigentes têm essa perspectiva para executar um planejamento adequado. O Avaí saiu do estadual apontado como o único entre os nossos com um time pronto para encarar o desafio da série B. Está mostrando que a realidade é outra. O Criciúma segue o mesmo caminho e até já trocou de treinador. No Figueirense da série A, onde o mistério é prioridade absoluta, a única coisa que não dá para esconder é a fragilidade do grupo, situação detectada por Alexandre Gallo e que Guilherme Macuglia resolveu encarar. O certo é que, ninguém ganha jogo, título, ou escapa do rebaixamento, imitando o pernambucano Íbis, rotulado de o pior time do mundo e presente nos noticiários esportivos apenas como piada para o país inteiro rir.

Caos

A Comissão de Arbitragem da CBF precisa reunir seus pupilos em uma grande teleconferência nacional para arrumar a casa. Quem, como eu, tem a chance de bisbilhotar vários jogos do Campeonato Brasileiro durante a semana, sente que a arbitragem brasileira vai de mal a pior. Com todos os descontos que possam ser dados em função dos tais lances de televisão – só vê quem está à frente de um monitor e tem o replay para conferir – é constrangedor o saldo de erros crassos a cada rodada. O pecado maior é a diferença de critérios para lances comuns de jogo, ou mesmo os mais discutidos, como carrinhos, faltas dentro da área, cartões amarelos e expulsões. A confusão em Recife, por exemplo, não pode ser creditada apenas ao destempero da polícia e do zagueiro do Botafogo. O árbitro Wilson Celeme, na verdade, foi um dos responsáveis pelo caso de polícia em que se transformou aquela partida.

Irresponsabilidade

Wilson de Souza Mendonça, árbitro Fifa, coisa e tal, foi outro personagem negativo do final de semana, no jogo da série B entre América de Natal e Ponte Preta. O gramado do estádio Machadão não tinha condições, com alagamentos por todo o canto por causa da chuva torrencial que caíra pouco antes da partida e que continuou depois. O Wilsão passeou pelo gramado de pés descalços, com uma bola na mão – porque no gramado ela não rolava – e, contrariando o bom senso, além de colocar em risco a integridade física dos jogadores, mandou os times entrarem em campo. Merece uma geladeira das boas, o que duvido que aconteça, ou então ser jogado no pantanal onde a partida foi disputada.

Já vai tarde

Dois milhões de dólares por um contrato de dez meses levaram Abel Braga do Inter para o Al Jazira, do Catar. A torcida colorada agradece penhoradamente a generosidade dos xeiques dos Emirados Árabes.

Pecado mortal

É praxe nos programas esportivos das nossas tevês a reprodução apenas dos gols, com omissão, na maioria das vezes, de detalhes importantes de uma partida que acabaram influenciando no resultado. Exemplo: no empate de sábado no Beira Rio, entre Inter e Sport, um zagueiro do time da casa foi expulso logo no início do segundo tempo e mais tarde o goleiro Renan defendeu um pênalti. Nada disso mereceu registro em texto ou imagens, coisa corriqueira nos noticiários, deixando o torcedor sem uma informação fundamental.

Nem um nem outro

Enquanto a Comissão Técnica da seleção brasileira se ocupa demasiadamente com futricas envolvendo Kaká e suas ausências nas convocações, continuamos sem um time confiável para as eliminatórias e a Copa de 2010. O que dizer então da Olimpíada de Pequim, da qual estamos distantes apenas dois meses?

Apostas

Fluminense ou Boca Juniors, Corinthians ou Sport? Eu não arrisco palpite. Os argentinos estão vivíssimos, há equilíbrio entre pernambucanos e paulistas. Pena é que as decisões de Libertadores e Copa do Brasil foram marcadas para o mesmo dia e horário. Força da televisão, prejuízo para os torcedores.





sábado, 31 de maio de 2008

Sábado/domingo

Animais

Edmundo gosta de perder pênaltis, especialmente em jogos decisivos como aconteceu quarta-feira em São Januário diante do Sport. Mas o animal vascaíno não vive sozinho nesse zôo, pelo contrário, está muito bem acompanhado por outros bichinhos. Os cracões Sócrates e Zico não escaparam do mico em Copa do Mundo, o italiano Baggio nos deu a Copa de 94 chutando nas nuvens, o argentino Palermo perdeu três pênaltis num jogo só da Copa América no Paraguai. Recentemente na disputa por pênaltis na final das Ligas dos Campeões da Europa o hoje melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, quase enterrou o Manchester ao desperdiçar sua cobrança. Seu time foi salvo por outro erro, o de Terry, o experiente capitão do Chelsea que, com o título na mão, chutou quase na bandeirinha de escanteio. Neném Prancha, o fílósofo botafoguense, tinha razão: pênalti tem que ser cobrado pelo presidente do clube. Que tal o Eurico Miranda com essa responsabilidade?

Pra lá e pra cá

Na série A do Brasileiro seis técnicos já bailaram, por demissão ou simples troca de clube: Leão, Cuca, Geninho, já no Botafogo, Alexandre Gallo, Roberto Fernandes e Ney Franco. Como estamos apenas na quarta rodada, a lista deve bater recorde este ano. O próximo candidato é Abel Braga, ameaçado por três derrotas, uma delas com eliminação da Copa do Brasil. Murici Ramalho também entrou na fila. O destino colocou o Sport de novo diante do Inter, no final da tarde deste sábado no Beira Rio. E os pernambucanos podem jogar com time misto caso Nelsinho Batista decida poupar titulares para a decisão da Copa do Brasil contra o Corinthians. Já Murici talvez não escape se não conseguir se safar do Santos na Vila.

Esporte sem base

O Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro pelo jeito pretendem acabar com as duas etapas de 2008 da Olimpíada Estudantil Brasileira, uma para atletas de 12 a 14 anos, em Poços de Caldas, a outra na faixa dos 16 a 18 anos, em João Pessoa. O motivo é a exigência para que os Estados participantes arquem com todas as despesas, incluindo transporte, alimentação e hospedagem. Em Santa Catarina a responsabilidade por competições nessa faixa etária é da Fesporte, com os Jogos Escolares e a Olesc. A entidade catarinense ameaça não participar das etapas nacionais, alegando não ter caixa para sustentar a nova determinação que vem de Brasília e Rio de Janeiro. Certamente é o reflexo dos gastos perdulários com os Jogos Panamericanos ameaçando a base do esporte brasileiro.

Errei feio

Apostei em final carioca para a Copa do Brasil, imaginando que Botafogo e Vasco tivessem forças para superar, entre outras coisas, a pressão de torcidas como as do Corinthians e Sport. Paulistas e pernambucanos estarão em campo decidindo o título enquanto jogo no lixo minha bola de cristal.

Gol anão

Marcelinho fez festa em Florianópolis contra o Avaí. Com apenas 1m67cm de altura o hoje meia do Santo André conseguiu superar os zagueirões adversários e marcar de cabeça seu gol de número 500. E sem precisar sair do chão. É caso de demissão por justa causa.

Surpresas

Fora o Cruzeiro, alguns dos grandes times do futebol brasileiro estão com astral lá em baixo na série A. Em compensação o Corinthians, rebaixado em 2007, vive grande fase neste meio de temporada, liderando 100% a série B e finalista da Copa do Brasil.

O patinho feio

Direção, comissão técnica e parceiros desprezaram o futebol do lateral direito Galo, cria da casa que, se não era o melhor, também nunca foi o pior entre os eleitos. Rejeitado e obrigado a treinar separado do grupo principal, ele pode acabar virando titular. Arlindo Maracanã, investimento caro, de futebol muito distante do nome pomposo, machucou contra o Santo André e não volta tão cedo abrindo vaga, quem sabe, para um santo de casa acabar fazendo milagre.

Guilhotina armada

É apenas o segundo jogo mas, com o nível de exigência da torcida do Figueirense uma derrota em casa para o Goiás pode colocar o técnico Guilherme Macuglia próximo à porta de saída do vestiário do Orlando Scarpelli.










quinta-feira, 29 de maio de 2008

Quinta-feira

Fatos & versões

A participação do Marcílio Dias na série C virou um folhetim de extremo mau gosto. Quem fala a verdade? O prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, presidente do Conselho Deliberativo do Joinville, está sendo acusado de tentar comprar a vaga do Marcílio Dias. O presidente do Joinville desmente e publica carta pedindo desculpas ao coirmão. Os dirigentes do Marcílio se mostram ofendidos com as investidas joinvilenses, mas ao mesmo tempo passam o chapéu para garantir a vaga pretendida pelo adversário. O prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, prometeu ajuda, dizem, de R$ 1 milhão. Até agora nem um tostão foi repassado ao zerado cofre marcilista. Promessa de político em ano eleitoral? Marlon Bendini, presidente do Marcílio, entra no roteiro confirmando a quebradeira. No meio disso tudo apareceu o presidente da nossa (dele) Federação, Delfim Peixoto, para passar cinicamente um pito na turma do Joinville e dizer que vaga não se compra. Ainda faltava um personagem, de preferência alguém da CBF. Ele veio incorporado na pessoa do diretor de futebol da entidade, Vergílio Elísio, desmentindo Delfim. Em caso de desistência há que se ter algum critério para substituição, disse Elísio, deixando em aberto a possibilidade de negociação. Não fosse assim, encerraria o assunto com a questão do mérito. Entra na vaga o classificado imediato na competição que teve essa finalidade. Simples, não?

Badalação faz mal

Tudo o que é dito e escrito sobre a qualidade de alguns times não tem sido confirmado dentro do campo. O futebol não aceita a palavra fácil e o elogio apressado na maioria das vezes acaba desmentido pelos fatos. Dou três exemplos fresquinhos: o São Paulo fracassou no Estadual e vai aos trancos no Brasileiro; o Inter já perdeu duas partidas e novamente não confirma tudo o que se diz sobre o grupo na mão do Abel Braga. Na série B um caso doméstico com o Avaí, cantado em prosa e verso como o melhor time dos últimos tempos montado na Ressacada. Cadê os resultados? Perdeu o Catarinense em casa e empacou no Brasileiro com três empates, dois deles diante da sua torcida.

Divã

Aliás, recomendo aos avaianos uma boa terapia de grupo. A Ressacada está se transformando no cemitério das esperanças de melhores dias para um clube que pode completar a décima primeira temporada sem ganhar um título. E haja culpados. Quando não é a diretoria são os parceiros, ou então o treinador e, por último, o time. A relação termina aí. A não ser que o Sobrenatural de Almeida, criação do Nelson Rodrigues, tenha se associado ao Avaí sem que ninguém saiba.

Demorou

José Carlos Bezerra pediu demissão da Comissão de Arbitragem da Federação Catarinense. Pelo que foi como árbitro e pelo que é como cidadão, Bezerra há muito deveria estar fora daquele pomar dadivoso. Levou tempo demais e acabou sendo conivente com um cultivo misterioso, cujas fórmulas não vêm a público por serem empregadas no fundo do quintal, sob a proteção das sombras de árvores bastante frondosas e que produzem muitos frutos.

Pérolas aos porcos

O estádio da Ressacada terá um elevador cuja finalidade, entre tantas, é a de evitar que algumas “personas no gratas” sejam obrigadas a transitar no meio da torcida do Avaí. Coisa pra proteger figurões que, quando aparecem, são alvo de vaias e caneladas. Sem contar que tem mais camarote do que ocupantes. Enquanto isso as cabines de imprensa continuam daquele jeito, um péssimo cartão de apresentação para um clube que disputa campeonato brasileiro e que toda semana recebe jornalistas de outros estados.

Se a moda pega

Como jogador de futebol gosta de inventar e copiar moda, o pênalti em dois toques pode virar mais uma dor de cabeça para as arbitragens. A novidade mostrada por Euller e Douglas do América Mineiro, em jogo da segunda divisão, está na regra nem sempre muito clara. O lance é legal, desde que o primeiro toque seja dado para frente, e que não haja invasão de área. É muito controle para quem de vez em quando não dá conta de duas tartarugas porque uma acaba fugindo.