sábado, 25 de agosto de 2007

Sábado

Copa do B

Vem aí a Copa Santa Catarina, classificatória para a Recopa Sul, competição que reunirá os campeões catarinense, gaúcho e paranaense. Um enxe-linguíça de calendário que por aqui ainda não definiu número de participantes, embora a Federação já tenha divulgado a tabela. Certeza mesmo só para a presença de Figueirense, Avaí e Joinville, todos B, mais a Chapecoense.

Falta pouco

Estamos a uma semana do final da operação desmanche 2007 no futebol brasileiro. No final do mês termina o prazo para a saída dos nossos jogadores para o exterior. Até lá torcedores cruzarão os dedos para que não apareça nenhum empresário com euros e dólares atrás dos seus ídolos. Já os dirigentes deixarão sapatinhos na janela esperando por um Papai Noel de meio de ano.

Provocação

Dunga mantém a rotina dos treinadores da seleção, provocando polêmica pelo país inteiro e insuflando as paixões regionais. Tem um tanto de implicância dos que não gostam de seus métodos, mas uma boa porção de bizarrices de um homem turrão. A volta do Afonso e a opção por Doni ao invés de Rogério Ceni, para ficar apenas nisso, são preferências injustificáveis. O amistoso contra a Argélia deixou uma lição e uma advertência, depois que Ronaldinho e Kaká entraram no segundo tempo e mudaram a cara do time.

Convicção

Nessa trajetória até outubro, quando começa a eliminatória para a Copa do Mundo, não há muito tempo para indefinições. Por enquanto são muitos os escolhidos, poucos os eleitos: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, Kaká, Ronaldinho e Robinho, sete apenas, são unanimidade. É pouco, quase nada.

Impressão

A passagem do Figueirense por São Paulo merece dois registros, ambos com a marca do seu treinador. A boa postura do time em campo, deixando escapar por pouco a classificação, e a presença do Mário Sérgio à tarde, no dia do jogo, no programa Arena, da Sportv. Simpático, bem falante, distribuindo sorrisos, como faz sempre que sai de Florianópolis, Mário apenas confirmou a impressão que tenho sobre sua aversão pela crônica esportiva da cidade onde ele vive e trabalha. E onde não ri, limita entrevistas e acesso aos treinos, e não participa de programas de rádio ou televisão. Para quem durante 15 anos esteve do outro lado do balcão, é lamentável.

Evidências

Nossos principais times e mais bem colocados na tabela do Brasileirão são dirigidos por treinadores formados futebolisticamente no sul. Cuca, pelo Botafogo, Celso Roth no Vasco, Renato Gaúcho no Fluminense, Paulo Bonamigo no Goiás e Carpegiani, tirando o Corinthians do atoleiro, são as realidades não reconhecidas pelo ranço carioca (principalmente) e paulista.

E agora?

Discussão interessante acontece no Rio Grande do Sul, onde a Brigada Militar (a PM de lá) não faz mais policiamento interno nos estádios. Essa bronca agora ficou por conta dos clubes e seus seguranças. Os “brigadianos”, como eles chamam, trabalham somente na parte externa das praças esportivas e arredores. Dentro, só pagando. Como, aliás, já acontece em Santa Catarina, onde os clubes têm desconto no borderô da taxa de policiamento em dias de jogos. O primeiro teste terminou em pancadaria, à tarde, num Grenal no Beira Rio pelo estadual de juniores. A confusão foi contida e o jogo começou só depois do socorro da BM.

Baixaria

Em entrevista a uma tevê italiana finalmente o zagueiro italiano Materazzi revelou, com todas as letras, a frase que tirou Zidane do sério na última Copa e provocou aquela cabeçada: “depois de segurá-lo em uma falta ele perguntou se queria sua camisa. Respondi que preferia a puta da irmã dele”.

Recomendo

Para os coleguinhas da mídia esportiva, simpáticos ou não à cartolagem, leitura do livro “Jogo Duro”, biografia de Jean-Marie Faustin Godefroid Havelange, escrita pelo jornalista mineiro Ernesto Rodrigues. “João Havelange foi o primeiro a ler esta biografia. E não gostou de tudo que leu...”, escreveu Ernesto nas duas primeiras linhas do prefácio. São mais de 400 páginas, estou no início, mas é muito bom.





quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta-feira

Pérolas aos porcos

Independente do resultado da Copa América e do amistoso de ontem, a seleção brasileira e o trabalho de Dunga continuam a mexer com os nervos da mídia do eixo Rio-São Paulo. Nos programas esportivos de rádio e tevê e na leitura de jornais dá para perceber a antipatia nutrida contra o treinador, sentimento ampliado quando Ronaldinho Gaúcho e Kaká esquentam o banco de reservas. E com a seleção em campo o comportamento dos jornalistas não muda, seja em amistosos ou competições oficiais. Não foi diferente ontem contra a Argélia, quando Dunga fez as experiências que julgou necessárias, escalando um time em cada tempo. Ruim pra ele é que os castigados que entraram no segundo tempo foram os principais responsáveis pela vitória.

Fundesporte

O colega César Valente, da coluna “De Olho na Capital” e adjacências, descobriu mais uma generosidade do Fundo para o Incentivo ao Esporte, desta vez beneficiando um piloto da Stock Car Light, Eduardo Berlanda, filho do secretário regional de Curitibanos, Nilso José Berlanda. O incentivo ao rapaz, último colocado nessa categoria do automobilismo brasileiro, custou R$ 250 mil. E tem gente no Conselho Estadual de Desportos, um dos gestores do Fundo, que ficou com os nervos a flor da pele depois que registrei aqui a contribuição de R$ 96 mil ao Metropolitano, clube de futebol profissional de Blumenau, para uma viagem de turismo à Europa. O que incomoda é que projetos sérios e bem mais importantes, com captação de recursos garantida, estão na fila e não conseguem a liberação da turma que tem a chave do cofre.

Choradeira

Já tem município reclamando da classificação por medalhas, novo critério adotado pela Fesporte para seus principais eventos. Os descontentes querem implantar um sistema híbrido, com pontos e bonificação especial por medalhas conquistadas, sugestão que já circulou pelo Conselho Estadual de Desportos, mas acabou reprovada. A queixa contra o critério atual é que beneficiaria as modalidades individuais, em prejuízo das coletivas. Gozado é que na hora de se fazer representar e ouvir no Conselho, não aparece ninguém.

Dois pesos...

Mano Menezes, do Grêmio, já foi expulso três vezes este ano. Renato Gaúcho afirmou que o Flu tem sido roubado neste Brasileirão. Joel Santana foi flagrado pelos microfones de ambiente, à beira do gramado, incitando seus jogadores a baterem nos adversários, no jogo entre Flamengo e Santos. Muricy Ramalho, do São Paulo, tornou público suas suspeitas em relação ao caso do botafoguense Dodô. Foram todos absolvidos no STJD. O técnico do Avaí, Alfredo Sampaio, não pode trabalhar direito, punido por de 60 dias, e ameaça ir embora se o clube não conseguir efeito suspensivo.

Segredos de alcova

O vocalista da banda Marron 5, Adam Lavigne, namorou a belíssima tenista russa, Maria Sharapova. Nada demais não tivesse o músico declarado à revista Exile que Maria é ruim de sexo. Adam queria ouvir na cama os gemidos que ela emite na quadra a cada rebatida.

Negócios do além

Cláudio Duarte dirigiu o Juventude em quatro partidas, com três derrotas e um empate. Deixou Caxias inesperadamente sexta-feira à noite, véspera do jogo contra o Corinthians. Os maus resultados teriam provocado sua demissão, coisa comum no futebol brasileiro. Nada disso. Ele saiu por causa do “guru” Pin, enviado ao vestiário por uma empresa prestes a fechar um negócio de R$ 50 milhões com o clube.

Vale tudo

A divisão de acesso, organizada (?) pela Federação Catarinense, não para de produzir assunto e piada. A última envolve o Ferroviário, de Capivari de Baixo. O time do sul foi a campo no último domingo para enfrentar o Próspera, com apenas 11 jogadores. No segundo tempo o lateral Peteca saiu machucado e a solução foi a entrada em campo de Edson Criciúma, o treinador do time. O clube garante que ele estava regularmente inscrito.

Versão oficial

Mário Sérgio finalmente apareceu em um programa de tevê. Foi na RBS, atendendo convite de Cacau Menezes. JB Telles, assessor de imprensa do Figueirense, explicou que Cacau foi o primeiro jornalista a fazer esse convite quando Mário chegou a Florianópolis.


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Terça-feira

Tiro pela culatra

A CBF, sem o menor pudor, decidiu beneficiar escandalosamente o Flamengo, permitindo a participação de jogadores contratados após a data dos jogos que agora estão sento atualizados. Ora, foi o clube que pediu para não jogar fora do Maracanã durante o Pan, ao contrário de Botafogo, Vasco e Fluminense, cumpridores da tabela em outros locais. A explicação é que as partidas que ficaram para trás não são atrasadas e sim reprogramadas. Com tudo isso o Flamengo continua na zona de rebaixamento, pressionado pela tentativa de recuperação e prejudicado pela fragilidade do time. Em se tratando de futebol carioca tudo é possível.

Ola jurídica

Passou a comédia Dodô, vem aí a novela Marcão, o vaidoso zagueiro do Inter pego no exame antidoping por causa de um remédio contra a queda de cabelo. Os advogados do clube gaúcho preparam a defesa do jogador confiando que o STJD tenha o mesmo comportamento em relação ao caso do atacante botafoguense. Só se o Internacional conseguir incluir alguns torcedores entre os que forem julgar este processo.


Choradeira inútil

Muitas reclamações e nenhuma providência. Tem sido esse o comportamento dos clubes que a cada rodada do campeonato brasileiro desmancham-se em lágrimas por causa dos erros de arbitragem. A não ser por uma carta enviada pelo Botafogo à CBF ninguém fez mais nada. E o início do returno foi pródigo naqueles erros grotescos que não precisam da televisão para serem detectados. Parece que o corporativismo do Clube dos 13 só serve para negociar quotas de patrocínio e tevê.

Os piores

De volta ao Inter o técnico Abel Braga revelou seu verdadeiro motivo para a adoção de treinos secretos: fazer birra para a imprensa. Abel não é o único, tem mais gente pelo país segregando jornalistas, em uma sala ou por trás dos portões dos centros de treinamento, o mais distante possível de onde os fatos estão acontecendo. Alguns jogadores têm se aproveitado da “organização” para fugir das entrevistas. Os prejudicados são o bom jornalismo e os torcedores, privados da informação correta.

Os melhores

O jornal O Globo fez sua seleção do turno do Brasileirão com três cariocas, três paulistas, um goiano, dois mineiros, um paranaense e um gaúcho: Rogério Ceni (SP; Paulo Baier (GO), Thiago Silva (Flu), Juninho (Bota), e Jorge Wagner (SP); William (Cor), Thiago Neves (Flu), Wagner (Cruz) e Diego Souza (Gre); Araújo (Cruz) e Josiel (PR). Será que o Dunga gostou desse time sem volantes?

Punição burra

O meia Zé Roberto foi afastado do Botafogo por indisciplina e continua treinando a parte. Enquanto isso o time parou de vencer e Cuca pediu á diretoria a reintegração do jogador. O resultado para esse tipo de punição é sempre o mesmo com prejuízos para a equipe e a volta do rebelde como herói ou salvador a pátria.

Inimigo em casa

Só o vice-administrativo do Figueirense, Luis Fernando Philippi, fez sua parte na reunião que a CBF convocou para tratar da Copa de 2014. Carlão, superintendente da Fundação Municipal de Florianópolis e Joceli de Souza, gerente da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, chegaram atrasados, como se tivessem viajado para tratar de uma quermesse de igreja. Com parceiros desse quilate, ninguém precisa de concorrência forte na luta por uma sede da Copa. Além do que a FIFA já definiu vistorias em cinco das doze cidades necessárias: Rio, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte. As demais terão que fazer apresentações especiais em uma próxima reunião. Com seus representantes chegando a tempo para não deixar os parceiros falando sozinhos.

Brasileiros

A passos miúdos, o Figueirense se mantém próximo da zona de rebaixamento e, ao mesmo tempo com boas chances de figurar na faixa intermediária da tabela, menos por seus méritos, mais pelo equilíbrio da competição. Do outro lado das pontes o Avaí segue puxado para baixo e, se não ganhar do Vitória hoje, em casa, sobe no cadafalso. O Joinville da série C empatou na Arena e complicou o que estava fácil.










sábado, 18 de agosto de 2007

Sábado

Passado

Repórter setorista era aquele sujeito que acompanhava o dia a dia dos clubes, assistia treinamentos, fuçava os bastidores, questionava dirigente, corria 24 horas atrás da informação, sempre tentando evitar bola nas costas de algum concorrente. Um porteiro, roupeiro, massagista, desde que devidamente recompensados podiam ser boas e insuspeitas fontes. Era de lei escutar atrás das portas, burlar a vigilância da cartolagem, conquistar a confiança da boleirada, nada que implicasse em algum tipo de comprometimento, o chamado “rabo preso”. Trocar figurinhas com algum companheiro de outro veículo? Nem morto. Hoje a formalidade decretada pelas assessorias de imprensa – necessárias, mas com função distorcida –, igualou os noticiários de rádio e as matérias de jornais. Os treinos secretos, a blindagem, a mentira como regra de conduta, a pouca maleabilidade e a antipatia de alguns treinadores, somados à falta de criatividade dos dirigentes, matariam de tédio ou provocariam a demissão de qualquer bom jornalista esportivo daqueles tempos.

Presente

O Figueirense parece organizado, mas seu relacionamento com o torcedor e a imprensa está suficientemente desgastado para provocar um vazio cada vez maior nas arquibancadas do estádio Orlando Scarpelli. Jogo de Copa Sul-Americana contra o São Paulo, líder do Brasileirão, não pode ter um público de apenas 8 mil torcedores. O clube precisa reavaliar o sotaque de seus atuais porta-vozes e trocar a assepsia do noticiário oficial por uma relação natural e amistosa com torcida e imprensa. E acabar também com o tratamento diferenciado dispensado por alguns de seus representantes a jornalistas do Rio e São Paulo.

Inércia + incompetência =

Na Capital do Estado, dirigentes municipais e universitários assistem passivamente o esporte da região despencar no contexto estadual. Inclua-se aí, principalmente o Carlão, ex-atleta olímpico, hoje na direção da Fundação Municipal de Esportes, e um prefeito enrolado em operações sobejamente conhecidas. Florianópolis aos poucos acaba com suas áreas verdes, não tem parques nem equipamentos esportivos e os novos espaços públicos, como os aterros da baía sul, estão entregues ao mato e à bandidagem. O primeiro aterro, entrada da cidade, tem vários monstrengos em cima: um merdódromo, uma rodoviária, um centro de eventos, horroroso e até hoje sob suspeição, garagens de ônibus, camelódromos e um sambódromo para ser utilizado três dias ao ano. Tudo de frente para o mar.

Enquanto isso

O estádio do Sesi, em Blumenau, está em obras para a implantação de uma pista sintética de atletismo, a segunda em Santa Catarina. A primeira, hoje em péssimo estado e abandonada pelos responsáveis, foi construída com dinheiro público em Itajaí, na época sob os auspícios da Univali e da Prefeitura. O espaço é pouco para um detalhamento maior de razões aqui expostas, mas nesse vai da valsa é fato concreto que tão cedo ninguém vai quebrar a hegemonia blumenauense no esporte de Santa Catarina.

Espelho meu, espelho meu

O presidente da Federação Catarinense, doutor Delfim, gosta muito de exaltar atos corriqueiros, elevando-os à condição de verdadeiras façanhas. Ao protagonizar esse exercício quase diário do “Eu me amo, eu sou o bom”, esquece, por exemplo, de fiasqueira da divisão de acesso, cheia de clubes irregulares, participantes de hoje, eleitores de amanhã, e de um campeonato estadual de juvenis e juniores disputado em segredo, em campos secundários ou centros de treinamento. Justo uma competição com divisões de base, futuro do nosso futebol, que poderia (ou deveria), por exemplo, ser incluída como preliminares de jogos das duas séries do Brasileirão. Menos confete, mais organização e competência fariam um bem danado ao futebol catarinense.

Andorinha

O engenheiro Luis Fernando Philipi, vice-administrativo do Figueirense, participou da reunião realizada ontem pela CBF no Rio de Janeiro para tratar de Copa do Mundo. O governo de SC mandou só gente do andar de baixo, e ainda assim, atrasados.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quinta-feira

Barrigas de aluguel

Agosto mês do desgosto para os clubes brasileiros e seus torcedores. Ninguém escapa à tal lei de mercado que nos últimos anos tem regulado a negociação de jogadores em favor de moedas mais fortes. Europa, Ásia e América do Norte ano a ano se locupletam com a nossa diversificada incubadora. A produção catarinense acaba de ser descoberta valendo principalmente para atletas recém formados. A última vítima é o Avaí que perdeu o goleiro Thiago para o português Belenense. Antes, Figueirense e Criciúma já tinham contribuído com sua cota de nenéns de grande valia. O líder e poderoso São Paulo está perdendo Josué e Alex Silva, titularíssimos de Muricy Ramalho. Esta ação predadora enfraquece clubes já combalidos, desqualifica os times e empobrece sobremaneira nossas competições. O país inteiro espera ansiosamente pelo dia 31 quando acontecerá o fechamento de mercado. Em setembro, com as três series do Brasileirão em suas fases decisivas, poderemos avaliar o tamanho do estrago e seus efeitos no rendimento dos que hoje estão na frente da tabela.

Cassino Brasil

Enquanto isso o país do jogo proibido e das loterias ganha mais uma, a Timemania, agora com regulamentação devidamente assinada pelo presidente Lula. A intenção é ajudar os clubes que aderirem à jogatina a saldar suas dívidas com a União, incluindo ai INSS, Receita Federal, FGTS e assemelhados. Nada de estudos, projetos ou alguma legislação que impeça a morte lenta da nossa galinha dos ovos de ouro.

Bom de papo, pro ar

O híbrido Marco Aurélio Cunha, misto de médico, cartola e palpiteiro, esteve em Florianópolis com o São Paulo. Entrevistado em programa esportivo da TV Barriga Verde, desfiou teses otimistas sobre clubes catarinenses. Com bom trânsito em Florianópolis, mas passagem indelével pela Ressacada e Scarpelli, garantiu que o Avaí hoje é um dos clubes no país de maior atrativo para investidores, ao lado do Remo e do Ceará. Com maiores possibilidades para o Avaí, disse ele, por causa da localização do Estado, patati, patatá. Ele jura que não, mas parece conversa de quem está preparando aposentadoria na Ilha.

Famiglia

O levantador Ricardinho chutou o pau da barraca na entrevista coletiva que concedeu em Maringá, onde mora. Além de críticas ferozes ao treinador Bernardinho, responsável único por sua dispensa do grupo do Pan, revelou-se magoado com seus companheiros de seleção, sugerindo que não existe mais a tal família do voleibol masculino. Este foi o segundo corte sofrido por Ricardinho. O primeiro aconteceu em 2002, com Radamés Latari, hoje técnico da Cimed Florianópolis. Ao contrário do que disse o jogador, Radamés afirmou que ele sabe muito bem os motivos daquela dispensa. Razões extra-quadra, falou o técnico, evitando explicitar a encrenca.

Maus conselhos

O ex-presidente do Grêmio, José Alberto Guerreiro, esteve ameaçado de expulsão do quadro social do clube pela Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. O processo foi arquivado até que a justiça comum julgue seu possível envolvimento em negócios irregulares com a ISL, ex-parceira do Grêmio. Bom exemplo do Conselho gremista, que está encarando um problema grave e não o deixou intra-muros como acontece na maioria dos clubes brasileiros. Os conselheiros avaianos, por exemplo, têm o hábito de se omitir com relação aos graves acontecimentos que infelicitam a vida do clube e de sua torcida. Em nome de amizades ou interesses pessoais empurram tudo pra baixo do tapete.

Volta às aulas

Não adianta punir os maus árbitros e auxiliares somente com o afastamento por algumas rodadas. Tem que chamar esses incorrigíveis, incluindo alguns do quadro da FIFA, e fazê-los voltar aos bancos escolares, para aulas de português e muita reciclagem naquilo que eles pensam que sabem. É difícil porque a Comissão de Arbitragem da CBF não ajuda. Armando Marques era do ramo, mas chiliquento. Seu substituto, Edson Rezende, nunca disse a que veio e saiu pela porta dos fundos. Sérgio Corrêa, o atual titular, é um Conceição, ninguém sabe, ninguém viu.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Terça-feira

Brasileiros

O Figueirense começou cheio de aspirações na série A e terminou o turno em décimo quarto lugar. Na segunda divisão, apesar de duas derrotas consecutivas o Criciúma garantiu a liderança enquanto o Avaí namora firme a zona de rebaixamento. Na terceirona sobrou só o Joinville como representante catarinense, mas já com uma boa estréia na segunda fase graças ao empate nos confins do Mato Grosso. Sinal de alerta para o Figueirense cujas atenções agora serão divididas com o São Paulo no início da Copa Sul Americana. E alerta máximo para o Avaí que segue aos trancos e barrancos, limitado apenas a fugir da terceira divisão.

O de sempre

No encerramento do turno do Brasileirão aconteceram em penca aqueles lances sobre os quais venho escrevendo há semanas envolvendo erros grotescos de arbitragem. Jogo violento, indisciplina, faltas, simulações, pênaltis, reclamações, cartões mal aplicados, tudo passa impunemente. O impedimento no gol de empate do Figueirense contra o Botafogo foi um escândalo, idem para o pênalti cometido por Felipe Santana. Reciclagem é pouco para o atual quadro de árbitros da CBF, o pior dos últimos tempos.

Os poderosos

Faz tempo se discute excesso de autoridade no futebol com foco nos árbitros e treinadores. Os exemplos estão aí todo o dia, a cada rodada, com as súmulas e relatórios – a maioria de redação sofrível e sem embasamento – de uma só versão representando sentença condenatória para os acusados. Os treinadores, por seu turno, não dão satisfações a ninguém, agem como senhores da verdade e de soluções mágicas. Sugerem contratações, escalam, substituem, inventam treinos secretos, se duvidar até mesmo para a direção do clube.

Olho nele

A volta de Abel Braga para o Inter deixou a torcida satisfeita, muito mais pela saída de Alexandre Gallo. Lembrando passado recente e dos tais poderes ilimitados um experiente conselheiro colorado advertiu os dirigentes do clube, pedindo que o retorno de Abel seja monitorado. Ele não esquece a preferência do treinador por jogadores tipo Gabiru, em detrimento de Alexandre Pato, como aconteceu durante a Libertadores deste ano.

O poderoso

Com o presidente do Criciúma, Moacir Fernandes, que não costuma mandar recado quando pretende expor suas idéias, isso não funciona. Após a segunda derrota consecutiva do time na série B e a aproximação do Coritiba da liderança, Fernandes disse que vai cobrar providências pelas más atuações do zagueiro Felipe. Sai ele ou o treinador Gelson Silva, ameaçou logo após o jogo contra o Santa Cruz em Recife.

Tem pra todos

Lula não está levando vaia sozinho. Pelo contrário, está muito bem acompanhado pelo prefeito do Rio, César Maia, e pelo Ministro do Esporte, Orlando Silva, contemplados no vaiódromo desta vez instalado no estádio João Havelange, o Engenhão, durante a solenidade de abertura dos Jogos Parapan.

Avalistas

O caderno de encargos entregue à FIFA com os compromissos brasileiros na solicitação de sede para a Copa do Mundo de 2014 contém as assinaturas, entre outras, do ex-Ministro da Defesa, Waldir Pires, e do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Gato na tuba

Uma agência internacional de controle e fiscalização das atividades anti-doping, a Wada, quer maiores detalhes sobre o julgamento que absolveu o atacante Dodô, do Botafogo. Os representantes desta instituição alegam ter recebido do STJD brasileiro informações muito superficiais sobre o processo que primeiro condenou e depois absolveu o atleta.

Forças estranhas

Já começou o tititi garantindo que Corinthians e Flamengo não serão rebaixados. Menos por seus méritos, mais por estranhas coincidências que tendem a se repetir a cada partida destes dois times de muita tradição e grandes torcidas.

Delírio

Mano Menezes, Cuca, Renato Gaúcho, Muricy Ramalho e Joel Santana estão na mira dos tribunais, por expulsões do banco ou declarações colocando árbitros e membros da corte do Rei Ricardo sob suspeição. Treinadores de alguns dos maiores clubes brasileiros, eles devem estar sofrendo de alguma febre misteriosa. Não há do que reclamar nem motivos para suspeitas.




sábado, 11 de agosto de 2007

Sábado

Plumas e paetês

Não sei por que (mas desconfio) a gauchada caiu de boca no assunto “homossexualismo no futebol”, tão logo a polêmica se instalou a partir da denúncia de discriminação do jogador Richarlyson, do São Paulo. Uma rádio de Porto Alegre chegou a montar um programa especial de debates, convidando jornalistas, dirigentes e uma “biba” da cidade, especialista na terminologia e no assunto em foco. Prova de que o tabu persiste nos meios esportivos, principalmente no futebol, o jornal Zero Hora não conseguiu ouvir os principais jogadores de Grêmio e Internacional. Apenas o experiente Tuta, atacante gremista, balbuciou algumas frases. A maioria pulou fora dizendo que não tinha nada a comentar. Um ex-dirigente do Grêmio revelou que na sua época foi obrigado a negociar dois atletas depois que estes manifestaram sua opção sexual, transformando o clima nos vestiários.

Replay

Mesmo correndo o risco de ser chato e repetitivo não dá para deixar de falar sobre as arbitragens do campeonato brasileiro. Principalmente por causa da rotina de erros grotescos que se estabeleceu envolvendo alguns dos principais nomes do apito nosso de cada dia. Carlos Eugênio Simon e Leonardo Gaciba, os gaúchos da Fifa, são hoje os freqüentadores mais assíduos do muro de lamentações. Simon tem sido o mais visado, da última vez na quarta-feira, no Maracanã, quando não viu à sua frente, uma falta sobre um jogador do Botafogo que determinou o segundo gol do São Paulo. Gaciba errou duas vezes em seqüência, também no Maracanã, quando marcou um pênalti contra o Palmeiras em tranco fora da área e, após a cobrança, deixou passar uma falta sobre o atacante do Fluminense. O grave, tanto na parte disciplinar como na técnica, é que são falhas perceptíveis a olho nu, sem a necessidade de repetição na tevê.

Baladeiros

A noite de Florianópolis exerce um fascínio incontrolável sobre a boleirada de fora contratada por Avaí e Figueirense. Com a inestimável colaboração dos meninos da casa, marmanjos e donos de seus narizes não resistem ao canto das sereias e terminam por embrenhar-se em atividades incompatíveis com o exercício da profissão. A cartolagem não tem mãos a medir na tentativa de evitar o roteiro noturno de seus atletas e os torcedores é que acabam de ressaca tantas são as decepções com os que deveriam suar a camisa em campo e não pelas casas noturnas da Capital.

Cantada

As edições da Playboy com a bandeirinha Ana Paula Oliveira esgotaram mas suas estórias, não. Ela mesma, depois que virou atração internacional, conta algumas e a última foi passada a um jornalista do argentino Clarin. Na cobrança de um escanteio, ouviu um galanteio do jogador e um pedido para troca de telefones para combinarem uma saída. “Não incomoda, cobra logo esse escanteio”, respondeu Ana Paula.

É do povo

Ronaldo Nazário, denunciado por gordo um ano depois da Copa pelo Rei Ricardo Teixeira, não quer polêmica com o presidente da CBF. Mas já mandou seu recado dizendo que a seleção não é dele e sim dos torcedores. “Eles é que podem dizer se me querem de volta”.

Crime

O equatoriano Reasco, lateral direito do São Paulo, foi colocado fora de combate com um pontapé no jogo de quarta-feira por Luciano Almeida, aquele que atuou no Criciúma. A deslealdade do botafoguense não mereceu nem advertência verbal e provocou fratura de tíbia no adversário que não joga mais este ano.

Perigo à vista

Ainda é cedo para sacramentar campeões nas duas séries do brasileiro. Mas está passando da hora para evitar o que seria um desastre para o futebol catarinense, no caso o rebaixamento de Figueirense e Avaí. Menos traumática no primeiro caso, embora decepcionante, a queda para a série B é mais fácil de ser revertida, ao contrário da série C. É um longo caminho de volta, difícil de ser ultrapassado, como tentou a Chapecoense, como espera conseguir o Joinville.

Atualidade

“Me falaram certa vez que todo mundo nasce flamenguista...Talvez seja verdade. Explicaria o fato de recém-nascidos chorarem tanto”. Do livreto “Humor no mundo do futebol”.





quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Quinta-feira


Pobres e perdulários

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, em entrevista ao programa Roda Viva, segunda-feira à noite na TV Cultura, defendeu a realização da Copa de 2014 no Brasil. Argumentou que um evento desse porte melhora a auto-estima do brasileiro, como aconteceu no Pan-Americano, a cadeia produtiva e a infra-estrutura do país serão beneficiadas. Em nenhum momento da entrevista Orlando Silva falou em números, em custos, nem identificou a origem dos recursos. E ainda acenou com a possibilidade de o Brasil sediar também uma Olimpíada. Enquanto a população não tem suas necessidades básicas atendidas, nossos governantes insistem em ações político-eleitoreiras. Depois dos quase quatro bilhões gastos com o Pan, sem nenhum benefício paralelo a não ser manifestações de orgulho pátrio, como vamos entender a construção de arenas gigantescas para atender a Copa? Só o nordeste seria contemplado com quatro, sem contar as reformas e adaptações necessárias em equipamentos já existentes. A retórica de convencimento exercida por um Ministro do PC do B é insustentável em uma nação com tantas prioridades a serem viabilizadas. A saúde, por exemplo, até hoje não viu a cor do dinheiro da CPMF.

Me engana

O doutor Delfim, presidente da Federação, falou ao jornal O Esporte, de Tubarão, em matéria sob o título “O Poderoso Chefão”. Entre tantas pérolas, evoca para sua administração o sucesso dos clubes catarinenses no campeonato brasileiro, acha normal ficar 23 anos na presidência da FCF, discorre com naturalidade sobre suas duas aposentadorias – Universidade Federal e Assembléia – tem orgulho de construir uma sede em Balneário Camboriú, e diz que não amealhou desafetos, a não ser o ex-árbitro Dalmo Bozzano.

Bom e barato

O Criciúma faz boa campanha na série B do campeonato brasileiro depois de perder o título do estadual para a Chapecoense que acaba de ser eliminada da série C. Manteve o treinador perdedor, Gelson Silva que, recuperado, levou ao time à liderança, mesmo perdendo Clodoaldo, Fernandinho, Everaldo e Rudinei. As próximas perdas podem ser Luís Adriano e Eliseu, estão chegando Basílio e Edmilson. Até aqui os titulares e substitutos foram recrutados em clubes catarinenses, o grande mérito desta logística implantada no Criciúma.

Tipo exportação

Chegou também a vez dos treinadores carimbarem passaporte. Ivo Wortman, Tite, Pintado, Toninho Cerezo, Wagner Mancini, Hélio dos Anjos, Jorvan Vieira (Arábia), Parreira (África do Sul), Zico (Turquia) e Adilson Batista (Japão) estão fora, mostrando a capacidade do técnico brasileiro.

Na panela

O Inter foi buscar Gallo no Sport, desestabilizou o adversário e deixou mal o treinador com boa parte da torcida pernambucana. Uma derrota para o Palmeiras na quinta-feira pode obrigar o clube gaúcho a buscar outro técnico. O nome de Geninho já circula no Beira Rio. Ele substituiu Gallo no Sport, hoje em recuperação no brasileiro.

Seleção

Dunga chamou Ronaldinho e Kaká, uma obviedade, confirmou Júlio Batista, o grande vencedor do grupo que disputou a Copa América, e deixou fora o meia Anderson, o que teve menos chance na Venezuela. Pela frente amistosos com Argélia e México e a seguir a hora da verdade, com o início das eliminatórias para a Copa do Mundo.

Vassoura nova

A Comissão de Arbitragem muda de novo, saindo Edson Rezende para a entrada de Sérgio Correia. Quem sai alega sempre motivos particulares, versão que não merece crédito tantos são os problemas envolvendo as arbitragens a cada rodada do brasileiro.

Terceira divisão

O Avaí tem 40 jogadores, mas o técnico Alfredo Sampaio não consegue montar um time. Segue ladeira abaixo, rumo à série C, para desespero da torcida que não agüenta tanto vexame e não sabe mais a quem vaiar na Ressacada.

Matemática do tapetão

A série B tem dois líderes, um de direito, o Criciúma, com 36 pontos, e um de fato, o Marília, que estaria com 38 não tivesse perdido seis no TJD.




terça-feira, 7 de agosto de 2007

Terça-feira

Sem choro

Figueirense e Vasco saíram de campo reclamando muito do mineiro Clever Gonçalves. Foi realmente uma arbitragem ruim, com prejuízo para os dois lados, uma rotina nas rodadas do campeonato brasileiro. Aconteceu em São Januário, Maracanã, Olímpico, Mineirão, série A, série B. Vi de tudo um pouco neste final de semana. A má fase da arbitragem brasileira é fato. O jeito é garantir a vitória quando as chances aparecerem, o que não aconteceu com o Figueirense no Rio de Janeiro.

Mordaça

O futebol do Figueirense vai razoavelmente bem garantindo, por enquanto, o que se espera do representante catarinense, uma boa participação na série A. Como não tem craques, o time faz do empenho e do jogo coletivo suas maiores virtudes. Em compensação o relacionamento com a torcida e imprensa vai de mal a pior. Parece que tem alguém no clube determinado a garantir o “troféu antipatia”. São injustificáveis os maus bofes e a lei do silêncio em um vestiário onde a comissão técnica é comandada por um homem experiente e que já foi comentarista de rádio e tevê.

Mediocridade

São visíveis os sinais do mal que faz ao futebol brasileiro essa sangria desvairada. Primeiro saiam os craques confirmados. Agora estão levando as promessas, as revelações. Ficam os repatriados, as sobras do exterior, os que não interessam ao mercado dos eurodólares. Os clubes seguem desprotegidos, ninguém é poupado e o conformismo toma conta da mídia, dos dirigentes e dos legisladores. Ninguém esboça a mínima reação. Vão matar a galinha dos ovos e ouro, secar a fonte, até bater o desespero diante do número crescente de espetáculos (?) ruins como os jogos a que temos assistido.

Para onde vamos

O campeonato brasileiro é hoje um diversificado painel da pobreza franciscana do nosso futebol. Ufanismos a parte, o caminho é conhecido e os reflexos já aparecem em jogadores da seleção brasileira. Há depoimentos de jornalistas que ouviram frases estarrecedoras ditas por alguns de nossos craques na informalidade de um bate-papo. Coisas tipo: “estou com a vida feita, conta recheada de dólares”, não sei o que estou fazendo aqui”. O “aqui” é a seleção, antigamente objetivo de qualquer jogador. Hoje a busca pela camisa amarela vale no tempo necessário para a garantia de uma bela conta bancária. Que o digam Kaká e Ronaldinho Gaúcho.

Caras de pau

O futebol feminino é um exemplo pronto e acabado de omissão. Só é reconhecido e recebe atenção quando ganha títulos, medalhas e suas equipes são destaques aqui e lá fora. Vejam, por exemplo, o caso da lageana Maicon. Cada vez que vai à sua cidade expõe a pobreza da família. Mas os políticos da terra, sem o mínimo constrangimento, estão lá para homenageá-la. Oferecem ajuda, plano de saúde, assistências de toda ordem. Basta ela virar as costas ou arrefecer a repercussão das conquistas para bater a amnésia nos oportunistas de sempre.

Discriminação

Os 1.300 atletas portadores de necessidades especiais que participarão dos Jogos Para-Pan não estarão protegidos por nenhum plano de saúde durante a competição. Ao contrário do que aconteceu no Pan-Americano, a empresa privada que assistiu aos queridinhos do COB não teve o contrato ampliado. Isso levará a turma do Para-Pan para as filas do Sistema Único de Saúde, popularmente conhecido como SUS.

Baixo nível

O flagra dos microfones no técnico Joel Santana mandando dar “porrada” nos jogadores do Santos que tocavam a bola a 44 minutos do segundo tempo mostrou a cara atual do Flamengo. Na zona do rebaixamento, sem time à altura da sua camisa, é candidato sério à série B em 2008. A não ser que faça uma campanha fora do comum no returno. Aquele expediente de esperar a liberação do Maracanã, deixando a equipe quatro jogos atrás, está na cara, foi uma grande bola fora.

Corporativismo

Depois do jogo Wanderlei Luxemburgo surpreendeu a todos no vestiário ao concordar com seu companheiro de profissão. Um papelão de dois profissionais que ainda não foram apresentados a uma cartilha de bons modos.



sábado, 4 de agosto de 2007

Sábado

Lulismo esportivo

Como todo bom cartola brasileiro o Rei Ricardo vive dizendo e fazendo bobagem. Agora a trapalhada verbal do presidente da CBF envolve a seleção brasileira que disputou a Copa da Alemanha. Assumiu, um ano depois, que a concentração brasileira era um circo, que alguns jogadores saiam para a noite e voltavam turbinados, e que Ronaldo estava gordo. Triste, além de constatar a omissão total da Comissão Técnica comandada por Parreira, é a confirmação de que aquele bando de jornalistas que acompanha a seleção repetiu na Alemanha o presidente Lula do nosso dia a dia. Com exceção dos questionamentos sobre peso do Ronaldão, ninguém viu nada, ninguém sabia de nada.

Lulismo aéreo

Para reflexão no fim de semana. “A vida do presidente Lula é um eterno palanque. O que não está no palanque não existe”. Conclusão de Lúcia Hipólito, comentarista da rádio CBN, sobre as últimas declarações de Lula, afirmando que crise aérea nunca foi assunto das cinco campanhas eleitorais das quais participou.

Descrédito

Absolvido por cinco votos a três no Tribunal Pleno do STJD da acusação de doping, Dodô volta ao Botafogo abrindo um grave precedente. Não há justificativa convincente para este reforma da sentença que havia condenado por unanimidade o jogador a 120 dias de suspensão, pois não estava em julgamento o eventual dolo do atleta, mas o que determina a lei pela presença no antidoping de substância proibida. Dizem as más línguas que três dos oito auditores deveriam se julgar impedidos por serem conselheiros do Botafogo. Com esse conhecido atrelamento a interesses clubísticos, os homens sérios têm pouco a fazer nos tribunais esportivos de todo o país.

Desinformação

"A avaliação física feita no atleta recomenda uma preparação em tempo superior ao previsto inicialmente, o que impossibilitaria o aproveitamento imediato do atleta". Eufemismo utilizado pelo gerente de futebol do Figueirense, Anderson Barros, para justificar a não contratação do volante Tiago Alves, que estava em Portugal. O técnico Mário Sérgio foi quem colocou os pingos nos is, encerrando este episódio cheio de informações desencontradas. Disse aos jornalistas, em português claro e verdadeiro, que o jogador não seria contratado por causa de uma lesão que demandaria tempo demais para cura. E a primeira informação divulgada pelo gerentão dava conta de problemas na documentação.

Perguntar não ofende

Um novo contratado chegou ao Figueirense. Trata-se do atacante argentino Frontini, 25 anos, dispensado do América de Natal por deficiência técnica. Uma boa deixa para aquele inesquecível personagem do comediante Chico Anísio: é mentira, Terta?

Rabo de cavalo

A disseminação do segredo nos assuntos mais corriqueiros dos clubes brasileiros está contaminando e fazendo crescer para baixo a divulgação das suas atividades, além de desacreditar as assessorias de imprensa. Esconde-se desde informações banais, como relação de quem concentra ou viaja passando por treinamentos, valores de negociações até formação do time, tudo transformado em segredo de Estado. O resultado são especulações e informações desencontradas passadas ao torcedor, cada vez mais distante da realidade de seus clubes, mas sempre cobrado a apoiar.

Revoada

Perdigão foi vendido ao Vasco e Alexandre Pato acaba de ser negociado com o Milan. Ficou no Inter uma última ave, o Gallo, justamente a única detestada pela torcida.

Sem fronteiras

Governo do Estado manda convite para almoço-homenagem a atletas catarinenses que participaram dos Jogos Pan-Americanos. No Rio Grande do Sul devem estar fazendo a mesma coisa. Repete-se aquela mixórdia pré-Pan com atletas cataúchos e vice-versa.

Obviedade

Analisando as dificuldades encontradas pelo time na série B do campeonato brasileiro, o superintendente de futebol do Avaí disse que faltou planejamento ao clube, lembrando que de janeiro até aqui foram contratados 58 jogadores. E acabam de chegar mais três para “reforçar o grupo”.







quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quinta-feira

SOS Mengo

Alguém tem dúvida de que a CBF está ajudando o Flamengo? Permitindo que o clube fique quatro jogos atrasados – sua diretoria exigiu esperar o fim do Pan para só jogar no Maracanã – será possível utilizar, a partir deste domingo, reforços contratados no exterior. É um tratamento escancaradamente diferenciado. Entretanto, o feitiço pode virar contra o feiticeiro, caso o time não agüente a pressão para recuperar o tempo perdido com bons resultados.

Balanço

Na avaliação do Comitê Olímpico Brasileiros houve uma evolução do nosso esporte com a conquista de mais medalhas neste Pan em relação ao anterior. A matemática está correta, mas é preciso avaliar, também, o que ganhamos e a quem superamos. Os atletas da pequena ilha de Fidel, isolada por grandes potências, continua à nossa frente. Como é que um país rico e imenso como o nosso ainda não conseguiu suplantar os cubanos, a não ser na modalidade vaia? A Olimpíada de 2008 e os Mundiais vêm aí para esclarecer estas e outras dúvidas.

Contrastes

O caderno de economia do jornal O Globo publicou matéria interessante esta semana, abordando os desvios de prioridades nos investimentos públicos. A Cidade de Deus, conglomerado populacional muito pobre, a apenas dois quilômetros da suntuosa Vila Pan-Americana, tem índices de desidratação infantil e de desenvolvimento humano bem piores do que muitas cidades nordestinas. Números que impressionam diante do que se gastou para a realização dos Jogos no Rio, perto de R$ 4 bilhões.

Operação desmanche

Tudo isso ganha contornos ainda mais indesejáveis com o que leio e ouço no noticiário pós-Pan sobre o aproveitamento futuro de locais de competição recém reformados ou construídos. O estádio Engenhão, por exemplo, pode ficar sob tutela do Botafogo por 20 anos, único candidato na licitação aberta. Logo o Botafogo que, apesar da sóbria administração do seu presidente Bebeto de Freitas, mal dá conta do seu quintal. E o que dizer das intenções do governador Sérgio Cabral e do prefeito do Rio, César Maia, dispostos a transformar em shoppings, casas de shows e estacionamentos, áreas do Maracananzinho, estádio Célio de Barros (atletismo), parques Júlio Delamare e Maria Lenk (natação) e, pasmem, o velódromo construído especialmente para a ocasião com madeira importada.

Carta de más intenções

O Brasil vai mal de saúde, educação, segurança, a carga tributária é monstruosa, relaxamos com o saneamento básico, a corrupção virou epidemia e ainda assim gastamos os tubos para fazer o Pan no Rio. Pior, queremos uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada dois anos depois. O governador Sérgio Cabral não para de surfar nas ondas do esporte e até já inventou uma carta de intenções para ser encaminhada ao Comitê Olímpico Internacional.

Alquimistas

Há quem goste e leia o “mago” Paulo Coelho, há quem idolatre Romário e quem se disponha a beijar os pés (só?) da belíssima modelo Gisele Bundgen. São os nossos “embaixadores” escalados pelo Rei Ricardo no pleito da CBF junto à FIFA para garantir a Copa de 2014 no Brasil. A união do esporte com a cultura deveria render boa química, mas ninguém entendeu essa jogada.

Peteca

“Saber lidar com pepinos, tudo o que entra sai, tudo o que sobe desce”. Imagino o esporte praticado nos seus momentos de lazer pelo autor destas expressões, uma autoridade do governo Lula que, por essas e outras estripulias, já foi convidado a voar em outra freguesia.

Futuro

Faz tempo disse para um amigo torcedor do Avaí que a atual diretoria, sob o comando do presidente João Nilson Zunino, estava levando seu clube para um buraco do qual seria difícil sair. Meu amigo discordou injuriado, sugerindo que eu mudasse de profissão e abrisse uma tendinha com bola de cristal, búzios e cartas. Zero de conquistas, contas e passivos trabalhistas e a colocação do time neste brasileiro não me deixam mentir.

Gaúcho, amaaado...

Hoje tem Figueirense contra o Grêmio em Florianópolis, certeza de que aquele corinho original e criativo vai funcionar como nunca nas arquibancadas do estádio Orlando Scarpelli.


terça-feira, 31 de julho de 2007

Terça-feira

Sedex

O vaiódromo itinerante do Pan mudou de lugar sábado, instalando-se no Maracananzinho, onde foi disputada a final do voleibol masculino. Ao perceberem o locutor oficial anunciando a ausência dos jogadores cubanos no pódio, os torcedores logo fizeram ouvir sua ignorância através da vaia. Nessa hora misturam-se histeria nacionalista e desconhecimento. Este bando de desinformados precisa se ilustrar um pouco. Assim ficarão sabendo que, infelizmente, existem razões além do esporte que impediram o comparecimento dos atletas de Cuba à premiação. A reprovação manifestada pelo torcedor deve isto sim, ser remetida pelo correio a alguma autoridade cubana, junto com as medalhas de bronze.

Cuba libre

Vamos ao roteiro, antes do episódio do Rio: tudo começou em 1971 com seis abandonos, chegando ao seu ápice em Winnipeg-1999, com 13 desertores incentivados pelas ofertas profissionais e também por organizações anticastristas baseadas em Miami (EUA). Durante estes Jogos no Rio as tentações de países capitalistas cooptaram dois boxeadores (o bicampeão olímpico Guillermo Rigondeaux e o campeão mundial Erislandy Lara), um jogador de handebol (Rafael D'Acosta) e um técnico de ginástica artística (Lázaro Lamelas). O número não é tão grande se comparado com edições anteriores do Pan.

Rubro negras

O Flamengo demitiu Ney Franco e trouxe de volta Joel Santana, sempre a postos com sua prancheta para substituir treinadores demitidos. A dúvida que fica nesta troca é se Joel continua sendo um técnico de ocasião, para atender um SOS, ou evoluiu ao ponto de se transformar em um profissional moderno, enquadrando-se em projetos e planejamentos. Se é que o Flamengo os tem.

Bagunça

Desistências de Videira e Balneário Camboriú, calotes em hotéis, comissões técnicas e treinadores, e clubes punidos por utilização irregular de jogadores. São alguns dos ingredientes que recheiam de confusões essa divisão de acesso servida pela Federação ao torcedor catarinense.

Selvageria

O Estádio Olímpico, em Porto Alegre, foi palco sábado de muita violência, sob olhar complacente do árbitro catarinense Paulo Henrique de Godoy Bezerra. Gritou muito, como sempre, repetiu os exageros no gestual, mas não puniu nem com advertência a atuação desclassificante de dois jogadores gremistas. Tcheco chutou o rosto de Alex Mineiro que, com nariz e maxilar quebrados, saiu do campo direto para o aeroporto em uma UTI móvel. Evandro perdeu um dente e teve outros três fraturados, graças a uma cotovelada de Gavilan. Tudo isso aconteceu no primeiro tempo do jogo entre Grêmio e Atlético Paranaense. Bezerra e seus auxiliares não viram nada.

Impunidade

Aliás, a arbitragem pintou e bordou na rodada do final de semana no campeonato brasileiro. Graças aos jogos pagos pela tevê pude ver diversos confrontos pelas duas séries e constatar a falta de critérios dos árbitros, em alguns casos até omissões diante de lances de muita violência. Fica tudo por isso mesmo e na próxima rodada lá estarão os de sempre, sorteados repetidamente como se nada tivesse acontecido. Parece até que temos uma ANAC no comando da arbitragem brasileira.

Brasileiros

O Joinville, classificado para a segunda fase da série C, salvou a honra do futebol catarinense no final de semana. A Chapecoense colheu o que plantou e foi prematuramente eliminada. Na série B o Criciúma quebrou o salto em Santo André, levou um tombo, mas ainda segurou um empate. Já o Avaí não respeitou os mais de três mil corajosos torcedores que enfrentaram o frio de sábado na Ressacada e jogou um futebol ridículo para empatar sem gols com os velhinhos (o mais novo tem 29 anos) do Santa Cruz.

Futebol da paz

No confronto entre dois treinadores brasileiros, a seleção do Iraque (Jorvan Vieira) derrotou a Arábia Saudita (Hélio dos Anjos) por 1 a 0 e conquistou a Copa da Ásia. Em Bagdá o povo saiu às ruas para comemorar sem bombas o título inédito.

sábado, 28 de julho de 2007

Sábado

Salto alto

Os jogadores do Criciúma vestiram Prada no jogo de ontem à noite contra o Santo André, na casa do adversário, e botaram fora uma vitória que estava no bolso – ou na bolsa – até mais da metade do segundo tempo. Com 3 a 1 a favor e o domínio do jogo, a turma relaxou mas não pôde gozar, tantos foram os gols perdidos. O velho Sandro Gaúcho, mostrando que ainda funciona, saiu do banco de reservas para comandar a reação paulista até o empate em 3 a 3, aos 42 minutos.

Palavras ao vento

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, empolgado com a medalha de ouro do futebol feminino no Pan, prometeu ajudar a modalidade com a organização de competições fortes no país. Falando de um assunto que não lhe compete, mas sim à CBF, o Ministro mostrou a face oportunista do político brasileiro, sempre presente nessas ocasiões. Quem quiser mesmo ajudar o esporte deve lutar, em primeiro lugar e em todos os níveis, pela desvinculação de algumas injunções políticas a que hoje está sujeito. O resto é demagogia e conversa jogada fora.

César Vaia

As vaias que passearam pelas arenas do Pan e começaram no Maracanã, com o presidente Lula, chegaram aos cubanos, argentinos e norte-americanos. No caso dos cubanos, fruto de uma rivalidade esportiva. Ideologias a parte, devíamos é aplaudi-los. No mais, creditemos à nossa reconhecida falta de educação esportiva. Quanto ao ocorrido no Maracanã, pendurem na conta do compreensível descontentamento popular, acrescentando uma pitada de participação do prefeito do Rio, César Maia. No seu blog, o batom na cueca: um anúncio da venda de camisetas por R$ 19,90 com os dizeres “Eu vaiei Lula no Pan”.

Deserção

Entre os muitos assuntos inexplicavelmente ignorados pela grande mídia está a debandada dos voluntários que trabalham no Pan, convocados pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Mais de duas mil moças e rapazes não agüentaram o excesso de trabalho, desorganização de alguns setores e alimentação imprópria, a base de sanduíche frio e sucos quentes. Os organizadores se defendem argumentando que os números, em torno de 15%, são aceitáveis.

Currículo

Leitor que se identifica como Upiara Boschi acrescenta à nota que escrevi sobre Oscar, o do basquete, sua parceria com Paulo Maluf em candidatura ao Senado.

Bagdá futebolística

A decisão da Copa da Ásia de seleções terá a participação de dois corajosos treinadores brasileiros: Hélio dos Anjos pela Arábia Saudita e Jorvan Vieira com o Iraque.

O de sempre

Voltando aos assuntos domésticos registro, sem surpresa, a desistência do Balneário Camboriú Futebol Clube da divisão de acesso. Seus jogadores já foram despejados do hotel e os dirigentes que ficaram vendem bens pessoais para saldar dívidas. Em competição organizada (?) pela Federação Catarinense do doutor Delfim não se pode esperar outra coisa. A invenção de clubes e eleitores a cada temporada só pode ter esse desfecho.

Burras cheias

O Clube dos 13 está divulgando alguns números sobre a receita de seus filiados com a venda do direito de imagem. Inter e Grêmio, por exemplo, receberão em 2008, cada um, R$ 1,6 milhão mês, por jogos nos campeonatos gaúcho e brasileiro.

Brasileiros

Na série A o Figueirense tem que reverter a expectativa deixada pelas últimas apresentações, duas derrotas e um empate. O jogo será domingo, em Brasília, contra um Fluminense igualmente de altos e baixos. Sem reposição à altura para os que foram vendidos ou estão fora momentaneamente será difícil manter a regularidade. O Avaí na série B também vai atrás e recuperação, neste sábado contra o Santa Cruz em casa. O primeiro e difícil objetivo é fugir do rebaixamento.





quinta-feira, 26 de julho de 2007

Quinta-feira

Mário? Que Mário?

O técnico do Figueirense entornou o caldo antes e depois do jogo de quarta-feira no Scarpelli. Com declarações agressivas e cheias de recados para as arquibancadas e jornalistas, Mário Sérgio parecia o treinador de um clube de grande torcida, pressionado por uma seqüência infindável de maus resultados. Esse, na verdade, deveria ser o clima do outro lado, pelo menos no vestiário. Mas não, Carpeggiani e seus jogadores passavam tranqüilidade e confiança na recuperação do Corinthians. Que Mário é esse que apareceu em Florianópolis? Cadê aquele ex-jogador bom de ginga e boa praça? Onde foi parar o bom comentarista de televisão, cheio de experiência e conhecimento?


Napoleão e o esporte I

Em meados do século 18, durante a guerra franco-prussiana, Napoleão precisava mandar uma mensagem para soldados postados atrás das linhas inimigas. Chamou um tenente e lhe entregou um cavalo, uma pistola e uma espada, instrumentos para sua defesa no cumprimento da missão. No caminho o cavalo levou um tiro, o tenente enfrentou os inimigos com as armas que dispunha, depois caminhou, atravessou um rio a nado e, por último, correu para entregar a mensagem em tempo. Reza a lenda que assim nasceu o pentatlo moderno, com hipismo, esgrima, tiro, natação e corrida, pela sua origem praticado no início somente por militares.

Napoleão e o esporte II

Pois chegamos ao lugar mais alto do pódio com esse esporte nos Jogos Pan-Americano. Foi nosso primeiro ouro, depois de uma prata nos Jogos de 2003 em Santo Domingo, resultado alcançado por uma americana naturalizada brasileira. O ouro do Rio é brasileiríssimo, conquista de uma menina chamada Yana Marques, do interior de Pernambuco, uma loirinha dentuça e de aspecto frágil. Praticando cinco modalidades tão distintas, três delas com altíssimo grau de requinte e dificuldade, como hipismo, esgrima e tiro a Yana, para mim, é o grande destaque individual deste Pan-Americano.

Pés de barro

O ex-basqueteiro Oscar tem aparecido fazendo gracinhas na tevê e bobagens nos locais de competição do Pan. Como aconteceu na arena da ginástica artística, quando vaiou e torceu aos gritos pelo erro adversário. Oscar, um ídolo do esporte brasileiro, nunca soube se comportar como tal. Sempre foi um mangolão abobado e sem a compostura de um grande atleta.

Briga de egos

O voleibol masculino do Brasil podia passar sem os problemas criados pelo técnico Bernardinho e o levantador Ricardinho. Eventuais prejuízos na competição nunca afetarão um ou outro, apenas o esporte.

Modismo inconveniente

Quais os objetivos a serem alcançados com treinamentos secretos, a mais nova praga do futebol brasileiro? Pelo rendimento dos times que adotaram essa prática não se chega a lugar nenhum. De prático mesmo só tem acontecido o impedimento de a imprensa realizar o seu trabalho.

Meio hino

Cantar o hino nacional sempre emociona atletas e espectadores. No Pan isso não tem acontecido porque o nosso ultrapassa os quatro minutos e o regulamento da competição não aceita. A solução encontrada pelo cerimonial foi editar as estrofes para encurtar o tempo. Só faltou divulgar a medida para evitar o espanto e o constrangimento de pódios e arquibancadas.

Brasileiros

Estamos bem representados na série B graças ao Criciúma, líder com 32 pontos, seis a mais que o segundo colocado. Já o Avaí, depois da vitória sobre o São Caetano voltou à sua realidade. Não pela derrota para a Portuguesa, mas pelo futebol ridículo apresentado.

Aeroporto 2007

Clubes e jornalistas em viagem pelo país por causa do campeonato brasileiro começaram a encarar os problemas criados com o caos aéreo. Caso não aconteça logo uma solução a CBF será obrigada a remanejar alguns jogos, senão rodadas inteiras. O lado bom de toda essa confusão, perdoem o otimismo fora de hora, é a retenção dos políticos em Brasília.

Gatos

Tem algo de muito estranho e mal cheiroso nesses episódios de jogadores com idade alterada. Todos têm uma só origem, as divisões de base do Figueirense, sugerindo que o clube é conivente com a situação ou não está suficientemente organizado como apregoam. Prefiro acreditar que as irregularidades envolvem também outros clubes de Santa Catarina. O que seria compreensível em um futebol dirigido por uma federação que empurra tudo pra baixo do tapete e não fiscaliza nada.

Novela corintiana

O Conselho Deliberativo do Corinthians votou pelo fim da parceria com a MSI. A torcida poderia respirar aliviada não fosse a decisão do iraniano Kia Joorabchian, prometendo cobrar US$ 25 milhões por quebra unilateral de contrato e investimentos em contratações. No clube ninguém está levando a sério esta ameaça uma vez que Kia e sócios estão em lugar incerto e não sabido, e com pedidos de prisão expedidos no Brasil pelo Ministério Público.















terça-feira, 24 de julho de 2007

Terça-feira

Pingo nos is

De nada adiantaram as evidências do sucateamento da saúde e da educação, das péssimas condições sociais do país, da corrupção desenfreada, da impunidade e do acobertamento de políticos e empresários criminosos. Precisou uma solenidade do esporte, a abertura oficial dos Jogos Pan-Americanos, com uma vaia de 90 mil pessoas, para mostrar o verdadeiro sentimento do povo brasileiro em relação ao governo. Agora uma segunda tragédia aérea em dez meses levanta uma sujeirada que as autoridades insistem em varrer para baixo do tapete, com muita mentira, omissão e incompetência. Pena que o esporte, através do noticiário do Pan, tenha ajudado a diluir um pouco a indignação que toma conta da população.

Queda livre

Não é preciso ser adepto do futebol bonito e cheio de técnica para ficar horrorizado com a mediocridade que assola os jogos do campeonato brasileiro. Impressiona a quantidade dos lances tipo peladas de fundo de quintal, como aconteceram nos jogos entre Corinthians e Náutico, Grêmio e Flamengo, entre outros da rodada do fim de semana. A realidade é assustadora, com grandes clubes na zona de rebaixamento ou fazendo papelão diante de adversários menos credenciados. O equilíbrio com qualidade é louvável e anima o torcedor, mas o nivelamento por baixo, tira o público dos estádios e traz perspectivas desanimadoras em relação ao futuro até das nossas seleções.

Talento em baixa

Escrevi acima “nossas seleções” porque a base do futebol brasileiro dá os primeiros sinais de que não passaremos impunemente por um presente de tanta desorganização. A seleção sub-20 teve uma participação vergonhosa no Mundial, eliminada com três derrotas, enquanto a equipe sub-17 não passou da primeira fase no Pan-Americano. Nosso futuro está sedo preparado assim, sem nenhum planejamento e com total desprezo pela seriedade administrativa. A não ser pelo trabalho isolado e a visão de alguns dirigentes de clubes, levados pela necessidade, o futuro do futebol brasileiro está irremediavelmente comprometido. Os jogadores que vivem hoje no exterior têm prazo de validade vencendo e sem perspectivas de substitutos à altura.

Professor Pardal

Na coluna de sábado abordei as invencionices de alguns técnicos, tomando como exemplo Alexandre Gallo, do Internacional, e Mário Sérgio, do Figueirense, Coincidência ou não, o fato é que seus times foram derrotados no final de semana, conseqüência de escolhas bastante discutíveis e estratégias equivocadas. No Inter a paciência dos dirigentes parece estar no limite, enquanto no Figueirense a peneira continua tapando o sol.

Máscara

O comportamento do ex-jogador e ex-comentarista de rádio e televisão, agora treinador, Mário Sérgio, segue merecendo reparos. Com o respaldo de um e outro dirigente – espero que não da assessoria de imprensa – o tratamento dispensado aos jornalistas catarinenses beira a falta de respeito. O que não acontece quando o técnico passa por outros estados, principalmente São Paulo e Rio Grande do Sul, onde a postura e a linguagem do Mário mudam.

Dodói

Que fantástica a recuperação do meia Pedrinho, hoje no Santos. Passou por Vasco e Palmeiras integrando com freqüência o “time do chinelinho”, tantas foram as lesões. Chamado por Wanderlei Luxemburgo, transformou-se em um dos melhores jogadores do grupo com 43 jogos consecutivos sem departamento médico. Mostrou sua boa forma atual enfrentando com desenvoltura 90 minutos diante do Figueirense.

Dia de São Nunca

Meu companheiro de espaço, o Aldo Pires, traz denúncia da Camboriuense contra a Federação Catarinense de Futebol e seu presidente, doutor Delfim Peixoto, por suposto “engavetamento” de um protesto contra o Joinville, que teria utilizado jogador irregular na disputa da divisão especial. O resultado deste julgamento poderia colocar a Camboriuense na primeira divisão em 2008 na vaga do Jec. Sabem quando o documento vai aparecer no TJD?

Zorra total

O Figueirense voltou a Florianópolis de ônibus, depois de jogar com o Santos na Vila Belmiro. Vôo da TAM levaria mais tempo do que a viagem por terra. Como o previsto, a esculhambação aérea chegou ao campeonato brasileiro.

sábado, 21 de julho de 2007

Sábado

Boa leitura

Li na coluna do Wianey Carlet, na Zero Hora gaúcha, e recomendo ao Mário Sérgio, técnico do Figueirense, adepto como Gallo, treinador do Inter, de mudanças no time e no esquema tático a cada jogo. “Este quase sempre é atalho para grandes frustrações. Esportes coletivos apoiam-se, essencialmente, no poder do conjunto. Não se conhece uma só equipe de futebol que tenha se tornado campeã por efeito deste bailado de propostas táticas e estratégicas.”

Objetivos

O Santos que o Figueirense vai enfrentar amanhã, na Vila Belmiro, tem um treinador que foi obrigado a buscar soluções para desfalques sofridos no meio da competição. Mário Sérgio não ficou atrás de Wanderlei Luxemburgo e também lidou com problemas de toda ordem para manter uma equipe equilibrada e, no mínimo, longe da zona de rebaixamento. A diferença está nas ambições de cada um.

Pés no chão

A insegurança do nosso transporte aéreo começa a afetar a rotina dos clubes que andam pra lá e pra cá nas três séries do campeonato brasileiro. No sul a preferência agora é por ônibus, ao que se sabe opção já utilizada por Figueirense, Criciúma, Caxias (RS) e Chapecoense. Grêmio e Caxias por detalhe não repetiram no fatídico vôo da TAM a tragédia de maio de 1949, quando um acidente aéreo matou a delegação italiana do Torino, que acabara de disputar um amistoso em Lisboa.

Inimigos a bordo

A propósito, para um governo que tem Valdir Pires, Marco Aurélio Garcia e Marta Suplicy como assessores, e instituições como Anac e Infraero, qualquer oposição é refresco.

Verso e reverso

Depois da merecida festa dos atletas brasileiros na contagem das medalhas conquistadas nos Jogos Pan-Americanos, a contabilidade será outra. Os questionamentos começaram antes do evento, mas diluíram-se com o ufanismo da mídia. Encerrado o Pan talvez alguém tenha curiosidade de saber as razões de gastos estimados inicialmente em R$ 500 milhões estarem próximos dos R$ 4 bilhões.

Reflexão

Claro que atleta tem mais é que fazer festa com qualquer medalha. Só quem está lá competindo sabe o tamanho da encrenca pela falta de apoio traduzida na inexistência de uma política para desenvolvimento do esporte. Portanto, antes de comprarmos a idéia de que evoluímos muito, é bom lembrar que gastamos o que não temos para fazer esse evento no Rio e ficar à frente apenas de países da América do Sul e outros menos votados. Isso é obrigação. Façanha seria superarmos, pelo menos, Cuba e Canadá.

Perguntinha

Pode um clube disputar uma competição oficial com um novo nome enquanto os registros oficiais mantêm a denominação antiga? A dúvida envolve o recém criado Clube Atlético Tubarão, mais conhecido como Cidade Azul. Como sexta foi feriado em Balneário Camboriú, sede da Federação Catarinense, qualquer dia a reposta aparece. Enquanto isso segue, sem contestações, o campeonato da divisão de acesso. Aliás, já tentei falar com o ouvidor da FCF e não consegui. Deduzo que ele é surdo.

Do leitor

O botafoguense e marcilista, Reinaldo Tolentino de Souza, como ele se apresenta, informa através de e-mail que tem acompanhado de perto a movimentação do Marinheiro e as propostas contidas no Projeto Espinafre. Resume tudo com uma frase contundente, depois de detalhar o que viu e ouviu na última reunião do clube: “Como marcilista desde que estava envolto na placenta da minha mãe, acho que o Marcílio será novamente uma grande decepção”.

Sem fronteiras

Engraçado mesmo é a disputa entre catarinenses e gaúchos pela “paternidade” de alguns atletas presentes ao Pan. Catarinense radicado no Rio Grande do Sul passa a ser gaúcho, e vice-versa.

Hipocrisia

Chegou a Timemania, sancionada pelo presidente Lula, e com previsão de arrecadação de R$ 500 milhões ano. Oitenta clubes serão beneficiados por mais uma loteria, entre tantas já existentes, em um país onde o jogo é proibido.













quinta-feira, 19 de julho de 2007

Quinta-feira

Criminosos à solta

Acordei ontem sem vontade de escrever sobre esporte e com aquela sensação de impotência que toma conta do cidadão diante de algumas situações como a do acidente de avião que matou 200 pessoas em São Paulo. Essa é mais uma tragédia anunciada, e não será a última. Pelo menos enquanto persistirem a criminosa incompetência e omissão das autoridades brasileiras. Civis e militares do setor aéreo seguem enganando a população com ações e declarações mentirosas. Ninguém é responsabilizado por nada, ninguém vai preso e o presidente Lula ainda faz beicinho, magoado com as vaias no Maracanã.

A peste

Nenhum segmento da sociedade brasileira escapa às conseqüências nefastas produzidas por lideranças políticas sem nenhum comprometimento com o bem estar da população. O esporte é alcançado sem dó por interesses direcionados somente a resultados político-partidários. Como testemunham leitores através de e-mails em apoio às notas que escrevi sobre a atuação do Conselho Estadual de Desportos, órgão (des) regulador do esporte catarinense. No futebol o presidente da CBF, Rei Ricardo, acaba de ser reeleito por aclamação para um sexto mandato. Devidamente avalizado por um séqüito de presidentes de federações e de clubes, todos unidos por um mesmo ideal que pouco ou nada tem a ver com administrar seriamente nosso esporte preferido. Para o bem de todos e felicidade geral da nação o atleta brasileiro continua salvando a pele da cartolagem, no futebol ou em outros esportes menos votados.

Inércia

Um dos piores resultados é registrado ano a ano pelos clubes brasileiros, depenados impiedosamente de seus principais valores, a maioria deles crias da casa. Desprotegidos, perdem seus craques para os eurodólares porque nossa legislação esportiva é permissiva e omissa. Até hoje ninguém sequer cogitou da criação de uma lei protetora, suficiente ao menos para minimizar o estrago e o empobrecimento técnico do nosso futebol. Escondem-se todos, políticos e legisladores, sob o manto da esfarrapada desculpa do “direito de ir e vir” ou da “liberdade de escolha” do local de trabalho. Os dirigentes de clubes se justificam escolhendo o caminho mais cômodo – ou inevitável -, o da necessidade de fazer caixa.

Cardápio indigesto

Desde o final da Copa América e na chegada da delegação ao Brasil jogadores e integrantes da comissão técnica da seleção brasileira adotaram o discurso de Zagalo para defender o chefe. “Vocês vão ter que engolir o Dunga”, repetem todos solidários com o treinador.

Na moda

Antes da resposta um sorrisinho irônico. É a primeira evidência de que o entrevistado não vai reagir com tranqüilidade a perguntas consideradas incômodas. Na seqüência acontecem respostas desaforadas e/ou debochadas, como se os entrevistadores façam parte de um bando de ignorantes e despreparados. Tem sido essa a rotina de várias entrevistas coletivas de pós jogo com treinadores de clubes ou seleções.

Malandragem

Há mecanismos de toda a ordem criados espertamente por aqueles que pretendem se perpetuar como dirigentes de entidades esportivas. O Rei Ricardo, por exemplo, reeleito para o sexto mandato de cinco anos na CBF, pode ficar mais dois anos. Para isso basta que em outubro o Brasil seja confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014. Aqui na terrinha o doutor Delfim promoveu alterações no estatuto da Federação Catarinense para garantir que ninguém lhe remova da presidência, cargo que é seu há 23 anos.

A corte se renova

Fábio Nogueira tem graduação em comércio exterior pela Univali e pós graduação em gestão esportiva. Apresento aos leitores o mais novo vice da CBF, homem da região sul indicado pelo triunvirato Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Fábio era vice na Federação Catarinense representando o litoral e deve estar sendo preparado pelo doutor Delfim como seu sucessor. Para quando, só Delfim e Deus sabem.











terça-feira, 17 de julho de 2007

Terça-feira

E agora?

A vitória do time de Dunga na Copa América, graças a um expressivo resultado diante da arrogância e da empáfia argentina, está provocando uma grande discussão no jornalismo esportivo. Era evidente o descontentamento com os métodos e conceitos do treinador brasileiro. Incluo-me entre os contrários, no mínimo por desconfiança. Após o título conquistado domingo, mais que tudo, ficaram evidentes as questões regionais, divididas entre um grupo que reúne cariocas e paulistas, e outro que podemos chamar de “sulistas”. Estes últimos gravitaram sempre entre o muro e a defesa intransigente das posturas técnico-táticas assumidas por Dunga. Os do “eixo” Rio-Sampa radicalizaram até no cabelo espetado do treinador. A melhor leitura, no entanto, pelo que pude deduzir de inúmeras opiniões emitidas após a consagradora vitória de domingo, fica mesmo no terreno do regionalismo exacerbado. Como a seleção brasileira tem pela frente, até o final do ano, um amistoso em agosto, dois em setembro, e eliminatórias para a Copa do Mundo a partir de outubro, muita água vai correr por baixo dessa ponte. E muita gente vai morrer afogada.

Vaia é vaia

Outra questão que invadiu o final de semana e chegou à segunda-feira, sem prazo para terminar, foi a vaia ao presidente Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Um Maracanã lotado ignorou o solene e a beleza da festa para atazanar Lula e comitiva. As versões navegam entre orquestração do prefeito César Maia e o descontentamento da classe média carioca. De qualquer forma, vale pensar sobre os níveis de popularidade do presidente revelados pelos institutos de pesquisa que parecem não refletir o sentimento do povo.

O preço de um pódio

Enquanto as redes brasileiras de televisão fazem mais celebração do que jornalismo acompanhando o Pan, tem gente virando a moeda para revelar histórias que a Globo não conta. Como, por exemplo, o caso de Diogo Silva, lutador de taekwondo primeira medalha de ouro do Brasil nestes jogos. Como muitos de nossos atletas, ele deixou a infância miserável e as drogas em uma comunidade violenta de Campinas (SP) atraído pelo esporte, mas hoje é obrigado a conviver com a falta de apoio, denunciada logo após receber sua medalha. Contou que pediu reforço aos R$ 600 que recebe da Confederação de sua modalidade e não levou. Para competir no circuito europeu lançou mão dos R$ 5 mil de suas economias, enquanto outro atleta da equipe, Márcio Wenceslau, vendia o carro para acompanhá-lo.

Vício de origem

Governantes e dirigentes esportivos de Santa Catarina precisam repensar as funções e a formação do Conselho Estadual de Desportos. Entre outras coisas para evitar decisões como a anistia à ginástica artística, uma ilegalidade e um desrespeito total à legislação esportiva, pela qual o Conselho deveria zelar. Com 21 membros, o órgão criado para estimular e estabelecer políticas para o esporte, além de ser sustentado pelo dinheiro público vive hoje contaminado pela política e interesses eleitoreiros, razão principal para a decisão esdrúxula na sua última reunião. Gente séria, de capacidade e muita história esportiva, não deveria estar lá para, uma vez por mês, apenas discutir o sexo dos anjos ou rasgar regulamentos aprovados pelo próprio Conselho.

Brasileiros I

Na série A o time do Figueirense mantém regularidade e sustenta as arengas de Mário Sérgio, cujo perfil está bem mais próximo de um treinador da seleção argentina do que de um clube médio brasileiro.

Brasileiros II

O Avaí precisa evitar a volta à zona do rebaixamento da série B. Para isso deve pontuar nos próximos dois jogos, ambos fora de casa, contra São Caetano e Portuguesa. Já o Criciúma pode lamber as feridas da derrota para a Ponte com duas partidas seguidas no Heriberto Hulse, Vitória e Ituano, missão bem mais fácil do que a dos avaianos.

sábado, 14 de julho de 2007

Sábado

A verdadeira pesquisa

A popularidade de Lula passou por um duro teste no cerimonial de abertura dos Jogos Pan-Americanos. O público que lotou o Maracanã vaiou bastante o presidente a cada aparição sua ou menção ao seu nome. Parece que os índices de popularidade apontados pelos institutos de pesquisa não combinam com o sentimento do povo.
Recomendo

Leitura da entrevista dos jornalistas Juca Kfouri e José Trajano, concedida à revista “Caros Amigos”, denunciando o outro lado dos Jogos Pan-Americanos, assunto até hoje limitado a alguns grandes jornais. As tevês seguem caladas e na corrente do oba-oba. Quem sabe mais tarde, depois do Pan, a reboque de alguma operação da Polícia Federal (que tal “Medalha de Ouro”?) tratem do problema. Tem nepotismo explícito, envolvendo o presidente do Comitê Olímpico, Carlos Nuzman, na contratação de empresas de parentes ou pessoas próximas, gastos estratosféricos, ultrapassando a R$ 3 bilhões, dados superestimados no lucro com turismo, a chantagem do fato consumado sofrida pelo governo federal, entre outros delitos de todo o tipo e tamanho. Sem contar que, terminado o evento, conviveremos com verdadeiros elefantes brancos.

Por baixo do pano

A ginástica olímpica, por não ter disputado os Jogos Abertos de 2006 com o número mínimo de oito equipes, estaria fora da competição deste ano em Jaraguá do Sul. Estaria, porque o Conselho Estadual de Desportos e a Fesporte acabam de rasgar o regulamento anistiando a GO. O argumento utilizado foi o de que é difícil, em qualquer lugar do país, reunir 10 equipes para uma competição. Ora, então mudem o regulamento, adaptando-o às especificidades de cada modalidade, ao invés de jogá-lo no lixo. O tênis e o triatlo femininos, em situação idêntica, podem reivindicar o mesmo tratamento. Claro que o fato de Jaraguá ser a cidade do atual diretor geral da Fesporte, é mera coincidência e não deve ter contribuído em nada para a decisão do Conselho.

Doping da vaidade

Chás e remédios contendo inibidores de apetite, e cremes contra celulite, são os novos vilões na suposta dopagem de atletas, homens e mulheres. Afastados das competições após o “positivo” nos exames antidoping, os infratores têm responsabilizado a panacéia farmacêutica pela presença das substâncias proibidas. O Botafogo com Dodô e o vôlei feminino do Pan, com Jaqueline, são as vítimas mais recentes. Tem alguma coisa errada com o controle de dopagem e a orientação dos responsáveis pelas equipes, incluindo a área médica.

Dá-lhe Argentina

Na segunda-feira não terei informações mais detalhadas sobre a decisão da Copa América. Simplesmente porque pretendo ignorar a partida entre Brasil e Argentina. E ficarei satisfeito com um eventual foguetório dos hermanos comemorando o título. Vou torcer para isso. No caso de vitória brasileira, o que acho difícil, teremos que conviver com uma nova “era Dunga” na seleção. Cruzes. Individualizar conceitos em favor de uma liderança na equipe é uma coisa. Transformar isso em opção coletiva para a formação de um time de brucutus é uma tragédia.

Espinafre vencido

“Replay de uma balela que se comenta a cada início de temporada”. Está escrito na matéria do Diarinho com informações sobre a reunião para apresentação do projeto Marcílio Dias 2008. Não é surpresa a falta de propostas consistentes. É um filme muito antigo e repetido a cada ano por vários clubes brasileiros na tentativa de sensibilizar não se sabe quem. Torcedor não é bobo e empresário em tempos bicudos não embarca mais em canoa furada. Aliás, vejo muita semelhança entre o que se passa em Florianópolis, na Ressacada, e no estádio Hercílio Luz, em Itajaí.

Fiasco conveniente

A Comissão Técnica da seleção brasileira sub-20 acaba de fazer um grande favor aos clubes que tiveram jogadores convocados, criando condições para que eles voltem mais cedo ao país. Com o vexame no Mundial do Canadá, além de vermos equipes reforçadas para a seqüência do Brasileirão, aumenta nossa esperança de que aconteça uma reformulação no comando das seleções de base.

Lavanderia

Custou mas a verdade veio a tona com o pedido de prisão de dirigentes do Corínthians e da antiga parceira MSI, entre eles o jordaniano Kia Joorabichian.

A casa fornece

O Avaí ontem ganhou do Paulista pó 2 a 0 na Ressacada com o técnico Alfredo Sampaio, por impedimento de alguns titulares, usando sete jogadores da base. O goleiro, a zaga inteira e mais um volante começaram o jogo. No segundo tempo entrou mais um, encerrando a participação da fornada avaiana nesta vitória. O que prova, no mínimo, que falta um bocado de planejamento na maioria dos nossos clubes. Seus dirigentes preferem gastar fortunas com parcerias suspeitas e jogadores desconhecidos que correm o país, grande parte deles com prazo de validade vencido.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Quinta-feira

A bronca eterna

Por mais que faça o time do Dunga não vai agradar. Ainda que ganhe a Copa América em cima da Argentina, disparada a melhor equipe da competição, a seleção brasileira seguirá provocando cizânia pelo país inteiro. Um pouco pelas escolhas do treinador – Afonso, Fernando e os goleiros, para ficar nesses -, outro tanto pela natural impertinência dos jornalistas misturada às preferências e expectativas regionais. Disso o futebol brasileiro não se livrará nunca.

Novos companheiros

A bandeirinha Ana Paula de Oliveira aquece a garganta dando entrevistas depois que posou para a Playboy para ganhar perto de R$ 400 mil. Talvez preparando a nova profissão que pretende abraçar caso a CBF decida afastá-la definitivamente dos gramados. Tem propostas para trabalhar como comentarista de arbitragem, possivelmente ao lado ou como concorrente de Romário, cujo primeiro teste aconteceu na Globo durante o jogo entre Brasil e Uruguai.

Espinafre

A curiosidade é grande com o projeto que a área de marketing do Marcílio Dias pretende apresentar hoje à noite. Torcedores e jornalistas esperam propostas concretas que possam alavancar um futuro diferente para o Marinheiro a partir de 2008. O contrário será trocar seis por meia dúzia.

Mordomo

O presidente do Avaí, João Nilson Zunino, devia parar de se esconder atrás de desculpas esfarrapadas para justificar os problemas do clube e do time. Desde que assumiu, Zunino tem acumulado apenas fracassos, para desespero do seu sofrido torcedor, apavorado com a possibilidade cada vez mais real de rebaixamento. Para o dirigente avaiano a culpa é da imprensa.

O bode

O presidente do Real Madri, Ramon Calderon, está muito feliz com a conquista do título espanhol. Ao ponto de dizer, com todas as letras que, um dos motivos para a melhoria do time e do ambiente nos vestiários, foi a venda de Ronaldo para o futebol italiano. “Ele não estava disposto a colaborar trabalhando duro com os companheiros”, justificou Calderon.

Água no queixo

O Figueirense precisa muito da vitória sobre o Paraná hoje à noite em Curitiba. A irregularidade fora de casa pode trazer instabilidade ao time, embora Mário Sérgio tenha como atenuante os constantes desfalques por conta de lesões e cartões. Problema é que o torcedor do Figueirense não tem muita paciência e os empresários estão batendo à porta do clube atrás de jogadores importantes.

Lona furada

Já começaram as reclamações e polêmicas no campeonato de acesso, competição que vai classificar o décimo segundo participante da divisão principal de Santa Catarina ano que vem. Tudo por conta de estádios sem condições e acusações de inscrição irregular de jogadores. A Federação e seu departamento técnico com a palavra.

Mau jornalismo

Nem tudo o que se ouve e lê sobre a seleção brasileira e seu treinador é questionado no cara a cara das entrevistas. Ao invés de repórteres e comentaristas, Dunga acaba se deparando com tietes e bajuladores. Foi, por exemplo, o comportamento de dois narradores, Luciano do Valle pela Band, e Galvão Bueno na Globo, logo após o jogo de terça. Os críticos de cabine iniciaram o papo do pós jogo cumprimentado Dunga pelo nascimento do terceiro filho, seguindo pelo caminho fácil do elogio e do oba-oba. Sobre o jogo e as dificuldades do time, nada.

Fenômeno

Não me inscrevo entre os fãs ardorosos da Fórmula I e perco pouco do meu tempo dominical a frente da televisão assistindo corridas. O suficiente para acompanhar o jovem fantástico piloto inglês, Lewis Hamilton. É o líder da temporada, fez pódio nas nove provas disputadas, ganhando duas e, como estreante na categoria, já derrubou todos os mitos nascidos e criados na Fórmula I.

Hermanos

A imprensa argentina reagiu com ironia e irritação (medo?) à classificação brasileira para a final da Copa América. Os principais jornais fizeram coro para dizer que o Brasil foi beneficiado pela sorte e pelo árbitro Oscar Ruiz, que não mandou voltar o último pênalti defendido por Doni adiantado.









terça-feira, 10 de julho de 2007

Terça-feira

Zangado

Nem mesmo a goleada de 6 a 1 sobre o Chile mudou o comportamento ranzinza do Dunga. Logo após o jogo, na entrevista coletiva, destratou um repórter por causa de uma pergunta que não lhe agradou. O time jogou bem, vai enfrentar o Uruguai hoje com mais segurança, mas nada impede que as convicções de Dunga sejam colocadas em cheque. Ele não aceita críticas que podem ter muito mais valor quando acontecem também após vitórias. Ainda que sejam motivadas por pitadas de regionalismo ou alguma implicância contra posições assumidas pelo treinador.

Ressaca

Claro que uma vitória como a de sábado deveria entusiasmar. Aos incautos, porém, é bom lembrar que cinco jogadores chilenos tomaram um porre e promoveram um quebra-quebra no hotel, madrugada de quinta para sexta-feira. Entre eles estava o glorioso palmeirense Valdívia, um dos melhores do Chile e que só entrou no segundo tempo.

Incoerências

A cobertura da Copa América tem jornalistas por todos os cantos, mas por preguiça ou falta de atenção, escapam detalhes importantes da falta de critério das arbitragens e dos dirigentes. Os casos mais evidentes são registrados na aplicação dos cartões, hoje um dos problemas mais sérios talvez da arbitragem mundial. Faltas comuns de jogo são punidas com cartão amarelo enquanto outras infrações, quase criminosas, passam em branco sem ao menos uma advertência verbal. Outra coisa: como é que a Confederação Sul-Americana escalou o árbitro uruguaio Jorge Larrionda para o jogo Brasil x Chile com o Uruguai podendo ser nosso próximo adversário?

Aviário

A galinha nem botou o ovo ainda e não se fala em outra coisa a não ser em uma final da Copa América entre Brasil e Argentina. Claro que a possibilidade é grande, mas Uruguai e México não foram avisados que não precisam entrar em campo. Estão como perus, morrendo na véspera.

Deslumbramento fatal

Jogador de futebol ao ganhar o primeiro troco razoável corre para uma revendedora e compra um carro importado, geralmente muito potente. É uma espécie de deslumbramento que mata geralmente jovens ou, pela má aplicação do dinheiro, transforma carreiras promissoras em rotundo fracasso. Para o atacante Alemão, do Palmeiras aconteceu o pior. Ele estava no Rio recuperando-se de uma lesão e foi passear em alta velocidade com a família em um desses caminhonetões. Morreu na capotagem levando o cunhado junto. Não foi o primeiro nem será o último.

Irresponsabilidade

Estamos disputando o Brasileiro da série A praticamente de domingo a domingo, exceção feita às trapalhadas da CBF, como deixar o Flamengo com dois jogos a menos. Não se justifica, portanto, jogar nas condições em que foram realizadas as partidas do Inter contra o Figueirense e do Náutico contra o Palmeiras. Gramados alagados por enxurradas e pouco público nas arquibancadas formavam um quadro desolador. E o domingo sem futebol, a não ser pela Copa América.

Brasileirões

O Figueirense sem cinco titulares até que não foi mal no Beira Rio, apesar da derrota. Pagou pelo medo do primeiro tempo, quando jogou muito recuado. O Avaí empatou em Fortaleza jogo que podia ter vencido e hoje tem pela frente em Brasília o Gama do Cavalo, que levou um coice em Criciúma, onde perdeu de goleada. E hoje, em casa de novo, contra o vice-líder Coritiba é jogo de seis pontos. Na série C deu a lógica, com o Joinville ganhando em casa e a Chapecoense perdendo fora.

Censura no ar

O doublé de piloto e comentarista da Globo, Luciano Burti, sentiu sábado a força e o caráter do narrador Galvão Bueno. Ao vivo e a cores, durante a transmissão do treino para o GP da Inglaterra de Fórmula I, Luciano tentava explicar a última maracutaia da categoria, envolvendo suposta venda de projetos da Ferrari para a McLaren por um ex-funcionário da escuderia italiana. Galvão cortou abruptamente o raciocínio do companheiro sentenciando: “esse assunto está vencido”. E nada mais foi dito nem foi perguntado.

sábado, 7 de julho de 2007

Sábado

Professor Pardal

Basta uma passada por alguns dos principais clubes brasileiros e chegaremos a uma triste conclusão: o conceito do defensivismo, no país onde se joga o futebol mais criativo do planeta, está dominando as pranchetas dos nossos destemidos treinadores. A praga, é claro, já alcançou a seleção e Dunga não abre mão de um meio de campo povoado por volantões. Pior é que o Brasil pode se dar bem na Copa América, pois ganhar do Chile de novo não será difícil e Uruguai ou Venezuela é que estarão no caminho antes de uma provável final contra a Argentina. Assim sendo, as invenções do Dunga estão próximas do sucesso, para infortúnio de todos e infelicidade geral da nação. Escrevi na quinta-feira que nosso treinador não esquece a Copa de 94, tese confirmada em suas entrevistas publicadas ontem. “Não é a receita para o sucesso, mas o espírito daquela Copa deve estar presente aqui”, sacramentou ele. Então, que venha o Chile.

Decepção

Além de tudo o que já foi dito e escrito sobre convocações e escalações, o que mais impressiona em Dunga é sua insistência em negar o óbvio. Nosso voleibol, por exemplo, continua hoje com times demolidores nos dois naipes e seus treinadores, jogo após jogo, apontam defeitos e ainda exigem melhor desempenho de seus atletas. Dunga, ao contrário, mantém o discurso, não reconhece os equívocos e, pior, com mau humor e declarações desaforadas, tenta convencer que está tudo bem.

CLT

Patrão não gosta de reclamação de empregado. Muito menos quando se trata de salário atrasado. Até parece que a legislação trabalhista é pra inglês ver. E cumprir. Clube de futebol é campeão no descumprimento da lei e a cartolagem só se dá por vencida quando um jogador rompe a barreira e, sem medo de ser infeliz, bota a boca no trombone. Ou quando o assunto vai para os tribunais. Cláudio Luiz, zagueiro do Criciúma, fez isso esta semana e provocou uma reunião emergencial da diretoria com o grupo. Como o clube é líder da série B devendo um mês de salários e alguns prêmios, parece que pagar as contas em dia virou um mero detalhe.

Fartura

O Avaí tem tanto jogador, mas tanto jogador que, mesmo com um time inteiro fora de ação por cartões e lesões, ainda sobram mais dois e gente no banco para levar a Fortaleza onde joga hoje. O resultado é que talvez não seja proporcional a essa opulência. Pelo menos por enquanto a zona de rebaixamento é uma ameaça concreta.

Pavor

Joinville em casa, contra o Caxias, e Chapecoense em Apucarana contra o Roma, começam a grande jornada representando Santa Catarina na série C do Brasileiro. É a competição mais difícil do nosso futebol, disputada por clubes com poucos recursos e elencos formados com a rapa do tacho. É por isso que quem está fora não quer entrar e quem está dentro quer sair rapidinho para nunca mais voltar.

Estranho

A Chapecoense viajou ao interior do Paraná desfalcada de seis titulares. Como é que tem tanta gente fora de ação se o time não joga desde a final do Catarinense? Das duas uma: o descanso da pré-temporada em uma estação de águas teve efeito contrário ou os treinos foram no campo do Arranca Toco Futebol Clube, habitat de Quero-Quero e Coruja Buraqueira.

Contrastes

O Figueirense está em Porto Alegre para enfrentar o Inter no Beira-Rio, palco de grandes vitórias catarinenses. Hoje em sexto lugar, o time de Mário Sérgio soube como poucos enfrentar a maratona de duas competições paralelas, Copa do Brasil e Brasileiro. O time não tem craque, mas usufrui de um grupo homogêneo, cheio de garotos e bem utilizado pelo treinador. Destoa no atual momento do Figueirense o comportamento do seu departamento de futebol e da comissão técnica, nas vozes do gerente Anderson Barros e do técnico Mário Sérgio. O tratamento desrespeitoso, arrogante e cheio de segredos dispensado aos jornalistas da Capital já passou dos limites.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Quinta-feira


Más companhias

A quem interessar possa. Ao Avaí, por exemplo, atualmente abraçado com LA e Traffic. As parcerias estão arrumando mais encrencas do que soluções para alguns clubes brasileiros. O Grêmio, depois da MSI, anda as voltas com dívidas, prestação de contas e expulsão, isso mesmo, expulsão de conselheiros. O Flamengo, com essa mesma empresa, está perdendo o goleiro Bruno, cogitado para a seleção brasileira pela festiva crônica carioca. Nilmar, revelado pelo Internacional, não consegue exercer a profissão no Coríntians ou no francês Lyon por causa de um contrato mal arranjado. O Figueirense, em menor grau, também não gostou da experiência com a CSR (César Sampaio/Rivaldo) e mudou de rumo. Resumo da ópera: aceitar parceiros tipo os que andam dando sopa pó aí tem sido o mesmo que dormir com o inimigo.

Canastrões

Por causa de 45 minutos de mau futebol, Dunga resolveu afastar do time os habilidosos Diego e Anderson. O treinador brasileiro, como solução, optou por um meio de campo à sua imagem e semelhança. Parece que bateu o banzo no nosso técnico, saudoso da Copa de 94 e do time que tinha ele mais Mauro Silva, Mazinho e Zinho. Não se pode esquecer, no entanto, que aquela formação que chegou ao título tinha na frente dois jogadores em alta, Bebeto e Romário, além da sustentação de uma zaga eficiente. Ou seja, o filme que hoje Dunga tenta reprisar, tinha excelentes atores e bons coadjuvantes. Daí a diferença para a projeção classe B que estamos assistindo nesta Copa América.

Casa da sogra

Não gosto desta terminologia para comparações depreciativas. As sogrinhas não merecem. Mas, vá lá. O leitor entende melhor assim porque a expressão está consagrada. O nariz de cera vale para explicar a verdadeira esculhambação promovida pela CBF no campeonato brasileiro. Antecipação ou adiamento de jogos a cada rodada, mudanças de horários e, superação total, jogos à tarde em dia útil, como aconteceu ontem. Faz tempo o Estatuto do Torcedor foi jogado na lata de lixo. E os dirigentes nem aí. Pelo contrário, o cordão de bajuladores e defensores da corte do Rei Ricardo cada vez aumenta mais.

Falta planejamento

Os dirigentes de clubes vivem se queixando da vida. Como se a CBF, a chamada entidade maior do futebol brasileiro, não tivesse nada a ver com o assunto. O calendário está a disposição de todos com bastante antecedência, prevendo datas para os campeonatos estaduais, Copa do Brasil, Sul-americana, Libertadores, Brasileiro, Copa América, Mundial sub-20, eliminatórias para a Copa, enfim, tudo em consonância com as atividades previstas para uma temporada inteira, quando não até duas ou três. Tudo isso é ignorado solenemente pela corte e pela cartolagem de um modo geral. O resultado são clubes esfacelados em meio à competição por causa da tal janela para negociações com o exterior, datas jogadas fora e espetáculos cada vez mais pobres. Assim sendo o torcedor fica em casa, seguro, fazendo economia, e longe deste circo mambembe.

Arrogância

O Figueirense derrotou o Cruzeiro, quebrou a série de três jogos sem vitória e chegou ao quinto lugar. Sábado se vencer o Inter no Beira Rio, estádio onde costuma se dar bem, melhora ainda mais sua posição na tabela. Nada disso alivia o humor de Mário Sérgio, um poço de má vontade para com a imprensa da Capital. Aliás, pelo depoimento dos companheiros que são obrigados a freqüentar o vestiário no pós jogo, vitória ou derrota não mudam o comportamento do treinador. Nem parece que ele já freqüentou o outro lado do balcão, como jogador e jornalista.

Vôo rasteiro

Os aeroportos já começaram a atrapalhar a vida dos clubes nas duas séries do Brasileirão. O Figueirense trocou o avião por ônibus na viagem de 470 km a Porto Alegre amanhã.

Professor

Nelson Rodrigues, o genial técnico da seleção brasileira sub-20, tirou Pato do time a 25 minuitos do segundo tempo, o time perdeu força ofensiva e a Coréia quase empatou o jogo.



terça-feira, 3 de julho de 2007

Terça-feira


Os dois anões

Já aconteceu com Zagalo, Felipão, Parreira e se repete com Dunga, que mais parece o outro anão, o Zangado. Os treinadores da seleção brasileira, sem exceção, tratam a mídia como inimiga e não aceitam perguntas que os deixem contra a parede. Querem só mamão com açúcar, tipo bola quicando pra marcar o gol. Ora, assim até eu. Claro que há vários tipos de repórteres, perspicazes, malas, inteligentes, burros, implicantes, puxa-sacos, os que não perguntam, defendem teses, tem pra todo gosto. Dunga ainda não entendeu isso, basta prestar atenção nas coletivas, que não são entrevistas, são um embate. O assessor de imprensa da CBF precisa intervir urgentemente – como já fez no tempo do Felipão – antes que as relações da mídia com a Comissão Técnica, Dunga especialmente, azedem de vez.

Maionese e ketchup

O tempero, o molho desta seleção, chama-se Robinho. E ninguém mais. Dunga conseguiu reunir para esta Copa América o supra sumo da mediocridade, a começar pelos goleiros. Passada a fase dos amistosos, terminou a lua de mel, principalmente com a mídia. Mesmo levando em conta as ausências anunciadas de Kaká e Ronaldinho e, de última hora, a de Zé Roberto, é triste ver nossa seleção tropeçando diante de meio time reserva do México e, não fosse o Robinho, quem sabe derrotada pelo Chile. E barbas de molho torcedor brasileiro, vem aí o temível Equador.

Goela abaixo

Foi constrangedora a prensa do Pavão Bueno sobre Falcão, para que o comentarista murista revelasse as imposições que sofreu quando foi treinador da seleção brasileira. Bueno, pero no mucho, chegou a falar, em alto e bom som, durante a transmissão de domingo, em “ordens do patrão”, entenda-se como o Rei Ricardo. Falcão, fiel aos seus princípios de não emitir opinião, apesar de ser comentarista da rede de televisão mais poderosa do país, não roeu a corda. Passou o tempo todo sem confessar que foi obrigado a fazer algumas convocações, a pretexto de renovação, como acontece agora. Como o Brasil acabou ganhando de 3 a 0, ficou o dito pelo não dito e foram todos comemorar a façanha de uma única andorinha fazendo verão.

Mapa da mina

Mesmo sofrendo com desfalques importantes, o Figueirense precisa hoje contra o Cruzeiro, em casa, desmanchar a impressão de irregularidade que tomou conta do time de Mário Sério neste Brasileirão. Problema é que do outro lado tem um time em ascensão dirigido por Dorival Jùnior, conhecedor como ninguém da aldeia e dos caboclos que vai enfrentar. A facilidade para os donos da casa, se é que ela vai existir na partida, está na fragilidade de uma zaga desfalcada por lesões, cartões, convocação de Luisão, venda de Gladtsone e escalação de dois juniores. Talvez seja por aí o caminho da recuperação do Figueirense.

Duas pontas

O Criciúma continua líder e o Avaí tenta subir depois de duas vitórias consecutivas. Os dois ganham boa folga, mas voltam a campo para uma maratona estabelecida por essa tabela maluca da série B. No caso do Avaí vamos ver se a torcida pode mesmo confiar na recuperação do time sob as ordens de Alfredo Sampaio. Ressacada de novo só daqui a quinze dias, contra o Paulista. Antes dois jogos em seguida fora de Florianópolis, contra Fortaleza e Gama.

O gato comeu

Que fim levou o processo envolvendo o Joinville pela utilização irregular de jogadores naquele quadrangular Mandrake inventado pela Federação?

Frases

“Futebol deveria ser sempre uma festa para a gente ir com a melhor roupa” Do tempo em que Falcão jogava e falava bem.

Aladim

Os chilenos, apesar de furiosos com a derrota para o medíocre time brasileiro, conseguiram brincar com as estripulias de Robinho: “o gênio brasileiro finalmente saiu da lâmpada”, crivou a manchete de um jornal de Santiago.

Penetras

O que tem de papagaio de pirata nas cerimônias da tocha olímpica, é uma glória. Aparecem desde inexpressivos ex-atletas até cartolas e políticos sempre a postos atrás de uma câmera.