sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nada de bola, queremos as festas de outubro

Logo após a divulgação das sedes das Copas, Ricardo Teixeira garantiu o que não podia garantir, na tentativa de minimizar o fato de que no Mundial de 2014 a seleção brasileira só jogará no Maracanã se disputar a final. Disse o dirigente que tem certeza sobre a participação do Brasil na decisão da Copa, por isso sua tranqüilidade em relação às escolhas da FIFA.

Alguém tem que alertar o presidente da CBF que essa garantia não existe e que o risco de o gasto estratosférico com mais uma reforma do Maracanã pode resultar inútil e em grande frustração para os cariocas, como já está acontecendo. A não ser que haja alguma combinação com adversários, arbitragem e outros interessados numa final com o Brasil em campo.

Dirigentes e torcedores estão inconformados com as opções feitas pela FIFA quanto aos jogos da nossa seleção. Os políticos subiram no muro, mais preocupados hoje, o que é compreensível, com as discussões sobre a distribuição dos royalties do petróleo. Não são apenas os cariocas os desgostosos e desconfiados. Do Rio Grande do Sul vem o grito contra a exclusão de Porto Alegre da Copa das Confederações por conta do atraso nas obras do Beira Rio. João Bosco Vaz, secretário do comitê organizador gaúcho, reclama o mesmo tratamento dado a Recife e Salvador, capitais colocadas de standby. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul foram tratados como os patinhos feios do mapa do Brasil.

Não sei se foi o pão de queijo ou o bolo de fubá, o fato é que Belo Horizonte provocou um carinho diferenciado da cartolagem da FIFA. Os mineiros vão desfrutar das duas Copas. Experimente falar mal de Blatter ou Teixeira em BH. Os paulistas sofreram com a birra política de Teixeira & Cia por causa da oposição do São Paulo, mas foram compensados com a abertura da Copa de 2014 e a garantia de investimentos públicos para erguer o Itaquerão corintiano.

O nordeste também não tem do que se queixar. Vai ter, pra dar e vender, seleções cruzando os céus da região, inclusive o time brasileiro. E cadê o futebol de Amazonas e Mato Grosso para justificar a construção de grandes estádios? Brasília é outro exemplo de desperdício com aquele monstrengo prometido para 70 mil pessoas. Mas, é a capital República, argumentam os defensores desta obra faraônica, favoritíssima ao título de maior elefante branco do futebol brasileiro, junto com os novos estádios de Manaus e Cuiabá.

O sul, onde verdadeiramente se joga bola nas duas principais séries do Campeonato Brasileiro vai ter que esperar, quem sabe, mais meio século para se ver contemplado como merece em eventos do porte de uma Copa do Mundo. Ou então trocar o futebol por um Mundial de festas de outubro, que por aqui temos bastante e para todos os gostos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Copa, ora a Copa

Cada vez mais sinto que a Copa e o futebol estão muito distantes daquilo que se fala tanto no país sobre o esporte do povo. Os caras lá na Suíça decidem tudo, o que fazer por aqui, a que horas devemos assistir futebol, a marca do refrigerante, da cerveja, que tipo de cachorro quente podemos comer, só pipoca salgada ou vale também a doce, qual a salsicha (acho que Sadia e Perdigão não pode), como deve ser o uniforme das seleções, da arbitragem, que tipo de estádio devemos ter (derrubem tudo o que já existe se não, não pode).

Até o meu Beira Rio, onde por conta da campanha de ajuda à construção tenho lá uns tijolinhos, foi pro beleléu e acabou eliminado. Ou seja, tanto faz a Copa começar aqui ou ali, terminar acolá. Vou mesmo ficar no meu canto, na frente da televisão, longe da vibração e do desconforto dos nossos estádios.


(Cópia de um email que mandei para o amigo Nei Duclós em resposta à sua pergunta e suas inteligentes ironias sobre o que eu achava das escolhas da FIFA e da CBF – “Especial de muito luxo! Gostaste do Itaquerão abrindo a Copa? Torcia pelo Pacaembu, aquela glória de pequeno grande estádio, numa cerimônia só para convidados! Ou até mesmo no Morumbi, obra do Paulo Machado de Carvalho, nosso Marechal”.)

Decisões e incoerências da FIFA e CBF

A FIFA e a CBF acabam de divulgar os locais de abertura e final da Copa do Mundo de 2014. Todo mundo já sabia que São Paulo teria o jogo de abertura e Rio de Janeiro a final. Coisa nova mesmo foi saber que a disputa pelo terceiro lugar será em Brasília, no futuro Estádio Nacional, não mais o estádio Mané Garrincha, nome atual, uma “desomenagem” a um dos nossos maiores ídolos.

As semifinais ficam para Belo Horizonte e São Paulo. A única partida da seleção brasileira programada para o Maracanã é a decisiva. Aqui a grande surpresa e certamente uma imensa decepção para os cariocas além de uma inusitada incoerência por tratar-se do grande templo do futebol brasileiro, cujas reformas já consumiram milhões e milhões de reais. Caso o Brasil não chegue à final a casa vai cair.

Quanto a Copa das Confederações a novidade foi a eliminação de Porto Alegre como uma das sedes, e por consequência, do estádio Beira Rio como local dos jogos. A alegação do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi a de que Internacional e a construtora não apresentaram o contrato que representa o compromisso de conclusão da obra no tempo ideal. Assim, esta competição terá como sedes Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Salvador.

Como desconfio sempre das versões oficiais, acho que na questão de Porto Alegre tem coisa. Alguma razão política determinou, via CBF, a decisão da FIFA. Até porque há obras bem mais atrasadas que as do Beira Rio e sem os compromissos já assumidos pela Internacional. Se não for isso, é uma grande demonstração de incompetência das autoridades públicas gaúchas e dos dirigentes esportivos daquele estado. Ou então, teoria da conspiração, o trabalho de bastidores do Grêmio foi muito bem feito, ao ponto de eliminar o maior rival e aparecer como opção com a Arena que está sendo construída para substituir o estádio Olímpico.

Chega de mentiras

Ministro Orlando Silva de Jesus Jr.

Orlando Silva pode espernear à vontade, desqualificar seus acusadores, jurar por tudo que considera mais sagrado que não tem culpa no cartório e que é uma santa criatura movida pelas mais nobres das intenções. É o direito que tem sob o manto protetor da presunção da inocência, como gosta de dizer a presidenta Dilma Rousseff quando se trata de proteger cada ministro defenestrado por corrupção.

O que o Ministro do Esporte não pode fazer é negar as evidências, estampadas em matérias da mídia nacional, menos na mídia regional. São flagrantes e comprovadas as irregularidades que cercam o programa Segundo Tempo, criado para atender escolares carentes, mas que criminosamente teve seus objetivos e recursos desviados para o bolso dos assaltantes dos cofres públicos.

Do Oiapoque ao Chui, onde existe o “Segundo Tempo”, pouca coisa funciona. Se não há desvio de verbas, inexiste a implantação correta do programa. As denúncias vão desde produtos para o lanche das crianças com validade vencida, até material esportivo inadequado e de má qualidade. Mas os repasses foram feitos, em alguns casos há professores e monitores contratados. Para fazer o quê se o projeto não funciona? Isso é o que o Ministro precisa, no duplo sentido da necessidade e exatidão, explicar ao povo e às instituições prejudicadas. O resto é bate boca de políticos ávidos por vitrines, e caso para a polícia e o judiciário assumirem.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Começou no tapetão a briga pelo título dos JASC

O clima não anda bom pelos lados do Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina. E pode ficar pior com a mancada de Florianópolis, que esqueceu de inscrever no prazo legal – 10 de outubro – para os Jogos Abertos a sua forte equipe de natação.

Não confundam com o TJD da Federação Catarinense de Futebol, embora isso até seja possível, pois a turma é praticamente a mesma. Acontece que o TJ de Santa Catarina, que é o órgão julgador para os eventos da Fesporte, já sofreu uma defecção com a saída do auditor Theodoro Ducker, o Teté, desgostoso com uma decisão tomada em Caçador e que beneficiou, pra variar, uma outra representação de Florianópolis, a do tênis de mesa.

Agora nessa nova confusão, e outra vez envolvendo a FME da Capital, os bastidores estão agitados antes mesmo da sessão que vai julgar a questão da equipe de natação que não foi inscrita em tempo hábil. Sessão, aliás, transferida do dia 24 próximo para 7 de novembro.

Todo esse barulho tem uma explicação: com seus nadadores Florianópolis é fortíssima candidata ao título dos 51º Jogos Abertos que serão disputados em Criciúma de 10 a 20 de novembro. Sem eles Blumenau levanta mais uma vez o caneco. Bastidores à parte, imagino a decepção dos atletas, que podem ser alijados da maior competição de Santa Catarina por uma besteira da cartolagem, um injustificável cochilo administrativo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um Brasileirão catarina

Lima, artilheiro do JEC (site)

Com a benção do torcedor catarinense, menos de Chapecó, claro, o Joinville está de volta à série B. O fato representa muito para o futebol de Santa Catarina, mais do que simplesmente a alegria do joinvilense. Guardadas as proporções, tão fanático quanto os torcedores do Santa Cruz do Recife, que acaba de subir para a série C com a maior média de público em todo o Brasil.

Agora são quatro clubes nas duas principais divisões do Brasileirão. O Avaí, cai não cai, na verdade despencando, vai jogar a segunda divisão na companhia de Joinville e Criciúma. Na série A fica o Figueirense, o que quer dizer quatro clubes de Santa Catarina nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro.

Ganhamos todos nós com a boa rivalidade aumentada a partir do Campeonato Catarinense. Em termos regionais teremos os quatro sob o olhar invejoso da Chapecoense que não alcançou seu objetivo de subir à série B. É só a Federação Catarinense não atrapalhar e poderemos assistir ao melhor campeonato estadual dos últimos tempos. E quem sabe, em 2013, cinco catarinas no Brasileirão.

O Segundo Tempo, lá, aqui, acolá

O jornal Zero Hora, versão gaúcha do Diário Catarinense, publica hoje matéria assinada por Vivian Eichler sobre suspeitas de desvio de verbas na execução do programa Segundo Tempo no Rio Grande do Sul, em convênio mantido com a Fundergs, Fundação do Esporte e Lazer. É o mesmo programa que virou um fantasma a assombrar o Ministro do Esporte Orlando Silva Jr. A Fundergs corresponde à nossa Fundação Catarinense de Desportos, a Fesporte.

Lá são 67 convênios firmados entre o Ministério do Esporte e a fundação gaúcha, sob sindicância do governo do estado e que já apontou irregularidades nos repasses de recursos para o programa em questão.

Diz a matéria que o Segundo Tempo seria a maior parceria do estado “para ajudar a afastar das drogas cerca de 16 mil crianças e adolescentes, mas acabou em frustração para boa parte dos 29 municípios envolvidos”. O texto enfatiza que “menos da metade do número de beneficiados previsto participou, de fato, de oficinas esportivas no turno inverso da escola”. A matéria não faz menção, mas além das oficinas, o programa contempla ainda o reforço escolar.

Por aqui a situação é parecida. A diferença é que nas primeiras ações do Segundo Tempo em Santa Catarina, o convênio com o Ministério do Esporte foi firmado com a Fesporte.Em 2006, nos últimos dias da gestão do comunista João Ghizoni o Segundo Tempo foi transferido para uma ONG conhecida como Instituto Contato, administrada por seus ex-assessores na Fesporte.

Do jeito que a coisa vai, e se as investigações forem levadas a sério, as suspeitas podem respingar no convênio catarinense. O texto no portal do Instituto Contato não fala em quantidade de núcleos do Segundo Tempo, para crianças de 6 a 17 anos,mas garante:” é um instrumento de inclusão social para seu público alvo, afastando-os de situações de vulnerabilidade social".

Segundo a Ong Contato, "os núcleos, onde se realizam as ações do programa contam com professores e estagiários, material esportivo e didático.Cada núcleo atende 120 alunos, divididos em turmas matutinas e vespertinas, participando de 4 horas de atividades, 3 vezes por semana, incluindo lanche entre os intervalos das atividades”.

Há pouco tempo o jornal Folha de São Paulo ocupou-se com o assunto em reportagem de amplitude nacional e revelou irregularidades em Santa Catarina. Na época, superficialmente, a matéria referiu-se à alimentação que era servida como lanche às crianças com prazo de validade vencido, e pagamento por serviços não prestados.

A mídia do estado, por razões que nossa vã filosofia não alcança, nunca tocou no problema. Mas, para o bem ou para o mal, o convênio entre o Ministério do Esporte e o Instituto Contato precisa de uma boa investigação, até porque envolvia parcerias com Eletrosul e o extinto Besc. Em alguns estados brasileiros um olhar mais atento, além de ter colocado em maus lençóis o Ministro do Esporte, revelou também o envolvimento de ex-atletas, como relatou matéria do "Fantástico" no último domingo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Tudo como dantes



Futricas políticas e denúncias jogadas no colo de repórteres não levam a nada. A presidenta Dilma e seus assessores mais diretos varrem tudo pra baixo do tapete e fica o dito pelo não dito. Já caíram ministros e seus lacaios e nada aconteceu. Vai se repetir com o Ministério do Esporte, onde Orlando Silva, hoje ministro, antes secretário executivo do outro ministro, o Agnelo Queiroz, não convence com suas justificativas sobre as acusações do passado e do presente.

Já imaginaram estrago político se houvesse uma investida séria do Ministério Público e da Polícia Federal sobre a CBF do Ricardo Teixeira, o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro? Com o Brasil ocupado com os preparativos para uma Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada de 2016, nem pensar. Os assaltantes dos cofres públicos continuarão livres para completar o serviço, ainda que mal feito e à vista dos brasileiros de bem.

Agora é a revista Veja que investe sobre o feudo do PC do B. Orlando Silva não quer largar o osso, bem como os inúmeros partidários – inclusive aqui de Santa Catarina – que se beneficiam dos caixas de campanha sustentados pelo dinheiro desviado do esporte e de projetos como o “Segundo Tempo” e “Pintando a Liberdade”.

O primeiro durante algum tempo beneficiou crianças carentes com estudo e prática esportiva no contra turno escolar. Até que uma Ong abraçou a causa e botou no bolso a chave do cofre. O outro visava socializar o reeducando, como gostavam de chamar o presidiário em várias penitenciárias brasileiras: trabalho em troca de remissão de pena e dinheiro transformado em poupança para os familiares na proporção do material esportivo – bolas, redes e uniforme – fabricado.

Como nesse país não se prende nem se pune ninguém por crimes de colarinho branco o Ministério do Esporte, como outros, continuará sua vidinha sem percalços. Ou no máximo, quem sabe, haverá a troca de guarda para continuar tudo como dantes no QG do Planalto.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O tamanho do calote com a temporada chegando

Transporte marítimo; metrô de superfície; arena multiuso; quarta ponte; recuperação total da Hercílio Luz; marinas e locais para atracação dos navios de cruzeiro; melhoria do transporte coletivo com corredores exclusivos para ônibus; urbanização da área do Mercado Público; fiscalização mais rigorosa das construções que invadem áreas de preservação; recuperação da rodoviária Rita Maria; soluções para a (i) mobilidade urbana; equipamentos como chuveiros e banheiros públicos nas praias da Ilha; aumento da segurança com mais policiais nas ruas: mutirão de cirurgias: mais facilidade de acesso à saúde com a ampliação das emergências dos hospitais e melhorias nos postos de saúde; reformas emergenciais nas escolas do estado; solução para os engarrafamentos no sul da Ilha; ampliação do aeroporto Hercílio Luz, duplicação da BR-282 no acesso a Florianópolis; transferência do posto de pedágio de Palhoça; duplicação total da BR-101 no trecho sul; entrega do cinema e do teatro do CIC

Quais das promessas acima relacionadas foram cumpridas pelo poder público, municipal, estadual ou federal? Esqueci de alguma? A nova temporada está aí.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não se faz isso com criança



Os assuntos futebolísticos domésticos andam muito interessantes. Vejam, por exemplo, o que o Figueirense fez em Porto Alegre, em pleno estádio Olímpico. Estragou a festa do dia das crianças preparada pelo Grêmio. O estrago só não foi maior porque o Nem, aquele gurizinho driblador que atua no ataque do Figueira, resolveu brincar fora de hora. Em todo o caso, o placar clássico de 3 a 1 ficou bem para o time da Capital. Morri de pena da meninada tricolor que voltou pra casa chorando. Jorginho e seus atletas deveriam ser enquadrados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Vamos ver agora se o treinador do Figueirense tem coragem para deixar o Maicon fora do time. Sem ele o Figueira venceu três partidas, com ele o jogo fica muito picadinho e prejudica a maior arma do time, o contra ataque em velocidade.

Na situação do Avaí temos que falar de burrice e teimosia. A criançada fez festa antes do jogo pelo seu dia, mas saiu triste da Ressacada e na bronca com o treinador. Como é que aquele Garrincha chapecoense fica no banco? Esse Cleverson no segundo tempo acabou com a defesa do Atlético GO, como fizera no jogo anterior contra o Atlético PR, e a vitoria só não aconteceu porque entrou tarde no time e o William perdeu um pênalti em hora muito imprópria. No mais continuo acreditando que se houver um julgamento no STJD o jurídico avaiano vai “esquecer” de escalar um advogado no Rio de Janeiro para defender o técnico Toninho Cecílio e reduzir sua punição. Mesmo porque agora parece que só falta um jogo. Nesse caso quem sabe vale a pena mandar o Cecílio fazer um curso no exterior ou oferecê-lo a um clube árabe em troca de uns petro-dólares na rescisão de contrato. Com o interino Edinho no banco o Avaí segue invicto.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

De Lamarque, Mariachis e Cantinflas



Não faltaram bons ingredientes para que o amistoso da quase madrugada se transformasse num dramalhão como os protagonizados na década de 60 pela atriz e cantora de tangos, a argentina radicada no México, Libertad Lamarque. Nascida em Rosário no início do século passado, Lamarque apareceu nos principais filmes produzidos pela mexicana Pelmex, certeza de espectadores lacrimejantes.

Fechado o parêntesis para explicar como no México se cultua a interpretação dos mariachis e suas músicas cheia de dramas amorosos, vamos ao roteiro. Guardado, por exemplo, é um nome difícil de esquecer. Com o México vencendo por 1 a 0, graças ao gol contra do zagueiro Davi Luiz, deu uma “cantinflada” (quem lembra do Cantinflas?) cobrando o pênalti que Jeferson defendeu. Foi no finalzinho do primeiro tempo e o Brasil ficou com dez jogadores por causa da expulsão de Daniel Alves, autor da falta capital. No segundo tempo Jeferson evitou o 0 a 2 ao defender a bola cabeceada em cima por um tal de Chucharrito.

A essa altura do jogo começou o sofrimento para a grande torcida mexicana que lotou as arquibancadas do belo estádio de Torreon para assistir um show e a manutenção de invencibilidade do seu time. Faltou lenço para os torcedores locais depois que Ronaldinho com maestria fez de falta o primeiro gol brasileiro e Marcelo garantiu a virada marcando um golaço. Esse versátil jogador, titular absoluto da lateral esquerda do Real Madri, não entrava no time porque Mano Menezes estava de mal com ele. Como aconteceu com o Hernanes, que foi a campo aos 47 minutos do segundo tempo. Contribuições do nosso treinador para incrementar o dramalhão que felizmente para nós terminou bem ao estilo mexicano.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ainda há quem tenha esperança

Tenho lido aqui e ali que o Ministério do Esporte está sendo cobiçado por alguns partidos importantes, além do PC do B que desastrosamente já o comanda por algum tempo, primeiro com Agnelo Queiroz, agora com Orlando Silva.

O motivo de tanto interesse e disputa por um Ministério que há vários mandatos presidenciais não disse a que veio é bem simples: ali se ganha fácil muito dinheiro. Agora com a Copa e a Olimpíada, então, a grana vai rolar frouxa, direto para os bolsos dos maus políticos e dos péssimos dirigentes esportivos. Parece que a presidenta Dilma, que até aqui não se coçou em relação a esse ministério, está esperando que caiam denúncias no seu colo para só assim tomar providências que higienizem também o esporte.

Para interromper essa sangria e botar a casa esportiva em ordem o blogueiro José Cruz, sempre atento fiscalizando há mais de vinte anos a roubalheira e as maracutaias, sugere a criação de uma Agência Nacional do Desporto. Pulei na cadeira lembrando das outras que já existem, para saúde, telefonia, transportes, etc. O Cruz alerta que, no caso do esporte, a tal agência reguladora teria que ser desvinculada da política e dos políticos, para evitar o que aconteceu com as já existentes depois que o ex-presidente Lula interferiu para trocar as decisões técnicas por políticas.

O Zé, a quem conheço desde meus tempos de Brasília é um dos jornalistas mais sérios e competentes desse país. Sempre acompanhei seu trabalho na coluna que assinava no Correio Braziliense. Batia tão forte que o Agnelo, vejam só que beleza de político, uma vez pediu sua cabeça à direção do jornal. Continuo na esteira do Zé, hoje no http://blogdocruz.blog.uol.com Mas não compartilho das esperanças de soluções que possam surgir a partir da criação de uma agência do desporto distante da política e dos políticos. O Zé que me desculpe, mas é como acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

sábado, 8 de outubro de 2011

Tudo sobre o mesmo de sempre

O lance que condenou Barbosa


É impressionante a passividade bovina dos dirigentes de clubes no Brasil. Não abrem a boca pra nada, ainda que suas equipes estejam sendo prejudicadas em plena reta final do Campeonato Brasileiro por convocações para um amistoso ridículo como foi este contra a Costa Rica.

A única coisa que se ouve é a lamúria dos treinadores cujos times são desfalcados para que a seleção possa sair pelo mundo a sustentar o circo mambembe cada vez olhado com mais desconfiança pelo torcedor brasileiro e parte da mídia. Apesar de procedente, a tímida reclamatória dos técnicos não serve pra nada a não ser para escancarar a desunião da classe, com cada um puxando a brasa para a sua sardinha na medida em que o seu fogo começa a baixar. Afinal, não é todo mundo que gosta de peixe cru, principalmente quando pode ser fatal o desarranjo dos times nas rodadas finais.

Os estragos vão longe e acabarão atingindo o próprio planejamento para a Copa de 2014, se é que existe algo parecido com um projeto bem estruturado e que dê apoio à Comissão Técnica. Até aqui o que se vê é muito improviso e figuras de linguagem para justificar o que estamos assistindo em um país onde se joga futebol de terça a domingo.

De acordo com o calendário divulgado esta semana pela CBF do doutor Ricardo, ano que vem vai ser muito pior. Pra começar, teremos a Olmpíada em Londres, além dos comprometimentos já conhecidos, entre eles os amistosos caça-níqueis da seleção que o Mano Menezes ainda não conseguiu mostrar. Os milhões de aficionados, incluindo-se aí milhares de jornalistas sempre com a espada empunhada estão apreensivos. Segundo os doutos do nosso futebol não haverá paralisação do Brasileirão e o amontoado de competições paralelas como campeonatos regionais, Copa do Brasil, Sul Americana, Libertadores só vai atrapalhar ainda mais e sugar o sangue de todos. O vampiresco departamento de futebol da CBF é implacável.

Um absurdo deste tamanho não é contestado por ninguém e o barco segue sendo levado por ventos vindos de uma entidade que só faz prejudicar seus filiados. Em tempo: deu sono, desliguei a tevê e fui pra cama ler um pouco e depois dormir, de tão ruim que foi o jogo contra a Costa Rica, um dos piores adversários que já vi o Brasil enfrentar nos últimos tempos. No comecinho da partida uma canelada do atacante costarriquenho à frente do gol defendido por Júlio César mandou a bola pro espaço e deu bem a medida do veríamos em campo.

Por essas e muitas outras é que o Campeonato Brasileiro tecnicamente até agora não deslanchou. A metralhadora giratória empunhada pelo Mano para as convocações atira a esmo e ficamos sem entender onde se pode chegar com a falta de critério e a desorganização demonstrada dentro e fora dos gramados.

Resultado é que alguns times empacaram na parte de cima e no meio da tabela, revelando uma mentira que é o suposto equilíbrio cantado em prosa e verso pelos dirigentes. Pobre e podre futebol brasileiro, com uma Copa do Mundo batendo à porta.


Para o bem de todos e felicidade geral de uma nação futebolística como a nossa, tomara que o Mano Menezes, apesar dos pesares, obtenha sucesso na sua empreitada. Caso contrário a execração pública virá impiedosa, como aconteceu com o goleiro Barbosa por causa da derrota para o Uruguai na Copa de 50. A cada entrevista o coitado era obrigado a se defender repetindo a frase que virou seu bordão completado meio século daquela tragédia: “A pena máxima no Brasil é de 30 anos, mas há 50 estou pagando por um crime que não cometi”.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Guga protestou. E daí?

Vamos a la playa, ô, ô, ô, ô, ô

Vivemos numa cidade administrada por gente que ri da comunidade e não dá a mínima para as leis, sob o manto protetor de poderes que poderiam e deveriam botar na cadeia esse tipo de gestor público. Assistimos impotentes a célere escalada da corrupção, da violência, da roubalheira e da impunidade.
Temos um prefeito com sorriso de inaugurar dentadura e que vive comemorando a impunidade em tudo o que faz, apesar das irregularidades flagrantes na suas consecutivas reeleições. O voto já não diz mais nada, apenas tem sido utilizado para eleger corruptos acobertados por uma convivência promíscua dos poderes que deveriam zelar pelo bem da comunidade. O povo perdeu a noção de justiça e se deixa levar pelo espetáculo enganoso das festivas solenidades de ocasião.

Nosso prefeito adota um discurso cínico, movido por ações parecidas com as do Odorico Paraguassu, personagem eternizado na memória do brasileiro pela Rede Globo. Com uma diferença nada sutil, mas que não tem servido para deixar os eleitores de olhos bem abertos e a imprensa mais atenta e interessada no dia a dia de Florianópolis. Enquanto o da tevê buscava freneticamente um cadáver para inaugurar o primeiro cemitério da sua cidade, nosso alcaide e sua incompetente assessoria se dedicam a inaugurar viadutos ineficientes e outras obras de ostentação, beneficiados pela cegueira que acomete os cidadãos desta urbe, mais atoleimados a cada nova eleição.

Planejamento nem pensar. Prá que? Não rende voto – maior contradição nesse país democrático - olhar para o interesse público, evitar que Florianópolis se transforme num amontoado de gente com qualidade de vida abaixo de zero. Estamos próximos do caos e a turma só quer encher a burra sempre visando as urnas, o maior cofre a alimentar a riqueza dos oportunistas, Midas ao avesso, inimigos do bem comum, amigos inseparáveis do próprio bolso.

Guga falou tarde demais e seu protesto, apesar de procedente, foi muito tímido diante da grandeza dos problemas enfrentados por Florianópolis que até pouco tempo atrás ousou ostentar indevidamente um slogan que na verdade nunca lhe coube, a capital turística do Mercosul.

Quem inventou essa balela, transformada em cantilena de políticos e administradores inescrupulosos, na verdade nunca atravessou a ponte para conhecer o que existe fora dos limites da Capital. Ou – como acontece até hoje - preferiu botar a culpa nos gaúchos pela desdita criada por falta de planejamento e corrupção.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um passado presente

Morano Calabro, o princípio de tudo


Estou voltando hoje, ainda meio insone por causa do fuso horário, cinco horas a menos em relação à Europa. Foi uma viagem espetacular na companhia do César Valente, meu fiel escudeiro. Além de amigo, o César tem uma queda para agente de viagem, o que tornou mais fácil nossa estada de 15 dias pela Itália e duas cidades da Suíça. O homem organizou tudo, desde passagens de avião, trens, reservas de hotéis, até o roteiro completo do primeiro ao último dia, e aluguel de carros que ele mesmo dirigiu.

Na primeira semana tivemos a companhia de outro amigo, o Luiz Lanzetta, parceiro e também motivador desta viagem com traços sentimentais e afetivos. Meus avós paternos são calabreses, como os bisavós dele. Fomos atrás do nosso passado em Morano Cálabro, uma encantadora cidadezinha de pouco mais de quatro mil habitantes, encarapitada nas montanhas do norte da Itália. Depois de Roma, Morano, alguns balneários do norte italiano, incluindo a bela costa amalfitana, e muitos bons vinhos calabreses, o Lanzetta voltou para Brasília chamado por compromissos profissionais.

César e eu seguimos adiante, rumo a Castel San Pietro Termi, uma pequena e acolhedora estância de águas termais já no nordeste da Itália. Foi nosso sossegado quartel general para saídas a Firenzi e Veneza, onde assisti ao maior engarrafamento de gente, de vaporetos e gôndolas nos canais da cidade. Uma beleza histórica sob uma avalanche terrível de turistas que mal têm tempo para apreciar e mensurar o valor desta cidade.

Tranquilidade só acordando muito cedo para conhecer suas vielas, pontes e atrações históricas entremeadas pelos canais. Para se ter uma pálida idéia do que estão fazendo com Veneza, um japonês endinheirado fez lá seu casamento e lua e mel, com o devido registro de fotógrafo e cinegrafista. Eu vi, passei na hora em uma dos tantos cenários escolhidos pelo casal.

Deu tempo de ir à fábrica e ao museu da Ferrari, em Maranello, pertinho de onde estávamos hospedados. Depois passamos rapidamente por Nápoli, um horror em matéria de sujeira e sensação de insegurança, pelas belíssimas Bologna e Milão, com direito aos dois últimos dias em Lugano e Locarno, onde os milionários gastam parte os seus depósitos assegurados em bancos suíços.

Os alemães também estão turistando por lá, a exemplo dos italianos com seus inseparáveis cachorros. Eles sujam calçadas, parques e acompanham os donos até em restaurantes, onde ficam sob as mesas. Dependendo do humor dos bichinhos que entram e saem a todo momento tem briga de cachorro de todos os tamanhos. Maitres e garçons, constrangidos, ficam com aquela cara de paisagem, sem saber o que fazer. Dizem que isso é civilizado, coisa de primeiro mundo. Só concorda com essa bobagem quem não suja a sola do calçado, tem o olfato prejudicado ou é surdo. E olha que eu gosto de cachorro.

domingo, 18 de setembro de 2011

A fuga do Parque dos Dinossauros





No começo os agradinhos na apresentação feita pelo Adelor Lessa e pelo Gilvan, na sequência a mesa e a platéia com Lise e Scarduelli à frente das ferinhas (fotos Satc)


Depois de virar jurássico no jornalismo esportivo não tive oportunidade de conversar com a meninada que busca uma vaga na profissão. Um pouco por indolência minha, muito por timidez e medo de enfrentar a sempre bem vinda curiosidade da garotada.

Ganhei esta primeira chance graças ao convite do companheiro Paulo Scarduelli, professor da disciplina de Jornalismo Esportivo na Satc – Sociedade dos Amigos dos Trabalhadores no Carvão -, universidade e curso novinhos em folha de Criciúma. Graças também à anuência da Lise Búrigo, a entusiasmada coordenadora do curso. Paulo e Lise, aliás, fazem um belo trabalho naquela instituição.

Decidi fugir do Parque dos Dinossauros para enfrentar uma platéia atenta e certamente bastante crítica. Consegui falar sobre a profissão e sobre Jogos Abertos – razão da minha passagem por lá –, com a mediação generosa dos amigos baby sauros Adelor Lessa e Gilvan de França. Também falei sobre alguns percalços a que o jornalista está sujeito em um evento como os Jogos Abertos, pela sua complexidade e diversidade de participantes, e que rendem boas histórias.

Foi um papo interessante e produtivo, com uma boa troca de experiências, pelo menos para este humilde escriba. Em novembro, durante os Jogos em Criciúma, terei a oportunidade de acompanhar o trabalho dos alunos da Lise e do Scarduelli na alimentação do portal da Satc, cujo texto abaixo registrou o bate papo da sexta-feira à noite.


Com anos de experiência na cobertura dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) o jornalista Mário Medaglia foi o palestrante na noite desta sexta-feira, 16, na Faculdade Satc.


O profissional, que já atuou na cobertura de mais de 30 edições dos jogos, conversou com acadêmicos de Jornalismo da 3ª, 6ª e 8ª fases. A vinda ocorreu a convite do professor Paulo Scarduelli, na disciplina de Jornalismo Esportivo.
O debate foi mediado pelos jornalistas Adelor Lessa e Gilvan de França, que também já atuaram na cobertura dos Jogos em Santa Catarina.


Medaglia ressaltou que os Jasc são considerados o maior evento esportivo desse nível no país. "Além de tudo, contempla todas as modalidade olímpicas".
Para ele, seria interessante que os municípios aproveitassem mais os espaços que são melhorados ou criados para as competições. "Em muitas cidades percebemos que os espaços esportivos acabaram ficando de lado e não sendo aproveitados pela comunidade depois, o que é um erro", destacou.


Mário Medaglia, hoje integrando o Conselho Estadual de Desportos, estará presente em Criciúma, de 10 a 20 de novembro, acompanhando a 51ª edição dos Jasc. Práticas de jornalismo e a visão de Medaglia podem ser conferidas em seu blog.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vale a pena ler de novo

Do Portal Imprensa, um pouco, apenas um pouco, do que rola nos bastidores da imprensa esportiva brasileira. São assuntos recorrentes, mas quase nunca abordados pelos jornalistas da área.


No final de 2006, o motoboy Paulo César de Andrade Prado decidiu criar um blog. O que era inicialmente um simples espaço de autoexpressão se tornaria, em poucos meses, uma inesgotável fonte de denúncias do mundo esportivo: o "Blog do Paulinho". Uma delas dava conta de que a diretoria do Corinthians armava um golpe milionário contra o Lyon, clube francês, então detentor dos direitos do ex-corintiano Nilmar. A notícia teria enorme repercussão no País.

Era só o começo de uma extensa lista de acusações, envolvendo figuras graúdas do futebol brasileiro, desde Roberto Dinamite - "eu comprovei, com documentos e tudo, que ele desviava dinheiro do Vasco para as Ilhas Cayman" - até a mais recente, que liga o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, ao empresário francoargelino Franck Henouda, em um suposto acordo para convocar atletas brasileiros do clube ucraniano Shaktar Donetsk.

Além de mais um processo no currículo, o episódio acabou trazendo problemas para seu blog. "Ele [Henouda] entrou na Justiça contra mim e a juíza decidiu que meu blog não deveria ser acessado por ninguém. Para fugir disso, eu botei o blog em um servidor da França, mas aí ela deu a ordem para que os provedores do Brasil impedissem o acesso do meu blog no exterior. O único que faz isso é a NET. Quem usa o Speedy, acessa normalmente", diz. Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, Paulinho fala como deixou a vida de motoboy, critica a corrupção na imprensa brasileira - que chama de "alarmante" - e questiona as ligações entre o Corinthians e a TV Bandeirantes.

A ideia inicial do blog já era investigar o jornalismo esportivo?

Não. No início, eu não tinha ideia nenhuma. Mas, como eu gosto muito de esportes, comentava os assuntos do dia, até que comecei a achar aquilo muito chato e passei a checar se as informações que eram publicadas na imprensa eram verdadeiras. Eu ligava para os lugares: 'Alô, aqui é o Paulinho, eu tenho um blog, gostaria de saber se tal informação é verdadeira'. Como eu tenho uma opinião forte, o blog começou a ficar conhecido no 'boca-a-boca'. Um fato que me ajudou muito é que eu sou sócio do Corinthians, tinha facilidade de entrar no clube, e já me chamava muita atenção que o Andrés Sanches [atual presidente do Corinthians] era endeusado pela mídia. Então, eu comecei a contar tudo o que eu sabia. Nisso, meu blog começou a ficar muito lido por jornalistas e por gente de dentro do clube. Além disso, eu fui conhecer o Juca [Kfouri] na Rádio CBN, e ele às vezes me citava na rádio: 'eu li, no Blog do Paulinho, que aconteceu isso, diferente do noticiado pela mídia'. Comecei a ter uma baita projeção, até que veio o caso Nilmar, que foi o grande 'boom' do blog.

Como você chegou a essa denúncia?

O Andrés Sanches e alguns diretores do Corinthians viajaram para Londres, para ter uma reunião com o Kia [Joorabichian, sócio da MSI, empresa parceira do clube à época]. Sem ninguém saber, uma dessas pessoas gravou a reunião. Eu recebi a gravação na íntegra e descobri que eles estavam armando um golpe no Lyon. Chequei alguns nomes, informações e contei a história. No dia seguinte da publicação da matéria, o Roque Citadini disse no blog dele que tudo o que eu falei era verdade. Aí o Juca Kfouri pegou o meu texto e o do Citadini e botou no blog dele. O Kia armou um esquema no Lyon: ele pegou o Nilmar emprestado, pagou dois milhões de euros pelo empréstimo... Mas, quando deu os dois milhões, o Kia conseguiu que um funcionário do Lyon, com anuência de um cara da Fifa, liberasse o vínculo do Nilmar como se tivesse sido de compra. Os dois foram subornados. Não só o Kia sabia de tudo, como o Andrés Sanches também. Sabiam e ficaram calados. O [Alberto] Dualib [presidente do Corinthians à época] estava brigado com o Kia e com essa gente que foi lá. E, como não sabia do caso, ele entrou com uma defesa na Fifa, diferente da defesa da MSI. As defesas conflitaram, e o conflito gerou suspeitas na Fifa, que viu que era um golpe.

Quantos processos você já levou por conta das denúncias do blog?

Depois de 50 processos, eu perdi a conta. Eu imagino que sejam uns 60. Desses 60, 30 são do Kia. Eu sou a única pessoa do mundo processada pelo Kia. Eu cheguei a ser processado pelo Ricardo Teixeira, ganhei dois processos dele, agora eu estou sendo processado pela CBF, porque eu escancarei um esquema de corrupção no departamento de registros da entidade. O diretor de registros da CBF, o Luiz Gustavo [Viera de Castro], costuma facilitar registros de alguns jogadores... Fazer uns registros meio frios. Além disso, ele tem uma agência de viagem e os empresários que querem ter moleza na CBF são obrigados a comprar passagem dele.

Você já perdeu algum processo?


Eu perdi um, pro Kia. Ganhei 20 dele, mas perdi um, porque eu o chamei de mafioso. Aí, o juiz considerou que mesmo ele sendo mafioso, eu estava injuriando ele (risos).

Você largou o trabalho de motoboy?

Conforme o blog foi repercutindo, eu não conseguia mais conciliar. Alguns amigos me ajudaram, pagando minha faculdade de jornalismo e também com os custos do blog. Hoje, eu sou diplomado, terminei o curso na metade do ano. Aos poucos, eu fui capitalizando isso: comecei a dar palestras, a colocar banners no meu blog, o que me rendia algum dinheiro. Hoje, eu vivo do blog e abri uma rádio na internet, a 'Mídia Cast', onde trago programas esportivos diários.

Recentemente, derrubaram seu blog. Como foi isso?

Existe um empresário, que trabalha no Shaktar Donetsk, chama-se Franck Henouda. Ele tem parceria comercial com o Kia e o Carlos Leite, empresário do Mano Menezes. Ele tem um acordo com o Mano, pra que o Mano convoque jogadores do Shaktar. O Henouda está desesperado... Eu estou desmacarando todos os podres dele. Nisso, ele entrou na Justiça contra mim. A juíza que cuida do caso, preliminarmente, decidiu que meu blog não seria acessado por ninguém. Segundo ela, isso serve pra impedir que, se caso o blog estivesse maculando a imagem do Henouda, isso não acontecesse mais. Para fugir disso, eu botei num servidor da França . A juíza deu a ordem para que os provedores do Brasil impedissem o acesso do meu blog no exterior. Por enquanto, o único que faz isso é a NET. Quem acessa pelo Speedy, acessa normalmente. Eu não retiro o direito do Henouda em me processar. O que não pode ter é censura no país.

Você pretende parar com as denúncias?

De jeito nenhum! Meu blog tem 30 mil acessos por dia. Jamais imaginei isso na minha vida. Para mim, eu ia morrer motoboy. Eu tinha segundo grau, estava naquela vidinha há três ou quatro anos. O que aconteceu na minha vida é algo abortivo, dificilmente aconteceria de forma natural. O Juca Kfouri diz que eu tinha jeito pra coisa e não sabia.

Qual é a sua visão do jornalismo esportivo praticado no Brasil?


No geral, a mídia esportiva brasileira me decepciona muito. A grande maioria faz o arroz com feijão, eles viram quase assessores de imprensa informais dos clubes que estão cobrindo. Eles vão ao clube, tomam cafezinho, assistem ao treino, aí vem o assessor de imprensa e passa uma ou outra informação - quem está machucado, quem vai jogar - e eles divulgam. Eles não publicam as coisas erradas que acontecem. São poucos que têm coragem, e o que não falta é coisa errada pra publicar. Fora outros casos de jornalistas que pegam dinheiro para proteger dirigente, para não divulgar informação. A corrupção na imprensa é tão alarmante quanto a corrupção entre os dirigentes de futebol.

Você pode dar um exemplo objetivo?

Por exemplo, o jornalismo da Band é formado por gente absolutamente comprometida com a direção do Corinthians. O Neto teve despesas e dívidas antigas pagas pelo Andrés Sanches, que financiou o casamento dele e abriu uma sorveteria para ele, só que colocou no nome de outra pessoa. O Osmar de Oliveira falou pra mim em uma festa que o Andrés era uma pessoa desonesta. Hoje, ele beija os pés dele; por causa disso, o centro de recuperação do Corinthians virou o Ceproo - Centro de Preparação e Reabilitação 'Osmar de Oliveira'. O João Saad [fundador do Grupo Bandeirantes] é o nome da sala de imprensa do Corinthians. Outro exemplo é o Neto; é uma pessoa muito nociva para a imprensa. Foi ele quem colocou o Mauro "Van Basten" no Corinthians. O Mauro é quem indica jogador, veta etc. Eu estou comprovando na Polícia Federal - tenho gravação e tudo mais - que o Mauro leva dinheiro do Corinthians. A PF vai ter que comprovar para onde ele manda o dinheiro, que muito provavelmente é para a conta do senhor Neto e do senhor Andrés Sanches. Quando o Neto brigava com o Andrés, ele me ligava pra denunciar o Andrés pra mim, falava que o que eu dizia era verdade, que ele não valia nada. Quando ele se acertava com Andrés, ele ficava bonzinho.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ministro foi com muita sede ao pote

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, queria presidir a Autoridade Pública Olímpica. Ele nunca escondeu sua vontade de passar esse período até 2016 como um dos figurões mais poderosos do Brasil na Olimpíada. O Senado derrubou sua pretensão e aprovou para a presidência da entidade o nome de Márcio Fortes, ex-ministro das Cidades. O golpe final aconteceu com o decreto 7.560/2011, publicado no Diário Oficial da sexta-feira, tirando a APO do Esporte, passando-a para o Ministério do Planejamento. Decisões que certamente tiveram o dedo, se não a mão inteira, da presidenta Dilma, há muito descontente com as manobras de um ministro que nunca teve a sua benção.

Para quem ainda não sabe, a Autoridade Pública Olímpica é responsável pela coordenação dos empreendimentos voltados à organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O trabalho será executado em parceria com os governos municipal e estadual, o que por si só já representava um grande perigo e ameaça real de uma bela tungada nos cofres públicos. Os Jogos Panamericanos de 2007 no Rio de Janeiro nos ensinaram muitas lições, algumas ainda não assimiladas pela turma que mexe com o dinheiro.

E para se ter uma idéia da sede deste ministro do PC do B, Orlando Silva queria 484 cargos na APO, número reduzido pelo Congresso para apenas 181 e que Márcio diz se contentar com apenas 60. Com aquela montoeira de cargos para preencher e gerenciando toda a parte administrativa e financeira, dá para entender as razões para tanta vontade de beber nessa fonte.

sábado, 10 de setembro de 2011

Estádios e enchentes

O estádio de Brasília que está sendo construído para a Copa de 2014 vai consumir R$ 1 bilhão de reais e terá capacidade para 70 mil pessoas. Pra quê isso na Capital Federal, onde o futebol não é consumido na proporção em que acontece nos outros estados? Só se os clubes cariocas, paulistas, mineiros, paranaenses e gaúchos, especialmente esses, transferissem seus jogos para lá. Aí sim haveria envolvimento do torcedor, mas não com os Brasilienses e Taguatingas da vida. E também não justificaria um investimento desse porte.

A resposta para este questionamento é fácil. Quem é que dá bola para as carências de escolas, hospitais, universidades, segurança, transporte público, saneamento básico e outras necessidades da população de Brasília ou qualquer outro canto da nação? Ninguém, pois a prioridade hoje é a construção desse monstrengo que logo vai virar um majestoso elefante branco. É esperar e acompanhar o trajeto do nosso dinheiro no país inteiro. Depois, como acontece agora nas enchentes em Santa Catarina, aparecem autoridades de todos os matizes com aquelas caras compungidas fingindo solidariedade e dor com a tragédia alheia. Bandidos e cretinos, isso é que são, independente de cor partidária. .

domingo, 4 de setembro de 2011

Apropriação indébita


No país da bola nem o futebol anda tão redondinho assim. Só o voleibol e o futsal, os primos ricos das nossas modalidades esportivas preferidas, é que conseguem superar crises e não precisam passar o chapéu. Tem quem garanta associações organizadas, atletas bem pagos e ginásios cheios. Desde, é claro, que exista por trás, ainda que efêmero na maioria das vezes, projeto de alguma empresa forte que lhe dê sustentação.

As demais práticas esportivas e seus atletas morrem à míngua ou fazem milagres para sobreviver. É assim com o remo, ex-xodó de Florianópolis e de uma torcida fiel que durante anos freqüentou as raias das nossas belas baías. Havia um acompanhamento com sincero interesse das competições que envolviam Aldo Luz, Riachuelo, e Martinelli, pela Capital, e alguns clubes do interior, a grande maioria já extinta.

Os projetos sobreviventes, nascedouros de remadores logo absorvidos pelo Rio de Janeiro, o grande centro do remo brasileiro, produzem campeões como Fabiana Beltrame. Esta semana ela ganhou na Eslovênia um ouro inédito para o Brasil com o título no Mundial categoria single skiff leve.

Ela saiu cedo de Florianópolis para aprimorar sua técnica no remo carioca e ganhar condições para disputar competições internacionais como esta que acaba de vencer derrotando a suíça e favorita, Pamela Weisshaupt. Se ficasse no seu estado batendo nas portas de empresas ou das esferas governamentais, adeus esporte, fim do sonho de confrontos internacionais e títulos de grande repercussão.

O apoio do programa Petrobras Esporte & Cidadania veio lá fora. Aqui, nada de reconhecimento e Fabiana acabou repetindo o roteiro dos grandes atletas criados em Santa Catarina. Por tudo isso é com espanto e um pouco de irritação que agora ouço, leio e vejo a campeã mundial Fabiana tratada insistentemente pela mídia e por autoridades esportivas como “a nossa manezinha”. Medalhas e condecorações já devem estar sendo confeccionadas pelos ocupantes do Palácio do Governo e das Secretarias que só têm recursos para projetos megalômanos e/ou suspeitos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A passarela do dinheiro público

O Governo do Estado através da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, doou R$ 600 mil para um evento de moda promovido pela RBS. A generosidade do Secretário César Souza Júnior é compreensível. Afinal, fazer um agradinho à mídia mais poderosa de Santa Catarina certamente terá sua compensação mais adiante.

Só não entendo porque outras áreas do governo não mereçem a mesma atenção. Trabalhei oito anos na Fundação Catarinense do Esporte, a instituição faz tudo no meio esportivo do estado. Todos os eventos de todas as faixas etárias estão sob os cuidados da Fesporte e dos municípios que abrigam as competições. Os repasses são escassos, chorados, e a carência de recursos é tamanha que já houve situações de penúria que provocaram o cancelamento de alguns eventos. Aconteceu na gestão do deputado Gilmar Knaesel e a gripe foi a desculpa arranjada na época.

A Fesporte e seus dedicados funcionários da área técnica têm sob sua tutela, o ano inteiro, Jogos Escolares, Olimpíada Escolar, Joguinhos Abertos, Jogos da Terceira Idade, Parajasc, Parajesc, Jogos Abertos, Maratonas Aquáticas, Moleque Bom de Bola, Festival de Dança e Prêmio Recriar. Além destes compromissos estaduais a Fesporte ainda é responsável pela definição, acompanhamento e suporte técnico e financeiro das delegações que representam Santa Catarina nas competições nacionais como Jogos Abertos Brasileiros, Jogos Escolares Brasileiros, Paraolimpíadas, Olimpíada Escolar Brasileira e Jogos Paradesportivos.

Um calendário repleto de competições estaduais e nacionais como o da Fesporte não pesa na balança e nem merece atenção do governo. Digo eu, de todos os governos. Nunca houve o mínimo interesse visando proporcionar, por exemplo, uma cobertura de mídia compatível com a importância dos eventos diretamente relacionados à Secretaria que abriga o esporte junto com cultura e turismo. Mas o dinheiro sai e é liberado a rodo, beneficiando projetos sobre os quais raramente temos notícia ou só ficamos sabendo quando os recursos já foram consumidos em passarelas da conveniência dos políticos.


domingo, 28 de agosto de 2011

Um show de violência e estupidez


Cara ensanguentada é a marca do lutador UFC

Pancadaria, muito sangue, exploração explícita da violência e o povo urrando de satisfação nas arquibancadas assistindo homenzarrões sarados se enfrentando a socos e pontapés. Pão e circo em um tipo de entretenimento classificado como esporte por aqueles que descobriram o filão com garantia de arenas lotadas e totalidade de ingressos vendidos antecipadamente a preços nada populares.

É o tal do UFC - Ultimate Fighting Championship - uma luta estúpida, invenção americana que mistura boxe com artes marciais e ganha espaços descomunais na mídia do mundo inteiro. Basta acessar os sites e suas páginas esportivas para se ter uma boa idéia da banalização da violência e da estupidez do ser humano. Não foi diferente na semana brasileira, no Rio de Janeiro, em uma arena montada na Barra da Tijuca lotada de celebridades, com muitos jogadores de futebol – Ronaldão Tim Maia estava lá – e astros da televisão. Noticiário garantido todos os dias, em todos os horários, cujo ápice para delírio do povaréu aconteceu na programação dos confrontos do sábado à noite.

Alguns dos principais clubes brasileiros, entre eles Corinthians, Flamengo e Inter, atraídos pela espetacular exposição midiática, investiram um punhado de dólares para ter sob suas bandeiras e escudos os nomes dos melhores lutadores. Estou curioso para saber qual a repercussão fora destes coliseus modernos junto àquela parcela de torcedores (?)que baba de prazer vendo os gladiadores com a cara ensanguentada ao final de cada combate.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fora Delfim & Cia



Repercute no eixo – mais em São Paulo, onde tem menos bajuladores do poder, do que no Rio de Janeiro, por coincidência sede da Globo – a nota oficial publicada no site da Federação Catarinense de Futebol ameaçando de expulsão dos estádios quem se manifestar contra Ricardo Teixeira. A peça pra lá de ridícula é da lavra de Delfim Pádua Peixoto Filho, que em 2015 baterá o recorde mundial de permanência no poder, 30 anos, graças a uma alteração nos estatutos da “sua” FCF. Mas também, é preciso registrar, com a prestimosa colaboração dos presidentes de clubes, cuja grande maioria é omissa e conivente com a truculência que há quase três décadas, ou mais, domina o futebol catarinense.

Delfim Peixoto quer proteger il capo de tutti capi,que retribui ao servilismo do seu fiel escudeiro com merecidas mordomias. Quem prestou atenção na postura do presidente da FCF como chefe da delegação sub-20 que semana passada ganhou o Mundial da categoria na Colômbia tem a medida do perfil desse cartola e o que ele faz para alimentar seu ego e ao mesmo tempo agradecer a Teixeira. Na festa dos garotos pela conquista do título, ainda dentro do gramado, Delfim foi gentilmente - não precisava tanta educação dos agentes de segurança – convidado a se retirar para que os fotógrafos fizessem o registro apenas dos campeões. Fácil de entender as razões das ameaças aos torcedores que ofenderem (?) o Dr. Teixeira.


A íntegra da nota


A Federação Catarinense de Futebol vem a publico manifestar seu repudio contra qualquer manifestação ofensiva, realizada em jogos no território de Santa Catarina, direcionada ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Dr. Ricardo Terra Teixeira, bem como à própria CBF.


Especialmente com relação a informações veiculadas na imprensa referentes ao clássico entre Figueirense e Avaí, válido pela Série “A” do Campeonato Brasileiro, que será realizado no próximo domingo, 28 de agosto, no estádio Orlando Scarpelli, as presidências das duas equipes também se mostraram absolutamente contrárias a este tipo de atitude por parte de seus torcedores.


A FCF ressalta que este tipo de manifestação se configura como uma infração ao Estatuto do Torcedor, cujo artigo 13-A, inciso IV, dispõe: “São condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo sem prejuízo de outras condições previstas em lei”- IV - “não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico”.
O parágrafo único deste artigo estabelece que “o não cumprimento das condições estabelecidas neste artigo implicará a impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do recinto, sem prejuízo de outras sansões administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis”.
A Diretoria e o Presidente da FCF, Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, reiteram sua parceria e seu apoio à Confederação Brasileira de Futebol e seu Presidente, Dr. Ricardo Teixeira, que sempre foi um amigo e deu suporte ao futebol catarinense. Lembramos ainda que “ninguém será considerado culpado até o transito em julgado ter sentença penal condenatória”, conforme trata nossa Constituição Federal, no inciso LVII do Artigo 5º.


A Federação Catarinense de Futebol deseja ainda que os jogos realizados no estado sejam momentos de confraternização e lazer para os torcedores, e que prevaleça o espírito esportivo, com paz entre as torcidas e destas com relação a todos os envolvidos no meio esportivo, sejam clubes, órgãos de imprensa ou entidades administradoras do desporto.



O futebol catarinense infelizmente sempre andou atrelado à Federação e aos mal feitos dos seus dirigentes. Gente honesta não resiste, cai fora. Ou nem assume. É assim no país inteiro. Não conheço exceções. Se houver, me apresentem a elas. A participação dos nossos clubes nas quatro séries do Campeonato Brasileiro caminha por trilhas tortuosas, algumas vezes traiçoeiras, dependendo das conveniências e do percentual de submissão. Como acontece por todo o Brasil com o nosso esporte favorito, em algumas situações, ainda que amadoristicamente conseguimos evitar a contaminação de admnistrações que só visam benefícios pessoais. Para dizer o mínimo.


No entanto, quem dorme com cães acorda com pulgas, como os presidentes de clubes que apóiam incondicionalmente gente como Delfim e Ricardo Teixeira. E ainda usam criminosamente o Estatuto do Torcedor para justificar atos como os preconizados pela nota publicada no site oficial de uma instituição que existe para fazer do futebol uma verdadeira opção de lazer, e não um espetáculo degradante como o que se avizinha. No mais, é de lamentar que a arbitrariedade tenha o aval dos presidentes de Avaí e Figueirense. Todos se merecem.

ATUALIZAÇÃO

ADVERTÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES DO MP AOS CENSORES

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JOINVILLE/SC


RECOMENDAÇÃO


O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador daRepública infrafirmado, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais,respaldado, em especial, no art. 6º, inciso XX, da Lei Complementar nº 75/93, e CONSIDERANDO


1. competir ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Carta Magna, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, conforme prescrito pelo art. 129, II, da Constituição Federal, e arts. 5º, I, “h” e art. 6º, V, c/c art. 7º, da Lei Complementar nº 75/93;


2. que a Federação Catarinense de Futebol (FCF) lançou em seu endereço eletrônico uma Nota Oficial, na qual veta (censura prévia) qualquer manifestação nos estádios catarinenses contra a Confederação Brasileira de Futebol –CBF – ou seu Presidente, Ricardo Teixeira.


3. que a FCF ameaça impedir a entrada ou retirar dos estádios catarinense torcedores que manifestem contra a CBF ou seu Presidente.


4. que tal Nota fere de morte o direito de livre expressão de pensamento e manifestação, garantido em diversos Tratados e Convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, além da Constituição Federal.


5. que incumbe ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL promover as medidas necessárias para a proteção do interesse público, sendo os principais instrumentos de atuação a expedição de RECOMENDAÇÕES, a instauração de INQUÉRITOS CIVIS e o ajuizamento de AÇÕES CIVIS PÚBLICAS;


Dessa forma, O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLVE:


RECOMENDAR,


à Federação Catarinense de Futebol e ao Estado de Santa Catarina, representado pelo Sr. Sadi Lima, que


a) revogue a determinação de inviabilizar o exercício do direito a crítica e manifestação de pensamento.


b) afaste a determinação de impedir a entrada nos Estádios, ou retirar dos Estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito a crítica e manifestação de pensamento.
Ao Estado de Santa Catarina que não impeça a entrada, ou retire dos estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito constitucional de crítica e manifestação de pensamento.


Por derradeiro, ADVERTE que o não atendimento da presente RECOMENDAÇÃO ensejará a adoção das medidas legais cabíveis.


Salienta ainda que as providências adotadas em virtude desta recomendação deverão ser imediatamente informadas a esta Procuradoria da República, ou, no máximo, em 48 horas.


Joinville/SC, 26 de agosto de 2011.
Mário Sérgio Ghannagé Barbosa
Procurador da República


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tá na cara, o voto não é a nossa arma


Um somatório de incompetência, desleixo, omissão e falta de interesse para com as necessidades da população, trazem a rotineira manchete sobre novo atraso nas obras de ampliação do aeroporto Hercílio Luz. Que de internacional aquilo não tem nada a gente já sabe faz tempo, principalmente depois que fizeram aquele puxadinho ridículo, um barracão chamado de sala de embarque.

É um emaranhado de burocracia, de mentiras e desfaçatez que fariam corar um frade de pedra. Continuam as desculpas esfarrapadas que envolvem também o acesso ao que hoje chamam de aeroporto. Uma secretaria de estado empurra responsabilidades para os licenciamentos da Fatma, que passa a bola para as dificuldades das desapropriações aolongo da avenida Diomício Freitas. O assunto volta para a secretaria e o secretário da vez, e nada de solução.

O impressionante nesse vai da valsa é a inoperância da bancada catarinense na Câmara e Senado, enquanto aqui os deputados estaduais colaboram assistindo de camarote o jogo de empurra em obras fundamentais para o futuro do estado e conforto dos seus eleitores. Para essa turma que anda de helicóptero e jatinho pra lá e pra cá não faz muita diferença um aeroporto ruim ou uma estrada assassina como a 101 Sul escancarando o estágio atual da política e dos políticos brasileiros.

Vejam só que interessante.Dia desses a deputada estadual Ângela Albino (PC do B) e a federal Ângela Amin (PP) usaram o tuíter para se queixar da vida e da estrada. As Ângelas, em dias e horários diferentes, ficaram trancadas em engarrafamentos na 101, uma no pedágio de Palhoça e outra mais adiante, sem informar exatamente sua localização. Não legislam nem atuam nem em causa própria. Pelo menos é o que parece.

É o caso de nós contribuintes, que não temos alternativas aéreas nem terrestres, lutarmos contra a ineficiência e os mal feitos de alguns destes ilustres parlamentares do todos os partidos nas várias instâncias onde atuam os eleitos por nós, pobres mortais, que não ganhamos 14 salários, jetons, diárias e outras benesses.

Vamos para o terceiro presidente desde FHC e as promessas, nesses dois casos especialmente, não foram cumpridas, nem por ele, muito menos pelos sucessores. Como aqui, com nossos respeitáveis governadores e seus secretariados de fantasia. O triste é constatar que as urnas não dão jeito nisso. O voto não é definitivamente a nossa arma. É a deles.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nem Mano explica



A CBF trabalha sempre contra os clubes que a sustentam e lhes dão visibilidade, e que por tabela tornam o futebol brasileiro conhecido mundialmente com a revelação de jogadores que vão se destacar na seleção.

Nada sensibiliza a entidade dirigida por Ricardo Teixeira. Ela só atrapalha e suga seus filiados ao longo da temporada. Os culpados são os próprios dirigentes subservientes ao presidente da CBF, aos seus desmandos e à sua incompetência. O Campeonato Brasileiro é o que menos interessa, apesar de ser uma das competições mais importantes do mundo com um regulamento relativamente novo para os brasileiros que premia a eficiência e a regularidade.

Como até hoje Ricardo Teixeira e seus comandados não se preocuparam em construir um calendário adequado às exigências internas e externas do nosso futebol, o que se vê a cada convocação da seleção brasileira é um despropósito. Mano Menezes e seus antecessores carregam esse piano.Ele bem que se esforça para jogar uma cortina de fumaça sobre os efeitos danosos sofridos pelos clubes que perdem jogadores importantes para amistosos, tipo esse que vem por aí, inicialmente contra o Egito, trocado agora por Gana. Ia tudo muito bem em matéria de escolha de adversários até que perdemos para a Argentina, França, Alemanha, e empatamos com a Holanda.

Nessas horas a discussão sobre os nomes chamados por Mano é interminável e aumentou esses dias com a volta de Ronaldinho à seleção. Pra que, por que agora, ele terá fôlego para a Copa de 2014, hoje não é apenas um jogador de clube? Nunca vai se chegar a um consenso sobre as idéias de um treinador sobrecarregado pela importância do cargo mais visado pelas críticas do que um presidente da República.

Com suas omissões e equívocos a CBF só contribui para ampliar a confusão, que ganha a força de um tsunami na medida em que o tempo passa e ainda não temos estádios nem um time encaminhado e com credibilidade. O pior para Mano Menezes e ninguém se deu conta da importância e gravidade, é que depois do Maracanazo de 1950 ele e seu intrépido e indefinido grupo serão os primeiros a enfrentar a pressão que representa disputar uma Copa do Mundo em casa. Zagalo, Parreira e Felipão, campeões mundiais, não passaram por esse tormento. Se antes não houver demissão ou uma saída voluntária e estratégica, há um divã à espera de Mano Menezes no caminho de 2014.

sábado, 13 de agosto de 2011

Má educação


Assisti a uma matéria mostrada pelo Sportv sexta-feira à noite sobre o descontrole de um professor em quadra nos Jogos Escolares em Pouso Alegre, Minas Gerais. Além de quase agredir seus atletas ao dar instruções em uma partida de handebol, o técnico-professor aos gritos ainda chamou um deles de burro. Ao ser entrevistado o “mestre” se encheu de razão e afirmou que tinha o direito de falar e agir como quisesse com seus pupilos. Para tanto, disse ele, como técnico daquela equipe tinha o aval dos pais e do diretor da escola.

Não fiquei surpreso. Estou acostumado com isso em competições estaduais e nacionais. Nosso sistema esportivo é farto em competições na faixa etária que a matéria da Sportv mostrou. Em Santa Catarina temos o Moleque Bom de Bola, Jogos Escolares, Olimpíada Escolar e Joguinhos Abertos, onde a disputa dentro da ética do esporte e da valorização do lúdico de vez em quando é posta de lado em troca da vitória a qualquer preço.

Como repórter ou assessor da Fesporte testemunhei em diversas ocasiões alunos-atletas ofendidos com palavrões, instruções passadas aos gritos e até agressões com safanões e tapas na cabeça, como aconteceu uma vez num jogo de basquete de um time catarinense em Poços de Caldas. Nunca esqueci aquela cena.

E inúmeras outras que, se não terminaram em agressão física, passaram pelo grito, pelo palavrão, um tratamento inadequado em se tratando de jovens atletas. O grave é que em várias oportunidades os pais assistem tudo das arquibancadas sem tomar nenhuma atitude. E complementam a violência contra a garotada, meninos ou meninas, com a mesma prática adotada pelos técnicos, caso seu filho (a) tenha saído da quadra com derrota.

É constrangedor assistir um jovem atleta sofrendo esse tipo de agressão de pais e professores. É a má educação para o presente e para o futuro. Aliás, não vejo ações deste tipo como saudáveis e apropriadas nem com equipes adultas, como é tão rotineiro no futebol profissional ou em modalidades de quadra. Aqueles treinadores xingando a arbitragem, seus próprios jogadores e às vezes até adversários me incomodam demais.

Sempre comentei o assunto na Fesporte, onde tive a oportunidade de trabalhar em todos os eventos por ela planejados e executados. Mas minhas teorias nunca prosperaram. Resumiam-se apenas a tema de conversas eventuais com a área técnica.

Como acabo de ser indicado pela Associação dos Cronistas Esportivos para o Conselho Estadual de Esporte, quem sabe consigo tratar do tema com mais profundidade. Penso que o Conselho é um dos fóruns apropriados para levar adiante a discussão sobre esta necessidade de melhor preparo de professores com a responsabilidade de educar, dentro e fora das salas de aula.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os Caça-Fantasmas estão de volta

Todos os treinadores que passaram pela seleção brasileira não escaparam de críticas e contestações sobre convocação ou resultados. Alguns resistiram bravamente, entre eles os campeões Zagalo, Parreira, e Felipão. Este último sabiamente preferiu sair no lucro, deixando a seleção após a conquista da Copa de 2002 para fazer nome e fortuna na Europa.

Mano Menezes apenas segue o roteiro e a sina que perseguem os técnicos brasileiros, sem exceção. Depois de um início cheio de otimismo e de confiança por parte da mídia, Mano começa mais cedo a sofrer com o peso do cargo que ocupa há exatamente um ano.

Nesse curto período de trabalho a seleção tropeçou nos testes mais difíceis, solicitados pelo próprio treinador. Um time renovado empatou com a Holanda, perdeu para Argentina, Itália, França e Alemanha, além de ser eliminado da Copa América pelo Paraguai. Os adversários escolhidos pelo próprio Mano compensariam a falta de jogos complicados, já que o Brasil como sede da próxima Copa não precisaria passar pelas eliminatórias sul americanas.

No confronto com equipes de primeira linha, ao contrário daquelas babas de épocas anteriores, as teorias de Mano Menezes até agora não vingaram. Pior, os resultados negativos começam a lançar suspeitas sobre os métodos do treinador, convocações e suas ligações perigosas. Ninguém entende, por exemplo, a insistência com André Santos, de atuações irregulares e autor de um dos lances mais bizarros já vistos em um jogo da seleção. A Alemanha deve a ele o terceiro gol na vitória desta quarta-feira.

André é só um exemplo que pode ser acrescido a outros nomes como Renato Augusto, Lucas Leiva e Fernandinho, jogadores que pertencem ao empresário Carlos Leite, por coincidência o mesmo de Mano. A renovação já não está mais servindo como justificativa. Afinal, como entender a entrada do estreante Luiz Gustavo somente aos 41 minutos do segundo tempo? Presume-se que ele será chamado outras vezes, ou então a avaliação deste jogador em pouco mais de cinco minutos não fará nenhum sentido nem merecerá um pingo de crédito.

Felizmente ainda há tempo para as correções necessárias, com ou sem Mano Menezes. Depois da derrota para a Alemanha, com direito ao chamado "banho de bola", Ricardo Teixeira garantiu que Mano está “prestigiado”, o que na vida de um treinador representa muito pouco. Apesar deste apoio formal e explícito do poderoso chefão, não há mais espaço para um técnico que passo a passo derruba a confiança da mídia e do torcedor por equívocos pontuais na definição do time e nas convocações, alimentando as argumentações contrárias ao trabalho de renovação que a seleção brasileira exige.

A primeira providência para correção de rumo, para espantar suspeitas e críticas mais pesadas é trocar de empresário. Os Caça-Fantasmas já sinalizaram com a tentativa de captura de Muricy Ramalho e Luiz Felipe Scolari.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Acredite, se quiser

Orlando Silva foi o entrevistado do programa Roda Viva desta semana na TV Cultura. Garantiu que o Brasil vai realizar a Copa de 2014. Ulalá, agora estamos tranqüilos. Afinal, o homem é Ministro e do Esporte. Quem manda mais do que ele nesta área no país?

Orlando tentou dar respostas interessantes, embora não tenha trazido grandes novidades em suas declarações otimistas. Apenas promessas mirabolantes. Quando o assunto aterrissou nos aeroportos brasileiros, todos com seus limites esgotados e movimento já 20% acima do previsto,desconsiderou o grande atraso das obras – algumas nem começaram – e prometeu céu de brigadeiro no período da Copa.

Qual a mágica para atender o cronograma e impedir um caos aéreo ninguém conseguiu captar nem o Ministro foi muito claro nas suas explicações. Ficamos com a sua palavra, só ela. Se até lá a Polícia Federal ou algum órgão fiscalizador da União não desapontar o otimista Orlando e atrapalhar seus planos, além de causar um novo constrangimento ao governo da presidenta Dilma. Como já aconteceu nos ministérios dos Transportes, da Agricultura e por último do Turismo. Olha aí, justo o turismo no olho do furacão e virando caso de polícia a dois anos da Copa das Confederações e a três da Copa do Mundo.

Por fim, Orlando Silva tratou de tranqüilizar a imprensa, quando prometeu que ninguém será barrado (empresa ou jornalista)na cobertura da Copa. Ricardo Teixeira fez essa ameaça na entrevista à revista Piauí. Mais forte do que a CBF e a FIFA? A conferir Ministro Orlando.

No entanto a informação mais curiosa da semana não veio de Orlando Silva, mas sim de Carlos Cavioli, tenente-coronel da Polícia de Choque de São Paulo. Cavioli, nada famoso ou tão influente como um Ministro, surpreendeu a mídia ao dizer, em alto e bom som na Comissão do Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, que os novos e modernos estádios que estão sendo construídos – também com atraso – para a Copa de 2014 só poderão ser utilizados pelos clubes brasileiros oito meses após o encerramento da competição mundial.

Readequação foi a palavra utilizada pelo policial paulista para justificar sua contundente afirmação. Exemplo: a FIFA não permite a utilização de alambrados nos estádios da Copa porque gosta da aproximação do público com o gramado e os jogadores.Coisa impensável em se tratando de praças esportivas brasileiras e da violência do torcedor.

Só isso dá bem a medida do que poderá impedir a utilização das novíssimas arenas por seus verdadeiros proprietários, quando não estado ou município, como em Manaus, Salvador e Brasília, por clubes como o Corinthians com o seu Itaquerão, e o Inter, com o reformado Beira Rio. Casa nova, vida velha, é o que reserva o futuro para o torcedor brasileiro. Inacreditável.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O 13 de Zagalo ronda o Brasileirão


A superstição de Zagalo com o número 13 sobrevive junto aos seus 80 anos bem vividos. Até na homenagem dos botafoguenses ao aniversariante e um dos seus mais ilustres torcedores domingo, no Engenhão, o “velho lobo” abraçou o 13, ao ser cumprimentado por Loco Abreu. Pois o atacante, vestindo a camisa treze, acabou marcando dois gols na goleada de 4 a 0 sobre o Vasco, além de ser escolhido como um dos destaques do clássico.

Não era a décima terceira rodada do Campeonato Brasileiro, mas o número preferido do Zagalo apareceu com força também longe do Engenhão. Dorival Júnior, demitido logo após a derrota do Atlético MG para o Figueirense sábado à noite, foi o 13º treinador a perder o cargo. Os companheiros de infortúnio treze do Dorival até aqui são Cuca (Cruzeiro), Enderson Moreira (Flu), Falcão (Inter), Renato Gaúcho e Julinho Camargo (Grêmio), Mauro Fernandes, Antônio Lopes e Milagres (América MG), PC Gusmão (Ceará), Silas (Avaí), Carpeggiani (SP) e Adilson Batista (Atlético PR). Como o Brasileiro só termina em dezembro é possível que nesse ritmo o número de demitidos chegue a 26, duas vezes 13. Xô Zagalo.

sábado, 6 de agosto de 2011

As regras que não são claras

Ambulância no gramado não impressionou a arbitragem


O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) Paulo Schmidt, em sua tradicional caça às bruxas, vai oferecer denúncia contra o jovem atacante gremista Leandro. Na partida de quarta-feira, no Olímpico, o jogador do Grêmio acertou uma pancada com a mão direita no rosto de Eron, do Atlético-MG, numa disputa de bola.

Com base nas imagens daquela partida o procurador vai formalizar a denúncia. Leandro terá de responder pelo artigo 254-A (agressão) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena mínima prevista é de quatro partidas, sendo a máxima, de 12 jogos de suspensão.

O lateral do Atlético fraturou o nariz e saiu do campo de ambulância, direto para um hospital, enquanto o agressor sequer foi advertido na hora com cartão pelo árbitro paulista Guilherme Cereta de Lima. O que acontece nesses casos com o trio de arbitragem? Nada. Só Leandro será levado ao banco dos réus pelas imagens de TV. É por essa omissão dos tribunais e da CBF que a arbitragem no Campeonato Brasileiro é uma tragédia.

Não levemos em conta as reclamações rotineiras de jogadores, técnicos e dirigentes. Estas, na maioria das vezes, fazem parte do choro dos perdedores. Os vencedores nunca reclamam. O problema está no resultado da falta de qualificação de grande parte dos árbitros que trabalham nas principais séries do Campeonato Brasileiro e até mesmo nos estaduais.

Dois pesos e duas medidas é o que mais impressiona na marcação de faltas, na aplicação de cartões, na punição ao anti-jogo e, no lance mais discutido em uma partida de futebol, as irregularidades que definem o pênalti. Seja por toque de mão ou a falta convencional. Nesse e em outros momentos de uma partida é visível também a pusilanimidade dos árbitros de um modo geral, com decisões quase sempre em favor do time da casa ou da equipe que veste a camisa com maior peso por nome e tradição.


Ao invés de punir a CBF tem, ao contrário, premiado a incompetência e procedimentos dúbios com a manutenção dos envolvidos nas escalas seguintes do campeonato. No máximo acontece o afastamento por uma ou duas rodadas, nada mais. O cara volta ao apito cometendo as mesmas arbitrariedades ou em edição piorada com o respaldo da Comissão de Arbitragem, à qual ele é subordinado, e graças aos olhos semicerrados de um tribunal que só enxerga as infrações dos jogadores. Em nenhum dos casos, com árbitros ou atletas, é aceitável o exagero, uma norma de conduta do procurador Schmidt. Aliás, qualquer declaração contestando procedimentos do STJD ou de dirigentes da CBF é passível de punição. Cadê o equilíbrio e o bom senso determinados por regras muito claras? Essas não são levadas em conta pelas autoridades do desporto brasileiro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Copa do Mundo é nossa

Mas o que nós ganhamos com isso?

Por Marcelo Semer

O pontapé inicial de 2014 foi um chute no lombo do brasileiro: uma festa-sorteio com cara de programa de televisão, que custou a bagatela de trinta milhões de reais, repartidos entre dois bons patrocinadores: o Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Um evento que poderia ter sido realizado nas dependências da própria Fifa, ou de qualquer teatro, fechou por quatro horas o principal aeroporto do Rio para evitar que o trânsito e o barulho das aeronaves atrapalhassem a retirada dos papeizinhos dos potes na Marina da Glória.


Esse é um pequeno exemplo de como o país vai se condicionando a aceitar as regras da Fifa, para a realização do campeonato.
Seguir as regras, no entanto, não parece ser o forte da própria Fifa. Recentemente sua eleição esteve dividida entre dois candidatos acusados de grandes irregularidades. O opositor foi banido e o atual presidente reeleito, não sem indignação daqueles que perderam escolha de sedes, acusando a corrupção de estar campeando por aquelas plagas.


Como alento para Inglaterra e outros derrotados, pelo menos o fato de que não precisarão condicionar suas licitações nem seus aeroportos para os eventos da competição.
Indignados como egípcios com três décadas de Mubarak, milhares de brasileiros tuitaram na semana passada pela saída do todo-poderoso Ricardo Teixeira da presidência da CBF, cargo que ocupa há mais de vinte anos. Seu sogro, João Havelange, dirigiu a Fifa por mais tempo ainda, e Joseph Blatter segue pelo mesmo caminho.


A alternância de poder não é uma prática na política do futebol. Ricardo Teixeira explicou bem isso recentemente em uma entrevista. Disse que seus opositores estavam apenas enchendo o saco e que a CBF era uma organização privada.
Este tem sido melancolicamente o retrato do futebol profissional: imensos lucros privados e despesas públicas tão imensas quanto para garanti-los.


Ou alguém duvida que todo esse discurso de "iniciativa privada" desaparece quando se faz necessário o aval das autoridades nos grandes eventos?
Para o futuro estádio de Itaquera, o aval municipal representa centenas de milhões de reais em "incentivos fiscais", o aval estadual, outros setenta milhões para aumentar a arquibancada, e o aval federal, metade do preço da construção em empréstimos a fundo perdido de nosso banco público de investimentos.


Quando criança, eu sonhava com uma Copa do Mundo no Brasil. Não havia nascido em 1950. Sempre pensei: está aí uma coisa que podemos fazer com o pé nas costas, contando com estádios de grande capacidade em praticamente todas as capitais do país.
Nossos campos tem sido suficientes para que dezenas de milhares de brasileiros acompanhem seus jogos a cada fim de semana ¿ mas, como se viu, absolutamente inaptos para receber os jogos da Fifa. Alguém seguramente está nos enganando...


Mais grave que construir novas obras desnecessárias, com parceiros que a Fifa gosta de "sugerir", ou com regras de licitações mais "ágeis e modernas", é a própria ideia de submissão. Como se um campeonato de futebol, que se afirma privado, pudesse influenciar razões de Estado.


Um juiz de direito no Rio de Janeiro reclamou da pressão "não-republicana" que sofreu para uma decisão que o governo do Estado cobrou, por intermédio do presidente de seu Tribunal de Justiça.
Imagina-se que quanto mais se aproxima o início da Copa, mais as pressões "não-republicanas" se multipliquem. Mas, afinal, que interesses devem ser preservadores prioritariamente na hora de julgar um processo?


Milhares de pessoas podem ser retiradas de suas moradas por estarem no caminho de grandes obras, sem que o Estado se preocupe, primeiro, em alojá-las condignamente.
Alguma grande obra de moradia popular está sendo planejada para diminuir o enorme déficit do país, de modo que possamos nos beneficiar de uma "herança social" da Copa?
A habitabilidade dos mais carentes no Rio de Janeiro não mudou nada com a realização do Pan-2007, muito embora os valores gastos pelos governos tenham triplicado em relação à previsão inicial.
Será esse o saldo da Copa?


Dirigentes festejando magníficos contratos, clubes privados recebendo ajuda para construir suas arenas e os jogos, como sempre, com preços inacessíveis para quem paga os impostos que garantiram tais benefícios.
Ao final, é bem possível que passemos essa Copa acompanhando tudo como mais um programa de televisão.
Com a diferença de que vai ser o mais caro programa de televisão que pagamos na vida.


Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os efeitos do algo de podre


O Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 tirou do sério Dilma Roussef ao negar credenciais para alguns jornalistas que fazem a cobertura diária no Palácio do Planalto. Entre eles estavam repórteres do SBT e da Record que foram impedidos de acompanhar a presidenta durante o sorteio para as eliminatórias da Copa, solenidade realizada na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.

É o primeiro impasse criado pela exclusividade que a Globo detém para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. A justificativa do COL foi que para a FIFA o fornecimento de credenciais a outros veículos de comunicação representaria quebra de contrato com a Globo. Apenas algumas credenciais foram liberadas, mas o alvo era, principalmente, a TV Record, que não pôde acompanhar Dilma Rousseff no evento.

Irritada, Dilma entendeu a negativa como retaliação de Ricardo Teixeira à Record, que ultimamente tem divulgado denúncias de corrupção contra o presidente da CBF. Como as relações entre o Palácio do Planalto e Teixeira já não andam muito amistosas, esse imbróglio ainda vai dar muita confusão, principalmente se a Record continuar levantando o tapete para onde está sendo empurrada toda a sujeira do futebol brasileiro e dos seus principais dirigentes.

O único acesso livre a toda a imprensa no fim de semana presidencial aconteceu na coletiva de Pelé, promovida pelo Governo Federal no Museu de Arte Moderna, fora da jurisdição da FIFA e do COL. Assessores palacianos argumentaram que é praxe jornalistas de Brasília acompanharem a movimentação da presidenta Dilma, dentro e fora do país e que, portanto, os obstáculos criados no Rio de Janeiro são injustificáveis.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A pressa que traz o improviso e desconforto

Dia desses dei uma passadinha no SOS Cárdio para ajudar na inauguração das suas novas instalações. Novas, mas nem tanto. Passei algumas horas, das 10h30 até quase às 16hs, sob atenção e bom atendimento de uma médica atenciosa e do pessoal da enfermagem.

Porém, sempre tem um, porém, saltavam aos olhos as improvisações e precariedade de algumas instalações e equipamentos.Talvez pelo pouco tempo de vida do empreendimento, apesar da promessa de modernidade. Para começo de conversa, minha pressão foi medida com o braço tendo como apoio uma gaveta aberta. Na sequência deitei em uma maca para o eletrocardiograma. Aqui sem reparos.

Passei depois para uma sala grande com pacientes de outros procedimentos. Esperei por alguns minutos sentado em uma cadeira velha para que colhessem meu sangue, novamente com o braço sobre uma mesinha quebra-galho. Para encerrar a série de exames com um raio xis do pulmão, na mesma sala e acomodado no mesmo móvel, experimentei a sensação esquisita de ter a chapa colocada entre as costas e o espaldar da cadeira.

Exatamente assim, com um equipamento portátil expondo a todos à radiação. Não houvesse esse risco, os enfermeiros e atendentes não seriam enxotados da sala pelo operador a cada “fotografia”. Os doentes em volta, presos por fios, tubos ou simplesmente catatônicos pela saúde debilitada, não tinham alternativas a não ser permanecer ali, imóveis e sem entender direito o que estava acontecendo.

O resultado do exame de sangue demorou mais de duas horas. "Trabalhamos com três laboratórios e o seu foi para Barreiros", me explicou gentilmente alguém de jaleco branco.Que azar. Lá pelas tantas da tarde, cansado pela demora e desconforto da recepção da emergência, reclamei um pouco. Uma funcionária educadamente sugeriu que eu fosse para a recepção do hospital que fica ao lado. Lá tem poltronas confortáveis e uma televisão, explicou.

Não sei se a pressa da inauguração foi a causa de tanto despropósito. Só pode ser. Lá fora mais problemas. O estacionamento é cobrado. Cinco reais a hora. Com tolerância de apenas 10 minutos, é uma mina de ouro, pois não há outra opção em torno do prédio.

Achar o acesso ao SOS Cárdio rodando naquele trecho final da SC-401, logo abaixo da “curva da morte”, é não só difícil como um risco de morte. Ou de vida, como queiram. Na saída, quase sob o viaduto do Itacorubi, o resultado caótico de mais uma improvisação, outra obra prima do Deinfra: caso o paciente tenha escapado de algum acidente cardíaco, pode morrer de acidente de trânsito.

Neste fim de semana passei por ali. Ví de novo mais máquinas e caminhões da Sul Catarinense - parece ser a única empreteira que temos por essas bandas - e continua tudo como dantes. Não há solução diferente para entrada e saída daquela casa de saúde recém transferida da Trompowski, equipada para curar e salvar vidas. Tomara lá dentro as coisas tenham mudado e correspondam à propaganda.