sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fora Delfim & Cia



Repercute no eixo – mais em São Paulo, onde tem menos bajuladores do poder, do que no Rio de Janeiro, por coincidência sede da Globo – a nota oficial publicada no site da Federação Catarinense de Futebol ameaçando de expulsão dos estádios quem se manifestar contra Ricardo Teixeira. A peça pra lá de ridícula é da lavra de Delfim Pádua Peixoto Filho, que em 2015 baterá o recorde mundial de permanência no poder, 30 anos, graças a uma alteração nos estatutos da “sua” FCF. Mas também, é preciso registrar, com a prestimosa colaboração dos presidentes de clubes, cuja grande maioria é omissa e conivente com a truculência que há quase três décadas, ou mais, domina o futebol catarinense.

Delfim Peixoto quer proteger il capo de tutti capi,que retribui ao servilismo do seu fiel escudeiro com merecidas mordomias. Quem prestou atenção na postura do presidente da FCF como chefe da delegação sub-20 que semana passada ganhou o Mundial da categoria na Colômbia tem a medida do perfil desse cartola e o que ele faz para alimentar seu ego e ao mesmo tempo agradecer a Teixeira. Na festa dos garotos pela conquista do título, ainda dentro do gramado, Delfim foi gentilmente - não precisava tanta educação dos agentes de segurança – convidado a se retirar para que os fotógrafos fizessem o registro apenas dos campeões. Fácil de entender as razões das ameaças aos torcedores que ofenderem (?) o Dr. Teixeira.


A íntegra da nota


A Federação Catarinense de Futebol vem a publico manifestar seu repudio contra qualquer manifestação ofensiva, realizada em jogos no território de Santa Catarina, direcionada ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Dr. Ricardo Terra Teixeira, bem como à própria CBF.


Especialmente com relação a informações veiculadas na imprensa referentes ao clássico entre Figueirense e Avaí, válido pela Série “A” do Campeonato Brasileiro, que será realizado no próximo domingo, 28 de agosto, no estádio Orlando Scarpelli, as presidências das duas equipes também se mostraram absolutamente contrárias a este tipo de atitude por parte de seus torcedores.


A FCF ressalta que este tipo de manifestação se configura como uma infração ao Estatuto do Torcedor, cujo artigo 13-A, inciso IV, dispõe: “São condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo sem prejuízo de outras condições previstas em lei”- IV - “não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico”.
O parágrafo único deste artigo estabelece que “o não cumprimento das condições estabelecidas neste artigo implicará a impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do recinto, sem prejuízo de outras sansões administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis”.
A Diretoria e o Presidente da FCF, Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, reiteram sua parceria e seu apoio à Confederação Brasileira de Futebol e seu Presidente, Dr. Ricardo Teixeira, que sempre foi um amigo e deu suporte ao futebol catarinense. Lembramos ainda que “ninguém será considerado culpado até o transito em julgado ter sentença penal condenatória”, conforme trata nossa Constituição Federal, no inciso LVII do Artigo 5º.


A Federação Catarinense de Futebol deseja ainda que os jogos realizados no estado sejam momentos de confraternização e lazer para os torcedores, e que prevaleça o espírito esportivo, com paz entre as torcidas e destas com relação a todos os envolvidos no meio esportivo, sejam clubes, órgãos de imprensa ou entidades administradoras do desporto.



O futebol catarinense infelizmente sempre andou atrelado à Federação e aos mal feitos dos seus dirigentes. Gente honesta não resiste, cai fora. Ou nem assume. É assim no país inteiro. Não conheço exceções. Se houver, me apresentem a elas. A participação dos nossos clubes nas quatro séries do Campeonato Brasileiro caminha por trilhas tortuosas, algumas vezes traiçoeiras, dependendo das conveniências e do percentual de submissão. Como acontece por todo o Brasil com o nosso esporte favorito, em algumas situações, ainda que amadoristicamente conseguimos evitar a contaminação de admnistrações que só visam benefícios pessoais. Para dizer o mínimo.


No entanto, quem dorme com cães acorda com pulgas, como os presidentes de clubes que apóiam incondicionalmente gente como Delfim e Ricardo Teixeira. E ainda usam criminosamente o Estatuto do Torcedor para justificar atos como os preconizados pela nota publicada no site oficial de uma instituição que existe para fazer do futebol uma verdadeira opção de lazer, e não um espetáculo degradante como o que se avizinha. No mais, é de lamentar que a arbitrariedade tenha o aval dos presidentes de Avaí e Figueirense. Todos se merecem.

ATUALIZAÇÃO

ADVERTÊNCIAS E RECOMENDAÇÕES DO MP AOS CENSORES

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JOINVILLE/SC


RECOMENDAÇÃO


O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador daRepública infrafirmado, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais,respaldado, em especial, no art. 6º, inciso XX, da Lei Complementar nº 75/93, e CONSIDERANDO


1. competir ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Carta Magna, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, conforme prescrito pelo art. 129, II, da Constituição Federal, e arts. 5º, I, “h” e art. 6º, V, c/c art. 7º, da Lei Complementar nº 75/93;


2. que a Federação Catarinense de Futebol (FCF) lançou em seu endereço eletrônico uma Nota Oficial, na qual veta (censura prévia) qualquer manifestação nos estádios catarinenses contra a Confederação Brasileira de Futebol –CBF – ou seu Presidente, Ricardo Teixeira.


3. que a FCF ameaça impedir a entrada ou retirar dos estádios catarinense torcedores que manifestem contra a CBF ou seu Presidente.


4. que tal Nota fere de morte o direito de livre expressão de pensamento e manifestação, garantido em diversos Tratados e Convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, além da Constituição Federal.


5. que incumbe ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL promover as medidas necessárias para a proteção do interesse público, sendo os principais instrumentos de atuação a expedição de RECOMENDAÇÕES, a instauração de INQUÉRITOS CIVIS e o ajuizamento de AÇÕES CIVIS PÚBLICAS;


Dessa forma, O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLVE:


RECOMENDAR,


à Federação Catarinense de Futebol e ao Estado de Santa Catarina, representado pelo Sr. Sadi Lima, que


a) revogue a determinação de inviabilizar o exercício do direito a crítica e manifestação de pensamento.


b) afaste a determinação de impedir a entrada nos Estádios, ou retirar dos Estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito a crítica e manifestação de pensamento.
Ao Estado de Santa Catarina que não impeça a entrada, ou retire dos estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito constitucional de crítica e manifestação de pensamento.


Por derradeiro, ADVERTE que o não atendimento da presente RECOMENDAÇÃO ensejará a adoção das medidas legais cabíveis.


Salienta ainda que as providências adotadas em virtude desta recomendação deverão ser imediatamente informadas a esta Procuradoria da República, ou, no máximo, em 48 horas.


Joinville/SC, 26 de agosto de 2011.
Mário Sérgio Ghannagé Barbosa
Procurador da República


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tá na cara, o voto não é a nossa arma


Um somatório de incompetência, desleixo, omissão e falta de interesse para com as necessidades da população, trazem a rotineira manchete sobre novo atraso nas obras de ampliação do aeroporto Hercílio Luz. Que de internacional aquilo não tem nada a gente já sabe faz tempo, principalmente depois que fizeram aquele puxadinho ridículo, um barracão chamado de sala de embarque.

É um emaranhado de burocracia, de mentiras e desfaçatez que fariam corar um frade de pedra. Continuam as desculpas esfarrapadas que envolvem também o acesso ao que hoje chamam de aeroporto. Uma secretaria de estado empurra responsabilidades para os licenciamentos da Fatma, que passa a bola para as dificuldades das desapropriações aolongo da avenida Diomício Freitas. O assunto volta para a secretaria e o secretário da vez, e nada de solução.

O impressionante nesse vai da valsa é a inoperância da bancada catarinense na Câmara e Senado, enquanto aqui os deputados estaduais colaboram assistindo de camarote o jogo de empurra em obras fundamentais para o futuro do estado e conforto dos seus eleitores. Para essa turma que anda de helicóptero e jatinho pra lá e pra cá não faz muita diferença um aeroporto ruim ou uma estrada assassina como a 101 Sul escancarando o estágio atual da política e dos políticos brasileiros.

Vejam só que interessante.Dia desses a deputada estadual Ângela Albino (PC do B) e a federal Ângela Amin (PP) usaram o tuíter para se queixar da vida e da estrada. As Ângelas, em dias e horários diferentes, ficaram trancadas em engarrafamentos na 101, uma no pedágio de Palhoça e outra mais adiante, sem informar exatamente sua localização. Não legislam nem atuam nem em causa própria. Pelo menos é o que parece.

É o caso de nós contribuintes, que não temos alternativas aéreas nem terrestres, lutarmos contra a ineficiência e os mal feitos de alguns destes ilustres parlamentares do todos os partidos nas várias instâncias onde atuam os eleitos por nós, pobres mortais, que não ganhamos 14 salários, jetons, diárias e outras benesses.

Vamos para o terceiro presidente desde FHC e as promessas, nesses dois casos especialmente, não foram cumpridas, nem por ele, muito menos pelos sucessores. Como aqui, com nossos respeitáveis governadores e seus secretariados de fantasia. O triste é constatar que as urnas não dão jeito nisso. O voto não é definitivamente a nossa arma. É a deles.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nem Mano explica



A CBF trabalha sempre contra os clubes que a sustentam e lhes dão visibilidade, e que por tabela tornam o futebol brasileiro conhecido mundialmente com a revelação de jogadores que vão se destacar na seleção.

Nada sensibiliza a entidade dirigida por Ricardo Teixeira. Ela só atrapalha e suga seus filiados ao longo da temporada. Os culpados são os próprios dirigentes subservientes ao presidente da CBF, aos seus desmandos e à sua incompetência. O Campeonato Brasileiro é o que menos interessa, apesar de ser uma das competições mais importantes do mundo com um regulamento relativamente novo para os brasileiros que premia a eficiência e a regularidade.

Como até hoje Ricardo Teixeira e seus comandados não se preocuparam em construir um calendário adequado às exigências internas e externas do nosso futebol, o que se vê a cada convocação da seleção brasileira é um despropósito. Mano Menezes e seus antecessores carregam esse piano.Ele bem que se esforça para jogar uma cortina de fumaça sobre os efeitos danosos sofridos pelos clubes que perdem jogadores importantes para amistosos, tipo esse que vem por aí, inicialmente contra o Egito, trocado agora por Gana. Ia tudo muito bem em matéria de escolha de adversários até que perdemos para a Argentina, França, Alemanha, e empatamos com a Holanda.

Nessas horas a discussão sobre os nomes chamados por Mano é interminável e aumentou esses dias com a volta de Ronaldinho à seleção. Pra que, por que agora, ele terá fôlego para a Copa de 2014, hoje não é apenas um jogador de clube? Nunca vai se chegar a um consenso sobre as idéias de um treinador sobrecarregado pela importância do cargo mais visado pelas críticas do que um presidente da República.

Com suas omissões e equívocos a CBF só contribui para ampliar a confusão, que ganha a força de um tsunami na medida em que o tempo passa e ainda não temos estádios nem um time encaminhado e com credibilidade. O pior para Mano Menezes e ninguém se deu conta da importância e gravidade, é que depois do Maracanazo de 1950 ele e seu intrépido e indefinido grupo serão os primeiros a enfrentar a pressão que representa disputar uma Copa do Mundo em casa. Zagalo, Parreira e Felipão, campeões mundiais, não passaram por esse tormento. Se antes não houver demissão ou uma saída voluntária e estratégica, há um divã à espera de Mano Menezes no caminho de 2014.

sábado, 13 de agosto de 2011

Má educação


Assisti a uma matéria mostrada pelo Sportv sexta-feira à noite sobre o descontrole de um professor em quadra nos Jogos Escolares em Pouso Alegre, Minas Gerais. Além de quase agredir seus atletas ao dar instruções em uma partida de handebol, o técnico-professor aos gritos ainda chamou um deles de burro. Ao ser entrevistado o “mestre” se encheu de razão e afirmou que tinha o direito de falar e agir como quisesse com seus pupilos. Para tanto, disse ele, como técnico daquela equipe tinha o aval dos pais e do diretor da escola.

Não fiquei surpreso. Estou acostumado com isso em competições estaduais e nacionais. Nosso sistema esportivo é farto em competições na faixa etária que a matéria da Sportv mostrou. Em Santa Catarina temos o Moleque Bom de Bola, Jogos Escolares, Olimpíada Escolar e Joguinhos Abertos, onde a disputa dentro da ética do esporte e da valorização do lúdico de vez em quando é posta de lado em troca da vitória a qualquer preço.

Como repórter ou assessor da Fesporte testemunhei em diversas ocasiões alunos-atletas ofendidos com palavrões, instruções passadas aos gritos e até agressões com safanões e tapas na cabeça, como aconteceu uma vez num jogo de basquete de um time catarinense em Poços de Caldas. Nunca esqueci aquela cena.

E inúmeras outras que, se não terminaram em agressão física, passaram pelo grito, pelo palavrão, um tratamento inadequado em se tratando de jovens atletas. O grave é que em várias oportunidades os pais assistem tudo das arquibancadas sem tomar nenhuma atitude. E complementam a violência contra a garotada, meninos ou meninas, com a mesma prática adotada pelos técnicos, caso seu filho (a) tenha saído da quadra com derrota.

É constrangedor assistir um jovem atleta sofrendo esse tipo de agressão de pais e professores. É a má educação para o presente e para o futuro. Aliás, não vejo ações deste tipo como saudáveis e apropriadas nem com equipes adultas, como é tão rotineiro no futebol profissional ou em modalidades de quadra. Aqueles treinadores xingando a arbitragem, seus próprios jogadores e às vezes até adversários me incomodam demais.

Sempre comentei o assunto na Fesporte, onde tive a oportunidade de trabalhar em todos os eventos por ela planejados e executados. Mas minhas teorias nunca prosperaram. Resumiam-se apenas a tema de conversas eventuais com a área técnica.

Como acabo de ser indicado pela Associação dos Cronistas Esportivos para o Conselho Estadual de Esporte, quem sabe consigo tratar do tema com mais profundidade. Penso que o Conselho é um dos fóruns apropriados para levar adiante a discussão sobre esta necessidade de melhor preparo de professores com a responsabilidade de educar, dentro e fora das salas de aula.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os Caça-Fantasmas estão de volta

Todos os treinadores que passaram pela seleção brasileira não escaparam de críticas e contestações sobre convocação ou resultados. Alguns resistiram bravamente, entre eles os campeões Zagalo, Parreira, e Felipão. Este último sabiamente preferiu sair no lucro, deixando a seleção após a conquista da Copa de 2002 para fazer nome e fortuna na Europa.

Mano Menezes apenas segue o roteiro e a sina que perseguem os técnicos brasileiros, sem exceção. Depois de um início cheio de otimismo e de confiança por parte da mídia, Mano começa mais cedo a sofrer com o peso do cargo que ocupa há exatamente um ano.

Nesse curto período de trabalho a seleção tropeçou nos testes mais difíceis, solicitados pelo próprio treinador. Um time renovado empatou com a Holanda, perdeu para Argentina, Itália, França e Alemanha, além de ser eliminado da Copa América pelo Paraguai. Os adversários escolhidos pelo próprio Mano compensariam a falta de jogos complicados, já que o Brasil como sede da próxima Copa não precisaria passar pelas eliminatórias sul americanas.

No confronto com equipes de primeira linha, ao contrário daquelas babas de épocas anteriores, as teorias de Mano Menezes até agora não vingaram. Pior, os resultados negativos começam a lançar suspeitas sobre os métodos do treinador, convocações e suas ligações perigosas. Ninguém entende, por exemplo, a insistência com André Santos, de atuações irregulares e autor de um dos lances mais bizarros já vistos em um jogo da seleção. A Alemanha deve a ele o terceiro gol na vitória desta quarta-feira.

André é só um exemplo que pode ser acrescido a outros nomes como Renato Augusto, Lucas Leiva e Fernandinho, jogadores que pertencem ao empresário Carlos Leite, por coincidência o mesmo de Mano. A renovação já não está mais servindo como justificativa. Afinal, como entender a entrada do estreante Luiz Gustavo somente aos 41 minutos do segundo tempo? Presume-se que ele será chamado outras vezes, ou então a avaliação deste jogador em pouco mais de cinco minutos não fará nenhum sentido nem merecerá um pingo de crédito.

Felizmente ainda há tempo para as correções necessárias, com ou sem Mano Menezes. Depois da derrota para a Alemanha, com direito ao chamado "banho de bola", Ricardo Teixeira garantiu que Mano está “prestigiado”, o que na vida de um treinador representa muito pouco. Apesar deste apoio formal e explícito do poderoso chefão, não há mais espaço para um técnico que passo a passo derruba a confiança da mídia e do torcedor por equívocos pontuais na definição do time e nas convocações, alimentando as argumentações contrárias ao trabalho de renovação que a seleção brasileira exige.

A primeira providência para correção de rumo, para espantar suspeitas e críticas mais pesadas é trocar de empresário. Os Caça-Fantasmas já sinalizaram com a tentativa de captura de Muricy Ramalho e Luiz Felipe Scolari.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Acredite, se quiser

Orlando Silva foi o entrevistado do programa Roda Viva desta semana na TV Cultura. Garantiu que o Brasil vai realizar a Copa de 2014. Ulalá, agora estamos tranqüilos. Afinal, o homem é Ministro e do Esporte. Quem manda mais do que ele nesta área no país?

Orlando tentou dar respostas interessantes, embora não tenha trazido grandes novidades em suas declarações otimistas. Apenas promessas mirabolantes. Quando o assunto aterrissou nos aeroportos brasileiros, todos com seus limites esgotados e movimento já 20% acima do previsto,desconsiderou o grande atraso das obras – algumas nem começaram – e prometeu céu de brigadeiro no período da Copa.

Qual a mágica para atender o cronograma e impedir um caos aéreo ninguém conseguiu captar nem o Ministro foi muito claro nas suas explicações. Ficamos com a sua palavra, só ela. Se até lá a Polícia Federal ou algum órgão fiscalizador da União não desapontar o otimista Orlando e atrapalhar seus planos, além de causar um novo constrangimento ao governo da presidenta Dilma. Como já aconteceu nos ministérios dos Transportes, da Agricultura e por último do Turismo. Olha aí, justo o turismo no olho do furacão e virando caso de polícia a dois anos da Copa das Confederações e a três da Copa do Mundo.

Por fim, Orlando Silva tratou de tranqüilizar a imprensa, quando prometeu que ninguém será barrado (empresa ou jornalista)na cobertura da Copa. Ricardo Teixeira fez essa ameaça na entrevista à revista Piauí. Mais forte do que a CBF e a FIFA? A conferir Ministro Orlando.

No entanto a informação mais curiosa da semana não veio de Orlando Silva, mas sim de Carlos Cavioli, tenente-coronel da Polícia de Choque de São Paulo. Cavioli, nada famoso ou tão influente como um Ministro, surpreendeu a mídia ao dizer, em alto e bom som na Comissão do Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, que os novos e modernos estádios que estão sendo construídos – também com atraso – para a Copa de 2014 só poderão ser utilizados pelos clubes brasileiros oito meses após o encerramento da competição mundial.

Readequação foi a palavra utilizada pelo policial paulista para justificar sua contundente afirmação. Exemplo: a FIFA não permite a utilização de alambrados nos estádios da Copa porque gosta da aproximação do público com o gramado e os jogadores.Coisa impensável em se tratando de praças esportivas brasileiras e da violência do torcedor.

Só isso dá bem a medida do que poderá impedir a utilização das novíssimas arenas por seus verdadeiros proprietários, quando não estado ou município, como em Manaus, Salvador e Brasília, por clubes como o Corinthians com o seu Itaquerão, e o Inter, com o reformado Beira Rio. Casa nova, vida velha, é o que reserva o futuro para o torcedor brasileiro. Inacreditável.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O 13 de Zagalo ronda o Brasileirão


A superstição de Zagalo com o número 13 sobrevive junto aos seus 80 anos bem vividos. Até na homenagem dos botafoguenses ao aniversariante e um dos seus mais ilustres torcedores domingo, no Engenhão, o “velho lobo” abraçou o 13, ao ser cumprimentado por Loco Abreu. Pois o atacante, vestindo a camisa treze, acabou marcando dois gols na goleada de 4 a 0 sobre o Vasco, além de ser escolhido como um dos destaques do clássico.

Não era a décima terceira rodada do Campeonato Brasileiro, mas o número preferido do Zagalo apareceu com força também longe do Engenhão. Dorival Júnior, demitido logo após a derrota do Atlético MG para o Figueirense sábado à noite, foi o 13º treinador a perder o cargo. Os companheiros de infortúnio treze do Dorival até aqui são Cuca (Cruzeiro), Enderson Moreira (Flu), Falcão (Inter), Renato Gaúcho e Julinho Camargo (Grêmio), Mauro Fernandes, Antônio Lopes e Milagres (América MG), PC Gusmão (Ceará), Silas (Avaí), Carpeggiani (SP) e Adilson Batista (Atlético PR). Como o Brasileiro só termina em dezembro é possível que nesse ritmo o número de demitidos chegue a 26, duas vezes 13. Xô Zagalo.

sábado, 6 de agosto de 2011

As regras que não são claras

Ambulância no gramado não impressionou a arbitragem


O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) Paulo Schmidt, em sua tradicional caça às bruxas, vai oferecer denúncia contra o jovem atacante gremista Leandro. Na partida de quarta-feira, no Olímpico, o jogador do Grêmio acertou uma pancada com a mão direita no rosto de Eron, do Atlético-MG, numa disputa de bola.

Com base nas imagens daquela partida o procurador vai formalizar a denúncia. Leandro terá de responder pelo artigo 254-A (agressão) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena mínima prevista é de quatro partidas, sendo a máxima, de 12 jogos de suspensão.

O lateral do Atlético fraturou o nariz e saiu do campo de ambulância, direto para um hospital, enquanto o agressor sequer foi advertido na hora com cartão pelo árbitro paulista Guilherme Cereta de Lima. O que acontece nesses casos com o trio de arbitragem? Nada. Só Leandro será levado ao banco dos réus pelas imagens de TV. É por essa omissão dos tribunais e da CBF que a arbitragem no Campeonato Brasileiro é uma tragédia.

Não levemos em conta as reclamações rotineiras de jogadores, técnicos e dirigentes. Estas, na maioria das vezes, fazem parte do choro dos perdedores. Os vencedores nunca reclamam. O problema está no resultado da falta de qualificação de grande parte dos árbitros que trabalham nas principais séries do Campeonato Brasileiro e até mesmo nos estaduais.

Dois pesos e duas medidas é o que mais impressiona na marcação de faltas, na aplicação de cartões, na punição ao anti-jogo e, no lance mais discutido em uma partida de futebol, as irregularidades que definem o pênalti. Seja por toque de mão ou a falta convencional. Nesse e em outros momentos de uma partida é visível também a pusilanimidade dos árbitros de um modo geral, com decisões quase sempre em favor do time da casa ou da equipe que veste a camisa com maior peso por nome e tradição.


Ao invés de punir a CBF tem, ao contrário, premiado a incompetência e procedimentos dúbios com a manutenção dos envolvidos nas escalas seguintes do campeonato. No máximo acontece o afastamento por uma ou duas rodadas, nada mais. O cara volta ao apito cometendo as mesmas arbitrariedades ou em edição piorada com o respaldo da Comissão de Arbitragem, à qual ele é subordinado, e graças aos olhos semicerrados de um tribunal que só enxerga as infrações dos jogadores. Em nenhum dos casos, com árbitros ou atletas, é aceitável o exagero, uma norma de conduta do procurador Schmidt. Aliás, qualquer declaração contestando procedimentos do STJD ou de dirigentes da CBF é passível de punição. Cadê o equilíbrio e o bom senso determinados por regras muito claras? Essas não são levadas em conta pelas autoridades do desporto brasileiro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A Copa do Mundo é nossa

Mas o que nós ganhamos com isso?

Por Marcelo Semer

O pontapé inicial de 2014 foi um chute no lombo do brasileiro: uma festa-sorteio com cara de programa de televisão, que custou a bagatela de trinta milhões de reais, repartidos entre dois bons patrocinadores: o Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Um evento que poderia ter sido realizado nas dependências da própria Fifa, ou de qualquer teatro, fechou por quatro horas o principal aeroporto do Rio para evitar que o trânsito e o barulho das aeronaves atrapalhassem a retirada dos papeizinhos dos potes na Marina da Glória.


Esse é um pequeno exemplo de como o país vai se condicionando a aceitar as regras da Fifa, para a realização do campeonato.
Seguir as regras, no entanto, não parece ser o forte da própria Fifa. Recentemente sua eleição esteve dividida entre dois candidatos acusados de grandes irregularidades. O opositor foi banido e o atual presidente reeleito, não sem indignação daqueles que perderam escolha de sedes, acusando a corrupção de estar campeando por aquelas plagas.


Como alento para Inglaterra e outros derrotados, pelo menos o fato de que não precisarão condicionar suas licitações nem seus aeroportos para os eventos da competição.
Indignados como egípcios com três décadas de Mubarak, milhares de brasileiros tuitaram na semana passada pela saída do todo-poderoso Ricardo Teixeira da presidência da CBF, cargo que ocupa há mais de vinte anos. Seu sogro, João Havelange, dirigiu a Fifa por mais tempo ainda, e Joseph Blatter segue pelo mesmo caminho.


A alternância de poder não é uma prática na política do futebol. Ricardo Teixeira explicou bem isso recentemente em uma entrevista. Disse que seus opositores estavam apenas enchendo o saco e que a CBF era uma organização privada.
Este tem sido melancolicamente o retrato do futebol profissional: imensos lucros privados e despesas públicas tão imensas quanto para garanti-los.


Ou alguém duvida que todo esse discurso de "iniciativa privada" desaparece quando se faz necessário o aval das autoridades nos grandes eventos?
Para o futuro estádio de Itaquera, o aval municipal representa centenas de milhões de reais em "incentivos fiscais", o aval estadual, outros setenta milhões para aumentar a arquibancada, e o aval federal, metade do preço da construção em empréstimos a fundo perdido de nosso banco público de investimentos.


Quando criança, eu sonhava com uma Copa do Mundo no Brasil. Não havia nascido em 1950. Sempre pensei: está aí uma coisa que podemos fazer com o pé nas costas, contando com estádios de grande capacidade em praticamente todas as capitais do país.
Nossos campos tem sido suficientes para que dezenas de milhares de brasileiros acompanhem seus jogos a cada fim de semana ¿ mas, como se viu, absolutamente inaptos para receber os jogos da Fifa. Alguém seguramente está nos enganando...


Mais grave que construir novas obras desnecessárias, com parceiros que a Fifa gosta de "sugerir", ou com regras de licitações mais "ágeis e modernas", é a própria ideia de submissão. Como se um campeonato de futebol, que se afirma privado, pudesse influenciar razões de Estado.


Um juiz de direito no Rio de Janeiro reclamou da pressão "não-republicana" que sofreu para uma decisão que o governo do Estado cobrou, por intermédio do presidente de seu Tribunal de Justiça.
Imagina-se que quanto mais se aproxima o início da Copa, mais as pressões "não-republicanas" se multipliquem. Mas, afinal, que interesses devem ser preservadores prioritariamente na hora de julgar um processo?


Milhares de pessoas podem ser retiradas de suas moradas por estarem no caminho de grandes obras, sem que o Estado se preocupe, primeiro, em alojá-las condignamente.
Alguma grande obra de moradia popular está sendo planejada para diminuir o enorme déficit do país, de modo que possamos nos beneficiar de uma "herança social" da Copa?
A habitabilidade dos mais carentes no Rio de Janeiro não mudou nada com a realização do Pan-2007, muito embora os valores gastos pelos governos tenham triplicado em relação à previsão inicial.
Será esse o saldo da Copa?


Dirigentes festejando magníficos contratos, clubes privados recebendo ajuda para construir suas arenas e os jogos, como sempre, com preços inacessíveis para quem paga os impostos que garantiram tais benefícios.
Ao final, é bem possível que passemos essa Copa acompanhando tudo como mais um programa de televisão.
Com a diferença de que vai ser o mais caro programa de televisão que pagamos na vida.


Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os efeitos do algo de podre


O Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 tirou do sério Dilma Roussef ao negar credenciais para alguns jornalistas que fazem a cobertura diária no Palácio do Planalto. Entre eles estavam repórteres do SBT e da Record que foram impedidos de acompanhar a presidenta durante o sorteio para as eliminatórias da Copa, solenidade realizada na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.

É o primeiro impasse criado pela exclusividade que a Globo detém para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. A justificativa do COL foi que para a FIFA o fornecimento de credenciais a outros veículos de comunicação representaria quebra de contrato com a Globo. Apenas algumas credenciais foram liberadas, mas o alvo era, principalmente, a TV Record, que não pôde acompanhar Dilma Rousseff no evento.

Irritada, Dilma entendeu a negativa como retaliação de Ricardo Teixeira à Record, que ultimamente tem divulgado denúncias de corrupção contra o presidente da CBF. Como as relações entre o Palácio do Planalto e Teixeira já não andam muito amistosas, esse imbróglio ainda vai dar muita confusão, principalmente se a Record continuar levantando o tapete para onde está sendo empurrada toda a sujeira do futebol brasileiro e dos seus principais dirigentes.

O único acesso livre a toda a imprensa no fim de semana presidencial aconteceu na coletiva de Pelé, promovida pelo Governo Federal no Museu de Arte Moderna, fora da jurisdição da FIFA e do COL. Assessores palacianos argumentaram que é praxe jornalistas de Brasília acompanharem a movimentação da presidenta Dilma, dentro e fora do país e que, portanto, os obstáculos criados no Rio de Janeiro são injustificáveis.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A pressa que traz o improviso e desconforto

Dia desses dei uma passadinha no SOS Cárdio para ajudar na inauguração das suas novas instalações. Novas, mas nem tanto. Passei algumas horas, das 10h30 até quase às 16hs, sob atenção e bom atendimento de uma médica atenciosa e do pessoal da enfermagem.

Porém, sempre tem um, porém, saltavam aos olhos as improvisações e precariedade de algumas instalações e equipamentos.Talvez pelo pouco tempo de vida do empreendimento, apesar da promessa de modernidade. Para começo de conversa, minha pressão foi medida com o braço tendo como apoio uma gaveta aberta. Na sequência deitei em uma maca para o eletrocardiograma. Aqui sem reparos.

Passei depois para uma sala grande com pacientes de outros procedimentos. Esperei por alguns minutos sentado em uma cadeira velha para que colhessem meu sangue, novamente com o braço sobre uma mesinha quebra-galho. Para encerrar a série de exames com um raio xis do pulmão, na mesma sala e acomodado no mesmo móvel, experimentei a sensação esquisita de ter a chapa colocada entre as costas e o espaldar da cadeira.

Exatamente assim, com um equipamento portátil expondo a todos à radiação. Não houvesse esse risco, os enfermeiros e atendentes não seriam enxotados da sala pelo operador a cada “fotografia”. Os doentes em volta, presos por fios, tubos ou simplesmente catatônicos pela saúde debilitada, não tinham alternativas a não ser permanecer ali, imóveis e sem entender direito o que estava acontecendo.

O resultado do exame de sangue demorou mais de duas horas. "Trabalhamos com três laboratórios e o seu foi para Barreiros", me explicou gentilmente alguém de jaleco branco.Que azar. Lá pelas tantas da tarde, cansado pela demora e desconforto da recepção da emergência, reclamei um pouco. Uma funcionária educadamente sugeriu que eu fosse para a recepção do hospital que fica ao lado. Lá tem poltronas confortáveis e uma televisão, explicou.

Não sei se a pressa da inauguração foi a causa de tanto despropósito. Só pode ser. Lá fora mais problemas. O estacionamento é cobrado. Cinco reais a hora. Com tolerância de apenas 10 minutos, é uma mina de ouro, pois não há outra opção em torno do prédio.

Achar o acesso ao SOS Cárdio rodando naquele trecho final da SC-401, logo abaixo da “curva da morte”, é não só difícil como um risco de morte. Ou de vida, como queiram. Na saída, quase sob o viaduto do Itacorubi, o resultado caótico de mais uma improvisação, outra obra prima do Deinfra: caso o paciente tenha escapado de algum acidente cardíaco, pode morrer de acidente de trânsito.

Neste fim de semana passei por ali. Ví de novo mais máquinas e caminhões da Sul Catarinense - parece ser a única empreteira que temos por essas bandas - e continua tudo como dantes. Não há solução diferente para entrada e saída daquela casa de saúde recém transferida da Trompowski, equipada para curar e salvar vidas. Tomara lá dentro as coisas tenham mudado e correspondam à propaganda.

sábado, 30 de julho de 2011

O túnel do tempo

Passei de quarta a sábado ouvindo e lendo fartos elogios ao jogo Santos 4x5 Flamengo. Realmente, a partida na Vila Belmiro foi espetacular e merecedora de todos os adjetivos encontrados pela mídia para classificar o confronto da quarta-feira à noite. Pelo desempeno individual de Ronaldinho e Neymar e pelas alternâncias de situações criadas graças ao talento de um craque experiente, com pinta de estar voltando aos tempor do Barcelona, e de uma promessa ainda na puberdade do seu futebol.

Os jornalistas de gerações mais próximas não têm parâmetros para comparar com o que era rotina no futebol brasileiro, tanto em se tratando de seleção como de clubes. Época da fartura de gols, de craques e dos grandes times. Lembro, como exemplos, de um 5x5 entre Cruzeiro e Botafogo no Mineirão, na reação do time carioca que perdia de 5x1 o primeiro tempo. Assisti a um espetacular Inter3x2 Cruzeiro nos primeiros tempos do Beira Rio e, na sequência, em Belo Horizonte a Cruzeiro 5x4 Inter. E os espetáculos dos bons tempos do Maracanã, com Zico & Cia. Zero a zero? Difícil, raridade.

A seleção brasileira ganhou e deu show a partir da Copa de 58 na Suécia, com placares impressionantes, até chegarmos aos escores mirrados do título de 94 nos Estados Unidos. O gol era um detalhe, dizia o vidente Parreira. Então dá-lhe prorrogação e pênalti. Hoje nem nos pênaltis conseguimos ir adiante.

Por tudo que já vivemos e passamos e a realidade da secura atual, é compreensível o deslumbramento com atuações como as de Neymar e Ronaldinho, contribuição efetiva para o resultado final de um jogo eletrizante. E numa noite que também teve Coritiba 3x4 São Paulo em Curitiba, embate ofuscado pelos acontecimentos da Vila.

Mas, cá pra nós, estas reações de encantamento acontecem pela falta de hábito, um pouco de nostalgia dos tempos em que tínhamos realmente o melhor futebol do mundo. Nem vou lembrar da era Pelé com o Santos que sofria três gols e marcava seis. Aí é covardia.

Resta-nos então esperar por outra edição extraordinária de uma rodada cheia de gols e do futebol que estávamos acostumados a assistir antes de surgirem os professores e a ditadura dos seus esquemas táticos baseados na força física e no anti-jogo. Acrescentemos doses cavalares da administração caótica e corrupta do nosso futebol e nos resignemos a acompanhar nossos melhores jogadores divertindo outras platéias pelo mundo afora.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Guga, enfim, é lembrado para projeto olímpico

Notícia boa do blog do José Cruz (Folha Uol), o cara que mais conhece esporte olímpico no jornalismo brasileiro. Inclusive as maracutaias que envolvem desportistas e autoridades do setor, especialmente políticos, presidentes de federações e confederações

A Academia Larri Passos, em Camboriú (SC), será convertida em centro de formação de atletas para as Olimpíadas de 2016.

Na fase inicial do projeto, 14 jogadores serão convocados, podendo chegar a 20 tenistas até o fim de 2011.

O projeto, com apoio do Comitê Olímpico, foi anunciado hoje pelo ministro Orlando Silva e o presidente da Confederação de Tênis, Jorge Lacerda, ao lado de Larri Passos e do tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten. O projeto custará R$ 2 milhões, este ano.

Guga e seu ex-técnico, enfim, são lembrados para se integrarem a um projeto de formação de atletas olímpicos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Afinal, qual é a do Mano?


Seis jogadores que estiveram na Argentina ficaram de fora da nova convocação do Mano Menezes: Adriano, Elano, Jadson, Jefferson, Luisão e Sandro. Por lesão só oSandro. No lugar deles, algumas novidades e outros nomes que já haviam sido lembrados: o zagueiro Dedé, os volantes Ralf e Luiz Gustavo, os meias Fernandinho e Renato Augusto e o atacante Jonas.

Mano Menezes precisa se definir entre a busca de resultados e sua afirmação como treinador, ou experiências para formar a seleção que vai disputar a Copa de 2014. Acho difícil, por exemplo, que Lúcio jogue o próximo Mundial. Nesse caso o Mano que trate de arrumar logo alguém para o lugar dele e componha uma zaga definitiva. No meio de campo a mesma coisa: ainda não temos definidos aquele volante da desconstrução nem os meias que lhe farão companhia e alimentarão o ataque. Lá na frente também persiste a indefinição. O que faz o velhinho Fred nesse grupo?

Já perdemos para a Argentina com uma bobagem do Douglas no finzinho do jogo, para a França com a expulsão do Hernanes e empatamos com a Holanda sem nenhum acidente de percurso como nas duas derrotas. Douglas e Hernanes desapareceram da seleção. Coincidência? E não chegamos à semifinal da Copa América, primeira competição oficial da era Mano, com o consolo do fracasso argentino na mesma medida. Ou seja, em matéria de resultado o passivo de Mano Menezes é negativo.

O melhor a fazer a esta altura do campeonato é partir para as experiências em busca de um time visando a Copa. Mas não adianta convocar jogadores como o Jonas e deixá-lo no banco, chamar o vascaíno Dedé e não utilizá-lo, pensando que a Alemanha, adversário do dia próximo dia 10, é muito forte. Daqui a pouco a paciência da mídia e do torcedor se esgota. Pior, vamos chegar a 2014, passando pela Copa das Confederações um ano antes, com outro técnico e sem uma equipe definida.

A frase da Copa América

Para se tornar o maior ganhador da Copa América através da 15ª conquista, acontecida domingo diante do Paraguai, o Uruguai usou de sua garra de sempre e de uma técnica e força de equipe ausentes, por exemplo, nos times do Brasil e da Argentina.

Esta garra uruguaia, muito elogiada pela mídia que acompanhou a Celeste até a final, às vezes passava um tanto de violência, tendo no zagueiro Lugano, aquele mesmo que ficou conhecido no Brasil pela rispidez com que atuava pelo São Paulo, seu maior representante.

Além dos elogios e manifestações de admiração de adversários e de jornalistas o Uruguai campeão teve o atacante Suárez escolhido como o melhor jogador da competição, o zagueiro Coates apontado como revelação a ainda ganhou o Troféu Fair Play, pasmem, entregue ao capitão Lugano, motivo para uma frase genial em tom de brincadeira do Loco Abreu: “Entregar o Troféu Fair Play ao Lugano é como entregar o Prêmio Nobel da Paz ao Bin Laden”.

Fora Ricardo Teixeira

Chegou a hora de o torcedor brasileiro mostrar a força do grito #FORARICARDOTEIXEIRA! Com a participação do jornalista Juca Kfouri o movimento começou por São Paulo e deve se espalhar pelo Brasil.


Então, vamos, convoque os seus amigos e familiares para participar do MEGATWITTAÇO que vai rolar a partir da zero hora de quarta-feira, dia 27/07, e se estenderá por 24 horas, até à zero hora do dia 28/07.


Vamos mostrar que o brasileiro está de olho no que o senhor Ricardo Teixeira está aprontando dentro e fora das quatro linhas na Confederação Brasileira de Futebol.
Mais do que um movimento pela transparência administrativa nesta instituição, o que buscamos é fazer com que este assunto não seja, MAIS UMA VEZ, abafado por aqueles que tiram proveito da falta de informação de todos nós brasileiros.


Como participar:


No Twitter:

Divulgando o link: http://foraricardoteixeira.com.br/megatwittaco
Divulgando a hashtag #FORARICARDOTEIXEIRA
Convocando seus amigos para participar do MEGATWITTAÇO
Seguindo e divulgando os perfis @foraoficial e a fan page #FORARICARDOTEIXEIRA http://on.fb.me/qazU7r


Você foi convocado. Entre em campo com gente!

Acompanhe a contagem regressiva para o MEGATWITTAÇO #FORARICARDOTEIXEIRA através do link:
http://foraricardoteixeira.com.br/megatwittaco

domingo, 24 de julho de 2011

As lições da Copa América


Dá gosto ver a seleção uruguaia jogar. Dá gosto e inveja. É um time técnico, com padrão de jogo, e muito raçudo. O Uruguai do treinador Oscar Tabárez, de Luizito Suárez e Diego Forlán, ensinou como passar pela dita intransponível retranca paraguaia. Fez-se justiça na Copa América. Já pensaram no Paraguai campeão como mais um empate e nova vitória nos pênaltis, sem ganhar uma partida sequer? Qual seria a graça?

Por isso o futebol sul americano deve festejar o título uruguaio, o 15º na Copa América. Brasil e Argentina não ficaram nem entre os quatro primeiros, posições ocupadas por Uruguai, Paraguai, Peru e Venezuela. Algumas observações pertinentes em razão dos últimos resultados da Copa do Mundo e da recém encerrada competição na Argentina: faz tempo não temos mais o melhor futebol do mundo. Na América do Sul este laurel pertence ao Uruguai. E vamos parar de classificar de surpresa qualquer participação destacada no nosso continente, ou mesmo fora daqui, que não seja de Brasil, Argentina ou Uruguai. Venezuela e outras equipes sul americanas menos respeitadas têm hoje seus principais jogadores em clubes europeus, formando um contingente de qualidade e muita experiência em confrontos internacionais e nos principais campeonatos da Europa.

O que vimos na Argentina foi uma mostra desta nova realidade que devemos enfrentar deixando de lado a soberba, encarando o futuro com humildade e planejamento sério. Em se tratando de CBF isto não será fácil, mas o desafio que temos pela frente é monumental, com três competições em sequência no Brasil: Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo em 2014 e a próxima Copa América em 2015. Qual delas vamos vencer? Ou será que perderemos todas?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ôrra meu

A mentira de R$ 1 bilhão

Quando autoridades de todos os quadrantes começaram a jurar que não haveria dinheiro público em obras dos estádios para a Copa de 2014 meu desconfiômetro ligou automaticamente. O equipamento tem um dispositivo eletrônico que aciona a luz vermelha sempre que a mentira aparece em forma eufemística ou na cara dura mesmo.

Até aqui o vermelho era fraquinho, sinalizando mentiras diárias, mas de baixa freqüência. Com essa do novo estadio do Corinthians, o Itaquerão, a lâmpada quase explodiu. Alerta máximo. Não é para menos, a doação vai ultrapassar R$ 800 milhões, possivelmente chegando a R$ 1 bilhão.

A conta é simples e revela uma engenharia financeira do capeta. Na verdade paulistas e brasileiros do Oiapoque ao Chuí serão garfados pela obra corintiana: R$400 milhões do BNDES, empréstimo a juros subsidiados; R$ 420 milhões provenientes de um criativo imposto chamado de Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento, incentivo fiscal sob nova nomenclatura que vai para um Fundo. Recursos provenientes desse cofre sem fundo chamado Brasil. Exemplo: um empresário com dívida de R$ 7 milhões compra os títulos pagando só cinco, passando a régua no pendura.

A menor contribuição chegará mais ou menos aos R$ 80 milhões e virá do município. E sabem prá quê? Para uma eventual estrutura provisória que aumentará a capacidade do Itaquerão de 48 para 68 mil torcedores, só para a abertura da Copa, exigência da FIFA. Terminou a festa o estádio volta à sua capacidade de origem. Dá pra acreditar? Consolo para nós que pagamos a conta: caso São Paulo não seja escolhida sede para a abertura do Mundial, a cidade economizará os 80 pilas.

Legal, não? De qualquer forma a essa altura recursos federais e do estado já estarão encravados em Itaquera com o Corinthians e seus fiéis torcedores festejando a inauguração do novo estádio, para 68 ou 48 mil espectadores, tanto faz.

A tunga estará consolidada, como se incentivos fiscais não sejam dinheiro público e o BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social uma empresa pública federal. Infelizmente a mentira nesse país tem pernas longas e usa bota de sete léguas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Gol contra


Os aviões da Gol não decolaram nesta terça-feira pela manhã do aeroporto de Congonhas. Ficaram todos em solo paulista por causa de um problema no sistema que controla as operações da empresa. Relatos dos jornalistas que cobriram o assunto desde o começo da manhã davam conta do tumulto e do tamanho das filas que não paravam de crescer.

Imagino o grau da irritação e do desconforto dos passageiros. Essa falta de respeito das empresas aéreas e a omissão das instituições que deveriam botar ordem nesses galinheiros em que se transformaram nossos aeroportos se repetem diariamente.

Segunda à noite levei minha irmã ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz, a gente sabe, uma tragédia em matéria de conforto apesar da fajuta classificação. Ela embarcaria às 18h55 pela Gol. Embarcaria. O vôo 7650 com destino a Buenos Aires, escala em Porto Alegre, foi cancelado sem nenhum aviso prévio aos passageiros, apesar de emails e telefones dos interessados na informação serem de conhecimento da empresa. Manutenção, alegaram suscintamente. A notícia era recebida na “boca do caixa”, no balcão do chek-in, ou através daqueles painéis que anunciam chegadas e partidas.

Solução? Transferência para um vôo da Tam que sairia três horas depois, com direito a um generoso vaucher para janta. Fui ao balcão da Infraero a procura do canal correto para registrar a reclamação. É impressionante a passividade do usuário. Deixa assim, pensa a maioria. Não adianta reclamar, foi o que ouvi em volta.

Ainda assim fui. Como resposta cheia de má vontade do funcionário que me atendeu, recebi um papelzinho, do tamanho de um selo de postagem, com o endereço eletrônico e um telefone 0800 da Anac, a tal agência reguladora (?) do setor. E um adendo do incomodado atendente. Afinal, eu estava perturbando o seu sossego, imaginei pela pose e disposição: “pessoalmente não é mais possível, só através destes endereços que estou lhe passando”, disse o sujeito atirado pra trás, como se estivesse numa espreguiçadeira.. Cheguei a pensar que era seu horário de folga. Estou quase jogando no time dos que acham que não adianta mesmo reclamar.

O que nos espera depois do Maracanazo?

Se errar é humano, mas persistir no erro é burrice, como diz o povo, o que seriam então nossos jogadores que erraram bisonhamente quatro pênaltis na decisão contra o Paraguai?

Vamos pular essa parte, já passou, e a resposta todo mundo conhece. Os craques brasileiros voltaram pra casa e aos seus cabeleireiros, a procura de soluções criativas visando novas aparições na seleção ou em seus clubes. Para os pés tortos não tem jeito, a ortopedia ainda não descobriu cura para a falta de pontaria.

As lições que ficam da Copa América, se é que aprendemos alguma coisa com a fiasqueira do domingo, é a certeza de que, além da revisão da convocação, Mano deve chamar um psicólogo para tratar o time brasileiro e dele mesmo.

O desequilíbrio emocional,a insegurança e a desorientação foram marcas da seleção em todos os jogos. Além, é claro, das inacreditáveis bobagens cometidas pelos jogadores e pelo próprio técnico.

Só elegância e boa educação não ganham jogos, muito menos competições niveladas como a Copa América. Evoluímos nesse quesito, de Dunga para Mano Menezes. Em compensação dentro e fora do campo no mínimo ficamos na mesma, mesmo com os chamamentos - Ganso e Neymar - tão esperados pelo torcedor brasileiro. Não houve evolução técnica nem tática, com o agravante de o time ter nos passado a sensação de que o grupo do Dunga poderia ter feito melhor.

Enquanto pensamos nisso a tarefa do treinador e seus companheiros da comissão técnica é agir rápido em busca da correção de todos os defeitos, novos ou repetidos, que apareceram na Argentina. Logo teremos em casa a Copa das Confederações e em seguida a Copa do Mundo. Com esse time e, pior, com essa postura nada humilde - não temos mais o melhor futebol do mundo -, não venceremos nenhuma das duas Copas. Como chamaríamos um fracasso deste tamanho no Brasil, depois de o maior de todos que foi a derrota para o sempre guerreiro Uruguai no Maracanazo de 1950? Aceito sugestões.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Assim é, assim será


Cada vez que tento gozar as delícias do ócio e parar de escrever sobre essa chatice em que se transformou o futebol, aparece o sacana do Ricardo Teixeira com suas estripulias à frente da CBF. O homem não dá sossego, a não ser para a turma da Globo que, não tá nem aí para as bandalheiras na entidade que manda e desmanda por aqui e em outras entidades similares. Como aquela que tem sede na Suiça, onde certamente as contas bancárias de todos estão bem fornidas e em segurança.

Claro que há gente honesta entre os profissionais do jornalismo global esportivo ou não. Problema é que o patrão botou lá no quadro de avisos um pequeno lembrete: quem ajuda a pagar nossa folha é o Dr. Ricardo. Portanto, nada de reportagens ou comentários desairosos envolvendo o ínclito presidente da CBF, Copa de 2014, coisa e tal. Então, bico calado, em boca fechada não entra mosca e o emprego está garantido.

Motivo destas irritadas e mal traçadas é a entrevista de Ricardo Teixeira publicada esta semana pela revista Piauí. Além de um deboche e primor de cinismo, é um desafio às instituições que deveriam tomar conta do assunto e botar esse cidadão na cadeia. Os palavrões agridem, mas não incomodam tanto quanto a sua certeza de impunidade. O homem chegou a dizer que só começaria a se preocupar quando saísse alguma coisa no Jornal Nacional.

Só pra refrescar a memória dos ainda têm esperança de que aconteça alguma coisa, que alguém perca mandato ou vá preso. A Bancada da Bola prevalece no Congresso, com ramificações por outras casas oficiais da Capital da República. Ou até mesmo aqui em Santa Catarina, onde tem gente se perpetuando no poder à custa de muita malandragem e corrupção. Não esqueçam, a Bancada já deu jeito nisso uma vez, derrubando uma CPI.

Como se já não bastasse o monte de lama – pra não dizer outra coisa – que enche corredores e gabinetes da Câmara e Senado, ainda temos que pagar o soldo de Tiriricas, Romários, Popós e o agora Senador Zezé Perrela, para quem não sabe, presidente do Cruzeiro e um dos fichas mais sujas entre a cartolagem brasileira.

Longe dos gramados, bispos da Record e a cúpula global encenam guerrinha particular, movida por interesses muito distantes da sociedade e tendo como pano de fundo os direitos de transmissão, seja lá de que esporte ou evento for. Cada um faz seu jogo de cena. As discussões mais tormentosas e acaloradas acabam sempre no futebol e seus personagens sinistros, liderados pelo Capo di Tutti Capi, Dr. Ricardo.

Não se iludam com os arroubos de honestidade da Record. Bispos e pastores seguem fiéis arrecadando dízimos para sua pobre igreja e a Globo renovando sua cartilha de sustentação aos que, como ela, e com ela, enchem a burra sugando os clubes brasileiros e fragilizando nosso futebol.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Uma luz no fim do túnel?

Pecos: promessa de gestão moderna (foto Antônio Prado)


A Fesporte iniciou as comemorações dos seus 18 anos de existência com um café da manhã com a imprensa nesta quarta-feira pela manhã. Como sempre acontece – e eu vivi durante os oito anos esta situação quando lá estive como Coordenador de Comunicação – poucos atenderam o convite do diretor geral da instituição, Adalir Pecos Borsatti. Criada em 1993 em substituição à Dide – Diretoria de Desportos – a Fesporte atinge sua maioridade com a perspectiva de mudança radical proposta por quem é do ramo.

Quem não compareceu – a quase totalidade dos jornalistas esportivos que conhecemos – perdeu a oportunidade de ouvir os projetos de Pecos para a Fesporte e o lançamento da nova logomarca. O esporte catarinense, incluindo o futebol amado e idolatrado pela crônica esportiva em geral, passa pelas ações da entidade. São 15 eventos de peso, como Jogos Abertos, Joguinhos, Moleque Bom de Bola, Jogos Escolares, Jogos da Terceira Idade, Parajasc – Jogos Paradesportivos -, entre outros. O calendário destas competições alcança os 293 municípios catarinenses, envolvendo no total cerca de 53 mil atletas em todas as suas etapas, abrangendo as nacionais onde são muitas as conquistas de títulos e medalhas.

Pecos tem mais de 40 anos de vivência no esporte, como ex-atleta campeoníssimo de voleibol e hoje dirigente. Quer, como todos que gostam da atividade, em seus diversos segmentos, o melhor para Santa Catarina. No café com os poucos jornalistas interessados, expôs um plano moderno de gestão 2011/2018, em dois períodos de quatro anos, independente de quem esteja no governo.

A proposta em linhas gerais inclui o aperfeiçoamento dos atuais eventos geridos e executados pela Fesporte, e a criação de outros, como o Eco Esporte Show, para os chamados esportes radicais, cuja primeira edição em outubro terá Florianópolis como sede. Importante também no contexto de gestão moderna será a criação da Casa do Esporte, no terreno onde hoje funcionam algumas federações a própria Fesporte, o Conselho Estadual do Esporte e o Tribunal de Justiça Desportiva de SC.

O primeiro passo para alcançar o sucesso pretendido será driblar as injunções políticas que têm derrubado a grande maioria das boas ações propostas – o Fundesporte é uma delas - em administrações anteriores. A começar pelas nomeações políticas em detrimento das exigências técnicas dos cargos preenchidos pelo clientelismo e interesses contrários às gestões modernas como quer Pecos na sua passagem pela Fesporte.

Tomara Pecos consiga levar adiante suas idéias, para o bem do esporte catarinense, de potencial incomensurável, mas estagnado pelo intervencionismo de oportunistas e políticos que trabalham na contramão dos interesses da comunidade esportiva.

domingo, 3 de julho de 2011

Mentiras e hipocrisia

Morremos e viramos heróis, os melhores, próximos da santidade, dignos de uma lista extensa de homenagens. É assim neste gelado país tropical. Acaba de acontecer com o ex-presidente Itamar Franco.

Basta revirar os arquivos de jornais, matérias de tevê e comentários políticos para desenterrar essa realidade. O Itamar Presidente da República foi achincalhado, chamado de topetudo, graças àquele cabelo revolto e indomável que o caracterizava como uma figura semelhante aos galãs dos anos 50. Quem sabe estivesse aí o charme que teria atraído aquela secretária, razão para tantas intrigas da corte braziliense. Não faltaram fofocas. Ainda teve aquele outro episódio, o da sua acompanhante sem calcinha no camarote do Sambódromo, em um dos tantos carnavais cariocas. Coisa de paparazzi para infernizar a vida do então presidente Itamar, naquele instante em postura incompatível com a liturgia do cargo. Alí, em público, não era lugar para o comandante de uma nação tirar a calcinha da moça.

Morto, virou o homem do Plano Cruzado, o salvador da pátria, o São Jorge do combate ao dragão inflacionário. Os cínicos, seus companheiros ou adversários da época, descobriram no falecido Itamar um grande estadista, um homem íntegro, em solo brasileiro o maior inimigo da corrupção. Só para pontuar: no velório lá estavam, de braços dados, Collor, Sarney e Lula.

São assim essas homenagens aos falecidos, cobertas de contradições, de mentiras e hipocrisia. Ninguém fica nem vermelho ao pronunciar tantas palavras elogiosas, mentirosas e desprovidas de sinceridade. Em vida não valemos nada, essa é a verdade. Fosse possível seria engraçado voltar nas madrugadas feito fantasma para puxar os pés de tantos canalhas.

CORREÇÃO E ATUALIZAÇÃO

O senador e ex-presidente Itamar Fanco é do Plano Real. E, como desgraça pouca é bobagem, seu suplente é Zezé Perrela, presidente do Cruzeiro e um dos cartolas mais mal falados do futebol brasileiro.

As mulheres salvaram o domingo


Nada de Neymar, Ganso ou Pato. Deu Marta e suas companheiras da seleção feminina na vitória de 3 a 0 sobre a Noruega, resultado que valeu classificação antecipada para a próxima etapa da Copa do Mundo de Futebol das mulheres. Marta fez dois gols e confirmou as qualidades que a apontaram por cinco anos consecutivos como a melhor do mundo. Ao contrário dos marmanjos, que precisam trabalhar duro até o jogo contra o Paraguai. Dá tempo, é só no próximo sábado. Essa competição´é assim, espassada, perfeita para a gigolagem da CBF. Desfalca os clubes e esvazia o Campeonato Brasileiro. A cartolagem, incompetente e omissa, acha mais fácil botar a culpa no calendário.

O futebol gelado do time do Mano Menezes esbarrou na medíocre Venezuela. Enganamos um pouco até a metade do primeiro tempo, mas não passamos do zero a zero na estréia na Copa América. Gozamos da Argentina por causa do empate em 1 a 1 com a Bolívia e acabamos o domingo abaixo de “los hermanos”, até duvidando da própria sorte nesta fase de grupos. Pior que o futebol apresentado por nossos bichinhos de estimação, só o espanhol do Mano Menezes na entrevista coletiva.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A matemática do crime e da impunidade

No distante 1995 Edmundo no auge da fama matou três e feriu duas pessoas em um único acidente de trânsito no Rio de Janeiro. Estava embriagado e dirigindo em alta velocidade. Dudu, atacante do Figueirense, acaba de igualar o mal feito do companheiro de profissão no acidente da Via Expressa Sul.

O número de vítimas fatais foi o mesmo, a irresponsabilidade maior ainda e a dose alcoólica semelhante. O agravante nesse caso é que Dudu nunca teve carteira de habilitação. Não que a sua posse represente alvará para o assassinato. A falta do documento apenas escancara mais uma vez os furos de uma legislação que leva à impunidade, não importam a freqüência dos fatos e os números impressionantes de mortos e sequelados.

As estatísticas dos crimes cometidos por embriaguês e alta velocidade, sozinhas ou misturadas, aumentam toda a semana e não poupam vítimas e seus familiares. Os únicos que escapam ilesos são os bandidos do volante, que variam de jogadores de futebol a figurinhas de diversos segmentos da sociedade, conhecidas ou não. Todas protegidas, claro, pelo saldo bancário e pelas costas largas.

Edmundo desde 1995 - dez anos depois esteve envolvido em outro acidente sem mortes e ainda tentou fugir do local - anda livre leve e solto por aí, exercendo sua profissão e agora invadindo a seara jornalística como comentarista da TV Bandeirantes. Na última semana houve um joguinho de cena do judiciário. Não passou disso. Foi preso num dia, solto no outro.

Dudu acaba de colocar seu nome na extensa lista de assassinos do trânsito. Como seu pedigree não é o mesmo, não pertence à mesma linhagem, pode se incomodar um pouco mais que o Animal (apelidinho mais que perfeito, mas para fora das quatro linhas). Embora o Figueirense, por coincidência o clube que recebeu o Edmundo nos estertores da sua carreira, tenha se apressado a dar cobertura ao Dudu.

domingo, 19 de junho de 2011

A indignada conversa de arqibancada

O que mais incomoda no político brasileiro em todos os níveis é sua capacidade de tratar o eleitor, o cidadão que paga impostos e não tem o retorno devido, como se fosse um imbecíl totalmente desprovido da capacidade de raciocínio. Somos todos burros, devem pensar prefeitos, vereadores, governadores, deputados estaduais, federais, senadores e até a presidenta Dilma. Não importa o partido. Estão todos convencidos sobre a nossa falta de inteligência e queí de minhoca. A propósito o blogueiro José Cruz em sua cruzada contra a imoralidade que assola o país, traçou belas considerações sobre o assunto. Assino em baixo e acrescento o comportamento de avestruz dos tribunais de contas, a omissão e conivência do judiciário em suas várias instâncias.

"De repente, o torcedor brasileiro desce da arquibancada, pega o trombone e grita, de olho na Copa 2014.

Na falta de mobilizações de rua, como nos anos 80, quando Lula liderava marchas contra o regime militar e a censura, o palanque eletrônico é o ponto de encontro dos indignados. Ainda bem.

Gritar para empurrar o time, ofender o técnico, o juiz, debater no boteco, criticar o artigo do cronista, o gol impedido, enfim, são rotinas que enriquecem as emoções do esporte.

Mas, agora, o grito tem outro tom.

O torcedor sente a ameaça da sua soberania invadida. O orgulho brasileiro está na iminência de ficar temporariamente sob a tutela de poderosas instituições que vão se beneficiar de muito do nosso patrimônio. Quem sabe, do que nem é oferecido ao contribuinte comum.

Ora, quando o Brasil se candidatou à sede da Copa do Mundo, sabia bem sobre a cartilha da Fifa. Assim como a do Comitê Olímpico Internacional. São instituições poderosíssimas, apoiadas por potentes parceiras: Adidas, Nike, Coca Cola, Xerox, Visa e por aí vai. Isso enche o olho de governos, políticos e empresários. Mas a fatura é altíssima.

No Brasil, em particular, futebol e política têm tudo a ver. Deputados se transformam em cartola e vice versa. Fazem do clube um trampolim. Em alguns casos são as duas coisas. Lembram de Eurico Miranda, Zezé Perrela? Hoje é Roberto Dinamite, cartola e deputado. Romário, por enquanto, e só deputado. Quanta confusão! Ou: pobre eleitor...

Esta estrutura de dualidades, a partir da CBF, sempre teve defensores no Congresso Nacional. A família Sarney que o diga. No Legislativo, isso é garantia de que a pressa é amiga da correção... Corrige-se a lei para ganhar tempo e pular etapas importantes de um projeto de obras onde o dinheiro público é indispensável.

É neste panorama que ocorre a discussão sobre obras para a Copa 2014: licitações, empenhos, contratos, financiamentos, cronogramas, prazos, auditorias, etc ingressaram no vocabulário do torcedor mais indignado. É o novo idioma na conversa de arquibancada.

No governo, tudo é feito e discutido às pressas. Assim, a pretexto da falta de tempo e dos prazos esgotados passam as exceções. Atualiza-se por uma medida provisória a Lei das Licitações (nº 8.666) de forma apressada em sem discussão. É a forma, insisto, de compensar a falta de planejamento. Proposital? Afinal, não foi em 2007 que recebemos a notícia da Copa 2014? Quatro anos...

Mas esperar o quê de políticos? Justamente isso: quanto pior melhor.

Como disse um editorial que li ontem, mais ou menos assim: “A Medida Provisória que se discute (sobre licitações) é o habeas corpus para a bandalheira”.

O governo se assusta e diz que “não é bem assim”. Discursa como se fôssemos burros e não entendêssemos a linguagem dessa gente."

domingo, 12 de junho de 2011

Dragões da República


Li na coluna do Ancelmo Gois que a presidenta Dilma, as ministras Ideli e Gleici formam um trio que cospe fogo. É muita sacanagem e demonstração de mau gosto incluir a bela senadora Gleici Hoffmann na categoria “Dragão”. Decidam quanto as outras duas.

domingo, 5 de junho de 2011

SOS 10


Começou a pegação no pé do técnico Mano Menezes. A seleção não ganhou dos adversários mais fortes, França, Argentina e Holanda. A derrota para os argentinos, com gol espetacular do Messi ficou entalada na garganta da grande mídia e esquentando a cabeça dos jornalistas, principalmente do Rio e São Paulo.

O regionalismo exacerbado sempre atrapalhou a seleção brasileira e está se manifestando com força total nestes primeiros tempos de Mano. É duro pra essa turma aceitar o predomínio de treinadores do sul nos principais clubes do país, como Cuca no Cruzeiro, Felipão no Palmeiras, Tite no Corínthians, Renato no Grêmio, Falcão no Inter, Adilson Batista no Atlético PR e o Mano Menezes na seleção.

O empate em zero a zero com a Holanda, a má apresentação do time no primeiro tempo e as vaias no fim do jogo encheram de argumentos os que já decidiram bater forte no trabalho do Mano. Há uma partícula de verdade a alimentar a conhecida xenofobia carioca e paulista: a inexistência de um bom camisa 10 e a consequente falta de criatividade do meio campo, escalado praticamente com três volantes. Elano não é nem nunca será um meia de ligação, deficiência evidenciada no completo desarranjo do time no primeiro tempo em Goiânia. Sem falar na ineficiência de Robinho.

Parece que com Ganso machucado não há solução para essa carência grave manifestada a cada jogo. Será ele o único? Infelizmente parece que sim. Os recursos na posição realmente são escassos. Os melhores meias de criação atualmente no futebol brasileiro são argentinos, Montillo no Cruzeiro, Conca no Fluminense e Dalessandro no Inter. Douglas do Grêmio foi chamado e não confirmou. O resto são promessas que enchem de indagações e suspeitas o torcedor e a mídia. O fato é que está todo mundo assustado, desculpem o clichê, com a ganso-dependência, verdade irrefutável que começa a contaminar as análises dos grandes nomes do nosso jornalismo esportivo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Quem inventa é...


Não gosto de escrever sobre jogos e seus resultados. Tem muita gente boa e competente para fazer isso entre os profetas do acontecido, torcedores travestidos de jornalistas e outros que são torcedores assumidos. Não nos esqueçamos dos verdadeiros birutas de aeroporto, cuja opinião é comandada pelos ventos que costumam soprar forte no Scarpelli e na Ressacada, principalmente em tempos de pesca da tainha.

A derrota do Avaí está nesse contexto, com conclusões para todos os gostos, e o óbvio pululando por microfones e colunas de jornais. É uma realidade imposta pelo futebol e tento circular pela periferia dos fatos. Mas não há como fugir e acabo inserido na turba para dar meus pitacos. Pra começo de conversa embarco na obviedade: o técnico do Avaí é um genérico hilário do personagem Disney, o Professor Pardal.

A cada jogo uma invencionice. Vai dando certo até o primeiro grande tropeço, geralmente nos momentos decisivos. Como aconteceu no campeonato catarinense e repetiu-se quarta-feira à noite na Ressacada, eliminando o Avaí da Copa do Brasil. Silas inventou tanto, mas tanto, que conseguiu irritar a torcida antes mesmo de o jogo começar. Era o anúncio da tragédia provocada por experiências inoportunas e absurdas.

Durante todo o dia e até o começo da noite houve muito oba-oba, muita paparicação sobre treinador, jogadores e dirigentes. Nenhuma perguntinha, uma só que fosse a respeito das possibilidades de um time com deficiências escancaradas e por que até aqui não foram sanadas, ou sobre os mistérios de Silas na escalação. Porta arrombada, o mundo desabou e vieram críticas ferozes, as constatações óbvias. O Avaí tem sérias carências, o treinador inventa muito ao escalar e mexer no time, enquanto diretoria e parceiros vivem tapando o sol com a peneira.

Não fosse o personagem tão antigo daria para pesquisar de qual vestiário o desenhista Carl Barks tirou inspiração ao criar para a Walt Disney Company o Professor Pardal e suas desastradas invenções.

terça-feira, 24 de maio de 2011

País de Ali Babás

A BBC londrina merece crédito, ao contrário daqueles tablóides sensacionalistas muito ativos na mídia inglesa. Então podemos acreditar, segundo denúncia da tevê, que Ricardo Teixeira, o imexível presidente da CBF, foi subornado em votações para a escolha de duas sedes da Copa do Mundo. Os ingleses perderam os mundiais de 2018 e 2022 para Rússia e Qatar, respectivamente. Reza a lenda que Teixeira já devolveu parte do dinheiro recebido para sustar a divulgação do processo da venda de votos. Azar dele que um juiz do tribunal suíço deu com a língua nos dentes e o escândalo bateu às portas da CBF.

Mais um crime apenas. A diferença é que estamos nos preparando – estamos mesmo? – como anfitriões da Copa de 2014. E daí? Não vamos nos esquecer que em nosso amado e idolatrado país a impunidade premia, conforta e protege ladrões e assassinos que circulam no patamar mais alto de nossa sociedade. Como dizia aquele personagem do Chico Anísio, “o povo que se exploda”.

Presidentes, senadores, governadores, deputados, desembargadores, juízes, jornalistas de alta patente – sim, por que não? – vivem em uma bolha, blindados contra qualquer ação punitiva. Querem exemplos? Lembrem do passado recente, nossa jovem democracia ainda fresquinha.

O que houve no governo Fernando Collor deve ter sido um equívoco, resultado de denúncias vazias. Onde está o homem, onde estão seus asseclas? No Senado, na Câmara, por aí. As privatizações no governo Fernando Henrique são até hoje um mistério insondável. Os mensaleiros do Lula seguem assombrando o país. Volta e meia retornam na pele de Ministros de Estado para puxar nossos pés para que não os atrapalhemos na nobre missão do enriquecimento rápido.

Como Juscelino em seu Plano de Metas queria desenvolver o Brasil 50 anos em cinco, essa turma também quer mudar rápido, da conta poupança popular para conta bancária na Suíça. Justo onde Ricardo Teixeira gosta de operar. Enquanto isso tente utilizar hospitais, experimente matricular seus filhos em escolas e universidades públicas, se arrisque a transitar com segurança pelas ruas da sua cidade ou viver tranquilo dentro da sua própria casa.

Bandidos, todos eles. O presidente da CBF está sendo acusado de corrupção, coincidentemente junto com seu ex-genro João Havelange. É só mais um caso. Aqui mesmo temos um companheiro seu, marajá da Assembléia e presidente eterno da Federação Catarinense. Nome dele? Delfim Pádua Peixoto Filho. É a casa onde os inválidos, um a um, ouviram a célebre frase: "levanta-te e anda, vai gozar da tua gorda e merecida aposentadoria".

A nossa mídia esportiva prefere se dividir entre a conveniência de afagos e programas esportivos tansformados em humorísticos. A parte séria, cansada de dar murro em ponta de faca, logo, logo vai esquecer o assunto. Além do mais já temos ladrões do dinheiro público e corruptos de toda a ordem para nos entreter. São bem mais do que 40 ladrões.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Complexo de vira-latas

Alguns companheiros do jornalismo esportivo andam furiosos com o tratamento dispensado aos nossos clubes pela apressada e imediatista mídia do centro do país, leia-se Rio e São Paulo. Não adianta só fazer beicinho e ficar magoado com o que dizem por aí especialmente sobre Avaí e Figueirense. A solução para amenizar ou até eliminar as críticas é nossos representantes mostrarem bola, qualidade, competência, bons times formados por jogadores não comprometidos apenas com interesses seus e dos empresários. Idem para dirigentes e técnicos chegados a agradinhos indevidos.

Não tem outro jeito e a responsabilidade, nesse caso, deve ser dividida. O Avaí, por exemplo, deu vexame no Rio de Janeiro diante de um adversário contestado até pelos cariocas. Ronaldinho foi desencantar justamente contra o time inventado por Silas com a desculpa de poupar jogadores por causa da Copa do Brasil. Bobagem pura. Então tá, para sumir com a desconfiança geral e calar os críticos agora cabe detonar o Vasco na Ressacada e garantir presença na semifinal. Se não for assim, aguentem a cornetagem.

Campeonato brasileiro, todos sabem, é longo e desgastante. Por isso é importante não perder de vista projetos que garantam uma boa campanha e regularidade na pontuação desde o início. Para cumprir essa missão com dignidade há que ter elenco e time.

O Figueirense, creio eu, surpreendeu sua própria torcida ao derrubar o favoritíssimo Cruzeiro, um dos candidatos ao título. E o time, uma incógnita e sem muitas alterações em relação ao estadual, estava há mais de mês sem entrar em campo, uma boa desculpa em caso de resultado negativo. É assim que se faz boa campanha. A vitória motiva e dá segurança, mas é bom conter a euforia. Vem aí o São Paulo no Morumbi, boa oportunidade para mostrar o que temos para oferecer e onde queremos chegar.

Passando pela série B o Criciúma já tomou um susto. O empate arrancado contra o Guarani deve ser creditado, em parte, à irregularidade do gramado, grande colaborador no primeiro gol. Agora tem jogo fora e o tropeço em casa obriga a uma vitória como visitante.

A realidade é essa. Estamos começando, faltam 37 jogos, por enquanto é só falatório e não há nada encaminhado em um campeonato que só termina em dezembro. O resto é ressentimento provinciano, coisa meio jeca de quem se sente sempre em condição de inferioridade. O tal complexo de vira latas sobre o qual se referia João Saldanha ao criticar conceitos da sua época quando se falava do futebol brasileiro. Deixem os cães ladrando e façam a caravana passar. Não vamos dar razão ao Saldanha passado todo esse tempo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Camisa ou outdoor?



Virou moda o desfile para divulgação de novos uniformes. Como fizeram Avaí na terça-feira e fará o Figueirense em plena quarta-feira de Copa do Brasil e Libertadores. Não há novidades nos paramentos de jogo e passeio-viagem para o Campeonato Brasileiro que se avizinha. O único progresso é a numeração fixa e o nome dos jogadores nas costas, uma boa nova para narradores e comentaristas de rádio e tevê que andam meio perdidos com o desaparecimento dos números nesse arranjo confuso patrocinado pelas empresas que pingam mais recursos nos cofres dos clubes brasileiros.

Além de descaracterizar as camisas que carregam anos de história e tradição, o comprometimento excessivo que agora inclui também os calções - geralmente na bunda - transforma os jogadores em verdadeiros outdoors ambulantes. Todavia, apesar do exagero parece que os marqueteiros não se deram conta de que o assunto ainda não sensibilizou comissão técnica e jogadores.

Geralmente os treinadores optam por figurino próprio, ignorando as marcas negociadas para serem expostas a cada jogo. Vale roupa social completa, como gosta o Luxemburgo, independente do clima, ou paletós elegantes como prefere Falcão. Ou ainda o nepotismo do prêt-à-porter, como fez Dunga em plena Copa do Mundo para divulgar os modelitos de uma designer de moda, casualmente sua filha. O Zagalo deve ter adorado ver a beira do campo o técnico da seleção brasileira sem a “amarelinha”, como ele chama. Comprovadamente o único quesito comum aos dois é a rabugice.

Os atletas fazem pior, tirando a camisa no intervalo ou no fim da partida para troca com adversários. Quando não, fazem besteira ficando descamisados nas comemorações de gols. De torso nu acabam sendo punidos pela arbitragem com cartão amarelo, ou até vermelho, se já receberam algum tipo de pena prevista na regra. Nesse caso as entrevistas e movimentações em momentos importantes no gramado de modo geral deixam os patrocinadores a ver navios. Eles só aparecem naqueles painéis das enfadonhas entrevistas coletivas.

domingo, 15 de maio de 2011

Hora extra para o Senhor Jesus


Assisti às decisões do domingo, dia apropriado às preces, com um olho no padre, outro na missa. Concentrado especialmente na final entre Chapecoense e Criciúma, zapeando pelo Grenal e Santos contra São Paulo, cheguei a uma conclusão que pode valer uma reclamatória trabalhista vinda lá de cima. Ouvindo as entrevistas e os agradecimentos pós-jogos percebi que o Senhor Deus fará jus a um montão de horas extras. Ficou claro nas declarações e camisetas de muitos jogadores. Deus trabalhou e protegeu todos os clubes envolvidos com as finais dos estaduais. Isso que nem consultei o nordeste, fiquei apenas por São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até porque na Bahia a turma se garante sozinha, sem necessitar de ajuda externa

Murici Ramalho contou com o socorro dos céus para levar o Santos ao título paulista, mais um na carreira deste vitorioso treinador. O Senhor deve suar a camisa para ajudar a saciar a fome de títulos do Ramalho. Outra ajudinha providencial salvou a pele do Falcão no Inter, com pouco mais de um mês de casa e já com o cargo ameaçado. Deus chegou a tempo no Estádio Olímpico para contribuir com a vitória colorada nos pênaltis. Bem que eu notei uma sombra estranha conduzindo a bola para dentro do gol na cobrança do Zé Roberto e que o goleiro do Grêmio não conseguiu defender.

Agora, trabalheira mesmo deram a Chapecoense e seu treinador, o tetra-vice Mauro Ovelha. O homem não dava jeito de ganhar um título. Só conseguia o segundo lugar, duas vezes com o Atlético de Ibirama, uma com o Joinville e outra com a própria Chapecoense. Mas finalmente Mauro e seu rebanho chegaram lá, passando por uma decisão complicada contra o Criciúma e que só teve final feliz, os jogadores garantem, graças à intervenção do Senhor Deus.

Como só Jesus salva, pelo jeito ele teve que trabalhar em dobro no domingo, justo o dia em que a hora extra deve ser paga em dobro.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Boas lembranças


Ao fundo, à direita, o magrinho Nei com aturma do JSC

O Nei Duclós não vai ficar brabo comigo por reproduzir na íntegra o texto que publicou no seu blog hoje. Batem no coração as lembranças retratadas com sutileza e precisão cirúrgica pelo Nei. E não é saudosismo. É a falta que sinto de um tipo de jornalismo que morreu faz algum tempo. A evolução tecnológica facilitou e a preguiça – hoje não se levanta da cadeira para fazer matéria - matou o jornalismo de qualidade, aquele que nos botava para fora das redações todos os dias correndo atrás da informação e lutando contra o horário de fechamento. Quero, sempre que possível, divulgar o belo e competente texto deste poeta, escritor e jornalista. Com ele as palavras não têm sossego. Ainda bem. Vale a pena jogar confete nesse cara, a quem admiro desde o início dos anos 70 na criação do Jornal de Santa Catarina e na enfumaçada “mansão” que compartilhamos em Blumenau.

Por Nei Duclós

Fiquei alguns meses em São Paulo morando de favor e fazendo uma matéria por mês no Jornal de Investimentos, editado pelo Celso Ming, e que era um dos veículos do grupo da Gazeta Mercantil. Meu tema eram empresas que tinham acabado de entrar nas Bolsa de Valores. Ming esmigalhava meu texto sem dó e me obrigava a reescrever um monte de vezes. Cansado daquela vida, resolvi viajar para Florianópolis, onde amigos meus tinham alugado uma casa. No primeiro churrasco, fui avisado por Ayrton Kanitz que Jorge Escosteguy trabalhava em O Estado e precisava de um redator. Era minha especialidade: o copy.

Sempre admirei repórteres mas não estava talhado para a função. Nas primeiras matérias me colocavam no copy. Aproveitavam meu texto para corrigir o dos outros. E nisso fiquei,praticamente a vida toda, com algumas incursões nas reportagens e na edição. Quando cheguei na redação, Scotch brincou escondendo-se atrás da Olivetti. Nos conhecíamos do tempo da Folha da Tarde, dois anos antes, da Caldas Junior de Porto Alegre. Acabamos morando perto e remando sem parar no jornal, fechando os noticiários de Nacional e Internacional. Lá estava o Aluisio Amorim, também copy do Scotch.

Lembro que choveu demais aquele ano de 1972 e nos perguntávamos quando teríamos a ilha da magia. Scotch era um dínamo e vivia em conflito com a chefia da redação, a cargo do gentil Marcilio Medeiros, filho. Havia pessoas pacatas como Laudelino Sardá, que jamais se metia em brigas, jovens talentos como Cesar Valente e outros mais animados, que gostavam de implicar com nossa biografia e se perguntavam o que fazíamos ali na terra deles. Na época da repressão braba, todos nós estávamos sob suspeita. O problema era a política, mas meu cabelos compridos denunciavam alienação. Eu, pelo menos, não aparentava perigo. Não iria pegar em armas, já que tinha ainda o agravante de fazer poesia. Já o Scotch, sempre disseram que ele era do partidão, mas nunca vi isso confirmado. Para mim, era um espírito livre, anti-ditadura, como todos nós.

Um belo dia o Matusalém Comelli, que era dono de O Estado, convidou o Kanitz para trabalhar lá. Mario Medaglia, bamba do noticiário esportivo e "jornalista desde que nasceu" também viera do JSC a convite de O Estado, assim como eu e Virson Holderbaum, amigo certo desde os anos 60. Ayrton Kanitz dava show na sucursal do Jornal de Santa Catarina na capital e fazia concorrência pesada. Foi convidado para determinada função, não lembro qual, mas depois de ter pedido demissão, foi informado que seu cargo era outro. Faria coisa diferente do combinado. Foi o que fiquei sabendo, não tenho detalhes de quem partiu a decisão. Isso causou estranheza entre a gauchada, que resolveu pressionar a direção para cumprir a palavra. Em vão. Resultado: a maioria saltou fora e foi assim que se deu o quiprocó de O Estado. Acabei indo mais tarde para São Paulo, onde pousei na redação da Folha de São Paulo e depois em outras, como canso de repetir nas minhas memórias precoces (já esgotei todos os assuntos, nada mais me resta a fazer na terceira idade; posso ir sestear).

Os fatos assim se deram e acabamos saindo da cidade que tínhamos escolhido para viver (acabei voltando,primeiro em 1981 e depois em 2003; aí, fiquei). Ainda rodei algum tempo desempregado, mas a barra pesou. Migrei primeiro para Vitória do Espírito Santo, onde trabalhei no novo jornal A Tribuna, voltei a Porto Alegre para a Folha da Manhã da Caldas Junior em 1974 e finalmente São Paulo novamente, onde passei por vários lugares. Para que servem essas lembranças, tão prosaicas? Só para dizer que faço parte da proto-história do jornalismo brasileiro, aquele que nem é mais lembrado, já que saudade hoje se sente dos anos 80 para cá. Para trás, já é o mundo perdido.



terça-feira, 10 de maio de 2011

É cara ou coroa?


A torcida do Flamengo já perdeu a paciência com o baladeiro Ronaldinho Gaúcho. Zagalo também. Depois das vaias no último jogo ele acaba de ser brindado pelo ex-treinador em um evento no Rio promovido pelo jornal O Globo com um comentário sobre a sua decadência e falta de vontade para jogar futebol. O Velho Lobo foi mais além, afirmando que na Copa de 2014, aos 34 anos, Ronaldinho não terá a mínima condição de vestir a “amarelinha”, como patrioticamente gosta de chamar a camisa da seleção brasileira.

Em contraponto e em defesa do jogador e seu produto mais valorizado a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, disse em entrevista aos sempre tolerantes e obaobistas veículos cariocas de comunicação que Ronaldinho “ainda é o cara.”

Apesar de nunca ter gostado das patriotadas e do jeito ranzinza do Zagalo, nessa estou com ele e não abro. Ronaldinho hoje tá mais pra coroa peladeiro de fim de semana.

sábado, 7 de maio de 2011

Mateus, primeiro os meus

Leny: só na imaginação do torcedor


Gilberto, bom volante cujo passe pertence à empresa "parceira do Figueirense, recém transferido do Marcílio Dias, serve para o Atlético MG, não serve para jogar em Santa Catarina. O badalado Coritiba tem meio time formado por jogadores que passaram com sucesso pelo Avaí. Com exceção de Davi, que virou artilheiro no Paraná, mas que na Ressacada fazia par com Robinho (de volta ao Avaí) na contestação da torcida. Emerson, Léo Gago, Eltinho e o atacante Leonardo, os que fizeram bem ao time de boa campanha no Campeonato Brasileiro foram embora.Para substituí-los, ninguém da base, nenhum garoto. Coisas do imediatismo, da falta de planejamento e de interferências nem sempre muito saudáveis.

Só negócios onde apenas um lado leva vantagem e fica com os lucros. O clube assume sozinho todos os riscos de um eventual insucesso. Claro, lá adiante há de aparecer no mercado outra agremiação para se submeter ao “sebo” do futebol, criação desse novo tipo de comércio e cujas prateleiras seguem superlotadas.

Simples assim. Não é preciso muita profundidade de análise para entender a nova realidade da grande maioria dos clubes brasileiros médios e pequenos. É por isso que torço o nariz para um tipo de empresário que não é parceiro do clube, mas um mero negociante. Jogador que não serve aos interesses da sua empresa, não joga no time. Na real, nem é contratado. Avaí e Figueirense estão repletos de exemplos. Alguns inclusive serviram para desprestigiar a prata da casa, trocada até por jogadores em fim de carreira, de extenso currículo sem muito brilho, ou com lesões graves e que passam mais tempo no departamento médico do que em campo.

Fico em dúvida sobre o tipo e a qualidade dos exames a que são submetidos os futuros contratados. Como explicar o internamento por quase um ano no departamento médico do Figueirense do atacante de Leny? Chegou como uma das grandes atrações da temporada e até agora não estreou, afastado dos gramados por uma lesão nunca suficientemente explicada pelo departamento de futebol do clube. Quem paga, quem se responsabiliza pelo ônus técnico e financeiro? Como saiu de moda perguntar, saiu de moda também falar a verdade para a imprensa e para o torcedor.

Atualmente não faz o menor sentido investir nas divisões de base. Quem se destaca é mal aproveitado e não consegue mostrar seu futebol. É mal lançado, na sequência fica jogado às traças e acaba no exílio em outros centros, voltando pra casa, ou melhor, para a lista de espera de uma nova negociação. Alguém lembra dos avaianos da base, Johny, Rodrigo Thiesen e Medina, sumariamente afastados? Em Santa Catarina os dois clubes da Capital são campeões nesse tipo de postura, uma praga implantada pelos que se intitulam parceiros. O que é bom para eles, é só para eles. Com raríssimas exceções, como mostrou o Campeonato Catarinense.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Os deuses do futebol falam espanhol


Vergonha, vergonha, vergonha, vergonha... Quatro, isso mesmo, quatro times brasileiros eliminados da Libertadores em apenas uma noite. Sobrou só o Santos, e que se cuide. Passou na terça-feira pelos mexicanos do América ali, ali. O futebol que anda apresentando não é de uma equipe que tem Elano, Ganso, Neymar, entre outros menos votados, mas ainda assim bons de bola e competentes o suficiente para evitar essa vergonheira que começou com o Corinthians antes da fase de grupos. O time paulista, mais Inter, Grêmio, Fluminense e Cruzeiro deixaram o torcedor brasileiro refletindo sobre a garantia de que temos o melhor futebol do mundo. Faz tempo duvido disso. A nova geração de torcedores está sendo enganada com essa ladainha. O coloradíssimo Luiz Fernando Veríssmo resumiu: “foi uma quarta-feira macabra”. Menos para uruguaios, paraguaios, colombianos e chilenos, os carrascos desta tragédia.