segunda-feira, 8 de julho de 2013

Deu pra nós

Fim de semana em Porto Alegre foi de vivências extremas. Na sexta à noite, encontro com os amigos com quem fui criado no bairro Menino Deus, no nosso clube, o Grêmio Náutico Gaúcho. Aliás, a única coisa "gremista" na minha vida. Meus primeiros passos futebolísticos foram no Estádio dos Eucaliptos, velha casa do Inter. Ali ganhei a primeira camisa vermelha.
No sábado à noite aconteceu o incêndio do Mercado Público. Minha geração tem muita história para contar daquele pedaço muito querido da cidade. Nossas madrugadas festivas terminavam no começo da manhã no restaurante Treviso, aberto 24 horas para receber os notívagos. Lá nos esperava uma canja reparadora, com um ovo aberto no meio e uma pimentinha caseira. Barriga quentinha, o sono da manhã era nossa última etapa na cura do porre.
Nos jornais desta segunda-feira os cronistas da cidade fizeram do Mercado Público e sua quase grande tragédia um tema comum. Luís Fernando Veríssimo registrou o fato comentando que o fogo do sábado atingiu nossa memória afetiva. "Qualquer que fosse a dimensão do incêndio a ferida seria a mesma".
Para espanto geral e em meio a tantos lamentos, o gremista juramentado, Paulo Santana, sugeriu a imediata implosão do prédio incendiado. Ele justifica já no título com uma máxima do capitalismo americano: "no parking, no business". Ou seja, sem estacionamento não há negócios. Santana quer uma edificação nova, moderna, com muitas vagas para carros. "Afinal - diz ele - aquilo lá hoje é um shopping onde se vende de tudo. É inconcebível não ter estacionamento".
Daqui a pouco vou passar pelo mercado, como se fosse às compras ou tomar um chope com salada de bacalhau no Gambrinus, herdeiro do Treviso e da cadeira do Chico Alves, pendurada em uma das suas paredes. Mas já estou voltando ligeirinho para Florianópolis, em tempo de aproveitar o nosso Mercado, do Box do Beto, do Alvim, da Toca do Urso e das peixarias. Do jeito que vão as coisas, sei lá onde tudo isso vai parar.

domingo, 7 de julho de 2013

Mais do mesmo

Secretário Municipal de Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre, Humberto Goulart, revelou ao jornal Zero Hora que o "Plano de Prevenção Contra Incêndio do Mercado Público está vencido há seis anos". Agora vão todos a Brasília chorar no ombro da presidente Dilma. Porto Alegre é sede da Copa do Mundo em 2014 e não pode ficar sem um dos seus pontos turísticos mais tradicionais e importantes.
"É uma vergonha. Porto Alegre não tem um caminhão bomba com 30 mil litros de água para contornar um incêndio destas proporções. Vai ter de morrer muita gente para isso mudar". Desabafo de um bombeiro no momento do incêndio, enquanto o comandante da corporação negava a falta d'água.
De chapéu na mão, Prefeito Fortunati vai a Brasília conversar com a presidente da República sobre restauração do Mercado Público. O problema com o Plano de Prevenção de Incêndio estava defasado por causa da morosidade na licitação, segundo o secretário Goulart.

Na foto de Dani Barcellos de ZH, registro da tragédia que autoridades tentam justificar

terça-feira, 2 de julho de 2013

Bem que o povo gostaria


 Governo padrão Felipão dona Dilma? Então dê um soco na mesa, melhore as convocações para ministro, monte um bom time e ganhe alguma coisa. Por enquanto a senhora está sendo derrotada em casa e pode ser substituída ao fim do mandato. O prestígio, ao que tudo indica, já foi embora. A falta de resultados não segura ninguém no comando de qualquer equipe, por melhor que ela seja, E a sua, como se sabe, é pra lá de ruim. Nunca chegou a ser "família Dilma".

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Olé a brasileira


A transmissão não era de uma plaza de toros, os gritos de olé não tinham sotaque espanhol. Inacreditável, o espetáculo era no Maracanã, e terminaria com uma grande vitória por 3 a 0 do Brasil sobre a Espanha, campeã do mundo, bicampeã europeia e invicta há 29 jogos. 

A soberba fez muito mal aos espanhóis, a humildade a raça e a técnica, ajudaram na superação brasileira . A decisão da Copa das Confederações, até o pontapé inicial, apontava para um jogo equilibrado porque o Brasil estava em casa, mas falava-se em favoritismo espanhol, cujo time trazia para o gramado a grife de melhor do mundo. 

A surpresa foi geral, das arquibancadas ao banco da Espanha, onde o atônito Vicente Del Bosque assistiu impotente a uma quase goleada. Ela só não aconteceu por alguns momentos de preciosismo e excesso de confiança dos atacantes brasileiros. O gol de Fred, a dois minutos, e o de Neymar no fim do primeiro, tempo deram o tom do jogo. Fred, no comecinho do segundo tempo fez o terceiro para deixar os adversários em pânico. Nem o pênalti bobo cometido por Marcelo conseguiu reanimar a Espanha, aquela altura desenganada. Sérgio Ramos se encarregou de manter intacto o desfecho fúnebre ao desperdiçar a cobrança chutando para fora. A Espanha morreu ali.

Méritos para Felipão, o homem da estocada decisiva. Não sei se valeu para ele a dica da Itália, derrotada nos pênaltis depois de mostrar como enfrentar um adversário poderoso e até então considerado imbatível. O fato é que o Brasil não deixou espaço para o toque de bola espanhol e mostrou um invejável espírito de equipe. Até  o Hulk, a sua moda, deu conta do recado. A zaga andpu perto da perfeição. Neymar jogou bem, comprovou o quanto vale, mas, o melhor de tudo, é que a seleção mostrou não ser dependente do seu desempenho. Houve um equilíbrio saudável entre zaga, meio de campo e ataque , com envolvimento de todos os jogadores.  Foi a maior qualidade do time do Felipão nesta final. Para surpresa dos espanhóis e da própria torcida brasileira.

O Maracanã e a Copa nos esperam


O que fazer depois desta valiosa experiência na Copa das Confederações? A Itália nos ensinou o caminho das pedras para encarar a Espanha, mas independente do resultado final, não dá para fechar a conta. O Brasil está na decisão no Maracanã, onde vai enfrentar os supercampeões espanhóis depois de passar por gente boa como a Itália e o Uruguai. Na primeira fase atropelou o Japão e ignorou o México, uma touca que já tinha virado sombreiro.

Scolari sente-se a vontade em torneio curto, é sua especialidade. Apesar do pouco tempo para trabalhar desde a demissão de Mano Menezes, as mudanças para melhor são visíveis. Como também é evidente a teimosia do treinador, traço forte da sua personalidade, refletido na formação do grupo e do time que está sendo preparado para o Mundial do ano que vem.

O prazo ficou curto para correções necessárias e urgentes. Por isso a participação em um torneio oficial com alguns adversários de peso foi importante, bem como amistosos fortes contra França, Inglaterra e a própria Itália. Perdendo domingo a avaliação não pode ser de terra arrasada, nem de inabalável confiança em caso de vitória.  

Falta muito para chegarmos à formação ideal. Júlio César é confiável? A zaga brasileira, com perdão do lugar comum, é um queijo suíço. David Luís e Thiago merecem atenção especial, bem como a marcação do lado esquerdo com Marcelo. O meio de campo carece de um organizador, um jogador habilidoso e inteligente, produto raro no mercado brasileiro e que não existe no grupo atual. O Ganso, por exemplo, pode ser o cara, deve ser testado de novo. Neymar pede um puxão de orelha antes de ir para o Barcelona. Age no campo como um menino mimado e como um ator de quinta.  E chega de Hulk. Nem entre os reservas, talvez segurança do Felipão, já que o Íbis não se interessou. Ou canoeiro e titular do Taiti. Soube que o único profissional daquela seleção se aposentou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Troféu Limão vai para...

Coluna Notícias do Dia 28/06/2013


Luiz Mendes/Arte ND
Felipão chutou o balde, de novo, na entrevista após a vitória sobre o Uruguai. Respondeu sempre com aquele sorrisinho irônico, junto com um recado para alguém da imprensa. Já confessou que vive monitorado pelo assessor de imprensa da CBF, Ronaldo Paiva, por Parreira e pelo Groucho Marx Murtosa. Não adianta. Nem a classificação para a final da Copa das Confederações sossegou o treinador brasileiro.

Felipão acusa de jogar contra a seleção quem discorda ou critica. Depois de mostrar uma pequena estatística com números favoráveis ao seu time fez as reclamações de sempre. Mesmo sem citar nomes a mensagem foi clara, todo mundo entendeu. A bronca era com a ESPN Brasil.
Turrão, azedo e rotineiramente mal humorado – a não ser quando toma chimarrão com jornalistas gaúchos, o único amargo que suporta – Felipão segue cheio de lamúrias e confundindo as funções, as dele e as dos repórteres e comentaristas. Não somos seus assessores nem da entidade que paga seus polpudos salários e dos companheiros da comissão técnica, muito menos de jogadores regiamente remunerados.

É um comportamento ditatorial e, acima de tudo, antipático, talvez inspirado na célebre expressão do jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, “A pátria de chuteiras”. O que Felipão não sabe é que Nelson, ao se expressar assim, ironizava os ditadores de plantão que usavam o futebol para mascarar uma situação de horror vivida pela população nas décadas de 60 e 70. Garrastazu Médici e seu radinho de pilha colado ao ouvido compunham a imagem perfeita da época.
A tal família Scolari e o esporte amado pelos brasileiros não precisam disso. Os torcedores podem cantar o hino, incentivar a seleção, colorir de amarelo as arquibancadas. Nada mais além. E os jornalistas são pagos para perguntar, o Felipão para responder. O elogio é consequência do trabalho bem feito, como, ao contrário, a crítica. Simples assim. Aos que pensam e agem diferente concedemos o Troféu Limão.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nem San Gennaro salva

Coluna Notícias do Dia 27/06/2013

Luiz Mendes/Arte ND
Tem gente por aqui desqualificando ou ignorando as manifestações das últimas semanas. As câmaras legislativas, onde estão nossos representantes, permanecem em silêncio. Vereadores dos maiores municípios e deputados estaduais parecem viver em outro país. Não é com eles. Ninguém se mexe, nem um pio, acreditam que mais uma vez tudo vai terminar em pizza.

Pois eu gostaria de lembrar aos senhores parlamentares e aos membros do executivo catarinense que o povo está nas ruas porque cansou de enganação, da inércia, do discurso vazio e da malversação de dinheiro público. Só isso ou querem mais? Eles sabem, só fingem que está tudo bem. Afinal, e falando em pio, nossa agroindústria voltou a fazer negócio com o Japão e a Ucrânia também está interessada nos produtos catarinenses. O governador Colombo ao mesmo tempo comemora a instalação em Santa Catarina de unidades da BMW e Mercedes. E ainda pode vir a Land Rover. Estamos ricos, nossos problemas vão desaparecer entre automóveis de marcas famosas e a venda de frangos e porcos,

Onde entra o futebol nessa história? Não entra. Escrevi a coluna antes do jogo entre Brasil e Uruguai e decidi não ficar apenas na reedição hoje da última final da Eurocopa, Espanha x Itália. Os espanhóis estão confiantes, mesmo depois da polêmica sobre uma confraternização no hotel com convidadas especiais. Só querem saber de bola e reclamam da fofocalhada brasileira. Pensaram até em pedir intervenção da Fifa. Como os italianos vão a campo sem o Balotelli, seu maior astro, e talvez tenham outros desfalques, ficou meio sem graça dar atenção a uma partida onde é escancarado o favoritismo dos atuais campeões do mundo, bicampeões europeus, bons no basquete, na vela, no tênis e no automobilismo.

Este calabrês que vos escreve bem que gostaria de ver outra Itália em campo. Mas a que aí está nem San Gennaro dá jeito. Duvido que o jogo possa terminar em pizza, como gostamos tanto aqui no Brasil.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A manha da Fifa e do Uruguai

Coluna do Notícias do Dia em 26/06/2013
Luiz Mendes/ND
Por mais que agentes da FIFA tentem fixar a atenção dos brasileiros somente na Copa das Confederações, isso não vai acontecer. De repente começaram com uma conversa estranha sobre o comportamento dos jornalistas brasileiros, “preocupados demais” em mostrar as manifestações espalhadas pelo país, com ênfase para a violência e o vandalismo.

Em primeiro lugar querem que imitemos a avestruz, em segundo mentem descaradamente distorcendo a realidade, como se o povo estivesse nas ruas apenas para destruir o patrimônio público e o privado, com movimentos destituídos de qualquer fundamento. Papo de quem não conhece o Brasil e suas necessidades prementes e tem como único objetivo contabilizar lucros financeiros. Faltam à Fifa e seus representantes o fairplay e o respeito pedidos por Joseph Blatter à torcida brasileira.
Dito isso vamos ao futebol e à rivalidade de Brasil e Uruguai, a atração do dia no gramado do Mineirão. Nossos adversários voltaram à cantilena da Copa de 50. Parece que querem nos intimidar com um fantasma que já não nos assombra mais. Seria correto dizer, isto sim, que o Uruguai tem um bom ataque com Luizito, Cavani e Forlan, o que verdadeiramente preocupa o time brasileiro, e uma zaga frágil com a lentidão e a violência principalmente de Lugano.
Como eles tentarão parar o Neymar? É uma resposta que aqueles que estão fazendo a cobertura in loco deveriam cobrar dos sempre saudosistas uruguaios. Será que gostarão de ouvir esta pergunta? Desconfio que já nos primeiros minutos de jogo a conhecida catimba da Celeste vai aparecer. É a provocação que não devemos aceitar, sob pena de desviarmos o foco de um time que hoje mostra razoável rendimento diante de adversários mais complicados como o Uruguai. Como tentaram os italianos após a derrota, acusando a arbitragem de proteger nosso craque. Neymar pode cair menos e driblar mais, bom antídoto contra a manha e a pressão dos uruguaios.

Que não venha a Espanha

Safamo-nos - Ave César, o Júlio que defendeu o pênalti que poderia dar outro rumo para o jogo, mais complicado ainda do que foi. O Uruguai jogou bem, nós jogamos mal, nos valemos das individualidades e do oportunismo de Fred e de um volante habilidoso como Paulinho. Felipão foi esperto, jogou o atleticano Bernard nos braços de pelo menos meio Mineirão. A outra metade, a cruzeirense, torceu meio contida. Oscar mais uma vez foi sacrificado, justamente quando ganhou mais mobilidade com a saída do Kulk e o time ficou mais veloz. Mas aí tem a lógica incompreensível do técnico. Menos mal que tínhamos uma cabeça melhor, a do Paulinho, para marcar o gol da vitória. Agora vou torcer para a Itália.

Conceição

Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em entrevista ao Sportv, justificou o gasto de 28 bi para a Copa listando obras que ninguém sabe, ninguém viu. Ou alguém já percebeu mudanças na mobilidade urbana de alguma cidade, melhorias em aeroportos, estradas, segurança, novos meios de transporte, trem bala...? Pois o Ministro Aldo relacionou tudo isso. Ainda explicou que o dinheiro público para reforma e construção de estádios foi liberado através de empréstimos, como é feito normalmente para qualquer empresa. E como tal será devolvido aos cofres da nação. Então senhor Rebelo, não há do que reclamar. Esse povo gosta mesmo de procurar cabelo em ovo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Cardápios da Copa e a necrofilia uruguaia



Luiz Mendes/Arte ND
Nas semifinais da Copa das Confederações não há nada que nos faça pensar em alguma surpresa ou grandes revelações. A competição é de tiro curto e o tempo escasso para novidades consagradoras. Passaram os mais fortes, ficaram Taiti, México, Nigéria e Japão com suas fragilidades estampadas na lógica de todos os resultados. São países que nos oferecem um cardápio de culinária exótica, e futebolisticamente falando, bastante indigesto para o torcedor. Não existe antiácido capaz de evitar os dissabores provocados por times ruins o suficiente para embrulhar o estômago do menos exigente gourmet esportivo.

Os italianos servem o de sempre e conseguem agradar, mesmo com problemas na cozinha, insegura e confusa. Ainda podem perder um pouco do tempero no seu “primo piatto”. A lesão de Balotelli, se não for aquele “escondidinho” muito conhecido dos brasileiros, vai obrigar a uma mudança significativa no já complicado menu do Prandelli. À Espanha não faltarão ingredientes, estará inteira em campo, oferecendo o melhor da cozinha do chef Del Bosque.

Entre brasileiros e uruguaios não há grandes divergências, falando simplesmente da boa culinária campeira. Estamos de acordo na hora de trançar garfos e facas. Na composição do cardápio futebolístico é que o bicho pega. A missão primeira é alertar o adversário que o endereço do encontro da quarta-feira e o horário mudaram. É chá das quatro, em Belo Horizonte, no Mineirão, e não no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Oura coisa que precisa ficar bem clara para a turma do lado de lá da fronteira é o sepultamento, faz tempo, do defunto chamado insistentemente até hoje de “Maracanaço”. Trata-se de uma morte ocorrida na Copa de 50, a única no Brasil, e que estigmatizou um negro chamado Barbosa, como se fosse ele o assassino. Já se foram os dois, o goleiro daquela tarde fatídica, e o cadáver esportivo com o qual os uruguaios fazem questão de conviver, numa espécie de necrofilia.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um time para o Hulk

Jogo contra Itália com árbitro do Uzbequistão é para perder o sono. Felizmente para o Brasil deu tudo certo. Afinal, fazer quatro gols nos italianos numa partida às ganhas não é façanha para qualquer time. Principalmente para uma equipe que está em obras, como gosta de lembrar o Felipão. Não seja esta mais uma obra tipo as que estamos acostumados a conviver, intermináveis, com constantes trocas de “empreiteiros” e superfaturadas. Em se tratando de CBF não seria novidade.

Marcamos quatro, dois com Fred, um centro avante artilheiro, mas que vive de ciclos, no Fluminense ou na seleção brasileira. Dizem ser comuns em um goleador os períodos de entressafra.  Quem sabe não o brilho do Neymar, decisivo sempre para o time brasileiro. Seria pedir demais. Ficaria contente com um desempenho que não provocasse tanta ansiedade no torcedor e nos críticos. Como nosso treinador e as mulheres suspiram por ele, não sou eu que vou contrariar.

A zaga brasileira vazou pela primeira vez, levando dois gols logo de cara para não deixar dúvida.  Mas ficaram incertezas. O Paulinho, agora do Tottenham, fez falta? O nariz do Davi Luís se comportou bem, o problema foi a perna, espero apenas para esse jogo. O Dante entrou, fez pênalti e comprometeu um pouco. Ora, a Itália não teve De Rossi e Pilro de saída e ainda perdeu mais dois titulares no primeiro tempo por lesão. Quem pode chorar mais?

Oscar decepcionou, Ernane jogou assim, assim. Ficamos mais uma vez por conta do Neymar e suas diabruras. Com menos cai-cai surtiriam mais efeito, como poderia ser melhor a participação defensiva do Marcelo, excelente lá na frente. Felipão precisa urgente arrumar um antídoto para o vazio que aparece do lado esquerdo da defesa brasileira.

No meio de tantas dúvidas, a cada partida da nossa seleção tenho uma certeza e vislumbro uma verdade indesmentível, apesar das aparências, por sinal bastante robustas:  o Hulk seria titular absoluto no Taiti. Ou no Ibis, como queiram.

sábado, 22 de junho de 2013

A fumaceira das ruas e da Copa

Notícias do Dia 22/06/2013


Luiz Mendes/Arte ND
A boataria com ameaças de suspensão da Copa das Confederações tomou conta dos bastidores na quinta-feira à noite. Joseph Blatter, o sinistro presidente da Fifa, abandonou o país e foi almoçar na Turquia, cancelando seus compromissos da sexta-feira por aqui. Desde 30 de outubro de 2007, quando o governo Lula e outros ufanistas conseguiram trazer a Copa de 2014 para o Brasil, armazenamos confusão de sobra. Fomos até ameaçados com um pontapé na bunda pelo secretário de Blatter, Jérôme Valcke. Atrasos e superfaturamento em obras de estádios, aeroportos sucateados e problemas de infraestrutura urbana sem solução começaram a dar razão à impaciência dos donos do Mundial. Um jornalista sul-africano chegou a dizer dia destes que três motivos não o fariam sentir saudades do Brasil: aeroportos, telefonia e internet. Jornalistas estrangeiros reclamam, pedem segurança para eles e suas delegações.
Esse tipo de crítica, procedente, por sinal, seria o pano de fundo para o descontentamento de Blatter, agravado com o povo nas ruas reclamando dos desgovernos e aumentando o quadro de caos que cerca a realização do chamado evento-teste. Como onde há fumaça – e a fumaceira nas ruas é grande – há fogo, fiquemos de olho nessa turma que não tem fair-play, desrespeita a cultura do país e não admite o contraditório. Atrapalha os negócios e diminui os lucros.
Não acredito nas ameaças. Nenhum membro da Fifa jamais poderia sequer sobrevoar o Brasil. Nós é que daríamos o pontapé na bunda deles. Teremos sim futebol no fim de semana. Os italianos, além de assustados com as confusões brasileiras, não contarão com Pirlo, machucado, e De Rossi suspenso. Caminho facilitado para o Brasil conseguir o primeiro lugar do grupo. Fugiremos da Espanha, deixaremos para vingar os pobres e humilhados taitianos quem sabe na final. Antes precisaremos desmentir os boatos e, tudo indica, passar pelos valentes uruguaios na semifinal.

A crítica ofende quem não tem memória

A crítica ofende quem não tem memória - Quando ouço a presidente Dilma querendo mais recursos para a saúde e royalties do petróleo para a educação, acho bom refrescar a memória dos que se sentem ofendidos com as críticas e o clamor das ruas. Em primeiro lugar, esquecem de contabilizar a CPMF, dinheiro que nos foi roubado durante anos sem que até hoje saibamos do seu destino. Deveria ser para a saúde, mas... Aliás, é bom também lembrar os situacionistas sobre este imposto e o discurso do passado a respeito do mesmo assunto. No tempo dos tucanos eram contra, assumiram o governo mudaram o discurso e votaram a favor. Queriam CPMF até hoje.

No seu pronunciamento Dilma ainda requentou o assunto sobre a importação de milhares de médicos, ao invés de anunciar atendimento ao setor saúde e melhores condições de trabalho aos profissionais brasileiros que precisam revalidação de diploma se forem trabalhar fora do país.
Quanto aos recursos para a Copa e Olimpíada, duas observações: esse dinheiro, gasto perdulariamente, poderia socorrer parte das demandas da educação com bons salários para professores de todas as instâncias do ensino público, construção de boas escolas e cumprir com as exigências do ensino e pesquisa nas universidades. Não entendo como desenvolver um país sem educação de qualidade.


A presidente chegou a dizer que os recursos liberados por empréstimos voltariam aos cofres públicos, pagos pelas empresas gestoras das novas arenas e dos estádios reformados. Meia verdade mais meia mentira dá uma mentira inteira. E grande. Estas dividas contraídas para reconstruir o Maracanã, a Fonte Nova, erguer as arenas de Pernambuco, das Dunas em Natal, O Itaquerão, do Corinthians, mais a barbaridade que se gastou no Mané Garrincha em Brasília, serão pagas pelos governos que buscaram recursos junto ao BNDES/programa Procopa/Arenas. É uma parceria que só dá lucro ao privado e muito prejuízo ao público. O Pan 2007 é um exemplo recente, um escândalo engavetado e que pode se repetir em 2014/2016. A companheirada que não gosta de críticas e se ofende com facilidade deveria refrescar a memória para poder refletir sobre isso.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

No embalo do Neymar vamos indo


O entusiasmo com o desempenho da seleção brasileira tem sua razão de ser. Nas últimas semanas empatamos com a Inglaterra, ganhamos da França, do Japão, rasgamos a touca mexicana e garantimos antecipadamente uma vaga nas semifinais da Copa das Confederações. O otimismo de torcedores e imprensa é explícito e o jogo deste sábado contra a Itália, acredito, será disputado sem sustos.

Como Luiz Felipe Scolari fala sempre de um time em construção, não custa olhar o futuro com um pouco de cuidado. Se passarmos bem pelos italianos estaremos prontos para um possível confronto com a Espanha campeã do mundo e bicampeã europeia?

Dependemos do brilho da nossa maior estrela. Neymar, através dos seus lampejos de craque, tem mostrado aos investidores do Barcelona que vale o quanto foi pago pelo seu passe. A seleção brasileira bebe dessa fonte de talento e com ela ameniza a seca de jogadores de alto nível em meio a uma safra nada generosa. A produção tem sido baixa e o consumidor externo leva o pouco que produzimos, prejudicando o consumo interno.

É arriscado lembrar o passado até mesmo recente. Vivíamos outros tempos em que não havia um protagonista isolado, uma andorinha solitária fazendo verão. Pelé, por exemplo, tinha um time quase inteiro de jogadores excepcionais ao seu lado. Ronaldo, Zico, Falcão, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo marcaram época. Mesmo o contestado grupo campeão, em 94 nos Estados Unidos não era de se jogar fora. Bastante unidos lá estavam o goleiro Taffarel, os laterais Cafu, Leonardo e Branco, atacantes como Romário e Bebeto. Era um bom time com força de conjunto.

Hoje, a um ano apenas da Copa do Mundo em casa, não temos certeza do nosso potencial. Por enquanto comemoramos resultados isolados com o otimismo que começa a tomar conta das arquibancadas e de alguns microfones. Já escrevi parecido outro dia e reforço com o chavão contido naquele provérbio português: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Muito mistério por nada



Um dia inventaram o treino secreto. Não sei quem, nem em que lugar do planeta Terra esse monstrengo foi criado. Zico no Japão, Pepe Guardiola, Mourinho, Alex Ferguson, Mano, Abel, Luxemburgo, Felipão, Parreira, Adilson Batista, algum mal humorado de plantão? E são muitos. Quem afinal teve a infeliz ideia de esconder do torcedor o que se passa nos treinamentos?

A finalidade seria preparar jogadas ensaiadas com esquemas capazes de surpreender os adversários, não importa qual. Poderia ser o Cacimbinhas Futebol Clube ou um campeão do mundo. As novidades deixariam boquiabertos torcedores e jornalistas. Pensou-se, então, em repórteres sherlocks, “fresteiros”, puladores de muros, escutadores de trás das portas e experts em adivinhações. 

Providência inútil. Os mistérios e segredinhos têm frustrado os mais ansiosos por novidades.  Apesar da overdose de frescura o resultado visto após dias de treinamentos às escondidas é o pior possível, igual a nada vezes nada. Os escanteios continuam batidos do mesmo jeito, idem os tiros de meta; as saídas de bola dos goleiros são, geralmente, na base do chutão, e as faltas continuam dependentes de um bom cobrador. Nada surpreende, dado a falta de criatividade, ou de opções, dos “professores”. 

Nos meus tempos de repórter, quando acompanhávamos os treinamentos a qualquer hora, a qualquer tempo, em qualquer lugar, conversávamos com jogadores, com o técnico, preparador físico, presidente do clube, tesoureiro, quem estivesse ao alcance e rendesse um bom assunto, uma entrevista reveladora, provocativa, até. Não era preciso pular muro, espiar pelas frestas. Escutar atrás da porta só com crise no clube. Ou ameaça de demissão do técnico, especialidade brasileira que não mudou até hoje. Por último quero explicar ao leitor que, em função do horário de fechamento do jornal, antecipei a coluna, mantendo em segredo meu comentário sobre o jogo do Brasil contra o México.


As tietes que me desculpem


O brasileiro virou a semana dividido entre a rua e as arquibancadas. O noticiário sobre a Copa das Confederações perdeu espaço e quase ficou em segundo plano. Não fossem as coberturas especiais nem a seleção brasileira se salvaria, ainda mais nesse período de transição e incertezas em que vive, tal qual a nação como um todo.

A presença no Brasil de jornalistas de todo o mundo certamente vai ampliar a repercussão dos acontecimentos e da movimentação popular fora dos estádios. Por enquanto o torcedor ainda não se manifestou durante os jogos, o que pode acontecer com o envolvimento cada vez maior do cidadão – agora não só os jovens – que pede mudanças radicais no país. Quem sabe em Fortaleza, no jogo do Brasil, também apareça a força do clamor popular.

Queria falar só de futebol, do time do Felipão, das seleções que nos visitam, do carisma dos taitianos, da polêmica sobre a eficiência do campeoníssimo futebol espanhol, da tristeza que significa a aposentadoria de um craque como o italiano Pilro, dos favoritos, das possíveis zebras, e até dos nossos assuntos domésticos.

Impossível. Enquanto escrevo, feito um polvo midiático, a atenção fica dividida entre a tevê ligada em algum canal, o rádio sintonizado com notícias do país inteiro, e as manchetes dos jornais fartamente reproduzidas em sites diversos. O assunto é um só, seja qual for o tipo de mídia.
Haja cérebro e concentração para pensar no que pode acontecer no jogo desta quarta quando o Brasil terá a chance de garantir sua classificação antecipada. Basta derrotar o México e seremos semifinalistas da Copa das Confederações. Não fossem os acontecimentos dos últimos dias minha atenção estaria voltada somente para o futebol. Peço desculpas, então, às tietes que não deixam o menino Neymar e o galã Fred em paz. Tenho a pretensão de achar que só elas reclamam do foco um pouco desviado da seleção brasileira e seus ídolos.

Quem paga a conta?

Se é possível de ontem para hoje simplesmente reduzir o preço de passagens do transporte urbano como anunciam prefeitos de várias cidades brasileiras, alguém terá que pagar essa conta. E certamente não serão os empresários donos das empresas de ônibus. Olho vivo. Estaríamos lidando com uma ação boomerang?

terça-feira, 18 de junho de 2013

Migalhas e demagogia

Não adianta só diminuir impostos - como anuncia o prefeito de Porto Alegre - reduzindo uma migalha no preço do transporte público. Continuaremos a pagar a conta para não ter vontade nem condições de andar de ônibus. O preço da passagem é uma agulha nesse imenso palheiro prestes a pegar fogo. Nossas autoridades e políticos continuam feito avestruz, escondendo a cabeça e com o rabo de fora. Como fez a presidente Dilma agora há pouco, falando do óbvio sobre o óbvio, demagogicamente, sem encarar a verdade dos fatos do seu e dos governos passados. Só eleição interessa, o povo que se lixe.

Do carreteiro à paella


 Coluna do Notícias do Dia em 18/06/2013
Luiz Mendes/Arte ND
Estou surpreso com a reação dos torcedores que foram ao carreteiro do Figueirense em comemoração aos 92 anos do clube. Não pela vaia em si, mas pelo momento e pelo local escolhidos para a manifestação de desagrado com o trabalho dos atuais dirigentes e do presidente Wilfredo Brillinger. Normalmente isso acontece durante um jogo, nas arquibancadas, como já vi e ouvi na Ressacada, no Scarpelli e em vários estádios.  Durante uma festa de aniversário é novidade, quem sabe uma inspiração agora vinda das ruas pela agitação dos últimos dias. Nelson Rodrigues já disse, brasileiro vaia até minuto de silêncio. Consolem-se, portanto, dona Dilma, seu Blatter e seu Wilfredo.

Alguém leve essa informação brasileiríssima para aquele homenzinho sinistro da FIFA. Aqui se faz aqui se paga, nada de respeito ou fair-play para quem desagrada os mais prosaicos interesses do torcedor, do povo, enfim. E o Felipão que se cuide, porque os japoneses, cansados ou sei lá o quê, deram sua tripla cota de colaboração para que a tolerância se fizesse presente na estreia da seleção brasileira. Amanhã, talvez seja diferente, embora o México que vimos não meta medo em uma equipe que se preze e que tenha bons valores como a nossa. Em todo o caso, touca é touca, e já vestimos algumas vezes a colorida indumentária a nós oferecida pelos mexicanos.
Sem trocar o idioma vamos aos favoritos para levar o título da Copa das Confederações, única conquista ainda inédita para a “Fúria” espanhola. Assisti maravilhado o primeiro tempo contra os aparvalhados uruguaios, o melhor desempenho da era do técnico Vicente del Bosque, estão dizendo os jornalistas de lá. Curiosamente no segundo tempo aconteceu o inverso e o Uruguai salvou-se de uma tragédia. O jogo acabou decepcionante e sonolento. Como não golear parece ser característica da seleção espanhola, vão poupar os amadores do Taiti e confraternizar com eles em torno de uma paella?