terça-feira, 22 de março de 2011

Perguntinhas

Do leitor

Quais motivos teriam levado DEUS nos dar uma terra tão abençoada, sem terremotos e suas consequências, água a vontade, até mesmo para gasta-la em demasia e de forma irresponsável, terra agriculturável, diversidade de alimentos a bom preço, relativa paz social? Vocês não acham que tudo parece assim tão perfeito? Bem, pois temos um Ministro dos Esportes do partido comunista que acaba de receber gordas contribuições do Mac Donalds, do Bradesco e da Coca Cola, um presidente da CBF com uma interminável lista de denuncias,de falcatruas, empresas não declaradas no exterior, maracutaias com políticos, clubes enfraquecidos por interesses escusos de seus dirigentes. Fico pensando se não mereceríamos mais respeito e um pingo de dignidade por parte dos governantes.


Do blog do Mário Marcos de Souza, ex-colunista da Zero Hora

Quando teremos um Michel Platini na CBF? - O imenso fosso que separa, economicamente, o futebol brasileiro do europeu não se explica apenas pelo poderio financeiro dos grandes clubes e pela minuciosa organização. A explicação para a distância entre um e outro também se deve à mentalidade. Querem um exemplo? Nesta terça-feira, o ex-jogador francês Michel Platini, 55 anos, foi reeleito em Paris para mais um mandato como presidente da poderosa União Europeia das Associações de Futebol (Uefa). Platini fica no cargo até 2015. Foi eleito por aclamação.
É uma das diferenças.
Quando veremos um ex-jogador de futebol romper a barreira de cartolas de federações e assumir a presidência da CBF? Do jeito que a situação vai, teremos de esperar algumas gerações de brasileiros antes de chegarmos a este ponto de maturidade – o de entregar o poder da entidade para aqueles que são responsáveis pela grandeza do futebol.
Aqui o futebol virou um feudo de cartolas, um clube fechado, sem brechas. Nomes o futebol brasileiro teria de sobra, ou Zico não poderia ser um presidente bem superior ao atual? Dá para citar outros, o ex-goleiro Zetti, Falcão, Vladimir (o pai do lateral Gabriel, do Grêmio) e tantos outros. Qualquer um deles seria uma espécie de Platini brasileiro – mas, assim como a paz no mundo, este projeto fica apenas no terreno da utopia.
Enquanto não chegamos lá, resta admirar os europeus.
Platini foi eleito não por jogadores, mas pelos presidentes de 53 federações nacionais e integrantes do comitê executivo. No discurso ele fez uma homenagem aos jogadores, qualificando-os como “educadores voluntários que trabalham com paixão e amor pelo futebol”.
- São heróis da vida cotidiana, sem os quais não haveria Beckenbauer, Cruyff, Zidane e Messi – disse, claramente emocionado.
Platini tem vários objetivos nesta nova gestão. Um deles: vai implantar o chamado fair play financeiro, que val na temporada 2014/2015. Significa que clubes sem equilíbrio financeiro serão excluídos das competições europeias (imaginem isso por aqui).
Ele também é defensor do auxílio de vídeos na arbitragem e vai colocar cinco observadores trabalhando com o recurso nas competições. A novidade entra em vigor já na próxima temporada.
Platini foi eleito pela primeira vez em 26 de janeiro de 2007, em Düsseldorf, na Alemanha. Ele derrotou o sueco Lennart Johansson.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Aeroportos para navios

Uma chuvarada hoje pela manhã em Salvador causou estragos consideráveis no aeroporto Antônio Carlos Magalhães. É internacional que nem os nossos,em Santa Catarina, precário como todos Brasil afora, incluindo alguns que ainda cheiram a tinta fresca no nordeste do Lula. No de Salvador o teto de uma livraria desabou, lojas e o saguão foram inundados.

É mais um registro negativo entre tantos que se pode fazer quando o foco são os aeroportos brasileiros, portas de entrada para nossos visitantes na Copa de 2014. Um ano antes tem a Copa das Confederações, evento teste. Em 2016 na Olimpíada, o problema é do Rio de Janeiro, reduto de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, aqueles dois bobos alegres que acabam de participar com os cariocas de uma pantomima paparicante.

Enquanto se repetem os fatos negativos e noticiário envolvendo cifras astronômicas para as reformas, algumas repetidas, de aeroportos e estádios, não conseguimos mostrar ao mundo e aos mandões da FIFA o que realmente podemos fazer como sede de eventos esportivos tão importantes. Até agora só alimentamos a desconfiança e a suspeita de superfaturamento e obras mal explicadas, quem sabe até mal acabadas e que logo necessitarão de reformas.

Enquanto esperamos pelo guarda sol do Amin



Domingo de manhã cedinho fui dar uma espiada na meia maratona, evento da Fundação Municipal de Esportes. Um pouco para matar as saudades da maratona inteira que a Fesporte, a Fundação Estadual, no tempo em que eu trabalhava lá realizava em Florianópolis. Era uma grande competição que a última administração se encarregou de acabar. Roubaram tanto para campanhas políticas e outros fins não tão explícitos que faltou dinheiro para o principal.

Além de acompanhar um pouco o trabalho da Fundação Municipal hoje presidida com eficiência pelo Édio Manoel Pereira, prestei atenção na cara nova da Beira Mar Norte. Ficou bonitinha, mas ordinária. Pelo menos até que aquelas palmeiras melhorem o visual e projetem um pouco de sombra aos passantes, ou aos caminhantes e atletas de fim de semana. Faltam equipamentos esportivos, bares e restaurantes à beira mar. Talvez não seja conveniente. O mau cheiro é insuportável em alguns trechos, e assim será até que o Esperidião Amin tire do baú sua promessa e aquele guarda sol que seria aberto quando a Beira Mar ganhasse condições de balneabilidade. Quando as palmeiras crescerem vou levar minha cadeirinha para esperar sentado e na sombra.

Por enquanto quem está adorando é a cachorrada, com a abertura dos novos sanitários, amplos e de frente pro mar. Prova disso é que a freqüência aumentou. Tem de todas as raças e tamanhos. Terminada a temporada os porcalhões voltaram para a cidade.

O que não tem jeito mesmo é aquele trapichezinho mocorongo que o Dário, o Pato Rouco et caterva pretendem inaugurar com a conhecida pompa e circunstância. Coisa horrorosa, pequeno e imprestável. Tem igual e com melhor serventia em Barra Grande, uma vila de pescadores com 1.500 habitantes que conheci no sul da Bahia. E nem por isso a turma de lá se acha no direito de reivindicar o título de capital do turismo baiano.

Ele não é o cara

O Barak Obama veio aqui e falou em ditadura como se os EUA não tivessem nada a ver com isso. A turma aprende rápido: no Brasil é só falar em mengão, samba, futebol e nas belezas naturais do país que fica o dito pelo não dito. Ah, conhecer uma das nossas favelas e bater bola com um negrinho pega melhor ainda. Vou me esconder rapidinho antes que o Serviço Secreto deles dê um jeito nesse antiamericano

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um time com a cara do Dunga


Dunga está afastado do futebol, escondido no bairro de Ipanema, não o do Rio de Janeiro, onde não teria paz, mas em Porto Alegre, caminhando no calçadão à beira do Guaíba, protegido pela mídia gaúcha, por seus conterrâneos e admiradores. Nem por isso estamos livres dos seus conceitos sobre o que é bom para o futebol, aplicados naquela seleção brasileira horrorosa.

O homem tem os seus discípulos e seguidores. Um deles veio para Santa Catarina, quem sabe para expandir os ensinamentos onde o medo predomina sobre a ousadia e o foco no futebol ofensivo. Jorginho, o novo técnico do Figueirense, mostrou em Joinville que aquele time ligeiro e que jogava pra frente está com os dias contados.

Um gol é suficiente para atender à proposta implantada pelo treinador que foi auxiliar de Dunga na última Copa do Mundo. Caso tenha assistido à partida contra o Joinville, Márcio Goiano deve ter pulado no sofá quando um volantão substituiu a habilidade do meia artilheiro Breitner e atraiu o adversário para a fronteira do perigo, as proximidades da grande área.

A torcida do Figueirense que trate de se acostumar. O time tem nova cara nas mãos de Jorginho, como treinador fracasso no América RJ e Goiás. Um a zero é goleada, empate é vitória, não importam as circunstâncias do jogo, a posição na tabela ou as consequências de uma vantagem jogada fora. É um jogo só, mas o fantasma do Dunga assombra o Orlando Scarpelli.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um olho no peixe, outro nos gatos

Tudo, mas tudo mesmo, o que envolve a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Brasil é motivo para polêmica, suspeitas e muita desconfiança. O Senado aprovou terça-feira a criação da APO (Autoridade Pública Olímpica), estatal que vai organizar os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

É a mais nova proposta para muitas discussões e controvérsias graças, nesse caso, à reação de alguns senadores ao resultado da votação (46 a 13) que inclui a emenda do deputado Marco Maia (PT-RS), prorrogando sem licitação cerca de 6,4 mil contratos de concessionárias comerciais dos aeroportos administrados pela Infraero. Os senadores descontentes – o que não significa dispostos a evitar a roubalheira - vão propor à presidenta Dilma Rousseff o veto dessa emenda.A rejeição total desta MP só não aconteceu agora para evitar que ela caducasse, obrigando a uma nova votação a partir da Câmara.

Entre os contratos estão os firmados por lojas e pontos comerciais instalados nos principais pontos do país. Os lojistas reivindicam a prorrogação especialmente no período da Copa de 2014 e das Olimpíadas, quando o movimento nos aeroportos será maior.

Depois virá a discussão sobre quem vai comandar a APO e o número de empregos que a estatal poderá oferecer. O Ministro do Esporte, Orlando Silva, cobiçou o posto mais importante, mas foi descartado, segundo informações que circulam pelos corredores do Palácio do Planalto. Seria muita concentração de poder em um só Ministério e que tem sido alvo de muitas acusações sobre o mau uso do dinheiro público.O chefão, convidado por Dilma, será Henrique Meirelles, ex-Banco Central, guardião da chave do cofre durante a gestão Lula.

Já foi reduzido de 484 para 181 o número de cargos a serem criados na APO, com salários de até R$ 22 mil. Em outro item do texto recém aprovado e que vai à sanção da presidenta, está a proibição de alteração de contratos e aumento de valores após concluídas as licitações.

Tomara sejam verdadeiramente boas as intenções dos senadores contrários à emenda do deputado petista e a outras distorções que apareçam mais adiante. Ou então seguiremos o roteiro tradicional traçado pelos legisladores deste país em todas as suas esferas. É o que temos, até o momento, vislumbrando a organização no Brasil de Copa do Mundo e Olimpíada.



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terça-feira, 1 de março de 2011

A culpa é sempre dos outros


O que estava escondido nos bastidores veio à tona domingo com a derrota do Figueirense para o Criciúma. O técnico Márcio Goiano insinuou em declarações pós-jogo que alguns de seus pleitos envolvendo contratações não foram atendidos pela diretoria. O que era uma verdade.Bastava olhar para o banco de reservas. O treinador não tinha alternativas para a necessária virada de jogo.

O presidente do clube, Nestor Lodetti, não gostou das insinuações e segunda-feira à noite vieram a réplica e a grande surpresa com a demissão de Márcio Goiano, que vai fazer companhia a Adilson Batista, dispensado pelo Santos domingo. Sem açodamento, mas com dificuldades,Goiano formou um bom time, trouxe o Figueirense de volta à serie A do Brasileiro e foi à decisão do turno do Catarinense.Mas, em uma só partida ele acabou perdendo demais, desperdiçando a chance de garantir vagas na final do Estadual e na Copa do Brasil do ano que vem.

A torcida não cobrou por essa derrota, apesar do tamanho do estrago. Pelo contrário e, fato inédito, mostrou solidariedade ao Márcio protestando contra o ato dos dirigentes. Enfim, o Figueirense não foi nada original, transformando Márcio Goiano no mordomo do caso, ou seja, o único culpado pelo fracasso de domingo, ignorando que o grupo era frágil e subestimara um bom adversário, responsável pelas duas únicas derrotas do time no turno, a última delas fatal.

Seguindo o ritual macabro do futebol brasileiro de cortar cabeças, a meta agora é encontrar um treinador que faça mais que o demitido. Sem agregar qualidade ao elenco não vejo como o futuro técnico possa alcançar o sucesso desejado por dirigentes e torcedores. De bom mesmo é que a vitória do Criciúma deu novas cores ao returno acirrando rivalidades, especialmente a da Capital, na busca da segunda vaga na Copa do Brasil e na final do nosso campeonato.


ATUALIZANDO - Com o fim da era Márcio Goiano começa a era Dunga, desculpem, Jorginho. Márcio é tucano novo, recém ultrapassou as quatro linhas para ocupar a posição de treinador à beira do gramado. Jorginho tem fronteiras ampliadas, jogou em grandes clubes no Brasil e pelo mundo. Também passou pela seleção brasileira como jogador e como auxiliar do Dunga.A conferir o que o Figueirense vai lucrar com essa troca que não agradou à torcida.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rede Globo x Clube dos 13

Na medida em que o tempo foi passando desde o início deste embate ficou claro que tipo de interesse estava em jogo. O primeiro objetivo era implodir o Clube dos 13. Ricardo Teixeira e sua CBF precisam manter o controle das ações, o que ficou inviável desde a derrota de Kleber Leite para Fábio Koff na última eleição do Clube. Pra começar a implantação da discórdia, a Taça das Bolinhas foi para o São Paulo, um agradinho ao desafeto de Teixeira, Juvenal Juvêncio, presidente do clube paulista. Em seguida o Flamengo obteve o reconhecimento do título de 1987. “Pressão dos meus filhos” justificou bobamente Ricardo. A justiça entrou neste baile de cobras e obrigou o São Paulo a devolver a Taça para o Flamengo.


Do outro lado apareceu o Sport Recife, campeão de 87 transitado em julgado, mas de pouco poder de fogo junto aos mandões do futebol brasileiro e à própria justiça comum. Confusão estabelecida, os quatro grandes cariocas, mais Corinthians, Grêmio e o menos votado Coritiba, anunciaram oficialmente a dissidência.


Tudo muito simples e maquiavelicamente urdido pelo cartola maior e por Kleber Leite, o dono da Traffic e com tentáculos estendidas sobre alguns clubes, entre eles o Flamengo. O importante era chegar ao verdadeiro e principal objetivo desta lambança: as negociações da TV Globo com os clubes visando as transmissões do Campeonato Brasileiro de 2012 a 2014. Tem muito dinheiro em jogo e, além disso existe, por parte da Globo, a intenção de mudar o regulamento do Brasileirão voltando ao mata-mata. Dá mais audiência, alegam.


O Grupo Record entrou na jogada e passou a incomodar e a ameaçar o domínio da Globo nesta área. Os interesses do torcedor para a Globo ficam em segundo plano. Sem o Clube dos 13 o sistema de disputa pode mudar e os jogos do meio de semana continuarão com aqueles horários de sessão coruja. Até pode surgir outra novidade de repente. Mas, o certo é que até aqui, passo a passo, a Rede Globo está mandando pro espaço uma tal de carta-convite e chegando onde quer. É o que está bem claro no comunicado distribuído à imprensa no final da sexta-feira.


A nota da Globo

Os dirigentes efetivamente preocupados com os legítimos interesses dos seus clubes e, acima de tudo, os torcedores são testemunhas dos volumosos investimentos que a Rede Globo tem feito ao longo desses anos, numa parceria pelo aprimoramento do nosso futebol, na busca de um espetáculo emocionante, com profissionalismo e qualidade.

Essa contribuição tem se traduzido no crescimento das receitas dos clubes, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, bem como com a comercialização de outros direitos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios.

As exigências e modificações nos conteúdos das plataformas implicam na desestruturação de um produto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos, inviabilizando assim qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos.

As condições impostas na carta-convite não se coadunam com nossos formatos de conteúdo e de comercialização, que se baseiam exclusivamente em audiência e na receita publicitária, sendo incompatíveis com a vocação da televisão aberta que, por ser abrangente e gratuita, é a principal fonte de informação e entretenimento para a maioria dos brasileiros.

Assim é, em respeito ao interesse do público, que a Rede Globo se sente impedida de participar desta licitação e pretende manter diálogo com cada um dos clubes para chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor.

Central Globo de Comunicação




Os números originais


Os números abaixo, propostos pelo Clube dos 13 para negociações futuras, foram ignorados pela CBF, Traffic e os dissidentes que optaram por acerto direto com a Rede Globo;


Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo, grupo que mais recebe do C13, pulariam dos atuais R$ 16,8 milhões para
R$ 42 milhões anuais.


O Santos, que está isolado em um segundo grupo, iria de R$ 14,4 milhões para
R$ 36 milhões anuais.


Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo passarão de R$ 12 milhões para
R$ 30 milhões.


Os demais membros do Clube dos 13 pulam de R$ 9 milhões para
R$ 24 milhões.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Denúncias contra Segundo Tempo chegam a SC




Em mais uma reportagem sobre irregularidades no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, o jornal O Estado de São Paulo bateu às portas da ONG CONTATO, administrada em Florianópolis pelo PC do B. O presidente desta instituição é Rui Oliveira, marido de Simone Fraga, coordenadora do Segundo Tempo. João Ghizoni, ex-presidente da Fesporte, fez sua campanha para Senador pelo PC do B catarinense usando como bandeira justamente o programa alvo das denúncias do jornal paulista.


Por Leandro Colon, enviado especial de O Estado de S. Paulo


FLORIANÓPOLIS - O Ministério do Esporte publicou em janeiro um convênio de R$ 16 milhões do Programa Segundo Tempo com uma entidade dirigida por membros do PC do B, em Santa Catarina, que não havia cumprido o prazo de convênio anterior com o próprio ministério para cuidar do mesmo projeto.


Presidido por Rui de Oliveira, filiado ao PC do B, o Instituto Contato teve seu contrato rescindido em dezembro, segundo decisão do ministério publicada no Diário Oficial da União, "tendo em vista o não cumprimento do objeto pactuado, quanto à realização das atividades constantes no Plano de Trabalho, e o não cumprimento das metas físicas e financeiras previstas no Plano de Aplicação".


Integrante da direção estadual do PC do B em Santa Catarina, Simone Fraga é quem coordena o Segundo Tempo, projeto usado como bandeira na campanha eleitoral passada de João Ghizoni, que foi assessor especial do ministro do Esporte, Orlando Silva, ambos filiados ao PC do B. Ghizoni tentou, sem sucesso, uma vaga no Senado.
A reportagem do Estado visitou os núcleos atendidos pelo Instituto Contato em Florianópolis e conversou com líderes comunitários que recebem o programa social. Na cidade, terra natal do ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, crianças têm aula de tênis com raquetes de plástico e em plena calçada, professores recebem salários atrasados e alunos ganham merenda vencida.


Comunidades carentes avisam que não querem mais continuar com o Segundo Tempo. "Foi vergonhoso. O Segundo Tempo não tem qualidade como projeto social. Quando nos procuram é uma maravilha, depois não fazem nada", reclamou Rosângela Amorim, presidente do Conselho de Moradores do Saco Grande, periferia da cidade.


A associação foi parceira por quatro anos do Instituto Contato, até dezembro de 2010. "Não quero mais em 2011", afirma Rosângela Amorim. Outra parceira do instituto é a ONG Casa da Criança. Seu vice-presidente, Gilson Morais, reclamou ao Estado das condições do projeto federal e mostrou lotes de suco de groselha, remetidos pelo Instituto Contato à entidade, com prazo de validade vencido.


O Instituto Contato gastou pelo menos R$ 71 mil na produção de banners e faixas que anunciam a existência do Segundo Tempo. A própria entidade pediu rescisão do contrato que lhe rendeu R$ 13 milhões em dois anos. Segundo parecer do ministério, o governo federal já tinha identificado que o Contato não havia conseguido concluir o projeto em pelo menos quatro núcleos esportivos. "A entidade deixou de se manifestar sobre o apontamento feito por esta unidade, posto que em resposta somente solicitou a rescisão da parceria", afirma trecho de conclusão técnica do ministério.


Apesar dos problemas, o Ministério do Esporte fez um novo convênio com a entidade no valor de R$ 16 milhões para criar 250 núcleos e beneficiar 25 mil crianças nos próximos dois anos, de acordo com extrato publicado no Diário Oficial da União no dia 17 de janeiro.


O ministério informou que não havia empecilho para firmar um novo convênio. "O contrato anterior foi rescindido por solicitação da própria entidade, e por isso não houve impedimento à renovação da parceria", informou a pasta. "No momento da assinatura do novo convênio, a entidade estava no prazo regulamentar de entrega da prestação de contas final do anterior", ressaltou. O Contato disse que pediu a rescisão porque entendeu ter feito sua parte no projeto. "Todos os núcleos do convênio foram executados de acordo com o pactuado."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Denúncias afetam programa do PC do B

“O Estado de SP” informa:

Cercado por fraudes, Segundo Tempo
turbina caixa e políticos do PC do B


Projeto do Ministério do Esporte só em 2010 distribuiu R$ 30 milhões a ONGs de dirigentes e aliados do partido; ‘O Estado’ percorreu núcleos esportivos no DF, GO, PI, SP e SC e flagrou convênios com entidades de fachada, situações precárias e de abandono.

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - Principal programa do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, o Segundo Tempo, além de gerar dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), legenda à qual é filiado o ministro.


A reportagem do Estado foi conhecer os núcleos do Segundo Tempo no Distrito Federal, em Goiás, Piauí, São Paulo e Santa Catarina. A amostra, na capital e região do entorno, no Nordeste mais pobre ou no Sul e no Sudeste com melhores indicadores socioeconômicos, flagrou o mesmo quadro: entidades de fachada recebendo o dinheiro do projeto, núcleos esportivos fantasmas, abandonados ou em condições precárias.
As crianças ficam expostas ao mato alto e a detritos nos terrenos onde deveriam existir quadras esportivas. Alguns espaços são precariamente improvisados, faltam uniformes e calçados, os salários estão atrasados e a merenda é desviada ou entregue com prazo de validade vencido.


No site do ministério, o Segundo Tempo é descrito como um programa de "inclusão social" e "desenvolvimento integral do homem". Tem como prioridade atuar em áreas "de risco e vulnerabilidade social", criando núcleos esportivos para oferecer a crianças e jovens carentes a prática esportiva após o turno escolar e também nas férias.


Conferidas de perto, pode-se constatar que as diretrizes do projeto, que falam em "democratização da gestão" foram substituídas pelo aparelhamento partidário. A reportagem mostra, a partir deste domingo, 20, como o ministro Orlando Silva, sem licitação, entregou o programa ao PC do B.


O Segundo Tempo está, majoritariamente, nas mãos de entidades dirigidas pelo partido e virou arma política e eleitoral. Só em 2010, ano eleitoral, os contratos com essas entidades somaram R$ 30 milhões.


O Ministério do Esporte afirma que "cabe à entidades parceira promover a estruturação do projeto". Questionado sobre as situações constatadas pelo Estado e pelo controle partidário do programa, o ministério defendeu o critério de escolha das entidades sob o argumento que é feita uma seleção técnica dos parceiros.


Terreno vazio


O dinheiro deveria ser usado para criar 590 núcleos e beneficiar 60 mil crianças carentes. Na procura por um núcleo cadastrado na cidade do Novo Gama (GO), por exemplo, a reportagem encontrou um terreno baldio onde deveria funcionar um campo de futebol. Cerca de 2,2 mil crianças foram iludidas na cidade por uma entidade sem fins lucrativos fantasma.


No Novo Gama, o programa Segundo Tempo é só promessa, mas, na última campanha eleitoral, foi usado como realidade pelo vice-presidente do PC do B do DF, Apolinário Rebelo. O mesmo ocorreu na Ceilândia (DF).


Em Teresina (PI), no lugar de uma quadra poliesportiva os jovens usam um matagal, onde improvisam tijolos e bambus para jogar futebol e vôlei. Do lado de fora, no muro do terreno, a logomarca do Segundo Tempo anuncia que ali existiria um núcleo do programa. O local é um dos espaços cadastrados por uma entidade que já recebeu R$ 4,2 milhões para cuidar do projeto. Seus dirigentes são do PC do B.
Lideranças de comunidades carentes de Santa Catarina criticaram a intermediação do Instituto Contato, dirigido pelo PC do B, no Segundo Tempo e anunciaram que abriram mão do projeto. Aulas de tênis são dadas na calçada, com raquetes de plástico. Em Florianópolis, a reportagem encontrou um lote de suco de groselha com validade vencida num núcleo do programa.


A campeã de recursos do governo é a ONG Bola Pra Frente, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, vereadora de Jaguariúna (SP) pelo PC do B - R$ 28 milhões foram repassado à entidade desde 2004.


Prestação de contas


O Ministério do Esporte afirma, em seu site, que todos os convênios do programa Segundo Tempo devem fornecer "descrição detalhada dos materiais, bens ou serviços adquiridos"


Para entender


O Programa Segundo Tempo foi criado no começo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na teoria, o objetivo é oferecer a crianças e jovens carentes oportunidade de prática esportiva após o turno escolar e nas férias.


O Ministério do Esporte fecha parcerias com entidades sem fins lucrativos, que assumem a tarefa de botar em prática o Segundo Tempo. Prefeituras também fazem convênio com o governo. A ideia é criar núcleos esportivos e contratar professores. Segundo o ministério, o Segundo Tempo deve "oferecer práticas esportivas educacionais, estimulando crianças e adolescentes a manter uma interação efetiva que contribua para o seu desenvolvimento integral".

Samba no pé, bola no armário

O torcedor carioca, do Flamengo especialmente, aguarda ansioso por uma boa apresentação de Ronaldinho. Pelo andar da carruagem é melhor esperar sentado na arquibancada.

Quem quiser assistir a um bom desempenho do Gaúcho consulte o roteiro de ensaios das escolas de samba. Domingo à noite, logo após a desgastante decisão contra o Botafogo, o jogador foi visto na Marques do Sapucaí com a Grande Rio, escola que levou o calote da Prefeitura de Florianópolis. Sambou, tocou tamborim, fez uma tabelinha com a atriz Suzana Vieira, e depois deve ter ido pra casa dormir.

Ou então acabou a noite trocando passes com Adriano, o Imperador do Samba e que mais uma vez adiou sua volta para a Itália para se apresentar à Roma . É compreensível. A recuperação da cirurgia no ombro é demorada e exige tratamento especial, no Rio de Janeiro.

O Adriano, já se sabe, não quer mais nada com a bola. Já o Ronaldinho ainda não frustrou as expectativas da diretoria do Flamengo e da torcida. A dúvida é se esta rotina vivida no Rio é compatível com a de um jogador profissional que por enquanto lembra apenas seus piores e derradeiros dias no Milan.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mistério, uma revelação, uma dúvida


Ronaldo sai de cena deixando um grande mistério na sua carreira, até hoje não esclarecido nem por ele nem por aqueles que estiveram na Copa de 1998 na França. E nenhum jornalista quis fazer essa pergunta para o Ronaldo na sua entrevista de despedida. Afinal, o que aconteceu na concentração brasileira antes do jogo decisivo contra os franceses? Que tipo de mal estar o afastou da grande final?

Fora do roteiro na fala da aposentadoria nesta segunda-feira só a revelação de que descobriu no Milan sofrer de hipotireoidismo, doença que desacelera o metabolismo e o faz engordar. Ronaldo teve que conviver com excesso de peso porque não podia tomar hormônios ou outros medicamentos adequados, todos com substâncias proibidas pelo controlo antidoping da Fifa. Dependendo apenas de exercícios físicos para emagrecer o suficiente para que pudesse entrar em campo, Ronaldo não agüentou as dores do esforço. O corpo não obedecia mais aos comandos do cérebro.

Atualizando: "Ou o Ronaldo está enganado ou foi mal orientado. Não há qualquer proibição de fazer o tratamento. Bastaria ter enviado um relatório aos órgãos competentes, com o comprovante dos exames, e seria liberado para usar os hormônios, sem qualquer risco de antidoping". Do médico gaúcho, João Zanini, especialista em controle antidoping

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Imperador da encrenca


A presidenta (como quer a nossa Dilma) da Roma, Rosella Sensi, espera Adriano para uma conversa séria, talvez a última. Adriano tem se revelado como um dos maiores encrenqueiros do futebol brasileiro. Só não deixa prá trás Almir, “O Pernambuquinho”, como era chamado, e que atuou na década de 60, porque não briga (ainda) em campo. Revelado pelo Vasco, jogou no Santos e Flamengo e gostava de uma boa confusão nos gramados. Uma de suas menores façanhas foi acabar com uma decisão do Carioca entre Flamengo e Bangu, provocando a expulsão de sete jogadores. Nos bares e na noite, não tinha pra ninguém, era arriscado enfrentá-lo.

Voltando ao Adriano e seu currículo exemplar: bate em mulher, é baladeiro, beberrão, amigo de traficantes e inimigo da sua própria carreira, está próximo da rescisão do contrato com a Roma. Apesar de ter sido liberado para se recuperar no Rio de Janeiro de uma cirurgia no ombro, o Imperador não resistiu às tentações da corte na Cidade Maravilhosa. Após uma noite festiva, caiu em uma blitz, negou-se a soprar o bafômetro e teve sua carta de habilitação apreendida.

De volta ao Brasil, é bem provável que chovam convites de grandes clubes. Os departamentos de marketing e dirigentes equivocados estão aí pra isso. O próprio Adriano, repatriado a primeira vez depois de juras de amor ao Flamengo, é a figura mais emblemática entre alguns jogadores marcados pela fidelidade à crônica policial e às atividades extra campo.

Há pouco o Grêmio foi atrás do Carlos Alberto, freqüentador assíduo do departamento médico, e que saiu do Vasco pela ameaça de agressão no vestiário ao presidente do clube, Roberto Dinamite. É a mais fina flor da encrenca de chuteiras, no seu caso de chinelinhos. Outro que foi e voltou, e parou no Vasco, é Felipe, também já afastado do time. Não faltarão pretendentes.

Ronaldinho Gaúcho recupera sua forma treinando na noite carioca. Como diria aquele famoso colunista social de Floripa, dos tempos do saudoso O Estado, Ronaldinho foi visto em bares, boates, escolas de samba e restaurantes famosos do Rio. Com o seu rico dinheirinho, portanto, com todo o direito, acaba de comprar mansão na Barra por R$ 20 milhões. Piscina, quadras de tênis, boate, uma academia subterrânea, um número não revelado de suítes e outros penduricalhos, conferem a Ronaldinho a certeza de descansos reparadores após desgastantes treinos e jogos.

São muitos e variados maus exemplos. Estes são apenas os mais recentes. Sei que todo mundo merece uma chance, mas como bom discípulo de São Tomé acrescento aquele antigo, mas sempre atual ditado gaúcho: “cachorro comedor de ovelha, só matando”.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Má educação


Dunga: destempero fashion

O que já foi muito prazeroso, hoje virou um grande sacrifício, ainda mais quando se trada de dose dupla. Ver exibições de duas seleções brasileiras em um mesmo dia mistura sofrimento com desencanto, em cima da constatação de que realmente nosso futebol hoje não é mais o melhor do mundo.

Descontadas as bobagens da mídia, que tratou o jogo contra a França como revanche, as análises pré, pós jogo e mais uma derrota, foram satisfatórias, a maioria reconhecendo a falta de técnica apurada e ausência de talentos nos nossos times. Robinho, por exemplo, ganhou faz tempo o apelido de tri-atleta: pedala, corre e nada.

Faltou dizer que atualmente somos um bando de desequilibrados, com algumas adesões entre os jornalistas que trabalham com o esporte, especialmente o futebol.O que nos coloca como ex-melhores do mundo, e o que precisamos reconhecer urgentemente.

A quarta-feira foi uma overdose de futebol e seleção, varando a madrugada de quinta com a sub-20 após campeonatos estaduais e a estréia do Fluminense na Libertadores da América. O Nei Franco no Sul Americano no Peru faz milagre com os garotos e podemos considerar um feito nossa classificação para a Olimpíada de 2012 em Londres. Se ela for confirmada diante do Uruguai, claro.

É fácil constatar semelhanças entre as duas seleções brasileiras que foram a campo na quarta-feira e madrugada de quinta: a escassez de talentos e o destempero de jogadores, jovens como o zagueiro Juan, principal responsável por aquela derrota contra a Argentina, e do experiente Hernanes, autor da criminosa botinada em um pacato e habilidoso jogador francês. A expulsão merecida dos dois desequilibrou os times e prejudicou o trabalho de Nei Franco e Mano Menezes.

Basta observar jogos nossos de quase todo o dia em qualquer divisão, seja em que campeonato for. O jogador brasileiro tem obsessão pelas arbitragens. Reclama de tudo, todo o tempo, briga com os adversários, cai a qualquer encostada e pede aplicação de cartão com a autoridade por ninguém outorgada de controlador do jogo.Uma rigorosa aplicação da regra deixaria poucos em campo ao final dos 90 minutos.

Observando o comportamento dos treinadores desde as divisões de base vamos concluir que boa parte deles faz tudo errado no trato com jovens promessas do futebol. Essa falta de educação tem origem nos primeiros passos nos gramados A base da metodologia aplicada é gritaria e palavrão, praticamente um incentivo a comportamentos deturpados no futuro. Parece mais fácil contestar o apito do que jogar bola. Deve ser isso mesmo quando falta talento. Dentro e fora do campo.

TCU pega trenzinho fora dos trilhos

A Copa de 2014 no Brasil e a Olimpíada de 2016 vão dar muito pano pra manga, ou muito trabalho para o Tribunal de Contas da União e outros órgãos fiscalizadores que estiverem dispostos a conter a sangria nos cofres públicos. O blog do José Cruz, um jornalista vigilante que mora em Brasília e faz excelente trabalho para a UOL, tem publicado várias irregularidades já constatadas em projetos e orçamentos para a Copa e Olimpíada. Cruz reproduziu nesta quarta-feira parte da matéria do Correio Braziliense, do repórter Lúcio Vaz. Sintam o tamanho do rombo em apenas uma das obras que envolvem mobilidade urbana na capital federal. É lá que mora o perigo.


Primeiro relatório do Tribunal de Contas da União mostra que orçamento do Veículo Leve sobre Trilhos, em Brasília, saltou de R$ 364 milhões para R$ 1,55 bilhão, quase cinco vezes mais...
Há "indícios de fragilidade" na estrutura do Ministério do Esporte para fiscalizar obras, segundo o TCU.
“Estouro significativos em orçamentos, falta de transparência em atos do governo, graves irregularidades nos projetos, atraso no início de obras” ...

Aí está, em resumo, o primeiro relatório do Tribunal de Contas da União sobre os preparativos das 12 cidades-sedes para a Copa do Mundo de 2014.

O documento será apresentado nesta quinta-feira pelo ministro relator, Valmir Campelo. Porém, o repórter Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, leu o relatório e produziu reportagem, que está hoje no principal jornal da capital da República, com o seguinte título "Bola fora nas obras da Copa".
Repetindo 2007

Diante das evidências, os riscos de superfaturamento são enormes. A ilegalidade poderá vir com termos aditivos contratuais, contratos emergenciais e aportes desnecessários de recursos federais. Tal qual já se viu, há quatro anos, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Ministério omisso

Há mais de um ano o governo federal firmou matrizes de responsabilidades, fixando as competências da União, Estados e Municípios envolvidos com a preparação da Copa 2014. Sobre isso, assim se manifestou Valmir Campelo.

“As matrizes de responsabilidades não estão sendo rigorosamente observadas pelos diversos entes federativos envolvidos no evento, dado que existe divergência nos valores previstos e descumprimento de diversos prazos determinados".
E acrescentou:

“Esse fato indica possível fragilidade no processo de acompanhamento por parte do Ministério do Esporte, característica que dificulta muito as ações de controle".

Até hoje, por exemplo, Orlando Silva não enviou ao TCU as matrizes de responsabilidades para as obras nos portos e aeroportos, firmadas há um ano, "dificultando a transparências das ações", afirmou Valmir Campelo.

Como se observa, o Ministério do Esporte, sob o comando de Orlando Silva, repete, na prática, a estratégia fracassada do Pan 2007, quando não respondia em tempo hábil os questionamentos do Tribunal de Contas.

Orlando Silva, o único ministro do governo Lula que pediu, brigou, insistiu para continuar no governo, foi designado pela presidene Dilma Rousseff para comandar as obras públicas da Copa de 2014.

Superfaturamento

Segundo a reportagem de Lúcio Vaz, “o projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília, por exemplo, tinha orçamento de R$ 364 milhões na Matriz de Responsabilidades. No entanto, o contrato firmado com o consórcio Brastram tem o valor de R$ 1,55 bilhão.”

Além disso, uma fiscalização concluída em dezembro do ano passado indicou graves irregularidades na obra do VLT de Brasília, com apenas 2% da obra concluído. A obra está paralisada e o contrato suspenso.

Voltarei ao assunto, pois há informações importantes sobre os investimentos em mobilidade urbana, estádios e aeroportos. (José Cruz)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O samba do crioulo que não tem nada de doido


Enquanto o Secretário de Turismo do Município, o vereador Márcio de Souza, acena com auxílio do Estado para a Escola de Samba Grande Rio, o governador Raimundo Colombo diz que hoje as prioridades do seu governo são outras. A homenagem a Florianópolis no samba enredo da escola carioca, sugere o governador, deve merecer a atenção de instituições privadas, e não de órgãos públicos como quer Márcio de Souza.

Tomara Raimundo Colombo não esteja jogando para a torcida e sua fala seja verdadeira. Aqui também temos nossas tragédias. Com a pindaíba das escolas estaduais, da segurança pública, dos hospitais e a carência de outras necessidades básicas do povo catarinense, é ação perdulária e criminosa desviar recursos para socorrer o carnaval do Rio de Janeiro.

Pode ser que o criativo vereador Mário esteja se inspirando em acontecimentos locais que nos aproximam um pouco dos cariocas. Como a fuga em massa da Penitenciária (aquela que ia ser desativada) na segunda à noite, quando 79 presos transformaram os morros da Agronômica e adjacências em rota de helicópteros e de um grande aparato da Polícia Militar.A operação de recaptura foi até tarde da noite e seguiu agora pela manhã. Morador do bairro, cercado por toda esta zoeira, me senti um carioca, mas nem por isso obrigado a contribuir com suas escolas de samba. Quase pedi asilo na casa de amigos,isto sim.

Quer dizer, é uma demanda que não compete ao Governo do Estado atender, como também não deveria ser dos cofres municipais, já suficientemente combalidos graças a eventos fantasmas e que custaram o olho da cara para os cidadãos de Florianópolis, incluindo por último a grana preta que já foi para a Grande Rio em troca da “homenagem”.

Aliás, foram o tino administrativo do Prefeito (?) Dário ou cofres vazios as razões para a antecipação do pagamento do IPTU de 2011?

Agora o oportunista Márcio de Souza está atravessando o samba. Ou quer virar discípulo de Sérgio Porto, o carioquíssimo Stanislaw Ponte Preta e criador do Samba do Crioulo Doido, paródia consagrada pelo grupo Demônios da Garoa. Lembram de um pedacinho da letra? “Chica da Silva obrigou a princesa Dona Leopoldina a casar com Tiradentes, eleito Pedro Segundo e proclamador da escravidão junto com o Padre Anchieta”.

O triste é que um dia eu votei nesse cara.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Prazos de validade

O futebol nosso de cada dia já pregou sua primeira grande peça mal começou a temporada. Os torcedores do Avaí, com os corações aos pulos e bandeiras enroladas, assistiram o vexame nas primeiras rodadas do campeonato. O time vai para o clássico mostrando alguma evolução. Só isso. Talvez seja o bastante para uma torcida que vive assombrada por fantasmas que dividem espaço no vestiário e salas da administração e comissão técnica. O susto de 2010 não serviu de lição.

Na contramão dos temores avaianos está o Figueirense, até aqui o maior favorito para ganhar o campeonato. Mantendo 80 por cento do time que subiu para a primeira divisão em 2010 ficou muito mais fácil colocar o alvinegro-tricolor entre os primeiros. O maior adversário, se o Avaí não se arrumar, está em Criciúma, não em Chapecó.

O Avaí parece o Corinthians, diferenciado pela inexistência de um ídolo do tamanho, sem trocadilho, do Ronaldo. A chamada fiel torcida perdeu a paciência depois de assistir as pífias apresentações do outrora fenômeno. O próprio Ronaldo não está respeitando seu passado, em nome de uma falsa idolatria que não resiste ao peso de tanta falta de mobilidade e ineficiência.

E atenção flamenguistas. Aproveitem o Campeonato Carioca com aqueles timecos que estenderão o tapete vermelho para o ex-craque Ronaldinho. Já não tem o Maracanã, mas tem as noites cariocas e as escolas de samba. Depois vem o Brasileirão de muitos jogos e muitas viagens. Aproveitem a festa e o oba oba da mídia brasileira. As enganações e unanimidades suspeitas têm prazo de validade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A outra muralha da China


Quer viver seguro na nossa amada e idolatrada cidade? Faça como os chineses de Yuhuan. Inspirados nos antigos imperadores construíram uma muralha em torno da sua aldeia. Eu ainda acrescento uma sugestão: uma ponte elevadiça sobre um fosso cheio de crocodilos do Nilo, os mais ferozes, segundo os entendidos. (foto do site globo.com)

domingo, 30 de janeiro de 2011

(In)segurança


Não gosto de comparações. Mas, diante do relato do amigo Áureo Moraes no Blog do Canga,sobre o assalto em um posto de gasolina próximo a Cacupé, acho importante fazer o registro do que testemunhei em Rainha do Mar. Como já relatei em outra postagem, Rainha é uma pequena praia gaúcha tipo a Daniela, onde passei duas semanas na casa de uma irmã, na Avenida Beira Mar(foto).

Lá, como se sabe, existe a Brigada Militar, semelhante à nossa PM. Além do policiamento interno e na praia feito por brigadianos vestidos à rigor – boné, um colete sobreposto a uma camiseta de manga curta, bermuda e sandálias – existem viaturas e motos que circulam o dia inteiro pelas ruas do balneário. Perdi a conta de quantas vezes no tempo em que estive lá, tirando o carro da garagem ou sentado no varandão, acenei para os policiais que passavam na frente fazendo a ronda.

E quando iniciei de carro às seis da manhã minha viagem de volta, na ultima sexta-feira, passei por duas viaturas da BM no trajeto de mais ou menos 10 quilômetros entre Rainha do Mar e Capão da Canoa, saída para a duplicada BR-101 do RS. Isso no comecinho da manhã, meu amigo.

Não tenho números para confrontar o que acontece lá e aqui. No entanto, pela ausência de noticiário na mídia gaúcha (RBS) de ocorrências policiais graves, e pelo que testemunhei, a presença ostensiva do policiamento naqueles balneários deve fazer a diferença.

E digo ao Áureo que há quatro anos, quando morei no Campeche, em rua totalmente habitada, próxima ao supermercado Dezimas, tive a casa invadida no meio da madrugada enquanto dormia. O sujeito já subia a escada quando o alarme o pôs pra correr. Em outro incidente, numa festa na mesma casa, tive que botar pra fora dois “invasores” que decidiram então apedrejar os carros dos meus convidados. Com a chegada da PM – não lembro quanto tempo depois por causa do nervosismo no momento -, comentei sobre a sensação de insegurança. Como resposta ouvi de um dos soldados: “vá se queixar para o governador”.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Enganação e vigarice

Pago , e caro, para ser sócio do PFC, o pay per view da NET. Comprei faz tempo as duas séries do Campeonato Brasileiro e o Campeonato Catarinense. Neste sábado (29), fui surpreendido ao ver na tela a transmissão do jogo entre Atlético Goianiense e Goiás, por suposto, do Campeonato Goiano. O que eu tenho a ver com isso? Esperava assistir a melhor partida do dia do nosso campeonato, o confronto entre Joinville e Chapecoense. Fiquei chupando o dedo e ainda obrigado a ouvir as explicações completamente estapafúrdias da senhorita Franciele, do atendimento NET. Se alguém resolveu não fazer a transmissão deste jogo, a RBS, claro, não quero saber. Fiquei no prejuízo e com cara de bobo na frente da tevê. Pior: vou ter que reclamar para o bispo porque a NET, a quem eu pago, se omite e joga a pá de cal dizendo que é problema da Globo, da Bandeirante, da Globosat sei lá mais de quem.

A Copa de 2014: verdade ou mentira?


O velho e inservível Mané Garrincha dará lugar a um novo elefante branco

Estamos a menos de três anos da Copa de 2014 e nada. O Brasil não se mexe ou faz pouco para receber um evento de tamanha importância e visibilidade. O mundo vai virar nosso país do avesso, como acontece com todas as sedes de Copa. Procuramos por boas notícias, mas está difícil.

Até agora quase nada se fez em relação aos estádios brasileiros, nenhum deles está pronto para receber equipes, jornalistas e público. Aqui, por exemplo, Ressacada e Orlando Scarpelli tiveram suas capacidades limitadas a 10 mil pessoas enquanto não sejam colocadas câmeras de segurança. São praças esportivas da cidade que um dia pensou em ser uma das sedes da Copa.

O pior obviamente não está em Florianópolis, cujo aeroporto se iguala a uma rodoviária das mais xinfrins. Em Porto Alegre o Beira Rio só teve demolida parte de suas arquibancadas mais próximas ao gramado. E ainda se discute quem paga a conta. Obras no aeroporto? Em Curitiba não se tem notícias sobre arranjos para a Copa e em São Paulo Ricardo Teixeira e sua rixa com o São Paulo transferiram a responsabilidade para o Corinthians e um imaginário estádio no bairro de Itaquera. Congonhas e Guarulhos seguem como dantes. Temos visto a mobilidade urbana paulista a cada tormenta de fim de tarde.

Nossa mui querida e estimada Brasília, a capital da fantasia, foi premiada com o projeto de um novo estádio para 70 mil espectadores, no lugar do desde sempre inútil e atualmente defasado Mané Garrincha. Com certeza vão importar torcedores e clubes dos estados vizinhos. Hoje não conseguem encher nem a modestíssima “Boca do Jacaré”, em Taguatinga, do time do ex-Senador Luís Estevão, agora administrando uma lavanderia. Custo do futuro elefante branco? Baratinho, R$ 1 bilhão.

No Rio a nova reforma do Maracanã está estimada em R$ 700 milhões. Não incluam neste montante os custos com a reforma da cobertura – a velha comemora 60 anos bem vividos -, cujo orçamento ainda não foi divulgado. Talvez para não matar de susto o povo carioca. A Controladoria Geral da União (CGU) garante que está de olho. Não quer mais tarde outra reforma por determinação do Comitê Olimpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016. E o Galeão, gente, o que é aquilo? Chamam de aeroporto. O Tom Jobim não merece. Pode ser que mais uma dúzia de novelas da Globo consigam nos fazer crer que o Rio de Janeiro ainda é o que foi.

E paremos por aqui, contando por enquanto apenas com o otimismo do Ministro do Esporte, Orlando Silva, que a cada aparição diz aos brasileiros que caminhamos a passos largos para uma bem organizada e tranqüila Copa do Mundo. Convertidos a São Tomé, os principais jornalistas do Rio e São Paulo resolveram deixar de lado o regionalismo bobo e inconseqüente para mostrar a realidade a leitores, ouvintes e telespectadores. E está criada uma espécie de bolsa de apostas: ganha quem acertar de onde virá a primeira boa e verdadeira notícia sobre os preparativos para a nossa Copa.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Futuramente


Notícias do dia no DC. Futuramente o aterro da Baía Sul servirá apenas para atividades culturais. Não sei que espaço de tempo significa “futuramente” nem o que pretendem dizer com “atividades culturais”. Depois que autoridades omissas e coniventes deixaram aquela área se transformar num muquifo e berçário para todo o tipo de transgressões fica difícil acreditar em qualquer promessa ou projeto. Quando se fala de cultura, então. O Centro Integrado de Cultura e o cineminha do Gerlach estão lá, obras praticamente paralisadas, documentos fresquinhos, recém saídos dos fornos alimentados pela omisão e incompetência.

O simples fechamento da avenida Paulo Fontes já é motivo para confusão, ainda que tenha facilitado aos pedestres o acesso ao Mercado Público e deixado o local mais parecido com uma área de lazer e entretenimento. Meia dúzia de ranhetas não entendem assim porque precisam rodar algumas quadras para ir aqui ou ali e não podem gastar um pouco mais de tempo e combustível.

Não vamos nos esquecer do outro aterro, bem pertinho, bastando atravessar o túnel Antonieta de Barros. Aquilo lá passa pelo mesmo processo. Por enquanto não tem merdódromo, camelódromo, kartódromo, sambódromo, terminais de desintegração, garagens de ônibus...Por enquanto. Futuramente não se sabe.

Que tal um parque, de frente para o mar, tudo arborizado, espaços para caminhadas, ciclovia, quadras de esporte, bares à beira d’água, um belo restaurante, todo envidraçado, de culinária diversificada, com a segurança de um posto policial ativo 24 horas? Estou sonhando. Ninguém dá bola para aquela imensa área desocupada. Quer dizer, ninguém não. Já tem gente de mau gosto pensando em prédios para um Centro Administrativo. Se não me engano um sujeito que se diz prefeito de Florianópolis.

Voltando para o lado de cá a bronca, diz o noticiário, é com a União, dona do pedaço. Enquanto isso Camelódromos e Cestões ficam por ali mais três anos. Três anos? Junto com aquele centro de convenções, construído a custa de sonegação de impostos e acertos até hoje mantidos sob o tapete. O mesmo tapete que por décadas forra corredores e gabinetes do Paço e da Câmara Municipal.

Vale lembrar o portal turístico que empesta a cidade daquele cheiro desagradável. E a rodoviária, outro portal e primeira obra no aterro abandonada pelo poder público. Apesar de tudo futuramente, dizem otimistas e/ou mentirosos, poderemos desfrutar do aterro da Baía Sul como merecemos. Futuramente...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tô nem aí



Morro dos Cavalos: nada sério para Delfim e o Dnit

O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto Filho, desconhece as regras mínimas ditadas pelo bom senso e não está nem aí para o que acontece no seu Estado. Pior que ele, só o Dnit. Caso contrário teria transferido a rodada inteira do Campeonato Catarinense, quem sabe para segunda-feira à noite. Com parte de Santa Catarina sofrendo com os estragos provocados por enxurradas, incluindo a interrupção da BR-101, não só não tomou nenhuma providência como ainda teve a pachorra de se vangloriar que correu tudo bem, acrescentando mais um episódio grotesco à sua lamentável e interminável gestão.

Delfim ignorou os problemas sérios nas sedes dos jogos. No Sul, Criciúma e Imbituba, por causa do deslizamento no Morro dos Cavalos. Não deu bola para as dificuldades de Blumenau, Itajaí e Joinville. Dirigentes, jogadores, equipes de arbitragem e jornalistas domingo foram obrigados a botar o pé na estrada e na lama, circulando pelo Estado com o risco de algum acidente grave. E por fim, lixe-se o torcedor, impedido de acompanhar seu time nos estádios. Como o santo do homem é muito forte, capaz de protegê-lo de uma tragédia e ainda fortalecê-lo em futuras eleições, ninguém reclamou, como é de praxe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Calça de veludo, bumbum de fora



Notícia que vem do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anuncia a escolha do Centro Esportivo Crystal Palace, em Londres, como local para treinamento das equipes brasileiras. Uma maravilha. Teremos pistas de atletismo, piscinas, ginásios, campos, quadras e salas de musculação, todas de alto nível, que servirão para a concentração das equipes até a ida para Vila Olímpica.

Os atletas devem chegar a Londres um mês antes das competições. Depois do inicio dos Jogos, o centro esportivo abrigará todos os membros da delegação brasileira não credenciados para a Vila Olímpica, entre eles médicos, auxiliares técnicos, treinadores, fisioterapeutas, sparrings e membros do departamento de Ciência do Esporte. Será, como diz o próprio COB, uma espécie de quartel general do Brasil na capital inglesa.

Até aí tudo bem. Problema é que a um ano apenas da próxima Olimpíada não se ouve falar da preparação em solo pátrio das nossas equipes. Desconfiamos da condição que elas ostentam atualmente. A do handebol masculino, por exemplo, assusta. Acaba de encerrar sua participação no Mundial da Suécia com cinco derrotas nos cinco jogos disputados. O basquete é uma incógnita nos dois naipes. Na quadra nossas esperanças, como sempre, estão concentradas nos homens e nas mulheres do voleibol. Nas modalidades individuais torceremos por medalhas aqui e ali no judô, natação e atletismo. Ah, tem o futebol, agora com o Nei Franco, profissional conhecido e competente. Quem sabe a primeira medalha olímpica brasileira neste esporte esteja a nossa espera na Inglaterra. É cedo demais para alimentar esperanças. Recém estamos passando pela classificação sul americana.

Do jeito que vamos o Crystal Palace pode significar pouco. Chegaremos a Londres com uma delegação dispondo de equipamentos esportivos modernos, mas servindo equipes mal preparadas e sem potencial sequer para uma representação que justifique presença em uma Olimpíada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SEGURANÇA

Aqui em Rainha do Mar, onde estou, tem policiamento na praia, guarita com salva-vidas e banheiros químicos. Rainha é um balneário mais ou menos do tamanho da Daniela. Curioso, interpelei dois policiais vestidos à rigor: bermudas, um colete sobreposto a uma camiseta de mangas curtas e sandálias. Pertencem à Brigada Militar (nossa PM) do interior gaúcho e na temporada reforçam o policiamento das praias. Só Rainha do Mar conta com uma viatura e uma moto e há policiamento a pé e em duplas também nas ruas internas. Tudo muito simples e eficiente, empobrecendo a crônica policial do litoral gaúcho.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

VOLTANDO (ou perguntar não ofende)



A Rainha do Mar, vista do mezanino doméstico

É uma tentativa. Ainda que para poucos leitores. Ou mesmo nenhum. A cabeça precisa trabalhar, os assuntos estão aí, mexendo com todo mundo, com qualquer cidadão que tenha um mínimo de interesse pelo que acontece à sua volta.

Florianópolis parece a Sbórnia, terra natal da dupla do espetáculo Tangos & Tragédias, o maestro Plestkaya e o violinista Kraunus Sang.. Ronaldinho virou cidadão carioca. Já começa a ser disputado pelas escolas de samba do Rio, rivalizando em atenção com a catástrofe da serra fluminense. Os morros derretiam e soterravam centenas, mas dirigentes do Flamengo não tiveram a sensibilidade para suspender a festa. De futebol mesmo, nada por enquanto. Não é assunto prioritário para o Gaúcho. Felizmente tem o Neymar para contrabalançar a ausência de talentos e de bons assuntos no esporte. Chega de Ronaldos, dentuços ou gordos.

Acompanho tudo à distância, de uma praia gaúcha chamada Rainha do Mar. De mar achocolatado, de água gelada. Vale o sossego de um lugar pequeno, sem a tranqueira da nossa temporada. É comer comidinhas caseiras, caminhar à beira mar, ler, desfrutar do convívio familiar e dormir o sono tranquilo embalado pelo barulhinho bom do vai e vem das ondas.

Em fevereiro estarei de volta à cidade. Até lá veremos a quantas andarão time C do Avaí , a empolgação dos torcedores do Figueirense e o resultado do pacotaço de contratações. A nova Beira Mar (a nossa, por que a do outro lado virou mais uma Berguice) estará pronta? O prefeito Dário reapareceu? A canalhice municipal foi penalizada? O Riozinho esvaziou? A segurança aumentou? O norte da ilha desafogou? Terminou a briga por cargos? Duvi-de-o-dó.

sábado, 2 de outubro de 2010

O futebol (e o país) dos interinos



Comecemos pela terrinha com o Avaí pós Silas, Chamusca e Antônio Lopes. Os dirigentes e a parceria, com o time ladeira abaixo, optaram por pelo Edson dos Santos, que não quer mais ser chamado de Neguinho, como era conhecido nas divisões de base. Talvez pela pompa que ele pensa ter seu cargo atual, apesar de toda hora atender pelo cognome de interino.

O Ceará teve PC Gusmão, Estevam Soares e Mário Sérgio. O quebra galho da vez é Dilma Filgueiras, até então supervisor. O Grêmio Prudente experimentou Toninho Cecílio, Antônio Carlos, Marcelo Rospide, e agora vai levando com Márcio Barros, uma espécie de faz tudo no clube.

Não é só a turma de baixo da tabela que entrega o pepino na mão de interinos. O São Paulo atacou de Sérgio Baresi e o Santos depois do furacão Neymar tenta melhorar o clima com Marcelo Martelotte.

Alguns provisórios viram permanentes, como aconteceu com o Andrade ano passado, e que acabou campeão brasileiro pelo Flamengo.Aqui temos um caso raro de interino vencedor substituído por outro interino, o Rogério Lourenço, recentemente demitido e substituído por Silas, pelo jeito com prazo de validade bem curto.

Por sinal ninguém tem um centro de treinamento, o popular CT, com nome tão apropriado como o do Flamengo, o "Ninho do Urubú". Alí a crise é grande e permanente, nada de interinidade. Ha sempre carniça à disposição. Nem o Zico resistiu.

Hoje são cinco clubes (25%) entregues aos quebra galhos justo na reta final da principal divisão do Campeonato Brasileiro. Nada de espanto. Afinal, até na política e no comando do país se pratica a interinidade. Se eleita, Dilma Rousseff ficará presidente enquanto o verdadeiro titular do cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, tira umas férias e prepara sua volta para daqui quatro anos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Panfletinho básico 2, a enganação

Os marqueteiros deveriam se envergonhar do produto final. A festa da democracia brasileira é uma enganação. Nenhum candidato, de todos que vi e ouvi até hoje, apresentou alguma coisa parecida com um programa de governo. Dilma, Serra, Marina e o franco atirador, Plinio Sampaio, me mandaram mais cedo pra cama e para a leitura de “O burgomestre de Furnes, um dos livros de Georges Simenon sem o inspetor Maigret que ainda não tinha encarado, no bom sentido. Da sono, quando não provoca náusea, assistir aquele bando de marionetes fazendo jeito de gente do bem.

Não houve jornalismo, faltaram jornalistas, repórteres, embora isenção seja um produto raro hoje em dia na profissão. No fim dá tudo na mesma. Ninguém chama ninguém pra briga, ninguém faz pergunta fundamentada em algo consistente. Exemplinhos: prometer mil quilômetros de hidrovia para um Brasil desse tamanhão. Brincadeira. Nós, que estamos há mais de dezesseis anos esperando pela duplicação de míseros 249 quilômetros na 101 sul, sabemos o que é promessa não cumprida. Palavra não mantida por Fernando Henrique e pelo Lula e, talvez, pelo próximo ou próxima. Assim sendo, qual a utilidade deste último encontro (e dá pra chamar de outra coisa?) entre os candidatos antes da eleição?

Serviu, certamente, para o nobre exercício do palavrório inútil de alguns jornalistas políticos, verdadeiros porta vozes das empresas que defendem, façamos justiça, com grande competência. A chatice acaba repetida no day after. Tem uma perua emproada da Globo News, que aparece todo o dia com a perna cruzada sempre para o mesmo lado. Deve ter a coxa colada. A moça merece o troféu abobrinha do comentário político. Seu esmero na obviedade só tem comparação na escolha dos figurinos para suas inúteis aparições diárias.

O triste é que não seremos poupados caso haja segundo turno. O martírio vai continuar com a mesma fórmula, os mesmos personagens. Quem sabe até lá haja tempo para modificações, por menores que sejam, pelo menos na apresentação de algum conteúdo que me faça acreditar em dias melhores para o estado e o país.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Panfletinho básico



Acordei de mau humor. Primeiro pelas dificuldades impostas a mim nos últimos meses por todos os segmentos públicos e privados responsáveis pela saúde do cidadão. E ultimamente, com a proximidade de uma eleição complexa. É desanimador o que tenho acompanhado da política e dos políticos. Não vale a pena votar, eleger gente que mais adiante não te dá nenhum retorno no mínimo que se exige de um ocupante de cargo público, eleito pelo povo em uma nação dita democrática.

O último debate (?) promovido pela RBS na terça-feira à noite foi patético. A começar pela cobertura dos profissionais da própria rede. A não ser pelas cobras criadas do jornalismo político, no mais tive que ouvir uns pirralhos sem nenhum conhecimento não só do assunto, mas principalmente das peculiaridades locais. As perguntas no final tinham a profundidade e o alcance do tipo – “o que achou do debate”? -.

Indigência mental nesse caso é pouco. A proposta de um debate que não é debate já inviabiliza qualquer tentativa para despertar o interesse do ouvinte/telespectador/eleitor. É uma tragicomédia, encenada com competência, e de acordo com a conveniência por candidatos despreparados e desprovidos de qualquer princípio ético. Prova disso são o amontoado de promessas já não cumpridas em governos anteriores pelos candidatos de sempre. Domingo vou teclar números sem convicção, sem nenhuma esperança. Vou às urnas apenas porque tenho a obrigação legal.

O comprometimento moral, de cidadão consciente, ora, isso já empurrei pra baixo do tapete faz tempo. Aliás, pratica fartamente adotada na política brasileira, com o suporte de um sistema judiciário comprometido com o que há de pior neste país onde a ordem e o progresso não representam nada mais do que palavras aplicadas em uma bandeira desrespeitada nos 365 dias do ano.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O cirquinho da CBF



O calendário Fifa com datas para jogos oficiais e amistosos de seleções é divulgado com a antecedência necessária para que as confederações possam adequar seus planejamentos. Parece que a CBF vive completamente divorciada do assunto, como se percebe a cada convocação da seleção brasileira.

Recentemente passamos pelo ineditismo de reunirmos, só para treinos, os escolhidos por Mano Menezes. A turma ficou durante uma semana na Espanha só batendo bola e enfrentando um sub qualquer coisa do Barcelona.

Agora a CBF repete a dose chamando jogadores, inclusive dos times envolvidos na fase decisiva do Brasileirão, sem que estivessem definidos os adversários para duas datas Fifa. Ficamos sabendo, logo depois desta nova convocação, que enfrentaremos duas poderosas seleções, a do Irã 57ª do ranking, e a da Ucrânia, 27ª.

O primeiro jogo, contra os iranianos, será dia 7, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos que, por sinal, tem sua seleção em 90º lugar no ranking da Fifa. Quatro dias depois o circo estará montado em Derby, uma pequena cidade do interior da Inglaterra, reduto de imigrantes ucranianos. A seleção brasileira jogará no pequeno Park Stadium, com capacidade para pouco mais de 33 mil torcedores.

Mesmo com as melhores seleções européias disputando as eliminatórias para a Euro 2012, com um mínimo de planejamento a CBF daria ao Mano Menezes coisa melhor para testar a nova seleção. Sem contar que os jogadores seriam poupados de viagens para os quintos dos infernos e os clubes, três rodadas desfalcados em partidas decisivas, teriam de volta seus craques menos desgastados.

Mas para que servem os clubes brasileiros a não ser para pagar taxas escorchantes à CBF, sustentar espetáculos mambembes e ajudar Ricardo Teixeira a arrecadar milhões de dólares em amistosos caça níqueis?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

E agora, Luxa?


Luxemburgo, cara feia para o gosto amargo do fracasso

O endeusamento de profissionais que militam no futebol é o grande pecado da mídia esportiva brasileira. Qualquer destaque logo vira craque, fenômeno, grande técnico, o melhor preparador físico, um dirigente excepcional, e por aí vai. Não faltam adjetivos.

Vanderlei Luxenburgo é a mais nova vítima do excesso de expectativa e de elogios desmesurados ao seu trabalho. Vanderlei realmente é dono de um currículo invejável como técnico dos principais clubes do país, títulos estaduais e nacionais, e também com fracassos retumbantes memoráveis na seleção brasileira e no Real Madri.

“O melhor treinador do Brasil” acaba de ser demitido no Atlético Mineiro, depois de 15 derrotas no Brasileirão e de manter o time na zona de rebaixamento durante 15 rodadas. Será difícil reverter a situação, no mínimo curiosa, para um grupo que tem o goleiro Fábio Costa, o zagueiro Rever (recém convocado por Mano Menezes), o meia Ricardinho e os atacantes Diego Souza e Diego Tardelli, entre outros menos votados, mas todos bons jogadores.

Talvez seja melhor o “Luxa”, como alguns jornalistas bobamente o tratam, dar uma parada, tirar umas férias. Ultimamente por onde passou tem acumulado resultados negativos, sempre provocando a pergunta inevitável. O que está acontecendo com o elegante, bom de prosa e empresário bem sucedido, Vanderlei Luxamburgo? Ultrapassando os limites do pedantismo, misturando profissões inconciliáveis, parece que o “Luxa”, o treinador mais caro do Brasil junto com Muricy Ramalho e do Felipão, está virando lenda.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mano também pisou na bola



Dizer que os treinadores de futebol são corporativistas é chover no molhado. Quem não o é? Que categoria escapa da autodefesa? Médicos, engenheiros, jornalistas, todos aplicam a autoproteção corporativa.

Mano Menezes agiu assim ao deixar Neymar fora da convocação divulgada nesta quinta-feira. Indiretamente manifestou claramente seu apoio a Dorival Júnior, demitido do Santos por causa do bololô com o menino mimado do Santos.

O treinador da seleção brasileira ao apoiar Dorival e punir o jogador está abrindo mão da qualidade em troca de uma duvidosa ação disciplinadora. O técnico do Santos já havia cometido esse erro, conduzindo mal o litígio e a insubordinação do atacante. A reação dos dirigentes foi ainda pior e culminou com a sua demissão.

Faltou em todas essas instâncias no mínimo a conversa cara a cara, aquela que poderia encaminhar uma solução melhor para o conflito. Ao deixar Neymar fora da sua lista de convocados, Mano Menezes sacramentou a falta de tato para chegar à solução de um assunto rotineiro no futebol e que equivocadamente o clube e o time acabam sendo punidos, ao invés do infrator. Neymar, por seu talento hoje raridade entre nós, merecia outro desfecho para esse episódio, com Dorival Júnior, Mano Menezes e os dirigentes da sua agremiação. Todo mundo pisou na bola.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rebuliço na Vila





Depois de uma overdose de esporte na cobertura dos Jogos Abertos e de alguns percalços pessoais que me tiraram a vontade de escrever, tentarei manter em dia a escrita. Começando pela grande polêmica da semana no futebol: quem errou mais, Neymar, Dorival Júnior ou o Santos?

Todo mundo pisou na bola nesse episódio constrangedor para todas as partes envolvidas. O jogador já deu provas suficientes da sua falta de educação. Essa história de garoto rebelde, coisa da idade, tem limites. Neymar acumulou atos de indisciplina e de incivilidade que não foram reprimidos nem em casa, tantas foram as manifestações de apoio do pai, tornadas públicas através da imprensa.

Por seu lado o treinador extrapolou na punição, prejudicando apenas o time, sem reflexos sobre a conduta do jogador. Deixá-lo fora até do banco e num clássico contra o Corinthians, provocou a intervenção dos dirigentes, diante dos prejuízos evidentes à equipe. Aqui outro erro,a demissão do Dorival. A não ser que ele tenha colocado na condição de irrevogável sua decisão de afastar o jogador até de um jogo tão importante. O clube está acima do conflito entre Neymar e o técnico, como ficou claro na decisão dos dirigentes.

Enfim, todo mundo errou feio na Vila Belmiro. Dorival, preocupado em preservar sua autoridade, exagerou na dose, provocando reação na mesma medida de outra autoridade, a presidência do Santos. Neymar nessa hora precisa vir a público com um pedido de desculpas sincero, jogando seu bom futebol e dando bons exemplos à meninada bem mais jovem que ele e que o toma como referência de craque. O Santos perdeu um bom treinador e vai ter dificuldade para arrumar outro em seguida, pela escassez da hora. Dorival já virou grife e pode arrumar logo novo emprego (São Paulo?). Neymar é que levará mais tempo para desfazer o estrago, melhorar sua imagem e apagar a fama de rebelde sem causa.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Seleção pé de página

Só treino dá sono (uol esporte)


A chamada grande mídia esportiva parece que perdeu o senso crítico em relação à seleção brasileira e à CBF. Depois de tanta pancada no Dunga e nos seus rapazes do bem tudo indica que a turma resolveu dar um tempo a Mano Menezes & Cia. Até surgir a primeira oportunidade para recomeçar o jogo duro com o time que está sendo preparado para a Copa de 2014.

Caso contrário, como explicar o silêncio com a temporada européia criada por Mano exclusiva para treinamento? A desculpa é a falta de adversários. A rodada pelas eliminatórias da Eurocopa foi semana passada. E as datas Fifa estão aí para serem aproveitadas contra muitas das seleções européias que passaram ou não por aquele compromisso. Tanto é verdade que Argentina e a campeã do mundo Espanha aproveitaram para jogar um amistoso nesta terça-feira.

Só o Brasil não conseguiu um sparring decente. Enfrentou em jogo treino o Barcelona B. Tinha esperança que Mano mudasse pelo menos um pouco a maneira de trabalhar com a seleção. Por enquanto nada feito. Nunca vi, na história do nosso futebol, um grupo de jogadores reunido na Europa com todo o entourage da Comissão Técnica apenas para treinos.

A desculpa esfarrapada da falta de adversário na verdade encobre o desinteresse de qualquer confederação internacional disposta a gastar, e muito, com a apresentação de uma equipe recém formada e em processo de laboratório. Hoje nós é que precisamos pagar, a não ser que joguemos contra um time cacareco. Como a CBF só visa o lucro, independente do resultado técnico, pagamos é um grande mico com essa mini-temporada de luxo na Europa.

Está na cara. Pena que a grande mídia, concentrada nos principais estados brasileiros, tenha ignorado as evidências. A não ser pelo fato de ter destinado o menor espaço possível em jornais, rádios e tevês. Quando que uma seleção brasileira mereceria não mais do que um pé de página? Eu vi – e me neguei a ler -, ninguém me contou. Começa do pior jeito possível a era Mano Menezes.

domingo, 5 de setembro de 2010

O judiciário explica o país

Incomodado com o que leio, vejo e ouço todos os dias ainda dei de cara com o texto abaixo no blog do Canga. Não resisti e tomei emprestado para republicá-lo aqui. Conhecendo o judiciário que temos vamos entender o país onde vivemos.

Por Edison da Silva Jardim Filho

Li, semana passada, notícia publicada em coluna política de um jornal de Florianópolis, informando que o ministro-catarinense-do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Jorge Mussi, iria receber o título de cidadão honorário do município do Rio de Janeiro. Na mesma solenidade, outros dois ministros do STJ também seriam homenageados pela Câmara dos Vereadores daquela cidade.


O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC) agracia, em datas festivas, personalidades com a medalha da Ordem do Mérito Judiciário nos graus de Grande Mérito, Mérito Especial, Mérito e Insígnia. Certamente, todos os demais tribunais do país também criaram e mantém as suas comendas em graus diferentes. Em 2.004, o TJ/SC comemorou 113 anos de sua instalação no Estado. Era o seu presidente o ministro Jorge Mussi. Na sessão solene alusiva à data, receberam honrarias o então senador da República, Jorge Bornhausen, e o ex-governador do Estado, Casildo Maldaner. Também foram homenageados empresários e outros profissionais. Não me parece despiciendo que, no Brasil, os tribunais devessem contar até o infinito antes de homenagearem os políticos e um certo tipo de empresário, histórica e umbilicalmente ligado ao poder público.


A prática de dar e receber títulos honoríficos, medalhas e condecorações, pelos ministros e desembargadores de tribunais país afora, para mim, e eu creio não estar sozinho neste pensar, atenta contra a “independência” do poder judiciário (artigo 2° da Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”). Afinal, o poder judiciário não são os seus juízes?... Essa seria uma das muitas questões que, fosse a Ordem dos Advogados do Brasil também independente, deveriam estar merecendo a sua reflexão há muito tempo: se é ou não lógica e razoável a coexistência dos princípios da “harmonia” e da “independência” na cláusula constitucional: “independentes e harmônicos entre si”, em relação ao poder judiciário? A palavra: “harmonia” não é a melhor para representar o “sistema de freios e contrapesos” que perpassa e submete os três poderes, pois também serve para admitir e justificar essa e outras práticas do poder judiciário que, aparentemente, pelo menos a um juízo moral mais rígido, não seriam muito republicanas.


Outra prática que considero, igualmente, insustentável em face do princípio da “independência” do poder judiciário, embora agasalhada pelo artigo 67 da Constituição do Estado de Santa Catarina, é a de o desembargador presidente do TJ/SC substituir o governador, nas ausências conjuntas-propositais, diga-se de passagem-dos seus dois sucessores legais imediatos: o vice-governador e o presidente da Assembléia Legislativa. O presidente do TJ/SC é o terceiro na linha de sucessão do governador. A justificativa é sempre a homenagem, repentina e merecida, que, incontidamente, o governador, o seu vice e o presidente da Assembléia Legislativa desejam prestar ao presidente do TJ/SC. Mas seria, mesmo, homenagem, ou verdadeiro “presente de grego”?... Essa prática, vista sob a ótica dos interesses mesquinhos que vêm norteando, já há um bom tempo, o poder político no Brasil, deve ter por escopo o comprometimento da credibilidade do poder judiciário.


Não encontrei fecho melhor para este artigo do que a antiga lição, infelizmente de aplicação atual, de um dos brasileiros com maior autoridade intelectual e moral em todos os tempos: o jurista Roberto Lyra, contida no seu livro: “Como julgar, como defender, como acusar”: “Togas limpas não aceitam, sequer, formas sutis e, por isso, mais perigosas de corrupção. Como o poder moderador na democracia, a Justiça deve repelir as ‘cortesias’ das ‘relações públicas’, as ‘homenagens’ de títulos e medalhas. A moeda não será em espécie, mas açula o soldado da luta direta e inerme contra as ilegalidades e injustiças.”

sábado, 4 de setembro de 2010

PQP, FUCK YOU



Jogo de pouco público com arquibancadas praticamente vazias. Palco ideal para se ouvir tudo o que se fala e se grita dentro de campo e às margens do gramado, onde ficam comissões técnicas, reservas e auxiliares da arbitragem, incluindo o quarto árbitro. Não vamos esquecer, é claro, da torcida, que tem um vocabulário extenso e diversificado de xingamentos.

O linguajar utilizado por todos esses personagens é chulo. O áudio das tevês reproduz tudo com clareza e fidelidade. O palavrão hoje faz parte de um dialeto próprio do esporte. Pode doer mais que uma agressão física. Tem para todos os gostos e conhecimentos. Jogadores do mesmo time, a começar pelo goleiro, não conhecem outra linguagem a não ser a do palavrão. Quando o objetivo é insultar o adversário a criatividade abunda. E vale também para o companheiro de time.

O árbitro não escapa mais nem dos jogadores e dos técnicos, ainda que às vezes a resposta venha na forma de um cartão colorido, defesa dos indefesos ou pusilânimes. Falta educação esportiva pela ausência de orientação desde as chamadas categorias de base. Os treinadores repreendem seus atletas com o pior dos repertórios, quando não, chegam quase à agressão.

Vejo muito disso também em outros esportes. É só ficar à beira de uma quadra. Mesmo com ginásio cheio dá pra entender a comunicação utilizada durante os jogos, seja qual for a modalidade ou, pior, a faixa etária dos atletas e demais envolvidos no confronto. Já vi muito menino levar cascudo e muita menina ouvir o que talvez não ouça em casa dos pais. Acontece já em eventos escolares. Comportamento de professores de educação física transformados em técnicos, originalmente educadores. São homens e mulheres mostrando o pior dos caminhos a jovens que estão começando no esporte.

Mais tarde, transformados em atletas de rendimento, quando o bicho pega em razão de patrocínios, altos salários e obrigação de respostas positivas rumo ao pódio, não tem mais conserto. Nos gramados ou nas quadras, impera a falta de respeito ao adversário, companheiros e controladores da competição.

Tribunais lenientes e regulamentos omissos contribuem significativamente para esse desvio de comportamento. Não tem mais jeito. Quem xinga e bate mais, chora menos, fica mais próximo da vitória. Assim como os políticos, esse bando de deseducadores e alimentadores do círculo vicioso do roubo e do poder. Não estou generalizando. Quem tiver touca que faça bom uso.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Copa é nossa, a balbúrdia também

Fonte Nova, quase 60 anos de história no futebol baiano (foto Gazeta)


Afinal, começamos ou não os trabalhos para a Copa de 2014? Parece que sim, com a implosão da Fonte Nova e o anúncio do estádio do Corinthians, o “Fielzão”. Como o povo é rápido para botar apelido já inventaram essa bobagem.

Vamos lá, por enquanto ao som e ao ritmo da banda copeira. Mas é bom ficar de olho e pé bem atrás. Estamos em período pré-eleitoral e depois de as urnas vomitarem (sim, é isso mesmo, dá ânsia ouvir e ver candidatos e candidatas) os eleitos, veremos com quantos reais, dólares ou euros se faz um estádio. Ou uma arena como gostam de mentir e apregoar os arautos de qualquer governo que não se preza.

O fato é que vivemos uma balbúrdia nacional quando se fala em Copa do Mundo no Brasil. Lá se vão quase três anos depois que a FIFA nos passou essa bola e ainda não marcamos nenhum gol. Timidamente mexemos no Mineirão, exilando Cruzeiro e Atlético aos “Ipatingões” da vida. Os resultados de ambos no Campeonato Brasileiro estão aí para provar o quanto dói o distanciamento da torcida.

É por isso que os cariocas se borram de medo de perderem o Maracanã por um bom tempo. O Fluminense festeja a boa fase e esperneia tentando adiar pela terceira vez o fechamento do estádio que já foi o maior palco do futebol brasileiro e que hoje segura a barra dos clubes do Rio de Janeiro. Sem o Maracanã o poderio do Flu, Flamengo e Botafogo cai pela metade. O Vasco tira de letra porque tem o São Januário.

O “Engenhão”, emprestado ao Botafogo, não faz bem nem ao locatário, muito menos ao locador (governo do Rio), que jamais verá a cor do dinheiro. Quando era garoto os locutores de rádio confundiam visitante com donos da casa. Era muito engraçado ouvir o Inter jogando nos Eucalíptos, seu velho estádio, sendo chamado de “clube locatário”.

Falando nos gaúchos, juram que vão mexer no Beira Rio sem a necessidade de jogar o Inter para um estádio periférico. Qualquer um, menos o do bairro Azenha, claro, onde mora o inimigo. Sem trocadilho, de concreto, até agora nada.

Na Bahia implodiram a Fonte Nova, uma senhora de 59 anos, e em São Paulo anunciaram um novo estádio do Corinthians em Itaquera, bairro que os próprios paulistas chamam de dormitório. No entanto, reza a lenda que o local já dispõe de infra estrutura urbana para agüentar o repuxo. Interessante, e nem imaginávamos diferente, é a discussão sobre quem paga a conta. André Sanches, o presidente corintiano, disfarça e sai de fininho, falando em reengenharia financeira. Como, se não se sabe nem a engenharia? Pior é ouvir prefeito e governador prometendo que não haverá dinheiro público na jogada. E pior ainda é a dúvida atroz: estádio para 48 mil ou 65 mil torcedores como exige a FIFA para uma Copa do Mundo? Tudo indica que uma varinha mágica – ou mão no baleiro mesmo – na hora do vamos ver dará conta do recado.

Enquanto isso, Presidente, Ministros – o do Esporte é um deles – e demais autoridades, como bons cabos eleitorais, acenam bandeiras em todas as esquinas do país. E nós, que no final de tudo arcaremos com a despesa, ficamos feito bobos a espera de um milagre. E qual seria esse milagre? Cofres da nação intocados. Quem lembra das estripulias do Pan 2007 no Rio de Janeiro – sempre lá - sabe que não existe milagre no Brasil em se tratando de dinheiro público. Oremos, pois.


Frase premiada na Escola Presidente Getúlio Vargas, em Aracaju.


"O horário político é o único momento em que os ladrões ficam em cadeia nacional".