sexta-feira, 4 de julho de 2008

Quinta-feira

E viva o torcedor brasileiro

Tenho um colega, comentarista de uma emissora de rádio de Florianópolis, que vive dando lições de moral e sugerindo regras de conduta para o torcedor. Pelo denodo com que se dedica à causa tão quixotesca quanto hilária, daqui a pouco estará editando o manual da torcida bem comportada, prefiro dizer, mais careta e descaracterizada do planeta futebol. Em respeito ao seu passado e presente, zelando pelo seu futuro e pela nossa amizade, prefiro não identificá-lo. Amigo, já não chega a cartolagem querer acabar com bandeiras, faixas, camisas, tudo o que faz o colorido das arquibancadas? Claro que os reparos que faço às contestações do companheiro de muitas jornadas se restringem aquilo que ele não aceita como manifestações civilizadas e pertinentes às reações que não infrinjam leis e façam da rivalidade motivo para agressões. De resto estou com ele e não abro. Esse comentário vem a reboque das críticas que li e ouvi de jornalistas consagrados, ou nem tanto, sobre o comportamento da torcida do Fluminense antes da decisão da Libertadores com a LDU. Ora, queriam o quê? Um carro fúnebre puxando um desfile de carpideiras com torcedores entristecidos e derrotados feito perus natalinos, mortos de véspera? Escrevo sem saber o resultado da partida mais importante na história do Flu, mas aceitando e entendendo o foguetório e a alegria dos seus torcedores, confiantes, exultantes com a chance de uma conquista grandiosa em um palco como o Maracanã. Como condenar o clima de euforia, o pó de arroz e o imaginário tricolor? Teve crítico lembrando a Copa de 50. Devagar com o andor: não foi a torcida quem tirou aquele título do Brasil. O presente dado aos uruguaios foi uma generosidade de dirigentes e políticos – sempre eles – responsáveis pela contaminação do ambiente na concentração da seleção brasileira. Não venham me dizer, em caso de derrota, que foi a torcida quem evitou o título do Fluminense e entregou as faixas os equatorianos.

Promessas vãs

Tem gente que beija o escudo do clube pregado na camisa, outros fazem juras de amor, promessas de dedicação extrema. E ainda tem aqueles que tentam passar a imagem do profissionalismo exercido com muita ética e retidão. Tudo isso dura até a primeira proposta, a primeira contrariedade, ou a conclusão de uma transferência envolvendo cifras inatingíveis por quem acaba perdendo o técnico ou o jogador. É o tal mercado de trabalho hoje movido a euros e dólares. O problema é que em muitos casos a mudança não se limita ao principal personagem. Os treinadores gostam de levar junto, além do restante da comissão técnica, atletas de sua absoluta confiança. Adilson Batista, por exemplo, anda com Marquinhos Paraná a tiracolo, primeiro no Japão, atualmente no Cruzeiro. Abel Braga, “colorado roxo”, como gostava de declarar, deixou o Inter na mão e não contente com isso, acaba de desfalcar o ex-clube do argentino Guiñazu, seu principal jogador, que fará companhia ao treinador no futebol árabe. Gallo passou pelo Figueirense como um furacão, criando polêmica e, de quebra, levando César Prates – outro que jurou amor eterno à cidade, à torcida e ao clube - para o Atlético MG.

Nome próprio

A paradinha renasceu e virou mania nacional como mostram os jogos do Campeonato Brasileiro nas duas séries. O artifício é válido e tem sido utilizado novamente em grande escala pelos cobradores de pênaltis. Pune com rigor quem cometeu a infração e facilita a vida de quem a sofreu. Coitado do goleiro que, por força da regra, mal pode se mexer sob as traves, enquanto à sua frente, na chamada marca fatal, o pé assassino prepara o golpe de misericórdia. Não é por outra razão que a falta cometida dentro da área se chama penalidade máxima.

Mudança na telinha

As partidas do campeonato catarinense devem voltar para a RBS. A rede hoje detentora dos direitos de transmissão tratou mal o produto e desinteressou-se por ele. Cá entre nós, lucraremos todos. Quem não tem competência, não se estabeleça.



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