domingo, 20 de junho de 2010

Futebol, cadê você?

Menos mal que o Brasil ganhou. E ganhou bem, apesar da expulsão boba do Kaká e do gol do Luis Fabiano “con los brazos de dios”. Além de salvar a nossa pele e de confirmar a boa participação sul-americana nesta Copa, a seleção brasileira é a única entre as grandes que até aqui não nos frustra por inteiro, ainda que sob suspeição da mídia e de boa parte dos torcedores. França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha, estas sim estão assombrando torcidas, enganando “experts” e apostadores.

Europeus e africanos são enormes decepções no momento. O bom futebol desapareceu, na maioria dos casos por motivos ainda desconhecidos, especialmente quando tratamos de espanhóis, italianos e franceses. A tese não é original por ser óbvia, mas na minha modesta opinião não é coincidência que o mau futebol esteja justamente com os países que mais importam jogadores.

Na hora de suas seleções, com os nativos em campo, mostrarem serviço em uma competição tão difícil como a Copa do Mundo é o que se vê. Ou o que não se vê. Cadê o futebol destes times considerados favoritos, cheios de nomes badalados e de contratações milionárias? As equipes da África também estão caprichando nas más apresentações, embora vítimas de um fenômeno inverso ao que atinge a Europa. Nem os anfitriões sob a batuta de Parreira escaparam do fracasso. Por sinal, faz tempo que o homem não ganha um título ou faz algum trabalho que preste.

Consideremos que estamos no começo, recém concluindo a segunda rodada da primeira fase, mas é preocupante este equilíbrio, para mim falso e muito emblemático.Já ouvi que o imprevisível é que dá graça ao futebol. Também, acho, só que com selo de qualidade.

Consolo em caso de um desastre domingueiro


A charge do Galhardo em blog da Uol mostra como se sente uma parte dos brasleiros em relação à insuportável chatice de um ser chamado Dunga

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tão longe, tão perto

Na medida em que diminui o tempo para organizarmos a Copa de 2014 aumentam os problemas e desentendimentos entre governos de estados, municípios sedes e a CBF. São Paulo puxa a fila graças à implicância de Ricardo Teixeira com o São Paulo por conta de uma rinha com Juvenal Juvêncio, presidente do clube. O Morumbi está oficialmente fora dos planos da Fifa para a abertura. Não consigo imaginar a maior cidade da América do Sul, capital de um estado de economia forte como São Paulo, sem um joguinho da Copa do Mundo para figurar na sua história.

O Paraná acaba de se manifestar oficialmente através do governador Orlando Pessuti (assumiu no lugar de Requião): não haverá dinheiro público para construir ou reformar estádios. É o que todos dizem. No Rio Grande do Sul ainda se discute a isenção de impostos para obras no Beira Rio, o Grêmio aproveita e se atravessa oferecendo sua futura Arena. O Maracanã continua lá, intocável. Falam que em agosto o estádio será fechado para reforma, mais uma. No restante do país não há nenhum sinal de Copa, a não ser pela Bahia com o início da demolição da Fonte Nova.

Enquanto isso o Ministro do Esporte, Orlando Silva, ensaia alguns passos sem o menor jeito para dançar em um baile de cobras como este. O presidente Lula saiu em socorro do seu ministro e já calçou as botas para entrar na festa. Meteu o BNDES na jogada, oferecendo “empréstimo” para quem estiver meio atrapalhado e precisar de financiamento. Como nem só de estádios vive um evento de tal porte, ainda temos que lidar com a imprevidência e incompetência sem exceção de governantes mais preocupados com o futuro político, seus e dos respectivos partidos.

Obras de infra-estrutura urbana e questões importantes como segurança e saúde, que hoje não atendem nem as necessidades básicas da população, não figuram na pauta de discussões. Parece que as soluções cairão do céu. E não podemos esquecer que um ano antes do Mundial teremos que organizar a Copa das Confederações, competição teste que dará a medida da estrutura montada pelo Brasil para 2014. Nossa esperança é que a Fifa seja tão tolerante com nosso país como foi com a África do Sul.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Comida espanhola com sobremesa suíça

Paella com carne de zebra (cá entre nós, uma ignomínia) e chocolate suíço de sobremesa. Valeu todo tipo de piada depois do resultado surpreendente da tarde. A Suíça ganhou da melhor seleção espanhola dos últimos tempos, dizem seus próprios torcedores. Eu acredito e fico imaginando se isso acontecesse com a seleção brasileira estreando na Copa cheia de banca.

O torcedor espanhol, pelo menos segundo relatos madrilenhos, mesmo com a derrota aplaudiu o time e o treinador Vicente Del Bosque, reafirmando sua confiança em uma boa campanha e na conquista do primeiro título de uma Copa do Mundo. Ao contrário de nós que (e que ninguém nos ouça), mesmo ganhando, caímos de pau no técnico, jogadores e em quem mais se atravessar no caminho de uma imprensa exigente e de uma torcida apaixonada, todos mal acostumados.

O Uruguai se deu bem na abertura da segunda rodada e praticamente eliminou a África do Sul. Tem o lado bom, pois o ruído das vuvuzelas deve diminuir bastante. Por enquanto estamos todos bem. A participação sul-americana é positiva. Além da nossa seleção e a dos uruguaios, Argentina, Chile e Paraguai começaram positivamente e podem passar de fase. Oremos.

Dunga vai treinar a Coréia do Norte

Esperei a poeira baixar antes de falar sobre a estréia brasileira na Copa. É bom não falar muito ou escrever qualquer coisa ainda sob o impacto de uma apresentação pífia do nosso time. A desculpa, já se sabe desde a criação do mundo, é o nervosismo, a ansiedade, o friozinho na barriga que dá no primeiro jogo até nos mais experientes.

Aceitemos que sim, não adianta dizer o contrário. Afinal, outras seleções bem cotadas na bolsa de apostas como Inglaterra, França, Itália e Argentina passaram pelos mesmos obstáculos. Menos a Alemanha, que deve ter um terapeuta muito eficiente e tratou de mostrar logo que não está na África do Sul para um safári, mas sim para jogar um futebol bonito e eficiente.

Pode ser a primeira impressão e, quem sabe, mudaremos de opinião nas próximas rodadas. Em se tratando de Brasil, estou pessimista, mais do que antes da Copa, quando a soma de incoerências acabou parindo a tal de “coerência dungueana”. O treinador brasileiro insiste em responder sobre temas que não lhe foram perguntados para, no final, jogar pedras na sua Geni preferida, a imprensa. Em campo vemos nossos “melhores” jogadores atuando com a coerência que lhes é transmitida.

Não tem importância. Já estamos acostumados com essa chatice. Para compensar o estômago e o humor arruinados, descobriu-se uma seleção ideal para o Dunga treinar: a Coréia do Norte, justo nossa adversária da estréia. Kim Jong-II, o ditador da casa, não permite a transmissão direta dos jogos. O povo só pode assisti-los em compactos gravados com os melhores momentos, mesmo assim apenas em caso de vitória coreana. Treinos então, nem pensar.

Perfeito. Mas, como o Dunga é um sujeito muito ético, tem mantido o assunto em sigilo. Não seria legal anunciar agora que Kim Jong-Hum, o atual técnico, perderá o emprego em julho, logo após a Copa.

domingo, 13 de junho de 2010

Farinhada do mesmo saco

Escrevo estas mal traçadas aproveitando o relato do jornalista Juca Kfouri em seu blog e um mal estar que me bateu na volta do supermercado. Juca foi a Rostemburgo, distante pouco mais de 100 quilômetros de Johanesburgo, onde assistiu Inglaterra x Estados Unidos. Levou quatro horas para ir, outras quatro para voltar. Esse know how já temos por aqui mesmo. Basta ir a um jogo do Avaí na Ressacada.

Segundo Juca, o estádio Real Bafokeng, além de imundo, tem pontos cegos cobertos por plásticos nas cadeiras. Nenhum dos dois placares eletrônicos funcionou, as informações tipo escore e tempo do jogo vinham na voz de um locutor. Ah, e tinha fosso, coisa que a Fifa abomina e proíbe. Em torno do estádio formou-se um espetacular congestionamento e os voluntários eram mais desinformados que os espantados jornalistas a procura de uma orientação.

Testemunhos como este se repetem desde antes de a bola começar a rolar na África do Sul. Pelo que tenho lido, visto e ouvido dos profissionais que lá estão para fazer jornalismo sem oba oba, vamos organizar a nossa Copa em 2014 com uma mão nas costas. Ainda mais depois que o presidente Lula ofereceu o Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, para o que der e vier.

Como a Fifa não quer dinheiro público no negócio Copa do Mundo, a não ser para obras de infra-estrutura urbana, Lula teve o cuidado de avisar sobe o dinheiro que vai liberar através do BNDES: será empréstimo, não doação. Esse dinheiro tem ida e volta. Conta outra presidente, os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro não nos deixam mentir. Ao contrário, nos enchem de motivos para suspeitar da roubalheira que teremos por aqui com a chancela oficial.

No que toca à Fifa, estrategicamente faz um grande jogo de cena de acordo com seus interesses. A picuinha com os projetos do Morumbi é um exemplo, coisa de Josef Blatter, o presidente atual, em solidariedade a Ricardo Teixeira, Il Capo da CBF candidato na próxima eleição da Fifa e que não gosta de Juvenal Juventus, presidente do São Paulo. O desentendimento por enquanto, como queria Teixeira, rendeu a desistência paulista da abertura da Copa.

As observações iniciais nos levam à conclusão que os africanos devem ter retribuído às gentilezas e à tolerância da Fifa, não se sabe em que termos e em que medida. E em se tratando de Brasil os porões deste governo saberão contornar as dificuldades que possam atrapalhar os planos da pátria amada, salve, salve.

Isso tudo me veio à cabeça hoje pela manhã, depois que vi o Mário Cavalazzi às gargalhadas por entre as gôndolas de um supermercado.Lembram dele? O secretário de Turismo da Prefeitura do Dário envolvido no sumiço do dinheiro de um show e de uma árvore de natal e em outras falcatruas de menor porte. Voltei pra casa irritado e com ânsia de vômito. Estaria rindo de que este senhor? Com certeza de nós, os trouxas que votamos nessa ratatulha, pagamos impostos e os seus salários.

sábado, 12 de junho de 2010

Vamos aprender com a África do Sul

A festa na África do Sul está bonita, colorida, com o povo mais nas ruas do que nos estádios. O país é lindo, mas de riqueza mal distribuída, parecido com o nosso. E por trás do entusiasmo popular e do que representa um evento desse porte para o continente africano chegamos ao que precisamos entender e tomar como lição para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Os estádios custaram milhões de dólares, bilhões de reais, e não estão cheios. O que fará a África do Sul, de futebol incipiente, com essas portentosas praças esportivas? Os ingressos são caros, a própria Fifa reconheceu depois de perceber o encalhe.

Os problemas de mobilidade urbana transformam em perigoso e demorado rali o trajeto para os locais onde estão sendo disputados os jogos mais atrativos incluindo, é claro, os que terão a participação do país sede, como já aconteceu na abertura entre África do Sul e México.

Não há transporte coletivo, a não ser Vans, a maioria clandestinas, táxi é raridade e o trânsito é caótico. Tem gente da imprensa levando até quatro horas para chegar a um estádio, por mais curto que seja o percurso. Em certos casos é preferível ir a pé, como já fez uma turma da Globo.

O pior por enquanto ficou com a segurança. Os primeiros alvos de assalto foram alguns jornalistas portugueses, franceses, espanhois e chineses, roubados dentro dos próprios hotéis e na rua. É como mosca no mel, graças aos computadores portáteis, máquinas fotográficas e dólares, muitos dólares.

O custo de uma Copa do Mundo não pode ser medido apenas pelos investimentos de infra- estrutura física e sistema de comunicação, por exemplo. A segurança talvez seja um objetivo tão importante quanto as reformas e construção de estádios. Até lá, para não fazer feio e cair na boca do mundo, teremos que assimilar muitas das lições que serão dadas pela África do Sul, para o bem ou para o mal.

Jabulani faz a primeira vítima

Green, protagonista do primeiro "frango" da Copa (site da Fifa)

Dois dias de Copa na África do Sul e nada de novo. Jogos chatos, nenhuma inovação tática, nenhum jogador a destacar, a não ser os goleiros da Nigéria e dos Estados Unidos. O goalkeeper da Inglaterra, Mr. Robert Green, apanhou da bola, Miss Jabulani, e deixou verde de raiva a torcida da Rainha graças ao sensacional “frango” engolido na partida que teve a boa arbitragem brasileira de Carlos Simon. E nada de Messi ou Rooney, e outras atrações menores das duas primeiras rodadas onde aconteceram três empates, dois em 1 a 1, um de zero a zero, com o maior escore na vitória da Coréia do Sul sobre a Grécia por 2 a 0. É cedo ainda, mas se for assim até o final veremos com segurança a pior Copa do Mundo de todos os tempos em termos técnicos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O exterminador do futuro

Chamusca (foto site do Avaí)

O Avaí chamou a imprensa para anunciar com alarde que firmou convênio com o Santa Fé da Argentina, clube formador de atletas. Pra que, pergunto eu? Talvez para fornecer jovens jogadores ao clube argentino. Só pode ser, porque diante das atuais circunstâncias não vejo o menor sentido nesta parceria. O Avaí tem se notabilizado pelo péssimo aproveitamento de suas divisões de base. Os cadáveres ainda não esfriaram, fruto do extermínio cometido pelo treinador Péricles Chamusca a partir do fim do campeonato catarinense com chancela dos homens do futebol, leia-se direção e parceiros.

Os jovens são escalados, substituídos e retirados até do banco de reservas sem o menor critério. Por essa experiência já passaram o goleiro Renan, os meias Gustavo e Medina, os atacantes Laerte e Cristian. Os casos mais emblemáticos são os de Rodrigo Thiesen e Johny, titulares eficientes do meio campo até Chamusca decidir por defenestrá-los sem nenhuma justificativa digerível. Cada vez que tentou se explicar o treinador só aumentou o tamanho da mentira. A última foi de doer, quando Rodrigo Thiesen estava em lugar incerto e não sabido há mais de mês e de onde de repente apareceu para virar titular contra o Fluminense.

A emenda foi pior do que as explicações anteriores: tinha empresário na arquibancada para observá-lo. Significa dizer que as questões técnicas e de interesse do time ficam em segundo plano. Enquanto isso, sabe-se lá a que custo, chegam ao Avaí pencas de jovens jogadores da mesma posição, com alguns mais velhinhos passando por extensas temporadas no departamento médico. Leonardo, Vandinho, Sávio e outros menos votados seguem como esperanças para um futuro tão distante quanto a possibilidade de o Avaí fazer boa campanha neste Brasileirão.

Pelo jeito e pelo andar desgovernado desta carruagem o único a lucrar com a parceria nas atuais circunstâncias serão os argentinos do Santa Fé. Prejuízo certo para o clube que possivelmente ainda terá que procurar um treinador com métodos mais palatáveis e coerentes.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eles sabem o que dizem e o que fazem



A mídia impressa e alguns setores da mídia eletrônica, com razão, não engoliram o amistoso disputado pelo Brasil em Zimbabwe, muito menos a cobrança de dois milhões de dólares pela apresentação. O país vive há trinta anos sob uma ditadura cruel de Robert Mugabe, a condição de miserabilidade é explícita, o índice de desemprego chega a 60% e a inflação beira os 98% dia.

A repercussão negativa eclodiu nesta quinta-feira na maioria dos veículos de comunicação do Brasil, exceção feita à TV Globo, cuja opção é sempre pela cobertura obaobista. As fotos da soldadesca à beira do gramado cercando os governantes, bem como as imagens do bando de seguranças em torno de Mugabe e seus comparsas, são suficientemente esclarecedoras e indícios bastante significativos sobre o tipo de regime vivido por aquele povo.

Nem os nossos jogadores escaparam impunes, seja pela absoluta omissão em declarações ou posicionamentos, ou simplesmente por um gesto até agora sem explicações ou entendimento do lateral Michel Bastos. Justo ele, um dos novos na seleção e destaque positivo da equipe neste infausto evento. Marcou o primeiro gol, muito bonito, por sinal, e em seguida, de frente para a arquibancada onde estava Mugabe, bateu continência. Uma comemoração irônica e debochada? Tomara que fosse.

A discussão aqui nunca foi sobre a qualidade do adversário, 110º no ranking da Fifa, número até irrelevante diante do que se sabia de antemão sobre o futebol inexpressivo praticado no Zimbabwe. O que conta é a absoluta impropriedade da visita àquele país e os trinta dinheiros exigidos pela CBF.

Não tivesse isso tanta importância, o governo brasileiro, que nunca sabe de nada, não se apressaria em justificativas, lavando as mãos para dizer que não tem nada a ver com o assunto, alegando que houve apenas um negócio direto entre a CBF, e Confederação do Zimbabwe.

De qualquer forma a polêmica escancara a falta de critério e inteligência dos homens que dirigem a Confederação Brasileira de Futebol, da sua Comissão Técnica liderada por Dunga e, principalmente do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, nosso Judas de plantão, sempre a interpretar ao seu jeito as virtudes da democracia.

Cinco dias em Curitiba, com a seleção trancada em um bunker? Pra que? Adaptação ao frio? Bobagem. Extendendo um pouco a estada na capital paranaense o Brasil poderia isto sim, ter feito os primeiros treinos e até disputado um jogo amistoso, concretizando uma despedida muito mais proveitosa e agradável para o torcedor brasileiro. Várias das seleções que estarão na Copa continuam em seus países, treinando e fazendo amistosos interessantes e distantes de qualquer constrangimento diplomático.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A razão das mãos no bolso

Foi um tedioso treino, não mais que isso, com camisas oficiais e arbitragem da Fifa, suficiente para a seleção brasileira fazer jus aos dois milhões de dólares recebidos pela apresentação. O time mostrou a habilidade de alguns jogadores, a má forma do Kaká, o futebol medíocre do irritadiço Felipe Melo, e a fragilidade do meio de campo na proteção à zaga.

No mais foi curioso e ao mesmo tempo triste ver, sem nenhum registro ou comentário das alienadas transmissões brasileiras de tevê, o ditador do Zimbabwe, Robert Mugabe, descer ao gramado cercado por um bando de aspones e dos seus seguranças, naquela pose típica de governantes autoritários e mal queridos pela humanidade..

Além do teste, este amistoso em Harare, a capital do país, revelou para nós brasileiros, acostumados aos regimes ditatoriais de direita e esquerda, algumas peculiaridades que explicam a postura de determinados jogadores e do técnico Dunga quando da passagem por Brasília.

Perfilados para os tradicionais cumprimentos, eles desfilaram em frente ao presidente Lula e dona Marisa com uma das mãos no bolso. Agora se sabe a razão desta suposta falta de respeito, que na verdade era uma preparação para Zimbabwe, onde qualquer movimento com a mão aberta é confundido com um gesto característico da oposição ao regime de Mugabe. O infeliz que for pego em flagrante tem a mão decepada.

Como estavam em Brasília, e no Palácio, chegou-se a pensar também que a mão enfiada no bolso era para proteger a gorda diária recebida pouco antes do embarque para a África do Sul.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ora bolas


O Dunga, misto de treinador da seleção brasileira com psicólogo e corregedor da mídia, acaba de descobrir que nem todo mundo gosta de sexo, sorvete ou vinho. E ele, gosta do que? Favor encaminhar respostas à concentração do Brasil em Johanesburgo, África do Sul.

Mas a melhor de todas é que nossos jogadores não gostam de verdade é da bola, o que de certa forma já se sabia, não chega a ser novidade. Nessa turma tem alguns que até a odeiam. A Jabulani, como é chamada a bola no país desta Copa, está levando chutes verbais de todo o lado, a começar pelo goleiro Júlio César, que lembrou daquelas compradas em supermercado por quem quer fazer caridade baratinha e sem maiores compromissos.

O Felipe Melo, com a sutileza e falta de tato que já lhe renderam cinco expulsões no campeonato italiano e duas na seleção brasileira, fez uma inexplicável comparação entre a mulher de malandro, que gosta de apanhar e de maus tratos, e a patricinha, metida a besta e que se julga a melhor de todas. O que ele quis dizer com isso em relação à bola da Copa, ninguém entendeu. Junto com as respostas sobre Dunga, enviem também perguntas ao Felipe Melo.

O que todo mundo percebe é que a cada Copa do Mundo as primeiras críticas são para a bola, sempre cheia de defeitos. Quanto mais a tecnologia avança, mais ela desagrada, do goleiro – o brasileiro Júlio César, o espanhol Casillas e o italiano Buffon - ao ponta esquerda, como se dizia antigamente. A grande coincidência está no fato de que os que reclamam da bola da vez são patrocinados pelo fabricante concorrente, no caso a Nike, já que a “porcaria” de hoje é produto da Adidas.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dunga por Paixão

Foto Rafael Sena/bahia.com


Intiquei de vez. Não consigo mais ver ou ouvir as entrevistas do Dunga. Quanto menos falar melhor, para nós jornalistas e para o torcedor. Ele tem bons ouvintes entre os jogadores que além de entenderem sua linguagem têm a obrigação de agüentar o discurso que raramente traz algo de novo para simples mortais como nós.

Até porque agora não tem mais volta nem novas convocações, a não ser que o imponderável pregue alguma peça na fortaleza onde está escondida na África do Sul a seleção de guerreiros. Só faltaram o fosso, crocodilos, uma ponte elevadiça e óleo fervente para jogar sobre os invasores. O time protegido por Dunga está definido, tudo indica com apenas uma dúvida na lateral esquerda entre Gilberto e Michel Bastos. É esperar e torcer para que tudo dê certo, para que nosso exércto vença esta batalha africana.

O único personagem interessante de se ouvir a esta altura seria Paulo Paixão (foto), preparador físico da seleção brasileira, reconhecido como um dos grandes profissionais nesta área. Gostaria que ele explicasse a razão para tantos jogadores lesionados nos nossos clubes, inclusive no dele, o Grêmio, que perdeu todos os seus laterais esquerdos, jogadores de meio campo e o atacante Borges.

Deve estar acontecendo alguma coisa de anormal no futebol tupiniquim. Na Europa, com calendário parecido, é difícil de se ouvir informações sobre equipes com tantos desfalques por lesão como acontece no Brasil. Até mesmo os brasileiros que jogam por lá raramente aparecem nos noticiários por estarem machucados. Kaká foi a exceção nos últimos tempos, o único soldado ferido.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O mar quando quebra na praia

Foto Duda Hamilton

Foto Maria Garcia



Fui ver de perto os estragos na praia da Armação. Estragos do mar ou do homem? Os proprietários de imóveis na orla deste balneário no sul da Ilha estão hoje sofrendo as consequências de ações imprevidentes, algumas ilegais, e da omissão de décadas das autoridades municipais.

Por três vezes fui morador da Armação, no tempo em que havia praia para banhos tranqüilos e caminhadas, sem o molhe que a separa do Matadeiro e que hoje é um dos motivos para grandes discussões na comunidade. Encontrei um quadro desolador, com o mar derrubando tudo, lambendo a areia que ainda resta de alguns terrenos. Casas recém construídas foram abandonadas, algumas já pela metade, outras com as primeiras rachaduras aparecendo.

A Prefeitura mal deu o ar da graça. Encontrei por lá apenas um peão, como ele mesmo se definiu, “um controlador da logística dos militares”. O que é isso? Não sei. Resposta com a Secretaria de Obras. Se achar o Secretário ou alguém que responda por ele.

O que fazem lá os militares? Um bando de meninos imberbes enchendo sacos de areia para colocá-los na praia, tentativa infrutífera de segurar a força das correntes e da maré, que virá mais alta e destruidora de hoje para amanhã. Os sacos de areia estão indo embora, levados pelo vai e vem das ondas, junto com casas, terrenos, vegetação nativa e árvores frutíferas plantadas por quem cuidou com carinho de suas propriedades.

Moradores andam às tontas pelas ruas e próximos do mar, até onde ainda podem chegar. Não têm a quem recorrer, Seus pedidos de socorro são ignorados pelos órgãos ambientais, um deles a Floram, ligada à Prefeitura. Aliás, ninguém sabe onde anda o prefeito Dário Berguer. Dá pra imaginar. Possivelmente quebrando cabeça para tapar os furos de administrações tetra-campeãs de incompetência e safadeza, dois títulos por São José, dois por Florianópolis. E fomos ameaçados com o penta, caso este cidadão ganhasse na convenção do partido em que se abrigou, a candidatura ao governo do estado. Cruzes.

Voltando ao mar, a falta de projetos de prevenção ou emergenciais para socorro imediato à comunidade pode provocar danos maiores, como a salinização a Lagoa do Peri, por exemplo. Quem mora na aldeia e conhece os caboclos garante que o resultado seria o comprometimento da captação de água com prejuízos sérios ao abastecimento que chega até o leste da Ilha.

“O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito...” (Dorival Caymmi)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Futebol e diplomacia




Nos amistosos contra Zimbábue e Tanzânia a seleção brasileira vai conhecer dois lados diferentes da África. O Zimbábue, antiga Rodésia, vive grande decadência econômica e sérios problemas políticos com a ditadura de Robert Mugabe, fichado na comunidade internacional como um “fora-da-lei, ditador sanguinário e imoral”. Já a Tanzânia é uma das nações mais estáveis do continente, de natureza exuberante e um dos destinos preferidos para o turismo na região.

Os jogos estão marcados para 2 e 7 de junho. O primeiro será em Zimbábue e exigirá muito da diplomacia brasileira em um país com o governo que tem. Não imagino, por exemplo, os principais nomes da seleção brasileira posando ao lado de Mugabe. Se bem que Dunga talvez se sinta em casa. E que vamos enfrentar dentro do campo? A certeza é de mais trabalho para o Itamaraty que já tem dor de cabeça de sobra com os carinhos de Lula ao venezuelano Hugo Chavez e ao iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Já na Tanzânia o encontro será bem menos tenso, a começar pela postura do técnico adversário, o brasileiro Márcio Máximo. Ele promete um jogo competitivo, mas também quer colaborar com o treinador brasileiro no acerto da nossa seleção. O que ele quer dizer com isso, eu não sei exatamente. É possível que Márcio esteja traduzindo a vontade de Dunga e da Comissão Técnica de colocar o Brasil diante de equipes mais frágeis para evitar alguma lesão séria às vésperas da Copa do Mundo.

É perfeitamente compreensível esse cuidado da CBF, mas havia tempo de sobra para outro tipo de programação e planejamento com a escolha de adversários pelo menos mais representativos no contexto do futebol mundial. E passagem por nações não tão problemáticas e tão mal vistas ao ponto de causar sérios constrangimentos como Zimbábue, obrigando o Imaraty a andar de braço dado com mais uma ditadura.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os rábulas da bola

Tremei. Quando juristas sentam em torno de uma mesa para a elaboração e análise dos regulamentos das diversas competições que se disputam pelo mundo não se imagina as barbaridades que vamos enfrentar como jornalistas ou torcedores. A Libertadores, Copa do Brasil e os campeonatos estaduais estão aí para mostrar que só andamos para trás em matéria de legislação esportiva.

Vejam, por exemplo, a Taça Libertadores da América, de nome pomposo e um dos torneios mais importantes do futebol mundial. Por causa do tal gol qualificado, uma praga que se espalhou pelo planeta, tem muita gente passando de fase mesmo com derrota. O Inter ganhou do Estudiantes em Porto Alegre, perdeu na Argentina, mesma situação de Universidade do Chile e Chivas Guadalajara, outros dois semifinalistas mesmo como perdedores no jogo de volta. O único garantido com duas vitórias foi o São Paulo que ganhou do Cruzeiro no Mineirão e no Morumbi.

A Copa do Brasil na fase do mata-mata repete a Libertadores. O Santos perdeu um jogo, ganhou outro do Grêmio e está na final contra o Vitória que passou pelo Atlético Goianiense. Nesses casos ainda houve o saldo de gols para deixar as coisas mais ou menos no seu devido lugar.

O buraco é bem mais em baixo quando o assunto envolve os nossos campeonatos regionais. A Federação Catarinense e o seu Tribunal de Justiça acabam de dar um péssimo exemplo de vigarice e incompetência administrativa. Jogaram um campeonato inteiro com um regulamento fajuto e mal elaborado, maquiavelicamente preparado para permitir a abominável virada de mesa.

O beneficiado da vez foi a Chapecoense, mas poderia ter sido qualquer um dos outros chamados grandes. Os pequenos, coitados, são submetidos aos rigores de lei. O rebaixamento da Chapecoense, graças a uma providencial omissão do regulamento virou peça de comédia encenada pelo presidente da Federação, Delfim Peixoto, seu vice jurídico Rodrigo Capela e os doutos auditores do Tribunal de Justiça (?) Desportiva.


Podem jogar fora o regulamento do campeonato e o Código Desportivo. Não servem pra nada, a não ser para manipulação de acordo com interesses que passam bem longe dos gramados.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O feitiço das Vilas

O Grêmio bem que se esforçou para evitar a derrota, mas não passou impune pela casa do Santos. A missão era difícil, ainda que em Porto Alegre o enredo tenha sido diferente com final feliz para os gaúchos. O futebol dos meninos dirigidos por Dorival Júnior – técnico que aprendeu por aqui o beabá dos vestiários, junto com Muricy Ramalho, Adilson Batista e Silas – é empolgante, flui naturalmente e só não agrada os que preferem o tosco. Como fez o Kleber, do Cruzeiro, expulso no primeiro minuto do jogo decisivo contra o São Paulo. Foi, se não me engano, a sua sexta expulsão no ano, segunda na Libertadores.

O Santos não só venceu. Construiu o resultado com três golaços. Tenho a impressão que fico assim tão encantado, acometido de nostalgia, por ter visto o Santos de Pelé, a seleção de 70 e um monte de craques produzidos pelo futebol brasileiro. Especialmente a Vila Belmiro, com breves intervalos, não para de nos enfeitiçar com seus garotos nascidos na base. É uma espécie de bruxaria do bem que dá aos nossos estádios a beleza que de tempos em tempos tanta falta faz à bola que jogamos pelo país inteiro.

E tem gente que não gosta, que não dá à mínima, em nome de um tal de pragmatismo, de uma tal de coerência, daquela fidelidade que exige armaduras para serem vestidas por um grupo de guerreiros.

Essa turma certamente nunca ouviu Noel, não conhece um pedaço sequer do “Feitiço da Vila”, composição que pode, como diz o último verso, emoldurar além do samba da Vila Isabel, o belo futebol nascido e criado na Vila Belmiro.

“Eu sei tudo o que faço, sei por onde passo, paixão não me aniquila. Mas, tenho que dizer, modéstia à parte, meus senhores, Eu sou da Vila!” (Noel Rosa/Vadico)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Outra bengalada da caquética senhora Fifa

Os puristas e conservadores do futebol, praticamente os mesmos que torcem o nariz para as peraltices do atual time dos Santos, estão babando de felicidade com a proibição pela Fifa da paradinha. Entre eles, obviamente, deve estar o Dunga. Ninguém mais que o treinador da seleção entrou com tanto empenho guerreiro e coerência na campanha “Craque, nem pensar”. É hoje, incrivelmente, uma cruzada que ganha seguidores entre muitos jornalistas, técnicos e jogadores, logo no país da bola.

Não são todos que usam a paradinha na cobrança do pênalti. E por quê? Simplesmente por opção ou falta de habilidade, de malícia, atributos básicos necessários para a execução com sucesso deste tipo de lance. O futebol, o nosso, principalmente, só é bonito de ver quando o talento entra em campo. Infelizmente a maioria dos treinadores da moda prefere a mistura de bola com burocracia, ao invés da improvisação e criatividade.

Primeiro defender, de qualquer jeito, depois atacar, pregam os manuais de vestiário. Há quem goste de lances criminosos tipo a falta cometida pelo ganês Kevin-Prince Boateng que chutou propositalmente a perna e o tornozelo do Ballack, causando lesão grave e desfalcando a seleção alemã na Copa da África. E o que fará a senhora Fifa com o agressor? Nada. Como prêmio ele jogará o Mundial por seu país.

Alegam os defensores da punição aos malabaristas e bem dotados do futebol que a paradinha é uma covardia contra o goleiro, geralmente enganado pela movimentação do cobrador de pênalti. Ora, é elementar que o time que comete alguma infração dentro da área e merece a chamada “pena máxima”, não deve ser blindado com medidas protetoras como essa proibição da paradinha. O goleiro que se vire para impedir que o adversário tenha sucesso na sua tarefa. Os talentosos e criativos é que não podem virar bandidos, vitimizando quem viola as regras do jogo ao cometer o pênalti.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Professores de que mesmo?



Desde que começaram a encher o futebol de números virou uma chatice ouvir a maioria dos treinadores e alguns comentaristas do esporte. O entrevistado explica o esquema para a próxima partida lançando mão de 3-5-2, 3-6-1, 4-4-2, e mais um monte de baboseira numerológica, deixando zonzo o torcedor-ouvinte-leitor-telespectador. O entrevistador dá corda e o diálogo vira uma conversa de doido.

Quem gosta desse tipo de lorota são os “professores”. Sob a proteção de contas que não fecham, de uma matemática que só eles entendem e que não fazem o menor sentido na maioria dos casos, não precisam explicar porque não escalam determinado jogador, as razões de um mau resultado ou uma substituição mal feita. A estratégia é jogar com os números nas respostas prontas cuja única intenção é desviar o foco do assunto principal. A falta de curiosidade da grande maioria dos repórteres ajuda a montar o quebra cabeça e a espalhar a cortina de fumaça.

Apesar dos bons resultados conquistados até aqui, Péricles Chamusca é um dos exemplos mais próximos da utilização do mantra matemático. Enquanto isso o técnico do Avaí escapa de explicar convincentemente, o crime lesa-patrimônio que comete ao expurgar do time um talento como o cria da casa Rodrigo Thiesen e o aproveitamento de outros atletas tecnicamente muito inferiores. Esse menino não tem servido nem para o banco de reservas e acabou exilado na Copa Santa Catarina, ao mesmo tempo em que alguns pernas de pau ganham vaga entre os titulares para jogar a série A do Campeonato Brasileiro.

Como seus companheiros de profissão, Dunga principalmente, Chamusca se protege com números e acerta no erro. Roberto é um atacante de ofício e goleador, mas só virou titular com a lesão dos preferidos pelo técnico. Na seleção vejam o que aconteceu com Luis Fabiano, escolhido por necessidade e na emergência, só depois de experiências mal sucedidas e lesões dos eleitos por Dunga.

A garotada da base no Avaí é muito mal aproveitada e desvalorizada, ao contrário dos veteranos que vem de fora e ficam mais tempo no departamento médico do que em campo. Parece que a escalação depende da aprovação dos parceiros e donos da maioria dos jogadores. Se não, como explicar a presença no time e a insistência com Rudinei, Davi, Robinho, Batista, entre outros? E o Sávio, quantas partidas jogou pelo Avaí, de que tipo de lesão ele sofre? Como é, nesse caso, a relação custo-benefício com o clube?

São respostas que Chamusca e os parceiros não tem ou não querem dar. Preferem lançar mão dos números, muitas vezes mentirosos ou inúteis. Mas o treinador hoje é o senhor todo poderoso no futebol brasileiro. O atleta vira um mero instrumento, uma pedrinha para mexer em cima do tabuleiro de um jogo com regras que só eles entendem. Ou fingem que entendem.

sábado, 15 de maio de 2010

Explicações sobre Dunga




Por Lourenço Cazarré




O CASMURRO SENHOR BLEDORN VERRI

Uma análise histórico-sociológico-bufo-futebolística

Mesmo sem o auxílio de uma pesquisa, me arrisco a dizer que a esmagadora maioria dos torcedores brasileiros não ficou contente com a convocação de Dunga. Nenhuma novidade: desde que me dou por gente, sempre escutei o rugido das multidões descontentes. Com exceção da época em que o comandante era Telê Santana, é claro. O povo amava o grande Telê e suas seleções de jogo bonito, que perderam duas copas.

Mas nem o ódio permanente da massa contra o selecionador nem a polêmica convocação serão examinados aqui. O que proponho é tentarmos entender como funciona a mente do nosso atual treinador. Tenho uma hipótese meio estrambótica. Vamos a ela.

Para explicar as convocações de vários jogadores que os torcedores consideram cabeças de bagre e para justificar a ausência de uns poucos craques mirins, Dunga usou basicamente duas palavras: comprometimento e coerência.

Acho que chegou até mesmo a usar uma palavra que provoca tremuras em brasileiros bem pensantes — obediência. Poderia, claro, ter recorrido à “disciplina”, que é a versão correta politicamente, mas que também não goza de unanimidade em terras próximas à linha do Equador.

Para entender Dunga, acho, temos que começar o exame pelos seus dois sobrenomes: Bledorn Verri, de origem alemã e italiana. Ele é descendente em terceira ou quarta geração das duas grandes correntes migratórias europeias que vieram para o Rio Grande do Sul no século 19. Os alemães chegaram primeiro (em 1824), os italianos, bem depois (1875).

O fracionamento das propriedades, decorrente da divisão das heranças, logo expulsou do Estado os filhos desses pioneiros. Eles então partiram para Santa Catarina (a partir dos anos 20), Paraná (anos 40 e 50), Mato Grosso e Rondônia (anos 70).

Ao se deslocarem para outros Estados, esses gaúchos expatriados se moviam sempre em grupos, com familiares ou vizinhos, às vezes sob o comando de um padre ou pastor. Para dominar a nova terra, todos tinham de trabalhar duro, colocando de lado seus interesses pessoais em função das metas coletivas. Além do trabalho pesado e da coesão comunitária, essa gente era extremamente apegada à ordem: se há uma lei, cumpra-se!

É essa fórmula mágica que Dunga quer implantar na Seleção, porque também ele é um migrante gaúcho.

Carlos Caetano Bledorn Verri saiu do Estado e foi ganhar a vida igualmente no campo. Trabalhou duro. Removeu a terra fofa dos deslumbrantes gramados alemães nos seus inesquecíveis e incontáveis carrinhos. Ganhou muito dinheiro, mas nunca abriu muito a mão, como todo “gringo” desconfiado e cauteloso. Em suma, manteve-se fiel à ética inflexível dos migrantes.

Foi essa voz profunda, foi esse nó que não se desata, foi esse algo que não pode ser descrito, que lhe ditou as justificativas na demorada entrevista coletiva. Não era bem o Dunga que falava ali. Eram centenas de milhares de agricultores gaúchos — descendentes de alemães e italianos, gente raçuda e ríspida — que discursavam para o país tropical, esta carnavalesca e futebolística nação, que os desconhece. Finalmente, depois de mais de século de anonimato, eles se fizeram ouvir através do casmurro selecionador.

Quem não levar em conta as origens profundas do nosso treinador, a sucessão de agricultores rudes e determinados que o antecederam, jamais vai entendê-lo. O certo é que, entendendo-o ou não, gostando dele ou não, teremos de engoli-lo, como dizia um de seus antecessores.

» Lourenço Cazarré, jornalista e escritor, morador de Brasília, é autor de A Misteriosa Morte de Miguela de Alcazar (Bertrand).


Publicado no caderno de Esportes do Correio Braziliense em 14 de maio de 2010.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A mídia e o esporte




O 9º Fórum Internacional de Esportes começou quinta-feira (13) no Centro Multiuso, em São José (SC) contando pela primeira vez com a participação da Associação dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina – ACESC. A entidade coordenou o “Encontro de Jornalistas e Cronistas Esportivos”.


Apesar da tímida presença de profissionais da área esportiva, os que lá estiveram marcaram presença com destaque em suas manifestações.


Na primeira palestra do encontro, o professor Fernando Gonçalves Bittencourt, da Universidade Federação de Santa Catarina (UFSC), discorreu sob o tema Futebol e Mídia: paixão nacional.


O jornalista Mário Medaglia (Florianópolis) e o radialista Francisco Milioli Neto, comentarista das rádios Transamérica FM (Criciúma) e Difusora AM (Içara) foram os debatedores da palestra moderada pelo professor João Kioshi Otuki e coordenada pelo presidente da ACESC, J.B.Telles.


Na segunda palestra da tarde, ainda dentro do “Encontro de Jornalistas e Cronistas Esportivos” o palestrante foi o professor Anderson Gurgel Campos, coordenador do curso de jornalismo, rádio e TV da Universidade de Santo Amaro (SP).
A palestra teve como debatedor o radialista Paulo Branchi, gerente de esportes e narrador esportivo da Rádio Guarujá/Florianópolis.

A Acesc pretende buscar maior participação dos seus associados extendendo ao interior do estado a organização de seminários e encontros para a discussão do jornalismo esportivo e outros assuntos relacionados à nossa atividade.Por J.B.TELLES(leia mais no site www.acesc.org)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vôo da galinha

Por PAULO SANT’ANA (colunista do jornal gaúcho Zero Hora)



Não sei o que foi mais deplorável, se a convocação de Dunga ou se a catastrófica entrevista coletiva que deu para o anúncio da convocação.

A entrevista foi a mais embaralhada e desastrada tentativa de um homem para tentar sair da escuridão dos seus limites para alçar voos intelectualoides às regiões da luz, a que é avesso por natureza.

A inteligência brasileira deveria ter sido poupada da pantomima de Dunga ao definir, numa caricatura sociológica, o que tinha sido a ditadura e a escravidão.

Um fiasco memorável. Além disso, foi uma aula de patotismo e de xerifismo, deixando claro que os valores a serem respeitados para a convocação da Seleção para a Copa do Mundo em nada dizem respeito ao talento e ao desempenho dos jogadores, mas, sim, a enganadores princípios de panelismo e subserviência.

Foi um vôo de galinha sobre o altiplano das ciências psicossociais.
*
Mas não se exige de um treinador da Seleção Brasileira que ele não seja analfabeto nem que seja um intelectual.

O que se exige como mínimo requisito de um treinador da Seleção Brasileira é que ele entenda de futebol.

E, ao não convocar Neymar e Ganso e ao assassinar a pretensão de Victor de ser convocado por ser o melhor goleiro entre todos os que jogam no país e atuam no estrangeiro, Dunga revelou toda a sua incompetência, o seu mandonismo, a sua megalomania e sua prepotência.
*
Não há como tirar Neymar da Seleção. Como ousou esta insolência à sensibilidade futebolística, Dunga se autonomeou como um Exterminador do Futuro, a natureza deu asas a Neymar, e Dunga prendeu-lhe o voo impiedosamente.

Nenhum dos 23 convocados por Dunga possui metade do talento de Neymar. Não tem explicação que este menino-deus do futebol seja afastado assim pela violência de Dunga dos quadros da Seleção.

Só pode ser pela vaidade e pela megalomania do treinador, que não admite que a opinião pública e a opinião dos entendidos possa superar a sua soberana opinião.
*
Este é o perigo que corre a escolha de um treinador que tenha sido um tacanho jogador.

Quando rejeita acintosamente convocar Neymar e Ronaldinho Gaúcho, Dunga está cometendo um atentado contra o talento, contra a arte, contra a beleza do futebol, o que já sob certo aspecto fazia quando ele era jogador de futebol e incrivelmente até hoje não deixou no espírito de ninguém saudade ou sequer lembrança de sequer uma jogada sua nos campos em que atuou.

Jogador grosso, trombadão, tosco, enrolado, que só joga à base do físico e do fôlego, fatalmente, se se tornar treinador, vai carregar para a nova profissão todos os defeitos da anterior.
*
Depois da entrevista trágica de Dunga ontem, restou por todo o espírito da nação o remorso e a injustiça da não convocação de Neymar e de Ganso. E, particularmente para nós, gaúchos, que temos assistido às grandes e inigualáveis atuações de Victor nos jogos do Grêmio, uma raiva incontida pela perversidade de sua não convocação. Não tem explicação, a não ser pelos desvios mórbidos que presidem os recalques.

Saí sem saber se o mais deplorável foi a convocação ou a entrevista coletiva do Dunga.

Mas agora, depois da antevisão de parte do que vai ser estampado nos jornais de hoje aqui no meu computador, posso garantir que não foi a entrevista do Dunga nem a convocação o mais deplorável.

O mais deplorável de tudo foi que há gente que gostou da entrevista do Dunga, considerou-a histórica e intelectualmente irretocável.

Tem gosto pra tudo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A pátria de chuteiras. Ui, que medo!




A convocação do Dunga não fugiu do esperado. Adriano mesmo cavou a sua cova e abriu vaga para Grafite. Tava na cara. A única surpresa foi a substituição do Vitor por Gomes. Não há muita diferença e o goleiro do Grêmio acabou injustiçado.

O duro vai ser agüentar um time sem talento, cheio de brucutus em baixa ou em fim de carreira. O Felipe Melo, o mais novo deles, logo após a divulgação da lista desligou no ar o telefone na cara do comentarista da ESPN Brasil, conhecido como PVC, por causa de uma pergunta sobre sua convocação. Ensinamentos do mestre. Por essas e outras não vale a pena discutir a presença de alguns eleitos neste grupo, muito menos as ausências. A entrevista coletiva pós-convocação foi uma lástima.

Pior ainda vai ser ouvir durante quase três meses o discurso do Dunga, repetitivo, burro, chato, enfadonho, ditatorial e reacionário. Já contaminou o auxiliar técnico Jorginho, mal que pode alcançar alguns jogadores. O homem não resiste a um questionamento sem devolver com uma agressão. E como gosta de falar em patriotismo. Ricardo Teixeira escolheu bem o seu “Goebbels”.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O dia Dunga

Nessa hora especular é preciso. Pouco depois do meio dia desta terça-feira Dunga vai mostrar a sua cara para o Brasil e o mundo que estão morrendo de curiosidade pela lista dos 23 eleitos que irão à Copa da África do Sul. A relação abaixo tem 21, faltando os dois da lateral-esquerda, dúvida que o próprio treinador plantou na cabeça de todos. Claro que ele já fez sua escolha, como também deve ter eliminado qualquer possibilidade de acrescentarmos talento a essa seleção que vai nos representar daqui a um mês. O povo quer Ronaldinho Gaúcho, Hernane, Ganso, Neymar... Dunga vai contrariar até a Maria Antonieta, se é que ela disse o que dizem que disse. Comeremos mesmo é pão, nada de brioches, como teria sugerido sua majestade aos miseráveis da sua época. Vamos conferir depois do almoço deste esperado dia 11 de maio.

• Goleiros

Júlio César (Inter de Milão)
Doni (Roma)
Victor (Grêmio)



• Laterais-direitos

Maicon (Inter de Milão)
Daniel Alves (Barcelona)


• Zagueiros

Lúcio (Inter de Milão)
Juan (Roma)
Luisão (Benfica)
Thiago Silva (Milan) -


• Laterais-esquerdos

Ninguém sabe, só o Dunga


• Volantes

Gilberto Silva (Panathinaikos)
Felipe Melo (Juventus)
Josué (Wolfsburg)
Ramires (Benfica)


• Meias

Elano (Galatasaray)
Kaká (Real Madrid)
Júlio Baptista (Roma)
Kléberson (Flamengo)

• Atacantes

Robinho (Santos)
Luis Fabiano (Sevilla)
Nilmar (Villarreal)
Adriano (Flamengo)

Os três ou quatro Mosqueteiros


E não tem ninguém pra virar essa mesa



O começo de tarde desta terça-feira será de sofrimento, talvez de muita decepção para quem gosta de futebol bem jogado e de uma seleção brasileira cheia de alternativas. Afinal de contas, que país dá ao seu treinador tantas opções para qualquer setor do time?

Certamente não é o país do Dunga. Mas isso é assunto para a terça-feira, quando não haverá surpresa, como disse o próprio treinador. Entendi nessa afirmação que pelo menos o Ganso será chamado para o lugar das mais injustificadas das convocações, a do rubro-negro Kleberson. Têm outras, mas fiquemos nessa.

Não há mais o que fazer, a não ser dar uma sugestão ao Dunga para reforçar a sua comissão técnica, algo assim tipo os três mosqueteiros do Alexandre Dumas, que na verdade são quatro. Athos, o Dunga, já conta com o seu Dartagnan, o auxiliar técnico Jorginho. Falta chamar Portos e Aramis. Basta convidar o Fossati, técnico do Inter, para compor o grupo dos mal humorados e respondões, e o Chamusca do Avaí, aquele que vive fazendo besteira e se dando bem. Com esses dois, mais o Jorginho que já lhe acompanha faz tempo, o Dunga ganhará confiança, não para enfrentar a Copa com um bom time, mas para levar adiante sua nobre missão, que é defender a corte do Rei Ricardo contrariando a vontade de milhões de brasileiros.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O melhor hospital de Florianópolis

Quem se queixa do atendimento e das condições dos hospitais públicos e privados de Florianópolis é porque não conhece a estrutura oferecida por aquela casa de saúde no caminho para o aeroporto. Ali se joga futebol nas quartas-feiras e finais de semana, por conta da sua outra finalidade, a principal. O resto do tempo é destinado ao cuidado de pacientes com lesões tão complexas que demora meses para fazê-los voltar às suas ocupações normais.

Desde o ano passado tem sido grande a procura pelas especializações da casa e seus profissionais. Alguns não tiveram jeito e foram mandados embora sem a desejada cura. Mas a clientela continua aumentando, provavelmente pela fama adquirida país afora.

Tanto que acaba de chegar mais uma leva com clientes que há mais de ano não conseguem exercer sua profissão. Parece que são jogadores profissionais. A preferência é por pacientes de idade mais avançada, mas não há restrições de procedência, até porque alguns pacientes considerados bons de marketing e com currículo internacional ajudam a divulgar as qualidades do estabelecimento. Jovens são prontamente descartados para o que chamam de banco de reservas ou negociados para que façam sucesso em outras paragens.

Apesar do sigilo mantido em torno das necessidades dos seus internos, descobriu-se que o mais famoso deles na atualidade tem funcionado como boa peça de propaganda. Resultado obtido graças à sua extrema facilidade no trato com o público externo. Já disse, por exemplo, que independente do que acontecer daqui por diante, pretende ficar na cidade. Sua família, o gato e o papagaio estão perfeitamente adaptados, o povo é acolhedor e muito tranqüilo. Marqueteiro, ele? Não, simplesmente agradecido à oportunidade remunerada de desfrutar das belezas naturais da nossa capital. Deixa ele descobrir que vivemos numa reprodução em miniatua do Rio de Janeiro, onde morava.

O dito jogava futebol, do qual estava afastado – dizem que por lesão crônica – e há mais de seis meses não botava o pé numa bola. Ao saber das excelentes condições de tratamento na casa de saúde catarinense aceitou de pronto o convite para nela tentar sua recuperação. Se desse voltaria ao futebol, ao menos para jogar uma meia dúzia de partidas. Foi o que aconteceu. O tratamento continua, intercalado com alguns cuidadosos testes de campo. Nada de gramados ruins ou adversários muito difíceis. E pelo jeito os objetivos foram plenamente alcançados, já virou queridinho da torcida e da mídia.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Nova pizza com os mesmos ingredientes


Delfim não deu chance nem para Pedro Lopes, representante do Governador (foto Marco Luiz Gonzaga)


As próximas atrações estão batendo à porta do torcedor catarinense. A Copa Santa Catarina, para ocupar os desocupados e outros nem tanto, começou com o Criciúma e Brusque. No final de semana chega o Campeonato Brasileiro para Avaí e Figueirense.

Enquanto isso tratemos das estripulias de Delfim & Cia, na sede da Federação, chamada indevidamente de “a casa do futebol”, graças ao chefe maior, cuja demonstração de pavonice explícita domingo na Ressacada não deu chance nem para o representante do Governador, presidente da Fesporte e membro do Conselho Estadual de Desportos, Pedro Lopes. O homem ficou escondido no palco da premiação (de óculos, à esquerda na foto), enquanto Delfim Peixoto, vestindo uma calça jeans velha e surrada, camisa aberta, aquela correntinha aparecendo pendurada no peito, distribuía medalhas a vencedores e vencidos.

Identificado mais uma vez o Castor de Andrade do futebol catarinense, vamos aos fatos. A virada de mesa para trazer de volta a Chapecoense à primeira divisão está pronta e nas mãos dos auditores Tribunal de Justiça. A desfaçatez do presidente da FCF e seus auxiliares mais diretos, incluindo o vice jurídico, Rodrigo Capela, não tem limites. O vale tudo inclui, em primeiro lugar, desrespeito á legislação e, na sequência, mentiras, muitas mentiras.

Dizer que o regulamento é omisso é uma delas. Como é que um rebaixado para a segunda divisão, no caso a Chapecoense, pode voltar à divisão principal com uma simples canetada, sem disputar o acesso? A lei, interpretada corretamente, e não convenientemente, é muito clara. Mas faz tempo que esta armação ganhou cara (Delfim) e corpo (Federação), na verdade desde que o representante do Oeste se viu ameaçado de rebaixamento.

Outro dia encontrei um amigo, membro do TJD, indignado com as críticas da imprensa pelas últimas decisões daquele colegiado. Prometia ele, por exemplo, que os incidentes do clássico mereceriam apreciação diferente pelo Pleno do Tribunal, ao contrário do que aconteceu em uma de suas câmaras disciplinares, onde todos foram perdoados. Nada disso aconteceu, comprovando a correção dos comentários críticos e das manchetes de jornais. As punições foram brandas, na contra mão da gravidade dos incidentes. Sobrou para os coitados dos gandulas, a parte mais fraca nesse episódio, enquanto o Avaí, que arrumara um “laranja” para a autoria do foguete em campo, recebeu punição branda, bem como outros personagens envolvidos.

Assim sendo, como vão dizer que o tribunal não pune ninguém? Ridículo, pra não chamar de outra coisa mais séria. Um dia acreditei que a garotada que tomara conta do judiciário esportivo, daria um jeito nas velhas raposas daquela instituição. Na parte que me toca, dependendo do que acontecer em relação a essa receita para pizza oestina, darei nomes aos bois. Ou melhor, aos pizzaiolos de Balneário Camboriú.

domingo, 2 de maio de 2010

O lado B dos campeões e suas festas

O Avaí passou o rodo no Joinville (5 a 1 na soma dos dois confrontos) , ganhando com mérito e sobras o bicampeonato catarinense, graças à supremacia técnica do time, apesar das escolhas do técnico Péricles Chamusca. A conquista chegou com vitória tranquila no jogo decisivo. Ao contrário de São Paulo onde o Santos virou campeão com derrota na final, mesma situação para o Grêmio que perdeu para o Inter e levou a faixa. Coisas de regulamento. De qualquer forma, melhor é ganhar perdendo do que ganhar e não levar, como Santo André e Internacional.


Cá pra nós, que vergonha o Delfim Peixoto. Camisa aberta, correntinha de prata no peito, calça jeans desbotada, parecia um bicheiro, não um presidente de Federação. Se bem que a solenidade para entrega da premiação foi esculhambada como a maioria das federações estaduais costuma fazer. Só que a nossa faz com louvor. Delfim não deixou pra ninguém entregar as medalhas, só ele, para os dois times. Pavonices a parte e apesar da postura deselegante deste dirigentes, os avaianos mereceram como ninguém fazer a festa. Não é fácil manter fidelidade a um clube que obriga seus apaixonados torcedores a cada jogo a um verdadeiro rali de acesso e saída da Ressacada. Culpa de quem promete e não cumpre - estado e município - facilitar a vida dos que frequentam estádio e aeroporto.



Outra coisa: o professor Pardal Chamusca inventou e se deu bem. Eliminou do time que começou a temporada todos os garotos que vinham sendo titulares e jogando bem: Rodrigo Thiesen, Jony, Medina e até o goleiro reserva Renan, escalado para um jogo decisivo como o de Joinville, e que no outro nem no banco fica. E o Roberto só virou titular por obra do acaso, pelas lesões do Vandinho e do Leonardo. Menos mal que alguns dos eleitos deram conta do recado, o título chegou e os analistas de resultados estão aí para jogar confete e tirar conclusões em cima do óbvio.



Entretanto, é bom que o Avaí tenha muito claro que estadual é uma coisa, Brasileiro é outra. Basta lembrar o Silas ano passado. Quando ele e a direção se deram conta da iminência de um desastre com a ameaça de rebaixamento, pararam de inventar e o Avaí reagiu para fazer uma bela campanha.


E por fim, já estão preparando a virada de mesa pra botar a Chapecoense de novo no campeonato principal. Deu pra perceber nas declarações de domingo do Delfim e do vice jurídico, Rodrigo Capela. Empurraram o assunto para o Tribunal de Justiça, uma pizzaria que tem servido bem a clientela.

Decisões dominicais


O Avaí é o barbadão domingueiro


O domingo promete, principalmente para avaianos, gremistas e santistas. Os adversários envolvidos nas decisões de Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo, as principais do dia, devem se agarrar com todas as rezas e todos os santos que estiverem ao alcance.

O Avaí é pule dez, gíria turfística para apontar um favorito descarado. Devolve o dinheiro da aposta. O Joinville tem que marcar três gols e não tomar nenhum para levar o caneco, Uma façanha difícil de acreditar que aconteça em plena Ressacada. A não ser que o técnico Chamusca esteja naqueles dias de mágico às avessas, quando afronta a inteligência e o bom senso, prejudicando não só o time, mas também a garotada revelada ali mesmo, perto do aeroporto.

O torcedor q ue for ao estádio Olímpico vai assistir algo parecido com a Ressacada. O Grêmio é favoritíssimo diante do Inter, cujo treinador, medroso de carteirinha, às vezes parece trocar experiências (negativas) com Chamusca. Fossati como técnico foi um grande goleiro. Só os dirigentes acreditam no homem das missões impossíveis, reverter a vantagem gremista na decisão do Campeonato Gaúcho e na Libertadores liquidar os argentinos do Banfield para quem o colorado perdeu fora de casa por dois gols de diferença.

Em São Paulo a festa santista só não acontece se o time inteiro tiver uma crise de apendicite aguda, patologia adotada no Fluminense em semana de decisão. O Santo André é um sparring valente, daqueles que se atrevem de vez em quando a dar uma estocada no adversário muito mais forte. Não mais que isso. Aposto todas as minhas fichas nos meninos da Vila. O título paulista é do Santos e ninguém tira.

E o Adriano, hem? Jorginho, o auxiliar técnico do Dunga, foi ao treino do Flamengo sábado para ver o jogador e conversar com ele, mas bateu com o nariz na porta. Por coincidência, depois de uma festa na Vila não sei qual, sexta-feira à noite, a mãe do rapaz teria passado, quem sabe preocupada com as travessuras do filho. Foi a justificativa para mais uma ausência do Adriano, que já deixara mais cedo o treino da sexta por causa de uma hipotética dor nas costas, talvez se poupando para o compromisso importante da noite. Não sei quanto ao Flamengo, mas já estou acreditando na falada coerência do Dunga, ou seja, não teremos um Imperador travesso na Copa da África.

É muita aposta para um domingo apenas. Corro o risco, confiante em um bom índice de acertos, até mesmo envolvendo possíveis decisões da Comissão Técnica da seleção brasileira.

sábado, 1 de maio de 2010

O Haiti é aqui

O título não é muito criativo, mas não é hora de criatividade, e sim de prestação de contas e atendimento aos nossos flagelados que são muitos e continuam desassistidos. Claro que ações de solidariedade em favor das vítimas do terremoto no Haiti são sempre bem vindas, como a que aconteceu no meio da semana na Ressacada, no jogo entre amigos do Zico e amigos do Falcão. Só acho que o Haiti já está sendo socorrido por organizações internacionais e governos de muitos países, incluindo o Brasil. Ao contrário, os desabrigados ou desalojados de várias regiões brasileiras seguem abandonados e enganados, especialmente pelo governo federal.


Lembrem que o ex-Ministro da Integração Nacional, o baiano Gedel Vieira Lima, esteve por aqui fazendo promessas e desviou para seu estado 60% dos recursos destinados a socorrer vítimas de tragédias como a nossa. O presidente Lula também fez parte dessa enganação. Não sou só eu que digo. Vejam o que escreveu Guilherme Balza, para o site Uol, da Folha de São Paulo.


A tragédia que assolou Santa Catarina em 2008 completará um ano e meio no mês que vem. Durante esse período, as áreas de Saúde e Defesa Civil receberam, juntas, menos da metade dos recursos anunciados pela União na época das chuvas, que mataram mais de 130 pessoas e desabrigaram ou desalojaram milhares de famílias.


O anúncio dos repasses ao Estado foi feito no dia 26 de novembro de 2008, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sobrevoado a área mais atingida pelo desastre. Na data, Lula assinou uma medida provisória por meio da qual liberava R$ 1,6 bilhão para os Estados afetados pelas chuvas, dos quais cerca de R$ 700 milhões seriam destinados à SC.


Do montante, R$ 350 milhões seriam usados nas obras de restauração do porto do Itajaí, com recursos repassados diretamente ao município. Pela MP, o governo do Estado deveria receber R$ 130 milhões para a reconstrução das estradas, R$ 100 milhões para gastos com saúde e R$ 100 milhões para Defesa Civil.

A Prefeitura de Itajaí recebeu, da Secretaria de Portos da Presidência da República, R$ 378 milhões. Os recursos para a reconstrução das estradas e obras de infra estrutura também superaram o previsto: R$ 255 milhões.


No entanto, segundo relatório da Secretaria Executiva de Articulação Nacional, órgão do governo do Estado, a Secretaria de Saúde e a Secretaria Estadual de Defesa Civil receberam, respectivamente, R$ 70 milhões e R$ 46 milhões, dos ministérios da Saúde e da Integração Nacional.


Também foram repassados a SC R$ 26 milhões para a recuperação de escolas, construção de casas e assistência social. Completam os gastos para reparar as consequências do desastre R$ 49 milhões do orçamento estadual, R$ 29 milhões da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), R$ 2 milhões da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), além de R$ 20 milhões provenientes de doações de pessoas físicas e jurídicas.


Além de não ter recebido parte dos recursos previstos na MP, o Estado de Santa Catarina não recebeu R$ 15 milhões para a instalação de um radar meteorológico na região oeste do Estado, verba que o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) havia prometido repassar até o final do ano passado.


Os radares são capazes de informar sobre um fenômeno entre uma e três horas antes de sua ocorrência em determinado local, tempo que permite às defesas civis alertarem as populações que vivem em áreas de risco e prestarem a devida assistência. O equipamento que seria instalado com os recursos do MCT cobriria o oeste do Estado, região por onde entram os sistemas climáticos, como tornados, vendavais e enxurradas.


O radar poderia ajudar a minimizar os efeitos das enxurradas que atingiram SC nos últimos dias e afetaram principalmente cidades do centro e do oeste do Estado, deixando mais de 40 cidades em situação de emergência e mais de 10 mil desalojados e desabrigados. O MCT foi procurado diversas vezes pela reportagem do UOL Notícias, mas não informou o motivo pelo qual os recursos não foram direcionados à Santa Catarina.

Notícias (engraçadas e trágicas) do nosso futebol


Também temos um sapo barbudo para engolir (foto FCF)

O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto, vai proferir dia 15 de maio a aula inaugural da Escola de Árbitros Gilberto Nahas. O que será que o Delfim tem de tão importante e significativo para dizer aos candidatos a empunharem apito e bandeira com o escudo da FCF? Levando em conta o que um dirigente faz para garantir mandato por um quarto de século, coisa boa não deve ser.

Se não, vejamos. Em Assembléia Geral Ordinária (bota ordinária nisso) na última segunda-feira, presidentes de clubes e ligas aprovaram por unanimidade e por baixo do pano o relatório geral das atividades administrativas e financeiras de 2009 da Federação, bem como suas contas e o balanço.

Como dizia Fernando Collor, não tem ninguém com aquilo roxo para contestar 25 anos de contas mal explicadas, de nepotismo y otras cositas mas. É um rebanho de vaquinhas de presépio sacudindo a cabeça para mais um capítulo vergonhoso na história do futebol catarinense. Sem esquecer a omissão completa da mídia, esportiva ou não.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ah, esses superlativos


Mourinho - retranca para um futebol de resultados

A anunciada super quarta-feira prometia, com Libertadores, Copa do Brasil e Liga dos Campeões. Confronto de peso – uma referência meio sem graça a Adriano e Ronaldo – no Maracanã, jogão no Mineirão entre Atlético e Santos, rivalidade Brasil/Argentina para Banfield x Inter, promessa de muita confusão, o poderoso São Paulo em Lima contra o Universitário e, de quebra um Vitória x Vasco em Salvador. Tudo isso à noite, depois de Barcelona x Inter à tarde.

Vi um pouco de tudo, exceção ao jogo do Inter e da peladinha baiana. Valho-me dos relatos e dos melhores (?) momentos. No Maracanã a chuva lavou a expectativa de uma grande partida. A bola não andou no gramado pesado para os fininhos, imaginem para os grandalhões fora de forma. Não houve o tal confronto das estrelas. Os coadjuvantes é que tentaram salvar o espetáculo. No Mineirão só Tardelli com três gols e Ganso com passes magistrais mereceram generosos adjetivos. Tenho chiliques quando penso quem o Dunga vai levar para a Copa.

O Inter voltou da Argentina culpando a arbitragem pela derrota previsível e seguindo sua via crucis das últimas semanas. Corre atrás do prejuízo no Campeonato Gaúcho e na Libertadores. Em Lima o São Paulo mal e mal arrancou um empate. O Vasco caiu na real diante do Vitória, desmerecendo os elogios antecipados por conta de atuações enganosas.

O jogo com poucos espanhóis e italianos, mas cheio de brasileiros e argentinos, foi de uma pobreza técnica irrepreensível. Ataque inoperante contra defesa. A Inter do português Mourinho se esmerou numa retranca jamais vista, principalmente depois da expulsão ainda no primeiro tempo do brasileiro Tiago Mota. Messi pode ser o melhor do mundo, mas, bem marcado, não faz nada para melhorar a vida do Barcelona. Fiquei com a impressão que a decisão do Campeonato Catarinense entre Avaí e Joinville é bem mais emocionante.

Resumo da ópera: comecei a madrugada de quinta refletindo sobre o significado da palavra superlativo. Está lá no dicionário – “adjetivo que exprime uma qualidade em grau muito alto, ou no mais alto grau”.
Dormi e tive pesadelo, é isso. Vou tentar recuperar a realidade dos fatos nos programas esportivos da quinta-feira.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Censura neles

Isso mesmo. Sou a favor da censura, ampla geral e irrestrita para declarações da maioria dos jogadores de futebol, dirigentes, árbitros, preparadores físicos, médicos e determinado tipo de jornalista. Se alguém ligado ao mundo do futebol foi esquecido, sinta-se incluído nesta relação.

Não tem coisa mais chata atualmente do que lidar com as informações em qualquer área do futebol seja pela implicância de alguns com a mídia esportiva, seja pela total incapacidade do entrevistado, ás vezes do entrevistador, falar algo que preste. A coisa piorou com essa mania de botar a torcida pra falar. Que chatice, quanta porcaria, quanta inutilidade no ar.

A maior prova da total falta de imaginação e criatividade nos gramados e cercanias é a uniformização de procedimentos, como os tais treinos secretos e entrevistas coletivas. Não conheço um caso – se alguém souber de algum me corrija, por favor – de jogo ganho por causa dos segredos de vestiários. Pelo contrário, o time escondido e misterioso entra em campo e não se vê ao menos uma jogada ensaiada. Com raríssimas exceções – e põe raridade nisso -, jornalistas e torcedores conseguem vislumbrar lances fora do comum.

A mesmice é a tática preferida. E quando aparece gente diferente no pedaço, como essa meninada do Santos, é tratada como um bando de alienígenas. E basta uma palavrinha fora do contexto, como costuma nos brindar o ousado e atrevido Neymar, para caírem de pau em cima do garoto. Ele não ofende ninguém, não diz nenhum desaforo, só fala o que sente naquela sua linguagem juvenil.


A turma prefere mesmo é o enjoadíssimo politicamente correto. Há casos em que o time vira para o segundo tempo ganhando de goleada, pode até ser um nove a zero, mas não tem jeito. Lá vêm as obviedades, com o tal de respeito ao adversário, em futebol acontece de tudo, vamos dar o nosso melhor em busca dos três pontos, vamos levantar a cabeça e trabalhar... E por aí vai.

Jogador que consegue juntar meia dúzia de frases é uma jóia rara. Participei faz tempo, (até a incompetência dos administradores entrar em ação e acabar com tudo), de um programa na TV Cultura/Florianópolis. Nada de muito diferente. Toda a segunda-feira eu e meu parceiro de bancada, o Fernando Linhares, tínhamos a oportunidade de conversar e de analisar os acontecimentos esportivos do final de semana. Um belo dia combinamos: convidado no programa tinha que saber falar, para evitar que aquela caríssima uma hora de tevê se transformasse em suplício, para nós e para o público.

Diminuiu bastante o tamanho da bancada, rarearam os convidados, mas conseguimos destravar o programa e fazer fluir melhor o noticiário e os debates. É aquela história, em boca fechada não entra mosca. E o povo não houve bobagem. Tenho pena hoje dos repórteres e âncoras de programas esportivos, submetidos à aridez de idéias e conteúdo que contempla boa parte da nação futebolística.

domingo, 25 de abril de 2010

Visitantes mal educados

Nas principais decisões disputadas neste domingo pelo Brasil os donos da casa foram mal tratados pelos visitantes. Comecemos pelo Avaí que foi a Joinville sem sete titulares e botou a mão na taça com a vitória de 3 a 1. O técnico Mauro Ovelha, jogadores e dirigentes culpam a arbitragem de Paulo Henrique Bezerra pelo resultado adverso. Deve ser mesmo doído perder diante da própria torcida para um adversário cheio de reservas. Mais fácil é não reconhecer as qualidades do vencedor.

Aqui do lado, em Porto Alegre, o Internacional treinado pelo papa-defunto Jorge Fossati contribuiu com sua cota dos vexames caseiros dominicais. Um sujeito que vai para a beira do gramado de terno preto e olhos esbugalhados não merece outra identificação que não aquela do homem que ronda portas de hospitais a espera que moribundos sejam encaminhados ao seu estabelecimento. Com 2 a 0 em cima do Inter no Beira Rio os jogadores do Grêmio estão com a faixa no peito. Ainda por cima a última chance de contratar um bom substituto para o Fossati acabou neste domingo com a confirmação do acerto entre Fluminense e Muricy Ramalho.

Em Minas o Atlético Mineiro passou pelo Ipatinga (3 a 2) . O jogo foi em Ipatinga onde o Muriqui, conhecido dos avaianos, acabou com o jogo e com a ousadia do adversário que saiu na frente do placar.

Beleza mesmo foi o confronto entre Santo André e Santos no Pacaembú. Os santistas eram os visitantes nesse jogo de ida. Começaram perdendo, mas os garotos com a assessoria do tio Robinho fizeram a diferença apesar do final com placar apertado de 3 a 2. Ninguém tira o título destes meninos fenomenais que, além de Robinho, têm a companhia de um mestre no meio de campo, outro ex-avaiano, o Marquinho Santos, e o futuro camisa dez titular do Brasil, um craque chamado Ganso. Neymar desta vez não apareceu muito porque saiu de campo machucado no olho esquerdo. O garoto está enxergando bem, não foi nada de grave. Problema de visão é com o treinador da seleção brasileira.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um passado para recuperar


Pedro Lopes, o escolhido do governador Pavan (Foto de Antônio Prado)

Fui pela primeira vez ao Teatro Pedro Ivo para acompanhar a solenidade de posse de Pedro Lopes na Fesporte. A primeira coisa que observei foi a ausência total de companheiros da mídia esportiva. Nenhum veículo de comunicação deu a mínima para o evento, travestido de solene, mas bastante emblemático para o esporte do Estado. Com que autoridade vão falar sobre o passado, discutir o presente e analisar as possibilidades futuras de uma entidade que faz tudo no esporte catarinense, exceção feita ao futebol e vôlei profissionais?

Revendo ex-colegas e conversando com desportistas conhecidos senti uma unanimidade e muita animosidade contra a administração anterior, comandada por Ali Babá e asseclas. Percebi também um toque de esperança na curta gestão de Pedro Lopes e ouvi expressões de surpresa até de jornalistas de outras áreas, diante do conhecimento da folha corrida de gente que literalmente meteu a mão na Fesporte.

Com Pedro, o homem certo no lugar certo, mas na hora errada, porque muito tarde, pelo menos eventos tradicionais para a juventude como Olimpíada Estudantil, Jogos Escolares e Joguinhos Abertos podem ser recuperados. Ano passado, com a desculpa da gripe A e o mau tempo, só os Jogos Abertos foram realizados. Os recursos destinados às demais competições viraram a Conceição da letra cantada por Cauby Peixoto: ninguém sabe, ninguém viu. O triste é que alguns dos beneficiados com a caixinha podem acabar no parlamento catarinense.
De qualquer forma, boa sorte ao Pedro Lopes e aos que ele escolher como parceiros desta curta, mas necessária jornada rumo à moralização da Fesporte e do fortalecimento de tudo o que ela representa dentro e fora das quadras.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Temperos e destemperos

Depois de muito tempo sem botar o pé em estádios, graças ao pay per view, decidi ir à Ressacada para ver Avaí x Grêmio, um confronto temperado pela rivalidade, pelas bobagens do agora “inimigo” Silas e pela possibilidade concreta de termos uma equipe catarinense na próxima fase da Copa do Brasil. Os problemas de trânsito, cabines de imprensa em estado precário e certo tipo de torcedor muito chato, me espantaram dos jogos ao vivo mais de ano. No Scarpelli os problemas eram bem menores, mas coloquei as coisas em pé de igualdade, ou seja, não ia nem lá, nem cá. Séries A e B do Brasileirão e campeonato estadual, só na telinha.

Não cheguei a ver o ao vivo o jogo de quarta-feira. Depois de conhecer a nova organização avaiana, de saber da transmissão pela RBS também para Florianópolis e do bate papo com colegas que há muito não via, decidi voltar ao conforto caseiro. Na saída percebi que o trânsito em mão única para a Ressacada estava na penúltima etapa – entre 9 e 9hs15min - e entendi que precisaria esperar mais ou menos dez minutos.

Procurei colocar o carro mais adiante para aguardar a liberação de pista quando fui interceptado por um elemento – é assim que eles gostam de nos chamar – da Polícia Rodoviária Estadual. Aos gritos, ele perguntou onde eu pensava que ia. Educadamente expliquei minhas intenções. Como resposta, mais gritos e a afirmação de que tinha percorrido na contra mão aquele pequeno trecho em meio às áreas de estacionamento. A certa altura do barulhento monólogo tive medo de ser arrancado do carro pela gola do casaco, tamanho o berreiro, truculência e o destempero do policial.

Claro que não fiz que nem aquela desembargadora, mesmo porque não tenho hábito nem poder para o conhecido carteiraço, e muito menos o respaldo futuro de uma nota ridícula e coorporativa como a da Associação dos Magistrados em defesa da sua protegida.

Desliguei o carro fiquei bem quietinho, observando o policial berrar com mais três ou quatro desavisados que, como eu, foram um pouco mais adiante pela falta de sinalização ou de um servidor público preparado para orientar educadamente os motoristas. Voltar aos estádios? Vou pensar com carinho.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sob nova direção



Pedro José de Oliveira Lopes (foto) assume nesta quinta-feira pela manhã, no Centro Administrativo, a direção geral da Fundação Catarinense de Desportos, a Fesporte, ultimamente entregue a um bando de saqueadores. É a clássica figura de raposas cuidando do galinheiro.

Bons ventos tragam Pedro Lopes à Fesporte. Ele é do ramo, já foi cronista esportivo (denominação à moda antiga), dirigente da Federação Catarinense de Futebol e da CBF, e até então era o presidente do Conselho Estadual de Desportos, órgão que tinha entre suas principais funções as de controlar e organizar o esporte catarinense, missões desvirtuadas por ingerências políticas. Os critérios para a composição do Conselho é que levam a esse descaminho, apesar da participação de muitos desportistas, na maioria dos casos verdadeiras vaquinhas de presépio.

Como homem do esporte, Pedro Lopes leva jeito para, em poucos meses, reconstruir pelo menos em parte o que foi colocado abaixo por Ali Babá & Cia. Conquistas consolidadas desde a gestão de Pedro Bastos vieram ao chão ou foram simplesmente eliminadas do calendário da instituição. Os recursos tiveram outros destinos – aí falhou o Conselho Estadual –, as contas não fecharam e muitos eventos importantes acabaram na lixeira formada pela incompetência e falta de compromisso com as atividades para as quais foi criada a Fesporte.


O tempo é curto, mas suficiente para Pedro Lopes recuperar um pouco do prestígio perdido e limpar a sujeira deixada por administradores que trabalharam mais de três anos visando apenas objetivos pessoais, alguns deles inconfessáveis. Quem sabe passadas as eleições Pedro acabe mantido no cargo. Ou então que assuma algum desportista que não tenha a ficha suja e nem vá sujá-la ainda mais a frente de uma instituição tão importante para o esporte de Santa Catarina.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Craque, nem pensar



Só mesmo o Dunga, esse chato, para me fazer voltar ao blog. A idéia era não escrever mais, evitar as aporrinhações e sucumbir à preguiça. Mas, como seleção brasileira é coisa séria, menos para a CBF e para o Dunga, não resisti à tentação. Voltei, já que parte da nossa mídia parece que ainda não se deu conta do risco que correremos na África do Sul com o Brucutu Futebol Clube vestindo a camisa amarela.

Antes que me escalem no time do quanto pior melhor, vamos às considerações: Felipe Melo, Júlio Batista, Kleberson, Elano e Josué são os eleitos do Dunga e, ao que tudo indica, têm vaga cativa.

Até agora ninguém perguntou ao treinador ou a alguém da Comissão Técnica que providências serão tomadas, por exemplo, em relação ao Kaká. Nosso único craque não joga há cinco semanas, vitimado pela tal dor no púbis. O Real Madri ficou na mão esse tempo todo sem poder contar com o jogador, submetido a um misterioso e prolongado tratamento.

Estranho é que os inúmeros correspondentes dos grandes veículos de comunicação brasileiros até agora não deram o ar da graça, como se a ausência de Kaká às vésperas da Copa do Mundo seja a coisa mais natural do mundo. Estranho também que, nesses casos, jogador brasileiro sempre pede para se tratar no Brasil, dada a reconhecida competência dos profissionais tupiniquins na área da medicina esportiva. Kaká continua escondidinho na Espanha, longe da bisbilhotice dos reporteiros da pátria amada.

O indigesto nisso tudo é ver um jogador como Neymar fazendo chover no Santos em todos os jogos, ao contrário dos lampejos do Ronaldinho Gaúcho pelo Milan, e não merecer uma sílaba de elogio do Dunga.

Sua única manifestação tem sido para garantir que não haverá surpresa na lista de convocados prevista para 11 de maio. Com muito otimismo prefiro entender que Neymar na vaga de um dos trogloditas eleitos por Dunga não seria realmente nenhuma surpresa. Se ele quiser acrescentar mais um ou dois nomes entre os chamados, a torcida brasileira sensibilizada vai agradecer.

Afinal de contas, além da turma que relacionei e das inquietações com relação a Kaká, não devemos esquecer da instabilidade e da péssima forma do Adriano, que hoje não passa de um plebeu dos gramados.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dunga subiu no telhado

Dei uma espiada nos amistosos de seleções na quarta-feira de futebol para todos os gostos e desgostos. A não ser a seleção espanhola, que joga um futebol bonito e eficiente, e alguma evolução técnica mostrada pelos brucutus ingleses, nada mais encanta no planeta bola. Pode ser que apareça alguma surpresa na África do Sul e a Copa do Mundo mostre algo mais empolgante. Pelo que vi, se ninguém meter a mão, a França não marca, a Itália continua no seu joguinho zero a zero e a Alemanha fracassa mesmo importando dois atacantes poloneses - já teve um do Brasil - e um meio campo brasileiro chamado Cacau.

Por enquanto o quadro é desolador, incluindo o time do Dunga com aquele jogo burocrático, previsível e dependendo sempre de algum brilho individual, atualmente limitado ao Robinho. Nem o pastor Kaká vem dando conta do recado. Nossa seleção ganhou tudo o que disputou ultimamente, amistosos furrecas, vaga antecipada para o Mundial e a Copa das Confederações. No entanto, nenhum desses parâmetros é confiável, especialmente quando se analisa friamente o estágio atual do futebol sul-americano e os adversários que já enfrentamos quando o Joel Santana mandava na África do Sul.

Apesar da aridez européia e de outros continentes, não acredito na seleção brasileira. E olhem que não estou cantando o refrão que clama por Ronaldinho Gaúcho. Mas que tem gente muito melhor por aqui e na Europa do que alguns "soldados guerreiros" do Dunga, lá isso tem. Como disse um colunista gaúcho, quem tem nome de anão só pode gostar de nanico, uma referência a Josué, reserva do seu time na Alemanha e sem jogar nada faz tempo.

O treinador brasileiro, além do seu mau humor constante, leva para a Copa um time sem talento - só Kaká e Robinho salvam - e inexpressivo. Talvez Dunga queira repetir o futebol de resultados de 94 correndo sério risco de cair do cavalo. Ou do telhado.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Algo de podre no Reino do Balneário



O presidente da Federação Catarinense, Delfim de Pádua Peixoto Filho, não tem mesmo um pingo de vergonha na cara. Saiu da sua sala na pomposa sede de Balneário Camboriú e foi ao Tribunal de Justiça Desportiva - fica tudo em casa - para defender o Joinvlle, ameaçado de perder o mando de campo no campeonato estadual por causa da invasão de torcedores na final do turno, jogo contra o Avaí.

Com a maior cara de pau e sem o menor constrangimento, o irremovível Delfim argumentou que a invasão foi pacífica, não houve ameaça a ninguém dentro do campo. Na verdade a situação era de alto risco, porque os torcedores da casa tinham facilitado o acesso ao gramado enquanto ali estavam, ainda, jogadores adversários e jornalistas de Florianópolis trabalhando.

Invasão pacífica? É a primeira vez que ouço esta aberração. Que um cartola da estirpe do Delfim diga uma bobagem destas, é compreensível. Quem defende interesses obscuros como os que estão se insinuando é capaz de qualquer coisa. Mas uma Comissão Disciplinar do TJD aceitar essa balela? Quem são esses homens de notório saber jurídico, como gostam de falar os magistrados? O Joinville foi absolvido, ganhou de goleada por 4 a 0, com queria o ínclito presidente da Federação.

Do jeito que estão encaminhando o sorteio (?) para as escalas de arbitragem, as decisões nos tribunais esportivos e outros acontecimentos no mínimo estranhos, sou obrigado a pensar no que me disse outro dia um profundo conhecedor dos bastidores do nosso futebol. Esse ano ninguém tira o título do Joinville.