sábado, 15 de setembro de 2007

Sábado/domingo

Crônica policial

Lavagem de dinheiro, evasão de divisas, suborno a fiscal da Receita Federal, pagamentos a jogadores com contas no exterior, transações obscuras e outros crimes menores, são denúncias que hoje envolvem o Corinthians e correm paralelamente às notícias de corrupção no parlamento brasileiro. São fatos, não versões, com encaixe perfeito na maioria das instituições esportivas brasileiras ligadas ou não ao futebol profissional. Nada disso acontece por acaso. Basta lembrar da CPI do Futebol, cujo relator foi o ex-senador catarinense, ali de Tubarão, o médico pediatra Geraldo Althoff. Investigações colocaram sob suspeita os presidentes das federações do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina – para ficar apenas aqui no sul -, entre outros cartolas, incluindo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A Bancada da Bola, atuando coordenadamente na Câmara e Senado, orientada nos bastidores por Eurico Miranda, defendeu com sucesso interesses escusos da cartolagem e de parlamentares, garantindo um desonroso zero a zero e o conseqüente sumiço da CPI.

Daqui não saio

Li na coluna do meu amigo Maceió, em A Notícia, que o presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto, reservou espaço na nova sede da entidade para colocar uma urna com suas cinzas. Quer dizer que nem morto o homem deixará a FCF onde está há 23 anos.

Haras

O presidente do Criciúma, Moacir Fernandes, não deixa passar o cavalo encilhado. Mandou embora Gelson Silva, treinador que levou o time à liderança da série B, mas começou a perder a mão. Trouxe René Weber, que não resistiu a duas derrotas e foi dispensado. Agora Moacir acredita ter colocado ordem na casa com a contratação de Roberto Cavalo e o irmão Cavalinho, seu inseparável auxiliar técnico.

Vagas em aberto

Depois de implantar a lei do silêncio na Ressacada, empatar com o Barueri fora de casa e derrubar o Criciúma da liderança, o técnico Alfredo Sampaio acha que o Avaí encontrou o caminho para fugir da terceira divisão. O adversário deste sábado foi o Remo, penúltimo colocado e com jogadores em greve por causa de salários atrasados. Depois do jogo, empate garantido e falando bastante, jogadores e comissão técnica foram unânimes: o Avaí perdeu dois pontos em Belém. Do jeito que ficou a tabela, Remo e Ituano são donos de duas das quatro vagas do rebaixamento. Faltam 14 rodadas e basta ganhar em casa para escapar.

Mar de Almirante

O Marcílio Dias parece navegar em águas tranqüilas, com técnico novo, contratação de muitos reforços e promessa de boa campanha na Copa Santa Catarina. Sem falar na animação com o apoio do governador Luiz Henrique para a anunciada reforma do estádio Hercílio Luz e sua transformação em arena moderna.

Homem ao mar

O governador Luiz Henrique acaba de ser agraciado com um troféu por seu apoio ao esporte. Leia-se torneio internacional de surfe disputado em São Francisco do Sul. Que bom que uma autoridade da importância do nosso governador tenha apreço por esportes marítimos. Falta agora o homem botar os pés em terra, onde tem muita gente esperando por ações do Estado na área esportiva, especialmente na Capital.

SOS Ideli

Quem sabe a nossa ativa e politicamente correta senadora Ideli Salvatti possa dar uma mãozinha. Afinal, ela já demonstrou vontade em ajudar na pretensão de Florianópolis como uma das sedes para a Copa de 2014. E olha que até essa semana andava ocupada até o pescoço na tentativa de salvar a pele do seu ínclito colega Renan Calheiros. Missão cumprida e, oportunista como ninguém, talvez nossa (deles) senadora encontre espaço em sua agenda para alguma atividade, digamos, mais altruísta. Aí, pensando bem (ou mal), de olhos e nariz tapados, e fazendo uma releitura de meus conceitos sobre democracia, votaria nela outra vez.

Benção, padrinho

Célio Amorim, árbitro de Itajaí, é candidato ao escudo da FIFA. Previsão do doutor Delfim, apostando muito nas qualidades do seu mais novo afilhado, por enquanto novidade para quem acompanha o desempenho do rapaz em gramados catarinenses.

Pianço proibido

O meia Luís André, do Criciúma, foi pego no antidoping realizado após o jogo contra o Barueri. Ele usa bombinha contra asma, explica o clube.




quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Quinta-feira

Queda livre

O Criciúma pode terminar a 25ª rodada da série B em quarto lugar, atrás de Coritiba, Ipatinga e Brasiliense. Sem contar a perigosa aproximação de outras equipes, uma séria ameaça às pretensões do representante catarinense de chegar à série A do Brasileirão. São as conseqüências para uma equipe que nos últimos 27 pontos disputados conquistou apenas cinco. Isso depois de liderar a competição por 18 rodadas. Com a derrota para o Ipatinga na terça-feira, dentro do Heriberto Hulse, o técnico René Weber, além de vaias ouviu constrangido o coro das arquibancadas pedindo a volta de Gelson Silva. René dirigiu o time em apenas dois jogos, perdeu os dois e já foi substituído por Roberto Cavalo.

Contradições

O técnico Alexandre Gallo chegou a Florianópolis para substituir Mário Sérgio no Figueirense com bico muito comprido para um tucano tão novo, iniciante que é na profissão. Gallo trouxe com ele três auxiliares técnicos. Como o clube tem alegado escassez de recursos para a contratação de reforços, uma comissão técnica de luxo deve custar barato.

Rebecão

A Federação Internacional de Natação (Fina) quer investigar a nadadora Rebeca Gusmão, campeã dos 50 e 100 metros livres e primeira brasileira a conquistar medalha de ouro no Pan. Rebeca, que semana passada se sentiu mal após uma prova no Troféu José Finkel, em Florianópolis, teve índices anormais de testosterona – hormônio masculino – no exame antidoping realizado em maio de 2006. Além disso, a atleta apresenta desenvolvimento físico acima do normal para sua idade.

Primeira impressão

Sérgio Corrêa, o novo presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), mostrou a cara pela primeira vez segunda-feira à noite, no programa “Bem Amigos” da Sportv. Sem Galvão Bueno, os convidados puderam falar e perguntar bastante em cima de lances polêmicos editados especialmente para explorar a presença de Sérgio, que também falou a vontade, sem omitir nomes ou situações constrangedoras para alguns árbitros. Somando e dividindo parece que o homem é exibido e falastrão, comportamento inadequado para o cargo que exerce.

Esporte franciscano

Várias cidades do interior do Estado, especialmente Brusque, Jaraguá do Sul, Blumenau e Joinville, têm abrigado competições importantes para o esporte amador. Handebol, vôlei e futsal são as mais contempladas, com aproveitamento de equipamentos esportivos adequados. Em Florianópolis, fora a natação no Complexo Aquático da Unisul, continuamos abaixo do rabo do cachorro, graças à inércia total das fundações do Estado e Município. Um dos poucos eventos destinados à Capital, a Maratona Internacional, acaba de ser esvaziada pela Fesporte e jogada para novembro, quase final de temporada para os principais atletas da modalidade. Acabaram com a Maratoninha, alijando as crianças da competição, sendo que a premiação em dinheiro vale apenas para a Maratona. Os corredores da rústica receberão somente troféus e medalhas. E o Fundesporte?

Mídia da conveniência

Parte da mídia esportiva brasileira acaba de assistir a uma boa lição de jornalismo com as matérias publicadas pela Folha de São Paulo e assinadas pelo comentarista Juca Kfouri sobre a sujeirada da parceria Corinthians/MSI. Evasão de divisas e lavagem de dinheiro estão entre os crimes denunciados através de investigações da Polícia Federal e reveladas pelo jornal. Por muito menos, quase nada, aqui se proíbe a entrada de jornalistas em estádios, nega-se entrevistas e acesso de repórteres a atividades corriqueiras do dia a dia dos clubes.

Pesadelo leonino

O técnico Leão certamente não se encaixa entre os muitos brasileiros que enxergam Florianópolis e seus encantos como objeto de consumo. Simplesmente porque toda vez que vem aqui no campeonato brasileiro leva uma sapatada, tendo como algoz o Figueirense. Foi assim com o Santos, com o Palmeiras, quando sofreu uma goleada e perdeu o cargo e com o Atlético Mineiro, seu time da hora.

Raposas no galinheiro

O Ministério do Esporte formou comissões para investigar possíveis irregularidades nos contratos firmados para os Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro.


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Terça-feira

Definições

O São Paulo já garantiu o título da série A do Brasileirão, deixando o restante da competição para a disputa por vagas na Libertadores e Sul-Americana. No pé da tabela o América de Natal é o primeiro rebaixado. Tirando o time do Muricy Ramalho o resto é farinha do mesmo saco. Apesar de alguns elencos mais fortes, o resultado em campo é de equilíbrio. Caso do Inter, por exemplo, que perdeu tempo com Gallo, agora no Figueira. O Botafogo, com futebol cantado em prosa e verso, começa a descer a ladeira, empurrado pelos maus resultados e indisciplina de seus principais jogadores. Fluminense, Vasco e Grêmio alternam altos e baixos, Cruzeiro e Palmeiras conseguem inesperada regularidade nas mãos de Dorival Júnior e Caio, duas revelações entre a safra de novos treinadores. O Santos voltou ao G-4. Quem perde hoje de goleada amanhã alcança resultado reabilitador. O vencedor espetacular de uma rodada, na outra toma um tranco do quase lanterna. É o diagrama de uma competição equilibrada do segundo até o décimo nono colocado.

Os nossos

Livre das invencionices e do mau humor de Mário Sérgio, o Figueirense mais uma vez derrubou Leão no Orlando Scarpelli. O Atlético Mineiro encontrou pela frente um time à base do feijão com arroz e despojado do preciosismo e arrogância do técnico anterior que vivia arrotando caviar. Na série B o Avaí isolou a imprensa, mas não melhorou a qualidade do seu futebol. Segue aos trancos e barrancos tentando se livrar do rebaixamento. O Criciúma queimou toda a gordura acumulada ao longo do primeiro turno e já deixou a liderança para o Coritiba. Acaba de trazer como reforço um atacante com nome de sanfoneiro, o Zé Raimundo, do conhecidíssimo Santa Quitéria, Maranhão.

Os deles

O Avaí viaja a Belém para enfrentar o Remo, um dos últimos colocados e em crise profunda. Depende das promessas de um patrocinador para salvar o clube da falência ou da venda de parte da sua sede social. O outro paraense, o Paysandu, não passou da primeira fase da série C. Agora faz viagens de até 14 horas de barco, aqueles onde o povo dorme em redes. Vai aos cafundós da região para jogar amistosos por uma cota de 13 mil reais com o angu garantido.

Várzea

Está certo que a seleção brasileira precisa fazer amistosos e faturar um troco. Daí a sujeitar o time de estrelas a um gramado de futebol americano adaptado para o futebol brasileiro vai uma distância grande. Do tamanho exato da ganância e despreparo dos administradores da CBF. Não são eles que torcem o pé, erram passes ou chutam de canela por causa dos buracos e outras irregularidades do campo. Agora vem o México, em Boston, amanhã, adversário mais difícil e que exige um palco melhor.

Perestroika

Os principais dirigentes corintianos da época da parceria com a MSI, Alberto Dualib e Renato Duprat, estão enrolados até o pescoço, acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Aos poucos se descobrem os descaminhos traçados para a conquista do título brasileiro em 2005. Reportagem domingo, na Folha de São Paulo, assinada pelo jornalista Juca Kfouri revela, entre tantas operações fraudulentas, as participações no Corinthians do investidor russo Boris Berezovski e do laranja iraniano Kia Joorabichian.

Senatriz

Elegemos representantes na Câmara e Senado para defender nossos interesses, os interesses da sociedade. A realidade mostra que a grande maioria dos parlamentares não pensa assim. A Senadora Ideli Salvatti, atualmente ocupadíssima em safar Renan Calheiros agora decidiu, com seu conhecido oportunismo, abraçar a causa de uma sede da Copa de 2014 em Florianópolis.

Feriadão

A largada, quinta-feira à noite, foi na décima edição do Festival de Música de Itajaí, no Teatro Municipal, com o show do pianista João Donatto e banda. Depois, com amigos, segui o feriadão em uma maratona pelas cervejarias do Vale, experimentando o chope artesanal de Blumenau, Timbó, e Pomerode. Faltou Brusque, faltou fôlego, fica pra outra. Voltei domingo a Florianópolis entregue à sua medíocre e quase inexistente programação de lazer e cultura. Felizmente, para os turistas, teve sol, muita praia e a Parada da Diversidade.



sábado, 8 de setembro de 2007

Sábado

Morte anunciada

Não foi só a goleada sofrida diante dos reservas do Flamengo que derrubou o técnico Mário Sérgio. Suas estripulias com a escalação do time, entrevistas carregadas de arrogância, deboche e desprezo pelos jornalistas e pela torcida de Florianópolis, há muito vinham incomodando geral. Penso que a direção do Figueirense aturou demais e a gota d’água aconteceu no Maracanã após o jogo, quando Mário disse, em alto e bom som, que um eventual rebaixamento do time que dirigia não seria problema dele. De nariz empinado, como sempre, resumiu: “Eu vou embora e o clube fica”.

Papel carbono

O Avaí trilha caminhos parecidos, mais difíceis porque não consegue sair da zona de rebaixamento e o time é fraco. E tem como líderes um treinador incoerente, sem convicção, atrapalhado, e um jogador que hoje é banco do banco. Os dois não aceitaram as críticas feitas por um radialista e impuseram ao grupo a lei do silêncio. Terão que se arranjar agora com a torcida que vai cobrar resultados e a fuga do rebaixamento. Reclamações dirijam-se, por favor, ao estádio da Ressacada. Falar com Alfredo Sampaio e Paulo Turra.

Espaços públicos

São Paulo tem 32 parques municipais e 15 estaduais, todos com opções diversificadas para seus freqüentadores, misturando áreas verdes com locais para a prática de esportes. Florianópolis, na versão daquele vereador moeda verde, não precisa disso. A Prefeitura Municipal prefere hoje concentrar recursos na ampliação do Sambódromo, para transformá-lo na “Cidade da Criança”. Utilização plena durante o ano inteiro, prometem os defensores da idéia de revitalização daquele monstrengo à beira mar. De parques, ciclovias, quadras de esporte, ninguém fala. O belíssimo espaço do novo aterro na baía sul continua à disposição da bandidagem e tomado pelo mato.

O bom pastor

O técnico Mauro Ovelha deixou o Atlético e a bucólica Ibirama para assumir o Marcílio Dias. Com fama de disciplinador, Ovelha terá muito trabalho para manter seus companheiros longe das tentações de Itajaí e vizinhanças.

Baladeiros

Adriano, o brasileiro atacante da Inter de Milão deve ter conquistado o apelido de Imperador graças ao festerê que costuma patrocinar nas suas folgas. O bambino chega a gastar cerca de 40 mil euros a cada encontro da turma. Enquanto isso Maradona foge de um mandado de prisão por causa de um acidente de trânsito em Buenos Aires quando derrubou uma cabine telefônica e feriu duas pessoas. Ele foi visto em uma boate na Colômbia.

Vento Sul

Tomara a divisão de acesso tenha um final diferente do que aconteceu em suas primeiras etapas com desistências de clubes de proveta e outros incidentes causados por puro amadorismo de organizadores e participantes. Cidade Azul, que as dívidas transformaram em Tubarão Atlético Clube, e Imbituba, empataram em 1 a 1 a primeira decisão do turno. É a força do sul tentando voltar à divisão principal.

A melhor

Paulo César Oliveira foi o único árbitro nota 10 no teste aplicado pela CBF sobre o qual escrevi na coluna anterior. E a melhor entre os auxiliares foi ela, a Ana Paula Oliveira, com um arrasador 9,5. Ricardo Teixeira ficou danado da vida e prometeu profissionalizar arbitragem brasileira.

Sinceramente

O técnico da seleção brasileira de ginástica, o romeno Oleg Ostapenko, disse esta semana, com todas as letras, que Daiane dos Santos não tem mais condições de conquistar medalhas de ouro em campeonatos mundiais. Daiane convive hoje com lesões sérias de joelho e tornozelo e sua participação em competições internacionais será apenas para ajudar a equipe. Falou com autoridade e crédito de quem revolucionou a ginástica brasileira na última década.
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Dívida e dúvida

Desde que substituiu Alexandre Gallo no Inter com pompa e circunstância, o técnico Abel Braga já levou goleada e não conseguiu ainda montar um time. A esperança dos colorados é com a volta de Fernandão e a chegada dos reforços, os zagueiros Orozco e Sorondo e o atacante Gil. A dúvida é se haverá tempo para o campeão da Libertadores e Mundial recuperar seu prestígio.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Quinta-feira

Pátria quase sem chuteiras

Amanhã tem comemoração pela pátria, feriado, coisa e tal. Chato que o país do futebol tem pouco a festejar com o seu esporte preferido. Estamos praticamente descalços, perdendo nossa independência, tamanho o êxodo de bons jogadores. Entre os 200 países filiados à FIFA, em 180 há gente nossa nos gramados. Perdemos a concorrência até para países como Tailândia e Vietnã, sem nenhuma tradição no futebol e não somos assediados apenas por nações pobres da África. Os dados são do departamento de registros da CBF, revelando que este ano os números superam em 10% a 2006 com a saída de 981 jogadores contra 915 da temporada passada.

Lei áurea.

Juristas e dirigentes esportivos estão trazendo de volta a discussão sobre a Lei Pelé, responsabilizando-a pelas facilidades hoje existentes para ruptura de contratos e saída de nossos principais jogadores para o exterior. O fato é que esta lei tem sido rigorosamente observada somente nesse aspecto. Uma leitura ainda que rápida e superficial leva à constatação de que os clubes profissionais de futebol foram os principais (se não os únicos) atingidos pela legislação em vigor. No dia a dia do esporte outros segmentos estão contemplados por esta lei que permanece ignorada ou interpretada ao bel prazer dos interessados.

Gosto é gosto

As comendas concedidas ano a ano pelo Conselho Estadual de Desportos sempre tiveram fundamentações políticas. Em respeito aos merecedores da homenagem e, na certeza de que os bicões entenderão o recado, omitirei nomes. Até porque, quem é da aldeia conhece os caboclos. O certo é que tem comendadores demais e desportistas de menos.

Bom pra quem?

A seleção brasileira em excursão pela Europa, em 1973 passou por um episódio conhecido como o Manifesto de Glasgow. Liderados pelo capitão Wilson Piazza, os jogadores instituíram a lei do silêncio, negando-se a falar com a imprensa. Consideravam-se injustiçados com críticas feitas por alguns jornalistas que acompanhavam a delegação. Lembro do “Manifesto” a propósito da decisão semelhante tomada por jogadores e comissão técnica do Avaí, irritados com comentários do radialista Miguel Livramento na TV COM. A lei do silêncio avaiana é burra como foi a da seleção. E igualmente covarde porque repete o equívoco da generalização. Os mentores dessa idiotice, o técnico Alfredo Sampaio e zagueiro Paulo Turra (hoje banco do banco), amanhã vão embora. O clube fica, seguindo mal administrado como tem sido pela atual diretoria que, como nosso estimado Presidente da República, não vê, não ouve, não sabe de nada.

Aos seus lugares

No Figueirense também há uma velada disposição para a não aceitação da crítica. Por parte do técnico Mário Sérgio fica mais explícita sua incapacidade de diálogo a cada entrevista que dá após os jogos. Gosta de cutucar os repórteres locais colocando-se no pedestal dos detentores da sabedoria, sem nunca dar respostas convincentes e baseadas em um mínimo de bom senso. Postura que ajudaria a explicar, por exemplo, a queda assustadora de rendimento de jogadores colocados jogo a jogo fora de posição, um rodízio insano que tem prejudicado os zagueiros Felipe Santana e Édson, os experientes Ruy e César Prates. Ou ainda o entra e sai do time dos atacantes Ramon, Otacílio Neto e Frontini, o não aproveitamento de Rafael Coelho. Enfim, tem assunto para muita conversa boa onde a lei do silêncio e os segredos de treinamento não encubram a realidade.

Está explicado

O site da CBF e uma reportagem especial do Estadão SP estão divulgando que foi um desastre o teste de múltipla escolha feito com árbitros e bandeiras de todo o país. As questões versavam sobre regras do futebol e somente 30% deles obtiveram nota acima de sete.

Tapeação

Um mutirão com funcionários da Prefeitura trata de deixar o estádio Hercílio Luz em condições para a disputa da Copa Santa Catarina. Quer dizer que o Marcílio Dias cuida da casa só quando tem festa. O resto do tempo não passa nem por uma vistoria da FCF. E olha que a turma lá é generosa com seus filiados, principalmente os que moram do lado esquerdo do peito.



terça-feira, 4 de setembro de 2007

Terça-feira

Lavanderia

Nossos principais esportes coletivos precisam arrumar a casa e acabar com a balbúrdia das últimas competições. O voleibol masculino começou a confusão com o desentendimento entre o levantador Ricardinho e o técnico Bernardinho. As meninas acabam de sair do Mundial com a quinta colocação, quatro derrotas na fase final e muita reclamação do treinador José Roberto Guimarães. O basquete masculino deu vexame no Pré-Olímpico recém encerrado e depende de uma repescagem em outro torneio para conquistar uma vaga na Olimpíada. Antes precisa acertar as contas do treinador Lula Pereira com as estrelas do time. Sobrou muita roupa suja para ser lavada após o Pan-americano.

Sem volta

Gelson Silva, demitido com o Criciúma na liderança da série B, já foi substituído por Rene Weber. Em Florianópolis, onde a situação é bem pior, são inevitáveis as especulações. Mário Sérgio segue arrogante e desafiando o bom senso com o Figueirense pertinho da zona de rebaixamento. É lobo em pele de cordeiro, tem um comportamento em casa e outro fora. No Avaí os crimes da Ressacada já têm um culpado, a imprensa. O técnico Alfredo Sampaio e jogadores, desafiando dirigentes, não dão mais entrevistas, em protesto contra as críticas. A Capital começou uma semana agitada com o Avaí jogando hoje em Barueri e o Figueirense no Rio para enfrentar o Flamengo amanhã. Pode ser uma viagem só de ida para alguns.

Sem salvação

O Joinville morreu na praia mais uma vez. O pênalti perdido por Guilherme no final da partida contra o Vila Nova, em casa, fez a diferença e tornou inútil a vitória na última rodada. Troca uma competição nacional pela inexpressiva Copa Santa Catarina, deixando a seqüência da série C no seu grupo para mineiros e gaúchos.

No mercado

Adilson Batista, vilão e herói nos dois clubes da Capital, rescindiu seu contrato com os japoneses do Júbilo Iwata. Com o campeonato brasileiro em andamento, Adilson deve voltar para casa empregado.

Ufa!

Imbituba e Cidade Azul, de Tubarão, chegaram à final da divisão de acesso. Está terminando o campeonato do calote. Muitos clubes de proveta ficaram pelo caminho, vitimando profissionais da bola, comerciantes e assemelhados. E-mails de leitores atentos já avisavam que em Itapema faltou dinheiro até para alugar o campo de jogo. De qualquer forma os eleitores estão garantidos e confirmados para a próxima aclamação na FCF.

Bebês Johnson’s

Alex Silva, 22 anos, Breno, 17 e Miranda, 22. São os três zagueiros do São Paulo, titulares da defesa menos vazada do Brasileirão, com apenas sete gols sofridos em 23 jogos.

Floripa zero

Arenas multiuso e pistas sintéticas de atletismo espalham-se por Santa Catarina. Brusque, Blumenau e Jaraguá do Sul ganham equipamentos esportivos modernos. Itajaí não cuida do que tem, mas tem. Bem administrados, estes espaços são capazes de abrigar grandes competições e impulsionar os esportes da região, promovendo inclusão social (o discurso da moda) e desenvolvimento técnico. Enquanto isso Florianópolis vê a banda e a moeda verde passarem, sem parques, ginásios ou pistas. O único consolo é ver a Unisul inaugurar seu complexo aquático. É pouco para uma Capital que abriga tantas universidades e tem uma Fundação Municipal de Esportes dirigida por um ex-atleta olímpico. Ali, como me alertou e-mail de leitor que conhece bem o meio, a prioridade é abrigar os apaniguados políticos e derrotados nas urnas.

Ele merece

Guga foi o maior tenista brasileiro de todos os tempos. Foi herói do esporte nacional. E nunca vai virar vilão, a não ser dele mesmo, se não aceitar o momento de deixar as quadras. Quem teve amigos e profissionais para transformá-lo num grande atleta, dividindo com ele os momentos de glória, deve ter também agora para somar esforços no sentido de encaminhá-lo a um final honroso e feliz.

Maratona

A Maratona de Santa Catarina mudou de data e conteúdo. Será dia 4 de novembro, junto com duas rústicas (5 e 10 mil metros) e com premiação em dinheiro somente para a Maratona. Adeus Maratoninha, adeus crianças de toda Santa Catarina.






sábado, 1 de setembro de 2007

Sábado

Coisa de cinema

Tivesse algum interesse pelos bastidores do futebol brasileiro, o cineasta Francis Ford Coppola, arranjaria fácil muito assunto para mais um filme sobre máfia e seus poderosos chefões. Uma consulta ao botafoguense Carlos Montenegro, mais conhecido por episódios envolvendo o Ibope, seria o suficiente para montar um bom roteiro. O suspeitíssimo episódio da absolvição de Dodô vai para um tribunal internacional, por decisão da FIFA. Antes passou pela invasão na madrugada de uma farmácia em Ipanema, de onde foram tiradas as cápsulas com a substância proibida ingerida pelo jogador do Botafogo. O laboratório da Usp, para onde foi encaminhado o material apreendido, garante que o resultado da análise não serviria para absolver o atleta, a farmácia foi ilegalmente interditada e a polícia tira o seu da reta.

Resultados do ufanismo

Nosso basquete masculino pena no pré-olímpico e joga tudo contra a Argentina, para quem já perdeu. Perdendo de novo adeus vaga em Pequim. No Pan, com uma equipe caseira, foi medalha de ouro, mas na disputa por uma vaga na Olimpíada, reunindo jogadores que estão na NBA e na Europa, já perdeu três partidas. Apenas os dois primeiros classificam e um deles, certamente, será o time norte-americano. As estrelas brasileiras do atletismo, medalhistas no Rio de Janeiro, estão passando longe do pódio no Mundial que se disputa no Japão. O desempenho pós-Pan destes e de outros campeões, em esportes individuais ou coletivos, confirma a tese de que fizemos muito barulho por nada.

Chupeta e bengala

A realidade do futebol brasileiro leva a uma previsão de futuro desastroso, parecido com aquele jejum que começou em 1970 e foi quebrado somente na Copa de 1994. Estamos vendendo os garotos e repatriando os velhinhos quase aposentados. Nossas crianças, projetos de craques, que saíram para fazer o pé de meia mundo afora, não têm mais aquele espírito que em outros tempos vingava nos jogadores convocados para defender a seleção. A impressão é de que a camisa amarela deixou de ser objeto de desejo, uma vez que o futuro com segurança está sendo garantido fora do país.

Vende-se

A janela para o exterior fechou ontem. Segundo levantamento da CBF, até 14 de agosto foram vendidos 694 jogadores brasileiros. Não há como enriquecer tecnicamente nosso futebol concorrendo com euros e dólares, moedas fortes e consumidoras da nossa matéria prima. O dilema está colocado para dirigentes de clubes e federações, partindo do pressuposto de que este processo devastador tem origem na lavagem de dinheiro, como preconiza a mídia de Rio e São Paulo. A opção de aceitar o dinheiro sujo, como já fizeram Corinthians e Grêmio, com desfecho conhecido, determina riscos e danos irreparáveis trazidos pela ilegalidade. A solução é organizar o balcão de negócios, acelerando a produção de “craques” através de bem estruturadas divisões de base.

Questão de honra

Gelson Silva deixou o Criciúma com o time na liderança da série B, mesmo sem vencer há cinco rodadas. Deveria ter saído antes, e de cabeça erguida. Moacir Fernandes faz tempo deu o recado, criticando publicamente as opções do técnico já no segundo resultado negativo. Gelson fingiu que não entendeu, prolongou sua agonia e aceitou o tratamento desrespeitoso. E ainda saiu praticamente escorraçado, sem tempo para desculpas ou alguma explicação convincente.

Tão perto, tão longe

O Joinville viu o cavalo passar encilhado e não soube montar, deixando escapar a classificação para a próxima fase da série C. Foi aos 46 minutos do segundo tempo, no jogo contra o Vila Nova na Arena, com o pênalti perdido e o empate em zero a zero. Agora, na última rodada, precisa ganhar em casa do Águia MS e torcer por uma derrota dos mineiros que também jogam em casa contra os já classificados gaúchos da Ulbra.

Justiça ?

O pleno do STJD puniu Renato Gaúcho com 60 dias de suspensão e manteve a absolvição de Joel Santana. Em uma das câmaras disciplinares a vítima foi Dorival Júnior, com 120 dias de gancho. Lá como cá a credibilidade da justiça esportiva foi embora pelo ralo há muito tempo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Quinta-feira

Circulando

O presidente interino (ele assina assim) da Comissão de Arbitragem da CBF encaminhou circular a quem interessar possa além dos árbitros, com determinações que têm como objetivo estancar as barbaridades observadas a cada rodada dos Brasileirões, A, B e C. Sérgio Corrêa da Silva é o nome do moço, bem intencionado, se vê pelo teor do documento. Como não acredito em autoridade exercida através de papéis e o inferno está cheio de bons moços, fica o dito pelo não dito. As maldades têm origem no despreparo de quem apita e por causa da omissão de quem os dirige exigindo, portanto, medidas muito além de simples recomendações, praxe desde que o mundo é mundo. Ou desde quando Armando Marques institucionalizou o chilique na CBF.

Na contramão

O presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, chamou a imprensa para divulgar detalhes da negociação de Carlos Eduardo, vendido para o Hoffenheim, segunda divisão da Alemanha. Trata-se de procedimento incomum para um dirigente de clube, acostumados que estamos à nova ordem, a partir da implantação da Lei da Mordaça na maioria das agremiações brasileiras. Se treinamento virou segredo de estado, imaginem compra e venda de jogadores.

O público e o privado

Pelo que tenho lido, visto e ouvido, essa movimentação para trazer a Copa de 2014 para o Brasil ainda vai dar muito pano pra manga, para ficar no popular. Começa pela ampliação automática do mandato de Ricardo Teixeira na CBF, assim que a FIFA confirmar o Mundial no país. Providencial alteração de estatuto promovida pelo maior interessado, o Rei Ricardo. O que está gerando mais discussão, no entanto, são os investimentos necessários em construção e reformas de estádios, serviços e infra-estrutura. Recursos que não dispomos hoje para necessidades básicas e urgentes como educação e saúde. Segurança e transportes vêm a seguir, na companhia de outras carências para as quais não há CPMF que chegue.

Que momento!

Não será fácil para dirigentes, conselheiros e torcedores a comemoração dos 84 anos do Avaí. A campanha ruim na série B do Brasileiro com ameaça de rebaixamento deixa todos na Ressacada com os nervos à flor da pele. A programação divulgada pela assessoria de imprensa do clube é grande, mas a apreensão pela proximidade da tragédia é maior ainda. Cadê ânimo para lembrar história e tradição sedimentadas nesse tempo todo de vida?

Filho de peixe, peixinho

Sabem aquela história de que papagaio come milho e periquito leva a fama pela sujeira que fica? Foi isso que passou matéria da ESPN Brasil sobre o time que representou Balneário Camboriú na divisão de acesso. A Federação Catarinense de Futebol, grande albergue de aventureiros, abrigou a picaretagem de alguns paulistas que da noite para o dia inventaram um clube com o nome do município. O noticiário, claro, misturou alhos com bugalhos e a conta e o calote foram cobrados de quem não devia. E vem mais por aí já que o próximo presidente da FCF é cria da casa e reza pela cartilha do doutor Delfim.

Tempo perdido

Guga veio, viu e venceu. E, apesar do seu sucesso, perdemos a grande oportunidade de produzir novos grandes tenistas. Hoje o país e o Estado estão limitados a esforços pontuais, como o do Instituto do Tênis, em Itajaí, e do Instituto Guga Kuerten, em Florianópolis. O IGK promove torneio esta semana, na sede da Federação Catarinense de Tênis, com envolvimento de 48 crianças na faixa etária de 9 a 14 anos. É pouco para quem teve em quadra o maior tenista brasileiro de todos os tempos.

Dia do Fico

Com juras de amor ao clube e à cidade, Mário Sérgio garante que não vai para o Corinthians. Fica em Florianópolis e no Figueirense em agradecimento ao apoio que recebeu quando estava fora do mercado e quando teve problemas de saúde após uma operação de apêndice. Quanto ao seu relacionamento com a imprensa, nada disse e nada lhe foi perguntado.

Sina

Na primeira fase do Mundial Sub-17 o Brasil só ganhou da Nova Zelândia e Coréia do Norte e perdeu para a Inglaterra. Ontem confirmou o fiasco ao ser eliminado por Gana. A base do futebol brasileiro vai bem nos clubes e muito mal nos times organizados pela CBF. Por que será?







terça-feira, 28 de agosto de 2007

Terça-feira

Ensino à distância

Os árbitros brasileiros seguem desamparados, sem ter a quem pedir orientações ou socorro para os cavacos do ofício. O gaúcho Carlos Simon, no programa “Bem Amigos”, da Sportv, não respondeu se alguma vez este ano foi convocado para uma reunião com os responsáveis pela Comissão de Arbitragem, que passa por sua segunda diretoria depois do Armando Marques. A não ser pelos testes físicos e teóricos, aplicados pelas federações com orientação à distância da tal Comissão, nada mais se faz para dar suporte aos nossos amados homens do apito. Não há nem um processo seletivo para separar o joio do trigo. O resultado aparece a cada rodada dos Brasileirões, como no último final de semana. Do Oiapoque ao Chui aconteceram erros de todo o tipo, dando razão aqueles destemperados que, à beira dos gramados, perdem a compostura e acabam nos tribunais como únicos vilões e merecedores de punição.

Previsível

Mário Sérgio descobriu que a responsabilidade pela estiagem do Figueirense que já dura cinco jogos é da imprensa. Na entrevista coletiva após a derrota para o Palmeiras destilou veneno contra os jornalistas de Florianópolis, acusando-os de torcerem contra o time que dirige. O treinador poderia ser mais original em seu comportamento e dar menos bandeira para seu desprezo contra a turma da casa. Quem sabe ele volta para São Paulo para treinar o Corinthians no lugar de Carpegiani. Seus queridinhos paulistas não falam em outra coisa desde domingo.

O gordo e o magro

“Ronalducho” para os brasileiros, “El Gordo” na Espanha. Apelidos como esses fizeram parte do calvário vivido pelo atacante Ronaldo antes de sua transferência para o Milan. Parece mentira, mas depois desse tempo todo servindo para chacota, foram os médicos do clube italiano que descobriram o motivo para o brasileiro ter dificuldade em perder peso. Ele sofre de hipotiroidismo, disfunção glandular que vinha empurrando o “Fenômeno” para uma aposentadoria precoce. Cinco quilos e meio mais magro, Ronaldo agora é alvo de outra brincadeira: “ele parece um modelo”, diz o técnico do Milan, Carlo Ancelotti, o que mais apostou na recuperação do jogador.

Chatos

As transmissões das corridas de Fórmula I se transformaram em belos exercícios de adivinhação. É infernal acompanhar pela tevê o papo dos sabichões que não se dão conta da nossa “ignorância”. Como se fôssemos experts, ouvimos o tempo inteiro comentários intermináveis sobre aquelas engenhocas que nós, simples mortais, só conhecemos de ver passar por breves instantes na telinha. Identificação de carros e pilotos como orientação para o telespectador não consta do manual de transmissão. E tome bobagem para segurar a audiência e a torcida pelo brasileiro Felipe Massa.

Cemitério de elefantes

Demorou bem menos do que eu pensava a preocupação com os equipamentos esportivos construídos para os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro. Jogaram o estádio João Havelange, o Engenhão, no colo do Botafogo, que ainda nem sabe como vai lidar com aquilo tudo. Agora vem a confissão de dirigentes esportivos do Rio, admitindo a incapacidade econômico-financeira do Estado para administrar arenas multiuso, parque aquático e outros brinquedinhos caros e sofisticados. Nas primeiras licitações não apareceram interessados.

Dramalhão

A vida da bandeirinha Ana Paula daria um bom roteiro para aqueles antigos filmões mexicanos produzidos pela Pelmex. A moça tem se especializado em aparecer na mídia não por suas qualidades na profissão que escolheu, mas pelo viés da polêmica e exposição excessiva a câmeras e microfones. Depois que os machões da CBF a execraram por causa das fotos para a revista Playboy, ela descobriu que o que mais ama na vida é trabalhar no futebol. E lacrimeja arrependida pedindo para voltar, como fez outro dia em programa da TV Globo. Ana Paula de boba não tem nada, sabe até onde o choro é livre e recompensado.

A Copa é deles

O Figueirense que trate de tocar a sua vida e seus projetos para um novo estádio. Se depender de governo e políticos vai pagar um mico por semana, como vem acontecendo nessas reuniões no Rio de Janeiro visando a Copa de 2014.












sábado, 25 de agosto de 2007

Sábado

Copa do B

Vem aí a Copa Santa Catarina, classificatória para a Recopa Sul, competição que reunirá os campeões catarinense, gaúcho e paranaense. Um enxe-linguíça de calendário que por aqui ainda não definiu número de participantes, embora a Federação já tenha divulgado a tabela. Certeza mesmo só para a presença de Figueirense, Avaí e Joinville, todos B, mais a Chapecoense.

Falta pouco

Estamos a uma semana do final da operação desmanche 2007 no futebol brasileiro. No final do mês termina o prazo para a saída dos nossos jogadores para o exterior. Até lá torcedores cruzarão os dedos para que não apareça nenhum empresário com euros e dólares atrás dos seus ídolos. Já os dirigentes deixarão sapatinhos na janela esperando por um Papai Noel de meio de ano.

Provocação

Dunga mantém a rotina dos treinadores da seleção, provocando polêmica pelo país inteiro e insuflando as paixões regionais. Tem um tanto de implicância dos que não gostam de seus métodos, mas uma boa porção de bizarrices de um homem turrão. A volta do Afonso e a opção por Doni ao invés de Rogério Ceni, para ficar apenas nisso, são preferências injustificáveis. O amistoso contra a Argélia deixou uma lição e uma advertência, depois que Ronaldinho e Kaká entraram no segundo tempo e mudaram a cara do time.

Convicção

Nessa trajetória até outubro, quando começa a eliminatória para a Copa do Mundo, não há muito tempo para indefinições. Por enquanto são muitos os escolhidos, poucos os eleitos: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, Kaká, Ronaldinho e Robinho, sete apenas, são unanimidade. É pouco, quase nada.

Impressão

A passagem do Figueirense por São Paulo merece dois registros, ambos com a marca do seu treinador. A boa postura do time em campo, deixando escapar por pouco a classificação, e a presença do Mário Sérgio à tarde, no dia do jogo, no programa Arena, da Sportv. Simpático, bem falante, distribuindo sorrisos, como faz sempre que sai de Florianópolis, Mário apenas confirmou a impressão que tenho sobre sua aversão pela crônica esportiva da cidade onde ele vive e trabalha. E onde não ri, limita entrevistas e acesso aos treinos, e não participa de programas de rádio ou televisão. Para quem durante 15 anos esteve do outro lado do balcão, é lamentável.

Evidências

Nossos principais times e mais bem colocados na tabela do Brasileirão são dirigidos por treinadores formados futebolisticamente no sul. Cuca, pelo Botafogo, Celso Roth no Vasco, Renato Gaúcho no Fluminense, Paulo Bonamigo no Goiás e Carpegiani, tirando o Corinthians do atoleiro, são as realidades não reconhecidas pelo ranço carioca (principalmente) e paulista.

E agora?

Discussão interessante acontece no Rio Grande do Sul, onde a Brigada Militar (a PM de lá) não faz mais policiamento interno nos estádios. Essa bronca agora ficou por conta dos clubes e seus seguranças. Os “brigadianos”, como eles chamam, trabalham somente na parte externa das praças esportivas e arredores. Dentro, só pagando. Como, aliás, já acontece em Santa Catarina, onde os clubes têm desconto no borderô da taxa de policiamento em dias de jogos. O primeiro teste terminou em pancadaria, à tarde, num Grenal no Beira Rio pelo estadual de juniores. A confusão foi contida e o jogo começou só depois do socorro da BM.

Baixaria

Em entrevista a uma tevê italiana finalmente o zagueiro italiano Materazzi revelou, com todas as letras, a frase que tirou Zidane do sério na última Copa e provocou aquela cabeçada: “depois de segurá-lo em uma falta ele perguntou se queria sua camisa. Respondi que preferia a puta da irmã dele”.

Recomendo

Para os coleguinhas da mídia esportiva, simpáticos ou não à cartolagem, leitura do livro “Jogo Duro”, biografia de Jean-Marie Faustin Godefroid Havelange, escrita pelo jornalista mineiro Ernesto Rodrigues. “João Havelange foi o primeiro a ler esta biografia. E não gostou de tudo que leu...”, escreveu Ernesto nas duas primeiras linhas do prefácio. São mais de 400 páginas, estou no início, mas é muito bom.





quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta-feira

Pérolas aos porcos

Independente do resultado da Copa América e do amistoso de ontem, a seleção brasileira e o trabalho de Dunga continuam a mexer com os nervos da mídia do eixo Rio-São Paulo. Nos programas esportivos de rádio e tevê e na leitura de jornais dá para perceber a antipatia nutrida contra o treinador, sentimento ampliado quando Ronaldinho Gaúcho e Kaká esquentam o banco de reservas. E com a seleção em campo o comportamento dos jornalistas não muda, seja em amistosos ou competições oficiais. Não foi diferente ontem contra a Argélia, quando Dunga fez as experiências que julgou necessárias, escalando um time em cada tempo. Ruim pra ele é que os castigados que entraram no segundo tempo foram os principais responsáveis pela vitória.

Fundesporte

O colega César Valente, da coluna “De Olho na Capital” e adjacências, descobriu mais uma generosidade do Fundo para o Incentivo ao Esporte, desta vez beneficiando um piloto da Stock Car Light, Eduardo Berlanda, filho do secretário regional de Curitibanos, Nilso José Berlanda. O incentivo ao rapaz, último colocado nessa categoria do automobilismo brasileiro, custou R$ 250 mil. E tem gente no Conselho Estadual de Desportos, um dos gestores do Fundo, que ficou com os nervos a flor da pele depois que registrei aqui a contribuição de R$ 96 mil ao Metropolitano, clube de futebol profissional de Blumenau, para uma viagem de turismo à Europa. O que incomoda é que projetos sérios e bem mais importantes, com captação de recursos garantida, estão na fila e não conseguem a liberação da turma que tem a chave do cofre.

Choradeira

Já tem município reclamando da classificação por medalhas, novo critério adotado pela Fesporte para seus principais eventos. Os descontentes querem implantar um sistema híbrido, com pontos e bonificação especial por medalhas conquistadas, sugestão que já circulou pelo Conselho Estadual de Desportos, mas acabou reprovada. A queixa contra o critério atual é que beneficiaria as modalidades individuais, em prejuízo das coletivas. Gozado é que na hora de se fazer representar e ouvir no Conselho, não aparece ninguém.

Dois pesos...

Mano Menezes, do Grêmio, já foi expulso três vezes este ano. Renato Gaúcho afirmou que o Flu tem sido roubado neste Brasileirão. Joel Santana foi flagrado pelos microfones de ambiente, à beira do gramado, incitando seus jogadores a baterem nos adversários, no jogo entre Flamengo e Santos. Muricy Ramalho, do São Paulo, tornou público suas suspeitas em relação ao caso do botafoguense Dodô. Foram todos absolvidos no STJD. O técnico do Avaí, Alfredo Sampaio, não pode trabalhar direito, punido por de 60 dias, e ameaça ir embora se o clube não conseguir efeito suspensivo.

Segredos de alcova

O vocalista da banda Marron 5, Adam Lavigne, namorou a belíssima tenista russa, Maria Sharapova. Nada demais não tivesse o músico declarado à revista Exile que Maria é ruim de sexo. Adam queria ouvir na cama os gemidos que ela emite na quadra a cada rebatida.

Negócios do além

Cláudio Duarte dirigiu o Juventude em quatro partidas, com três derrotas e um empate. Deixou Caxias inesperadamente sexta-feira à noite, véspera do jogo contra o Corinthians. Os maus resultados teriam provocado sua demissão, coisa comum no futebol brasileiro. Nada disso. Ele saiu por causa do “guru” Pin, enviado ao vestiário por uma empresa prestes a fechar um negócio de R$ 50 milhões com o clube.

Vale tudo

A divisão de acesso, organizada (?) pela Federação Catarinense, não para de produzir assunto e piada. A última envolve o Ferroviário, de Capivari de Baixo. O time do sul foi a campo no último domingo para enfrentar o Próspera, com apenas 11 jogadores. No segundo tempo o lateral Peteca saiu machucado e a solução foi a entrada em campo de Edson Criciúma, o treinador do time. O clube garante que ele estava regularmente inscrito.

Versão oficial

Mário Sérgio finalmente apareceu em um programa de tevê. Foi na RBS, atendendo convite de Cacau Menezes. JB Telles, assessor de imprensa do Figueirense, explicou que Cacau foi o primeiro jornalista a fazer esse convite quando Mário chegou a Florianópolis.


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Terça-feira

Tiro pela culatra

A CBF, sem o menor pudor, decidiu beneficiar escandalosamente o Flamengo, permitindo a participação de jogadores contratados após a data dos jogos que agora estão sento atualizados. Ora, foi o clube que pediu para não jogar fora do Maracanã durante o Pan, ao contrário de Botafogo, Vasco e Fluminense, cumpridores da tabela em outros locais. A explicação é que as partidas que ficaram para trás não são atrasadas e sim reprogramadas. Com tudo isso o Flamengo continua na zona de rebaixamento, pressionado pela tentativa de recuperação e prejudicado pela fragilidade do time. Em se tratando de futebol carioca tudo é possível.

Ola jurídica

Passou a comédia Dodô, vem aí a novela Marcão, o vaidoso zagueiro do Inter pego no exame antidoping por causa de um remédio contra a queda de cabelo. Os advogados do clube gaúcho preparam a defesa do jogador confiando que o STJD tenha o mesmo comportamento em relação ao caso do atacante botafoguense. Só se o Internacional conseguir incluir alguns torcedores entre os que forem julgar este processo.


Choradeira inútil

Muitas reclamações e nenhuma providência. Tem sido esse o comportamento dos clubes que a cada rodada do campeonato brasileiro desmancham-se em lágrimas por causa dos erros de arbitragem. A não ser por uma carta enviada pelo Botafogo à CBF ninguém fez mais nada. E o início do returno foi pródigo naqueles erros grotescos que não precisam da televisão para serem detectados. Parece que o corporativismo do Clube dos 13 só serve para negociar quotas de patrocínio e tevê.

Os piores

De volta ao Inter o técnico Abel Braga revelou seu verdadeiro motivo para a adoção de treinos secretos: fazer birra para a imprensa. Abel não é o único, tem mais gente pelo país segregando jornalistas, em uma sala ou por trás dos portões dos centros de treinamento, o mais distante possível de onde os fatos estão acontecendo. Alguns jogadores têm se aproveitado da “organização” para fugir das entrevistas. Os prejudicados são o bom jornalismo e os torcedores, privados da informação correta.

Os melhores

O jornal O Globo fez sua seleção do turno do Brasileirão com três cariocas, três paulistas, um goiano, dois mineiros, um paranaense e um gaúcho: Rogério Ceni (SP; Paulo Baier (GO), Thiago Silva (Flu), Juninho (Bota), e Jorge Wagner (SP); William (Cor), Thiago Neves (Flu), Wagner (Cruz) e Diego Souza (Gre); Araújo (Cruz) e Josiel (PR). Será que o Dunga gostou desse time sem volantes?

Punição burra

O meia Zé Roberto foi afastado do Botafogo por indisciplina e continua treinando a parte. Enquanto isso o time parou de vencer e Cuca pediu á diretoria a reintegração do jogador. O resultado para esse tipo de punição é sempre o mesmo com prejuízos para a equipe e a volta do rebelde como herói ou salvador a pátria.

Inimigo em casa

Só o vice-administrativo do Figueirense, Luis Fernando Philippi, fez sua parte na reunião que a CBF convocou para tratar da Copa de 2014. Carlão, superintendente da Fundação Municipal de Florianópolis e Joceli de Souza, gerente da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, chegaram atrasados, como se tivessem viajado para tratar de uma quermesse de igreja. Com parceiros desse quilate, ninguém precisa de concorrência forte na luta por uma sede da Copa. Além do que a FIFA já definiu vistorias em cinco das doze cidades necessárias: Rio, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte. As demais terão que fazer apresentações especiais em uma próxima reunião. Com seus representantes chegando a tempo para não deixar os parceiros falando sozinhos.

Brasileiros

A passos miúdos, o Figueirense se mantém próximo da zona de rebaixamento e, ao mesmo tempo com boas chances de figurar na faixa intermediária da tabela, menos por seus méritos, mais pelo equilíbrio da competição. Do outro lado das pontes o Avaí segue puxado para baixo e, se não ganhar do Vitória hoje, em casa, sobe no cadafalso. O Joinville da série C empatou na Arena e complicou o que estava fácil.










sábado, 18 de agosto de 2007

Sábado

Passado

Repórter setorista era aquele sujeito que acompanhava o dia a dia dos clubes, assistia treinamentos, fuçava os bastidores, questionava dirigente, corria 24 horas atrás da informação, sempre tentando evitar bola nas costas de algum concorrente. Um porteiro, roupeiro, massagista, desde que devidamente recompensados podiam ser boas e insuspeitas fontes. Era de lei escutar atrás das portas, burlar a vigilância da cartolagem, conquistar a confiança da boleirada, nada que implicasse em algum tipo de comprometimento, o chamado “rabo preso”. Trocar figurinhas com algum companheiro de outro veículo? Nem morto. Hoje a formalidade decretada pelas assessorias de imprensa – necessárias, mas com função distorcida –, igualou os noticiários de rádio e as matérias de jornais. Os treinos secretos, a blindagem, a mentira como regra de conduta, a pouca maleabilidade e a antipatia de alguns treinadores, somados à falta de criatividade dos dirigentes, matariam de tédio ou provocariam a demissão de qualquer bom jornalista esportivo daqueles tempos.

Presente

O Figueirense parece organizado, mas seu relacionamento com o torcedor e a imprensa está suficientemente desgastado para provocar um vazio cada vez maior nas arquibancadas do estádio Orlando Scarpelli. Jogo de Copa Sul-Americana contra o São Paulo, líder do Brasileirão, não pode ter um público de apenas 8 mil torcedores. O clube precisa reavaliar o sotaque de seus atuais porta-vozes e trocar a assepsia do noticiário oficial por uma relação natural e amistosa com torcida e imprensa. E acabar também com o tratamento diferenciado dispensado por alguns de seus representantes a jornalistas do Rio e São Paulo.

Inércia + incompetência =

Na Capital do Estado, dirigentes municipais e universitários assistem passivamente o esporte da região despencar no contexto estadual. Inclua-se aí, principalmente o Carlão, ex-atleta olímpico, hoje na direção da Fundação Municipal de Esportes, e um prefeito enrolado em operações sobejamente conhecidas. Florianópolis aos poucos acaba com suas áreas verdes, não tem parques nem equipamentos esportivos e os novos espaços públicos, como os aterros da baía sul, estão entregues ao mato e à bandidagem. O primeiro aterro, entrada da cidade, tem vários monstrengos em cima: um merdódromo, uma rodoviária, um centro de eventos, horroroso e até hoje sob suspeição, garagens de ônibus, camelódromos e um sambódromo para ser utilizado três dias ao ano. Tudo de frente para o mar.

Enquanto isso

O estádio do Sesi, em Blumenau, está em obras para a implantação de uma pista sintética de atletismo, a segunda em Santa Catarina. A primeira, hoje em péssimo estado e abandonada pelos responsáveis, foi construída com dinheiro público em Itajaí, na época sob os auspícios da Univali e da Prefeitura. O espaço é pouco para um detalhamento maior de razões aqui expostas, mas nesse vai da valsa é fato concreto que tão cedo ninguém vai quebrar a hegemonia blumenauense no esporte de Santa Catarina.

Espelho meu, espelho meu

O presidente da Federação Catarinense, doutor Delfim, gosta muito de exaltar atos corriqueiros, elevando-os à condição de verdadeiras façanhas. Ao protagonizar esse exercício quase diário do “Eu me amo, eu sou o bom”, esquece, por exemplo, de fiasqueira da divisão de acesso, cheia de clubes irregulares, participantes de hoje, eleitores de amanhã, e de um campeonato estadual de juvenis e juniores disputado em segredo, em campos secundários ou centros de treinamento. Justo uma competição com divisões de base, futuro do nosso futebol, que poderia (ou deveria), por exemplo, ser incluída como preliminares de jogos das duas séries do Brasileirão. Menos confete, mais organização e competência fariam um bem danado ao futebol catarinense.

Andorinha

O engenheiro Luis Fernando Philipi, vice-administrativo do Figueirense, participou da reunião realizada ontem pela CBF no Rio de Janeiro para tratar de Copa do Mundo. O governo de SC mandou só gente do andar de baixo, e ainda assim, atrasados.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quinta-feira

Barrigas de aluguel

Agosto mês do desgosto para os clubes brasileiros e seus torcedores. Ninguém escapa à tal lei de mercado que nos últimos anos tem regulado a negociação de jogadores em favor de moedas mais fortes. Europa, Ásia e América do Norte ano a ano se locupletam com a nossa diversificada incubadora. A produção catarinense acaba de ser descoberta valendo principalmente para atletas recém formados. A última vítima é o Avaí que perdeu o goleiro Thiago para o português Belenense. Antes, Figueirense e Criciúma já tinham contribuído com sua cota de nenéns de grande valia. O líder e poderoso São Paulo está perdendo Josué e Alex Silva, titularíssimos de Muricy Ramalho. Esta ação predadora enfraquece clubes já combalidos, desqualifica os times e empobrece sobremaneira nossas competições. O país inteiro espera ansiosamente pelo dia 31 quando acontecerá o fechamento de mercado. Em setembro, com as três series do Brasileirão em suas fases decisivas, poderemos avaliar o tamanho do estrago e seus efeitos no rendimento dos que hoje estão na frente da tabela.

Cassino Brasil

Enquanto isso o país do jogo proibido e das loterias ganha mais uma, a Timemania, agora com regulamentação devidamente assinada pelo presidente Lula. A intenção é ajudar os clubes que aderirem à jogatina a saldar suas dívidas com a União, incluindo ai INSS, Receita Federal, FGTS e assemelhados. Nada de estudos, projetos ou alguma legislação que impeça a morte lenta da nossa galinha dos ovos de ouro.

Bom de papo, pro ar

O híbrido Marco Aurélio Cunha, misto de médico, cartola e palpiteiro, esteve em Florianópolis com o São Paulo. Entrevistado em programa esportivo da TV Barriga Verde, desfiou teses otimistas sobre clubes catarinenses. Com bom trânsito em Florianópolis, mas passagem indelével pela Ressacada e Scarpelli, garantiu que o Avaí hoje é um dos clubes no país de maior atrativo para investidores, ao lado do Remo e do Ceará. Com maiores possibilidades para o Avaí, disse ele, por causa da localização do Estado, patati, patatá. Ele jura que não, mas parece conversa de quem está preparando aposentadoria na Ilha.

Famiglia

O levantador Ricardinho chutou o pau da barraca na entrevista coletiva que concedeu em Maringá, onde mora. Além de críticas ferozes ao treinador Bernardinho, responsável único por sua dispensa do grupo do Pan, revelou-se magoado com seus companheiros de seleção, sugerindo que não existe mais a tal família do voleibol masculino. Este foi o segundo corte sofrido por Ricardinho. O primeiro aconteceu em 2002, com Radamés Latari, hoje técnico da Cimed Florianópolis. Ao contrário do que disse o jogador, Radamés afirmou que ele sabe muito bem os motivos daquela dispensa. Razões extra-quadra, falou o técnico, evitando explicitar a encrenca.

Maus conselhos

O ex-presidente do Grêmio, José Alberto Guerreiro, esteve ameaçado de expulsão do quadro social do clube pela Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. O processo foi arquivado até que a justiça comum julgue seu possível envolvimento em negócios irregulares com a ISL, ex-parceira do Grêmio. Bom exemplo do Conselho gremista, que está encarando um problema grave e não o deixou intra-muros como acontece na maioria dos clubes brasileiros. Os conselheiros avaianos, por exemplo, têm o hábito de se omitir com relação aos graves acontecimentos que infelicitam a vida do clube e de sua torcida. Em nome de amizades ou interesses pessoais empurram tudo pra baixo do tapete.

Volta às aulas

Não adianta punir os maus árbitros e auxiliares somente com o afastamento por algumas rodadas. Tem que chamar esses incorrigíveis, incluindo alguns do quadro da FIFA, e fazê-los voltar aos bancos escolares, para aulas de português e muita reciclagem naquilo que eles pensam que sabem. É difícil porque a Comissão de Arbitragem da CBF não ajuda. Armando Marques era do ramo, mas chiliquento. Seu substituto, Edson Rezende, nunca disse a que veio e saiu pela porta dos fundos. Sérgio Corrêa, o atual titular, é um Conceição, ninguém sabe, ninguém viu.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Terça-feira

Brasileiros

O Figueirense começou cheio de aspirações na série A e terminou o turno em décimo quarto lugar. Na segunda divisão, apesar de duas derrotas consecutivas o Criciúma garantiu a liderança enquanto o Avaí namora firme a zona de rebaixamento. Na terceirona sobrou só o Joinville como representante catarinense, mas já com uma boa estréia na segunda fase graças ao empate nos confins do Mato Grosso. Sinal de alerta para o Figueirense cujas atenções agora serão divididas com o São Paulo no início da Copa Sul Americana. E alerta máximo para o Avaí que segue aos trancos e barrancos, limitado apenas a fugir da terceira divisão.

O de sempre

No encerramento do turno do Brasileirão aconteceram em penca aqueles lances sobre os quais venho escrevendo há semanas envolvendo erros grotescos de arbitragem. Jogo violento, indisciplina, faltas, simulações, pênaltis, reclamações, cartões mal aplicados, tudo passa impunemente. O impedimento no gol de empate do Figueirense contra o Botafogo foi um escândalo, idem para o pênalti cometido por Felipe Santana. Reciclagem é pouco para o atual quadro de árbitros da CBF, o pior dos últimos tempos.

Os poderosos

Faz tempo se discute excesso de autoridade no futebol com foco nos árbitros e treinadores. Os exemplos estão aí todo o dia, a cada rodada, com as súmulas e relatórios – a maioria de redação sofrível e sem embasamento – de uma só versão representando sentença condenatória para os acusados. Os treinadores, por seu turno, não dão satisfações a ninguém, agem como senhores da verdade e de soluções mágicas. Sugerem contratações, escalam, substituem, inventam treinos secretos, se duvidar até mesmo para a direção do clube.

Olho nele

A volta de Abel Braga para o Inter deixou a torcida satisfeita, muito mais pela saída de Alexandre Gallo. Lembrando passado recente e dos tais poderes ilimitados um experiente conselheiro colorado advertiu os dirigentes do clube, pedindo que o retorno de Abel seja monitorado. Ele não esquece a preferência do treinador por jogadores tipo Gabiru, em detrimento de Alexandre Pato, como aconteceu durante a Libertadores deste ano.

O poderoso

Com o presidente do Criciúma, Moacir Fernandes, que não costuma mandar recado quando pretende expor suas idéias, isso não funciona. Após a segunda derrota consecutiva do time na série B e a aproximação do Coritiba da liderança, Fernandes disse que vai cobrar providências pelas más atuações do zagueiro Felipe. Sai ele ou o treinador Gelson Silva, ameaçou logo após o jogo contra o Santa Cruz em Recife.

Tem pra todos

Lula não está levando vaia sozinho. Pelo contrário, está muito bem acompanhado pelo prefeito do Rio, César Maia, e pelo Ministro do Esporte, Orlando Silva, contemplados no vaiódromo desta vez instalado no estádio João Havelange, o Engenhão, durante a solenidade de abertura dos Jogos Parapan.

Avalistas

O caderno de encargos entregue à FIFA com os compromissos brasileiros na solicitação de sede para a Copa do Mundo de 2014 contém as assinaturas, entre outras, do ex-Ministro da Defesa, Waldir Pires, e do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Gato na tuba

Uma agência internacional de controle e fiscalização das atividades anti-doping, a Wada, quer maiores detalhes sobre o julgamento que absolveu o atacante Dodô, do Botafogo. Os representantes desta instituição alegam ter recebido do STJD brasileiro informações muito superficiais sobre o processo que primeiro condenou e depois absolveu o atleta.

Forças estranhas

Já começou o tititi garantindo que Corinthians e Flamengo não serão rebaixados. Menos por seus méritos, mais por estranhas coincidências que tendem a se repetir a cada partida destes dois times de muita tradição e grandes torcidas.

Delírio

Mano Menezes, Cuca, Renato Gaúcho, Muricy Ramalho e Joel Santana estão na mira dos tribunais, por expulsões do banco ou declarações colocando árbitros e membros da corte do Rei Ricardo sob suspeição. Treinadores de alguns dos maiores clubes brasileiros, eles devem estar sofrendo de alguma febre misteriosa. Não há do que reclamar nem motivos para suspeitas.




sábado, 11 de agosto de 2007

Sábado

Plumas e paetês

Não sei por que (mas desconfio) a gauchada caiu de boca no assunto “homossexualismo no futebol”, tão logo a polêmica se instalou a partir da denúncia de discriminação do jogador Richarlyson, do São Paulo. Uma rádio de Porto Alegre chegou a montar um programa especial de debates, convidando jornalistas, dirigentes e uma “biba” da cidade, especialista na terminologia e no assunto em foco. Prova de que o tabu persiste nos meios esportivos, principalmente no futebol, o jornal Zero Hora não conseguiu ouvir os principais jogadores de Grêmio e Internacional. Apenas o experiente Tuta, atacante gremista, balbuciou algumas frases. A maioria pulou fora dizendo que não tinha nada a comentar. Um ex-dirigente do Grêmio revelou que na sua época foi obrigado a negociar dois atletas depois que estes manifestaram sua opção sexual, transformando o clima nos vestiários.

Replay

Mesmo correndo o risco de ser chato e repetitivo não dá para deixar de falar sobre as arbitragens do campeonato brasileiro. Principalmente por causa da rotina de erros grotescos que se estabeleceu envolvendo alguns dos principais nomes do apito nosso de cada dia. Carlos Eugênio Simon e Leonardo Gaciba, os gaúchos da Fifa, são hoje os freqüentadores mais assíduos do muro de lamentações. Simon tem sido o mais visado, da última vez na quarta-feira, no Maracanã, quando não viu à sua frente, uma falta sobre um jogador do Botafogo que determinou o segundo gol do São Paulo. Gaciba errou duas vezes em seqüência, também no Maracanã, quando marcou um pênalti contra o Palmeiras em tranco fora da área e, após a cobrança, deixou passar uma falta sobre o atacante do Fluminense. O grave, tanto na parte disciplinar como na técnica, é que são falhas perceptíveis a olho nu, sem a necessidade de repetição na tevê.

Baladeiros

A noite de Florianópolis exerce um fascínio incontrolável sobre a boleirada de fora contratada por Avaí e Figueirense. Com a inestimável colaboração dos meninos da casa, marmanjos e donos de seus narizes não resistem ao canto das sereias e terminam por embrenhar-se em atividades incompatíveis com o exercício da profissão. A cartolagem não tem mãos a medir na tentativa de evitar o roteiro noturno de seus atletas e os torcedores é que acabam de ressaca tantas são as decepções com os que deveriam suar a camisa em campo e não pelas casas noturnas da Capital.

Cantada

As edições da Playboy com a bandeirinha Ana Paula Oliveira esgotaram mas suas estórias, não. Ela mesma, depois que virou atração internacional, conta algumas e a última foi passada a um jornalista do argentino Clarin. Na cobrança de um escanteio, ouviu um galanteio do jogador e um pedido para troca de telefones para combinarem uma saída. “Não incomoda, cobra logo esse escanteio”, respondeu Ana Paula.

É do povo

Ronaldo Nazário, denunciado por gordo um ano depois da Copa pelo Rei Ricardo Teixeira, não quer polêmica com o presidente da CBF. Mas já mandou seu recado dizendo que a seleção não é dele e sim dos torcedores. “Eles é que podem dizer se me querem de volta”.

Crime

O equatoriano Reasco, lateral direito do São Paulo, foi colocado fora de combate com um pontapé no jogo de quarta-feira por Luciano Almeida, aquele que atuou no Criciúma. A deslealdade do botafoguense não mereceu nem advertência verbal e provocou fratura de tíbia no adversário que não joga mais este ano.

Perigo à vista

Ainda é cedo para sacramentar campeões nas duas séries do brasileiro. Mas está passando da hora para evitar o que seria um desastre para o futebol catarinense, no caso o rebaixamento de Figueirense e Avaí. Menos traumática no primeiro caso, embora decepcionante, a queda para a série B é mais fácil de ser revertida, ao contrário da série C. É um longo caminho de volta, difícil de ser ultrapassado, como tentou a Chapecoense, como espera conseguir o Joinville.

Atualidade

“Me falaram certa vez que todo mundo nasce flamenguista...Talvez seja verdade. Explicaria o fato de recém-nascidos chorarem tanto”. Do livreto “Humor no mundo do futebol”.





quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Quinta-feira


Pobres e perdulários

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, em entrevista ao programa Roda Viva, segunda-feira à noite na TV Cultura, defendeu a realização da Copa de 2014 no Brasil. Argumentou que um evento desse porte melhora a auto-estima do brasileiro, como aconteceu no Pan-Americano, a cadeia produtiva e a infra-estrutura do país serão beneficiadas. Em nenhum momento da entrevista Orlando Silva falou em números, em custos, nem identificou a origem dos recursos. E ainda acenou com a possibilidade de o Brasil sediar também uma Olimpíada. Enquanto a população não tem suas necessidades básicas atendidas, nossos governantes insistem em ações político-eleitoreiras. Depois dos quase quatro bilhões gastos com o Pan, sem nenhum benefício paralelo a não ser manifestações de orgulho pátrio, como vamos entender a construção de arenas gigantescas para atender a Copa? Só o nordeste seria contemplado com quatro, sem contar as reformas e adaptações necessárias em equipamentos já existentes. A retórica de convencimento exercida por um Ministro do PC do B é insustentável em uma nação com tantas prioridades a serem viabilizadas. A saúde, por exemplo, até hoje não viu a cor do dinheiro da CPMF.

Me engana

O doutor Delfim, presidente da Federação, falou ao jornal O Esporte, de Tubarão, em matéria sob o título “O Poderoso Chefão”. Entre tantas pérolas, evoca para sua administração o sucesso dos clubes catarinenses no campeonato brasileiro, acha normal ficar 23 anos na presidência da FCF, discorre com naturalidade sobre suas duas aposentadorias – Universidade Federal e Assembléia – tem orgulho de construir uma sede em Balneário Camboriú, e diz que não amealhou desafetos, a não ser o ex-árbitro Dalmo Bozzano.

Bom e barato

O Criciúma faz boa campanha na série B do campeonato brasileiro depois de perder o título do estadual para a Chapecoense que acaba de ser eliminada da série C. Manteve o treinador perdedor, Gelson Silva que, recuperado, levou ao time à liderança, mesmo perdendo Clodoaldo, Fernandinho, Everaldo e Rudinei. As próximas perdas podem ser Luís Adriano e Eliseu, estão chegando Basílio e Edmilson. Até aqui os titulares e substitutos foram recrutados em clubes catarinenses, o grande mérito desta logística implantada no Criciúma.

Tipo exportação

Chegou também a vez dos treinadores carimbarem passaporte. Ivo Wortman, Tite, Pintado, Toninho Cerezo, Wagner Mancini, Hélio dos Anjos, Jorvan Vieira (Arábia), Parreira (África do Sul), Zico (Turquia) e Adilson Batista (Japão) estão fora, mostrando a capacidade do técnico brasileiro.

Na panela

O Inter foi buscar Gallo no Sport, desestabilizou o adversário e deixou mal o treinador com boa parte da torcida pernambucana. Uma derrota para o Palmeiras na quinta-feira pode obrigar o clube gaúcho a buscar outro técnico. O nome de Geninho já circula no Beira Rio. Ele substituiu Gallo no Sport, hoje em recuperação no brasileiro.

Seleção

Dunga chamou Ronaldinho e Kaká, uma obviedade, confirmou Júlio Batista, o grande vencedor do grupo que disputou a Copa América, e deixou fora o meia Anderson, o que teve menos chance na Venezuela. Pela frente amistosos com Argélia e México e a seguir a hora da verdade, com o início das eliminatórias para a Copa do Mundo.

Vassoura nova

A Comissão de Arbitragem muda de novo, saindo Edson Rezende para a entrada de Sérgio Correia. Quem sai alega sempre motivos particulares, versão que não merece crédito tantos são os problemas envolvendo as arbitragens a cada rodada do brasileiro.

Terceira divisão

O Avaí tem 40 jogadores, mas o técnico Alfredo Sampaio não consegue montar um time. Segue ladeira abaixo, rumo à série C, para desespero da torcida que não agüenta tanto vexame e não sabe mais a quem vaiar na Ressacada.

Matemática do tapetão

A série B tem dois líderes, um de direito, o Criciúma, com 36 pontos, e um de fato, o Marília, que estaria com 38 não tivesse perdido seis no TJD.




terça-feira, 7 de agosto de 2007

Terça-feira

Sem choro

Figueirense e Vasco saíram de campo reclamando muito do mineiro Clever Gonçalves. Foi realmente uma arbitragem ruim, com prejuízo para os dois lados, uma rotina nas rodadas do campeonato brasileiro. Aconteceu em São Januário, Maracanã, Olímpico, Mineirão, série A, série B. Vi de tudo um pouco neste final de semana. A má fase da arbitragem brasileira é fato. O jeito é garantir a vitória quando as chances aparecerem, o que não aconteceu com o Figueirense no Rio de Janeiro.

Mordaça

O futebol do Figueirense vai razoavelmente bem garantindo, por enquanto, o que se espera do representante catarinense, uma boa participação na série A. Como não tem craques, o time faz do empenho e do jogo coletivo suas maiores virtudes. Em compensação o relacionamento com a torcida e imprensa vai de mal a pior. Parece que tem alguém no clube determinado a garantir o “troféu antipatia”. São injustificáveis os maus bofes e a lei do silêncio em um vestiário onde a comissão técnica é comandada por um homem experiente e que já foi comentarista de rádio e tevê.

Mediocridade

São visíveis os sinais do mal que faz ao futebol brasileiro essa sangria desvairada. Primeiro saiam os craques confirmados. Agora estão levando as promessas, as revelações. Ficam os repatriados, as sobras do exterior, os que não interessam ao mercado dos eurodólares. Os clubes seguem desprotegidos, ninguém é poupado e o conformismo toma conta da mídia, dos dirigentes e dos legisladores. Ninguém esboça a mínima reação. Vão matar a galinha dos ovos e ouro, secar a fonte, até bater o desespero diante do número crescente de espetáculos (?) ruins como os jogos a que temos assistido.

Para onde vamos

O campeonato brasileiro é hoje um diversificado painel da pobreza franciscana do nosso futebol. Ufanismos a parte, o caminho é conhecido e os reflexos já aparecem em jogadores da seleção brasileira. Há depoimentos de jornalistas que ouviram frases estarrecedoras ditas por alguns de nossos craques na informalidade de um bate-papo. Coisas tipo: “estou com a vida feita, conta recheada de dólares”, não sei o que estou fazendo aqui”. O “aqui” é a seleção, antigamente objetivo de qualquer jogador. Hoje a busca pela camisa amarela vale no tempo necessário para a garantia de uma bela conta bancária. Que o digam Kaká e Ronaldinho Gaúcho.

Caras de pau

O futebol feminino é um exemplo pronto e acabado de omissão. Só é reconhecido e recebe atenção quando ganha títulos, medalhas e suas equipes são destaques aqui e lá fora. Vejam, por exemplo, o caso da lageana Maicon. Cada vez que vai à sua cidade expõe a pobreza da família. Mas os políticos da terra, sem o mínimo constrangimento, estão lá para homenageá-la. Oferecem ajuda, plano de saúde, assistências de toda ordem. Basta ela virar as costas ou arrefecer a repercussão das conquistas para bater a amnésia nos oportunistas de sempre.

Discriminação

Os 1.300 atletas portadores de necessidades especiais que participarão dos Jogos Para-Pan não estarão protegidos por nenhum plano de saúde durante a competição. Ao contrário do que aconteceu no Pan-Americano, a empresa privada que assistiu aos queridinhos do COB não teve o contrato ampliado. Isso levará a turma do Para-Pan para as filas do Sistema Único de Saúde, popularmente conhecido como SUS.

Baixo nível

O flagra dos microfones no técnico Joel Santana mandando dar “porrada” nos jogadores do Santos que tocavam a bola a 44 minutos do segundo tempo mostrou a cara atual do Flamengo. Na zona do rebaixamento, sem time à altura da sua camisa, é candidato sério à série B em 2008. A não ser que faça uma campanha fora do comum no returno. Aquele expediente de esperar a liberação do Maracanã, deixando a equipe quatro jogos atrás, está na cara, foi uma grande bola fora.

Corporativismo

Depois do jogo Wanderlei Luxemburgo surpreendeu a todos no vestiário ao concordar com seu companheiro de profissão. Um papelão de dois profissionais que ainda não foram apresentados a uma cartilha de bons modos.



sábado, 4 de agosto de 2007

Sábado

Lulismo esportivo

Como todo bom cartola brasileiro o Rei Ricardo vive dizendo e fazendo bobagem. Agora a trapalhada verbal do presidente da CBF envolve a seleção brasileira que disputou a Copa da Alemanha. Assumiu, um ano depois, que a concentração brasileira era um circo, que alguns jogadores saiam para a noite e voltavam turbinados, e que Ronaldo estava gordo. Triste, além de constatar a omissão total da Comissão Técnica comandada por Parreira, é a confirmação de que aquele bando de jornalistas que acompanha a seleção repetiu na Alemanha o presidente Lula do nosso dia a dia. Com exceção dos questionamentos sobre peso do Ronaldão, ninguém viu nada, ninguém sabia de nada.

Lulismo aéreo

Para reflexão no fim de semana. “A vida do presidente Lula é um eterno palanque. O que não está no palanque não existe”. Conclusão de Lúcia Hipólito, comentarista da rádio CBN, sobre as últimas declarações de Lula, afirmando que crise aérea nunca foi assunto das cinco campanhas eleitorais das quais participou.

Descrédito

Absolvido por cinco votos a três no Tribunal Pleno do STJD da acusação de doping, Dodô volta ao Botafogo abrindo um grave precedente. Não há justificativa convincente para este reforma da sentença que havia condenado por unanimidade o jogador a 120 dias de suspensão, pois não estava em julgamento o eventual dolo do atleta, mas o que determina a lei pela presença no antidoping de substância proibida. Dizem as más línguas que três dos oito auditores deveriam se julgar impedidos por serem conselheiros do Botafogo. Com esse conhecido atrelamento a interesses clubísticos, os homens sérios têm pouco a fazer nos tribunais esportivos de todo o país.

Desinformação

"A avaliação física feita no atleta recomenda uma preparação em tempo superior ao previsto inicialmente, o que impossibilitaria o aproveitamento imediato do atleta". Eufemismo utilizado pelo gerente de futebol do Figueirense, Anderson Barros, para justificar a não contratação do volante Tiago Alves, que estava em Portugal. O técnico Mário Sérgio foi quem colocou os pingos nos is, encerrando este episódio cheio de informações desencontradas. Disse aos jornalistas, em português claro e verdadeiro, que o jogador não seria contratado por causa de uma lesão que demandaria tempo demais para cura. E a primeira informação divulgada pelo gerentão dava conta de problemas na documentação.

Perguntar não ofende

Um novo contratado chegou ao Figueirense. Trata-se do atacante argentino Frontini, 25 anos, dispensado do América de Natal por deficiência técnica. Uma boa deixa para aquele inesquecível personagem do comediante Chico Anísio: é mentira, Terta?

Rabo de cavalo

A disseminação do segredo nos assuntos mais corriqueiros dos clubes brasileiros está contaminando e fazendo crescer para baixo a divulgação das suas atividades, além de desacreditar as assessorias de imprensa. Esconde-se desde informações banais, como relação de quem concentra ou viaja passando por treinamentos, valores de negociações até formação do time, tudo transformado em segredo de Estado. O resultado são especulações e informações desencontradas passadas ao torcedor, cada vez mais distante da realidade de seus clubes, mas sempre cobrado a apoiar.

Revoada

Perdigão foi vendido ao Vasco e Alexandre Pato acaba de ser negociado com o Milan. Ficou no Inter uma última ave, o Gallo, justamente a única detestada pela torcida.

Sem fronteiras

Governo do Estado manda convite para almoço-homenagem a atletas catarinenses que participaram dos Jogos Pan-Americanos. No Rio Grande do Sul devem estar fazendo a mesma coisa. Repete-se aquela mixórdia pré-Pan com atletas cataúchos e vice-versa.

Obviedade

Analisando as dificuldades encontradas pelo time na série B do campeonato brasileiro, o superintendente de futebol do Avaí disse que faltou planejamento ao clube, lembrando que de janeiro até aqui foram contratados 58 jogadores. E acabam de chegar mais três para “reforçar o grupo”.







quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quinta-feira

SOS Mengo

Alguém tem dúvida de que a CBF está ajudando o Flamengo? Permitindo que o clube fique quatro jogos atrasados – sua diretoria exigiu esperar o fim do Pan para só jogar no Maracanã – será possível utilizar, a partir deste domingo, reforços contratados no exterior. É um tratamento escancaradamente diferenciado. Entretanto, o feitiço pode virar contra o feiticeiro, caso o time não agüente a pressão para recuperar o tempo perdido com bons resultados.

Balanço

Na avaliação do Comitê Olímpico Brasileiros houve uma evolução do nosso esporte com a conquista de mais medalhas neste Pan em relação ao anterior. A matemática está correta, mas é preciso avaliar, também, o que ganhamos e a quem superamos. Os atletas da pequena ilha de Fidel, isolada por grandes potências, continua à nossa frente. Como é que um país rico e imenso como o nosso ainda não conseguiu suplantar os cubanos, a não ser na modalidade vaia? A Olimpíada de 2008 e os Mundiais vêm aí para esclarecer estas e outras dúvidas.

Contrastes

O caderno de economia do jornal O Globo publicou matéria interessante esta semana, abordando os desvios de prioridades nos investimentos públicos. A Cidade de Deus, conglomerado populacional muito pobre, a apenas dois quilômetros da suntuosa Vila Pan-Americana, tem índices de desidratação infantil e de desenvolvimento humano bem piores do que muitas cidades nordestinas. Números que impressionam diante do que se gastou para a realização dos Jogos no Rio, perto de R$ 4 bilhões.

Operação desmanche

Tudo isso ganha contornos ainda mais indesejáveis com o que leio e ouço no noticiário pós-Pan sobre o aproveitamento futuro de locais de competição recém reformados ou construídos. O estádio Engenhão, por exemplo, pode ficar sob tutela do Botafogo por 20 anos, único candidato na licitação aberta. Logo o Botafogo que, apesar da sóbria administração do seu presidente Bebeto de Freitas, mal dá conta do seu quintal. E o que dizer das intenções do governador Sérgio Cabral e do prefeito do Rio, César Maia, dispostos a transformar em shoppings, casas de shows e estacionamentos, áreas do Maracananzinho, estádio Célio de Barros (atletismo), parques Júlio Delamare e Maria Lenk (natação) e, pasmem, o velódromo construído especialmente para a ocasião com madeira importada.

Carta de más intenções

O Brasil vai mal de saúde, educação, segurança, a carga tributária é monstruosa, relaxamos com o saneamento básico, a corrupção virou epidemia e ainda assim gastamos os tubos para fazer o Pan no Rio. Pior, queremos uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada dois anos depois. O governador Sérgio Cabral não para de surfar nas ondas do esporte e até já inventou uma carta de intenções para ser encaminhada ao Comitê Olímpico Internacional.

Alquimistas

Há quem goste e leia o “mago” Paulo Coelho, há quem idolatre Romário e quem se disponha a beijar os pés (só?) da belíssima modelo Gisele Bundgen. São os nossos “embaixadores” escalados pelo Rei Ricardo no pleito da CBF junto à FIFA para garantir a Copa de 2014 no Brasil. A união do esporte com a cultura deveria render boa química, mas ninguém entendeu essa jogada.

Peteca

“Saber lidar com pepinos, tudo o que entra sai, tudo o que sobe desce”. Imagino o esporte praticado nos seus momentos de lazer pelo autor destas expressões, uma autoridade do governo Lula que, por essas e outras estripulias, já foi convidado a voar em outra freguesia.

Futuro

Faz tempo disse para um amigo torcedor do Avaí que a atual diretoria, sob o comando do presidente João Nilson Zunino, estava levando seu clube para um buraco do qual seria difícil sair. Meu amigo discordou injuriado, sugerindo que eu mudasse de profissão e abrisse uma tendinha com bola de cristal, búzios e cartas. Zero de conquistas, contas e passivos trabalhistas e a colocação do time neste brasileiro não me deixam mentir.

Gaúcho, amaaado...

Hoje tem Figueirense contra o Grêmio em Florianópolis, certeza de que aquele corinho original e criativo vai funcionar como nunca nas arquibancadas do estádio Orlando Scarpelli.