segunda-feira, 2 de maio de 2011

Festa do interior



Com duas jogadas no jogo decisivo contra o Avaí e uma boa campanha no returno a Chapecoense passou à final contra o Criciúma. De quebra ganhou uma vaga na Copa do Brasil de 2012, junto com seu adversário da final. Grande parte deste prejuízo avaiano na decisão em Chapecó fica por conta do Silas, um treinador confuso, de convicções contraditórias e que domingo mostrou mais uma vez por que não deu certo no Flamengo e no Grêmio, nem vai dar certo em nenhum clube grande. Time em vantagem de dois a zero, excessivamente recuado, trocando atacante por volante preguiçoso com carteiraço de genro do Luxemburgo. Quando tomou o empate tentou consertar o estrago colocando Evando em campo. Mas aí a vaca azul e branca já estava no brejo.

E o que foi aquela palhaçada dos jogadores entrando em campo descalços e a bobagem explicativa do Evando? "Profecia, disse ele. "Depois do jogo eu explico". Não teve tempo nem motivação para justificar. Silas quis implantar no Grêmio essa temência a Deus e deu no que deu.



O árbitro, ah o árbitro. Inexperiente, Ronan Marques da Rosa foi a cota de contribuição de quem cuida disso na Federação Catarinense. Trabalho para nota abaixo de cinco. Não é porque ele acertou na marcação do pênalti do Renan (o melhor e mais experiente goleiro do Avaí estava no banco, mais uma na conta do Silas) que merece boa avaliação.

Amarelou toda a zaga do Avaí com pouco mais de vinte minutos de jogo,em lances com faltas normais de futebol,exceção de um. O Aloízio marcou um gol com a mão no primeiro tempo. Ronan anulou o lance e deu cartão amarelo. Foi uma clara tentativa de enganar a arbitragem. Mais tarde esse mesmo jogador fez faltas para cartão amarelo, uma delas quase rasgando a camisa do zagueiro Cássio. Nada de punição que, nas circunstâncias, deveria ser de expulsão. Assim, confundindo marcações, que hora valiam para um lado e não valiam para o outro, Ronan teve mais sorte do que juízo. Coisa de principiante, de muito jogo para pouco árbitro.

A outra contribuição negativa da Federação é recorrente e sugere o grau de incompetência dos administradores do nosso futebol. Outra vez a entrega do troféu primou pela desorganização. Ninguém viu, a não ser aquele amontoado de gente dentro do campo. O torcedor, principal interessado, só participou da festa quando os jogadores já meio sem graça deram aquela volta em torno do gramado. Acrescentemos a participação inoportuna e despropositada do filho do presidente da Federação, um cidadão conhecido pelo diminutivo de Delfinzinho, especialista em agressões a jornalistas que criticam o pai ou sua presença indevida como dirigente da entidade, caso de nepotismo explícito. Filho de peixe.


Nada que desmereça o sucesso da Chapecoense, seus torcedores estão felizes. Quanto ao futebol da Capital, com dois clubes na série A, nada a comemorar este ano ainda. Muito cuidado, isto sim, pois Avaí e Figueirense não passaram nem no teste estadual. Um vitimado por planejamento equivocado, o outro pela soberba.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Da Leléia ao cemitério


Tem festa dos Dinossauros dia 28 de maio na Churrascaria Meu Cantinho (fotinho aí de cima), no Kobrassol. Custa 50 pilas com comida e bebida a vontade até dez e meia, ou 22h30m, como queiram. O lugar é simpático e barulhento, posso garantir que bem menos do que aquelas redações movidas a máquina de escever, aparelhos de telex, radiofotos e telefotos. Lá estarão todos os Dinos, meio Dinos e quejandos, que passaram por O Estado desde os tempos finais da Conselheiro Mafra, com escala nos altos da Felipe Schmitd e último destino na Rodovia SC-401, em frente ao cemitério Jardim da Paz. Eu falei cemitério? É isso mesmo. Coisas do destino. Pelo menos ali o endereço do "mais antigo" era bem mais silencioso.

Que o digam os que trabalharam na Felipe, ao lado da "Leléia", como chamávamos aquela igreja barulhenta com culto todos os finais de semana, na hora do fechamento, ao som de gritos,gemidos e de uma bandinha pra lá de desafinada.

Lembrete: nas proximidades do Nosso Cantinho não tem pousada paradisíaca, apenas aqueles hoteis tipo churrascaria em baixo, apartamentos (?) em cima. Melhor que dormir na calçada ou infringir a Lei Seca.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O "acadêmico" Ronaldinho

Reprodução site oficial do Flamengo

Ronaldinho não é mais Gaúcho. Agora, com todas as letras, é Carioca. A troca obrigatória do codinome se deve ao seu novo habitat, o Rio de Janeiro e suas ofertas. Domingo, depois da vitória sobre o Botafogo, ele se esbaldou em duas festas cercado por muitas mulheres, todas atraídas, sem dúvida, por sua beleza, atributos físicos e talento futebolístico.

Esse roteiro não é novidade. É a rotina desde que Ronaldinho voltou ao Brasil e se instalou na Cidade Maravilhosa. Sua desmedida atração pelas tentações cariocas é antiga e escancarada. Não foi por outro motivo que deixou a torcida gremista irada mais uma vez, ao trocar a sisudez porto-alegrense pelas divertidas noites do Rio de Janeiro.

O novo veio segunda-feira, com a homenagem da Academia Brasileira de Letras ao jogador. Mais uma bizarrice, entre tantas já cometidas pela instituição. O orgulhoso presidente da ABL, Marcos Villaça, entregou ao craque em processo de aposentadoria, uma das mais altas honrarias acadêmicas, a medalha Machado de Assis, junto com um livro do escritor rubro negro José Lins do Rego, “Flamengo, uma paixão”.

Talvez seja um pouco tarde para a iniciação do Ronaldinho na literatura. Não tem importância, o Flamengo e a Academia atingiram seus objetivos, com a pompa e circunstância exigidas pelo momento. Bom futebol, que é o que interessa na carreira de um atleta, Ronaldinho ainda não mostrou aos apaixonados flamenguistas. No meu modesto entendimento é uma lua de mel com prazo de validade já que o cenário preferido do jogador faz tempo não está limitado às quatro linhas do gramado. Praia, boates, festas, samba, pagode e agora o chá da tarde na ABL, são as prioridades.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Perguntar não ofende, a falta de respostas sim

Toda vez que alguém faz uma crítica aos preparativos do Brasil para a Copa de 2014 e à Olimpíada de 2016 o Ministro do Esporte, Orlado Silva, pula da cadeira. Aliás, é uma das poucas vêzes em que ele se mexe e dá mostras de sua existência. Defende o indefensável, explica o inexplicável, como se a população brasileira fosse formada por um bando de debilóies. Se bem que tem hora que quase acredito nisso. Voltando ao Ministro, custo a crer que ninguém no governo Dilma (no de Lula se sabe que não)está preocupado com a possibilidade de o Brasil pagar o maior mico esportivo do mundo. Sobre isso o jornalista Juca Kfouri fez algumas colocações oportunas e perguntinhas ídem, cujo foco passa inevitavelmente pela até aqui desastrosa e comprometedora atuação de polítios e dirigentes esportivos direta ou indiretamente envolvidos com os dois grandes eventos que estamos prestes a trazer para o Brasil.

Por Juca Kfouri, na Folha de São Paulo

“PERGUNTAS QUE você precisa fazer para você mesmo para não perder a capacidade de se indignar, por mais que sejam repetitivas, e as respostas, insatisfatórias, escandalosas mesmo.

Por que o presidente do Comitê Organizador de Londres-2012 é Sebastian Coe, dos maiores atletas da história da Inglaterra, e, aqui, é Carlos Nuzman, que também preside o Comitê Olímpico Brasileiro, algo inédito na história olímpica, o mesmo cartola comandar os dois órgãos?

Por que, aqui, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo é Ricardo Teixeira, o presidente também da CBF, se na França o presidente foi Michel Platini, que não era o presidente da FFF, a Federação Francesa de Futebol?

Por que, aqui, o presidente do COL é quem é, se na Alemanha foi Franz Beckenbauer, que também não era o presidente da federação local?

Por que o conjunto aquático Maria Lenk não será aproveitado para as provas de natação na Olimpíada-2016, se, quando construído para o Pan-2007, foi apresentado como trunfo para a candidatura do Rio de Janeiro?

Por que o Morumbi, há 50 anos servindo o futebol mundial, palco de jogos das eliminatórias de diversas Copas do Mundo, de várias decisões da Libertadores, do Mundial de Clubes da Fifa, não serve para a Copa-2014, um evento que dura um mês, com, no máximo, seis jogos por estádio?

Por que não há, nos dois comitês nacionais, nenhum, rigorosamente nenhum brasileiro que o país admire, alguém que tenha fé pública, credibilidade tal que ninguém o imagine fazendo coisas erradas com dinheiro público? Nenhum!

Por que a OAB não tem um representante? A ABI? As centrais sindicais? O IAB? A UNE, o Corpo de Bombeiros, o raio que os parta?!

Cadê os Ermírio de Moraes, os Gerdau, os Moreira Salles? O capital e o trabalho? Cadê?

E note que não se reclama aqui da ausência de ninguém dos poderes Legislativo e Judiciário, embora seja um absurdo que não haja, também, ninguém do Executivo, noves fora Henrique Meirelles, a APO, Autoridade Pública Olímpica, mas que, lembremos, é indicação do governo federal, não faz parte do comitê organizador da Olimpíada.

Está mais do que na hora de não engolir tanto escárnio, porque quem pagará a conta de um novo estádio em São Paulo, de novos equipamentos no Rio, de tudo, é você, sou eu, somos nós.”

terça-feira, 5 de abril de 2011

O almanaque do Zé

Do jeito que andam belicosos nossos torcedores aqui na Capital, que tal uma chegadinha nesta terça-feira (5) à noite na Assembléia Legislativa no lançamento do “Almanaque do Futebol Catarinense”? A pesquisa para este trabalho é dos jornalistas Zé da Silva, o chargista criciumense que hoje é também roteirista da Rede Globo, e de Emerson Gasperim. O evento acontece a partir das 19 horas no hal da Assembléia. Bom ambiente para que os brigões façam as pazes e conheçam um pouco da história do nosso futebol desde o tempo em que se ia aos estádios apenas para torcer pelo clube do coração.

A fumaça que vem da pizzaria

A súmula do árbitro do clássico, Rodrigo D'Alonso, além de mal redigida diz muito pouco

O poderoso São Paulo acaba de ser punido com a perda do mando de campo em dois jogos e multa de R$ 10 mil. Tudo por conta das estripulias da sua torcida na Arena Barueri, onde o time teve que jogar contra o Corinthians porque o Morumbi estava ocupado com um show de rock. Agora os são paulinos terão que achar outra casa a no mínimo 100 quilômetros da capital.

Situações semelhantes no Campeonato Catarinense costumam virar pizza, embora a legislação aponte para punições. Conheço um ex-presidente do nosso Tribunal de Justiça Desportiva e especialista no assunto que não quer mais saber dessa turma. Envergonhado, cansou de lutar contra a impunidade.

Nossos clubes e suas respectivas torcidas estão acostumados com a generosidade – cumplicidade - do TJD catarinense, confortavelmente camuflado em Balneário Camboriú, onde a tolerância passa de todos os limites. Querem exemplos? Lembram de um menino torcedor do Joinville assassinado por uma pedra jogada no ônibus que passava por Biguaçu? Até hoje neca de pitibiribas. O que aconteceu depois daquele episódio em Criciúma onde um torcedor local teve a mão amputada por um rojão? Com os agressores identificados o caso terminou na gaveta da justiça. Que tipo de punição receberam o Joinville e seus torcedores por causa das tocaias contra a torcida do Avaí nas proximidades da Arena? Coisa premeditada, e quem sabe represália pela morte do menino, pois os baderneiros ficam escondidos em um matagal nas cercanias do estádio. O que vai acontecer com o Avaí como conseqüência dos incidentes do último clássico? Jogo interrompido por mais de 15 minutos pela fumaça dos sinalizadores, proibidos pelo Estatuto do Torcedor, e torcida adversária apedrejada feito Madalena ou mulher iraniana. Sem contar as inúmeras brigas dentro e fora da Ressacada.

Não tem policiamento que dê conta de tantos baderneiros. Mas ao invés de aceitarmos jogos de uma só torcida, como propõe parte da crônica esportiva, o próprio presidente do Avaí, João Nilson Zunino, tal e qual a incompetência e os dirigentes da Federação Catarinense de Futebol imaginaram como solução mágica. Devemos exigir, isto sim, identificação e prisão destes criminosos, além de ações concretas dos tribunais das justiças desportiva e comum.

Em nome de bons espetáculos os próprios clubes deveriam zelar por suas praças esportivas e pelo bom comportamento de seus torcedores. E aquelas câmeras recentemente instaladas, registre-se, apenas por exigência da lei, servem para quê? Fosse só pela vontade dos clubes elas nem existiriam. É só conferir em quantos estádios o equipamento funciona. E os pequenos juizados agora instalados em alguns estádios? Só assistem aos jogos? Na verdade, como comprovam os fatos, até aqui tudo inútil porque o que prevalece são a omissão e/ou conivência, igualmente criminosas.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O clássico de dois jogadores

Um chute de Reinaldo decidiu o jogo - Divulgação-site oficial

Nem Jorginho, muito menos Silas. Os destaques do clássico de domingo foram Wilson e Reinaldo. Os dois sozinhos garantiram a primeira vitória do Figueirense fora de casa. O técnico vencedor botou em campo o que tinha e mexeu mal quando decidiu garantir o 1 a 0. O perdedor está precisando de uma “enquadrada” dos dirigentes, a exemplo do que já aconteceu em sua primeira passagem pelo Avaí. Sem isso vai morrer abraçado com o time, seus estranhos conceitos táticos e com os bruxinhos que elege a cada jogo, deixando no banco jogadores de qualidade superior. Foi, em resumo, um clássico decidido pela individualidade. Os torcedores dos dois lados merecem também um enquadramento,aquele cercado por grades de ferro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O jornal do poste




A Casa Cor, aquele evento nômade de decoração de interiores, frufrus e assemelhados, começou em novo endereço dia 19 de março e termina dia 1º de maio, por ironia mês de aniversário do jornal O Estado, se ainda vivo fosse.

O mais importante jornal catarinense, mais uma ironia, viveu seus últimos e gloriosos anos em frente ao Cemitério Jardim da Paz. Ali agonizou e morreu. O prédio e seus arquivos que contam sua história e boa parte da história de Santa Catarina ficaram durante anos abandonados por conta de ume pendenga judicial. Dava dó passar por lá, na descida do morro, e ver primeiro a depredação, depois a pichação. Agora está tudo colorido, mascarando o verdadeiro significado do lugar que um dia foi a grande escola do jornalismo catarinense. Eu mesmo, vindo do Jornal de Santa Catarina e de Blumenau, comecinho da década de 70, aprendi quase tudo naquele jornalão.

Caminhando pela Beira Mar Norte, trecho do Koxixos em direção ao centro da cidade, me dei conta que O Estado, carinhosamente até hoje chamado de “o mais antigo”, virou o jornal do poste. Estão lá, ao longo deste trajeto, penduradas nos postes de iluminação, placas vermelhas indicando o endereço da Casa Cor 2011: Antigo jornal O Estado, SC-401 – 2600.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O mano a mano da CBF com os empresários

Mano Menezes, quem diria

A CBF continua a mesma. Entra ano sai ano, entra treinador sai treinador, as competições mudam, mas a cúpula maior do futebol brasileiro não toma jeito. Ricardo Teixeira, não por acaso presidente do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, e também não por acaso foco principal de todas as críticas dirigidas à nossa preparação para o evento, comanda na cara de pau e sem o mínimo constrangimento, a hoje mais importante agência negociadora de jogadores profissionais. A matéria publicada nesta quarta-feira pela Folha de São Paulo, reproduzida abaixo, é não só esclarecedora, mas principalmente estarrecedora. É com essa turma, associada ao Ministério do Esporte do senhor Orlando Silva, que vamos encarar, logo, logo, uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Deus nos ajude.

Por Gustavo Franceschini, Gustavo Perroni
e Thales Calipo, da Folha de São Paulo

O clima permissivo encontrado no hotel The Dorchester, durante a passagem da seleção brasileira por Londres, na última semana, não foi uma exceção. Desde que o Brasil foi derrotado na Copa do Mundo de 2010 e, consequentemente, o comando técnico foi trocado, as portas das concentrações voltaram a ficar abertas a olheiros e empresários em geral, em postura completamente oposta à adotada por Dunga durante sua gestão.


Em Londres, antes do jogo com a Escócia, por exemplo, pelo menos oito empresários tiveram acesso livre aos jogadores brasileiros. Entre eles, estavam nomes como o de Pini Zahavi, um dos maiores agentes do futebol mundial, e Kia Joorabchian, conhecido no país por comandar o fundo de investimentos MSI, ex-parceiro do Corinthians.
Também tiveram contato com os atletas em Londres alguns agentes brasileiros, como Wagner Ribeiro (que representa Neymar e Lucas) e Carlos Leite (empresário de Mano Menezes e do meia Renato Augusto).


O encontro entre agente e atletas em Londres não só aconteceu com a permissão da CBF, mas contou também com a participação direta da entidade. Dois funcionários da seleção brasileira recepcionaram os agentes no saguão.


O esquema foi simples. Os empresários ficavam num canto do lobby do hotel The Dorchester e, após o jantar, os atletas foram encontrá-los. As conversas duravam, no máximo, 20 minutos. Até o técnico Mano Menezes conversou com alguns dos “visitantes”, dando claro sinal de que aprova o trânsito dessas pessoas.
Os agentes alegam que não se fala de negócios nessas visitas. E que elas servem apenas para distrair os jogadores e para os clientes dizerem se precisam de algo. Argumentam que na Copa da África, alguns atletas não ficaram à vontade com a clausura imposta por Dunga. Luís Fabiano foi um deles.


No estádio, já sem nenhuma ligação com a CBF, os empresários estavam em ritmo de encontro de negócios. Wagner Ribeiro e Thiago Ferro, da DIS, ligada ao grupo Sonda, assistiram à partida no camarote de Zahavi. Após o jogo, eles jantaram com Neymar.
A seleção brasileira registrou posturas completamente opostas em pouco menos de quatro anos. Durante a preparação para a Copa do Mundo de 2006, o técnico Carlos Alberto Parreira atendeu aos interesses comerciais da CBF e permitiu a realização de uma “pré-temporada” em Weggis. Com os cofres cheios, a entidade transformou o período que serviria para a preparação dos atletas em um grande show.


Esse clima festivo chegou à concentração. Além da liberdade para curtirem a noite, os jogadores esbarravam diariamente na recepção do hotel com torcedores batendo bola e até atrizes pornôs. Empresários gozavam da mesma liberdade e aproveitavam para estreitar laços com os atletas.


Todo esse oba-oba foi apontado posteriormente pela CBF como o grande motivo para o fracasso no Mundial de 2006. Diante disso, Dunga foi contratado com a missão de mudar esse panorama. E, para isso, o técnico radicalizou ao blindar completamente o grupo da seleção, afastando assim os atletas dos empresários, torcida e imprensa.


O novo fracasso fez a CBF, mais uma vez, mudar de ideia. Com Mano Menezes, o presidente Ricardo Teixeira anunciou que pretendia reaproximar seleção e torcedores.
O convívio entre agentes e jogadores, no entanto, não se resume à concentração da equipe principal. Nas categorias menores, o entra e sai de empresários acontece da mesma forma, com representantes de clubes abordando diretamente alguns dos destaques do time nacional.


No Peru, durante o Sul-Americano sub-20, realizado no início deste ano, os empresários não encontraram nenhuma barreira para conversar com atletas. Logo após a conquista do título, por exemplo, enquanto acontecia um churrasco nas dependências da concentração, o olheiro Pieter de Visser, do Chelsea, abordava livremente os volantes Casemiro, do São Paulo, e Fernando, do Grêmio, a poucos metros do local em que acontecia a festa.


Grande astro do time comandado por Ney Franco, o atacante Neymar também teve pelo menos um contato com Albert Valentim, representante do Barcelona no torneio. Os dois acompanharam a vitória do Brasil sobre o Equador por 1 a 0 na tribuna de honra do estádio Monumental UNSA, em Arequipa. O dirigente já havia destacado o interesse especial pelo futebol do atacante santista.


Neymar, por sinal, esteve acompanhado durante toda a disputa do hexagonal do Sul-Americano por seu pai, que frequentemente era visto conversando com alguns dos muitos empresários hospedados no mesmo hotel em que estava a seleção sub-20. Um deles era Nick Arcuri, representante de Jucilei, ex-Corinthians, e que estava no Peru acompanhando outro cliente seu, o atacante Willian José, do São Paulo.


Esse fenômeno já atingiu até a seleção brasileira sub-17, que está no Equador disputando o Sul-Americano da categoria. Apesar de a grande maioria ainda estar longe do time profissional, empresários tentam prospectar novos clientes diretamente na fonte, como acontece com Andrigo, que já desperta o interesse de gigantes do futebol mundial. A revelação do Internacional, no entanto, conta com o suporte in loco de um representante da DIS, empresa que agencia a sua carreira, para quaisquer contatos.


segunda-feira, 28 de março de 2011

De Rogério Ceni, com carinho

Divulgação/Site oficial

“Dedico aos caras que enfrentam e trazem benefícios ao futebol brasileiro. Aqueles que não pensam em si apenas, não pensam só no seu clube, mas no futebol daqui alguns anos. Os caras que ganham para si e querem dividir com todos, com os clubes menores. O São Paulo não briga com ninguém, quer o melhor para ele, mas sempre se preocupando em trazer os outros para perto. Este é grande motivo… para que as pessoas sentem, parem e pensem, independentemente, da emissora. Que tenham bom senso, que não prejudiquem um clube que luta pelos direitos. Será que no país você não pode lutar de maneira justa? Será que só uma pessoa manda neste pais? Mais que o presidente da república?”.

Nesta declaração contundente aos repórteres paulistas, depois do centésimo gol, Rogério Ceni fez sua dedicatória criticando a questão dos direitos de transmissão de TV, no processo em que o São Paulo ficou praticamente isolado, em uma disputa contra o rival Corinthians, outros clubes, a CBF e a TV Globo. Ceni não citou nomes, mas o recado com toda a certeza é endereçado a Andrés Sanchez e Ricardo Teixeira.

Bom seria que pelo menos os jogadores consagrados, com a vida ganha e já em final de carreira, ao invés de acomodados e olhando apenas para os seus próprios umbigos, tivessem a coragem e a lucidez de Rogério Ceni. São recados como o desse paranaense de Pato Branco que ajudariam a purificar um pouco o ar infectado que contamina o futebol brasileiro graças às ações da cartolagem comprometida somente com seus interesses.

sexta-feira, 25 de março de 2011

A ponte aérea vai bombar


O Rio de Janeiro continua lindo

Adriano é do Corinthians até 2012. Clausula prevê rescisão do contrato caso o jogador se meta em confusão, como está acostumado. O Gilmar Rinaldi, seu empresário, pelo jeito tem um poder de convencimento imbatível. Se bem que aí deve ter o dedo do Ronaldo, agora um dos mandões do Corínthias, quem sabe acima até do presidente Andrés Sanches. Dinheiro é poder, e grana é que não falta ao mais novo fenômeno extra campo da comunicação e marketing. O certo em tudo isso é que a ponte aérea São Paulo-Rio vai bombar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Perguntinhas

Do leitor

Quais motivos teriam levado DEUS nos dar uma terra tão abençoada, sem terremotos e suas consequências, água a vontade, até mesmo para gasta-la em demasia e de forma irresponsável, terra agriculturável, diversidade de alimentos a bom preço, relativa paz social? Vocês não acham que tudo parece assim tão perfeito? Bem, pois temos um Ministro dos Esportes do partido comunista que acaba de receber gordas contribuições do Mac Donalds, do Bradesco e da Coca Cola, um presidente da CBF com uma interminável lista de denuncias,de falcatruas, empresas não declaradas no exterior, maracutaias com políticos, clubes enfraquecidos por interesses escusos de seus dirigentes. Fico pensando se não mereceríamos mais respeito e um pingo de dignidade por parte dos governantes.


Do blog do Mário Marcos de Souza, ex-colunista da Zero Hora

Quando teremos um Michel Platini na CBF? - O imenso fosso que separa, economicamente, o futebol brasileiro do europeu não se explica apenas pelo poderio financeiro dos grandes clubes e pela minuciosa organização. A explicação para a distância entre um e outro também se deve à mentalidade. Querem um exemplo? Nesta terça-feira, o ex-jogador francês Michel Platini, 55 anos, foi reeleito em Paris para mais um mandato como presidente da poderosa União Europeia das Associações de Futebol (Uefa). Platini fica no cargo até 2015. Foi eleito por aclamação.
É uma das diferenças.
Quando veremos um ex-jogador de futebol romper a barreira de cartolas de federações e assumir a presidência da CBF? Do jeito que a situação vai, teremos de esperar algumas gerações de brasileiros antes de chegarmos a este ponto de maturidade – o de entregar o poder da entidade para aqueles que são responsáveis pela grandeza do futebol.
Aqui o futebol virou um feudo de cartolas, um clube fechado, sem brechas. Nomes o futebol brasileiro teria de sobra, ou Zico não poderia ser um presidente bem superior ao atual? Dá para citar outros, o ex-goleiro Zetti, Falcão, Vladimir (o pai do lateral Gabriel, do Grêmio) e tantos outros. Qualquer um deles seria uma espécie de Platini brasileiro – mas, assim como a paz no mundo, este projeto fica apenas no terreno da utopia.
Enquanto não chegamos lá, resta admirar os europeus.
Platini foi eleito não por jogadores, mas pelos presidentes de 53 federações nacionais e integrantes do comitê executivo. No discurso ele fez uma homenagem aos jogadores, qualificando-os como “educadores voluntários que trabalham com paixão e amor pelo futebol”.
- São heróis da vida cotidiana, sem os quais não haveria Beckenbauer, Cruyff, Zidane e Messi – disse, claramente emocionado.
Platini tem vários objetivos nesta nova gestão. Um deles: vai implantar o chamado fair play financeiro, que val na temporada 2014/2015. Significa que clubes sem equilíbrio financeiro serão excluídos das competições europeias (imaginem isso por aqui).
Ele também é defensor do auxílio de vídeos na arbitragem e vai colocar cinco observadores trabalhando com o recurso nas competições. A novidade entra em vigor já na próxima temporada.
Platini foi eleito pela primeira vez em 26 de janeiro de 2007, em Düsseldorf, na Alemanha. Ele derrotou o sueco Lennart Johansson.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Aeroportos para navios

Uma chuvarada hoje pela manhã em Salvador causou estragos consideráveis no aeroporto Antônio Carlos Magalhães. É internacional que nem os nossos,em Santa Catarina, precário como todos Brasil afora, incluindo alguns que ainda cheiram a tinta fresca no nordeste do Lula. No de Salvador o teto de uma livraria desabou, lojas e o saguão foram inundados.

É mais um registro negativo entre tantos que se pode fazer quando o foco são os aeroportos brasileiros, portas de entrada para nossos visitantes na Copa de 2014. Um ano antes tem a Copa das Confederações, evento teste. Em 2016 na Olimpíada, o problema é do Rio de Janeiro, reduto de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, aqueles dois bobos alegres que acabam de participar com os cariocas de uma pantomima paparicante.

Enquanto se repetem os fatos negativos e noticiário envolvendo cifras astronômicas para as reformas, algumas repetidas, de aeroportos e estádios, não conseguimos mostrar ao mundo e aos mandões da FIFA o que realmente podemos fazer como sede de eventos esportivos tão importantes. Até agora só alimentamos a desconfiança e a suspeita de superfaturamento e obras mal explicadas, quem sabe até mal acabadas e que logo necessitarão de reformas.

Enquanto esperamos pelo guarda sol do Amin



Domingo de manhã cedinho fui dar uma espiada na meia maratona, evento da Fundação Municipal de Esportes. Um pouco para matar as saudades da maratona inteira que a Fesporte, a Fundação Estadual, no tempo em que eu trabalhava lá realizava em Florianópolis. Era uma grande competição que a última administração se encarregou de acabar. Roubaram tanto para campanhas políticas e outros fins não tão explícitos que faltou dinheiro para o principal.

Além de acompanhar um pouco o trabalho da Fundação Municipal hoje presidida com eficiência pelo Édio Manoel Pereira, prestei atenção na cara nova da Beira Mar Norte. Ficou bonitinha, mas ordinária. Pelo menos até que aquelas palmeiras melhorem o visual e projetem um pouco de sombra aos passantes, ou aos caminhantes e atletas de fim de semana. Faltam equipamentos esportivos, bares e restaurantes à beira mar. Talvez não seja conveniente. O mau cheiro é insuportável em alguns trechos, e assim será até que o Esperidião Amin tire do baú sua promessa e aquele guarda sol que seria aberto quando a Beira Mar ganhasse condições de balneabilidade. Quando as palmeiras crescerem vou levar minha cadeirinha para esperar sentado e na sombra.

Por enquanto quem está adorando é a cachorrada, com a abertura dos novos sanitários, amplos e de frente pro mar. Prova disso é que a freqüência aumentou. Tem de todas as raças e tamanhos. Terminada a temporada os porcalhões voltaram para a cidade.

O que não tem jeito mesmo é aquele trapichezinho mocorongo que o Dário, o Pato Rouco et caterva pretendem inaugurar com a conhecida pompa e circunstância. Coisa horrorosa, pequeno e imprestável. Tem igual e com melhor serventia em Barra Grande, uma vila de pescadores com 1.500 habitantes que conheci no sul da Bahia. E nem por isso a turma de lá se acha no direito de reivindicar o título de capital do turismo baiano.

Ele não é o cara

O Barak Obama veio aqui e falou em ditadura como se os EUA não tivessem nada a ver com isso. A turma aprende rápido: no Brasil é só falar em mengão, samba, futebol e nas belezas naturais do país que fica o dito pelo não dito. Ah, conhecer uma das nossas favelas e bater bola com um negrinho pega melhor ainda. Vou me esconder rapidinho antes que o Serviço Secreto deles dê um jeito nesse antiamericano

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um time com a cara do Dunga


Dunga está afastado do futebol, escondido no bairro de Ipanema, não o do Rio de Janeiro, onde não teria paz, mas em Porto Alegre, caminhando no calçadão à beira do Guaíba, protegido pela mídia gaúcha, por seus conterrâneos e admiradores. Nem por isso estamos livres dos seus conceitos sobre o que é bom para o futebol, aplicados naquela seleção brasileira horrorosa.

O homem tem os seus discípulos e seguidores. Um deles veio para Santa Catarina, quem sabe para expandir os ensinamentos onde o medo predomina sobre a ousadia e o foco no futebol ofensivo. Jorginho, o novo técnico do Figueirense, mostrou em Joinville que aquele time ligeiro e que jogava pra frente está com os dias contados.

Um gol é suficiente para atender à proposta implantada pelo treinador que foi auxiliar de Dunga na última Copa do Mundo. Caso tenha assistido à partida contra o Joinville, Márcio Goiano deve ter pulado no sofá quando um volantão substituiu a habilidade do meia artilheiro Breitner e atraiu o adversário para a fronteira do perigo, as proximidades da grande área.

A torcida do Figueirense que trate de se acostumar. O time tem nova cara nas mãos de Jorginho, como treinador fracasso no América RJ e Goiás. Um a zero é goleada, empate é vitória, não importam as circunstâncias do jogo, a posição na tabela ou as consequências de uma vantagem jogada fora. É um jogo só, mas o fantasma do Dunga assombra o Orlando Scarpelli.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um olho no peixe, outro nos gatos

Tudo, mas tudo mesmo, o que envolve a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Brasil é motivo para polêmica, suspeitas e muita desconfiança. O Senado aprovou terça-feira a criação da APO (Autoridade Pública Olímpica), estatal que vai organizar os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

É a mais nova proposta para muitas discussões e controvérsias graças, nesse caso, à reação de alguns senadores ao resultado da votação (46 a 13) que inclui a emenda do deputado Marco Maia (PT-RS), prorrogando sem licitação cerca de 6,4 mil contratos de concessionárias comerciais dos aeroportos administrados pela Infraero. Os senadores descontentes – o que não significa dispostos a evitar a roubalheira - vão propor à presidenta Dilma Rousseff o veto dessa emenda.A rejeição total desta MP só não aconteceu agora para evitar que ela caducasse, obrigando a uma nova votação a partir da Câmara.

Entre os contratos estão os firmados por lojas e pontos comerciais instalados nos principais pontos do país. Os lojistas reivindicam a prorrogação especialmente no período da Copa de 2014 e das Olimpíadas, quando o movimento nos aeroportos será maior.

Depois virá a discussão sobre quem vai comandar a APO e o número de empregos que a estatal poderá oferecer. O Ministro do Esporte, Orlando Silva, cobiçou o posto mais importante, mas foi descartado, segundo informações que circulam pelos corredores do Palácio do Planalto. Seria muita concentração de poder em um só Ministério e que tem sido alvo de muitas acusações sobre o mau uso do dinheiro público.O chefão, convidado por Dilma, será Henrique Meirelles, ex-Banco Central, guardião da chave do cofre durante a gestão Lula.

Já foi reduzido de 484 para 181 o número de cargos a serem criados na APO, com salários de até R$ 22 mil. Em outro item do texto recém aprovado e que vai à sanção da presidenta, está a proibição de alteração de contratos e aumento de valores após concluídas as licitações.

Tomara sejam verdadeiramente boas as intenções dos senadores contrários à emenda do deputado petista e a outras distorções que apareçam mais adiante. Ou então seguiremos o roteiro tradicional traçado pelos legisladores deste país em todas as suas esferas. É o que temos, até o momento, vislumbrando a organização no Brasil de Copa do Mundo e Olimpíada.



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terça-feira, 1 de março de 2011

A culpa é sempre dos outros


O que estava escondido nos bastidores veio à tona domingo com a derrota do Figueirense para o Criciúma. O técnico Márcio Goiano insinuou em declarações pós-jogo que alguns de seus pleitos envolvendo contratações não foram atendidos pela diretoria. O que era uma verdade.Bastava olhar para o banco de reservas. O treinador não tinha alternativas para a necessária virada de jogo.

O presidente do clube, Nestor Lodetti, não gostou das insinuações e segunda-feira à noite vieram a réplica e a grande surpresa com a demissão de Márcio Goiano, que vai fazer companhia a Adilson Batista, dispensado pelo Santos domingo. Sem açodamento, mas com dificuldades,Goiano formou um bom time, trouxe o Figueirense de volta à serie A do Brasileiro e foi à decisão do turno do Catarinense.Mas, em uma só partida ele acabou perdendo demais, desperdiçando a chance de garantir vagas na final do Estadual e na Copa do Brasil do ano que vem.

A torcida não cobrou por essa derrota, apesar do tamanho do estrago. Pelo contrário e, fato inédito, mostrou solidariedade ao Márcio protestando contra o ato dos dirigentes. Enfim, o Figueirense não foi nada original, transformando Márcio Goiano no mordomo do caso, ou seja, o único culpado pelo fracasso de domingo, ignorando que o grupo era frágil e subestimara um bom adversário, responsável pelas duas únicas derrotas do time no turno, a última delas fatal.

Seguindo o ritual macabro do futebol brasileiro de cortar cabeças, a meta agora é encontrar um treinador que faça mais que o demitido. Sem agregar qualidade ao elenco não vejo como o futuro técnico possa alcançar o sucesso desejado por dirigentes e torcedores. De bom mesmo é que a vitória do Criciúma deu novas cores ao returno acirrando rivalidades, especialmente a da Capital, na busca da segunda vaga na Copa do Brasil e na final do nosso campeonato.


ATUALIZANDO - Com o fim da era Márcio Goiano começa a era Dunga, desculpem, Jorginho. Márcio é tucano novo, recém ultrapassou as quatro linhas para ocupar a posição de treinador à beira do gramado. Jorginho tem fronteiras ampliadas, jogou em grandes clubes no Brasil e pelo mundo. Também passou pela seleção brasileira como jogador e como auxiliar do Dunga.A conferir o que o Figueirense vai lucrar com essa troca que não agradou à torcida.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rede Globo x Clube dos 13

Na medida em que o tempo foi passando desde o início deste embate ficou claro que tipo de interesse estava em jogo. O primeiro objetivo era implodir o Clube dos 13. Ricardo Teixeira e sua CBF precisam manter o controle das ações, o que ficou inviável desde a derrota de Kleber Leite para Fábio Koff na última eleição do Clube. Pra começar a implantação da discórdia, a Taça das Bolinhas foi para o São Paulo, um agradinho ao desafeto de Teixeira, Juvenal Juvêncio, presidente do clube paulista. Em seguida o Flamengo obteve o reconhecimento do título de 1987. “Pressão dos meus filhos” justificou bobamente Ricardo. A justiça entrou neste baile de cobras e obrigou o São Paulo a devolver a Taça para o Flamengo.


Do outro lado apareceu o Sport Recife, campeão de 87 transitado em julgado, mas de pouco poder de fogo junto aos mandões do futebol brasileiro e à própria justiça comum. Confusão estabelecida, os quatro grandes cariocas, mais Corinthians, Grêmio e o menos votado Coritiba, anunciaram oficialmente a dissidência.


Tudo muito simples e maquiavelicamente urdido pelo cartola maior e por Kleber Leite, o dono da Traffic e com tentáculos estendidas sobre alguns clubes, entre eles o Flamengo. O importante era chegar ao verdadeiro e principal objetivo desta lambança: as negociações da TV Globo com os clubes visando as transmissões do Campeonato Brasileiro de 2012 a 2014. Tem muito dinheiro em jogo e, além disso existe, por parte da Globo, a intenção de mudar o regulamento do Brasileirão voltando ao mata-mata. Dá mais audiência, alegam.


O Grupo Record entrou na jogada e passou a incomodar e a ameaçar o domínio da Globo nesta área. Os interesses do torcedor para a Globo ficam em segundo plano. Sem o Clube dos 13 o sistema de disputa pode mudar e os jogos do meio de semana continuarão com aqueles horários de sessão coruja. Até pode surgir outra novidade de repente. Mas, o certo é que até aqui, passo a passo, a Rede Globo está mandando pro espaço uma tal de carta-convite e chegando onde quer. É o que está bem claro no comunicado distribuído à imprensa no final da sexta-feira.


A nota da Globo

Os dirigentes efetivamente preocupados com os legítimos interesses dos seus clubes e, acima de tudo, os torcedores são testemunhas dos volumosos investimentos que a Rede Globo tem feito ao longo desses anos, numa parceria pelo aprimoramento do nosso futebol, na busca de um espetáculo emocionante, com profissionalismo e qualidade.

Essa contribuição tem se traduzido no crescimento das receitas dos clubes, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, bem como com a comercialização de outros direitos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios.

As exigências e modificações nos conteúdos das plataformas implicam na desestruturação de um produto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos, inviabilizando assim qualquer perspectiva de um retorno compatível com os investimentos na compra dos direitos.

As condições impostas na carta-convite não se coadunam com nossos formatos de conteúdo e de comercialização, que se baseiam exclusivamente em audiência e na receita publicitária, sendo incompatíveis com a vocação da televisão aberta que, por ser abrangente e gratuita, é a principal fonte de informação e entretenimento para a maioria dos brasileiros.

Assim é, em respeito ao interesse do público, que a Rede Globo se sente impedida de participar desta licitação e pretende manter diálogo com cada um dos clubes para chegarmos a um formato para a disputa pelos direitos de transmissão que privilegie a parte mais importante desse evento: o torcedor.

Central Globo de Comunicação




Os números originais


Os números abaixo, propostos pelo Clube dos 13 para negociações futuras, foram ignorados pela CBF, Traffic e os dissidentes que optaram por acerto direto com a Rede Globo;


Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo, grupo que mais recebe do C13, pulariam dos atuais R$ 16,8 milhões para
R$ 42 milhões anuais.


O Santos, que está isolado em um segundo grupo, iria de R$ 14,4 milhões para
R$ 36 milhões anuais.


Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo passarão de R$ 12 milhões para
R$ 30 milhões.


Os demais membros do Clube dos 13 pulam de R$ 9 milhões para
R$ 24 milhões.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Denúncias contra Segundo Tempo chegam a SC




Em mais uma reportagem sobre irregularidades no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, o jornal O Estado de São Paulo bateu às portas da ONG CONTATO, administrada em Florianópolis pelo PC do B. O presidente desta instituição é Rui Oliveira, marido de Simone Fraga, coordenadora do Segundo Tempo. João Ghizoni, ex-presidente da Fesporte, fez sua campanha para Senador pelo PC do B catarinense usando como bandeira justamente o programa alvo das denúncias do jornal paulista.


Por Leandro Colon, enviado especial de O Estado de S. Paulo


FLORIANÓPOLIS - O Ministério do Esporte publicou em janeiro um convênio de R$ 16 milhões do Programa Segundo Tempo com uma entidade dirigida por membros do PC do B, em Santa Catarina, que não havia cumprido o prazo de convênio anterior com o próprio ministério para cuidar do mesmo projeto.


Presidido por Rui de Oliveira, filiado ao PC do B, o Instituto Contato teve seu contrato rescindido em dezembro, segundo decisão do ministério publicada no Diário Oficial da União, "tendo em vista o não cumprimento do objeto pactuado, quanto à realização das atividades constantes no Plano de Trabalho, e o não cumprimento das metas físicas e financeiras previstas no Plano de Aplicação".


Integrante da direção estadual do PC do B em Santa Catarina, Simone Fraga é quem coordena o Segundo Tempo, projeto usado como bandeira na campanha eleitoral passada de João Ghizoni, que foi assessor especial do ministro do Esporte, Orlando Silva, ambos filiados ao PC do B. Ghizoni tentou, sem sucesso, uma vaga no Senado.
A reportagem do Estado visitou os núcleos atendidos pelo Instituto Contato em Florianópolis e conversou com líderes comunitários que recebem o programa social. Na cidade, terra natal do ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, crianças têm aula de tênis com raquetes de plástico e em plena calçada, professores recebem salários atrasados e alunos ganham merenda vencida.


Comunidades carentes avisam que não querem mais continuar com o Segundo Tempo. "Foi vergonhoso. O Segundo Tempo não tem qualidade como projeto social. Quando nos procuram é uma maravilha, depois não fazem nada", reclamou Rosângela Amorim, presidente do Conselho de Moradores do Saco Grande, periferia da cidade.


A associação foi parceira por quatro anos do Instituto Contato, até dezembro de 2010. "Não quero mais em 2011", afirma Rosângela Amorim. Outra parceira do instituto é a ONG Casa da Criança. Seu vice-presidente, Gilson Morais, reclamou ao Estado das condições do projeto federal e mostrou lotes de suco de groselha, remetidos pelo Instituto Contato à entidade, com prazo de validade vencido.


O Instituto Contato gastou pelo menos R$ 71 mil na produção de banners e faixas que anunciam a existência do Segundo Tempo. A própria entidade pediu rescisão do contrato que lhe rendeu R$ 13 milhões em dois anos. Segundo parecer do ministério, o governo federal já tinha identificado que o Contato não havia conseguido concluir o projeto em pelo menos quatro núcleos esportivos. "A entidade deixou de se manifestar sobre o apontamento feito por esta unidade, posto que em resposta somente solicitou a rescisão da parceria", afirma trecho de conclusão técnica do ministério.


Apesar dos problemas, o Ministério do Esporte fez um novo convênio com a entidade no valor de R$ 16 milhões para criar 250 núcleos e beneficiar 25 mil crianças nos próximos dois anos, de acordo com extrato publicado no Diário Oficial da União no dia 17 de janeiro.


O ministério informou que não havia empecilho para firmar um novo convênio. "O contrato anterior foi rescindido por solicitação da própria entidade, e por isso não houve impedimento à renovação da parceria", informou a pasta. "No momento da assinatura do novo convênio, a entidade estava no prazo regulamentar de entrega da prestação de contas final do anterior", ressaltou. O Contato disse que pediu a rescisão porque entendeu ter feito sua parte no projeto. "Todos os núcleos do convênio foram executados de acordo com o pactuado."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Denúncias afetam programa do PC do B

“O Estado de SP” informa:

Cercado por fraudes, Segundo Tempo
turbina caixa e políticos do PC do B


Projeto do Ministério do Esporte só em 2010 distribuiu R$ 30 milhões a ONGs de dirigentes e aliados do partido; ‘O Estado’ percorreu núcleos esportivos no DF, GO, PI, SP e SC e flagrou convênios com entidades de fachada, situações precárias e de abandono.

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo


BRASÍLIA - Principal programa do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, o Segundo Tempo, além de gerar dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), legenda à qual é filiado o ministro.


A reportagem do Estado foi conhecer os núcleos do Segundo Tempo no Distrito Federal, em Goiás, Piauí, São Paulo e Santa Catarina. A amostra, na capital e região do entorno, no Nordeste mais pobre ou no Sul e no Sudeste com melhores indicadores socioeconômicos, flagrou o mesmo quadro: entidades de fachada recebendo o dinheiro do projeto, núcleos esportivos fantasmas, abandonados ou em condições precárias.
As crianças ficam expostas ao mato alto e a detritos nos terrenos onde deveriam existir quadras esportivas. Alguns espaços são precariamente improvisados, faltam uniformes e calçados, os salários estão atrasados e a merenda é desviada ou entregue com prazo de validade vencido.


No site do ministério, o Segundo Tempo é descrito como um programa de "inclusão social" e "desenvolvimento integral do homem". Tem como prioridade atuar em áreas "de risco e vulnerabilidade social", criando núcleos esportivos para oferecer a crianças e jovens carentes a prática esportiva após o turno escolar e também nas férias.


Conferidas de perto, pode-se constatar que as diretrizes do projeto, que falam em "democratização da gestão" foram substituídas pelo aparelhamento partidário. A reportagem mostra, a partir deste domingo, 20, como o ministro Orlando Silva, sem licitação, entregou o programa ao PC do B.


O Segundo Tempo está, majoritariamente, nas mãos de entidades dirigidas pelo partido e virou arma política e eleitoral. Só em 2010, ano eleitoral, os contratos com essas entidades somaram R$ 30 milhões.


O Ministério do Esporte afirma que "cabe à entidades parceira promover a estruturação do projeto". Questionado sobre as situações constatadas pelo Estado e pelo controle partidário do programa, o ministério defendeu o critério de escolha das entidades sob o argumento que é feita uma seleção técnica dos parceiros.


Terreno vazio


O dinheiro deveria ser usado para criar 590 núcleos e beneficiar 60 mil crianças carentes. Na procura por um núcleo cadastrado na cidade do Novo Gama (GO), por exemplo, a reportagem encontrou um terreno baldio onde deveria funcionar um campo de futebol. Cerca de 2,2 mil crianças foram iludidas na cidade por uma entidade sem fins lucrativos fantasma.


No Novo Gama, o programa Segundo Tempo é só promessa, mas, na última campanha eleitoral, foi usado como realidade pelo vice-presidente do PC do B do DF, Apolinário Rebelo. O mesmo ocorreu na Ceilândia (DF).


Em Teresina (PI), no lugar de uma quadra poliesportiva os jovens usam um matagal, onde improvisam tijolos e bambus para jogar futebol e vôlei. Do lado de fora, no muro do terreno, a logomarca do Segundo Tempo anuncia que ali existiria um núcleo do programa. O local é um dos espaços cadastrados por uma entidade que já recebeu R$ 4,2 milhões para cuidar do projeto. Seus dirigentes são do PC do B.
Lideranças de comunidades carentes de Santa Catarina criticaram a intermediação do Instituto Contato, dirigido pelo PC do B, no Segundo Tempo e anunciaram que abriram mão do projeto. Aulas de tênis são dadas na calçada, com raquetes de plástico. Em Florianópolis, a reportagem encontrou um lote de suco de groselha com validade vencida num núcleo do programa.


A campeã de recursos do governo é a ONG Bola Pra Frente, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, vereadora de Jaguariúna (SP) pelo PC do B - R$ 28 milhões foram repassado à entidade desde 2004.


Prestação de contas


O Ministério do Esporte afirma, em seu site, que todos os convênios do programa Segundo Tempo devem fornecer "descrição detalhada dos materiais, bens ou serviços adquiridos"


Para entender


O Programa Segundo Tempo foi criado no começo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na teoria, o objetivo é oferecer a crianças e jovens carentes oportunidade de prática esportiva após o turno escolar e nas férias.


O Ministério do Esporte fecha parcerias com entidades sem fins lucrativos, que assumem a tarefa de botar em prática o Segundo Tempo. Prefeituras também fazem convênio com o governo. A ideia é criar núcleos esportivos e contratar professores. Segundo o ministério, o Segundo Tempo deve "oferecer práticas esportivas educacionais, estimulando crianças e adolescentes a manter uma interação efetiva que contribua para o seu desenvolvimento integral".

Samba no pé, bola no armário

O torcedor carioca, do Flamengo especialmente, aguarda ansioso por uma boa apresentação de Ronaldinho. Pelo andar da carruagem é melhor esperar sentado na arquibancada.

Quem quiser assistir a um bom desempenho do Gaúcho consulte o roteiro de ensaios das escolas de samba. Domingo à noite, logo após a desgastante decisão contra o Botafogo, o jogador foi visto na Marques do Sapucaí com a Grande Rio, escola que levou o calote da Prefeitura de Florianópolis. Sambou, tocou tamborim, fez uma tabelinha com a atriz Suzana Vieira, e depois deve ter ido pra casa dormir.

Ou então acabou a noite trocando passes com Adriano, o Imperador do Samba e que mais uma vez adiou sua volta para a Itália para se apresentar à Roma . É compreensível. A recuperação da cirurgia no ombro é demorada e exige tratamento especial, no Rio de Janeiro.

O Adriano, já se sabe, não quer mais nada com a bola. Já o Ronaldinho ainda não frustrou as expectativas da diretoria do Flamengo e da torcida. A dúvida é se esta rotina vivida no Rio é compatível com a de um jogador profissional que por enquanto lembra apenas seus piores e derradeiros dias no Milan.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mistério, uma revelação, uma dúvida


Ronaldo sai de cena deixando um grande mistério na sua carreira, até hoje não esclarecido nem por ele nem por aqueles que estiveram na Copa de 1998 na França. E nenhum jornalista quis fazer essa pergunta para o Ronaldo na sua entrevista de despedida. Afinal, o que aconteceu na concentração brasileira antes do jogo decisivo contra os franceses? Que tipo de mal estar o afastou da grande final?

Fora do roteiro na fala da aposentadoria nesta segunda-feira só a revelação de que descobriu no Milan sofrer de hipotireoidismo, doença que desacelera o metabolismo e o faz engordar. Ronaldo teve que conviver com excesso de peso porque não podia tomar hormônios ou outros medicamentos adequados, todos com substâncias proibidas pelo controlo antidoping da Fifa. Dependendo apenas de exercícios físicos para emagrecer o suficiente para que pudesse entrar em campo, Ronaldo não agüentou as dores do esforço. O corpo não obedecia mais aos comandos do cérebro.

Atualizando: "Ou o Ronaldo está enganado ou foi mal orientado. Não há qualquer proibição de fazer o tratamento. Bastaria ter enviado um relatório aos órgãos competentes, com o comprovante dos exames, e seria liberado para usar os hormônios, sem qualquer risco de antidoping". Do médico gaúcho, João Zanini, especialista em controle antidoping

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Imperador da encrenca


A presidenta (como quer a nossa Dilma) da Roma, Rosella Sensi, espera Adriano para uma conversa séria, talvez a última. Adriano tem se revelado como um dos maiores encrenqueiros do futebol brasileiro. Só não deixa prá trás Almir, “O Pernambuquinho”, como era chamado, e que atuou na década de 60, porque não briga (ainda) em campo. Revelado pelo Vasco, jogou no Santos e Flamengo e gostava de uma boa confusão nos gramados. Uma de suas menores façanhas foi acabar com uma decisão do Carioca entre Flamengo e Bangu, provocando a expulsão de sete jogadores. Nos bares e na noite, não tinha pra ninguém, era arriscado enfrentá-lo.

Voltando ao Adriano e seu currículo exemplar: bate em mulher, é baladeiro, beberrão, amigo de traficantes e inimigo da sua própria carreira, está próximo da rescisão do contrato com a Roma. Apesar de ter sido liberado para se recuperar no Rio de Janeiro de uma cirurgia no ombro, o Imperador não resistiu às tentações da corte na Cidade Maravilhosa. Após uma noite festiva, caiu em uma blitz, negou-se a soprar o bafômetro e teve sua carta de habilitação apreendida.

De volta ao Brasil, é bem provável que chovam convites de grandes clubes. Os departamentos de marketing e dirigentes equivocados estão aí pra isso. O próprio Adriano, repatriado a primeira vez depois de juras de amor ao Flamengo, é a figura mais emblemática entre alguns jogadores marcados pela fidelidade à crônica policial e às atividades extra campo.

Há pouco o Grêmio foi atrás do Carlos Alberto, freqüentador assíduo do departamento médico, e que saiu do Vasco pela ameaça de agressão no vestiário ao presidente do clube, Roberto Dinamite. É a mais fina flor da encrenca de chuteiras, no seu caso de chinelinhos. Outro que foi e voltou, e parou no Vasco, é Felipe, também já afastado do time. Não faltarão pretendentes.

Ronaldinho Gaúcho recupera sua forma treinando na noite carioca. Como diria aquele famoso colunista social de Floripa, dos tempos do saudoso O Estado, Ronaldinho foi visto em bares, boates, escolas de samba e restaurantes famosos do Rio. Com o seu rico dinheirinho, portanto, com todo o direito, acaba de comprar mansão na Barra por R$ 20 milhões. Piscina, quadras de tênis, boate, uma academia subterrânea, um número não revelado de suítes e outros penduricalhos, conferem a Ronaldinho a certeza de descansos reparadores após desgastantes treinos e jogos.

São muitos e variados maus exemplos. Estes são apenas os mais recentes. Sei que todo mundo merece uma chance, mas como bom discípulo de São Tomé acrescento aquele antigo, mas sempre atual ditado gaúcho: “cachorro comedor de ovelha, só matando”.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Má educação


Dunga: destempero fashion

O que já foi muito prazeroso, hoje virou um grande sacrifício, ainda mais quando se trada de dose dupla. Ver exibições de duas seleções brasileiras em um mesmo dia mistura sofrimento com desencanto, em cima da constatação de que realmente nosso futebol hoje não é mais o melhor do mundo.

Descontadas as bobagens da mídia, que tratou o jogo contra a França como revanche, as análises pré, pós jogo e mais uma derrota, foram satisfatórias, a maioria reconhecendo a falta de técnica apurada e ausência de talentos nos nossos times. Robinho, por exemplo, ganhou faz tempo o apelido de tri-atleta: pedala, corre e nada.

Faltou dizer que atualmente somos um bando de desequilibrados, com algumas adesões entre os jornalistas que trabalham com o esporte, especialmente o futebol.O que nos coloca como ex-melhores do mundo, e o que precisamos reconhecer urgentemente.

A quarta-feira foi uma overdose de futebol e seleção, varando a madrugada de quinta com a sub-20 após campeonatos estaduais e a estréia do Fluminense na Libertadores da América. O Nei Franco no Sul Americano no Peru faz milagre com os garotos e podemos considerar um feito nossa classificação para a Olimpíada de 2012 em Londres. Se ela for confirmada diante do Uruguai, claro.

É fácil constatar semelhanças entre as duas seleções brasileiras que foram a campo na quarta-feira e madrugada de quinta: a escassez de talentos e o destempero de jogadores, jovens como o zagueiro Juan, principal responsável por aquela derrota contra a Argentina, e do experiente Hernanes, autor da criminosa botinada em um pacato e habilidoso jogador francês. A expulsão merecida dos dois desequilibrou os times e prejudicou o trabalho de Nei Franco e Mano Menezes.

Basta observar jogos nossos de quase todo o dia em qualquer divisão, seja em que campeonato for. O jogador brasileiro tem obsessão pelas arbitragens. Reclama de tudo, todo o tempo, briga com os adversários, cai a qualquer encostada e pede aplicação de cartão com a autoridade por ninguém outorgada de controlador do jogo.Uma rigorosa aplicação da regra deixaria poucos em campo ao final dos 90 minutos.

Observando o comportamento dos treinadores desde as divisões de base vamos concluir que boa parte deles faz tudo errado no trato com jovens promessas do futebol. Essa falta de educação tem origem nos primeiros passos nos gramados A base da metodologia aplicada é gritaria e palavrão, praticamente um incentivo a comportamentos deturpados no futuro. Parece mais fácil contestar o apito do que jogar bola. Deve ser isso mesmo quando falta talento. Dentro e fora do campo.

TCU pega trenzinho fora dos trilhos

A Copa de 2014 no Brasil e a Olimpíada de 2016 vão dar muito pano pra manga, ou muito trabalho para o Tribunal de Contas da União e outros órgãos fiscalizadores que estiverem dispostos a conter a sangria nos cofres públicos. O blog do José Cruz, um jornalista vigilante que mora em Brasília e faz excelente trabalho para a UOL, tem publicado várias irregularidades já constatadas em projetos e orçamentos para a Copa e Olimpíada. Cruz reproduziu nesta quarta-feira parte da matéria do Correio Braziliense, do repórter Lúcio Vaz. Sintam o tamanho do rombo em apenas uma das obras que envolvem mobilidade urbana na capital federal. É lá que mora o perigo.


Primeiro relatório do Tribunal de Contas da União mostra que orçamento do Veículo Leve sobre Trilhos, em Brasília, saltou de R$ 364 milhões para R$ 1,55 bilhão, quase cinco vezes mais...
Há "indícios de fragilidade" na estrutura do Ministério do Esporte para fiscalizar obras, segundo o TCU.
“Estouro significativos em orçamentos, falta de transparência em atos do governo, graves irregularidades nos projetos, atraso no início de obras” ...

Aí está, em resumo, o primeiro relatório do Tribunal de Contas da União sobre os preparativos das 12 cidades-sedes para a Copa do Mundo de 2014.

O documento será apresentado nesta quinta-feira pelo ministro relator, Valmir Campelo. Porém, o repórter Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, leu o relatório e produziu reportagem, que está hoje no principal jornal da capital da República, com o seguinte título "Bola fora nas obras da Copa".
Repetindo 2007

Diante das evidências, os riscos de superfaturamento são enormes. A ilegalidade poderá vir com termos aditivos contratuais, contratos emergenciais e aportes desnecessários de recursos federais. Tal qual já se viu, há quatro anos, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Ministério omisso

Há mais de um ano o governo federal firmou matrizes de responsabilidades, fixando as competências da União, Estados e Municípios envolvidos com a preparação da Copa 2014. Sobre isso, assim se manifestou Valmir Campelo.

“As matrizes de responsabilidades não estão sendo rigorosamente observadas pelos diversos entes federativos envolvidos no evento, dado que existe divergência nos valores previstos e descumprimento de diversos prazos determinados".
E acrescentou:

“Esse fato indica possível fragilidade no processo de acompanhamento por parte do Ministério do Esporte, característica que dificulta muito as ações de controle".

Até hoje, por exemplo, Orlando Silva não enviou ao TCU as matrizes de responsabilidades para as obras nos portos e aeroportos, firmadas há um ano, "dificultando a transparências das ações", afirmou Valmir Campelo.

Como se observa, o Ministério do Esporte, sob o comando de Orlando Silva, repete, na prática, a estratégia fracassada do Pan 2007, quando não respondia em tempo hábil os questionamentos do Tribunal de Contas.

Orlando Silva, o único ministro do governo Lula que pediu, brigou, insistiu para continuar no governo, foi designado pela presidene Dilma Rousseff para comandar as obras públicas da Copa de 2014.

Superfaturamento

Segundo a reportagem de Lúcio Vaz, “o projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília, por exemplo, tinha orçamento de R$ 364 milhões na Matriz de Responsabilidades. No entanto, o contrato firmado com o consórcio Brastram tem o valor de R$ 1,55 bilhão.”

Além disso, uma fiscalização concluída em dezembro do ano passado indicou graves irregularidades na obra do VLT de Brasília, com apenas 2% da obra concluído. A obra está paralisada e o contrato suspenso.

Voltarei ao assunto, pois há informações importantes sobre os investimentos em mobilidade urbana, estádios e aeroportos. (José Cruz)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O samba do crioulo que não tem nada de doido


Enquanto o Secretário de Turismo do Município, o vereador Márcio de Souza, acena com auxílio do Estado para a Escola de Samba Grande Rio, o governador Raimundo Colombo diz que hoje as prioridades do seu governo são outras. A homenagem a Florianópolis no samba enredo da escola carioca, sugere o governador, deve merecer a atenção de instituições privadas, e não de órgãos públicos como quer Márcio de Souza.

Tomara Raimundo Colombo não esteja jogando para a torcida e sua fala seja verdadeira. Aqui também temos nossas tragédias. Com a pindaíba das escolas estaduais, da segurança pública, dos hospitais e a carência de outras necessidades básicas do povo catarinense, é ação perdulária e criminosa desviar recursos para socorrer o carnaval do Rio de Janeiro.

Pode ser que o criativo vereador Mário esteja se inspirando em acontecimentos locais que nos aproximam um pouco dos cariocas. Como a fuga em massa da Penitenciária (aquela que ia ser desativada) na segunda à noite, quando 79 presos transformaram os morros da Agronômica e adjacências em rota de helicópteros e de um grande aparato da Polícia Militar.A operação de recaptura foi até tarde da noite e seguiu agora pela manhã. Morador do bairro, cercado por toda esta zoeira, me senti um carioca, mas nem por isso obrigado a contribuir com suas escolas de samba. Quase pedi asilo na casa de amigos,isto sim.

Quer dizer, é uma demanda que não compete ao Governo do Estado atender, como também não deveria ser dos cofres municipais, já suficientemente combalidos graças a eventos fantasmas e que custaram o olho da cara para os cidadãos de Florianópolis, incluindo por último a grana preta que já foi para a Grande Rio em troca da “homenagem”.

Aliás, foram o tino administrativo do Prefeito (?) Dário ou cofres vazios as razões para a antecipação do pagamento do IPTU de 2011?

Agora o oportunista Márcio de Souza está atravessando o samba. Ou quer virar discípulo de Sérgio Porto, o carioquíssimo Stanislaw Ponte Preta e criador do Samba do Crioulo Doido, paródia consagrada pelo grupo Demônios da Garoa. Lembram de um pedacinho da letra? “Chica da Silva obrigou a princesa Dona Leopoldina a casar com Tiradentes, eleito Pedro Segundo e proclamador da escravidão junto com o Padre Anchieta”.

O triste é que um dia eu votei nesse cara.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Prazos de validade

O futebol nosso de cada dia já pregou sua primeira grande peça mal começou a temporada. Os torcedores do Avaí, com os corações aos pulos e bandeiras enroladas, assistiram o vexame nas primeiras rodadas do campeonato. O time vai para o clássico mostrando alguma evolução. Só isso. Talvez seja o bastante para uma torcida que vive assombrada por fantasmas que dividem espaço no vestiário e salas da administração e comissão técnica. O susto de 2010 não serviu de lição.

Na contramão dos temores avaianos está o Figueirense, até aqui o maior favorito para ganhar o campeonato. Mantendo 80 por cento do time que subiu para a primeira divisão em 2010 ficou muito mais fácil colocar o alvinegro-tricolor entre os primeiros. O maior adversário, se o Avaí não se arrumar, está em Criciúma, não em Chapecó.

O Avaí parece o Corinthians, diferenciado pela inexistência de um ídolo do tamanho, sem trocadilho, do Ronaldo. A chamada fiel torcida perdeu a paciência depois de assistir as pífias apresentações do outrora fenômeno. O próprio Ronaldo não está respeitando seu passado, em nome de uma falsa idolatria que não resiste ao peso de tanta falta de mobilidade e ineficiência.

E atenção flamenguistas. Aproveitem o Campeonato Carioca com aqueles timecos que estenderão o tapete vermelho para o ex-craque Ronaldinho. Já não tem o Maracanã, mas tem as noites cariocas e as escolas de samba. Depois vem o Brasileirão de muitos jogos e muitas viagens. Aproveitem a festa e o oba oba da mídia brasileira. As enganações e unanimidades suspeitas têm prazo de validade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A outra muralha da China


Quer viver seguro na nossa amada e idolatrada cidade? Faça como os chineses de Yuhuan. Inspirados nos antigos imperadores construíram uma muralha em torno da sua aldeia. Eu ainda acrescento uma sugestão: uma ponte elevadiça sobre um fosso cheio de crocodilos do Nilo, os mais ferozes, segundo os entendidos. (foto do site globo.com)

domingo, 30 de janeiro de 2011

(In)segurança


Não gosto de comparações. Mas, diante do relato do amigo Áureo Moraes no Blog do Canga,sobre o assalto em um posto de gasolina próximo a Cacupé, acho importante fazer o registro do que testemunhei em Rainha do Mar. Como já relatei em outra postagem, Rainha é uma pequena praia gaúcha tipo a Daniela, onde passei duas semanas na casa de uma irmã, na Avenida Beira Mar(foto).

Lá, como se sabe, existe a Brigada Militar, semelhante à nossa PM. Além do policiamento interno e na praia feito por brigadianos vestidos à rigor – boné, um colete sobreposto a uma camiseta de manga curta, bermuda e sandálias – existem viaturas e motos que circulam o dia inteiro pelas ruas do balneário. Perdi a conta de quantas vezes no tempo em que estive lá, tirando o carro da garagem ou sentado no varandão, acenei para os policiais que passavam na frente fazendo a ronda.

E quando iniciei de carro às seis da manhã minha viagem de volta, na ultima sexta-feira, passei por duas viaturas da BM no trajeto de mais ou menos 10 quilômetros entre Rainha do Mar e Capão da Canoa, saída para a duplicada BR-101 do RS. Isso no comecinho da manhã, meu amigo.

Não tenho números para confrontar o que acontece lá e aqui. No entanto, pela ausência de noticiário na mídia gaúcha (RBS) de ocorrências policiais graves, e pelo que testemunhei, a presença ostensiva do policiamento naqueles balneários deve fazer a diferença.

E digo ao Áureo que há quatro anos, quando morei no Campeche, em rua totalmente habitada, próxima ao supermercado Dezimas, tive a casa invadida no meio da madrugada enquanto dormia. O sujeito já subia a escada quando o alarme o pôs pra correr. Em outro incidente, numa festa na mesma casa, tive que botar pra fora dois “invasores” que decidiram então apedrejar os carros dos meus convidados. Com a chegada da PM – não lembro quanto tempo depois por causa do nervosismo no momento -, comentei sobre a sensação de insegurança. Como resposta ouvi de um dos soldados: “vá se queixar para o governador”.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Enganação e vigarice

Pago , e caro, para ser sócio do PFC, o pay per view da NET. Comprei faz tempo as duas séries do Campeonato Brasileiro e o Campeonato Catarinense. Neste sábado (29), fui surpreendido ao ver na tela a transmissão do jogo entre Atlético Goianiense e Goiás, por suposto, do Campeonato Goiano. O que eu tenho a ver com isso? Esperava assistir a melhor partida do dia do nosso campeonato, o confronto entre Joinville e Chapecoense. Fiquei chupando o dedo e ainda obrigado a ouvir as explicações completamente estapafúrdias da senhorita Franciele, do atendimento NET. Se alguém resolveu não fazer a transmissão deste jogo, a RBS, claro, não quero saber. Fiquei no prejuízo e com cara de bobo na frente da tevê. Pior: vou ter que reclamar para o bispo porque a NET, a quem eu pago, se omite e joga a pá de cal dizendo que é problema da Globo, da Bandeirante, da Globosat sei lá mais de quem.

A Copa de 2014: verdade ou mentira?


O velho e inservível Mané Garrincha dará lugar a um novo elefante branco

Estamos a menos de três anos da Copa de 2014 e nada. O Brasil não se mexe ou faz pouco para receber um evento de tamanha importância e visibilidade. O mundo vai virar nosso país do avesso, como acontece com todas as sedes de Copa. Procuramos por boas notícias, mas está difícil.

Até agora quase nada se fez em relação aos estádios brasileiros, nenhum deles está pronto para receber equipes, jornalistas e público. Aqui, por exemplo, Ressacada e Orlando Scarpelli tiveram suas capacidades limitadas a 10 mil pessoas enquanto não sejam colocadas câmeras de segurança. São praças esportivas da cidade que um dia pensou em ser uma das sedes da Copa.

O pior obviamente não está em Florianópolis, cujo aeroporto se iguala a uma rodoviária das mais xinfrins. Em Porto Alegre o Beira Rio só teve demolida parte de suas arquibancadas mais próximas ao gramado. E ainda se discute quem paga a conta. Obras no aeroporto? Em Curitiba não se tem notícias sobre arranjos para a Copa e em São Paulo Ricardo Teixeira e sua rixa com o São Paulo transferiram a responsabilidade para o Corinthians e um imaginário estádio no bairro de Itaquera. Congonhas e Guarulhos seguem como dantes. Temos visto a mobilidade urbana paulista a cada tormenta de fim de tarde.

Nossa mui querida e estimada Brasília, a capital da fantasia, foi premiada com o projeto de um novo estádio para 70 mil espectadores, no lugar do desde sempre inútil e atualmente defasado Mané Garrincha. Com certeza vão importar torcedores e clubes dos estados vizinhos. Hoje não conseguem encher nem a modestíssima “Boca do Jacaré”, em Taguatinga, do time do ex-Senador Luís Estevão, agora administrando uma lavanderia. Custo do futuro elefante branco? Baratinho, R$ 1 bilhão.

No Rio a nova reforma do Maracanã está estimada em R$ 700 milhões. Não incluam neste montante os custos com a reforma da cobertura – a velha comemora 60 anos bem vividos -, cujo orçamento ainda não foi divulgado. Talvez para não matar de susto o povo carioca. A Controladoria Geral da União (CGU) garante que está de olho. Não quer mais tarde outra reforma por determinação do Comitê Olimpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016. E o Galeão, gente, o que é aquilo? Chamam de aeroporto. O Tom Jobim não merece. Pode ser que mais uma dúzia de novelas da Globo consigam nos fazer crer que o Rio de Janeiro ainda é o que foi.

E paremos por aqui, contando por enquanto apenas com o otimismo do Ministro do Esporte, Orlando Silva, que a cada aparição diz aos brasileiros que caminhamos a passos largos para uma bem organizada e tranqüila Copa do Mundo. Convertidos a São Tomé, os principais jornalistas do Rio e São Paulo resolveram deixar de lado o regionalismo bobo e inconseqüente para mostrar a realidade a leitores, ouvintes e telespectadores. E está criada uma espécie de bolsa de apostas: ganha quem acertar de onde virá a primeira boa e verdadeira notícia sobre os preparativos para a nossa Copa.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Futuramente


Notícias do dia no DC. Futuramente o aterro da Baía Sul servirá apenas para atividades culturais. Não sei que espaço de tempo significa “futuramente” nem o que pretendem dizer com “atividades culturais”. Depois que autoridades omissas e coniventes deixaram aquela área se transformar num muquifo e berçário para todo o tipo de transgressões fica difícil acreditar em qualquer promessa ou projeto. Quando se fala de cultura, então. O Centro Integrado de Cultura e o cineminha do Gerlach estão lá, obras praticamente paralisadas, documentos fresquinhos, recém saídos dos fornos alimentados pela omisão e incompetência.

O simples fechamento da avenida Paulo Fontes já é motivo para confusão, ainda que tenha facilitado aos pedestres o acesso ao Mercado Público e deixado o local mais parecido com uma área de lazer e entretenimento. Meia dúzia de ranhetas não entendem assim porque precisam rodar algumas quadras para ir aqui ou ali e não podem gastar um pouco mais de tempo e combustível.

Não vamos nos esquecer do outro aterro, bem pertinho, bastando atravessar o túnel Antonieta de Barros. Aquilo lá passa pelo mesmo processo. Por enquanto não tem merdódromo, camelódromo, kartódromo, sambódromo, terminais de desintegração, garagens de ônibus...Por enquanto. Futuramente não se sabe.

Que tal um parque, de frente para o mar, tudo arborizado, espaços para caminhadas, ciclovia, quadras de esporte, bares à beira d’água, um belo restaurante, todo envidraçado, de culinária diversificada, com a segurança de um posto policial ativo 24 horas? Estou sonhando. Ninguém dá bola para aquela imensa área desocupada. Quer dizer, ninguém não. Já tem gente de mau gosto pensando em prédios para um Centro Administrativo. Se não me engano um sujeito que se diz prefeito de Florianópolis.

Voltando para o lado de cá a bronca, diz o noticiário, é com a União, dona do pedaço. Enquanto isso Camelódromos e Cestões ficam por ali mais três anos. Três anos? Junto com aquele centro de convenções, construído a custa de sonegação de impostos e acertos até hoje mantidos sob o tapete. O mesmo tapete que por décadas forra corredores e gabinetes do Paço e da Câmara Municipal.

Vale lembrar o portal turístico que empesta a cidade daquele cheiro desagradável. E a rodoviária, outro portal e primeira obra no aterro abandonada pelo poder público. Apesar de tudo futuramente, dizem otimistas e/ou mentirosos, poderemos desfrutar do aterro da Baía Sul como merecemos. Futuramente...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tô nem aí



Morro dos Cavalos: nada sério para Delfim e o Dnit

O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto Filho, desconhece as regras mínimas ditadas pelo bom senso e não está nem aí para o que acontece no seu Estado. Pior que ele, só o Dnit. Caso contrário teria transferido a rodada inteira do Campeonato Catarinense, quem sabe para segunda-feira à noite. Com parte de Santa Catarina sofrendo com os estragos provocados por enxurradas, incluindo a interrupção da BR-101, não só não tomou nenhuma providência como ainda teve a pachorra de se vangloriar que correu tudo bem, acrescentando mais um episódio grotesco à sua lamentável e interminável gestão.

Delfim ignorou os problemas sérios nas sedes dos jogos. No Sul, Criciúma e Imbituba, por causa do deslizamento no Morro dos Cavalos. Não deu bola para as dificuldades de Blumenau, Itajaí e Joinville. Dirigentes, jogadores, equipes de arbitragem e jornalistas domingo foram obrigados a botar o pé na estrada e na lama, circulando pelo Estado com o risco de algum acidente grave. E por fim, lixe-se o torcedor, impedido de acompanhar seu time nos estádios. Como o santo do homem é muito forte, capaz de protegê-lo de uma tragédia e ainda fortalecê-lo em futuras eleições, ninguém reclamou, como é de praxe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Calça de veludo, bumbum de fora



Notícia que vem do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anuncia a escolha do Centro Esportivo Crystal Palace, em Londres, como local para treinamento das equipes brasileiras. Uma maravilha. Teremos pistas de atletismo, piscinas, ginásios, campos, quadras e salas de musculação, todas de alto nível, que servirão para a concentração das equipes até a ida para Vila Olímpica.

Os atletas devem chegar a Londres um mês antes das competições. Depois do inicio dos Jogos, o centro esportivo abrigará todos os membros da delegação brasileira não credenciados para a Vila Olímpica, entre eles médicos, auxiliares técnicos, treinadores, fisioterapeutas, sparrings e membros do departamento de Ciência do Esporte. Será, como diz o próprio COB, uma espécie de quartel general do Brasil na capital inglesa.

Até aí tudo bem. Problema é que a um ano apenas da próxima Olimpíada não se ouve falar da preparação em solo pátrio das nossas equipes. Desconfiamos da condição que elas ostentam atualmente. A do handebol masculino, por exemplo, assusta. Acaba de encerrar sua participação no Mundial da Suécia com cinco derrotas nos cinco jogos disputados. O basquete é uma incógnita nos dois naipes. Na quadra nossas esperanças, como sempre, estão concentradas nos homens e nas mulheres do voleibol. Nas modalidades individuais torceremos por medalhas aqui e ali no judô, natação e atletismo. Ah, tem o futebol, agora com o Nei Franco, profissional conhecido e competente. Quem sabe a primeira medalha olímpica brasileira neste esporte esteja a nossa espera na Inglaterra. É cedo demais para alimentar esperanças. Recém estamos passando pela classificação sul americana.

Do jeito que vamos o Crystal Palace pode significar pouco. Chegaremos a Londres com uma delegação dispondo de equipamentos esportivos modernos, mas servindo equipes mal preparadas e sem potencial sequer para uma representação que justifique presença em uma Olimpíada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SEGURANÇA

Aqui em Rainha do Mar, onde estou, tem policiamento na praia, guarita com salva-vidas e banheiros químicos. Rainha é um balneário mais ou menos do tamanho da Daniela. Curioso, interpelei dois policiais vestidos à rigor: bermudas, um colete sobreposto a uma camiseta de mangas curtas e sandálias. Pertencem à Brigada Militar (nossa PM) do interior gaúcho e na temporada reforçam o policiamento das praias. Só Rainha do Mar conta com uma viatura e uma moto e há policiamento a pé e em duplas também nas ruas internas. Tudo muito simples e eficiente, empobrecendo a crônica policial do litoral gaúcho.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

VOLTANDO (ou perguntar não ofende)



A Rainha do Mar, vista do mezanino doméstico

É uma tentativa. Ainda que para poucos leitores. Ou mesmo nenhum. A cabeça precisa trabalhar, os assuntos estão aí, mexendo com todo mundo, com qualquer cidadão que tenha um mínimo de interesse pelo que acontece à sua volta.

Florianópolis parece a Sbórnia, terra natal da dupla do espetáculo Tangos & Tragédias, o maestro Plestkaya e o violinista Kraunus Sang.. Ronaldinho virou cidadão carioca. Já começa a ser disputado pelas escolas de samba do Rio, rivalizando em atenção com a catástrofe da serra fluminense. Os morros derretiam e soterravam centenas, mas dirigentes do Flamengo não tiveram a sensibilidade para suspender a festa. De futebol mesmo, nada por enquanto. Não é assunto prioritário para o Gaúcho. Felizmente tem o Neymar para contrabalançar a ausência de talentos e de bons assuntos no esporte. Chega de Ronaldos, dentuços ou gordos.

Acompanho tudo à distância, de uma praia gaúcha chamada Rainha do Mar. De mar achocolatado, de água gelada. Vale o sossego de um lugar pequeno, sem a tranqueira da nossa temporada. É comer comidinhas caseiras, caminhar à beira mar, ler, desfrutar do convívio familiar e dormir o sono tranquilo embalado pelo barulhinho bom do vai e vem das ondas.

Em fevereiro estarei de volta à cidade. Até lá veremos a quantas andarão time C do Avaí , a empolgação dos torcedores do Figueirense e o resultado do pacotaço de contratações. A nova Beira Mar (a nossa, por que a do outro lado virou mais uma Berguice) estará pronta? O prefeito Dário reapareceu? A canalhice municipal foi penalizada? O Riozinho esvaziou? A segurança aumentou? O norte da ilha desafogou? Terminou a briga por cargos? Duvi-de-o-dó.