sábado, 4 de setembro de 2010

PQP, FUCK YOU



Jogo de pouco público com arquibancadas praticamente vazias. Palco ideal para se ouvir tudo o que se fala e se grita dentro de campo e às margens do gramado, onde ficam comissões técnicas, reservas e auxiliares da arbitragem, incluindo o quarto árbitro. Não vamos esquecer, é claro, da torcida, que tem um vocabulário extenso e diversificado de xingamentos.

O linguajar utilizado por todos esses personagens é chulo. O áudio das tevês reproduz tudo com clareza e fidelidade. O palavrão hoje faz parte de um dialeto próprio do esporte. Pode doer mais que uma agressão física. Tem para todos os gostos e conhecimentos. Jogadores do mesmo time, a começar pelo goleiro, não conhecem outra linguagem a não ser a do palavrão. Quando o objetivo é insultar o adversário a criatividade abunda. E vale também para o companheiro de time.

O árbitro não escapa mais nem dos jogadores e dos técnicos, ainda que às vezes a resposta venha na forma de um cartão colorido, defesa dos indefesos ou pusilânimes. Falta educação esportiva pela ausência de orientação desde as chamadas categorias de base. Os treinadores repreendem seus atletas com o pior dos repertórios, quando não, chegam quase à agressão.

Vejo muito disso também em outros esportes. É só ficar à beira de uma quadra. Mesmo com ginásio cheio dá pra entender a comunicação utilizada durante os jogos, seja qual for a modalidade ou, pior, a faixa etária dos atletas e demais envolvidos no confronto. Já vi muito menino levar cascudo e muita menina ouvir o que talvez não ouça em casa dos pais. Acontece já em eventos escolares. Comportamento de professores de educação física transformados em técnicos, originalmente educadores. São homens e mulheres mostrando o pior dos caminhos a jovens que estão começando no esporte.

Mais tarde, transformados em atletas de rendimento, quando o bicho pega em razão de patrocínios, altos salários e obrigação de respostas positivas rumo ao pódio, não tem mais conserto. Nos gramados ou nas quadras, impera a falta de respeito ao adversário, companheiros e controladores da competição.

Tribunais lenientes e regulamentos omissos contribuem significativamente para esse desvio de comportamento. Não tem mais jeito. Quem xinga e bate mais, chora menos, fica mais próximo da vitória. Assim como os políticos, esse bando de deseducadores e alimentadores do círculo vicioso do roubo e do poder. Não estou generalizando. Quem tiver touca que faça bom uso.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Copa é nossa, a balbúrdia também

Fonte Nova, quase 60 anos de história no futebol baiano (foto Gazeta)


Afinal, começamos ou não os trabalhos para a Copa de 2014? Parece que sim, com a implosão da Fonte Nova e o anúncio do estádio do Corinthians, o “Fielzão”. Como o povo é rápido para botar apelido já inventaram essa bobagem.

Vamos lá, por enquanto ao som e ao ritmo da banda copeira. Mas é bom ficar de olho e pé bem atrás. Estamos em período pré-eleitoral e depois de as urnas vomitarem (sim, é isso mesmo, dá ânsia ouvir e ver candidatos e candidatas) os eleitos, veremos com quantos reais, dólares ou euros se faz um estádio. Ou uma arena como gostam de mentir e apregoar os arautos de qualquer governo que não se preza.

O fato é que vivemos uma balbúrdia nacional quando se fala em Copa do Mundo no Brasil. Lá se vão quase três anos depois que a FIFA nos passou essa bola e ainda não marcamos nenhum gol. Timidamente mexemos no Mineirão, exilando Cruzeiro e Atlético aos “Ipatingões” da vida. Os resultados de ambos no Campeonato Brasileiro estão aí para provar o quanto dói o distanciamento da torcida.

É por isso que os cariocas se borram de medo de perderem o Maracanã por um bom tempo. O Fluminense festeja a boa fase e esperneia tentando adiar pela terceira vez o fechamento do estádio que já foi o maior palco do futebol brasileiro e que hoje segura a barra dos clubes do Rio de Janeiro. Sem o Maracanã o poderio do Flu, Flamengo e Botafogo cai pela metade. O Vasco tira de letra porque tem o São Januário.

O “Engenhão”, emprestado ao Botafogo, não faz bem nem ao locatário, muito menos ao locador (governo do Rio), que jamais verá a cor do dinheiro. Quando era garoto os locutores de rádio confundiam visitante com donos da casa. Era muito engraçado ouvir o Inter jogando nos Eucalíptos, seu velho estádio, sendo chamado de “clube locatário”.

Falando nos gaúchos, juram que vão mexer no Beira Rio sem a necessidade de jogar o Inter para um estádio periférico. Qualquer um, menos o do bairro Azenha, claro, onde mora o inimigo. Sem trocadilho, de concreto, até agora nada.

Na Bahia implodiram a Fonte Nova, uma senhora de 59 anos, e em São Paulo anunciaram um novo estádio do Corinthians em Itaquera, bairro que os próprios paulistas chamam de dormitório. No entanto, reza a lenda que o local já dispõe de infra estrutura urbana para agüentar o repuxo. Interessante, e nem imaginávamos diferente, é a discussão sobre quem paga a conta. André Sanches, o presidente corintiano, disfarça e sai de fininho, falando em reengenharia financeira. Como, se não se sabe nem a engenharia? Pior é ouvir prefeito e governador prometendo que não haverá dinheiro público na jogada. E pior ainda é a dúvida atroz: estádio para 48 mil ou 65 mil torcedores como exige a FIFA para uma Copa do Mundo? Tudo indica que uma varinha mágica – ou mão no baleiro mesmo – na hora do vamos ver dará conta do recado.

Enquanto isso, Presidente, Ministros – o do Esporte é um deles – e demais autoridades, como bons cabos eleitorais, acenam bandeiras em todas as esquinas do país. E nós, que no final de tudo arcaremos com a despesa, ficamos feito bobos a espera de um milagre. E qual seria esse milagre? Cofres da nação intocados. Quem lembra das estripulias do Pan 2007 no Rio de Janeiro – sempre lá - sabe que não existe milagre no Brasil em se tratando de dinheiro público. Oremos, pois.


Frase premiada na Escola Presidente Getúlio Vargas, em Aracaju.


"O horário político é o único momento em que os ladrões ficam em cadeia nacional".

sábado, 21 de agosto de 2010

Mais uma do Brito e Roberto, agora em Criciúma


Depois de Florianópolis e São José, Paulo Brito, o professor e jornalista, e Roberto Alves, o personagem, chegam a Criciúma nesta segunda-feira. Aproveitando a 23ª edição dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, a dupla estará na cidade para o terceiro lançamento do livro, “Dás um banho – o rádio, a vida, o futebol e a cidade”, às 19 horas, no Centro de Eventos José Ijair Conti.

O livro foi editado pela Insular, trabalho de outro jornalista, o Nelson Rolim. Nele Brito conta a vida pessoal e profissional do Roberto, com 53 anos de crônica esportiva e boas histórias que marcaram a carreira deste manezinho multimídia. Esta noite de autógrafos, iniciativa da Fesporte, será ilustrada por um vídeo realizado pela Multitarefa do amigo César Valente, com flashes da atividade do Roberto Alves como homem de rádio, tevê e jornal.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Em Abu Dá Bi

Neymar disse ao Santos que fica

É a piada que o torcedor do Inter faz sobre a participação do time em dezembro no Mundial de Clubes em Abu Dhabi, Emirados Árabes. O clube gaúcho ganhou do poderoso Barcelona em 2006 e agora, para repetir a dose, deve passar pela primeira fase para, tudo indica, enfrentar a Inter de Milão no jogo final. Outra brincadeira é que os gremistas anteciparam o fim de semana na serra e no litoral, entupindo estradas para fugir da festa colorada que invadiu a madrugada da quinta-feira.

Com o Rio Grande do Sul garantindo a quarta conquista da Libertadores, duas para cada um da dupla Grenal, é o futebol brasileiro que a trancos e barrancos mantém seu status. Apesar dos maus administradores, da desorganização e da roubalheira que vem por aí com a Copa e a Olimpíada, como já aconteceu com o Panamericano no Rio, ainda encontramos forças para ganhar títulos, repatriar jogadores e, façanha das façanhas, manter por aqui preciosidades como o Neymar. O Santos acaba de peitar o Chelsea para segurar seu craque, a peso de ouro, patrocínios e alguma criatividade na busca pelo suporte financeiro, garantia de proposta maior que a dos ingleses.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Nosso futebol vai bem, obrigado

Florianópolis está muito bem representada nas duas séries principais do Campeonato Brasileiro. Mais que isso, o futebol catarinense sobe no conceito da mídia nacional que não pode mais ignorar um Avaí batendo os quatro maiores clubes paulistas, com vitórias no Morumbi e Vila Belmiro, e atuações de impressionar na Ressacada. O Corinthians, última vítima, jogou aqui com todos os titulares- o Ronaldão não conta mais -, sem desculpa, portanto, para a primeira derrota do Adilson Batista a frente da poderosa equipe paulista. Na série B o Figueirense não se contenta em vencer, tem que golear. É um candidato sério, mesmo que não seja o campeão, a figurar como o segundo representante de Santa Catarina na elite do futebol brasileiro em 2011.

O impressionante na campanha da dupla é que ela pertence a uma cidade essencialmente administrativa, sem o potencial econômico, por exemplo, de Blumenau e Joinville. E os joinvilenses que me perdoem, mas depois da era José Elias Giuliari, um Delfim Peixoto mais esperto e refinado, e da injeção de dinheiro na época por empresários da região, acabou-se o que era doce. O JEC nunca mais foi o mesmo. Delfim é do Vale e uniu-se a outras forças que lhe convinham mais, política e economicamente, incluindo a Capital. Afinal, o dinheiro da tevê e da arrecadação de jogos acaba respingando em gotas generosas nos cofres da Federação Catarinense.

Em Blumenau o futebol não decola pela falta de recursos e também por causa da imagem que tem esse esporte nas camadas sociais de maior poder aquisitivo. O conceito básico é que futebol é esporte de pobre e traz consigo alguns males que afligem atualmente nossa sociedade, como o álcool e as drogas. Lá preferem modalidades de quadra, principalmente vôlei, handebol e basquete. Preconceituosa ou não, é a máxima que vinga onde a renda per capita supera em muito o restante do Estado e o acesso à educação é amplo, em estabelecimentos de boa estrutura de ensino e bem equipados para a prática esportiva. Os resultados positivos nas participações blumenauenses em competições regionais e nacionais, bem como a revelação de atletas em número expressivo, carimbam esta realidade.

Melhoramos por aqui em primeiro lugar porque cortamos o cordão umbilical que nos ligava ao Rio de Janeiro. Não vemos mais nas arquibancadas camisas dos clubes cariocas, processo que se deu gradativamente, junto com a profissionalização de Avaí e Figueirense. Ainda passamos por altos e baixos, as conhecidas crises da gangorra, percalços naturais e comuns até aos grandes clubes brasileiros. No caso do Avaí o problema hoje é o acesso à Ressacada, o que lhe tira um bocado de torcedor, solução distante graças à incompetência e irresponsabilidade dos nossos políticos e administradores.

De qualquer forma já temos a certeza e a segurança de que nunca mais voltaremos ao estágio dos anos 70, aquele que nos mantinha fora do mapa do Brasil e longe da elite do futebol. Anda vamos andar muito nesse Brasileirão e tudo pode mudar de um turno para outro, mas os indícios são positivos, encaminhando o torcedor de Florianópolis para um final feliz em 2010.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A mentira de pernas longuíssimas

Quinta-feira, 10h30,viaduto em Morro Alto, Torres RS. Cadê os operários? (foto Gerson Schirmer)

Na última semanada andei pela BR-101, ida e binda a Porto Alegre, a bordo de um “Anjo Class” da Santo Anjo da Guarda, uma das poucas coisas que funciona no transporte interestadual. É um ônibus muito confortável, com apenas seis poltronas leito na parte de baixo, duas delas individuais, sem chance de algum chato alugar sua cabeça com conversa fiada especial, embalada para viagem. O espaço sem muvuca, coisa meio nova e disponibilizada por algumas empresas, permite a leitura com possibilidade de eliminação do som quando não se quer aturar filminhos barulhentos e insuportáveis. Só falta trocar o local de parada para lanche. Quem como eu faz o trecho Floripa-Poa-Floripa desde o comecinho dos anos 70, sabe bem o que é um “Japonês”. E o quanto é ruim a gororoba servida aos passantes naquela casa.

O papo em questão, um longo “nariz de cera” no jargão jornalístico, introduz ou reintroduz (êpa) o lero-lero da 101. Como viajei de dia, do janelão do ônibus deu para perceber a quantas andamos (para trás) nas obras de duplicação. Nos trechos em que há alguma atividade não mais que meia dúzia de operários está lá garantindo a figuração. O DNIT silencia ou mente sobre o Morro dos Cavalos, ponte de Cabeçudas e Morro do Formigão, trecho com não mais de 11 quilômetros. Nem projeto, licitações, muito menos obras. Mas ainda há outros lotes sem conclusão, um deles já abandonado, pasmem, por sete empreiteiras.

Vamos chegar à Copa de 2014 sem estrada e com os candidatos mentindo adoidados, como acontecia desde os tempos da buchada de bode, passando depois por gente empoleirada em trator, tomando cafezinho em lanchonetes populares, segurando no colo e beijando criancinhas, andando de metrô, em lombo de burro e outros meios de transporte, sempre ao alcance das câmeras. E promessas, muitas promessas, cada uma mais mentirosa que a outra.

Está tudo documentado através de filmes e fotos pelo repórter fotográfico Gerson Schirmer no seu blog www.reporterbr101.ning.com Semanalmente, por razões profissionais, ele percorre os trechos catarinenses e gaúchos documentando a mentira e a enrolação que atravessaram dois mandatos de Fernando Henrique, com sequência em mais dois do Luiz Inácio Lula da Silva.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Garotos mostram que são bons de bola

Em todo o tempo de Dunga à frente da seleção brasileira poucas vezes se viu uma atuação parecida com a dos meninos do Mano contra os Estados Unidos. Reunidos pela primeira vez com o novo técnico os garotos classificados de inexperientes e por isso mesmo inservíveis para a Copa do Mundo na África, Ganso, Neimar & Cia., mostraram personalidade e desenvoltura para uma primeira vez. O novo time deixou o torcedor com água na boca e cheio de esperança diante do que nos foi permitido ver em apenas um jogo e do que temos pela frente.

Claro que a amostragem foi pequena, ínfima para conclusões definitivas. Mas, que deu gosto ver a bola correndo rente ao gramado, de pé em pé, ah isso deu. O amadurecimento dessa turma virá com o tempo e com as experiências que precisam ser feitas por Mano Menezes, para confirmação de uns e desaprovação de outros.

O certo é que mais uma vez ficou comprovada a capacidade infinita de produzirmos bons jogadores. Alguns países levam décadas com reciclagem e renovação. A Espanha, por exemplo, desde que inventaram a Copa do Mundo só agora conseguiu montar uma seleção campeã. Nós deixamos de ganhar títulos na maioria das vezes por falta de organização e escolhas equivocadas, somadas a políticas esportivas mal conduzidas e oportunistas. Nunca por falta de talento e de condições técnicas de nossos jogadores.

No caso presente preocupa a falta de planejamento para 2014. Sem o devido suporte de uma estrutura adequada a partir das seleções de base e setores administrativos da CBF o trabalho de Mano Menezes e sua comissão técnica pode se perder pelo caminho. De quebra corremos o sério risco de assistirmos uma reedição piorada de 1950, sem conseguirmos chegar à grande final no Maracanã. Não é cedo para avaliações pessimistas. O passado nos deixou lições duras através de resultados catastróficos e previsíveis.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os regulamentos e o sobe-e- desce no sul



Um estádio com capacidade para 50 mil pessoas e com gramado sintético será o palco em Guadalajara quarta-feira da primeira partida pelas finais da Libertadores entre Chivas e Internacional. É outra invencionice dos cartolas, bovinamente aceita pelos clubes sul-americanos. Se já não bastasse a participação do Chivas como convidado e por isso sem direito a disputar o Mundial em Abudabi caso vença a Libertadores.

Já escrevi a respeito em outra postagem e acrescento agora essa excrescência do gramado sintético. Em nenhuma das grandes competições internacionais se usa este tipo de piso a não ser em outra edição da Libertadores, a exemplo do que já aconteceu com uma equipe peruana. E como também acontece no incipiente futebol norte-americano.

São assuntos cucarachos e que nos deixam sempre um passo atrás da Europa em matéria de organização e administração esportiva. Se essa turma não aprecia a grama natural e acha que não há diferença entre um produto e outro, que tal pastar um pouquinho do sintético?

Na terrinha os assuntos domésticos estão quentes por conta da goleada sofrida pelo Avaí diante do modesto Guarani e a avassaladora vitória do Figueirense sobre o Icasa. Os dois resultados estão plenamente justificados e são fáceis de entender: a derrota avaiana se deve, em grande parte, à insistência do “professor” Antônio Lopes com alguns jogadores que já não deram certo com o técnico anterior, não por acaso chamado de Chamusca. Ainda dá tempo de corrigir. No Orlando Scarpelli nada de assombroso, graças à boa fase do Figueira e sua grande superioridade sobre o time cearense.

A gangorra que embalou o final de semana dos torcedores de Florianópolis balançou com mais força a rivalidade Grenal. Cheguei a Porto Alegre domingo à tarde, bem na hora da abertura do parquinho de diversões da torcida gaúcha. O Grêmio perdeu em casa para o Fluminense, derrota que serviu para a demissão de Silas, um treinador que nunca empolgou os gremistas, apesar de ter vencido o campeonato gaúcho. Enquanto isso os rivais saboreiam a desgraça alheia com a presença do time colorado na final da Libertadores e na fase decisiva do Mundial de Clubes.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Santos e Inter festejam com chope aguado

O Internacional perdeu para o São Paulo por 2 a 1, mas fez a festa em pleno Morumbi para comemorar a classificação à final da Libertadores e a vaga no Mundial de Clubes. O mexicano Chivas, mesmo que saia campeão da América do Sul diante dos gaúchos , não poderá jogar a decisão do Mundial em Abudabi. É convidado, sua turma é da América do Norte, onde as competições são regidas pela Concacaf, similar à nossa Conmebol. Um dia antes os torcedores baianos viram em Salvador o Santos levar o título da Copa do Brasil, mesmo perdendo para o Vitória pelo mesmo placar de São Paulo e Inter.

Os placares dos jogos de ida em Santos (2 a 0) e Porto Alegre (1 a 0) garantiram o festerê para santistas e colorados. Comemorem, pois. Maluquice total, coisa de regulamentos que só a cartolagem do futebol é capaz de produzir. Jeito mais sem graça esse de festejar com derrota. É como beber chope aguado. Mas é assim que os dirigentes e o mercado da bola querem, e assim será para todo o sempre. Até que o sistema mude. Alguém acredita?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Confirmado: repetimos 2006 em 2010


As mentiras de 2006 com Parreira repetidas em 2010 com Dunga - foto gospelblogspot

Kaká fez na Bélgica uma artroscopia de joelho – não sei em qual deles – por causa de uma lesão de menisco e vai ficar de três a quatro meses afastado do futebol. Fora isso continua administrando aquelas dores provocadas pela pubalgia que o acompanha faz tempo e vem atrapalhando seu futebol.

A lesão de joelho é notícia nova, bem fresquinha. A pubalgia é velha e fez parte do noticiário pré e pós Copa da África do Sul. O resultado todo mundo sabe e as consequências nós vimos dentro do campo, apesar das constantes negativas da Comissão Técnica, médicos e fisioterapeutas da seleção brasileira.

Resumo da ópera: em circunstâncias diferentes repetimos 2006/Alemanha em 2010/África e perdemos dois mundiais seguidos. Na Copa alemã Ricardo Teixeira vendeu os treinos da seleção brasileira e transformou nossa concentração em um verdadeiro circo. Parreira, o técnico da ocasião, fechou os olhos para tudo, inclusive para a má forma física dos principais jogadores. Ele e seus parceiros negaram sempre a zorra em que vivia o grupo e o excesso de peso de Ronaldo & Cia.

Na Copa africana Dunga cometeu outro excesso, mas na contramão do que acontecera na Alemanha. Fechou as portas e armou a carranca para tudo e para todos, defendendo a formação de uma equipe medíocre e também a má forma de alguns dos seus protegidos, incluindo Kaká. Voltamos pra casa mais cedo e com aquela máxima do “eu já sabia” entalada na garganta.

Vamos torcer para que Mano Menezes e seus auxiliares – a comissão médica será a mesma – não caiam na tentação da mentira. Mano já avisou que não mente, apenas omite em algumas ocasiões. Eu tento entender, faz duas Copas, a diferença entre uma e outra situação. A mentira, se sabe, tem pernas curtas, bem curtinhas, aliás. Quanto à omissão, tomara que em 2014 não tenhamos que aprender seu significado e sofrer com seus desdobramentos com os novos comandantes do time brasileiro.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O futuro do nosso futebol começa por aqui

Ainda não se conhece a fundo os planos de Mano Menezes para a seleção brasileira. A mídia tem batido na tecla de que o treinador deve olhar mais para o futebol que se joga no país e esquecer um pouco os jogadores que estão fora, já bastante conhecidos pelo destaque que alcançaram para serem negociados.

É a minha tese e já escrevi sobre ela, sobretudo porque a fronteira dos técnicos que passaram pela seleção sempre esteve limitada a Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, seus campeonatos regionais e ao Brasileirão. No tempo do Zagalo, nem isso. Ele só conhecia os craques (?) que jogavam no Maracanã ou quem aparecia na televisão.

O Mano começou obedecendo à antiga cartilha e imitando o velho e rabugento Lobo. Domingo foi ver Flamengo e Vasco. Quinta-feira pode marcar presença na decisão da semifinal da Libertadores entre São Paulo e Inter. Quer dizer, não muda o trajeto, com um campeonato brasileiro em andamento nas suas principais divisões, sem contar as inúmeras opções oferecidas pelas atividades das divisões de base.

Por exemplo: terminou domingo em São Paulo uma Supercopa de futebol júnior, competição com participação de clubes estrangeiros e vencida pelo Santos em decisão com o Flamengo. Pelo visto representou um bom campo de observação apenas para empresários. Depois estranhamos que parte dos nossos jogadores de futuro carimbem seus passaportes cada vez mais cedo e de repente, completamente desconhecidos por aqui, apareçam com destaque nas principais equipes européias.

Tudo isso e o fato de não termos que disputar as eliminatórias para a Copa de 2014 mais a exclusividade, exigência da CBF, deveriam fazer de Mano Menezes um caixeiro viajante. Há tempo e motivação de sobra para muitos amistosos e para viagens por esse país de dimensões continentais. O espaço para experiências com jogadores das diversas regiões brasileiras é imenso e a disponibilidade de Mano idem.

A convocação de Renan, o jovem goleiro do Avaí, pode ser um bom indício. Até hoje os jogadores catarinenses que jogaram na seleção, como escrevia aquele eterno colunista social de Florianópolis, “foram vistos” só depois de atuarem por grandes clubes no Brasil ou na Europa. Então caro Mano Menezes, mala nas costas e pé na estrada. O futuro do outrora melhor futebol do mundo é aqui.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dás um banho de lágrimas



“Sentimental eu sou
Eu sou demais
Eu sei que sou assim
Porque assim ela me faz”


Homem não chora. Mentira. Chora e muito. O Paulo Brito segunda-feira chorou discursando no lançamento do livro sobre o Roberto Alves e quarta à noite conheci outro chorão dos bons, o Fenelon Damiani, na sua festa de 50 anos de comunicação, no teatro Pedro Ivo. E como chorou o homem. Soluçou pela homenagem, pela família, pelos amigos, pelo seu querido Figueirense, pela vida, enfim. Respirou fundo o tempo inteiro para não sucumbir à emoção.

Tem chorão por todo o canto, sei de vários, emotivos, sentimentais, inspiradores, quem sabe, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, compositores preferidos do Altemar Dutra. Lembram dele? Cantor da “Sentimental Demais”, ídolo das moças da madrugada, dos tempos do, “paga um cuba bem”?

Vem mais choradeira por aí, sempre sob chancela da Associação Catarinense de Imprensa e do seu presidente, Ademir Arnon, que já programou mais festas e homenagens a jornalistas. A fila vai andar com Valter Souza – mestre de cerimônias do chororó do Fenelon -, Osmar Teixeira e outros que forem chegando aos 50 anos de profissão ou ganhando prêmios pelo caminho. Agosto não será o mês do desgosto, apesar das lágrimas esperadas para o dia 16, na Arena Multiuso de São José, quando a dupla Paulo Brito/Roberto Alves sobe novamente ao palco para mais um lançamento do “Dás um banho”.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tem catarinense no fraldário do Mano

Renan, futebol de gente grande (foto site do Avaí)


A convocação da nova seleção brasileira agradou a gregos e troianos, quero dizer, a paulistas e cariocas. E a nós catarinenses também, por que não? Afinal de contas lá está o menino Renan, da divisão de base do Avaí, de apenas 19 anos.

Há muitas surpresas na lista do Mano Menezes, a maior delas para Santa Catarina, sem dúvida a do goleiro avaiano, natural da vizinha São João Batista e que acaba de assumir a posição de titular com a lesão do Zé Carlos.

Além das suas boas atuações observei que, apesar da pouca idade, ele mostra muita segurança também ao se comunicar com a imprensa. É objetivo e foge dos “com certeza”, “vou dar o meu melhor”, “o jeito é trabalhar e levantar a cabeça”, e muitos outros chavões que fazem parte do reduzido vocabulário da boleirada. Pode ser que isso não o encaminhe para a Academia Brasileira de Letras, mas com certeza – desculpem – facilitará seu entendimento do meio em que vive e de como contornar as dificuldades que surgirão mais adiante.

O trabalho de preparação sob o comando de Mano Menezes inclui a seleção olímpica para 2012, antes da principal em 2014. É a chance da carreira do Renan e não há tempo nem espaço para deslumbramentos, o que acredito não vai acontecer pela maturidade que tem mostrado apesar de recém ter largado a chupeta e as fraldas.

Todos os caminhos levam à Assembléia



Ele é o cara da mídia esportiva, com a cara de Florianópolis, a sua cidade. Roberto Alves, multimídia, é o personagem desta noite, companheiro de infância e de profissão do jornalista e professor Paulo Brito, autor do livro “Dás um banho – o rádio, o futebol, a cidade”. Brito escreveu sobre a vida do Roberto , sua vivência no rádio, na tevê e outras mídias que dominou mais recentemente nos seus mais de 50 anos correndo atrás da bola e das notícias do esporte.

Conheço bem o Paulo Brito, com quem trabalhei no jornal O Estado na década de 70, depois de conseguirmos o canudo no curso de jornalismo da PUC em Porto Alegre. Sua irreverência confunde e atrapalha principalmente aqueles que gostam do “prato feito”, consumido apenas no cardápio do mau jornalismo.

Já o Roberto Alves fui conhecendo aos poucos desde que cheguei a Florianópolis em 1972. Primeiro subindo o Morro da Cruz, na época sem luz e sem asfalto, para participar com outros companheiros e convidados do “Terceiro Tempo”, na TV Cultura. Sob o comando do Roberto, curtíamos um bate-papo livre e descontraído que invadia a madrugada, sem tempo para terminar, graças à permissividade de uma nada rígida grade de programação. Depois trocamos figurinhas no rádio, veículo da minha paixão desde os tempos de garoto quando ouvi a Copa de 58 cheia de chiados. Foi o Roberto quem me deu a primeira chance no microfone apesar de eu ser até então um homem só de jornal.

Interessante, não Alves? Com sua devida vênia, todos os caminhos nesta segunda-feira levam à Assembléia Legislativa. Vamos lá, a partir das 19h30, confraternizar com o Roberto e com o Brito.

sábado, 24 de julho de 2010

Mais um Judas para a malhação

E agora Mano?

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, atirou no que viu e acertou no que não viu. Normal. Tem sido assim na sua gestão. O episódio do novo treinador da seleção brasileira põe a nu mais uma vez a administração amadora da entidade que deveria dar um rumo seguro ao nosso futebol. Temos material humano de sobra, matéria prima desde o berço para grandes times e grandes seleções. Pecamos no essencial porque não sabemos o que fazer com essa capacidade de produzir craques, ou pelo menos bons jogadores.

Nosso problema não é só de técnicos. Tem aos montes. Dependendo dos resultados cada ano nasce um. Nossa gigantesca carência é muito mais de gestão, de falta de bons dirigentes, de administrações sérias, competentes e que tenham compromisso com o plantar e regar para colher bem no futuro.

Nada é assim no Brasil e no futebol, então, nem se fala. Fiquei com a impressão que o Muricy Ramalho deu uma de esperto. Orgulhoso com o convite foi conferir a conversa do Ricardo Teixeira, não gostou do que ouviu e colocou a decisão nas mãos dos dirigentes do Fluminense. E ficou com os dedinhos cruzados torcendo para que desse “errado”, para que o clube não o liberasse. Tirou um peso dos ombros.

Mano Menezes, mais novo no mercado e ansioso por uma oportunidade de chegar à seleção brasileira, como bom gaúcho não deixou passar o cavalo encilhado. Montou nele. Tomara que não caia ali adiante.

Não por falta de competência. Mas por ausência absoluta de um projeto sério e do tamanho da responsabilidade de montar uma equipe que não poderá perder de novo uma Copa do Mundo em casa.

Falta a estrutura que dê o necessário suporte ao técnico e à sua comissão. Não aquela convencional com um homem para escolher hotéis, reservar passagens e sacudir o pó dos seus ombros fazendo que não é com ele quando a casa ruir. Vem aí o de sempre, com um treinador, preparadores físicos, treinador de goleiro, fisioterapeuta, quem sabe um psicólogo, treinos na Granja Comary sob frio e neblina, enfim, tudo como dantes. Ah, sem esquecer o assessor de imprensa que não fede nem cheira.

Nada de gente gabaritada para trabalhar as divisões de base e olhar um pouco além do Maracanã e Morumbi. O país é muito grande e se joga futebol do Oiapoque ao Chuí, só os dirigentes não sabem disso.

Mano Menezes desde já vai se submeter àquele jogo de gato e rato, com a mídia cobrando tudo, muitas vezes com açodamento e pouco entendimento sobre o que está acontecendo. Quando não, movida por aquele regionalismo idiota. Como agora, quando apenas andou atrás de nomes, sem se dar conta do tamanho da encrenca. Corremos sério risco de repetir os mesmo erros e chegar aos mesmos resultados, que podem ser tão trágicos ao ponto de chorarmos mais um “Maracanazo”. 1950 dói até hoje e o Judas Barbosa já morreu. Precisaremos de outro e no momento oportuno ele vai aparecer. Se é que ele já não foi escolhido.

terça-feira, 20 de julho de 2010

No handebol, como no futebol

Estão de olho na gente por causa do Mundial de Handebol em 2011 que nos comprometemos a organizar e até agora nada. Tem até uma Arena Sapiens no norte da Ilha para 8 mil pessoas cujas obras ninguém sabe, ninguém viu. Houve uma reunião em Florianópolis na Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte com representantes de todas as sedes catarinenses, menos Florianópolis. Será que o Brasil, no caso Santa Catarina, vai repetir com o handebol o que já fazemos no futebol? A Folha de São Paulo e o portal Uol produziram matéria sobre o assunto.

Handebol patina para fazer Mundial

Torneio feminino, que será em SC no fim de 2011, não tem comitê organizador e fonte definida de recursos

DANIEL BRITO
DE SÃO PAULO


O primeiro Campeonato Mundial feminino de handebol que será disputado no Brasil, em dezembro de 2011, está longe de tomar forma.

O país conquistou o direito de sediar a competição em fevereiro de 2009, batendo países estruturados como Holanda e Austrália. Mas, a um ano e meio da abertura, só estão definidas as sedes.

Nem um COL (Comitê Organizador Local) foi montado ainda e não há previsão de quando serão captados recursos do governo federal.
A morosidade fica aparente se comparada com as demais competições internacionais no país. Os Jogos Mundiais Militares serão no Rio de Janeiro em 2011 e desde 2007 já se sabe onde, quando e como serão organizados. O Mundial de futsal, em 2008, começou a ser organizado em janeiro de 2006.

"Não estamos atrasados", declarou Fabiano Redondo, diretor de marketing da CBHand (Confederação Brasileira de Handebol). "Não é uma competição que precisa ser organizada quatro anos antes. No Mundial da França, em 2007, as sedes foram escolhidas seis meses antes da abertura", comparou.

Florianópolis, Joinville, São José, Brusque e Balneário Camboriú receberão as 24 seleções. Apenas Brasil, por ser sede, e Rússia, a atual campeã, estão garantidos.

A estimativa de gastos da CBHand caiu de R$ 18 milhões para R$ 12 milhões, segundo a entidade. Isso porque os governos municipais assumiram as despesas de pessoal para limpeza e administração das instalações no intervalo entre os jogos.

"Para chegarmos ao orçamento previsto, vamos contar com apoio privado, de parceiros da confederação, prefeituras e governo do Estado, além do ministério do Esporte, via lei de incentivo", citou Fabiano Redondo.
Até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa do ministério do Esporte não havia confirmado se o Mundial estava previsto no orçamento da pasta.

Nos R$ 12 milhões, estão incluídos os gastos com passagens dos membros da IHF (sigla em inglês para Federação Internacional de Handebol), hospedagem, alimentação e transporte terrestre.

As adequações nas arenas são de responsabilidade das prefeituras. A maior delas será a Sapiens Arena, em Florianópolis, com capacidade para 8.000 pessoas e que deverá receber as finais.

O "Diário Oficial" de SC publicou a criação do Comitê Gestor, com membros dos governos estadual e municipal e da CBHand. Ele está hierarquicamente acima do COL, mas não é responsável pela execução dos planos.


Sede do próximo mundial feminino de handebol, Brasil engatinha na organização

Do UOL Esporte
Em São Paulo



Sede do Mundial feminino de handebol pelo primeira vez, o Brasil ainda não se mobilizou em praticamente nada para estruturar o torneio, marcado para dezembro de 2011, em Santa Catarina. Cerca de um ano e meio após ganhar o direito de receber a competição, apenas as cidades-sede estão definidas: Florianópolis, Joinville, São José, Brusque e Balneário Camburiú.

Nem um comitê organizador foi definido pelas autoridades, e não se sabe quando serão captados recursos federais para agilizar a estrutura da competição. Mesmo assim, os dirigentes não acham que há atrasos em relação ao evento.

“Não estamos atrasados. Não é uma competição que precisa ser organizada quatro anos antes. No Mundial da França, em 2007, as sedes foram escolhidas seis meses antes da abertura”, alegou o diretor de marketing da Confederação Brasileira de Handebol (CBHand), Fabiano Redondo em entrevista à Folha de S.Paulo.

Contudo, as estimativas de gastos já estão previstas pela CBHand e cairam de R$18 milhões para R$12 milhões pois os governos municipais assumiram custos de alguns setores, como limpeza. Nesse valor, estão incluídos gastos com passagens, hospedagem, alimentação e transporte terrestre.

“Para chegarmos ao orçamento previsto, vamos contar com apoio privado, de parceiros da confederação, prefeituras e governo do Estado, além do ministério do Esporte, via leia de incentivo”, completou Redondo.

Além do Brasil, país-sede, apenas a Rússia, atual campeã, já está classificada para o torneio.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O jogo sujo da impunidade

Tenho observado que há muita gente pisando em ovos quando se trata de abordar qualquer assunto polêmico referente à entidade que manda no futebol de Santa Catarina. Todo mundo sabe que em sua sede no balneário mais badalado do Estado reina há quase um quarto de século um ser adepto da eternização nas presidências de clubes, federações e confederações.Por isso mesmo o homem faz parte de uma seita de muitos seguidores no país inteiro.

Será medo diante de tanto poder amealhado ao longo de décadas neste reinado? Ou haverá interesses convergentes e facilitadores que encaminham a uma aproximação? Podemos considerar as duas hipóteses. Na primeira há um estranho silêncio, justificado talvez pela conivência com irregularidades administrativas e contas aprovadas de afogadilho e por aclamação. Vale também nepotismo, arranjos para a proteção escancarada a determinados árbitros, composição na medida para uma gestão arcaica e contaminada por tudo o que há de ruim. No segundo caso o jogo é mais pesado, pois envolve negócios e contratos que dificilmente mudam de mãos.

A violência de um assessor da tal entidade contra o radialista Rodrigo dos Santos, da Rádio Cidade, de Brusque, fato ocorrido em Joinville, no último sábado, dá bem a medida de como se toca o futebol profissional e outros setores da vida pública por aqui. O agressor agiu com a benção paterna e protegido por seguranças para invadir a cabine da emissora nz Arena. Nada vai acontecer, a não ser pelo registro policial da ocorrência, iniciativa do agredido, que teve o nariz fraturado e ganhou escoriações pelo rosto.

O silêncio quase total, a conivência e a falta de solidariedade não só avalizam este tipo de comportamento como incentivam a impunidade diante da corrupção e da truculência que acostumamos a acompanhar nos últimos tempos por toda Santa Catarina.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O mundo do futebol agradece à "La Roja"

Del Bosque na festa com jogadores campeões (Site RFE)

Os espanhóis deram um belo exemplo de que o futebol coletivo e de comprometimento pode ser jogado com técnica e habilidade, sem matar a essência deste esporte. Jogaram bem quase toda a Copa, apesar do susto da estréia quando perderam para a Suíça. Na final souberam envolver os holandeses com um futebol bonito, de muito toque, e aguentaram a pancadaria adversária tolerada pela péssima arbitragem inglesa.

O amor pela camisa não precisa descartar a habilidade para formar “grupos fechados” nem responder à violência com truculência verbal e física. Com 32 câmeras em cada transmissão não há como mentir para o torcedor. Hoje o público tudo vê, nos estádios ou fora deles. Ficou impossível enganar a quem quer que seja.

A insistência com declarações distantes da realidade beira o ridículo e descredencia cada vez mais os que privilegiam a incoerência e não admitem o fracasso. Brasil, França, Itália e Argentina, os sócios mais antigos e assíduos do clube dos campeões, acabaram a Copa da África do Sul como ícones de teorias envelhecidas. A Alemanha, da revelação Thomas Muller, contou com o título antes da decisão e se deu mal, mas sua equipe jovem virá muito forte para o Brasil em 2014. O Uruguai, comandado por Forlan, o melhor da copa africana, salvou os sul-americanos com um time guerreiro e uma campanha eficiente, de acordo com suas limitações.

Ao Brasil resta torcer para que dois bicudos consigam se beijar e levar adiante nosso projeto que precisa mostrar eficiência já em 2013 na Copa das Confederações. Ricardo Teixeira cutucou Lula na entrevista coletiva em Johannesburgo, com queixas sobre as carências dos nossos aeroportos e outras deficiências de infra-estrutura urbana. Lula, como sempre avesso às críticas, já respondeu à Teixeira com sérios reparos à sua administração na CBF. Pior é que os dois têm razão.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Começamos mal, muito mal



A Copa da África do Sul ainda é um moribundo e já temos a próxima vítima, a Copa de 2014 no Brasil. Cercada de polêmica e de incertezas a quatro anos de sua realização, nossa Copa vem merecendo as primeiras ações preventivas em forma de antídotos injetados pela própria Fifa, com o objetivo evitar a contaminação pela falta de projetos consistentes e do atraso na implementação do que foi apresentado como garantia. O primeiro alvo são os aeroportos, as obras de reformas e construção de estádios também estão na mira. Falam em quatro anos, que na verdade são três por causa da Copa das Confederações, o evento teste. Estamos a passo de cágado.

O Financial Times atacou nosso planejamento que “até agora tem sido tipicamente brasileiro, ou seja, burocrático, desorganizado e lento”. Destaca ainda que o custo das obras será altíssimo e sem retorno e que pelo menos 12 estádios vão virar elefantes brancos. A entrevista coletiva na África do Sul do presidente da CBF no lançamento da Copa 2014 foi um desastre, a começar pelo anúncio da divisão do país em quatro regiões para “evitar o caos aéreo” com a movimentação de turistas e seleções. As primeiras impressões e/ou previsões sobre o que teremos pela frente começaram a pipocar negativamente na mídia brasileira.


Brasil cogita a estupidez de setorizar a Copa

Por Erich Beting, do portal Uol


A Copa do Mundo de 2014 deverá dividir o Brasil em quatro. O presidente Ricardo Teixeira acaba de revelar que se estuda a chance de "fatiar" o país em diferentes regiões para melhor atender à demanda de transporte e evitar grandes deslocamentos dos torcedores durante o Mundial.


Se a proposta de fato vingar, o Brasil cometerá um dos maiores erros no que diz respeito a saber fazer dinheiro e faturar com uma Copa do Mundo.
Até 1994, o Mundial era "setorizado". Cada grupo ficava numa única sede. Até então, a Copa acontecia em países relativamente pequenos, com facilidade e agilidade de deslocamento entre as diferentes cidades-sedes. Quando o Mundial foi para os Estados Unidos, país de dimensão continental tal qual o Brasil, acabou-se esse história de que um time ficava numa única sede.


E o raciocínio americano foi simples, lógico e claro. Deixar um torcedor cerca de duas semanas num mesmo lugar é estúpido do ponto de vista turístico. Se ele vai para o país da Copa, não pode ficar "confinado" a um único lugar. Tem de viajar, conhecer diferentes regiões, pagar pela passagem, hospedagem, consumo...
Desde então, até mesmo a Copa de 2002, dividida entre Japão e Coreia do Sul, contou com deslocamento entre países de torcedores.


Ao fatiar o país em quatro, o Brasil assume sua incompetência no que diz respeito à infraestrutura de transporte. Sem estradas decentes, sem malha ferroviária e com aeroportos sucateados, o país não conseguirá atender à demanda de uma Copa do Mundo.
Durante quase dois anos, as cidades, com a conveniência do Comitê Organizador Local, preferiram fazer balão de ensaio político em vez de trabalhar para organizar, decentemente, o Mundial.


Fatiar o país, além de atestado de incompetência, é de uma burrice tremenda no que diz respeito a aumentar a receita com o turismo. Além de perder uma grande oportunidade de mostrar o quão diverso, e rico, é o Brasil.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A propósito

Minha amiga do "Tijaí", que já morou na Espanha e atualmente está em Brasília, a jornalista Simone Garcia, lembrou da composição do Milton Nascimento e da Leila Diniz, "Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco". E só pra constar: não registrei em cartório nem apareci na televisão como aquele polvo, palpiteiro dos bons, mas tenho o testemunho confiável dos amigos> Minha projeção para a final, feita antes de a Copa começar, apontava para Espanha e Holanda.

A poesia do Milton e da Leila

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
É de quem sabe amar

Um gol pra lá de ilegal

Giba no jogo de Pelé no Adolfo Konder


O Gilberto Nahas, ex-árbitro, agora também em todos os sentidos um ex-combatente (foi sepultado nesta quarta (7)no Itacorubi), tinha boas histórias para contar, vividas em campos de futebol e cercadas de muita polêmica. Algumas engraçadas, como aquela bem conhecida do estádio Adolfo Konder, quando expulsou os 22 jogadores de Avaí e Figueirense. Era um jogo em homenagem ao aniversário da Marinha e virou “o clássico da vergonha”. Como bandeira lembro do Nahas no amistoso entre Avaí e o Santos do Pelé, ainda no velho Adolfo Konder. Nunca aquela carequinha levou tanta laranja de uma torcida.

Giba, como gostava de ser chamado, não tinha vergonha nem medo da encrenca e da polêmica, muito menos das críticas duras que às vezes envolviam suas arbitragens. Sempre tinha uma explicação. Testemunhei uma atribulada atuação dele, em fins de 1971, jogo no Orlando Scarpelli entre Figueirense e Juventus de Rio do Sul, estréia de Santa Catarina na Loteria Esportiva.

Era minha primeira vez também em gramados da Capital. Ainda estava em Blumenau, no Jornal de Santa Catarina e jogo da Loteria Esportiva era uma festa, uma atração para rádios de todo o país. Para Florianópolis vieram Globo, Tupi, Bandeirantes, sei lá quem mais, para ver os catarinenses começando na LE.

O narrador JB. Telles trabalhou como repórter neste jogo para uma das emissoras de fora. Não lembro qual. Pelo jornal fiquei atrás de um gol, à esquerda das cabines. Árbitro, Gilberto Nahas, placar de 1 a 0 para o Juventus, segundo tempo.

Lá pelas tantas aconteceu um cruzamento alto para o meio da área. O ponteiro Caco pulou mais alto que um zagueiro e marcou com a mão o gol de empate do Figueirense. Foi como uma cortada do voleibol, de cima para baixo, e bem na minha frente. O Giba, sem vacilar, confirmou o gol, apesar da chiadeira juventina. Fiquei surpreso, o toque de mão fora muito claro. O Telles saiu do seu posto e veio correndo me consultar, dada a minha posição privilegiada. Dei a informação baseado no que meus olhos viram e no que realmente aconteceu. Gol ilegal.

Jogo de Loteria, confusão das grandes. O fotógrafo do Jornal de Santa Catarina era o J.B Scalco, já falecido, um gaúcho que passou por aqui e acabou na Revista Placar. Dia seguinte foto do Scalco na capa do JSC e nos principais jornais do Brasil com o Caco em primeiro plano no momento em que socava a bola para marcar o gol do Figueira.

O árbitro, claro, disse que viu o lance como legal, com o bandeirinha nem aí pra confusão. Giba enlouqueceu, não admitiu o erro documentado por testemunho e fotografia, e aprontou um escarcéu. Disse que era montagem, pediu o negativo para periciar na polícia, ameaçou o jornal, pintou e bordou. Não teve jeito. A solução foi esperar o assunto esfriar, voltar às boas com a imprensa e acrescentar o episódio às histórias e ao folclore do futebol catarinense. Valeu Giba

A seleção e os selecionados



Baixada a poeira da eliminação do Brasil, a demissão via internet da comissão técnica e o encaminhamento dos finalistas – acertei a Holanda, faltava confirmar a Espanha -, vamos começar de novo, e logo. Não sem antes lembrar algumas coisinhas que não estão sendo ditas nem somadas às razões do nosso fracasso na África do Sul.

Tratemos especialmente da falta de entendimento do significado das palavras seleção e selecionado, fatal para as nossas pretensões. Seria o menor dos problemas tivesse o Dunga consultado um bom dicionário logo que assumiu. Em português bem simplesinho, estamos falando da “escolha dos melhores”.

Tá lá no Aurélio, bastava abrir a página destes verbetes para descartar Doni, Kleberson, Josué, Michel Bastos, Gilberto e Felipe Melo, entre outros. Deixando de fora jogadores mais jovens e realmente selecionáveis, Dunga e seu fiel escudeiro Jorginho tiveram que lidar com uma série de dificuldades com desfecho no pé na bunda diante do primeiro adversário mais encorpado que encontramos pela frente, no caso a Holanda.

Os supracitados certamente não se enquadram na definição oferecida pelo dicionário. Mas estão entre os comprometidos, como gostava de salientar o técnico. Não se sabe bem que tipo de comprometimento, talvez com a truculência e o destempero, seguindo o mestre, como ficou demonstrado pelas reações do banco e dentro do campo.

Leite derramado vamos em frente, começando pela renovação, agora apregoada até pelo presidente Ricardo Teixeira. Novamente problemas com o dicionário, pois na Copa de 2014 no Brasil o homem vai completar 25 anos à frente da Confederação Brasileira de Futebol. Mudou até o estatuto da instituição que preside para se garantir até lá.

sábado, 3 de julho de 2010

Sonhos



Vamos imaginar outra competição logo após o fiasco nesta Copa. Na verdade logo teremos com o que nos distrair, mas apenas um amistoso dia 10 de agosto nos Estados Unidos. Já serve. Quem sobraria desta seleção? Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan. E...? Robinho, quem sabe. Do banco resgataríamos o Nilmar. Alguém mais?

Fora das quatro linhas eu começaria dispensando Ricardo Teixeira, o presidente da CBF. Em seis Copas na sua gestão, somente duas conquistas. Aliás, bom tema para reflexão. Não podemos mais encher a boca para dizermos que somos os melhores do mundo. Da década de 70 para cá, jogamos dez mundiais e ganhamos só dois (94 e 2002), justo os do seu Teixeira. Mas esse é imexível. O sistema e os podres poderes da cartolagem brasileira não permitem sua substituição.

De resto não sobraria nem o Rodrigo Paiva, assessor de imprensa insosso, despreparado e covarde. Dunga e Jorginho seriam os primeiros a receber o bilhete azul. Ô duplinha incompetente. O preparador físico Paulo Paixão poderia ir junto pra onde quisesse. Nunca explicou convincentemente os problemas da sua área. É aí que entra o médico Luís Runco, um péssimo contador de histórias. Como a do Elano, por exemplo, vítima dos segredos da seita dungueana.

E acreditem. Sexta-feira à noite, ainda mal do estômago por causa do suco de laranja azedo ouvi, ao vivo e a cores de um ex-dirigente da CBF, a mais nova teoria da conspiração. Fomos eliminados pela Holanda porque o Brasil não poderia ser hexa campeão na África do Sul e hepta em 2014 no Brasil. O homem garantiu que estava falando sério e invocou seus conhecimentos de bastidores.

De volta pra casa, depois desta conversa que aconteceu à noite no programa "Conversas Cruzadas, da TV Com, e ainda sacudido pelas turbulências do dia, tomei um chá de camomila para poder dormir tranquilo e sonhar com a Copa brasileira em 2014. Sem sustos, sem roubalheira, cheio de otimismo e com um grande time para torcer.