sábado, 8 de outubro de 2011

Tudo sobre o mesmo de sempre

O lance que condenou Barbosa


É impressionante a passividade bovina dos dirigentes de clubes no Brasil. Não abrem a boca pra nada, ainda que suas equipes estejam sendo prejudicadas em plena reta final do Campeonato Brasileiro por convocações para um amistoso ridículo como foi este contra a Costa Rica.

A única coisa que se ouve é a lamúria dos treinadores cujos times são desfalcados para que a seleção possa sair pelo mundo a sustentar o circo mambembe cada vez olhado com mais desconfiança pelo torcedor brasileiro e parte da mídia. Apesar de procedente, a tímida reclamatória dos técnicos não serve pra nada a não ser para escancarar a desunião da classe, com cada um puxando a brasa para a sua sardinha na medida em que o seu fogo começa a baixar. Afinal, não é todo mundo que gosta de peixe cru, principalmente quando pode ser fatal o desarranjo dos times nas rodadas finais.

Os estragos vão longe e acabarão atingindo o próprio planejamento para a Copa de 2014, se é que existe algo parecido com um projeto bem estruturado e que dê apoio à Comissão Técnica. Até aqui o que se vê é muito improviso e figuras de linguagem para justificar o que estamos assistindo em um país onde se joga futebol de terça a domingo.

De acordo com o calendário divulgado esta semana pela CBF do doutor Ricardo, ano que vem vai ser muito pior. Pra começar, teremos a Olmpíada em Londres, além dos comprometimentos já conhecidos, entre eles os amistosos caça-níqueis da seleção que o Mano Menezes ainda não conseguiu mostrar. Os milhões de aficionados, incluindo-se aí milhares de jornalistas sempre com a espada empunhada estão apreensivos. Segundo os doutos do nosso futebol não haverá paralisação do Brasileirão e o amontoado de competições paralelas como campeonatos regionais, Copa do Brasil, Sul Americana, Libertadores só vai atrapalhar ainda mais e sugar o sangue de todos. O vampiresco departamento de futebol da CBF é implacável.

Um absurdo deste tamanho não é contestado por ninguém e o barco segue sendo levado por ventos vindos de uma entidade que só faz prejudicar seus filiados. Em tempo: deu sono, desliguei a tevê e fui pra cama ler um pouco e depois dormir, de tão ruim que foi o jogo contra a Costa Rica, um dos piores adversários que já vi o Brasil enfrentar nos últimos tempos. No comecinho da partida uma canelada do atacante costarriquenho à frente do gol defendido por Júlio César mandou a bola pro espaço e deu bem a medida do veríamos em campo.

Por essas e muitas outras é que o Campeonato Brasileiro tecnicamente até agora não deslanchou. A metralhadora giratória empunhada pelo Mano para as convocações atira a esmo e ficamos sem entender onde se pode chegar com a falta de critério e a desorganização demonstrada dentro e fora dos gramados.

Resultado é que alguns times empacaram na parte de cima e no meio da tabela, revelando uma mentira que é o suposto equilíbrio cantado em prosa e verso pelos dirigentes. Pobre e podre futebol brasileiro, com uma Copa do Mundo batendo à porta.


Para o bem de todos e felicidade geral de uma nação futebolística como a nossa, tomara que o Mano Menezes, apesar dos pesares, obtenha sucesso na sua empreitada. Caso contrário a execração pública virá impiedosa, como aconteceu com o goleiro Barbosa por causa da derrota para o Uruguai na Copa de 50. A cada entrevista o coitado era obrigado a se defender repetindo a frase que virou seu bordão completado meio século daquela tragédia: “A pena máxima no Brasil é de 30 anos, mas há 50 estou pagando por um crime que não cometi”.

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