domingo, 23 de outubro de 2011

Gostamos do pior? A culpa é deles




Tem uns sujeitos que ficam à beira do gramado nos campos de futebol passando ordens, gritando palavrões, gesticulando feito possessos, atazanando a vida dos seus comandados. Basta o infeliz pegar na bola, sem tempo de ao menos levantar a cabeça para olhar a posição dos companheiros, e lá vem o berreiro. Desconfiou de quem estou falando? Acertou. São os tais técnicos, treinadores, ou “professores”, como são chamados, dependendo do grau de instrução ou do peso do “boleiro” no grupo. Em determinados momentos chegam a babar e cuspir em quem está próximo. Ainda não descobri a razão para esse comportamento enlouquecido Afinal, segundo consta, este cidadão é justamente quem deveria manter a calma para orientar melhor os que estão sob seu comando.

Gozado, parece que gostam do grito que vem da arquibancada, “burro, burro”... Parece também que amam perder o emprego e às vêzes optam por posar de malandros, pelo que, malandros meio sem sorte. A cada início de temporada saem desesperados pelo país a procura de trabalho, atrás do “xingar e ser xingado”. Têm o estranho hábito de, em intermináveis e incompreensíveis entrevistas coletivas, falar sobre o que aconteceu ou deixou de acontecer em noventa e poucos minutos de um futebol nem sempre merecedor de tanta atenção.

Apesar de tudo o desvelo pelos comandados e por quem os contrata chega a ser comovente. Dificilmente contestam alguma ação da cartolagem. A maioria comemora os gols da sua equipe pulando e abraçando quem estiver por perto, junto com os jogadores que correm para o homem. É um momento raro de paz, de confraternização.

Teve um que uma vez inventou àquela comemoração solitária do “aviãozinho”, só para provocar o adversário. Arranjou seguidores, mas muita encrenca com os “do outro lado”. E olha que o gesto com os braços esticados não estava na sua cartilha de superstição, cujo carro chefe é o número “13”. Além do quê é muito genioso e avesso a homenagens que fujam um pouco da rotina. Tem que ser tudo certinho, de preferência vestindo a “amarelinha” e ouvindo o Hino Nacional. Então, que negócio é esse de estampar sua caricatura na porta de um banheiro de casa noturna, como se atreveu um ex-atleta? Deu processo.

Mas, tem para todos os gostos, incluindo aqueles que aparentam não brigar com ninguém, com discursos messiânicos e pastorais. Passam uma imagem de controle total dos nervos. Tudo mentira, pura encenação. Vai ver chega em casa e sobra para alguém da família, ou para o primeiro que estiver pela frente, geralmente o cachorro.

São ou não são tipos estranhos? E tem o pior de todos, o que, além de gritão, truculento e boca suja, gosta de confundir o público e a imprensa com suas escalações, substituições e palavreado contraditório. A opção pelo perna de pau é quase uma tara. Há pouco acabei descobrindo um do gênero aqui na Ilha, ali naquele estádio perto do Aeroporto. Com ele não tem essa de jogar bem. Sai do time. Se for elogiado pelos jornalistas, azar dele. Não fica nem entre os reservas no próximo jogo. O cara é tão, mas tão teimoso e birrento, que gol bonito dá castigo.

Me disseram que domingo, um jogador dele, além de fazer uma bela partida, ainda virou o placar para o seu time com um gol de bicicleta. Ofensa suprema: primeira reação do “professor” foi mandá-lo para o chuveiro no segundo tempo. Imagino o que vem por aí. Como o cara é bom de bola e reincidente, não deve jogar mais até o final do ano.

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