sábado, 6 de agosto de 2011

As regras que não são claras

Ambulância no gramado não impressionou a arbitragem


O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) Paulo Schmidt, em sua tradicional caça às bruxas, vai oferecer denúncia contra o jovem atacante gremista Leandro. Na partida de quarta-feira, no Olímpico, o jogador do Grêmio acertou uma pancada com a mão direita no rosto de Eron, do Atlético-MG, numa disputa de bola.

Com base nas imagens daquela partida o procurador vai formalizar a denúncia. Leandro terá de responder pelo artigo 254-A (agressão) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena mínima prevista é de quatro partidas, sendo a máxima, de 12 jogos de suspensão.

O lateral do Atlético fraturou o nariz e saiu do campo de ambulância, direto para um hospital, enquanto o agressor sequer foi advertido na hora com cartão pelo árbitro paulista Guilherme Cereta de Lima. O que acontece nesses casos com o trio de arbitragem? Nada. Só Leandro será levado ao banco dos réus pelas imagens de TV. É por essa omissão dos tribunais e da CBF que a arbitragem no Campeonato Brasileiro é uma tragédia.

Não levemos em conta as reclamações rotineiras de jogadores, técnicos e dirigentes. Estas, na maioria das vezes, fazem parte do choro dos perdedores. Os vencedores nunca reclamam. O problema está no resultado da falta de qualificação de grande parte dos árbitros que trabalham nas principais séries do Campeonato Brasileiro e até mesmo nos estaduais.

Dois pesos e duas medidas é o que mais impressiona na marcação de faltas, na aplicação de cartões, na punição ao anti-jogo e, no lance mais discutido em uma partida de futebol, as irregularidades que definem o pênalti. Seja por toque de mão ou a falta convencional. Nesse e em outros momentos de uma partida é visível também a pusilanimidade dos árbitros de um modo geral, com decisões quase sempre em favor do time da casa ou da equipe que veste a camisa com maior peso por nome e tradição.


Ao invés de punir a CBF tem, ao contrário, premiado a incompetência e procedimentos dúbios com a manutenção dos envolvidos nas escalas seguintes do campeonato. No máximo acontece o afastamento por uma ou duas rodadas, nada mais. O cara volta ao apito cometendo as mesmas arbitrariedades ou em edição piorada com o respaldo da Comissão de Arbitragem, à qual ele é subordinado, e graças aos olhos semicerrados de um tribunal que só enxerga as infrações dos jogadores. Em nenhum dos casos, com árbitros ou atletas, é aceitável o exagero, uma norma de conduta do procurador Schmidt. Aliás, qualquer declaração contestando procedimentos do STJD ou de dirigentes da CBF é passível de punição. Cadê o equilíbrio e o bom senso determinados por regras muito claras? Essas não são levadas em conta pelas autoridades do desporto brasileiro.

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