terça-feira, 16 de julho de 2013

Fraque e cartola na arquibancada

Bandas, charangas, instrumentos musicais, bandeiras, descamisados, desdentados, pobres, favelados ou não, gente do terceiro mundo, de um país essencialmente futebolístico e musical, tudo isso está sendo varrido das arquibancadas das superfaturadas arenas brasileiras. Principalmente, ou especialmente, daquelas administradas de agora em diante pelos consórcios que detém os direitos sobre nossas remodeladas praças esportivas. Tudo é proibido e proibitivo. O ingresso mais barato vai custar R$ 60 reais em média, muito distante do poder aquisitivo da grande maioria do torcedor brasileiro.

Então, esqueçam aquelas imagens do Canal 100 que gostávamos de ver no cinema em documentários que mostravam a cara do povão e as pernas dos jogadores em lances que conduziam o país a finais de semana de puro êxtase. Estão elitizando o futebol logo no Brasil, onde desde cedo se brinca com bola nos campinhos de pelada - poucos hoje, é verdade - de pés descalços, sem camisa. Como se já não bastassem as transmissões pela tevê de terça a domingo. Estão matando o futebol no criadouro, agora querem assassinar uma multidão apaixonada pela bola. Os bandidos, marginais - inclusive aqueles infiltrados entre os dirigentes -, baderneiros e traficantes é que devem ser afastados das arquibancadas, não o torcedor comum, que os proprietários das arenas pretendem ver uniformizados de fraque e cartola.
Novo uniforme do torcedor brasileiro

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