segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Futuro incerto

Além de recuperar a forma física Ronaldo terá que torcer para que não se repitam as seqüências de lesões musculares que o atormentaram em outros momentos após as cirurgias complicadas que fez nos joelhos. Profissionais de várias áreas que acompanham sua tentativa de voltar ao futebol estão bastante cautelosos e dizem que recuperação total só para o próximo Campeonato Brasileiro. A direção do Corinthians sabe disso, mas decidiu fazer essa aposta de alto risco garantindo, nesses primeiros meses de incertezas, pelo menos faturamento de imagem e milhares de reais em contratos de patrocínio e venda de produtos com o nome de Ronaldo. Acredito que o Campeonato Paulista terá uma participação limitada do Fenômeno por causa de gramados irregulares e zagueiros adversários loucos para tirar uma casquinha do craque. Diante de tantas dúvidas e encaminhamentos pouco esclarecedores por parte da cartolagem, a torcida terá que ter muita paciência a acreditar num quase milagre.

Todo o cuidado é pouco

O final de temporada foi bom apenas para o Avaí com a conquista de uma vaga na série A. Figueirense e Criciúma caíram, um para a segunda divisão, outro para a terceira, para fazer companhia ao Marcílio Dias que nutre alguma esperança de subir de categoria. O outrora grande Joinville se apequenou de tal forma desde que inaugurou a Arena que sua torcida já esqueceu que um dia o clube foi um dos poderosos do futebol catarinense. Até o Brusque acabou salvando-se do ostracismo total ao vencer três competições nos dois últimos meses do ano. A próxima temporada não será mais fácil para ninguém, especialmente para quem ignorar algumas questões básicas para uma boa preparação. Figueirense e Avaí, principalmente, somam as maiores expectativas de suas torcidas. Um descuido qualquer no próximo Brasileirão pode programar clássicos para a Ressacada e Orlando Scarpelli na série B em 2010. Se não acontecer coisa pior.

A nova praga

A fonte de tantas preocupações são as parcerias que estão tomando conta dos clubes brasileiros. Por aqui o Avaí é o mais novo exemplo de sucesso, tanto que o Figueirense resolveu voltar ao passado, recuperando uma metodologia que havia abandonado nos últimos tempos. Só os clubes mais organizados, como São Paulo e Inter, por exemplo, estão livres desta obrigação criada pela falta de planejamento e de boas alternativas domésticas. Os parceiros, empresas ou empresários que visam basicamente o lucro, fazem e desfazem times com uma facilidade preocupante. De um ano para o outro as camisas trocam de dono sem que o torcedor tenha tempo de entender o que está acontecendo. Mesmo o bem sucedido Avaí não sabe que time mandará a campo em 2009 porque mais da metade daquela formação de 2008 não existe mais. Aí é que mora o perigo de que falei na nota acima, resultado de uma prática que virou praga no país do bom futebol. Alguns me chamarão de pessimista, mas o filme é antigo e já foi reprisado muitas vezes em várias cidades brasileiras vitimando clubes tradicionais e potências em outros tempos, aqueles de vacas gordas e que não existem mais. Lembram, por exemplo, do Guarani de Campinas? Só agora está voltando à cena, e para deixar mais difícil ainda a série B em 2009.

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