terça-feira, 20 de julho de 2010

No handebol, como no futebol

Estão de olho na gente por causa do Mundial de Handebol em 2011 que nos comprometemos a organizar e até agora nada. Tem até uma Arena Sapiens no norte da Ilha para 8 mil pessoas cujas obras ninguém sabe, ninguém viu. Houve uma reunião em Florianópolis na Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte com representantes de todas as sedes catarinenses, menos Florianópolis. Será que o Brasil, no caso Santa Catarina, vai repetir com o handebol o que já fazemos no futebol? A Folha de São Paulo e o portal Uol produziram matéria sobre o assunto.

Handebol patina para fazer Mundial

Torneio feminino, que será em SC no fim de 2011, não tem comitê organizador e fonte definida de recursos

DANIEL BRITO
DE SÃO PAULO


O primeiro Campeonato Mundial feminino de handebol que será disputado no Brasil, em dezembro de 2011, está longe de tomar forma.

O país conquistou o direito de sediar a competição em fevereiro de 2009, batendo países estruturados como Holanda e Austrália. Mas, a um ano e meio da abertura, só estão definidas as sedes.

Nem um COL (Comitê Organizador Local) foi montado ainda e não há previsão de quando serão captados recursos do governo federal.
A morosidade fica aparente se comparada com as demais competições internacionais no país. Os Jogos Mundiais Militares serão no Rio de Janeiro em 2011 e desde 2007 já se sabe onde, quando e como serão organizados. O Mundial de futsal, em 2008, começou a ser organizado em janeiro de 2006.

"Não estamos atrasados", declarou Fabiano Redondo, diretor de marketing da CBHand (Confederação Brasileira de Handebol). "Não é uma competição que precisa ser organizada quatro anos antes. No Mundial da França, em 2007, as sedes foram escolhidas seis meses antes da abertura", comparou.

Florianópolis, Joinville, São José, Brusque e Balneário Camboriú receberão as 24 seleções. Apenas Brasil, por ser sede, e Rússia, a atual campeã, estão garantidos.

A estimativa de gastos da CBHand caiu de R$ 18 milhões para R$ 12 milhões, segundo a entidade. Isso porque os governos municipais assumiram as despesas de pessoal para limpeza e administração das instalações no intervalo entre os jogos.

"Para chegarmos ao orçamento previsto, vamos contar com apoio privado, de parceiros da confederação, prefeituras e governo do Estado, além do ministério do Esporte, via lei de incentivo", citou Fabiano Redondo.
Até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa do ministério do Esporte não havia confirmado se o Mundial estava previsto no orçamento da pasta.

Nos R$ 12 milhões, estão incluídos os gastos com passagens dos membros da IHF (sigla em inglês para Federação Internacional de Handebol), hospedagem, alimentação e transporte terrestre.

As adequações nas arenas são de responsabilidade das prefeituras. A maior delas será a Sapiens Arena, em Florianópolis, com capacidade para 8.000 pessoas e que deverá receber as finais.

O "Diário Oficial" de SC publicou a criação do Comitê Gestor, com membros dos governos estadual e municipal e da CBHand. Ele está hierarquicamente acima do COL, mas não é responsável pela execução dos planos.


Sede do próximo mundial feminino de handebol, Brasil engatinha na organização

Do UOL Esporte
Em São Paulo



Sede do Mundial feminino de handebol pelo primeira vez, o Brasil ainda não se mobilizou em praticamente nada para estruturar o torneio, marcado para dezembro de 2011, em Santa Catarina. Cerca de um ano e meio após ganhar o direito de receber a competição, apenas as cidades-sede estão definidas: Florianópolis, Joinville, São José, Brusque e Balneário Camburiú.

Nem um comitê organizador foi definido pelas autoridades, e não se sabe quando serão captados recursos federais para agilizar a estrutura da competição. Mesmo assim, os dirigentes não acham que há atrasos em relação ao evento.

“Não estamos atrasados. Não é uma competição que precisa ser organizada quatro anos antes. No Mundial da França, em 2007, as sedes foram escolhidas seis meses antes da abertura”, alegou o diretor de marketing da Confederação Brasileira de Handebol (CBHand), Fabiano Redondo em entrevista à Folha de S.Paulo.

Contudo, as estimativas de gastos já estão previstas pela CBHand e cairam de R$18 milhões para R$12 milhões pois os governos municipais assumiram custos de alguns setores, como limpeza. Nesse valor, estão incluídos gastos com passagens, hospedagem, alimentação e transporte terrestre.

“Para chegarmos ao orçamento previsto, vamos contar com apoio privado, de parceiros da confederação, prefeituras e governo do Estado, além do ministério do Esporte, via leia de incentivo”, completou Redondo.

Além do Brasil, país-sede, apenas a Rússia, atual campeã, já está classificada para o torneio.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O jogo sujo da impunidade

Tenho observado que há muita gente pisando em ovos quando se trata de abordar qualquer assunto polêmico referente à entidade que manda no futebol de Santa Catarina. Todo mundo sabe que em sua sede no balneário mais badalado do Estado reina há quase um quarto de século um ser adepto da eternização nas presidências de clubes, federações e confederações.Por isso mesmo o homem faz parte de uma seita de muitos seguidores no país inteiro.

Será medo diante de tanto poder amealhado ao longo de décadas neste reinado? Ou haverá interesses convergentes e facilitadores que encaminham a uma aproximação? Podemos considerar as duas hipóteses. Na primeira há um estranho silêncio, justificado talvez pela conivência com irregularidades administrativas e contas aprovadas de afogadilho e por aclamação. Vale também nepotismo, arranjos para a proteção escancarada a determinados árbitros, composição na medida para uma gestão arcaica e contaminada por tudo o que há de ruim. No segundo caso o jogo é mais pesado, pois envolve negócios e contratos que dificilmente mudam de mãos.

A violência de um assessor da tal entidade contra o radialista Rodrigo dos Santos, da Rádio Cidade, de Brusque, fato ocorrido em Joinville, no último sábado, dá bem a medida de como se toca o futebol profissional e outros setores da vida pública por aqui. O agressor agiu com a benção paterna e protegido por seguranças para invadir a cabine da emissora nz Arena. Nada vai acontecer, a não ser pelo registro policial da ocorrência, iniciativa do agredido, que teve o nariz fraturado e ganhou escoriações pelo rosto.

O silêncio quase total, a conivência e a falta de solidariedade não só avalizam este tipo de comportamento como incentivam a impunidade diante da corrupção e da truculência que acostumamos a acompanhar nos últimos tempos por toda Santa Catarina.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O mundo do futebol agradece à "La Roja"

Del Bosque na festa com jogadores campeões (Site RFE)

Os espanhóis deram um belo exemplo de que o futebol coletivo e de comprometimento pode ser jogado com técnica e habilidade, sem matar a essência deste esporte. Jogaram bem quase toda a Copa, apesar do susto da estréia quando perderam para a Suíça. Na final souberam envolver os holandeses com um futebol bonito, de muito toque, e aguentaram a pancadaria adversária tolerada pela péssima arbitragem inglesa.

O amor pela camisa não precisa descartar a habilidade para formar “grupos fechados” nem responder à violência com truculência verbal e física. Com 32 câmeras em cada transmissão não há como mentir para o torcedor. Hoje o público tudo vê, nos estádios ou fora deles. Ficou impossível enganar a quem quer que seja.

A insistência com declarações distantes da realidade beira o ridículo e descredencia cada vez mais os que privilegiam a incoerência e não admitem o fracasso. Brasil, França, Itália e Argentina, os sócios mais antigos e assíduos do clube dos campeões, acabaram a Copa da África do Sul como ícones de teorias envelhecidas. A Alemanha, da revelação Thomas Muller, contou com o título antes da decisão e se deu mal, mas sua equipe jovem virá muito forte para o Brasil em 2014. O Uruguai, comandado por Forlan, o melhor da copa africana, salvou os sul-americanos com um time guerreiro e uma campanha eficiente, de acordo com suas limitações.

Ao Brasil resta torcer para que dois bicudos consigam se beijar e levar adiante nosso projeto que precisa mostrar eficiência já em 2013 na Copa das Confederações. Ricardo Teixeira cutucou Lula na entrevista coletiva em Johannesburgo, com queixas sobre as carências dos nossos aeroportos e outras deficiências de infra-estrutura urbana. Lula, como sempre avesso às críticas, já respondeu à Teixeira com sérios reparos à sua administração na CBF. Pior é que os dois têm razão.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Começamos mal, muito mal



A Copa da África do Sul ainda é um moribundo e já temos a próxima vítima, a Copa de 2014 no Brasil. Cercada de polêmica e de incertezas a quatro anos de sua realização, nossa Copa vem merecendo as primeiras ações preventivas em forma de antídotos injetados pela própria Fifa, com o objetivo evitar a contaminação pela falta de projetos consistentes e do atraso na implementação do que foi apresentado como garantia. O primeiro alvo são os aeroportos, as obras de reformas e construção de estádios também estão na mira. Falam em quatro anos, que na verdade são três por causa da Copa das Confederações, o evento teste. Estamos a passo de cágado.

O Financial Times atacou nosso planejamento que “até agora tem sido tipicamente brasileiro, ou seja, burocrático, desorganizado e lento”. Destaca ainda que o custo das obras será altíssimo e sem retorno e que pelo menos 12 estádios vão virar elefantes brancos. A entrevista coletiva na África do Sul do presidente da CBF no lançamento da Copa 2014 foi um desastre, a começar pelo anúncio da divisão do país em quatro regiões para “evitar o caos aéreo” com a movimentação de turistas e seleções. As primeiras impressões e/ou previsões sobre o que teremos pela frente começaram a pipocar negativamente na mídia brasileira.


Brasil cogita a estupidez de setorizar a Copa

Por Erich Beting, do portal Uol


A Copa do Mundo de 2014 deverá dividir o Brasil em quatro. O presidente Ricardo Teixeira acaba de revelar que se estuda a chance de "fatiar" o país em diferentes regiões para melhor atender à demanda de transporte e evitar grandes deslocamentos dos torcedores durante o Mundial.


Se a proposta de fato vingar, o Brasil cometerá um dos maiores erros no que diz respeito a saber fazer dinheiro e faturar com uma Copa do Mundo.
Até 1994, o Mundial era "setorizado". Cada grupo ficava numa única sede. Até então, a Copa acontecia em países relativamente pequenos, com facilidade e agilidade de deslocamento entre as diferentes cidades-sedes. Quando o Mundial foi para os Estados Unidos, país de dimensão continental tal qual o Brasil, acabou-se esse história de que um time ficava numa única sede.


E o raciocínio americano foi simples, lógico e claro. Deixar um torcedor cerca de duas semanas num mesmo lugar é estúpido do ponto de vista turístico. Se ele vai para o país da Copa, não pode ficar "confinado" a um único lugar. Tem de viajar, conhecer diferentes regiões, pagar pela passagem, hospedagem, consumo...
Desde então, até mesmo a Copa de 2002, dividida entre Japão e Coreia do Sul, contou com deslocamento entre países de torcedores.


Ao fatiar o país em quatro, o Brasil assume sua incompetência no que diz respeito à infraestrutura de transporte. Sem estradas decentes, sem malha ferroviária e com aeroportos sucateados, o país não conseguirá atender à demanda de uma Copa do Mundo.
Durante quase dois anos, as cidades, com a conveniência do Comitê Organizador Local, preferiram fazer balão de ensaio político em vez de trabalhar para organizar, decentemente, o Mundial.


Fatiar o país, além de atestado de incompetência, é de uma burrice tremenda no que diz respeito a aumentar a receita com o turismo. Além de perder uma grande oportunidade de mostrar o quão diverso, e rico, é o Brasil.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A propósito

Minha amiga do "Tijaí", que já morou na Espanha e atualmente está em Brasília, a jornalista Simone Garcia, lembrou da composição do Milton Nascimento e da Leila Diniz, "Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco". E só pra constar: não registrei em cartório nem apareci na televisão como aquele polvo, palpiteiro dos bons, mas tenho o testemunho confiável dos amigos> Minha projeção para a final, feita antes de a Copa começar, apontava para Espanha e Holanda.

A poesia do Milton e da Leila

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
É de quem sabe amar

Um gol pra lá de ilegal

Giba no jogo de Pelé no Adolfo Konder


O Gilberto Nahas, ex-árbitro, agora também em todos os sentidos um ex-combatente (foi sepultado nesta quarta (7)no Itacorubi), tinha boas histórias para contar, vividas em campos de futebol e cercadas de muita polêmica. Algumas engraçadas, como aquela bem conhecida do estádio Adolfo Konder, quando expulsou os 22 jogadores de Avaí e Figueirense. Era um jogo em homenagem ao aniversário da Marinha e virou “o clássico da vergonha”. Como bandeira lembro do Nahas no amistoso entre Avaí e o Santos do Pelé, ainda no velho Adolfo Konder. Nunca aquela carequinha levou tanta laranja de uma torcida.

Giba, como gostava de ser chamado, não tinha vergonha nem medo da encrenca e da polêmica, muito menos das críticas duras que às vezes envolviam suas arbitragens. Sempre tinha uma explicação. Testemunhei uma atribulada atuação dele, em fins de 1971, jogo no Orlando Scarpelli entre Figueirense e Juventus de Rio do Sul, estréia de Santa Catarina na Loteria Esportiva.

Era minha primeira vez também em gramados da Capital. Ainda estava em Blumenau, no Jornal de Santa Catarina e jogo da Loteria Esportiva era uma festa, uma atração para rádios de todo o país. Para Florianópolis vieram Globo, Tupi, Bandeirantes, sei lá quem mais, para ver os catarinenses começando na LE.

O narrador JB. Telles trabalhou como repórter neste jogo para uma das emissoras de fora. Não lembro qual. Pelo jornal fiquei atrás de um gol, à esquerda das cabines. Árbitro, Gilberto Nahas, placar de 1 a 0 para o Juventus, segundo tempo.

Lá pelas tantas aconteceu um cruzamento alto para o meio da área. O ponteiro Caco pulou mais alto que um zagueiro e marcou com a mão o gol de empate do Figueirense. Foi como uma cortada do voleibol, de cima para baixo, e bem na minha frente. O Giba, sem vacilar, confirmou o gol, apesar da chiadeira juventina. Fiquei surpreso, o toque de mão fora muito claro. O Telles saiu do seu posto e veio correndo me consultar, dada a minha posição privilegiada. Dei a informação baseado no que meus olhos viram e no que realmente aconteceu. Gol ilegal.

Jogo de Loteria, confusão das grandes. O fotógrafo do Jornal de Santa Catarina era o J.B Scalco, já falecido, um gaúcho que passou por aqui e acabou na Revista Placar. Dia seguinte foto do Scalco na capa do JSC e nos principais jornais do Brasil com o Caco em primeiro plano no momento em que socava a bola para marcar o gol do Figueira.

O árbitro, claro, disse que viu o lance como legal, com o bandeirinha nem aí pra confusão. Giba enlouqueceu, não admitiu o erro documentado por testemunho e fotografia, e aprontou um escarcéu. Disse que era montagem, pediu o negativo para periciar na polícia, ameaçou o jornal, pintou e bordou. Não teve jeito. A solução foi esperar o assunto esfriar, voltar às boas com a imprensa e acrescentar o episódio às histórias e ao folclore do futebol catarinense. Valeu Giba

A seleção e os selecionados



Baixada a poeira da eliminação do Brasil, a demissão via internet da comissão técnica e o encaminhamento dos finalistas – acertei a Holanda, faltava confirmar a Espanha -, vamos começar de novo, e logo. Não sem antes lembrar algumas coisinhas que não estão sendo ditas nem somadas às razões do nosso fracasso na África do Sul.

Tratemos especialmente da falta de entendimento do significado das palavras seleção e selecionado, fatal para as nossas pretensões. Seria o menor dos problemas tivesse o Dunga consultado um bom dicionário logo que assumiu. Em português bem simplesinho, estamos falando da “escolha dos melhores”.

Tá lá no Aurélio, bastava abrir a página destes verbetes para descartar Doni, Kleberson, Josué, Michel Bastos, Gilberto e Felipe Melo, entre outros. Deixando de fora jogadores mais jovens e realmente selecionáveis, Dunga e seu fiel escudeiro Jorginho tiveram que lidar com uma série de dificuldades com desfecho no pé na bunda diante do primeiro adversário mais encorpado que encontramos pela frente, no caso a Holanda.

Os supracitados certamente não se enquadram na definição oferecida pelo dicionário. Mas estão entre os comprometidos, como gostava de salientar o técnico. Não se sabe bem que tipo de comprometimento, talvez com a truculência e o destempero, seguindo o mestre, como ficou demonstrado pelas reações do banco e dentro do campo.

Leite derramado vamos em frente, começando pela renovação, agora apregoada até pelo presidente Ricardo Teixeira. Novamente problemas com o dicionário, pois na Copa de 2014 no Brasil o homem vai completar 25 anos à frente da Confederação Brasileira de Futebol. Mudou até o estatuto da instituição que preside para se garantir até lá.

sábado, 3 de julho de 2010

Sonhos



Vamos imaginar outra competição logo após o fiasco nesta Copa. Na verdade logo teremos com o que nos distrair, mas apenas um amistoso dia 10 de agosto nos Estados Unidos. Já serve. Quem sobraria desta seleção? Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan. E...? Robinho, quem sabe. Do banco resgataríamos o Nilmar. Alguém mais?

Fora das quatro linhas eu começaria dispensando Ricardo Teixeira, o presidente da CBF. Em seis Copas na sua gestão, somente duas conquistas. Aliás, bom tema para reflexão. Não podemos mais encher a boca para dizermos que somos os melhores do mundo. Da década de 70 para cá, jogamos dez mundiais e ganhamos só dois (94 e 2002), justo os do seu Teixeira. Mas esse é imexível. O sistema e os podres poderes da cartolagem brasileira não permitem sua substituição.

De resto não sobraria nem o Rodrigo Paiva, assessor de imprensa insosso, despreparado e covarde. Dunga e Jorginho seriam os primeiros a receber o bilhete azul. Ô duplinha incompetente. O preparador físico Paulo Paixão poderia ir junto pra onde quisesse. Nunca explicou convincentemente os problemas da sua área. É aí que entra o médico Luís Runco, um péssimo contador de histórias. Como a do Elano, por exemplo, vítima dos segredos da seita dungueana.

E acreditem. Sexta-feira à noite, ainda mal do estômago por causa do suco de laranja azedo ouvi, ao vivo e a cores de um ex-dirigente da CBF, a mais nova teoria da conspiração. Fomos eliminados pela Holanda porque o Brasil não poderia ser hexa campeão na África do Sul e hepta em 2014 no Brasil. O homem garantiu que estava falando sério e invocou seus conhecimentos de bastidores.

De volta pra casa, depois desta conversa que aconteceu à noite no programa "Conversas Cruzadas, da TV Com, e ainda sacudido pelas turbulências do dia, tomei um chá de camomila para poder dormir tranquilo e sonhar com a Copa brasileira em 2014. Sem sustos, sem roubalheira, cheio de otimismo e com um grande time para torcer.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ele é o cara




Avinagramos o vinho chileno e pela primeira vez nesta Copa nossa torcida deve ter gostado do que viu em campo. O time do Dunga teve momentos do mais puro futebol brasileiro, misturando talento e jogo coletivo com velocidade e o sempre citado comprometimento. Aqui a conversa é com o Lúcio, misto de zagueiro, meio campo armador e atacante.

Falando nesse atleta excepcional e vendo sua figura imponente dominando o campo inteiro, lembrei do cinema e do ator Mickey Rourke no filme de Quentin Tarantino, “Sin City, - A cidade do pecado”. A cara do Marv, um lutador de rua durão, personagem do Rourke, é a do Lúcio, nosso vigoroso zagueirão, pra mim o grande destaque do Brasil até aqui. E quem viu este filme noir baseado nos quadrinhos de Frank Miller (assinou a direção com Tarantino) reconhece o justiceiro Marv no Lúcio, mesmos traços duros e fortes, correndo pelo campo inteiro, defendendo, arrancando rumo ao ataque, sob a proteção e companhia do fiel escudeiro Juan.

Fica esquisito destacar dois zagueiros numa partida com placar de 3 a 0 a favor de um time que tem Kaka, Robinho e o artilheiro Luís Fabiano como referências. Quem prestou atenção nos jogos anteriores percebeu a importância do Marv, quer dizer, do Lúcio, para colocar a casa em ordem em situações de grande dificuldade. Pelo jeito vai ser assim até o fim da Copa, ou até onde for a seleção brasileira.

E caso venha a conquista do hexa, entreguem duas faixas para o Lúcio, costas largas para carregar o piano e encobrir os devaneios de um treinador do auto-elogio oportunista. Ou será que Dunga escalaria os eficientes Ramires e Daniel Alves se Felipe Melo e Elano não estivessem machucados? Que venha a Holanda, temos o Lúcio.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Galvão não cala a boca



Foi durante a transmissão do GP Europa de Fórmula 1 em Valência, Espanha, no domingo pela manhã. Galvão Bueno aproveitou uma observação do comentarista Reginaldo Leme sobre o bom humor de Maradona nas entrevistas e a boa participação sul-americana na Copa para dar uma porradinha em Dunga.

Além de endossar a admiração de Reginaldo sobre o inusitado bom astral do técnico argentino nas coletivas, Galvão não perdeu a chance para, ao seu estilo e no seu tempo, destravar a língua e mandar um recadinho ao Dunga: “Educação e bom humor são fundamentais na vida, principalmente para quem ocupa cargo importante.”

O narrador da Globo nunca foi exemplo em matéria de educação e gentileza, tanto com os que trabalham com ele nas transmissões, sejam repórteres ou comentaristas, como com os convidados do “Bem Amigo”, programa que apresenta na Sport TV na noites de segunda-feira. Ele fala praticamente o tempo inteiro dando pouca chance aos companheiros de jornadas ou entrevistas. É o tal do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

domingo, 27 de junho de 2010

Alô Brasil, olha o bom futebol aí gente

Show alemão com Miroslav Klose e Thomas Mueller

Já andava enjoado com a mediocridade desta Copa e do nosso time. Felizmente apareceu esse jogo de 4 a 1 entre Alemanha e Inglaterra com todos os ingredientes de uma grande decisão. Qualidade individual de alguns jogadores, principalmente da Alemanha, jogadas bonitas, apenas treze faltas e um erro clamoroso do árbitro uruguaio Jorge Larrionda e do seu auxiliar Maurício Espinosa. Tipo do lance que Mário Vianna, com dois enes mesmo, como fazia questão de lembrar sempre, e o primeiro comentarista de arbitragem do Brasil. A manhã domingueira ouviria seus gritos carregados de erres ao microfone da Rádio Globo do Rio: ERRRRROU.

Coisa horrorosa e injustificável no momento do jogo em que a Inglaterra reagira podendo conseguir a igualdade de 2 a 2 no placar. A bola chutada por Lampard, o melhor entre os ingleses, entrou quase um metro depois de uma aproximação em vôo visual, sem a necessidade de instrumentos para pousar além da linha do gol. Vem a tona outra vez a utilização de um chip na bola ou de um árbitro atrás de cada trave, ou de cada goleira como fala a gauchada. No fim deu Alemanha com méritos para encarar Argentina ou México.

Tomara Dunga e seus soldados tenham assistido com atenção ao confronto entre Alemanha e Inglaterra. E com o devido cuidado para o a seleção brasileira não entrar na pilha da imprensa nossa de cada dia que está na África do Sul. Para essa turma, entre Chile, Suíça e Espanha, os chilenos seriam os adversários mais fáceis para enfrentarmos nas oitavas “porque deixa jogar(?)”.

Não entendo essa lógica, uma vez que ficou muito claro ser a Suíça o pior time daquela chave. O Chile tem bons jogadores, uma equipe razoável e um treinador atrevido, o argentino Marcelo (Louco) Bielsa. É perigoso levar em conta apenas os resultados das eliminatórias para considerar tranquilo o enfrentamento desta segunda-feira. Eu preferia ter os suíços pela frente para não correr o risco de ver os brasileiros voltarem mais cedo pra casa.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A ditadura dos treinadores

Celso Roth, militante e fundador do regime


Ando muito incomodado com o manda e desmanda dos técnicos, brasileiros. Qualquer pé de chinelo, iniciante ou não, é autoridade. Escalações viram segredo de estado, distanciando cada vez mais o torcedor dos seus times. O palavreado é cheio de números, esquemas, mantras cheios de abobrinhas tecnicistas recheadas de chavões. A imprensa, seja de que veículo for, está eleita como inimigo número um, impedida de assistir aos treinamentos e de transmitir as informações para o seu público. Jornalistas são hoje os primeiros adversários a serem batidos, se possível abatidos, já que a relação virou uma guerra.

Liderada hoje pelo comandante Dunga a turma da beira do gramado extrapola em suas funções. E reclama muito, de tudo e de todos. Se duvidar corre até com o presidente do clube. Infelizmente com o espaço que lhes é concedido por algumas emissoras de rádio e tevê, além dos jornais, o corporativismo se instala e aumenta a cada dia nas redações. Em prejuízo dos profissionais do jornalismo, refugiados em seus guetos, verdadeiros focos de resistência organizados por algumas televisões a cabo.

Corporativismo nosso? Nesse caso pode até ser. Acho mesmo que tem que ser. Não se pode mais criticar ninguém nem emitir opiniões, a não ser elogiosas, sem ouvir como resposta dos sábios dos vestiários, os professores: “vocês não sabem nada.” É claro que não sabemos. E como vamos saber se não assistimos treinamentos, não temos mais uma convivência natural e civilizada com jogadores, preparadores físicos, médicos e outros membros da comissão técnica? Tudo é proibido pelos treinadores, cujo poder atualmente é ilimitado. Não há plano de marketing que resista a esta ditadura implantada a partir dos vestiários e que se estende por todos os setores dos clubes.

A última novidade neste mercado em expansão vem de Porto Alegre, mais exatamente do Beira Rio, onde o recém contratado Celso Roth marcou treinos em dois períodos para o dia do jogo do Brasil contra Portugal. Duvido que vingue, mas este campeão de simpatia e comunicação já avisou: “Seleção? Seleção aqui é o Inter”.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ninguém se entende na dupla



Aproveitando a cortina de fumaça erguida pela Copa da África do Sul dirigentes de Avaí e Figueirense seguem aprontando. E como ninguém comenta, pergunta ou cobra alguma coisa a cartolagem nem disfarça mais. Faz tudo à luz do dia mesmo, sem medo de ser feliz, ainda que a custa da infelicidade dos seus torcedores. E tome campanha para novos sócios.

Então resolvi dar uma folguinha para vuvuzelas e jabulanis para comentar algumas travessuras da nossa dupla. O Figueirense, por exemplo, contrata e manda embora sem o mínimo critério, além de manter no elenco atacantes ineficientes como a dupla Júnior Negrão/Marcelo Nicácio. Seria melhor mandá-los como reforço para uma das seleções africanas que estão na Copa dando vexame. O técnico Márcio Goiano trabalha com os jovens, mas pede jogadores experientes. Dirigentes e parceiros fazem o contrário.

O resultado é que, sem um time forte, o Figueirense deixou de lutar na Copa Santa Catarina por uma vaga na Copa do Brasil do ano que vem. Quem não passa nem por uma competição mixuruca como essa da nossa Federação não merece mesmo outro destino. Tomem cuidado com o futuro na série B.

Pelos lados da Ressacada o rítmo de dirigentes, empresários e da comissão técnica liderada pelo treinador Péricles Chamusca é no sentido contrário, porém com o mesmo resultado. A campanha neste início do Campeonato Brasileiro é sintomática. Estão detonando com jogadores da base em troca de contratações recomendadas pela parceria.


Exemplo: acabaram com o futuro no Avaí do melhor volante de Santa Catarina, o jovem Rodrigo Thiesen, de apenas 23 anos e do seu companheiro Johny, que voltou às divisões de base. Depois de várias manobras do Chamusca & Cia para desgastar Thiesen - não sei com que propósito - junto à torcida, mandaram-no embora para o Vila Nova de Goiás, atualmente na segunda divisão do Brasileiro. Desculpa: ele precisa ganhar experiência.

Só que dez dos novos contratados também são jovens como Thiesen. O lateral Pará, o meia Robinho e o atacante Marcelinho têm 23 anos; o zagueiro Juninho tem 20; o meia Matheus, os zagueiros Branca e Clayton e o lateral Patric têm 21; o atacante Anselmo Ramon e o volante Roberto Silva têm 22 anos. Acrescentemos nesta lista os mais velhos que não jogam como Sávio, Leonardo e Vandinho, mais Fredson e Dinelson, todos assíduos freqüentadores do departamento médico. Na ponta do lápis a conta fecha no vermelho e o detector de mentiras explode.

terça-feira, 22 de junho de 2010

De Maradona, Dunga e leões


Maradona esbanja bom humor e tiradas irônicas nas entrevistas coletivas. Quem diria. Enquanto isso Dunga só ri das suas próprias piadas e das frases debochadas que costuma dedicar invariavelmente aos jornalistas brasileiros. Mesmo quando a pergunta é corriqueira, feijão com arroz, sem questionamentos contundentes ou constrangedores para o entrevistado, nosso treinador acha um jeito de bater forte na imprensa da casa.

O assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, não sabe mais o que fazer. Aliás, acho que nunca soube. Um pouco de tudo isso é responsabilidade dele, da sua frouxidão. Não adianta ser gentil com os jornalistas e aceitar que um destrambelhado assessorado pinte e borde nas entrevistas. Acrescentando: Dunga resolveu xingar com palavrões árbitros e adversários depois do jogo, mesmo com vitória, como aconteceu logo após a partida contra a Costa do Marfim.

Talvez Maradona esteja mais tranqüilo apesar de pressão que sofre desde as eliminatórias sul-americanas. O time argentino vai bem, infelizmente, e ele não tem um pai hospitalizado sofrendo do Mal de Parkinson. Esse é o desconto maior que se pode dar ao técnico brasileiro. O que não justifica seu mau humor constante e a falta de educação.

Sempre levando em conta que a Copa do Mundo não é um acontecimento caseiro. É um evento internacional e o Brasil, por sua importância no contexto futebolístico mundial vive sob o foco dos holofotes do planeta, mais que qualquer uma das outras 31 seleções que estão na África do Sul.

A última grande encrenca envolveu Alex Escobar, apresentador e repórter da TV Globo, interpelado por Dunga no momento em que falava ao telefone com um editor. Pra carimbar seu destempero, o treinador, sem se dar conta do microfone aberto, terminou por brindar Alex com alguns xingamentos. Soube-se agora, que a Globo acertara com a CBF entrevistas exclusivas com três jogadores para serem apresentadas no próximo domingo no Fantástico. Dunga vetou e era esse o motivo para o papo de Escobar comunicando a decisão ao colega. A CBF não se manifestou até agora, em nenhum dos casos, embora corresse o risco de ver Dunga punido com suspensão, advertência ou multa, o que não vai acontecer por "falta de provas" anunciou um representante da Fifa.

E assim “La nave va”, levando adiante essa relação cercada de turbulências e com a seleção brasileira cada vez mais distante do torcedor. O global Alex Escobar preferiu trocar as perigosas coletivas do irascível técnico brasileiro por matérias mais leves, dentro dos cercados do Parque dos Leões, ponto turístico visitado por muita gente em Johannesburgo. Sentiu, na matéria para o Bom dia Brasil, que o risco é menor junto aos felinos sul-africanos. Bem educados por tratadores, só rugem,não mordem e não ameaçam quem deles se aproxima.

domingo, 20 de junho de 2010

Futebol, cadê você?

Menos mal que o Brasil ganhou. E ganhou bem, apesar da expulsão boba do Kaká e do gol do Luis Fabiano “con los brazos de dios”. Além de salvar a nossa pele e de confirmar a boa participação sul-americana nesta Copa, a seleção brasileira é a única entre as grandes que até aqui não nos frustra por inteiro, ainda que sob suspeição da mídia e de boa parte dos torcedores. França, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha, estas sim estão assombrando torcidas, enganando “experts” e apostadores.

Europeus e africanos são enormes decepções no momento. O bom futebol desapareceu, na maioria dos casos por motivos ainda desconhecidos, especialmente quando tratamos de espanhóis, italianos e franceses. A tese não é original por ser óbvia, mas na minha modesta opinião não é coincidência que o mau futebol esteja justamente com os países que mais importam jogadores.

Na hora de suas seleções, com os nativos em campo, mostrarem serviço em uma competição tão difícil como a Copa do Mundo é o que se vê. Ou o que não se vê. Cadê o futebol destes times considerados favoritos, cheios de nomes badalados e de contratações milionárias? As equipes da África também estão caprichando nas más apresentações, embora vítimas de um fenômeno inverso ao que atinge a Europa. Nem os anfitriões sob a batuta de Parreira escaparam do fracasso. Por sinal, faz tempo que o homem não ganha um título ou faz algum trabalho que preste.

Consideremos que estamos no começo, recém concluindo a segunda rodada da primeira fase, mas é preocupante este equilíbrio, para mim falso e muito emblemático.Já ouvi que o imprevisível é que dá graça ao futebol. Também, acho, só que com selo de qualidade.

Consolo em caso de um desastre domingueiro


A charge do Galhardo em blog da Uol mostra como se sente uma parte dos brasleiros em relação à insuportável chatice de um ser chamado Dunga

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tão longe, tão perto

Na medida em que diminui o tempo para organizarmos a Copa de 2014 aumentam os problemas e desentendimentos entre governos de estados, municípios sedes e a CBF. São Paulo puxa a fila graças à implicância de Ricardo Teixeira com o São Paulo por conta de uma rinha com Juvenal Juvêncio, presidente do clube. O Morumbi está oficialmente fora dos planos da Fifa para a abertura. Não consigo imaginar a maior cidade da América do Sul, capital de um estado de economia forte como São Paulo, sem um joguinho da Copa do Mundo para figurar na sua história.

O Paraná acaba de se manifestar oficialmente através do governador Orlando Pessuti (assumiu no lugar de Requião): não haverá dinheiro público para construir ou reformar estádios. É o que todos dizem. No Rio Grande do Sul ainda se discute a isenção de impostos para obras no Beira Rio, o Grêmio aproveita e se atravessa oferecendo sua futura Arena. O Maracanã continua lá, intocável. Falam que em agosto o estádio será fechado para reforma, mais uma. No restante do país não há nenhum sinal de Copa, a não ser pela Bahia com o início da demolição da Fonte Nova.

Enquanto isso o Ministro do Esporte, Orlando Silva, ensaia alguns passos sem o menor jeito para dançar em um baile de cobras como este. O presidente Lula saiu em socorro do seu ministro e já calçou as botas para entrar na festa. Meteu o BNDES na jogada, oferecendo “empréstimo” para quem estiver meio atrapalhado e precisar de financiamento. Como nem só de estádios vive um evento de tal porte, ainda temos que lidar com a imprevidência e incompetência sem exceção de governantes mais preocupados com o futuro político, seus e dos respectivos partidos.

Obras de infra-estrutura urbana e questões importantes como segurança e saúde, que hoje não atendem nem as necessidades básicas da população, não figuram na pauta de discussões. Parece que as soluções cairão do céu. E não podemos esquecer que um ano antes do Mundial teremos que organizar a Copa das Confederações, competição teste que dará a medida da estrutura montada pelo Brasil para 2014. Nossa esperança é que a Fifa seja tão tolerante com nosso país como foi com a África do Sul.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Comida espanhola com sobremesa suíça

Paella com carne de zebra (cá entre nós, uma ignomínia) e chocolate suíço de sobremesa. Valeu todo tipo de piada depois do resultado surpreendente da tarde. A Suíça ganhou da melhor seleção espanhola dos últimos tempos, dizem seus próprios torcedores. Eu acredito e fico imaginando se isso acontecesse com a seleção brasileira estreando na Copa cheia de banca.

O torcedor espanhol, pelo menos segundo relatos madrilenhos, mesmo com a derrota aplaudiu o time e o treinador Vicente Del Bosque, reafirmando sua confiança em uma boa campanha e na conquista do primeiro título de uma Copa do Mundo. Ao contrário de nós que (e que ninguém nos ouça), mesmo ganhando, caímos de pau no técnico, jogadores e em quem mais se atravessar no caminho de uma imprensa exigente e de uma torcida apaixonada, todos mal acostumados.

O Uruguai se deu bem na abertura da segunda rodada e praticamente eliminou a África do Sul. Tem o lado bom, pois o ruído das vuvuzelas deve diminuir bastante. Por enquanto estamos todos bem. A participação sul-americana é positiva. Além da nossa seleção e a dos uruguaios, Argentina, Chile e Paraguai começaram positivamente e podem passar de fase. Oremos.

Dunga vai treinar a Coréia do Norte

Esperei a poeira baixar antes de falar sobre a estréia brasileira na Copa. É bom não falar muito ou escrever qualquer coisa ainda sob o impacto de uma apresentação pífia do nosso time. A desculpa, já se sabe desde a criação do mundo, é o nervosismo, a ansiedade, o friozinho na barriga que dá no primeiro jogo até nos mais experientes.

Aceitemos que sim, não adianta dizer o contrário. Afinal, outras seleções bem cotadas na bolsa de apostas como Inglaterra, França, Itália e Argentina passaram pelos mesmos obstáculos. Menos a Alemanha, que deve ter um terapeuta muito eficiente e tratou de mostrar logo que não está na África do Sul para um safári, mas sim para jogar um futebol bonito e eficiente.

Pode ser a primeira impressão e, quem sabe, mudaremos de opinião nas próximas rodadas. Em se tratando de Brasil, estou pessimista, mais do que antes da Copa, quando a soma de incoerências acabou parindo a tal de “coerência dungueana”. O treinador brasileiro insiste em responder sobre temas que não lhe foram perguntados para, no final, jogar pedras na sua Geni preferida, a imprensa. Em campo vemos nossos “melhores” jogadores atuando com a coerência que lhes é transmitida.

Não tem importância. Já estamos acostumados com essa chatice. Para compensar o estômago e o humor arruinados, descobriu-se uma seleção ideal para o Dunga treinar: a Coréia do Norte, justo nossa adversária da estréia. Kim Jong-II, o ditador da casa, não permite a transmissão direta dos jogos. O povo só pode assisti-los em compactos gravados com os melhores momentos, mesmo assim apenas em caso de vitória coreana. Treinos então, nem pensar.

Perfeito. Mas, como o Dunga é um sujeito muito ético, tem mantido o assunto em sigilo. Não seria legal anunciar agora que Kim Jong-Hum, o atual técnico, perderá o emprego em julho, logo após a Copa.

domingo, 13 de junho de 2010

Farinhada do mesmo saco

Escrevo estas mal traçadas aproveitando o relato do jornalista Juca Kfouri em seu blog e um mal estar que me bateu na volta do supermercado. Juca foi a Rostemburgo, distante pouco mais de 100 quilômetros de Johanesburgo, onde assistiu Inglaterra x Estados Unidos. Levou quatro horas para ir, outras quatro para voltar. Esse know how já temos por aqui mesmo. Basta ir a um jogo do Avaí na Ressacada.

Segundo Juca, o estádio Real Bafokeng, além de imundo, tem pontos cegos cobertos por plásticos nas cadeiras. Nenhum dos dois placares eletrônicos funcionou, as informações tipo escore e tempo do jogo vinham na voz de um locutor. Ah, e tinha fosso, coisa que a Fifa abomina e proíbe. Em torno do estádio formou-se um espetacular congestionamento e os voluntários eram mais desinformados que os espantados jornalistas a procura de uma orientação.

Testemunhos como este se repetem desde antes de a bola começar a rolar na África do Sul. Pelo que tenho lido, visto e ouvido dos profissionais que lá estão para fazer jornalismo sem oba oba, vamos organizar a nossa Copa em 2014 com uma mão nas costas. Ainda mais depois que o presidente Lula ofereceu o Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, para o que der e vier.

Como a Fifa não quer dinheiro público no negócio Copa do Mundo, a não ser para obras de infra-estrutura urbana, Lula teve o cuidado de avisar sobe o dinheiro que vai liberar através do BNDES: será empréstimo, não doação. Esse dinheiro tem ida e volta. Conta outra presidente, os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro não nos deixam mentir. Ao contrário, nos enchem de motivos para suspeitar da roubalheira que teremos por aqui com a chancela oficial.

No que toca à Fifa, estrategicamente faz um grande jogo de cena de acordo com seus interesses. A picuinha com os projetos do Morumbi é um exemplo, coisa de Josef Blatter, o presidente atual, em solidariedade a Ricardo Teixeira, Il Capo da CBF candidato na próxima eleição da Fifa e que não gosta de Juvenal Juventus, presidente do São Paulo. O desentendimento por enquanto, como queria Teixeira, rendeu a desistência paulista da abertura da Copa.

As observações iniciais nos levam à conclusão que os africanos devem ter retribuído às gentilezas e à tolerância da Fifa, não se sabe em que termos e em que medida. E em se tratando de Brasil os porões deste governo saberão contornar as dificuldades que possam atrapalhar os planos da pátria amada, salve, salve.

Isso tudo me veio à cabeça hoje pela manhã, depois que vi o Mário Cavalazzi às gargalhadas por entre as gôndolas de um supermercado.Lembram dele? O secretário de Turismo da Prefeitura do Dário envolvido no sumiço do dinheiro de um show e de uma árvore de natal e em outras falcatruas de menor porte. Voltei pra casa irritado e com ânsia de vômito. Estaria rindo de que este senhor? Com certeza de nós, os trouxas que votamos nessa ratatulha, pagamos impostos e os seus salários.