segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma Copa para salvar o Brasil

A jornalista do Diário Catarinense, Simone Kafruni, assinou reportagem na edição desta segunda-feira relatando todas as dificuldades vividas pela indústria do turismo no Brasil. Surpreendentemente alguém escreveu alguma coisa mais de acordo com a realidade, afastando o oba-oba, foco até então do noticiário sobre o WTTC, congresso para poucos que foi realizado no Costão do Santinho, sub sede do governo Luiz Henrique. Na abertura da matéria, reproduzida abaixo, com base no relatório do Fórum Econômico Mundial, está escrito o que não foi abordado em nenhum momento por promotores e patrocinadores do evento. Lá pelas tantas, claro, aparece a panacéia para todos os males do nosso turismo, a redenção do país, a Copa do Mundo de 2014. Quem acredita nisso?


Muitas pedras no caminho


“O potencial turístico brasileiro foi bastante repetido durante o 9º Congresso do Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC). Mas partiu do Fórum Econômico Mundial a avaliação mais incisiva dos planos acalentados pelo país de se tornar um destino internacional de peso.
O Brasil é o pior dos emergentes na priorização do turismo como atividade econômica, o último dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) na qualidade de infraestrutura de transportes e o 91º lugar entre 133 países na competitividade dos preços praticados pelo setor.
O último dia do congresso não começou bem para o Brasil. No tradicional café da manhã que promove no WTTC, o Fórum avaliou o desenvolvimento do turismo do país com base no Relatório de Competitividade em Viagem e Turismo 2009, divulgado em março. Apresentado pela diretora da Indústria de Aviação, Viagem e Turismo do Fórum, Thea Chiesa, o estudo aponta muitas falhas no Brasil, principalmente na área de segurança pública e infraestrutura aeroportuária e rodoviária.
– O transporte aéreo do Brasil é insuficiente para atender uma demanda crescente de turismo. A qualidade das rodovias também é a pior dentre os países emergentes. O setor precisa de investimentos urgentes – ressaltou Ivan de Souza, presidente do Booz&Co na América do Sul, empresa parceira na realização do estudo.
O relatório mostra ainda que os preços do turismo no Brasil não são competitivos e estão na média dos praticados em destinos como Espanha, Estados Unidos e Portugal, e que é preciso forçar uma reaproximação com a realidade do país. Conforme Souza, o nível do turismo receptivo também foi considerado muito baixo.
– Apesar dos desafios que o país tem pela frente nas questões logísticas e de segurança pública, existem muitas oportunidades e a Copa do Mundo de 2014 pode ser um fator catalisador de investimentos em infraestrutura para resolver os principais problemas nos próximos anos. E isso se faz necessário porque o crescimento do turismo no Brasil vai se dar mais rapidamente do que em toda a América Latina (...)”

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