segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Samba no pé, bola no armário

O torcedor carioca, do Flamengo especialmente, aguarda ansioso por uma boa apresentação de Ronaldinho. Pelo andar da carruagem é melhor esperar sentado na arquibancada.

Quem quiser assistir a um bom desempenho do Gaúcho consulte o roteiro de ensaios das escolas de samba. Domingo à noite, logo após a desgastante decisão contra o Botafogo, o jogador foi visto na Marques do Sapucaí com a Grande Rio, escola que levou o calote da Prefeitura de Florianópolis. Sambou, tocou tamborim, fez uma tabelinha com a atriz Suzana Vieira, e depois deve ter ido pra casa dormir.

Ou então acabou a noite trocando passes com Adriano, o Imperador do Samba e que mais uma vez adiou sua volta para a Itália para se apresentar à Roma . É compreensível. A recuperação da cirurgia no ombro é demorada e exige tratamento especial, no Rio de Janeiro.

O Adriano, já se sabe, não quer mais nada com a bola. Já o Ronaldinho ainda não frustrou as expectativas da diretoria do Flamengo e da torcida. A dúvida é se esta rotina vivida no Rio é compatível com a de um jogador profissional que por enquanto lembra apenas seus piores e derradeiros dias no Milan.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mistério, uma revelação, uma dúvida


Ronaldo sai de cena deixando um grande mistério na sua carreira, até hoje não esclarecido nem por ele nem por aqueles que estiveram na Copa de 1998 na França. E nenhum jornalista quis fazer essa pergunta para o Ronaldo na sua entrevista de despedida. Afinal, o que aconteceu na concentração brasileira antes do jogo decisivo contra os franceses? Que tipo de mal estar o afastou da grande final?

Fora do roteiro na fala da aposentadoria nesta segunda-feira só a revelação de que descobriu no Milan sofrer de hipotireoidismo, doença que desacelera o metabolismo e o faz engordar. Ronaldo teve que conviver com excesso de peso porque não podia tomar hormônios ou outros medicamentos adequados, todos com substâncias proibidas pelo controlo antidoping da Fifa. Dependendo apenas de exercícios físicos para emagrecer o suficiente para que pudesse entrar em campo, Ronaldo não agüentou as dores do esforço. O corpo não obedecia mais aos comandos do cérebro.

Atualizando: "Ou o Ronaldo está enganado ou foi mal orientado. Não há qualquer proibição de fazer o tratamento. Bastaria ter enviado um relatório aos órgãos competentes, com o comprovante dos exames, e seria liberado para usar os hormônios, sem qualquer risco de antidoping". Do médico gaúcho, João Zanini, especialista em controle antidoping

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Imperador da encrenca


A presidenta (como quer a nossa Dilma) da Roma, Rosella Sensi, espera Adriano para uma conversa séria, talvez a última. Adriano tem se revelado como um dos maiores encrenqueiros do futebol brasileiro. Só não deixa prá trás Almir, “O Pernambuquinho”, como era chamado, e que atuou na década de 60, porque não briga (ainda) em campo. Revelado pelo Vasco, jogou no Santos e Flamengo e gostava de uma boa confusão nos gramados. Uma de suas menores façanhas foi acabar com uma decisão do Carioca entre Flamengo e Bangu, provocando a expulsão de sete jogadores. Nos bares e na noite, não tinha pra ninguém, era arriscado enfrentá-lo.

Voltando ao Adriano e seu currículo exemplar: bate em mulher, é baladeiro, beberrão, amigo de traficantes e inimigo da sua própria carreira, está próximo da rescisão do contrato com a Roma. Apesar de ter sido liberado para se recuperar no Rio de Janeiro de uma cirurgia no ombro, o Imperador não resistiu às tentações da corte na Cidade Maravilhosa. Após uma noite festiva, caiu em uma blitz, negou-se a soprar o bafômetro e teve sua carta de habilitação apreendida.

De volta ao Brasil, é bem provável que chovam convites de grandes clubes. Os departamentos de marketing e dirigentes equivocados estão aí pra isso. O próprio Adriano, repatriado a primeira vez depois de juras de amor ao Flamengo, é a figura mais emblemática entre alguns jogadores marcados pela fidelidade à crônica policial e às atividades extra campo.

Há pouco o Grêmio foi atrás do Carlos Alberto, freqüentador assíduo do departamento médico, e que saiu do Vasco pela ameaça de agressão no vestiário ao presidente do clube, Roberto Dinamite. É a mais fina flor da encrenca de chuteiras, no seu caso de chinelinhos. Outro que foi e voltou, e parou no Vasco, é Felipe, também já afastado do time. Não faltarão pretendentes.

Ronaldinho Gaúcho recupera sua forma treinando na noite carioca. Como diria aquele famoso colunista social de Floripa, dos tempos do saudoso O Estado, Ronaldinho foi visto em bares, boates, escolas de samba e restaurantes famosos do Rio. Com o seu rico dinheirinho, portanto, com todo o direito, acaba de comprar mansão na Barra por R$ 20 milhões. Piscina, quadras de tênis, boate, uma academia subterrânea, um número não revelado de suítes e outros penduricalhos, conferem a Ronaldinho a certeza de descansos reparadores após desgastantes treinos e jogos.

São muitos e variados maus exemplos. Estes são apenas os mais recentes. Sei que todo mundo merece uma chance, mas como bom discípulo de São Tomé acrescento aquele antigo, mas sempre atual ditado gaúcho: “cachorro comedor de ovelha, só matando”.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Má educação


Dunga: destempero fashion

O que já foi muito prazeroso, hoje virou um grande sacrifício, ainda mais quando se trada de dose dupla. Ver exibições de duas seleções brasileiras em um mesmo dia mistura sofrimento com desencanto, em cima da constatação de que realmente nosso futebol hoje não é mais o melhor do mundo.

Descontadas as bobagens da mídia, que tratou o jogo contra a França como revanche, as análises pré, pós jogo e mais uma derrota, foram satisfatórias, a maioria reconhecendo a falta de técnica apurada e ausência de talentos nos nossos times. Robinho, por exemplo, ganhou faz tempo o apelido de tri-atleta: pedala, corre e nada.

Faltou dizer que atualmente somos um bando de desequilibrados, com algumas adesões entre os jornalistas que trabalham com o esporte, especialmente o futebol.O que nos coloca como ex-melhores do mundo, e o que precisamos reconhecer urgentemente.

A quarta-feira foi uma overdose de futebol e seleção, varando a madrugada de quinta com a sub-20 após campeonatos estaduais e a estréia do Fluminense na Libertadores da América. O Nei Franco no Sul Americano no Peru faz milagre com os garotos e podemos considerar um feito nossa classificação para a Olimpíada de 2012 em Londres. Se ela for confirmada diante do Uruguai, claro.

É fácil constatar semelhanças entre as duas seleções brasileiras que foram a campo na quarta-feira e madrugada de quinta: a escassez de talentos e o destempero de jogadores, jovens como o zagueiro Juan, principal responsável por aquela derrota contra a Argentina, e do experiente Hernanes, autor da criminosa botinada em um pacato e habilidoso jogador francês. A expulsão merecida dos dois desequilibrou os times e prejudicou o trabalho de Nei Franco e Mano Menezes.

Basta observar jogos nossos de quase todo o dia em qualquer divisão, seja em que campeonato for. O jogador brasileiro tem obsessão pelas arbitragens. Reclama de tudo, todo o tempo, briga com os adversários, cai a qualquer encostada e pede aplicação de cartão com a autoridade por ninguém outorgada de controlador do jogo.Uma rigorosa aplicação da regra deixaria poucos em campo ao final dos 90 minutos.

Observando o comportamento dos treinadores desde as divisões de base vamos concluir que boa parte deles faz tudo errado no trato com jovens promessas do futebol. Essa falta de educação tem origem nos primeiros passos nos gramados A base da metodologia aplicada é gritaria e palavrão, praticamente um incentivo a comportamentos deturpados no futuro. Parece mais fácil contestar o apito do que jogar bola. Deve ser isso mesmo quando falta talento. Dentro e fora do campo.

TCU pega trenzinho fora dos trilhos

A Copa de 2014 no Brasil e a Olimpíada de 2016 vão dar muito pano pra manga, ou muito trabalho para o Tribunal de Contas da União e outros órgãos fiscalizadores que estiverem dispostos a conter a sangria nos cofres públicos. O blog do José Cruz, um jornalista vigilante que mora em Brasília e faz excelente trabalho para a UOL, tem publicado várias irregularidades já constatadas em projetos e orçamentos para a Copa e Olimpíada. Cruz reproduziu nesta quarta-feira parte da matéria do Correio Braziliense, do repórter Lúcio Vaz. Sintam o tamanho do rombo em apenas uma das obras que envolvem mobilidade urbana na capital federal. É lá que mora o perigo.


Primeiro relatório do Tribunal de Contas da União mostra que orçamento do Veículo Leve sobre Trilhos, em Brasília, saltou de R$ 364 milhões para R$ 1,55 bilhão, quase cinco vezes mais...
Há "indícios de fragilidade" na estrutura do Ministério do Esporte para fiscalizar obras, segundo o TCU.
“Estouro significativos em orçamentos, falta de transparência em atos do governo, graves irregularidades nos projetos, atraso no início de obras” ...

Aí está, em resumo, o primeiro relatório do Tribunal de Contas da União sobre os preparativos das 12 cidades-sedes para a Copa do Mundo de 2014.

O documento será apresentado nesta quinta-feira pelo ministro relator, Valmir Campelo. Porém, o repórter Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, leu o relatório e produziu reportagem, que está hoje no principal jornal da capital da República, com o seguinte título "Bola fora nas obras da Copa".
Repetindo 2007

Diante das evidências, os riscos de superfaturamento são enormes. A ilegalidade poderá vir com termos aditivos contratuais, contratos emergenciais e aportes desnecessários de recursos federais. Tal qual já se viu, há quatro anos, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Ministério omisso

Há mais de um ano o governo federal firmou matrizes de responsabilidades, fixando as competências da União, Estados e Municípios envolvidos com a preparação da Copa 2014. Sobre isso, assim se manifestou Valmir Campelo.

“As matrizes de responsabilidades não estão sendo rigorosamente observadas pelos diversos entes federativos envolvidos no evento, dado que existe divergência nos valores previstos e descumprimento de diversos prazos determinados".
E acrescentou:

“Esse fato indica possível fragilidade no processo de acompanhamento por parte do Ministério do Esporte, característica que dificulta muito as ações de controle".

Até hoje, por exemplo, Orlando Silva não enviou ao TCU as matrizes de responsabilidades para as obras nos portos e aeroportos, firmadas há um ano, "dificultando a transparências das ações", afirmou Valmir Campelo.

Como se observa, o Ministério do Esporte, sob o comando de Orlando Silva, repete, na prática, a estratégia fracassada do Pan 2007, quando não respondia em tempo hábil os questionamentos do Tribunal de Contas.

Orlando Silva, o único ministro do governo Lula que pediu, brigou, insistiu para continuar no governo, foi designado pela presidene Dilma Rousseff para comandar as obras públicas da Copa de 2014.

Superfaturamento

Segundo a reportagem de Lúcio Vaz, “o projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília, por exemplo, tinha orçamento de R$ 364 milhões na Matriz de Responsabilidades. No entanto, o contrato firmado com o consórcio Brastram tem o valor de R$ 1,55 bilhão.”

Além disso, uma fiscalização concluída em dezembro do ano passado indicou graves irregularidades na obra do VLT de Brasília, com apenas 2% da obra concluído. A obra está paralisada e o contrato suspenso.

Voltarei ao assunto, pois há informações importantes sobre os investimentos em mobilidade urbana, estádios e aeroportos. (José Cruz)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O samba do crioulo que não tem nada de doido


Enquanto o Secretário de Turismo do Município, o vereador Márcio de Souza, acena com auxílio do Estado para a Escola de Samba Grande Rio, o governador Raimundo Colombo diz que hoje as prioridades do seu governo são outras. A homenagem a Florianópolis no samba enredo da escola carioca, sugere o governador, deve merecer a atenção de instituições privadas, e não de órgãos públicos como quer Márcio de Souza.

Tomara Raimundo Colombo não esteja jogando para a torcida e sua fala seja verdadeira. Aqui também temos nossas tragédias. Com a pindaíba das escolas estaduais, da segurança pública, dos hospitais e a carência de outras necessidades básicas do povo catarinense, é ação perdulária e criminosa desviar recursos para socorrer o carnaval do Rio de Janeiro.

Pode ser que o criativo vereador Mário esteja se inspirando em acontecimentos locais que nos aproximam um pouco dos cariocas. Como a fuga em massa da Penitenciária (aquela que ia ser desativada) na segunda à noite, quando 79 presos transformaram os morros da Agronômica e adjacências em rota de helicópteros e de um grande aparato da Polícia Militar.A operação de recaptura foi até tarde da noite e seguiu agora pela manhã. Morador do bairro, cercado por toda esta zoeira, me senti um carioca, mas nem por isso obrigado a contribuir com suas escolas de samba. Quase pedi asilo na casa de amigos,isto sim.

Quer dizer, é uma demanda que não compete ao Governo do Estado atender, como também não deveria ser dos cofres municipais, já suficientemente combalidos graças a eventos fantasmas e que custaram o olho da cara para os cidadãos de Florianópolis, incluindo por último a grana preta que já foi para a Grande Rio em troca da “homenagem”.

Aliás, foram o tino administrativo do Prefeito (?) Dário ou cofres vazios as razões para a antecipação do pagamento do IPTU de 2011?

Agora o oportunista Márcio de Souza está atravessando o samba. Ou quer virar discípulo de Sérgio Porto, o carioquíssimo Stanislaw Ponte Preta e criador do Samba do Crioulo Doido, paródia consagrada pelo grupo Demônios da Garoa. Lembram de um pedacinho da letra? “Chica da Silva obrigou a princesa Dona Leopoldina a casar com Tiradentes, eleito Pedro Segundo e proclamador da escravidão junto com o Padre Anchieta”.

O triste é que um dia eu votei nesse cara.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Prazos de validade

O futebol nosso de cada dia já pregou sua primeira grande peça mal começou a temporada. Os torcedores do Avaí, com os corações aos pulos e bandeiras enroladas, assistiram o vexame nas primeiras rodadas do campeonato. O time vai para o clássico mostrando alguma evolução. Só isso. Talvez seja o bastante para uma torcida que vive assombrada por fantasmas que dividem espaço no vestiário e salas da administração e comissão técnica. O susto de 2010 não serviu de lição.

Na contramão dos temores avaianos está o Figueirense, até aqui o maior favorito para ganhar o campeonato. Mantendo 80 por cento do time que subiu para a primeira divisão em 2010 ficou muito mais fácil colocar o alvinegro-tricolor entre os primeiros. O maior adversário, se o Avaí não se arrumar, está em Criciúma, não em Chapecó.

O Avaí parece o Corinthians, diferenciado pela inexistência de um ídolo do tamanho, sem trocadilho, do Ronaldo. A chamada fiel torcida perdeu a paciência depois de assistir as pífias apresentações do outrora fenômeno. O próprio Ronaldo não está respeitando seu passado, em nome de uma falsa idolatria que não resiste ao peso de tanta falta de mobilidade e ineficiência.

E atenção flamenguistas. Aproveitem o Campeonato Carioca com aqueles timecos que estenderão o tapete vermelho para o ex-craque Ronaldinho. Já não tem o Maracanã, mas tem as noites cariocas e as escolas de samba. Depois vem o Brasileirão de muitos jogos e muitas viagens. Aproveitem a festa e o oba oba da mídia brasileira. As enganações e unanimidades suspeitas têm prazo de validade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A outra muralha da China


Quer viver seguro na nossa amada e idolatrada cidade? Faça como os chineses de Yuhuan. Inspirados nos antigos imperadores construíram uma muralha em torno da sua aldeia. Eu ainda acrescento uma sugestão: uma ponte elevadiça sobre um fosso cheio de crocodilos do Nilo, os mais ferozes, segundo os entendidos. (foto do site globo.com)

domingo, 30 de janeiro de 2011

(In)segurança


Não gosto de comparações. Mas, diante do relato do amigo Áureo Moraes no Blog do Canga,sobre o assalto em um posto de gasolina próximo a Cacupé, acho importante fazer o registro do que testemunhei em Rainha do Mar. Como já relatei em outra postagem, Rainha é uma pequena praia gaúcha tipo a Daniela, onde passei duas semanas na casa de uma irmã, na Avenida Beira Mar(foto).

Lá, como se sabe, existe a Brigada Militar, semelhante à nossa PM. Além do policiamento interno e na praia feito por brigadianos vestidos à rigor – boné, um colete sobreposto a uma camiseta de manga curta, bermuda e sandálias – existem viaturas e motos que circulam o dia inteiro pelas ruas do balneário. Perdi a conta de quantas vezes no tempo em que estive lá, tirando o carro da garagem ou sentado no varandão, acenei para os policiais que passavam na frente fazendo a ronda.

E quando iniciei de carro às seis da manhã minha viagem de volta, na ultima sexta-feira, passei por duas viaturas da BM no trajeto de mais ou menos 10 quilômetros entre Rainha do Mar e Capão da Canoa, saída para a duplicada BR-101 do RS. Isso no comecinho da manhã, meu amigo.

Não tenho números para confrontar o que acontece lá e aqui. No entanto, pela ausência de noticiário na mídia gaúcha (RBS) de ocorrências policiais graves, e pelo que testemunhei, a presença ostensiva do policiamento naqueles balneários deve fazer a diferença.

E digo ao Áureo que há quatro anos, quando morei no Campeche, em rua totalmente habitada, próxima ao supermercado Dezimas, tive a casa invadida no meio da madrugada enquanto dormia. O sujeito já subia a escada quando o alarme o pôs pra correr. Em outro incidente, numa festa na mesma casa, tive que botar pra fora dois “invasores” que decidiram então apedrejar os carros dos meus convidados. Com a chegada da PM – não lembro quanto tempo depois por causa do nervosismo no momento -, comentei sobre a sensação de insegurança. Como resposta ouvi de um dos soldados: “vá se queixar para o governador”.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Enganação e vigarice

Pago , e caro, para ser sócio do PFC, o pay per view da NET. Comprei faz tempo as duas séries do Campeonato Brasileiro e o Campeonato Catarinense. Neste sábado (29), fui surpreendido ao ver na tela a transmissão do jogo entre Atlético Goianiense e Goiás, por suposto, do Campeonato Goiano. O que eu tenho a ver com isso? Esperava assistir a melhor partida do dia do nosso campeonato, o confronto entre Joinville e Chapecoense. Fiquei chupando o dedo e ainda obrigado a ouvir as explicações completamente estapafúrdias da senhorita Franciele, do atendimento NET. Se alguém resolveu não fazer a transmissão deste jogo, a RBS, claro, não quero saber. Fiquei no prejuízo e com cara de bobo na frente da tevê. Pior: vou ter que reclamar para o bispo porque a NET, a quem eu pago, se omite e joga a pá de cal dizendo que é problema da Globo, da Bandeirante, da Globosat sei lá mais de quem.

A Copa de 2014: verdade ou mentira?


O velho e inservível Mané Garrincha dará lugar a um novo elefante branco

Estamos a menos de três anos da Copa de 2014 e nada. O Brasil não se mexe ou faz pouco para receber um evento de tamanha importância e visibilidade. O mundo vai virar nosso país do avesso, como acontece com todas as sedes de Copa. Procuramos por boas notícias, mas está difícil.

Até agora quase nada se fez em relação aos estádios brasileiros, nenhum deles está pronto para receber equipes, jornalistas e público. Aqui, por exemplo, Ressacada e Orlando Scarpelli tiveram suas capacidades limitadas a 10 mil pessoas enquanto não sejam colocadas câmeras de segurança. São praças esportivas da cidade que um dia pensou em ser uma das sedes da Copa.

O pior obviamente não está em Florianópolis, cujo aeroporto se iguala a uma rodoviária das mais xinfrins. Em Porto Alegre o Beira Rio só teve demolida parte de suas arquibancadas mais próximas ao gramado. E ainda se discute quem paga a conta. Obras no aeroporto? Em Curitiba não se tem notícias sobre arranjos para a Copa e em São Paulo Ricardo Teixeira e sua rixa com o São Paulo transferiram a responsabilidade para o Corinthians e um imaginário estádio no bairro de Itaquera. Congonhas e Guarulhos seguem como dantes. Temos visto a mobilidade urbana paulista a cada tormenta de fim de tarde.

Nossa mui querida e estimada Brasília, a capital da fantasia, foi premiada com o projeto de um novo estádio para 70 mil espectadores, no lugar do desde sempre inútil e atualmente defasado Mané Garrincha. Com certeza vão importar torcedores e clubes dos estados vizinhos. Hoje não conseguem encher nem a modestíssima “Boca do Jacaré”, em Taguatinga, do time do ex-Senador Luís Estevão, agora administrando uma lavanderia. Custo do futuro elefante branco? Baratinho, R$ 1 bilhão.

No Rio a nova reforma do Maracanã está estimada em R$ 700 milhões. Não incluam neste montante os custos com a reforma da cobertura – a velha comemora 60 anos bem vividos -, cujo orçamento ainda não foi divulgado. Talvez para não matar de susto o povo carioca. A Controladoria Geral da União (CGU) garante que está de olho. Não quer mais tarde outra reforma por determinação do Comitê Olimpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016. E o Galeão, gente, o que é aquilo? Chamam de aeroporto. O Tom Jobim não merece. Pode ser que mais uma dúzia de novelas da Globo consigam nos fazer crer que o Rio de Janeiro ainda é o que foi.

E paremos por aqui, contando por enquanto apenas com o otimismo do Ministro do Esporte, Orlando Silva, que a cada aparição diz aos brasileiros que caminhamos a passos largos para uma bem organizada e tranqüila Copa do Mundo. Convertidos a São Tomé, os principais jornalistas do Rio e São Paulo resolveram deixar de lado o regionalismo bobo e inconseqüente para mostrar a realidade a leitores, ouvintes e telespectadores. E está criada uma espécie de bolsa de apostas: ganha quem acertar de onde virá a primeira boa e verdadeira notícia sobre os preparativos para a nossa Copa.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Futuramente


Notícias do dia no DC. Futuramente o aterro da Baía Sul servirá apenas para atividades culturais. Não sei que espaço de tempo significa “futuramente” nem o que pretendem dizer com “atividades culturais”. Depois que autoridades omissas e coniventes deixaram aquela área se transformar num muquifo e berçário para todo o tipo de transgressões fica difícil acreditar em qualquer promessa ou projeto. Quando se fala de cultura, então. O Centro Integrado de Cultura e o cineminha do Gerlach estão lá, obras praticamente paralisadas, documentos fresquinhos, recém saídos dos fornos alimentados pela omisão e incompetência.

O simples fechamento da avenida Paulo Fontes já é motivo para confusão, ainda que tenha facilitado aos pedestres o acesso ao Mercado Público e deixado o local mais parecido com uma área de lazer e entretenimento. Meia dúzia de ranhetas não entendem assim porque precisam rodar algumas quadras para ir aqui ou ali e não podem gastar um pouco mais de tempo e combustível.

Não vamos nos esquecer do outro aterro, bem pertinho, bastando atravessar o túnel Antonieta de Barros. Aquilo lá passa pelo mesmo processo. Por enquanto não tem merdódromo, camelódromo, kartódromo, sambódromo, terminais de desintegração, garagens de ônibus...Por enquanto. Futuramente não se sabe.

Que tal um parque, de frente para o mar, tudo arborizado, espaços para caminhadas, ciclovia, quadras de esporte, bares à beira d’água, um belo restaurante, todo envidraçado, de culinária diversificada, com a segurança de um posto policial ativo 24 horas? Estou sonhando. Ninguém dá bola para aquela imensa área desocupada. Quer dizer, ninguém não. Já tem gente de mau gosto pensando em prédios para um Centro Administrativo. Se não me engano um sujeito que se diz prefeito de Florianópolis.

Voltando para o lado de cá a bronca, diz o noticiário, é com a União, dona do pedaço. Enquanto isso Camelódromos e Cestões ficam por ali mais três anos. Três anos? Junto com aquele centro de convenções, construído a custa de sonegação de impostos e acertos até hoje mantidos sob o tapete. O mesmo tapete que por décadas forra corredores e gabinetes do Paço e da Câmara Municipal.

Vale lembrar o portal turístico que empesta a cidade daquele cheiro desagradável. E a rodoviária, outro portal e primeira obra no aterro abandonada pelo poder público. Apesar de tudo futuramente, dizem otimistas e/ou mentirosos, poderemos desfrutar do aterro da Baía Sul como merecemos. Futuramente...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tô nem aí



Morro dos Cavalos: nada sério para Delfim e o Dnit

O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto Filho, desconhece as regras mínimas ditadas pelo bom senso e não está nem aí para o que acontece no seu Estado. Pior que ele, só o Dnit. Caso contrário teria transferido a rodada inteira do Campeonato Catarinense, quem sabe para segunda-feira à noite. Com parte de Santa Catarina sofrendo com os estragos provocados por enxurradas, incluindo a interrupção da BR-101, não só não tomou nenhuma providência como ainda teve a pachorra de se vangloriar que correu tudo bem, acrescentando mais um episódio grotesco à sua lamentável e interminável gestão.

Delfim ignorou os problemas sérios nas sedes dos jogos. No Sul, Criciúma e Imbituba, por causa do deslizamento no Morro dos Cavalos. Não deu bola para as dificuldades de Blumenau, Itajaí e Joinville. Dirigentes, jogadores, equipes de arbitragem e jornalistas domingo foram obrigados a botar o pé na estrada e na lama, circulando pelo Estado com o risco de algum acidente grave. E por fim, lixe-se o torcedor, impedido de acompanhar seu time nos estádios. Como o santo do homem é muito forte, capaz de protegê-lo de uma tragédia e ainda fortalecê-lo em futuras eleições, ninguém reclamou, como é de praxe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Calça de veludo, bumbum de fora



Notícia que vem do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anuncia a escolha do Centro Esportivo Crystal Palace, em Londres, como local para treinamento das equipes brasileiras. Uma maravilha. Teremos pistas de atletismo, piscinas, ginásios, campos, quadras e salas de musculação, todas de alto nível, que servirão para a concentração das equipes até a ida para Vila Olímpica.

Os atletas devem chegar a Londres um mês antes das competições. Depois do inicio dos Jogos, o centro esportivo abrigará todos os membros da delegação brasileira não credenciados para a Vila Olímpica, entre eles médicos, auxiliares técnicos, treinadores, fisioterapeutas, sparrings e membros do departamento de Ciência do Esporte. Será, como diz o próprio COB, uma espécie de quartel general do Brasil na capital inglesa.

Até aí tudo bem. Problema é que a um ano apenas da próxima Olimpíada não se ouve falar da preparação em solo pátrio das nossas equipes. Desconfiamos da condição que elas ostentam atualmente. A do handebol masculino, por exemplo, assusta. Acaba de encerrar sua participação no Mundial da Suécia com cinco derrotas nos cinco jogos disputados. O basquete é uma incógnita nos dois naipes. Na quadra nossas esperanças, como sempre, estão concentradas nos homens e nas mulheres do voleibol. Nas modalidades individuais torceremos por medalhas aqui e ali no judô, natação e atletismo. Ah, tem o futebol, agora com o Nei Franco, profissional conhecido e competente. Quem sabe a primeira medalha olímpica brasileira neste esporte esteja a nossa espera na Inglaterra. É cedo demais para alimentar esperanças. Recém estamos passando pela classificação sul americana.

Do jeito que vamos o Crystal Palace pode significar pouco. Chegaremos a Londres com uma delegação dispondo de equipamentos esportivos modernos, mas servindo equipes mal preparadas e sem potencial sequer para uma representação que justifique presença em uma Olimpíada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SEGURANÇA

Aqui em Rainha do Mar, onde estou, tem policiamento na praia, guarita com salva-vidas e banheiros químicos. Rainha é um balneário mais ou menos do tamanho da Daniela. Curioso, interpelei dois policiais vestidos à rigor: bermudas, um colete sobreposto a uma camiseta de mangas curtas e sandálias. Pertencem à Brigada Militar (nossa PM) do interior gaúcho e na temporada reforçam o policiamento das praias. Só Rainha do Mar conta com uma viatura e uma moto e há policiamento a pé e em duplas também nas ruas internas. Tudo muito simples e eficiente, empobrecendo a crônica policial do litoral gaúcho.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

VOLTANDO (ou perguntar não ofende)



A Rainha do Mar, vista do mezanino doméstico

É uma tentativa. Ainda que para poucos leitores. Ou mesmo nenhum. A cabeça precisa trabalhar, os assuntos estão aí, mexendo com todo mundo, com qualquer cidadão que tenha um mínimo de interesse pelo que acontece à sua volta.

Florianópolis parece a Sbórnia, terra natal da dupla do espetáculo Tangos & Tragédias, o maestro Plestkaya e o violinista Kraunus Sang.. Ronaldinho virou cidadão carioca. Já começa a ser disputado pelas escolas de samba do Rio, rivalizando em atenção com a catástrofe da serra fluminense. Os morros derretiam e soterravam centenas, mas dirigentes do Flamengo não tiveram a sensibilidade para suspender a festa. De futebol mesmo, nada por enquanto. Não é assunto prioritário para o Gaúcho. Felizmente tem o Neymar para contrabalançar a ausência de talentos e de bons assuntos no esporte. Chega de Ronaldos, dentuços ou gordos.

Acompanho tudo à distância, de uma praia gaúcha chamada Rainha do Mar. De mar achocolatado, de água gelada. Vale o sossego de um lugar pequeno, sem a tranqueira da nossa temporada. É comer comidinhas caseiras, caminhar à beira mar, ler, desfrutar do convívio familiar e dormir o sono tranquilo embalado pelo barulhinho bom do vai e vem das ondas.

Em fevereiro estarei de volta à cidade. Até lá veremos a quantas andarão time C do Avaí , a empolgação dos torcedores do Figueirense e o resultado do pacotaço de contratações. A nova Beira Mar (a nossa, por que a do outro lado virou mais uma Berguice) estará pronta? O prefeito Dário reapareceu? A canalhice municipal foi penalizada? O Riozinho esvaziou? A segurança aumentou? O norte da ilha desafogou? Terminou a briga por cargos? Duvi-de-o-dó.

sábado, 2 de outubro de 2010

O futebol (e o país) dos interinos



Comecemos pela terrinha com o Avaí pós Silas, Chamusca e Antônio Lopes. Os dirigentes e a parceria, com o time ladeira abaixo, optaram por pelo Edson dos Santos, que não quer mais ser chamado de Neguinho, como era conhecido nas divisões de base. Talvez pela pompa que ele pensa ter seu cargo atual, apesar de toda hora atender pelo cognome de interino.

O Ceará teve PC Gusmão, Estevam Soares e Mário Sérgio. O quebra galho da vez é Dilma Filgueiras, até então supervisor. O Grêmio Prudente experimentou Toninho Cecílio, Antônio Carlos, Marcelo Rospide, e agora vai levando com Márcio Barros, uma espécie de faz tudo no clube.

Não é só a turma de baixo da tabela que entrega o pepino na mão de interinos. O São Paulo atacou de Sérgio Baresi e o Santos depois do furacão Neymar tenta melhorar o clima com Marcelo Martelotte.

Alguns provisórios viram permanentes, como aconteceu com o Andrade ano passado, e que acabou campeão brasileiro pelo Flamengo.Aqui temos um caso raro de interino vencedor substituído por outro interino, o Rogério Lourenço, recentemente demitido e substituído por Silas, pelo jeito com prazo de validade bem curto.

Por sinal ninguém tem um centro de treinamento, o popular CT, com nome tão apropriado como o do Flamengo, o "Ninho do Urubú". Alí a crise é grande e permanente, nada de interinidade. Ha sempre carniça à disposição. Nem o Zico resistiu.

Hoje são cinco clubes (25%) entregues aos quebra galhos justo na reta final da principal divisão do Campeonato Brasileiro. Nada de espanto. Afinal, até na política e no comando do país se pratica a interinidade. Se eleita, Dilma Rousseff ficará presidente enquanto o verdadeiro titular do cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, tira umas férias e prepara sua volta para daqui quatro anos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Panfletinho básico 2, a enganação

Os marqueteiros deveriam se envergonhar do produto final. A festa da democracia brasileira é uma enganação. Nenhum candidato, de todos que vi e ouvi até hoje, apresentou alguma coisa parecida com um programa de governo. Dilma, Serra, Marina e o franco atirador, Plinio Sampaio, me mandaram mais cedo pra cama e para a leitura de “O burgomestre de Furnes, um dos livros de Georges Simenon sem o inspetor Maigret que ainda não tinha encarado, no bom sentido. Da sono, quando não provoca náusea, assistir aquele bando de marionetes fazendo jeito de gente do bem.

Não houve jornalismo, faltaram jornalistas, repórteres, embora isenção seja um produto raro hoje em dia na profissão. No fim dá tudo na mesma. Ninguém chama ninguém pra briga, ninguém faz pergunta fundamentada em algo consistente. Exemplinhos: prometer mil quilômetros de hidrovia para um Brasil desse tamanhão. Brincadeira. Nós, que estamos há mais de dezesseis anos esperando pela duplicação de míseros 249 quilômetros na 101 sul, sabemos o que é promessa não cumprida. Palavra não mantida por Fernando Henrique e pelo Lula e, talvez, pelo próximo ou próxima. Assim sendo, qual a utilidade deste último encontro (e dá pra chamar de outra coisa?) entre os candidatos antes da eleição?

Serviu, certamente, para o nobre exercício do palavrório inútil de alguns jornalistas políticos, verdadeiros porta vozes das empresas que defendem, façamos justiça, com grande competência. A chatice acaba repetida no day after. Tem uma perua emproada da Globo News, que aparece todo o dia com a perna cruzada sempre para o mesmo lado. Deve ter a coxa colada. A moça merece o troféu abobrinha do comentário político. Seu esmero na obviedade só tem comparação na escolha dos figurinos para suas inúteis aparições diárias.

O triste é que não seremos poupados caso haja segundo turno. O martírio vai continuar com a mesma fórmula, os mesmos personagens. Quem sabe até lá haja tempo para modificações, por menores que sejam, pelo menos na apresentação de algum conteúdo que me faça acreditar em dias melhores para o estado e o país.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Panfletinho básico



Acordei de mau humor. Primeiro pelas dificuldades impostas a mim nos últimos meses por todos os segmentos públicos e privados responsáveis pela saúde do cidadão. E ultimamente, com a proximidade de uma eleição complexa. É desanimador o que tenho acompanhado da política e dos políticos. Não vale a pena votar, eleger gente que mais adiante não te dá nenhum retorno no mínimo que se exige de um ocupante de cargo público, eleito pelo povo em uma nação dita democrática.

O último debate (?) promovido pela RBS na terça-feira à noite foi patético. A começar pela cobertura dos profissionais da própria rede. A não ser pelas cobras criadas do jornalismo político, no mais tive que ouvir uns pirralhos sem nenhum conhecimento não só do assunto, mas principalmente das peculiaridades locais. As perguntas no final tinham a profundidade e o alcance do tipo – “o que achou do debate”? -.

Indigência mental nesse caso é pouco. A proposta de um debate que não é debate já inviabiliza qualquer tentativa para despertar o interesse do ouvinte/telespectador/eleitor. É uma tragicomédia, encenada com competência, e de acordo com a conveniência por candidatos despreparados e desprovidos de qualquer princípio ético. Prova disso são o amontoado de promessas já não cumpridas em governos anteriores pelos candidatos de sempre. Domingo vou teclar números sem convicção, sem nenhuma esperança. Vou às urnas apenas porque tenho a obrigação legal.

O comprometimento moral, de cidadão consciente, ora, isso já empurrei pra baixo do tapete faz tempo. Aliás, pratica fartamente adotada na política brasileira, com o suporte de um sistema judiciário comprometido com o que há de pior neste país onde a ordem e o progresso não representam nada mais do que palavras aplicadas em uma bandeira desrespeitada nos 365 dias do ano.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O cirquinho da CBF



O calendário Fifa com datas para jogos oficiais e amistosos de seleções é divulgado com a antecedência necessária para que as confederações possam adequar seus planejamentos. Parece que a CBF vive completamente divorciada do assunto, como se percebe a cada convocação da seleção brasileira.

Recentemente passamos pelo ineditismo de reunirmos, só para treinos, os escolhidos por Mano Menezes. A turma ficou durante uma semana na Espanha só batendo bola e enfrentando um sub qualquer coisa do Barcelona.

Agora a CBF repete a dose chamando jogadores, inclusive dos times envolvidos na fase decisiva do Brasileirão, sem que estivessem definidos os adversários para duas datas Fifa. Ficamos sabendo, logo depois desta nova convocação, que enfrentaremos duas poderosas seleções, a do Irã 57ª do ranking, e a da Ucrânia, 27ª.

O primeiro jogo, contra os iranianos, será dia 7, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos que, por sinal, tem sua seleção em 90º lugar no ranking da Fifa. Quatro dias depois o circo estará montado em Derby, uma pequena cidade do interior da Inglaterra, reduto de imigrantes ucranianos. A seleção brasileira jogará no pequeno Park Stadium, com capacidade para pouco mais de 33 mil torcedores.

Mesmo com as melhores seleções européias disputando as eliminatórias para a Euro 2012, com um mínimo de planejamento a CBF daria ao Mano Menezes coisa melhor para testar a nova seleção. Sem contar que os jogadores seriam poupados de viagens para os quintos dos infernos e os clubes, três rodadas desfalcados em partidas decisivas, teriam de volta seus craques menos desgastados.

Mas para que servem os clubes brasileiros a não ser para pagar taxas escorchantes à CBF, sustentar espetáculos mambembes e ajudar Ricardo Teixeira a arrecadar milhões de dólares em amistosos caça níqueis?