sábado, 12 de junho de 2010

Vamos aprender com a África do Sul

A festa na África do Sul está bonita, colorida, com o povo mais nas ruas do que nos estádios. O país é lindo, mas de riqueza mal distribuída, parecido com o nosso. E por trás do entusiasmo popular e do que representa um evento desse porte para o continente africano chegamos ao que precisamos entender e tomar como lição para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Os estádios custaram milhões de dólares, bilhões de reais, e não estão cheios. O que fará a África do Sul, de futebol incipiente, com essas portentosas praças esportivas? Os ingressos são caros, a própria Fifa reconheceu depois de perceber o encalhe.

Os problemas de mobilidade urbana transformam em perigoso e demorado rali o trajeto para os locais onde estão sendo disputados os jogos mais atrativos incluindo, é claro, os que terão a participação do país sede, como já aconteceu na abertura entre África do Sul e México.

Não há transporte coletivo, a não ser Vans, a maioria clandestinas, táxi é raridade e o trânsito é caótico. Tem gente da imprensa levando até quatro horas para chegar a um estádio, por mais curto que seja o percurso. Em certos casos é preferível ir a pé, como já fez uma turma da Globo.

O pior por enquanto ficou com a segurança. Os primeiros alvos de assalto foram alguns jornalistas portugueses, franceses, espanhois e chineses, roubados dentro dos próprios hotéis e na rua. É como mosca no mel, graças aos computadores portáteis, máquinas fotográficas e dólares, muitos dólares.

O custo de uma Copa do Mundo não pode ser medido apenas pelos investimentos de infra- estrutura física e sistema de comunicação, por exemplo. A segurança talvez seja um objetivo tão importante quanto as reformas e construção de estádios. Até lá, para não fazer feio e cair na boca do mundo, teremos que assimilar muitas das lições que serão dadas pela África do Sul, para o bem ou para o mal.

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