quarta-feira, 26 de maio de 2010

O mar quando quebra na praia

Foto Duda Hamilton

Foto Maria Garcia



Fui ver de perto os estragos na praia da Armação. Estragos do mar ou do homem? Os proprietários de imóveis na orla deste balneário no sul da Ilha estão hoje sofrendo as consequências de ações imprevidentes, algumas ilegais, e da omissão de décadas das autoridades municipais.

Por três vezes fui morador da Armação, no tempo em que havia praia para banhos tranqüilos e caminhadas, sem o molhe que a separa do Matadeiro e que hoje é um dos motivos para grandes discussões na comunidade. Encontrei um quadro desolador, com o mar derrubando tudo, lambendo a areia que ainda resta de alguns terrenos. Casas recém construídas foram abandonadas, algumas já pela metade, outras com as primeiras rachaduras aparecendo.

A Prefeitura mal deu o ar da graça. Encontrei por lá apenas um peão, como ele mesmo se definiu, “um controlador da logística dos militares”. O que é isso? Não sei. Resposta com a Secretaria de Obras. Se achar o Secretário ou alguém que responda por ele.

O que fazem lá os militares? Um bando de meninos imberbes enchendo sacos de areia para colocá-los na praia, tentativa infrutífera de segurar a força das correntes e da maré, que virá mais alta e destruidora de hoje para amanhã. Os sacos de areia estão indo embora, levados pelo vai e vem das ondas, junto com casas, terrenos, vegetação nativa e árvores frutíferas plantadas por quem cuidou com carinho de suas propriedades.

Moradores andam às tontas pelas ruas e próximos do mar, até onde ainda podem chegar. Não têm a quem recorrer, Seus pedidos de socorro são ignorados pelos órgãos ambientais, um deles a Floram, ligada à Prefeitura. Aliás, ninguém sabe onde anda o prefeito Dário Berguer. Dá pra imaginar. Possivelmente quebrando cabeça para tapar os furos de administrações tetra-campeãs de incompetência e safadeza, dois títulos por São José, dois por Florianópolis. E fomos ameaçados com o penta, caso este cidadão ganhasse na convenção do partido em que se abrigou, a candidatura ao governo do estado. Cruzes.

Voltando ao mar, a falta de projetos de prevenção ou emergenciais para socorro imediato à comunidade pode provocar danos maiores, como a salinização a Lagoa do Peri, por exemplo. Quem mora na aldeia e conhece os caboclos garante que o resultado seria o comprometimento da captação de água com prejuízos sérios ao abastecimento que chega até o leste da Ilha.

“O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito...” (Dorival Caymmi)

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