domingo, 12 de agosto de 2012

Não confundam barafunda com calça rasgada no joelho


No caso da vitória do voleibol feminino do Brasil o chato é constatar que as opiniões mudam ao sabor dos ventos e dos resultados.

Exatamente como acontece com o futebol. Quando levamos3 a 0 da Coréia na primeira fase o mundo desabou sobre as cabeças do tricampeão olímpico José Roberto Guimarães e das atletas. Sugeriram até que a dispensa de Mari tinha sido um erro e que o time estava pagando por este equívoco imperdoável do técnico. Na outra arena, quando chegamos à final com o México parecia que o time de Mano Menezes beirava a perfeição tático-técnica. Com a medalha de ouro, então, seríamos os melhores do planeta, consequência lógica dos resultados enganosos e do imediatismo.

As diferenças que separam o vôlei do futebol, além dos salários irreais estão, em primeiríssimo lugar na postura das comissões técnicas e das jogadoras, e na organização das respectivas confederações. Enquanto no voleibol a base é valorizada desde os primeiros passos, no futebol imperam a malversação de recursos e a falta de planejamento. Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense há um quarto de século não me deixa mentir. Estava em Londres como chefe da delegação e legítimo representante da cartolagem brasileira.

Não se pensa no futuro, tudo é feito de afogadilho, visando o hoje, enquanto o amanhã, representado pela Copa de 2014, chegará somente a seu tempo. Ou seja, quando nossa seleção estiver entrando em campo para o primeiro jogo.

Não podemos esquecer as suspeitas que perseguem alguns treinadores que passam pela seleção do futebol. É uma nuvem negra que ronda cada convocação e escalações subsequentes, uma aproximação perigosa de inter&sses de empresários contaminando o trabalho e os resultados de campo. Sinto coceiras na língua e nos dedos quando percebo a coincidência entre chamados surpreendentes de alguns jogadores & negócios imediatos com clubes europeus.

Além do quê seguimos perdulariamente sem visão de futuro, gastando na construção de estádios. Logo estas obras estarão transformadas - redundância extrema – em elefantes brancos imprestáveis, valendo tão somente como monumentos ao desperdício e à roubalheira que impera neste país sob o comando de maus administradores e políticos corruptos.

Exemplinho fácil: alguém pode conceber um estádio para 70 mil pessoas em Brasília onde o futebol frequenta as mais baixas divisões do Brasileirão? É a realidade do Distrito Federal, onde as torcidas, formadas em sua maioria por “estrangeiros”, só vestem a camisa de times do Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.

Assim é, e assim será, sem pessimismo, mas com realismo diante do quadro atual do esporte brasileiro em quase todos os seus segmentos. Por favor, não confundam o número das medalhas brasileiras nesta Olimpíada como resultado de evolução no preparo de nossas equipes. O Brasil não existe como projeto esportivo.

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