domingo, 3 de julho de 2011

Mentiras e hipocrisia

Morremos e viramos heróis, os melhores, próximos da santidade, dignos de uma lista extensa de homenagens. É assim neste gelado país tropical. Acaba de acontecer com o ex-presidente Itamar Franco.

Basta revirar os arquivos de jornais, matérias de tevê e comentários políticos para desenterrar essa realidade. O Itamar Presidente da República foi achincalhado, chamado de topetudo, graças àquele cabelo revolto e indomável que o caracterizava como uma figura semelhante aos galãs dos anos 50. Quem sabe estivesse aí o charme que teria atraído aquela secretária, razão para tantas intrigas da corte braziliense. Não faltaram fofocas. Ainda teve aquele outro episódio, o da sua acompanhante sem calcinha no camarote do Sambódromo, em um dos tantos carnavais cariocas. Coisa de paparazzi para infernizar a vida do então presidente Itamar, naquele instante em postura incompatível com a liturgia do cargo. Alí, em público, não era lugar para o comandante de uma nação tirar a calcinha da moça.

Morto, virou o homem do Plano Cruzado, o salvador da pátria, o São Jorge do combate ao dragão inflacionário. Os cínicos, seus companheiros ou adversários da época, descobriram no falecido Itamar um grande estadista, um homem íntegro, em solo brasileiro o maior inimigo da corrupção. Só para pontuar: no velório lá estavam, de braços dados, Collor, Sarney e Lula.

São assim essas homenagens aos falecidos, cobertas de contradições, de mentiras e hipocrisia. Ninguém fica nem vermelho ao pronunciar tantas palavras elogiosas, mentirosas e desprovidas de sinceridade. Em vida não valemos nada, essa é a verdade. Fosse possível seria engraçado voltar nas madrugadas feito fantasma para puxar os pés de tantos canalhas.

CORREÇÃO E ATUALIZAÇÃO

O senador e ex-presidente Itamar Fanco é do Plano Real. E, como desgraça pouca é bobagem, seu suplente é Zezé Perrela, presidente do Cruzeiro e um dos cartolas mais mal falados do futebol brasileiro.

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