quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Má educação


Dunga: destempero fashion

O que já foi muito prazeroso, hoje virou um grande sacrifício, ainda mais quando se trada de dose dupla. Ver exibições de duas seleções brasileiras em um mesmo dia mistura sofrimento com desencanto, em cima da constatação de que realmente nosso futebol hoje não é mais o melhor do mundo.

Descontadas as bobagens da mídia, que tratou o jogo contra a França como revanche, as análises pré, pós jogo e mais uma derrota, foram satisfatórias, a maioria reconhecendo a falta de técnica apurada e ausência de talentos nos nossos times. Robinho, por exemplo, ganhou faz tempo o apelido de tri-atleta: pedala, corre e nada.

Faltou dizer que atualmente somos um bando de desequilibrados, com algumas adesões entre os jornalistas que trabalham com o esporte, especialmente o futebol.O que nos coloca como ex-melhores do mundo, e o que precisamos reconhecer urgentemente.

A quarta-feira foi uma overdose de futebol e seleção, varando a madrugada de quinta com a sub-20 após campeonatos estaduais e a estréia do Fluminense na Libertadores da América. O Nei Franco no Sul Americano no Peru faz milagre com os garotos e podemos considerar um feito nossa classificação para a Olimpíada de 2012 em Londres. Se ela for confirmada diante do Uruguai, claro.

É fácil constatar semelhanças entre as duas seleções brasileiras que foram a campo na quarta-feira e madrugada de quinta: a escassez de talentos e o destempero de jogadores, jovens como o zagueiro Juan, principal responsável por aquela derrota contra a Argentina, e do experiente Hernanes, autor da criminosa botinada em um pacato e habilidoso jogador francês. A expulsão merecida dos dois desequilibrou os times e prejudicou o trabalho de Nei Franco e Mano Menezes.

Basta observar jogos nossos de quase todo o dia em qualquer divisão, seja em que campeonato for. O jogador brasileiro tem obsessão pelas arbitragens. Reclama de tudo, todo o tempo, briga com os adversários, cai a qualquer encostada e pede aplicação de cartão com a autoridade por ninguém outorgada de controlador do jogo.Uma rigorosa aplicação da regra deixaria poucos em campo ao final dos 90 minutos.

Observando o comportamento dos treinadores desde as divisões de base vamos concluir que boa parte deles faz tudo errado no trato com jovens promessas do futebol. Essa falta de educação tem origem nos primeiros passos nos gramados A base da metodologia aplicada é gritaria e palavrão, praticamente um incentivo a comportamentos deturpados no futuro. Parece mais fácil contestar o apito do que jogar bola. Deve ser isso mesmo quando falta talento. Dentro e fora do campo.

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