quarta-feira, 8 de julho de 2009

Que bela tijolada

Carta dirigida ao meu amigo Mosquito e publicada no seu blog, o "Tijoladas". Não resisti, tive que arrastar na íntegra pro meu espaço, assinando em baixo deste texto do advogado Edison da Silva Jardim Filho. O Mosquito está sendo processado pela senadora Ideli. Mas que grande cara de pau.

Caro Mosquito,

Você deve perseverar no caminho de denunciar os bandidos e as bandalheiras da política catarinense e florianopolitana! Eu sei como é duro querer que o país evolua para práticas públicas civilizadas como as de países do primeiro mundo cultural e intelectual, quando temos um povo indolente, deseducado, desinformado e despolitizado. É como pregar no deserto… Dá uma tristeza, dá um desânimo.

Para mim, Mosquito, e eu já te falei isto pessoalmente, dois políticos eu coloco no patamar mais alto da traição política: um do Brasil e o outro, do Estado de Santa Catarina. O do Brasil, obviamente, é o Lula. Todos poderiam fazer o que todos costumam fazer, menos o Lula!

Era possível ao eleitor brasileiro intuir, na hora de votar, que o Fernando Henrique Cardoso poderia, como aconteceu, trair as suas bandeiras de luta da vida toda; afinal, é filho de general e, pois, oriundo das elites, acostumadas a pensar só no seu umbigo, regateando sempre o destino glorioso que um país tão afortunado fisicamente como o Brasil, pode e deve dar a todos os seus filhos, independentemente da classe social a que pertençam.

Era possível ao eleitor brasileiro intuir, na hora de votar, que o Fernando Collor de Melo desse no que deu; afinal, vinha de onde veio: o Estado de Alagoas e o nordeste dos coronéis armados, e tinha a origem política que teve: as oligarquias mais atrasadas e, pois, reacionárias do Brasil.

Era possível ao eleitor brasileiro intuir, na hora de vibrar com o feito da redemocratização, que o Tancredo Neves, se viesse a governar o Brasil, seria o mesmo fracasso que foi o José Sarney; afinal, na época em que se cassava parlamentar como se legisla, hoje, por medida provisória, ou seja, aos borbotões, ele, com um discurso grandiloqüente contra a Revolução de 64, nunca foi incomodado pelos generais, da mesma forma como o Senhor Diretas, o eterno guru do PMDB: Ulisses Guimarães. Está aí uma coisa que sempre me intrigou…

Agora, o Lula, não! Nenhum eleitor, nem que fosse o vidente mais clarividente, poderia imaginar que o Lula fosse trair o seu passado glorioso de lutas as mais corajosas e legítimas, uma vez realizado o seu sonho de anos a fio, de chegar à presidência da República Federativa do Brasil.

E o político de Santa Catarina que cravou de forma indelével o seu nome na altura máxima do anti-panteão dos maiores traidores da vontade popular, surpreendentemente, foi uma mulher. Eu sou dos que acham que as mulheres são mais virtuosas do que os homens, e vem daí a sua relutância de fazer política no Brasil de hoje, um lugar reservado- e isto é de domínio geral- à realização dos mais baixos instintos de selvageria predatória, em todos os sentidos. Mas quando a mulher opta por fazer política de maneira dissimulada, é pior, mil vezes pior do que os homens. É o caso da Senadora Ideli Salvati!

Causa estupefação em quem acompanhou a sua atuação como líder sindical, militante do PT e Deputada Estadual, acompanhá-la no exercício do atual mandato de Senadora da República. Arrostou e vem arrostando a ética e a moral ao impedir a instalação de todas as CPIs para investigar as bandalheiras do Governo Lula, através de um discurso que transparecia e transparece, visivelmente, indignação fingida, típica dos hitlers e mussolinis, embora milhões de quilômetros longe do brilhantismo e oratória deles. Defendeu todos os mensaleiros de todos os mensalões do amoral- imoral é pouco- Governo Lula. Beijou e beija o José Sarney de todas as formas… Suspeita de corrupção no caso de desvio endêmico, no Governo Lula, de dinheiro público para as ONG’s ligadas ao PT, não se defendeu convincentemente; ao contrário, tudo fez e faz para esvaziar a CPI das ONG’s. Engoliu e engole todos os sapos, até os mais indigestos que a imaginação humana possa conceber, sempre em nome da governabilidade para fazer mutretas. Age, com uma fidelidade canina, dentro das lindes largas do novo figurino ético e moral traçado pelo seu chefe-todo-poderoso. Só faltou pedir desculpas públicas ao Jorge Bornhausen. Pediu, e eu sei em que episódio!

Tudo o que você falou no seu blog é pouco diante da indignação que deveria inundar a cidadania catarinense pela colossal fraude eleitoral de que foi vítima, perpetrada pela Senadora Ideli Salvati com descaramento tão cavalar que é impossível de vir a ser igualado por algum outro político destas infelizes plagas.

Atualmente, no Brasil, ocorre um fenômeno ímpar, pois eu acredito ser impossível que se repita em qualquer país verdadeiramente democrático do mundo: os políticos não admitem ser criticados no mesmo grau de virulência com que afrontam a soberania popular; o que, no mínimo, é uma hipocrisia desmesurada: defende honra quem a tem, é o que deveria vigorar e a Justiça garantir.

A Senadora Ideli Salvati, tal qual o Presidente Lula, cometeu e comete, a todo o instante, crime de lesa-pátria, por desmoralizar o sistema de representação popular e, por conseqüência, o regime democrático, tão penosamente restabelecido no Brasil.

Um forte abraço.

Edison da Silva Jardim Filho - Advogado Criminalista em Florianópolis - SC

7 comentários:

Sérgio disse...

Essa DESGRASSADA não perde por esperar, que o povo catarinense há de lhe dá o troco.
DESGRASSADA!

Paulo Alexandre disse...

Mário,sou um grande fã seu, mais não é possivel que tu publique coisas de um cara como o mosquito que nem sabe o siguinificado da palavra ''ética'',ou mesmo do Lula posso até concordar com as afirmações do advogado que fez o texto, mais é inegável que a administração do PT foi melhor para o Brasil do que a do FHC e a corrupção todos nós sabemos que semopre existiu no tempo do FHC era muito pior mais o PSDB sempre mascarou tudo, nós sabemos disso, e a Ideli, será que a outro candidato melhor que ela para o nosso estado no próximo ano?????

Amilton Alexandre disse...

Mário , esse moleque (21 anos) era fã do tijoladas, está cheio de comentários elogiosos dele no blog. Até no blog dele listava entre os preferidos. Deve ter recebido um puxão de orelha ou algum interesse contrariado. detalhe não é meu parente.

Luciano disse...

Realmente, que bela e merecida tijolada!

Anônimo disse...

Já tive a oportunidade e o prazer de conversar algumas vezes com o advogado Edison da Silva Jardim. Fiquei impressionada com sua capacidade intelectual para discutir com promazia qualquer assunto que você queira discutir.Quando faz uma crítica, não há contra argumentação. Sua análise política é perfeita, o conhecimento indiscutível. Parabéns a ele, que se mostre mais e se esconda menos. Precisamos muito dele sem dúvida.

Pedro Punn disse...

Acho que falta é aula de português para estes comentaristas acima.

Zezé Jan disse...

Aconselho às pessoas q tanto criticam o a gramática do Mosquito a ler os livros "Preconceito Linguístico" de Marcos Bagno e "Por que (não) Ensinar Gramática na Escola" de Sírio Possenti. Para os preconceituosos lingüísticos gostaria de avisá-los q a universidade hoje debate e rechaça muito a idéia de "erro de português". Alguns autores como os acima citados e ainda Saussure vêm afirmar que a língua é uma convenção social, ou seja, o conceito de certo e errado vai depender da classe dominante, no nosso caso, a classe culta intelectual e a arcaica e ortodoxa Academia Brasileira de Letras. (eles defendem a gramática normativa). A partir desta reflexão autores como Possenti entre outros, propõem uma gramática descritiva do português. Onde se descrevesse o uso das palavras pelo falante e não a determinação do certo ou do errado. Afinal de contas, se os preconceituosos conhecessem um pouco da história do idioma que falam saberiam que o português falado hoje derivou do "latim vulgar", ou seja, do latim falado pelo povo e considerado errado pela elite do Lácio, lugar de onde derivou o Império romano e consequentemente Portugal. Como afirma Marcos Bagno "A língua é um rio (caudaloso, dinâmico, renovador) e a gramática é um lago (estático, parado)
Sabemos que a função das palavras é informar, é produzir significação coerente. Por exemplo, todo mundo compreendeu o significado da palavra DESGRASSADA, enfatizada pelo colega Sérgio. Agora o fato de ter sido escrito com cedilha é porque ele simplesmente não obedeceu ás regras da gramática normativa. Porém esta palavra segue regras que a tornam compreensível. Ocorre é que, além da gramática normativa, existem várias outras, por exemplo: histórica, comparativa, funcional e descritiva. Portanto, talvez até sem saber, Mosquito está fazendo uma revolução contra a gramática tradicional ou normativa. Contra as letras dos poderosos. Querendo interpor a gramática dos desfavorecidos que são a maioria que compõem este país.

PARABÉNS MOSQUITO