terça-feira, 30 de julho de 2013

Copa do Mundo 10, saúde zero - II

"De quem é esse xixi aqui?" "Coletor, pra quê? Não sei onde está, se a pedra sair, joga no lixo". "Deixa a bandeja aí, a senhora vai vomitar de novo mesmo". Pela ordem, frases de uma atendente ao se deparar com uma coleta de urina sem identificação sobre o balcão, de outra ao ser solicitada para retirar uma bandeja suja, e de um médico respondendo à solicitação de um coletor para colocar a pedra que estava para ser eliminada por paciente com crise renal, conforme resultado do exame de ultrassom. Idoso vestindo apenas uma fralda vazada pediu para ir ao banheiro e não foi atendido por ninguém. Com muito esforço saiu da maca enrolado em alguns panos e foi ao banheiro para atender suas necessidades. São algumas situações testemunhadas por quem ficou por 19 horas e meia - das 21 horas de domingo às 16h30 da segunda-feira - na superlotada e imunda emergência do Hospital Celso Ramos, referência em atendimentos de urgência, mas porta do inferno, segundo a precisa definição de um médico que sabe do que está falando. Também vi parte desse descalabro, e mais: as ambulâncias do Samu ficam retidas por tempo indefinido a espera da devolução das macas utilizadas por seus socorridos. O diálogo que ouvi dos motoristas de duas destas ambulâncias é constrangedor, faria corar um frade de pedra. Gostaria que o diretor deste hospital quando viesse a público, não mentisse tanto ao tentar explicar o caos da sua instituição, como tem feito a cada vez que é entrevistado. Os fatos depõem contra qualquer tipo de justificativa e desmentem quem se atreve a tapar o sol com a peneira ou achar natural o mau trato aos enfermos. O povo sofre na mão de quem deveria zelar pela saúde pública.

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