sexta-feira, 21 de junho de 2013

No embalo do Neymar vamos indo


O entusiasmo com o desempenho da seleção brasileira tem sua razão de ser. Nas últimas semanas empatamos com a Inglaterra, ganhamos da França, do Japão, rasgamos a touca mexicana e garantimos antecipadamente uma vaga nas semifinais da Copa das Confederações. O otimismo de torcedores e imprensa é explícito e o jogo deste sábado contra a Itália, acredito, será disputado sem sustos.

Como Luiz Felipe Scolari fala sempre de um time em construção, não custa olhar o futuro com um pouco de cuidado. Se passarmos bem pelos italianos estaremos prontos para um possível confronto com a Espanha campeã do mundo e bicampeã europeia?

Dependemos do brilho da nossa maior estrela. Neymar, através dos seus lampejos de craque, tem mostrado aos investidores do Barcelona que vale o quanto foi pago pelo seu passe. A seleção brasileira bebe dessa fonte de talento e com ela ameniza a seca de jogadores de alto nível em meio a uma safra nada generosa. A produção tem sido baixa e o consumidor externo leva o pouco que produzimos, prejudicando o consumo interno.

É arriscado lembrar o passado até mesmo recente. Vivíamos outros tempos em que não havia um protagonista isolado, uma andorinha solitária fazendo verão. Pelé, por exemplo, tinha um time quase inteiro de jogadores excepcionais ao seu lado. Ronaldo, Zico, Falcão, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo marcaram época. Mesmo o contestado grupo campeão, em 94 nos Estados Unidos não era de se jogar fora. Bastante unidos lá estavam o goleiro Taffarel, os laterais Cafu, Leonardo e Branco, atacantes como Romário e Bebeto. Era um bom time com força de conjunto.

Hoje, a um ano apenas da Copa do Mundo em casa, não temos certeza do nosso potencial. Por enquanto comemoramos resultados isolados com o otimismo que começa a tomar conta das arquibancadas e de alguns microfones. Já escrevi parecido outro dia e reforço com o chavão contido naquele provérbio português: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. 

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