quinta-feira, 20 de junho de 2013

Muito mistério por nada



Um dia inventaram o treino secreto. Não sei quem, nem em que lugar do planeta Terra esse monstrengo foi criado. Zico no Japão, Pepe Guardiola, Mourinho, Alex Ferguson, Mano, Abel, Luxemburgo, Felipão, Parreira, Adilson Batista, algum mal humorado de plantão? E são muitos. Quem afinal teve a infeliz ideia de esconder do torcedor o que se passa nos treinamentos?

A finalidade seria preparar jogadas ensaiadas com esquemas capazes de surpreender os adversários, não importa qual. Poderia ser o Cacimbinhas Futebol Clube ou um campeão do mundo. As novidades deixariam boquiabertos torcedores e jornalistas. Pensou-se, então, em repórteres sherlocks, “fresteiros”, puladores de muros, escutadores de trás das portas e experts em adivinhações. 

Providência inútil. Os mistérios e segredinhos têm frustrado os mais ansiosos por novidades.  Apesar da overdose de frescura o resultado visto após dias de treinamentos às escondidas é o pior possível, igual a nada vezes nada. Os escanteios continuam batidos do mesmo jeito, idem os tiros de meta; as saídas de bola dos goleiros são, geralmente, na base do chutão, e as faltas continuam dependentes de um bom cobrador. Nada surpreende, dado a falta de criatividade, ou de opções, dos “professores”. 

Nos meus tempos de repórter, quando acompanhávamos os treinamentos a qualquer hora, a qualquer tempo, em qualquer lugar, conversávamos com jogadores, com o técnico, preparador físico, presidente do clube, tesoureiro, quem estivesse ao alcance e rendesse um bom assunto, uma entrevista reveladora, provocativa, até. Não era preciso pular muro, espiar pelas frestas. Escutar atrás da porta só com crise no clube. Ou ameaça de demissão do técnico, especialidade brasileira que não mudou até hoje. Por último quero explicar ao leitor que, em função do horário de fechamento do jornal, antecipei a coluna, mantendo em segredo meu comentário sobre o jogo do Brasil contra o México.


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