quarta-feira, 27 de março de 2013

Engenhão é a cara do Brasil nosso de cada dia



A interdição do Engenhão não se trata apenas do simples impedimento da utilização daquele equipamento esportivo, único legado do Pan-2007.  É mais uma demonstração do adiantado estado de putrefação em que se encontra o poder público em todas as suas instâncias. 

A corrupção, a incompetência, a burocracia, e os interesses meramente eleitoreiros de uma camarilha democraticamente eleita – esse é o grande paradoxo do sistema – transformaram nosso país numa verdadeira República das Bananas. Acho até que isso pode ofender algumas nações que não tenham a mesma imponência ou tantos recursos como o Brasil, mas que conseguem garantir aos seus cidadãos um mínimo de dignidade no seu dia a dia.

Aqui é tudo ao contrário do que se imagina, do que se espera da um grande país como gostamos de arrotar para o mundo, não só no futebol. Educação e saúde, base de sustentação de qualidade de vida digna, não merecem o mínimo de atenção devida. Nossos políticos, a começar pela presidente Dilma, andam pra lá e pra cá feito saltimbancos, mas como protagonistas de um espetáculo grotesco visando tão somente a consolidação de alianças que mais adiante vão influir na eleição.

Agora o Rio de Janeiro, sede da próxima Olimpíada e principal reduto da Copa do Mundo e da Copa das Confederações, não tem um estádio decente nem para o futebol. Única sobra do Pan – o resto foi demolido ou está sem condições de uso – o Engenhão, obra de R$ 381 milhões, sofreu interdição por problemas na cobertura. Assim como a corrupção faz com o poder público e a grande maioria dos políticos, a ferrugem está corroendo as estruturas.

Onde vão jogar os clubes cariocas no seu campeonato já sem público, ou em outras competições que vêm por aí como Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro? E a Libertadores, em pleno andamento para o Fluminense? Lembremos que não é só o futebol a modalidade sem teto, e não é só o Rio que sofre com isso. O atletismo tinha ali seu melhor local para competições, já garantido como sede na Olimpíada de 2016. Quem mandou homenagear João Havelange dando seu nome ao Engenhão? É praga rogada.

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