segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Cafajestada corintiana

O departamento jurídico da Gaviões da Fiel, a nada confiável facção da torcida corintiana, prometeu apresentar o autor do disparo do artefato que matou o torcedor boliviano semana passada em Oruro. Trata-se, segundo o advogado, cujo nome não sei nem quero saber, de um menor de 17 anos, que estaria profundamente traumatizado e em estado de choque, razão para a sua não apresentação até agora.

É mais um laranja de mais um episódio trágico em estádios de futebol. Diz a lei brasileira, através do Estatuto do Torcedor que, havendo um boletim de ocorrência com a apresentação do autor do ilícito - nesse caso homicídio -, o clube fica isento de qualquer responsabilidade. Quem paga, então, pelo crime cometido. Um menor providencialmente responsabilizado pela ocorrência, claro.

Aqui mesmo em Santa Catarina já observamos este procedimento corriqueiro e malandro da cartolagem quando sente seu clube ameaçado de punição. Lembram daquele torcedor do Criciúma que teve a mão amputada por causa de um rojão atirado por torcedores do Avaí no estádio Heriberto Hulse? Nada aconteceu, o homem até já morreu de outras causas. Agora chegou a vez do Figueirense apresentar um menor que teria atirado um copo plástico na direção de jogadores adversários. BO, menor de idade, tudo se repete para aliviar ou impedir a punição.

Mas, terminamos por ultrapassar fronteiras, chegamos ao requinte. O que era para ter acontecido no Japão na final do Mundial, acabou acontecendo no interior da Bolívia, no pequeno estádio do San José, graças à truculência de bandidos que se denominam torcedores. Espero que a polícia e a própria mídia não engulam mais esta armação, muito mais séria porque envolve a morte de um menor. Assassinato, chama-se este tipo de ocorrência, e não fatalidade, como querem dirigentes, advogados espertos e torcedores corintianos.

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