terça-feira, 27 de novembro de 2012

Seleção & Cia ilimitada



O jogo das convocações para a seleção brasileira é duro e não muito limpo. Rogério Ceni uma vez comentou o assunto e nunca mais foi chamado. A bola da vez na administração de interesses nem sempre ao alcance do torcedor é Mano Menezes, recém defenestrado por José Maria Marin. Mano convocou 102 jogadores. Segundo levantamento feito por um jornalista de São Paulo, 27 deles são ligados a Carlos Leite, seu empresário. Hulk, a mais estranha preferência do ex-treinador da seleção, não está na lista dos negócios do Leite, mas também nunca caiu nas graças da mídia e da torcida. Vale pelo seu futebol, argumentaria Mano.

Alguns nomes chamaram a atenção, inclusive nosso mané Renan, goleiro do Avaí, que depois foi contratado pelo Corinthians e desapareceu. A surpreendente precocidade da convocação parece que fez mal ao jogador. Cássio, também corintiano como o marido enganado Andres Sanches, transformado em titular por Tite, virou convocável, enquanto Diego Cavalieri só apareceu para enfrentar a Argentina no último jogo do ano, junto com quatro companheiros do Fluminense. Outra atitude estranha do técnico, pois enquanto o Flu disputava o título, não chamou ninguém, muito menos Fred, até então seu desafeto.

Na relação dos empresados por Carlos Leite e convocados por Mano, ainda aparecem os meias Elias (Sporting), Jucilei (Anzhi), Luiz Gustavo (Bayern de Munique), Renato Augusto (Bayern Leverkusen), Fernandinho (Shakthar) e o atacante Jonas (Valência).  Mais cedo ou mais tarde, e depois da seleção, claro, alguns acabaram envolvidos em negociações. A renovação com experiências era uma das tarefas de Mano Menezes, mas nunca com jogadores sem futuro ou envelhecidos. Até o zagueiro Durval, do Santos, apareceu para jogar contra os argentinos, junto com o meia Fellype Gabriel, rejeitado no Botafogo pelo técnico Osvaldo Oliveira e pelos torcedores.

Seja quem for o próximo treinador, não acredito que a seleção fique livre deste balcão de negócios acrescidos dos amistosos vendidos para uma empresa das arábias. Jogar no exterior dá lucro, dizem os cartolas da CBF. Dane-se o torcedor no Brasil, lamentamos nós. O gozado nessa história é  que vender nossos craques para o exterior é imperioso, jogar lá fora, tudo bem, contratar um técnico estrangeiro, nem pensar.

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