quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Acredite, se quiser

Orlando Silva foi o entrevistado do programa Roda Viva desta semana na TV Cultura. Garantiu que o Brasil vai realizar a Copa de 2014. Ulalá, agora estamos tranqüilos. Afinal, o homem é Ministro e do Esporte. Quem manda mais do que ele nesta área no país?

Orlando tentou dar respostas interessantes, embora não tenha trazido grandes novidades em suas declarações otimistas. Apenas promessas mirabolantes. Quando o assunto aterrissou nos aeroportos brasileiros, todos com seus limites esgotados e movimento já 20% acima do previsto,desconsiderou o grande atraso das obras – algumas nem começaram – e prometeu céu de brigadeiro no período da Copa.

Qual a mágica para atender o cronograma e impedir um caos aéreo ninguém conseguiu captar nem o Ministro foi muito claro nas suas explicações. Ficamos com a sua palavra, só ela. Se até lá a Polícia Federal ou algum órgão fiscalizador da União não desapontar o otimista Orlando e atrapalhar seus planos, além de causar um novo constrangimento ao governo da presidenta Dilma. Como já aconteceu nos ministérios dos Transportes, da Agricultura e por último do Turismo. Olha aí, justo o turismo no olho do furacão e virando caso de polícia a dois anos da Copa das Confederações e a três da Copa do Mundo.

Por fim, Orlando Silva tratou de tranqüilizar a imprensa, quando prometeu que ninguém será barrado (empresa ou jornalista)na cobertura da Copa. Ricardo Teixeira fez essa ameaça na entrevista à revista Piauí. Mais forte do que a CBF e a FIFA? A conferir Ministro Orlando.

No entanto a informação mais curiosa da semana não veio de Orlando Silva, mas sim de Carlos Cavioli, tenente-coronel da Polícia de Choque de São Paulo. Cavioli, nada famoso ou tão influente como um Ministro, surpreendeu a mídia ao dizer, em alto e bom som na Comissão do Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, que os novos e modernos estádios que estão sendo construídos – também com atraso – para a Copa de 2014 só poderão ser utilizados pelos clubes brasileiros oito meses após o encerramento da competição mundial.

Readequação foi a palavra utilizada pelo policial paulista para justificar sua contundente afirmação. Exemplo: a FIFA não permite a utilização de alambrados nos estádios da Copa porque gosta da aproximação do público com o gramado e os jogadores.Coisa impensável em se tratando de praças esportivas brasileiras e da violência do torcedor.

Só isso dá bem a medida do que poderá impedir a utilização das novíssimas arenas por seus verdadeiros proprietários, quando não estado ou município, como em Manaus, Salvador e Brasília, por clubes como o Corinthians com o seu Itaquerão, e o Inter, com o reformado Beira Rio. Casa nova, vida velha, é o que reserva o futuro para o torcedor brasileiro. Inacreditável.

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