sábado, 29 de janeiro de 2011

A Copa de 2014: verdade ou mentira?


O velho e inservível Mané Garrincha dará lugar a um novo elefante branco

Estamos a menos de três anos da Copa de 2014 e nada. O Brasil não se mexe ou faz pouco para receber um evento de tamanha importância e visibilidade. O mundo vai virar nosso país do avesso, como acontece com todas as sedes de Copa. Procuramos por boas notícias, mas está difícil.

Até agora quase nada se fez em relação aos estádios brasileiros, nenhum deles está pronto para receber equipes, jornalistas e público. Aqui, por exemplo, Ressacada e Orlando Scarpelli tiveram suas capacidades limitadas a 10 mil pessoas enquanto não sejam colocadas câmeras de segurança. São praças esportivas da cidade que um dia pensou em ser uma das sedes da Copa.

O pior obviamente não está em Florianópolis, cujo aeroporto se iguala a uma rodoviária das mais xinfrins. Em Porto Alegre o Beira Rio só teve demolida parte de suas arquibancadas mais próximas ao gramado. E ainda se discute quem paga a conta. Obras no aeroporto? Em Curitiba não se tem notícias sobre arranjos para a Copa e em São Paulo Ricardo Teixeira e sua rixa com o São Paulo transferiram a responsabilidade para o Corinthians e um imaginário estádio no bairro de Itaquera. Congonhas e Guarulhos seguem como dantes. Temos visto a mobilidade urbana paulista a cada tormenta de fim de tarde.

Nossa mui querida e estimada Brasília, a capital da fantasia, foi premiada com o projeto de um novo estádio para 70 mil espectadores, no lugar do desde sempre inútil e atualmente defasado Mané Garrincha. Com certeza vão importar torcedores e clubes dos estados vizinhos. Hoje não conseguem encher nem a modestíssima “Boca do Jacaré”, em Taguatinga, do time do ex-Senador Luís Estevão, agora administrando uma lavanderia. Custo do futuro elefante branco? Baratinho, R$ 1 bilhão.

No Rio a nova reforma do Maracanã está estimada em R$ 700 milhões. Não incluam neste montante os custos com a reforma da cobertura – a velha comemora 60 anos bem vividos -, cujo orçamento ainda não foi divulgado. Talvez para não matar de susto o povo carioca. A Controladoria Geral da União (CGU) garante que está de olho. Não quer mais tarde outra reforma por determinação do Comitê Olimpico Internacional (COI) para a Olimpíada de 2016. E o Galeão, gente, o que é aquilo? Chamam de aeroporto. O Tom Jobim não merece. Pode ser que mais uma dúzia de novelas da Globo consigam nos fazer crer que o Rio de Janeiro ainda é o que foi.

E paremos por aqui, contando por enquanto apenas com o otimismo do Ministro do Esporte, Orlando Silva, que a cada aparição diz aos brasileiros que caminhamos a passos largos para uma bem organizada e tranqüila Copa do Mundo. Convertidos a São Tomé, os principais jornalistas do Rio e São Paulo resolveram deixar de lado o regionalismo bobo e inconseqüente para mostrar a realidade a leitores, ouvintes e telespectadores. E está criada uma espécie de bolsa de apostas: ganha quem acertar de onde virá a primeira boa e verdadeira notícia sobre os preparativos para a nossa Copa.

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