domingo, 13 de junho de 2010

Farinhada do mesmo saco

Escrevo estas mal traçadas aproveitando o relato do jornalista Juca Kfouri em seu blog e um mal estar que me bateu na volta do supermercado. Juca foi a Rostemburgo, distante pouco mais de 100 quilômetros de Johanesburgo, onde assistiu Inglaterra x Estados Unidos. Levou quatro horas para ir, outras quatro para voltar. Esse know how já temos por aqui mesmo. Basta ir a um jogo do Avaí na Ressacada.

Segundo Juca, o estádio Real Bafokeng, além de imundo, tem pontos cegos cobertos por plásticos nas cadeiras. Nenhum dos dois placares eletrônicos funcionou, as informações tipo escore e tempo do jogo vinham na voz de um locutor. Ah, e tinha fosso, coisa que a Fifa abomina e proíbe. Em torno do estádio formou-se um espetacular congestionamento e os voluntários eram mais desinformados que os espantados jornalistas a procura de uma orientação.

Testemunhos como este se repetem desde antes de a bola começar a rolar na África do Sul. Pelo que tenho lido, visto e ouvido dos profissionais que lá estão para fazer jornalismo sem oba oba, vamos organizar a nossa Copa em 2014 com uma mão nas costas. Ainda mais depois que o presidente Lula ofereceu o Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, para o que der e vier.

Como a Fifa não quer dinheiro público no negócio Copa do Mundo, a não ser para obras de infra-estrutura urbana, Lula teve o cuidado de avisar sobe o dinheiro que vai liberar através do BNDES: será empréstimo, não doação. Esse dinheiro tem ida e volta. Conta outra presidente, os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro não nos deixam mentir. Ao contrário, nos enchem de motivos para suspeitar da roubalheira que teremos por aqui com a chancela oficial.

No que toca à Fifa, estrategicamente faz um grande jogo de cena de acordo com seus interesses. A picuinha com os projetos do Morumbi é um exemplo, coisa de Josef Blatter, o presidente atual, em solidariedade a Ricardo Teixeira, Il Capo da CBF candidato na próxima eleição da Fifa e que não gosta de Juvenal Juventus, presidente do São Paulo. O desentendimento por enquanto, como queria Teixeira, rendeu a desistência paulista da abertura da Copa.

As observações iniciais nos levam à conclusão que os africanos devem ter retribuído às gentilezas e à tolerância da Fifa, não se sabe em que termos e em que medida. E em se tratando de Brasil os porões deste governo saberão contornar as dificuldades que possam atrapalhar os planos da pátria amada, salve, salve.

Isso tudo me veio à cabeça hoje pela manhã, depois que vi o Mário Cavalazzi às gargalhadas por entre as gôndolas de um supermercado.Lembram dele? O secretário de Turismo da Prefeitura do Dário envolvido no sumiço do dinheiro de um show e de uma árvore de natal e em outras falcatruas de menor porte. Voltei pra casa irritado e com ânsia de vômito. Estaria rindo de que este senhor? Com certeza de nós, os trouxas que votamos nessa ratatulha, pagamos impostos e os seus salários.

Um comentário:

Nei Duclós disse...

Bateu forte e bem, como sempre. Hj girei para a Band, saindo do oba oba global descobri um apagão no estádio antes de o Brasil jogar. Impressionante como é fácil manipular informação, selecionar, oba-obar. Quando chegar a nossa vez em 2014, a imprensa estrangeira não vai deixsar barato, acredito.