sábado, 16 de janeiro de 2010

Futebol, originalidade, despotismo e equilíbrio

Nosso campeonato está começando cheio de novidades e nenhum favorito, contrariando palpiteiros de plantão como blogueiros, jornalistas de carteira assinada, ex-jogadores, ex-treinadores, ex-árbitros, os conhecidos práticos e furadores de fila no mercado de trabalho legalmente reconhecido.

Este ano vamos ver nove estrangeiros em campo, divididos entre argentinos, uruguaios, um colombiano e até um naturalizado africano de Togo. Uma Torre de Babel nos gramados que pode levar um pouco mais de curiosidade e entusiasmo às arquibancadas.

De parte da Federação Catarinense de Futebol é que não tem novidade. Nem poderia ser diferente para uma entidade que tem dono há quase um quarto de século. Onde não existe alternância de comando, o terreno é infértil, novas idéias não frutificam. A Federação ainda é dirigida como no século passado, nos tempos das reuniões de José Elias Giuliari no restaurante Lindacap, altos da Felipe. A sugerida profissionalização não passa da porta da rua para dentro da sede levada para o quintal do nosso déspota não esclarecido em Balneário Camboriú.

Exatamente nesse ponto chegamos aos direitos de transmissão, retomados legitimamente pela RBS. As leis de mercado explicam tudo sem necessidade de grandes debates. A fragilidade e falta de preparo da concorrência facilitam o jogo para o grupo gaúcho. O perigo das exclusividades é a transformação dos seus profissionais de jornalistas em agentes de publicidade e propaganda, com o conseqüente e inevitável comprometimento da opinião. Ou alguém vai se atrever a falar mal do produto que está ajudando a divulgar? Que maravilha, hein presidente Delfim?

A história a ser contada nos estádios sofre a natural influência desta composição. A começar pelas vistorias pra inglês ver feitas pela Federação. A imprensa não participa, emudece a partir daí. Depois se queixa da falta de estrutura para o trabalho. Não fossem Bombeiros e a Polícia Militar teríamos – e teremos um e outro - jogos em campinhos de pelada.

Ah, os melhores times, os favoritos. Nesse quesito somos os melhores, praticamente imbatíveis. Duvido que tenha outro campeonato no Brasil com tanto torcedor nas cabines e tantos favoritos em campo. A competição é enxuta, uma virtude, com apenas dez participantes, e no mínimo cinco candidatos sérios ao título, uma originalidade. Avaí, Figueirense, Joinville, Chapecoense e Criciúma, não necessariamente nessa ordem, formam o pelotão de frente. Cinco em dez, cinqüenta por cento, a metade da lista pode levantar a taça, uma proporção foram do comum. Podem procurar na concorrência, não existe, cobrimos qualquer oferta. Garantia da côrte e seus áulicos.

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