quinta-feira, 9 de julho de 2009

Palestras motivacionais


Tostão hoje é médico, profissional sério como sempre foi no futebol e fora dele. Por isso li com muita atenção sua coluna, distribuída domingo aos jornais assinantes. Ele escreveu sobre psicologia no esporte e as palestras motivacionais, coisas bem distintas e que não se misturam. Acredito em uma, tenho horror da outra, até por experiências pessoais a que fui submetido em determinados momentos da minha vida profissional. A psicologia tem base, em qualquer dos seus segmentos. Exige estudo, muito estudo e pesquisa constante. Participei de uma das tais palestras. Era um encontro, um congraçamento dos funcionários de uma fundação, atividade carregada de boas intenções e que dispensaria o que fomos convidados a assistir em duas sessões. Me senti ridículo, obrigado a bater no peito, a uivar como um coiote, a socar um pedaço de madeira como um praticante de artes marciais, a ouvir um besteirol interminável ao som, na época, de músicas próprias à trilha sonora utilizada hoje na novela Caminho das Índias. Abandonei a sala irritado, me sentindo vítima de charlatanismo e completamente desmotivado.

Hoje o futebol tem um motivador famoso e muito requisitado, Evandro Motta. Contam que ele deu a mesma palestra no mesmo dia para jogadores do Fluminense e do Paulista de Jundiaí. Esse homem tem desempregado psicólogos nos clubes. Tostão não prega a reserva de mercado, mas lá no fim da sua coluna está escrito o que vale: “Sou contra o exagerado prestígio que muitos treinadores dirigentes e parte da imprensa dão a essas palestras óbvias, algumas vezes ridículas, de motivação. Parecem um show”. Amém, grande Tusta.

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