terça-feira, 12 de maio de 2009

O vôlei da Unisul também já foi


Recebi e-mail nervoso de um amigo e jornalista sempre atento aos assuntos do esporte. Pede sigilo e faz questionamentos que fiz há muito tempo no blog e na minha coluna no DIARINHO. As televisões não gostam de mostrar o nome de patrocinadores, escondem as marcas de quem contribui de alguma maneira com o futebol e outras modalidades. Trocam o nome do patrocinador pelo da cidade, no caso dos times de vôlei e outras modalidades de quadra. No futebol, durante as entrevistas coletivas, fecham as câmeras sobre o rosto dos entrevistados, evitando bonés, camisas e fundos com a identificação das marcas. A última vítima de quadra é o voleibol da Unisul, que em nota oficial explica sua decisão de acabar com o time de vôlei porque seus patrocinadores desistiram do projeto por falta de exposição na mídia. A Rede Globo se defende em nota oficial alegando que essa postura faz o público entender que existe uma fronteira entre a linha editorial e a comercial, eliminando o risco de qualquer tipo de comprometimento dos seus narradores, repórteres e comentaristas.


O protesto do leitor:

“Li que a Unisul fechou o time de vôlei de Joinville alegando que a Globo não citava o nome do clube e sim da cidade. A Globo distribuiu uma nota sobre o assunto. Faço a seguinte pergunta: Ferrari é nome de um clube ou de uma marca de automóvel? Por que nas transmissões de Fórmula 1 a Globo abre as câmeras e nos outros esportes praticados no Brasil ela manda fechar para não aparecer o nome dos patrocinadores? Ela é parceira, quer grandes clubes, mas omite o nome dos patrocinadores que ajudam a sustentar os espetáculos transmitidos na maioria das vezes a um custo muito baixo. O Clube dos Treze não se manifesta enquanto a Unisul foi corajosa, mas agora vai ser queimada pela Globo.”
O outro lado

Concordo e discordo. Tem também – e é muito comum – a situação de projetos bastante conhecidos que se instalam nas cidades, se apropriam de equipamentos esportivos (ginásios e outras instalações), recebem recursos do município e, de repente, na medida em que seus interesses apontam para outro lado, simplesmente desmontam o circo e vão embora. São os dois lados dessa ainda novidade no esporte brasileiro chamada patrocínio e que envolve muitas modalidades olímpicas. No caso dos esportes individuais a situação fica esquisita quando, ao falar ou escrever, o jornalista é obrigado a agregar ao nome do atleta uma lista imensa de colaboradores (patrocinadores). O certo é que em tudo isso há um fundo de verdade e muita coisa pra ser discutida até aparecer uma luz no fim do túnel evitando esse abre e fecha, esse monta e desmonta de equipes em todo o país.
A NOTA DA UNISUL
A UNISUL informa que está suspendendo o projeto que iniciou, há 10 anos, quando trouxe uma equipe de voleibol masculino para Santa Catarina, colocando o estado em lugar de destaque no ranking nacional do esporte.

Entretanto, o projeto vai além da valorização do voleibol profissional, pois continuará na sua missão social de contribuir para a inserção de novas gerações carentes nessa modalidade de esporte, o que vem sendo realizado, com sucesso, em 30 cidades do Estado, onde são mantidos 5.200 alunos, na faixa etária de 10 a 17 anos.

Para não comprometer a sua principal missão, pautada no ensino, pesquisa e extensão, a UNISUL sempre contou com o patrocínio de empresas privadas e dos governos estadual e de municípios.

Ultimamente, a UNISUL, para manter uma equipe competitiva, aceitou reduzir o seu nome no uniforme dos atletas e até em placas publicitárias, e preferiu silenciar-se diante da decisão da emissora de televisão, exclusiva na retransmissão dos jogos, de omitir o seu nome na identificação da equipe. Além disso, de cinco jogos exibidos ao vivo em 2008, apenas um mereceu transmissão simultânea este ano na emissora aberta, o que contribuiu à desistência de patrocinadores, que não renovaram os seus contratos ou que propuseram a redução de valores para a nova temporada.

Este conjunto de fatos impeliu a UNISUL a suspender o projeto da equipe de voleibol masculino para 2009/2010, sob pena de comprometer as atividades que justificam a sua existência.

A UNISUL assegura a continuação dos demais projetos, que compreendem a equipe de Futsal, que participa da Liga nacional em nome da cidade de Tubarão; as 69 escolinhas de formação esportiva, localizadas em 30 cidades, reunindo 5.200 alunos entre 10 e 17 anos; as equipes profissionais de natação e judô; bolsas de estudos a mais de 100 atletas amadores e profissionais.

Da mesma forma, a UNISUL orgulha-se de cumprir a sua missão, de investir cerca de 20% dos seus recursos orçamentários em serviços gratuitos à população, tanto na área da saúde, quanto na jurídica, esporte e outras. Somente em Tubarão, 30% da população é assistida gratuitamente, todos os meses, pela nossa Universidade.

Diante da decisão de suspender o projeto de voleibol, a UNISUL agradece:

# à comunidade de Joinville, por ter sediado com carinho e vibração a equipe de voleibol Tigre/Unisul/Joinville nos últimos dois anos, bem como a todos os torcedores da equipe espalhados pelo estado catarinense, país e exterior;
# à imprensa, pela cobertura e visibilidade sempre dada ao projeto;

# a todos os profissionais que participaram, dentro e fora das quadras, da equipe da UNISUL, simbolizadas na pessoa de Giovane Gávio, um dos maiores ídolos do voleibol mundial, treinador e coordenador do projeto nas últimas três temporadas;

# à comunidade acadêmica da UNISUL, composta por alunos, professores, coordenadores, colaboradores e gestores, que compreenderam a importância e apoiaram o patrocínio à equipe como instrumento de fortalecimento da imagem institucional.
Finalmente, a UNISUL faz um apelo à Confederação Nacional de Vôlei no sentido de repensar as estratégias de marketing da Superliga, visando a favorecer as equipes em seus esforços de buscar apoio imprescindível à sua sobrevivência. Uma das sugestões é condicionar à emissora que transmite com exclusividade os jogos, a exigência de mencionar os nomes verdadeiros das equipes, considerando que a televisão não pode se omitir no seu papel de ajudar a fortalecer uma modalidade do esporte que cresceu e se fortaleceu graças à abnegação e destemor de seus atletas e dirigentes.
A NOTA DA GLOBO

Os critérios que orientam as decisões das equipes de Jornalismo e de Esportes da Globo, de citar e exibir marcas, atendem a uma finalidade: ajudar o público a reconhecer a existência de fronteiras entre editorial e comercial, além, é óbvio, de resguardar, legitimamente, o modelo de viabilização da TV aberta, cujo sustento deve advir exclusivamente da comercialização dos intervalos e de outros formatos comerciais.
Do ponto de vista editorial, a citação indiscriminada de marcas comerciais por parte de narradores, comentaristas e repórteres poderia induzir o público a erro de julgamento quanto a independência, isenção e integridade que estes profissionais obrigatoriamente devem manter com relação a equipes e eventos esportivos. Por isso, mesmo considerando que o mercado esportivo evoluiu muito nas últimas duas décadas, a TV Globo nunca abriu mão deste princípio editorial, sem, entretanto, deixar de cumprir o dever de informar.
A Globo considera que a visibilidade natural proporcionada aos patrocinadores de equipes e eventos, em transmissões e reportagens, por si só agrega valor às marcas e gera ganhos de imagem para as empresas investidoras no esporte, dado o imenso alcance de público da televisão aberta.Além do propósito de apoiar o esporte, o expediente de utilizar marcas comerciais para dar nome às equipes e patrocinar ostensivamente projetos esportivos visa, evidentemente, à obtenção da chamada “mídia espontânea” – as empresas querem a citação gratuita das suas marcas, evitando adquirir espaço comercial para expor seus produtos ou serviços.
É curioso que, justamente no momento em que o mundo atravessa grave crise econômica, empresas aleguem que vão encerrar projetos esportivos porque suas marcas não são citadas. Ainda que estes projetos esportivos tenham recebido durante anos — às vezes décadas — o mesmo tratamento atual, o que prova terem sido vitoriosos e assegurado retorno para os patrocinadores que a eles se associaram.A eventual frustração de empresas patrocinadoras por não terem conseguido, na Globo, a chamada “mídia espontânea”, na intensidade pretendida, reforça nossa convicção quanto ao acerto de nossas políticas.

Um comentário:

Adriano Assis disse...

Essa mania de chamar as equipes pelo nome das cidades é absurda e prejudicial ao esporte. Isso sem falar que a Globo mostrou apenas 3 partidas em tv aberta em toda a temporada, mesmo tendo os direitos exclusivos da competição. Culpa também da CBV que é refém da emissora e fica quieta. E não há critério nenhuma para os nomes da equipe, na F1, a Globo fala Toyota, mas não fala RedBull, chama de RBR.