segunda-feira, 16 de março de 2009

Vire o disco, CBN


Quem tem a oportunidade de ouvir a CBN em seus estados vai se deparar com um problema que, embora pequeno, demonstra o desrespeito ao ouvinte como consumidor e acaba por atrapalhar o desenvolvimento de alguns programas de suas afiliadas. Por Francisco Djacyr Silva de Souza*, publicado no boletim eletrônico Caros Ouvintes

É o que acontece, por exemplo, quando em meio a um debate de importância para a cidade, lá vem a CBN com a tal notícia de meia em meia hora que não oportuniza a rede local a concluir o pensamento do programa ou as idéias em meio a uma entrevista ou debate promovidos pela emissora.
O mais grave de todo o processo é que a maioria das notícias tem repetição nas várias edições. Qual é o ouvinte que vai querer ouvir a mesma coisa três ou quatro vezes? Falta produção ao jornalismo da CBN para produzir notícias novas e atuais, ou é mesmo o fazer por fazer sem se preocupar com quem está do outro lado da emissão?
Não duvidamos da qualidade do sistema CBN de rádio, mas achamos que há uma total falta de respeito ao ouvinte tanto no processo de emissões quanto no conteúdo das notícias que saem no tal noticiário de meia e meia hora.
Sabemos que a dinâmica tecnológica da informação permite que os sistemas de jornalismo se reciclem e renovam conteúdos automaticamente, pois as agências de notícias estão produzindo conteúdos a todo momento e o mundo muda sempre a cada hora.
Essa crítica a este modelo de radiojornalismo reside no fato que esta ação se confronta diretamente com a dinâmica do rádio e com o seu valor de milhões de pessoas que o ouvem no seu cotidiano para se informar e conhecer o mundo aprendendo pelo rádio a conhecer a vida.
Outro problema evidenciado por este fato é como a afiliação a redes nacionais é prejudicial ao rádio local, que perde em muito suas características próprias e sua importância no conhecimento da realidade de seus cidadãos. O que interessa para nós, cearenses, saber que há um engarrafamento na Avenida São João? Ou que o rio Tietê transbordou e que é preciso evitar o transporte por suas marginais? Claro que essas notícias são importantes, porém não devem ser dadas de maneira como apenas ouvintes dos locais de emissão estejam ouvindo.
Este problema é o mesmo que vem ocorrendo na televisão e que tem passado para o rádio, que perde espaço para programações locais que falem nossa língua e dá lugar a sotaques, costumes e notícias deslocadas de nossas características culturais e do nosso cotidiano.
Mas o grande problema é que a massa de ouvintes ainda não tem o poder para mudar esse estado de coisas e tem que conviver com essas anomalias de quem usa o rádio apenas com interesses econômicos e nunca sociais.
Seria de bom alvitre que a CBN procurasse desenvolver melhor seu sistema de jornalismo e procurasse de forma democrática e compromissada emitir notícias atuais e adequadas ao cotidiano das pessoas que ouvem rádio e que querem uma comunicação séria, verdadeira e que contribua para sua história de vida e para uma formação pautada na construção de uma cidadania ativa e participativa.
Vale ressaltar que o “Fale Conosco”, apregoado pelas emissões da CBN, funciona apenas como instrumento de marketing da emissora que nunca ou quase nunca responde às dúvidas e reclamações de seus ouvintes, que não têm espaço nas programações para dizer o que pensam nem são tratados como consumidores e pessoas que entendem a história e a importância do rádio como meio de comunicação.

*Mestre em Educação. Professor da Rede Pública e Privada de Ensino. Autor do Livro Preservação do Ambiente um Ação de Cidadania. Desenvolve trabalhos na área de Educação Ambiental, Estrutura e Fundamentos da Educação e Práticas de Ensino em Geografia e vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará.

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