terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Terça-feira

Titanic

Depois de ignorar todos os avisos sobre os perigos existentes na carta náutica desenhada por uma parceria que não merecia um mínimo de confiança, o Corinthians sofreu um rombo irrecuperável, por onde entraram safadeza, incompetência e um acúmulo de decisões equivocadas, terminando com o naufrágio de domingo em Porto Alegre. Poucos dirigentes, alguns profissionais das diversas comissões técnicas formadas em 2007 e um número reduzido de jogadores mereceram ser salvos desta tragédia que se abateu sobre a nau corintiana.

Mediocridade geral

Pelo nível dos times que disputaram a última rodada da série A do brasileiro dá para entender a extrema facilidade com que o São Paulo chegou ao título e a grande diferença de 15 pontos para o Santos, segundo colocado. Os jogos de Goiânia e Porto Alegre foram de uma indigência técnica vergonhosa, especialmente porque em campo estavam um campeão mundial e um vice da Libertadores.

Casa da mãe Joana

Vergonhosa também foi a organização da rodada decisiva. Goiás e Corinthians entraram em campo na hora em que bem entenderam, o técnico Nelsinho Batista só liberou a escalação do seu time pouco antes do jogo, as autoridades delegadas pela CBF nada fizeram, torcedores ficaram feito bobos nas arquibancadas e as televisões acabaram comprometendo seus horários e patrocínios. Para quem pretende organizar uma Copa em 2014, foi uma pequena mostra do quanto estamos despreparados. E o mais grave: ninguém dá bola para o Estatuto do Torcedor, principalmente as entidades que deveriam zelar pelo seu cumprimento.

Não é com eles

Quando perguntam a Ricardo Teixeira sobre a tragédia da Fonte Nova, ele se irrita e responde que quer falar sobre futebol. Coaraci Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, não gosta de falar sobre o doping de Rebeca Gusmão e Nelsinho Batista, na coletiva do rebaixamento em Porto Alegre, negou-se a falar sobre os problemas do Corinthians, alegando que estava ali para responder sobre o jogo.

Coerência

Depois do jogo de domingo, quando a arbitragem mandou repetir dois pênaltis cobrados por Paulo Baier e defendidos por Clemer, goleiro do Inter, todos os árbitros e auxiliares, de agora em diante, deverão adotar o mesmo procedimento, seja qual for a importância da partida ou dos clubes envolvidos. Quero ver.

Conversa de comadre

A teoria da conspiração, que correu solta feito fofoca antes da rodada de domingo, acabou desmentida pelos fatos. O Inter, por exemplo, perderia para o Goiás para prejudicar o Corinthians, uma vingança pelo título de 2005. De fato, a derrota aconteceu, mas com o goleiro do time perdedor defendendo dois pênaltis. Seria muito sacrifício para premeditar um resultado negativo.

O mínimo

Figueirense e Avaí, os representantes de Florianópolis no campeonato brasileiro, conseguiram manter-se em suas respectivas séries, não mais que isso. O Criciúma fez pior, deixando escapar uma grande oportunidade de voltar à primeira divisão, depois de liderar a série B por 18 rodadas. Esse cavalo encilhado tão cedo não passa de novo no Heriberto Hulse.

Cabeça ruim

O goleiro Felipe, ídolo corintiano acusou, sem citar nomes, três ou quatro jogadores do Inter que estariam interessados em mandar seu time para a segunda divisão. Felipe talvez estivesse bastante incomodado por ser um campeão do rebaixamento: com o Vitória em 2004, e em 2005 também com o clube baiano, da série B para a C. E agora com o Corinthians.

Tentativa de suicídio

O narrador Luciano do Vale e os repórteres Fernando Fernandes e Antônio Petri, integrantes da equipe da TV Bandeirantes na transmissão do jogo entre Grêmio e Corinthians, foram trabalhar uniformizados com uma camisa vermelha. Logo em um estádio onde o único vermelho permitido é o da bandeira do Rio Grande do Sul. Lá até o Papai Noel veste azul.

Torcedores de cabine

Difícil de aturar algumas transmissões da tevê fechada. Narradores e comentaristas vestem ardorosamente a camisa dos times dos seus estados.






Um comentário:

Anônimo disse...

Mário,

Menos aqui que o narrador torce pelo time do Estado.

O Martinelo e o comentarista (aquele ex-jogador do Vasco, que eu não lembro o nome) torcem desgraçadamente contra o Figueirense.

Pedro de Souza