quinta-feira, 19 de abril de 2007

Quinta-feira

SOU DO TEMPO...

A Chapecoense em alta, próxima do título, traz boas e más lembranças. Jornalisticamente são ao gosto deste velho escriba, que em 1972 já ajudava a desbravar o novo oeste por conta de missões para o saudoso jornal O Estado. O primeiro episódio, “ruim de viver, mas bom de contar” (Ariano Suassuna), aconteceu nos Jogos Abertos de 1975 e irritou a organização. Uma matéria transcreveu as queixas da delegação de São Joaquim por causa do alojamento em um pavilhão para feira de gado e foi preciso pedir garantia de vida para a equipe do jornal ao comando local da Polícia Militar. Em 1977 veio o título estadual, na decisão contra o Avaí. O repórter Luiz Lanzetta, hoje jornalista de fraque e cartola em Brasília, saiu do estádio escondido no banco de trás de um fusquinha, enquanto no gramado misturavam-se festa e briga com os visitantes.

SOU DO TEMPO... 2

No ano seguinte, em paz com Chapecó e seus habitantes, morei quatro meses na cidade para acompanhar a Chapecoense no campeonato brasileiro. O técnico, em início de carreira, era Lori Sandri. Antes disso fizera reportagem com a Chapecoense em duas páginas da revista Placar. A matéria, editada em São Paulo sob o título “A lingüiça paga” – referindo-se ao patrocínio da indústria Chapecó, do Maninho de Nez – não foi bem entendida por alguns torcedores e me rendeu uma ameaça com revólver na cara em frente ao bar Santa Terezinha, na avenida principal da cidade. Nei Boto Guimarães, na época narrador da Guarujá, foi quem desarmou no papo o maluco de plantão. Coincidiu que, quando saiu a revista, eu estava na região para cobrir outro confronto do Avaí com o time local, que, por falta de estádio, jogava em Xaxim. Lá eles puxavam o cabelo do repórter, por falta de espaço obrigado a ficar pelo lado de dentro, encostado ao alambrado. Atrás de uma das goleiras tinha uma árvore de onde, um encarapitado torcedor, munido de um bodoque, apedrejou o goleiro avaiano todo o segundo tempo.

SOU DO TEMPO... 3

Nos Jogos Abertos de 1991 o então prefeito Milton Sander amarrava a cara para o jornalista que ousasse fazer alguma crítica à organização do evento. Resmungava pelos cantos atrás dos “caluniosos”. O ex-árbitro Dalmo Bozzano, uma vez – e essa não está no seu livro - foi convidado a confeccionar a súmula do jogo sobre uma mesa colocada no meio do gramado do estádio Índio Condá. “Só sais daqui depois de lermos o teu relatório”, era o que mais ou menos esse convite dos dirigentes sugeria. São muitos os episódios envolvendo os apaixonados chapecoenses, retratos de um tempo que já vai longe, cuja leitura certamente vai incomodar principalmente aqueles que, sob o manto da paixão, ainda hoje teimam em lembrar na prática as estripulias daquela época.

TAPETÃO

O Próspera perdeu 12 pontos no Tribunal de Justiça pela utilização irregular de um jogador em duas partidas e está rebaixado. Vai disputar um quadrangular com Marcílio Dias ou Joinville, Camboriuense e Videira com o campeão subindo para divisão principal.

PRESENTINHO CARO

O Criciúma, vítima da generosidade de um torcedor, acabou nessa mesma sessão punido com a perda de um mando de campo. A encrenca aconteceu no jogo do returno contra o Avaí, quando um rádio portátil foi atirado no árbitro Wagner Tardelli. Identificado e preso, como manda o Estatuto do Torcedor, ou como simulam os clubes às vezes, o bofe argumentou que queria oferecer um mimo ao Tardelli. Muito afoito, jogou o presente por cima do alambrado, ao invés de entregá-lo em mãos.

APOSTAS ABERTAS

Claro que haverá recurso do Criciúma para que uma possível decisão de título seja no Heriberto Hulse. Enquanto isso torcedores de Avaí e Figueirense apostam que o jogo decisivo, se houver, será em Florianópolis. Ressacada ou Orlando Scarpelli? Não percam tempo fazendo esse jogo, senhores. É melhor apostar que a pena será cumprida no estadual de 2008. Dependendo dos resultados da última rodada a decisão terá a primeira partida em Chapecó, mas a segunda só a magistratura esportiva catarinense sabe.






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